Fim dos tempos 2

33 Capítulo 33 - Viagem de ida


Notas iniciais
Oi gente, mil desculpas pela demora, mas foi complicado meu dia hoje e ontem trabalhei até mais tarde, mas aqui está, as coisas estão se desenhando aos poucos, logo vão entender que caminho a história segue.

Pov – Katie

Minha pequena ratinha completa um mês de casada, parece feliz como nunca, o tempo todo tem os olhos brilhantes está sempre sorrindo, claro que eles tem alguns problemas domésticos, que Beth a antiquada da família, diz que é culpa minha, que não ensinei minha filha a ser uma boa esposa, faz com que eu e Maggie nos dobremos em risadas.

A história de sair em busca da comunidade de Katrina não foi esquecida, vez por outra conversamos sobre o assunto, mas as coisas a nossa volta iam acontecendo e a cada semana adiávamos a saída por alguma razão.

Mas tudo caminhava para acontecer nos próximos dias, as coisas estavam calmas, os dias limpos e quentes e o carro que Jimmy e Megan tinham aprontado estava em perfeitas condições.

Hora eu queria ir, achava importante e necessário, hora queria ficar com medo do que nos aguardava nas ruas, uma confusão de sentimentos, passei boa parte da minha vida pós apocalipse do lado de fora, na estrada, enfrentando os perigos, mas depois de tanto tempo, com tanta segurança a nossa volta, com comida, abrigo, amigos e filhos eu achava que podia não valer a pena e no entanto era por esse mesmo motivo que achava que precisávamos ir, para manter tudo isso seguro.

Daryl de tanto conversar com Tommy tinha se convencido que era uma ideia razoável, Michonne queria ir, às vezes ela fazia pequenas viagens por ai sozinha, gostava disso, uma pessoa costumava ser mais seguro, grupos grandes é que eram problema.

Eu e Daryl também saíamos ás vezes, ao menos mais do que os outros, éramos o grupo que ia lá fora, mas isso normalmente significava umas horas em volta da vila, uma cidade vizinha, nada além disso, não no último ano ao menos.

─Vamos amor! – Chamo Daryl que descia as escadas com a besta nas costas – O Jimmy está nos esperando e depois temos que pegar as crianças no Rick.

─Amo você pequena! – Daryl chega – Mas como o Nick diz, é uma mandona! – Eu faço careta, ele me rouba um beijo e seguimos juntos em direção a casa de Jimmy.

─Quanto falta pequena? – Ele me pergunta.

─Um mês e meio, não chega a dois, por isso acho que se temos que ir tinha de ser agora, não quero estar fora quando chegar a hora, Mary fica mais segura comigo por perto e o Jimmy também.

─Eu sei, vamos resolver isso, estava a pouco conversando com a Mich, ela está decidida a ir com o Tommy, então acho que vamos acabar indo todos.

─Lindo como eu ia saber que não tínhamos mais roupas limpas? – Ouvimos a voz de Megan e paramos os dois de forma automática, os dois caminhavam juntos em nossa direção de mãos dadas e cara amarrada, acho divertido.

─Como fazia antes? – Ele pergunta sem ainda nos ver.

─Eu sei lá, nunca pensei sobre isso, trabalho na oficina! – Megan responde e então nos veem – Olha minha mãe ai, ela pode responder, mamãe o que acontece com as roupas sujas? – Ela me pergunta soltando a mão de Carl apenas para abraçar e beijar o pai, depois a mão volta a se juntar a dele.

─Sempre soube que seria assim! – Daryl diz rindo da cara amarrada de Carl.

─Não quer que acredite que lava suas roupas Daryl – Carl comenta sério.

─Definitivamente não faço isso, mas o problema é que minha pequena implica com elas, não eu, por mim nem me importava, nem sei dizer se estão sujas ou limpas!

─Ratinha, vocês juntam as roupas da semana, e lavam no tanque comunitário que temos na rua de trás, depois levam as roupas para o varal e quando estão secas guardam, tem que economizar água na lavagem, por isso uma vez na semana.

