Fim dos Magos

2 1.2 Névoa Mágica


Notas iniciais
Essa segunda parte do primeiro capítulo, pode ser vista como o começo dele oficialmente, e inicia a história do ponto de vista de uma das Rainhas.

Um de meus servos me ajudava a banhar. Ele, Gunto, derramava o líquido roseado de uma das jarras de porcelana branca que trouxe consigo dentro da banheira, e o perfume exala por todo lado. Uma mistura de odores doce, cítrica e levemente amadeirada ao olfato. Então, minha outra serva, Vermelia, veio com uma cesta em suas mãos, e dela retirou pétalas de baunilha e flores de camomila, as quais colocou delicadamente sobre a água da banheira. E uma segunda dose de odores suaves se elevou no ar. Um prazer nos dado pelos deuses, o prazer do olfato e suas sensações. Enquanto me disperso da minha realidade naquela banheira com água quente, admiro as folhas de outono caindo ao longe, dos vidros do banheiro é possível admirar as macieiras e pêssegos que ficam nas fazendas abaixo, do lado leste da minha cidade. Minutos depois, estou deitada de costas na minha banheira, olhando para o lustre com pedras luminosas de cor azul-celeste em formato de gotas, um brilho suave em contraste com o branco do dia nublado do lado externo. Pego algumas das flores de camomila nas minhas mãos, e penso no quanto gostaria de fazer isso todos os dias, apenas relaxar, e ignorar que o mundo existe.

“Está na hora, Sua Majestade”, Gunto ressurge no quarto, ainda estou me vestindo. Havia muitas opções de vestidos, entre vermelhos, índigo e amarelos, escolhi um da cor de centeio, com galhas de árvores bordadas em cor laranja. Meus sapatos, pretos e cintilantes, com pequenos cristais colados na frente e na parte de trás.

Vermelia me trouxe um conjunto de jóias, e dispensei os braceletes, e muitos dos colares, escolhi uma pedra alexandrita, de cor laranja e marrom, ou laranja e vermelho dependendo da luminosidade nos arredores. Estava cravejada num pingente de adorno, então decidi que iria usá-la numa tiara de prata, e a que escolhi pouco lembrava uma coroa, coloquei o pingente ao centro, e a deitei sobre minha cabeça, entre meus cabelos, cintilando o laranja sobre o branco de meus cabelos, causando um leve contraste com o marrom escuro da minha pele e os verde dos meus olhos.

“Como vocês acham que estou?”, perguntei a Gunto e Vermelia. E ambos respondem da forma previsível e cordial que lhes compele ao cargo.

“Você está magnífica minha Alteza”, Vermelia, pondo um pé afrente do outro, se curvando ao dizer.

“Não há rainha mais bela que Vossa Majestade”, Gunto põe o braço direito na altura de seu estômago, e se curva também. Eu posso sentir certa audácia e um cauteloso intento em seu elogio.

“Eu perguntei se estou vestida adequadamente para uma jovem rainha que está prestes a causar um tumulto social”, é óbvio que estou, e a cara dos dois deixa claro que sabem que estou. Mas o que mais quero é ignorar essa crescente ansiedade que tem borbulhado em meu peito desde que acordei, e principalmente quando penso no que vou fazer.

Gunto beija as costas de sua mão esquerda, e diz, “¹Yadaris, Yadaris”, elevando sua mão para cima, na altura de seu rosto. Eu estava num leve silêncio, concentrada em meus pensamentos, e saltei numa ligeira análise daquilo tudo, seus olhos vermelhos olhando dentro dos meus enquanto entoava aquela consagração de sorte. Me questiono como confiei nele antes, e como ainda confio. Gunto é um dos bastardos da família Vashari, só não possui o cabelo vermelho característico, mas os cabelos pretos lhe caem bem, sua pele de um tom meio pálido e levemente amarelado, sua beleza sutilmente exótica, naquele instante, ele me fez lembrar que algum dia nos beijamos antes de eu me autoproclamar rainha de um reino inexistente.

Logo após Gunto falar, Vermelia inclinou um pouco a cabeça para esquerda, deitando seus cabelos longos e loiros no ar, seus olhos negros fixados aos meus, ela ascendeu sua mão direita, e a deitou suavemente do alto de sua cabeça ao seu lado direito de forma semicircular, como se estivesse a jogar algo ao chão enquanto dizia, “²Yodaris, Yodaris”, para me exaltar.

Dentro de mim, sinto que estou verdadeiramente comovida, e motivada e fazer meu melhor, foi por isso que acordei esta manhã. Mesmo que por alguns instantes eu esqueça que sou uma rainha. Eu tenho súditos que esperam algo de mim. E hoje me apresentarei ao novo monarca dos Vashari. Todos os monarcas dos arredores distantes e próximos estarão lá. Todos vão me ver pela primeira vez desde que fui exilada e expulsa da nobreza real de Gar.

“³Yodaris, Yadaris”, eu digo para eles dois, me retirando do meu quarto real, e Gunto e Vermelia beijam as costas de suas mãos direitas, e me seguem atrás.

O estilo que decidi ir até a cerimônia do velório, é tecnicamente adequado, através de maquinário, uma carruagem sem cavalos, uma novidade em muitos reinos. Mas não em Baltania, meu reino. Aqui estamos conectados com os portos, e com as terras além do horizonte. O conhecimento é uma das minhas casas preferidas, assim como a vingança.

* * * *

¹‘Yadaris Yadaris’, Fortuna e Vitória, um dizer comum entre a nobreza e abastados de sabedoria e conhecimento, geralmente acompanhado da ‘Certeza e Confirmação’, ²Yodaris Yodaris. ³‘Yodaris Yadaris’, Certeza e Vitória, geralmente dito por aqueles em posição aclamada, dizem que se assim o fizer, e não for, algo ruim acontece, e por isso, muitos apenas entoam um recíproco ‘Idaris Idaris’, Sorte e Saúde.

Notas finais
Espero que tenham gostado deste capítulo. 'Idaris Idaris' para todos.