Fim Dos Tempos
98 Capítulo 98 - Sobreviventes
Notas iniciais
Pov – Katie
Sair da prisão não é fácil, de todos os modos caminhar para fora daquele lugar é dolorido e intenso, minha casa, o teto seguro dos meus filhos, todos os que estou me separando e por fim as ruas, meu bebê, meus ratinhos, as ruas não são para eles, meu coração está coberto por uma angustia que não me deixa desabar, apenas me sufoca.
Saímos pelos fundos, zumbis vindo de todos os lados, mas o barulho e a fumaça os confunde e conseguimos deixar a prisão em segurança, pegamos a estrada, eu com minhas facas em punho, não usei nenhuma delas porque sabia que seriam mais úteis aqui fora.
A estrada vai ficando deserta, eu e Daryl caminhamos na frente, Megan, Nick e Amy no meio e Mary e Jimmy atrás.
Estamos silenciosos, um pouco perdidos e confusos, tentando digerir o que acaba de nos atingir, me perdi de toda minha família, nem mesmo sei quantos deles estão vivos.
Hershel, sua sabedoria, seu coração gigante, um velho pai benevolente, a cena se repete mais uma vez em minha mente, nunca mais vai se apagar, vai se repetir e repetir incessantemente, penso em Beth e Maggie, minhas irmãs queridas, como posso pensar em seguir em frente sem elas, o sorriso doce de Beth, a alegria incontida de Maggie, nunca mais seremos os mesmos, ainda que nos encontremos de novo nunca mais será como antes.
Minha filha matou um homem, minha menina, tão pequena e delicada, derrubou um homem, e nem posso parar para lhe dar um abraço e dizer que tudo vai ficar bem, ela chora, um choro contido e silencioso, nem posso medir sua dor, eu também amo e não acho que o amor dela por Carl seja menor ou menos importante que o meu, rezo para que ele esteja vivo e bem, eu sabia que não podíamos ganhar para sempre, que um dia algo valioso nos seria tirado e então aconteceu, perdemos Hershel e nossa casa, perdemos e isso é tudo.
−Para onde vamos? Jimmy pergunta preocupado.
−Achar um lugar para passar a noite, esse é nosso problema imediato depois vemos o resto! Daryl responde determinado.
−Sabem quem foi no ônibus? Mary pergunta.
−O Glenn com os doentes eu vi, mas a Maggie não estava com ele, pobrezinho! Nick nos conta.
−Onde ela estava ratinho? Eu pergunto sem desviar minha atenção dos perigos a minha volta, só posso rezar para não dar de cara com uma horda, com o barulho que fizemos não seria impossível.
−Como Bob e a Sasha, eu os vi saindo juntos, e o Ty eu também vi, estava com as crianças, Lizzie e Mika atiraram também!
Crianças soldado é isso que essa porcaria de mundo virou e eu compreendo que um dia mesmo meu pequeno Matt terá de aprender, e quero acreditar que esse dia vai chegar, que vamos todos estar juntos.
−Mas não vi a Beth! Ele conta e meu coração palpita – Nem o Hershel, será que estão juntos?
−Acho que estão todos bem filho, não se preocupe! Eu digo com o coração partido, felizmente ele não viu o que aconteceu com Hershel.
−Viu o Carl Nick! Megan pergunta soluçando.
−Estava atirando depois não vi mais, queria ficar olhando todo mundo, mas estava cada um num canto e tinha os zumbis e fiquei com medo.
Escurecia quando chegamos a uma rua com suas casas de subúrbio, eu respiro quase aliviada, Matt precisava comer, se limpar e descansar, estava o dia todo preso, não comia a horas e nem sei como não estava berrando, felizmente estava calor, ou infelizmente, não sei dizer, paramos diante da primeira casa, eu e Daryl nos olhamos, temos as armas que carregamos e uma lanterna, nada além disso, pego minha faca e ele me olha.
−Jimmy, você e Mary ficam aqui na porta com as crianças, vamos entrar e varrer a casa! Daryl avisa, depois olha para Megan – Fique a postos ratinha! Ela saca a pistola e ele afirma com um movimento de cabeça.
A porta está só encostada, Daryl vai na frente fizemos isso uma centena de vezes, estamos acostumados, mas agora não é só correr ou se esconder se as coisas derem errado, meus filhos estão comigo.
A porta range um pouco, claro que rangem, afinal é um eletrizante filme de terror.