─É mesmo! – Ela tem um lampejo – Já te ajudei algumas vezes, pronto lindo! – Ela olha para Carl – Amanhã vamos fazer isso, eu e você, não se esqueça que estamos mudando o mundo e as tradições! – Ele acaba sorrindo, ela corresponde – Vamos, disse que me ajudaria no trabalho hoje, tem um monte de coisa pesada lá e o Jimmy está de férias eternas!

─Vamos linda! – Ele acena para nós e eles seguem em direção a oficina, Daryl ria.

─Minha ratinha é muito mandona!

─E feminista! – Eu brinco e então chegamos a casa de Jimmy, ele está sentado ao lado de Mary, ela sorri quando nos vê, eu a abraço.

─Oi gente, como estão as coisas?

─Bem! – Mary responde – Ando meio cansada, mal consigo subir as escadas de noite, mas me sinto bem, a Amy e o Jimmy me ajudam.

─E a doutora Lauren tem visto você? – Daryl pergunta se sentando ao lado de Jimmy.

─Todo dia ela vem aqui, nossa ela é muito cuidadosa, Liv também, está muito empenhada em aprender, é um amor não acham, a Amy a adora.

─Eu sei, o Nick e o Matt também, e a Megan e ela ficaram muito amigas.

─Megan está toda atrapalhada com esse negócio de cuidar de uma casa! – Jimmy comunica preocupado – Devia dar umas dicas a ela Katie, ela e o Carl estão bem, mas e se isso criar um problema?

─Duvido, os dois não se largam um segundo! – Eu comento, iria comentar que é a mais longa lua de mel que já vi, mas evito por pena do meu ciumento marido.

─Não acham melhor ficarem lá em casa? – Daryl pergunta – Tem mais gente para cuidar de todos, ficam no quarto da Megan, arrumamos tudo em um instante.

─Não precisa Daryl – Mary diz sorrindo, já Jimmy eu sinto que adoraria se mudar para perto da família.

─Jimmy você sabe que os seus irmãos iriam adorar e todo mundo ficaria mais tranquilo! – Daryl insiste e esse todo mundo era ele e Jimmy, os apavorados da família, Jimmy olha para Mary, segura sua mão carinhoso, são um casal tão querido, carinhosos um com o outro, dedicados e sempre lutaram para serem felizes, amo tanto esses dois que é engraçado, principalmente por que é quase como o amor que sinto por meus ratinhos e com Daryl não é diferente.

Jimmy é como seu irmão mais novo, que ele cuida e preserva, ele meio que tem medo de perder Jimmy como perdeu Merle.

Talvez fosse mesmo melhor que viessem de uma vez, nunca se sabe o que pode acontecer e é bom estarmos realmente perto.

─Vocês dois sabem que eu e Daryl vamos ficar uns dias fora e que os garotos vão ficar com vocês, acho que seria boa ideia estarem lá em casa, tem mais espaço.

─Estava pensando se não iriam querer deixar com a Megan agora que ela casou! – Um carente Jimmy comenta e me faz sorrir.

─Está maluco? – Daryl diz sério – Eu queria deixar até a Megan com você, além disso sabe que os dois só ficam mesmo com você Jimmy, sabe que é você que os acalma e é com quem eles ficariam se algo...

Daryl se cala, não gostamos de pensar nisso, não queremos falar sobre isso, principalmente com Mary esperando um filho, mas sim é com ele que meus ratinhos ficariam, é Jimmy que se atiraria aos zumbis para protege-los se fosse preciso, só Jimmy ama meus filhos como nós amamos.

─Eu sei! – Ele diz emocionado.

─Ótimo então vamos de uma vez, vai ser mesmo uma festa! – Eu decido por todos – vou fazer sua mala Mary, me ajuda Jimmy.

Me levanto, eles todos me obedecem, sou a mamãe, sei o que é melhor para minha família.

─Muito bom! – Daryl diz feliz, ele não para de se preocupar com os dois e já chega sua preocupação com a vida de casada da filha – Vamos carregar logo tudo.

Com uma pequena força tarefa que inclui minhas irmãs e as crianças arrumamos tudo para Jimmy e Mary ficarem em casa, de noite tudo estava pronto e as crianças tão felizes que era bom de ver, Megan vem ficar um pouco conosco, todos se sentam para jogar cartas, Carl ainda deixa Megan ganhar, Jimmy e Mary jogam com eles e isso distrai Mary, ela andava mesmo tensa.

Liv está com eles e ficamos esperando o mal humorado Tommy vir busca-la, ele não admite, mas está adorando tê-la por perto, ficou mais suave até, de algum modo ela aplacou um pouco a falta que Gina lhe faz, não gosto de pensar nisso, sinto vontade de chorar ainda hoje só de me lembrar dela.

Dois dias depois fazemos mais uma reunião do conselho e a viagem fica decidida, os preparativos são intensos, armamentos, mapas, suprimentos, rotas de fuga, planos e mais planos para serem seguidos, tudo para nos manter em segurança e sob a proteção do grupo, tínhamos um grupo de busca preparado para nos caçar se não voltássemos nos três dias previstos.

No dia de partir acordo muito cedo, quase não preguei os olhos durante a noite, Nick e Matt ainda estão em nossa cama, não quis me afastar deles, vamos ficar separados e a ideia de ficar sem meus filhos tanto tempo me dói o coração.

Daryl abre os olhos e me encara, ficamos nos olhando, silenciosos, ouvindo a respiração das crianças tranquilas, meus olhos ficam marejados.

─Não quer ir? – Ele me pergunta – Sabe que não...

─Nós vamos, eu e você juntos, somos uma coisa só, se lembra?

─Sim amor, eu sei, vamos juntos, vai ficar tudo bem, já enfrentamos tanta coisa, eles vão ficar bem.

Concordo e ficamos ali esperando que acordassem, eu sabia que até voltarmos não dormiriam tranquilos, eles acordam e não tem toda aquela animação de costume, nos levantamos, vestimos, preparamos e depois do café começamos as despedidas e recomendações, logo Megan está lá, os olhos marejados.

─Se cuidem e voltem logo! – Ela pede depois de um abraço apertado, então estamos finalmente de partida, abraço e beijo todos mais uma vez, e mais um vez sinto vontade de chorar, então sem alternativa e sabendo que era preciso entro no carro Daryl se senta ao meu lado no banco de trás, Mich vem conosco, Tommy dirigia com Rick a seu lado, não estava nos planos que Rick nos acompanhasse, mas ele insistiu e não tivemos opção.

─Estrada mais uma vez! – Mich diz olhando a estrada vazia a nossa volta.

Uma hora de estrada sem qualquer problema, nada de zumbis sobreviventes ou qualquer problema, paramos muito pouco, quando anoitecia chegamos a cidade que Liv tinha nos dito, estava nos nossos planos passar a noite ali e começar as buscas na manhã seguinte.

A cidade estava bem vazia, nada de zumbis na rua principal, estacionamos em uma esquina, esquinas eram boas, nos davam várias direções no caso de uma fuga.

─Achamos um lugar ou ficamos em alerta no carro? – Mich pergunta.

─Prefiro achar um lugar, se isso é mesmo uma rota do tal grupo não quero ser encontrada por eles no meio da noite – Aviso e todos concordam.

Descemos e caminhamos uns metros, tem uma casa grande, com grades nos portões e parece tão abandonada quanto todo o resto.

─Que acham? – Tommy pergunta.

─Parece bom! – Rick concorda e pulamos as grades, caminhamos juntos até uma porta lateral, está apenas encostada, entramos levando uma lanterna em mãos, mas ainda era dia e aproveitamos o resto de luz, a casa estava toda revirada, mas parecia limpa – Vamos nos dividir em dois grupos e nos encontramos aqui, Michonne fica de guarda.

Tommy e Rick seguem pela direita, eu e Daryl esquerda e vamos varrendo o lugar, caçando perigos, verificando janelas e portas e depois fechando tudo, até que acabamos dando de cara com os dois.