Daryl ilumina o ambiente e entramos, nada logo de cara, fecho a porta porque o que quer que esteja aqui dentro não vai sair e pegar meus filhos, ele vai na frente iluminando tudo e então diante de nós dois corpos balançavam amarrados a cordas, dois zumbis, mulheres que se enforcaram, uma escolha terrível eu penso, uma delas geme quando nos vê, se debate, Daryl acerta uma flecha e a outra mais fraca e com o corpo em estado mais avançado de decomposição geme, eu atiro minha faca, certeira como de costume, o silencio predomina e continuamos, vasculhando cada centímetro, tudo limpo e suspiro aliviada, Subo numa cadeira para soltar as cordas e os dois corpos caem no chão num baque surdo espalhando um pouco seus excrementos podres, mas não podemos deixar meus pequenos assistirem a algo assim, jogamos pelos fundos, trancamos bem a porta e Daryl empurra um móvel da cozinha, vamos buscar as crianças, todos entram apressados, tranco a porta e pego meu bebê no colo aliviada.
Me sento com ele, aspiro seu cheiro e depois começo a amamenta-lo, quem dera poder alimentar todos eles assim, mas não posso, Mary vem da cozinha abatida.
−Nada! Ela nos avisa.
−Vai ficar tudo bem, vou olhar na casa ao lado! Daryl avisa.
−Espere, eu vou com você, não é hora para arriscarmos, deixe apenas Matt mamar.
Ele concorda, junto com ele tinha apenas duas fraldas que duraria uma noite, quem sabe a sorte volta a nos sorrir eu penso quando satisfeito ele se afasta, eu o beijo, ainda não posso descansar.
Deixamos todos trancados e seguimos os dois pela rua, agora era noite, eu respiro fundo, sei que não tem muitos zumbis a nossa volta porque os sinto, então relaxo um pouco, decido pela casa da frente, ela tinha um balanço na frente e com sorte talvez fosse possível encontrar algo para as crianças.
Nick ainda não falou sobre Lily, não sei se entendeu o que está acontecendo, se acha que vamos voltar ou apenas apagou seu coelhinho da mente numa tentativa de bloquear a dor, mas ela vira eu sei.
Vasculhamos a casa e felizmente damos sorte, não encontramos muito, mas achamos remédios nas gavetas, algumas roupas e comida, nada demais apenas enlatados e por um tempo era suficiente, acho velas e fósforos, nada de corpos ou zumbis.
Voltamos rápido, Jimmy abre e entramos, Mary tinha dado banho nas crianças e Matt dormia nos braços da irmã.
−Foi um banho frio e rápido, mas eles precisavam descansar o corpo! Ela avisa.
Servimos a comida, estamos todos meio ligados no automático, sentados na sala em volta de uma única vela acesa, agora meu bebê dormia em meus braços, Nick estava ao lado do pai e Megan entre nós dois, mais frágil que nunca.
−Como vai ser agora, nunca mais vamos nos reencontrar? Mary pergunta e me dou conta que estou cercada por crianças, Jimmy e Mary não passam de duas crianças grandes, acho que eu e Daryl os protegemos demais ele são tão dependentes de nós quanto os pequenos.
−Vai ser assim! Daryl começa – Amanhã assim que amanhecer eu e Katie vamos dar uma busca pelas casas em volta, achar um carro, combustível e suprimentos, vocês ficam aqui trancados e quietos, depois pegamos a estrada, deixamos muitos pontos de encontro, não perdemos ninguém realmente.
−Carl sabe onde são esses lugares papai? Megan pergunta.
Não ele não sabia, mas não estava sozinho, ou estava com Rick ou estava morto, Rick assim como eu nunca deixaria aquele inferno sem seus filhos ou a certeza do que os aconteceu.
−Rick nunca deixaria ele e Rick sabe querida! Daryl a tranquiliza.
−Ninguém vai fazer nada hoje, todos estão buscando abrigo e vão esperar a luz do dia para seguir a diante, antes do fim da semana toda família vai estar reunida! Daryl determina, eu nem sei de onde vem tanta certeza, mas admiro sua fé, não sei de mais nada, só o que sei é que estamos juntos agora, isso é o mais importante.
−Vamos buscar a Lily antes papai? Nick pergunta e meu coração bate fora do ritmo, meu pequeno e mais uma perda.
−Caramba ratinho, prestou atenção em tudo e não viu isso? Daryl diz e eu o olho atenta sem entender o que ele tem em mente.
−Ver o que? Ele pergunta interessado, senta no colo do pai que o envolve.