─Tudo limpo! – Aviso, nenhum zumbi ou corpo.

─Dois corpos do nosso lado, em decomposição avançada ─ Tommy avisa.

Nos fechamos em uma sala com visão para a rua e nosso carro na esquina, comemos enquanto ainda estava claro e nos encolhemos no escuro para não chamarmos atenção.

A noite chega finalmente, traz com ela suas sombras mórbidas, abraço Daryl que me envolve naquele silencio profundo, assustador. Então eu ouço antes de todos, é tão alto e tão vivo que me faz tremer, me arrepio toda, Daryl sente minha tensão.

─Uma horda! – Sussurro e ficamos de pé, de olho na janela, as cortinas e a escuridão nos escondia, não demora para os primeiros zumbis surgirem e é de novo aquele organismo vivo.

Uma infinidade de mortos caminha a esmo, se atropelando, gemendo e mancando, os olhos perdidos, trôpegos e famintos, são tantos que me lembra um oceano, nenhum de nós se move, não nos atrevemos a falar, mexer, piscar, aquelas grades seriam apenas um pequeno contratempo se aquela multidão de mortos-vivos nos sentissem.

Aperto tanto a faca na mão que sinto dor nos dedos, mas não consigo evitar, minha mente segue para meus filhos, fico pensando neles, a horda que nos atacou e causou tanto estrago, morte e dor não era nem metade daquela procissão de mortos diante de nós.

Se tivéssemos ficado no carro estaríamos mortos, se um dia tivéssemos que voltar para as ruas estaríamos mortos, ficamos insistindo em viver, lutando dia e noite, criando sonhos e fingindo que ainda temos um mundo, mas aquele cortejo fúnebre só me faz pensar que é apenas uma questão de tempo.

Eles não param, agradeço por isso, continuam e continuam, aglomerados caminhando enquanto atropelam qualquer coisa que estejam em seu caminho, sem realmente sentir nada, é assustador, da medo e angustia, é como um soco na boca do estômago, é a verdade sendo atirada em nossa face.

São horas de tensão, chega a causar dor física, mas finalmente os mortos seguem seu caminho nos deixando para trás, seco o rosto que está coberto por lágrimas, ainda demora para alguém se mexer, falar, é Daryl quem quebra o silêncio.

─Vamos ficar bem meu amor, estamos aqui, ainda estamos.

─Eu sei, ainda estamos, meu medo é até quando?

─Até que nenhum deles dependa mais de nós! – Daryl diz determinado, e concordo com ele que me envolve apertado.

─Demorou quase a noite toda! – Michonne diz se afastando da janela – Acho que podemos ir.

─Ficaram alguns para trás, meia dúzia mais ou menos! – Rick avisa também se afastando, eu me mantenho no mesmo lugar, suspiro.

─Damos conta! – Tommy começa a juntar nossas coisas – Vamos de uma vez, temos prazos, gente para cuidar que nos espera em casa, ficar choramingando na janela só nos atrasa e não resolve nada.

─Está certo! – Saio dos braços protetores de Daryl – Não é como se isso fosse uma novidade, eles sempre estiveram ai, é bom não nos esquecermos.

Mando o medo e a tristeza para o inferno como sempre fiz, estou nessa para ganhar, sempre foi assim.

Deixamos a casa com o mesmo cuidado com que entramos, os zumbis nos percebem e quando chegamos as grades tem meia dúzia deles, os matamos por entre as barras de ferro, me lembro da prisão, me dá um aperto no coração pensar em todos que ficaram enterrados lá, nos que perdemos no caminho desde aqueles tempos, pulamos para a rua assim que fica limpa e seguimos para o carro, vejo um braço caído na calçada, ao lado do carro, um zumbi sem pernas se arrastava em nossa direção, eles iam ficando pelo caminho, perdendo membros, o cheiro era insuportável.

─E então como vai ser? – Tommy pergunta diretamente a Daryl quando entramos no carro.

─Continuamos pela rua principal, foi nessa direção que o carro seguiu não foi? –Daryl anuncia.

Rick dirige por uma hora em direção a estrada, Daryl e Michonne com o mapa aberto no colo.

─Aqui! – Daryl aponta o mapa decidido – É um vilarejo, pelo que dá para ver fica num vale, é o mais perto que temos – Ele olha para frente – A direita Rick, na interestadual.

Dez minutos depois Rick para na estrada por ordem de Daryl, estaciona no acostamento ao lado de alguns carros parados, meio batidos, com marcas de fogo e enferrujados pelo tempo, descemos.

─E agora, o que acha?

─Os carros foram arrumados aqui, estavam no meio da estrada, vejam logo ali na frente! – Daryl aponta – Aquilo é uma estradinha de terra, leva a esse vilarejo.

Daryl abre o mapa no capô do carro, eles ficam lá conversando a respeito, apontando caminhos, conversando sobre como chegar lá, eu me afasto um instante, prefiro garantir a segurança já que não entendo nada de mapas e nunca entendi.

─Pessoal! – Chamo e eles me olham – Zumbis, melhor se decidirem de uma vez! – Reclamo puxando minha faca.

─Vamos pela floresta, a pé, assim não chamamos atenção.

─O carro! – Rick diz sério olhando em volta – Se estamos no lugar certo, eles devem conhecer o lugar, fazer rondas, se virem um carro estranho estacionado vão nos caçar.

─Tem razão, vamos esconder o carro.

Tommy diz entrando no carro e dirigindo de ré alguns metros, ele coloca o carro atrás de um pequeno caminhão, entre umas árvores que já dominavam o asfalto, jogamos uns galhos sobre o carro, se estivessem apenas passando possivelmente não veriam, não havia muito a fazer sobre isso, depois pegamos a floresta.

Evitamos barulhos, eu e Daryl caminhamos na frente, todos em silencio, duas horas de caminhada, no percurso apenas um zumbi, atiro minha faca, ele cai e seguimos em direção a ele, a princípio só queria minha faca de volta, mas paro um segundo para olhar o corpo do zumbi.

Faço sinal e o resto do grupo se aproxima, me olham confusos, sem entender porque um zumbi caído com uma perfuração na testa era motivo de interesse.

─Estamos perto, esse está limpo, vejam, as roupas, a pele, não se transformou a muito tempo, não era um andarilho, esse cara tinha uma casa até bem pouco tempo.

Aviso e eles concordam.

─Se estivesse vagando de muito longe estaria mais sujo, rasgado, está certa Katie, ele veio da região, estamos perto.

Michonne diz puxando a espada das costas, aperto mais minha faca, Daryl ergue a besta e Rick e Tommy também se armam, continuamos subindo mais uns metros, depois teríamos que descer, o vale ficava abaixo, meia hora e o relevo muda, agora parecia estarmos no topo e depois de uns metros nós paramos boquiabertos.

Abaixo de nós no vale, podemos notar um vilarejo, está todo cercado por muros, tem pelo menos três vezes mais espaço que nossa vila, com casas, pequenos edifícios de dois ou três andares, uma boa plantação, um moinho a pleno vapor, animais e pessoas, gente indo e vindo, trabalhando, conversando.

Então é ali, o lugar é bom, mais do que isso, era perfeito, escondido, de difícil acesso para zumbis, os muros eram altos e os portões eram de ferro, ficamos ali algum tempo, observando como as coisas funcionavam.

─Não vi nenhuma criança, apenas adultos, homens e mulheres.

─Também não tem nenhum velho! – Tommy comenta.

─Calma pessoal, sem fantasiar, pode ser apenas coincidência, podem estar dentro das construções, não vamos tirar conclusões precipitadas.

Rick é sempre o mais sensato, agora sabíamos onde viviam, que eram um bom número, que tinham muros altos, mas e o que isso nos importava, de que nos servia?

─Eles têm uma pequena frota de carros, já vi pelo menos uns oito, mas e combustível?

─Devem ter saído para outras cidades, com tanta gente podem varrer mais espaços, além disso saqueia e roubam, não se esqueçam, essa prosperidade não vem do trabalho e sim de pilhagem, são piratas, nada além disso.

Tommy nos avisa e me lembro que Gina estava morta por conta dessa gente, a mesma gente que permitia que uma menina inocente como Liv fosse abusada.

─Se viermos direto sem paradas pelas rodovias chegamos aqui em um dia de carro, o que significa que chegam em nossa casa no mesmo tempo, é inacreditável nunca termos nos encontrado! – Daryl diz tenso – Agora sabemos que isso pode acontecer.

─Também temos um bom lugar, tão escondido quanto esse, talvez já tenham estado por perto, e não nos encontrado, talvez prefiram outras rotas, não podemos saber.

─Nesse caso, acho que só podemos voltar para casa, nos preparar para um possível encontro.

Ouço um barulho nas folhas, nos viramos todos atentos, só podia ser um zumbi, mas então um rapaz surge com uma mochila nas costas, ergue uma arma no momento que nos vê, está ofegante e apressado.

─Não quero atirar e chamar atenção, não tenho intensão de machucar ninguém, só quero seguir meu caminho e se não vão tentar a sorte em Horizonte é melhor irem embora.

─Horizonte? – Daryl pergunta.

─É como chamam o lugar, e então como vai ser? – O garoto está tremulo, mas finge força.

─Não fique tenso, vamos conversar, também não queremos chamar atenção, está partindo? Fugindo? – Pergunto preocupada.

─Não interessa! – Ele diz mais tenso.

─Garoto você derruba um de nós, e está morto, não é um impasse, então baixe a arma e vamos sair daqui, depois conversamos num lugar mais seguro, quando estiver mais tranquilo – Daryl diz já impaciente, dá um passo para meu lado, o menino da um meio sorriso, sua arma vem direto para mim, ele mira meu peito, é esperto tenho de admitir.

─Ela é importante para você?

─Certo, pode ir, ninguém vai fazer nada com você, vá, não vamos nos mexer! – Rick diz com a voz tranquila.

─Porque confiaria em vocês?

─Porque não tem escolha, está com pressa, não vamos baixar as armas até que você o faça e tem zumbis a caminho, acho que sabe disso! – Eu digo e ele me olha indeciso.

─Para onde vão? – Ele pergunta.

─Para longe daqui, não parece uma boa ideia tentar a sorte com esse grupo.

Daryl responde dando mais um passo em minha direção, vai fazer uma loucura se o garoto não baixar a arma.

─Não é, se entrarem serão separados, vão ouvir um monte de baboseiras, mas vão estar mortos antes do dia terminar.

─Quer uma carona para sair mais rápido daqui? – Eu ofereço – Parece que se ficar não vai ter mais sorte, te deixamos onde quiser, não precisa se livrar da arma, apenas abaixa-la, realmente os zumbis estão perto, logo vão surgir a sua direita, sou boa nisso.

Ele desvia os olhos um instante, olha para os lados e um zumbi surge pouco atrás dele, a alguns metros, depois mais um e ele baixa a arma.

─Vamos! – Rick chama e deixamos o lugar em direção ao carro, sinto uma angustia gigante, quero sair logo desse lugar, apressamos o passo em silencio, Michonne derruba um zumbi vindo do nada em nossa direção, depois estamos finalmente na estrada, corremos até o carro.

─São estúpidos? – O garoto diz cheio de certezas – Deixaram o carro aqui, assim visível? Não sabem com quem estão lidando, deram muita sorte que as rondas estão suspensas por hoje, estariam mortos se tivessem sido encontrados!

─Quer carona ou não? – Tommy diz com aquele tom imperativo, o ar grosseiro que assusta a todos, o garoto o observa um instante.

─É o jeito! – Ele diz e entramos no carro, vamos ter tempo de conversar, entender o que se passa, no momento só quero ganhar distância.

Notas finais
Gostaram? Me contem o que estão achando. Ficou muito grande? Não sei fazer capitulo pequeno!rsrsrsrs E não gosto de contar a história com pressa, espero que não achem muito cansativo, mas gosto de ir desenrolando as coisas aos poucos. beijos