−Não viu quando a família da Lily chegou para apanha-la? Daryl pergunta e me surpreende, ele sempre sabe lidar com eles – Pelo tamanho e a cor acho que eram o pai e a mãe dela, levaram ela para floresta, pensei em impedir sabe, mas achei que ela ficaria feliz com eles, fiz mal?
−Sério! Os olhos de Nick brilham – Eu não vi, a mãe dela e o pai?
−Acho que sim, ou algum namorado, devia ter impedido não é, está triste?
−Não, fez o certo, ela vai ser mais feliz com a família na floresta! Ele diz muito tranquilo e preciso me controlar para não chorar – E nós, onde vamos morar agora?
−Logo vamos saber, vai gostar quando chegarmos, mas precisa ter paciência, pode demorar um pouco! Daryl o tranquiliza e ele concorda sonolento.
−Podemos dormir um pouco? Nick pede e acho que era preciso, mas confiar a guarda a Mary e Jimmy me preocupa.
−Durmam, ficamos de olho, acho que vocês dois precisam estar mais descansados que nós! Jimmy comenta e ele tinha razão, nos deitamos todos juntos, Amy se deita conosco, abraçada a Megan e logo todas as crianças dormiam, mas eu e Daryl apenas nos olhávamos, Matt entre nós, Nick enroscado em meus cabelos e quase me lembra a prisão.
−Te amo! Ele me diz, os olhos são de novo aquele azul nebuloso coberto por uma tempestade, a muito não os via assim, o oceano azul de águas tranquilas se foi e nem mesmo sei se um dia voltará.
−Você é minha vida! Respondo com os olhos encobertos pelas lágrimas, estou tão cansada, com tanto medo, ele faz um carinho em meu rosto percebe meu sofrimento.
−Você não desiste, eu não desisto! Ele me diz e fecho meus olhos, algumas lágrimas escorrem, ele tem razão, não podemos desistir.
−Nunca! Respondo depois de respirar fundo.
Acho que acabo adormecendo, não dura muito, logo tenho um sobressalto e abro os olhos, estava tudo quieto, Daryl velava meu sono, meus ratinhos dormiam e Jimmy e Mary estavam abraçados na janela olhando por uma fresta a movimentação em volta.
−Estamos bem! Daryl me diz e concordo.
−Tente dormir amor.
Ele concorda e fecha os olhos, faço o mesmo, depois de mais algum tempo eu acordo nem sei se vou ter uma noite de sono descente de novo, me sento e Daryl logo está sentado, trocamos de guarda com Jimmy e Mary, eles iriam ficar com as crianças e eu os quero em alerta.
Saio com Daryl para as ruas assim que amanhece, andamos todo o quarteirão para achar um carro no fim da rua, um corpo estava em decomposição no banco, uma perfuração na testa, retiramos do carro e Daryl verifica o motor e dá partida, funcionando, fico aliviada, já temos como fugir numa emergência.
Entramos numa casa, damos de cara com o zumbi de uma mulher, eu a acerto com minha faca, recolhemos comida, água e subimos para os quartos, primeiro um quarto de casal, nada de útil, apenas roupas e cobertas, decido levar as cobertas, Daryl me olha.
−É Verão pequena! Ele me diz não gosta que eu esteja tão pessimista, mas sim, eu prefiro me preparar para um inverno na estrada, não seria o primeiro afinal.
−Eu sei! Me limito a responder.
Abro a outra porta e a primeira coisa que vejo é um berço, dou um passo para trás, não quero entrar, não quero ver, começo a tremer, a mulher forte e decidida se foi por completo.
Olho para ele que entrava enquanto paraliso na porta, ele me olha.
−Não posso! Respondo a sua pergunta muda, ele entra se demora uns segundo e depois me chama.
−Está tudo bem! Avisa e então eu entro, pego roupas e dois pacotes de fraldas jogados pelo quarto, a família partiu e fez isso às pressas eu penso, descemos e começo a ficar mais calma, meu bebê tem roupas e fraldas, isso é mais do que achei que teria.
Abrimos o porta malas do carro, algumas facas, um pé de cabra, material para retirar combustível e um rifle, nos olhamos felizes, o cara estava como todos preparado para fugir.
Entramos em mais uma casa e não achamos muito, mas levamos tudo, diesel um lampião e ferramentas, a comida é pouca, mas podíamos parar na estrada se fosse o caso.
Vamos ao encontro das crianças, eles estavam sentados todos muito perto uns dos outros, Matt no colo de Jimmy, Amy estava calada, a pequena não dizia nada desde que saímos da prisão, fico com pena.
−Conseguimos um carro e acho melhor partirmos! Daryl me olha, eu tenho medo, um medo intenso de tudo, ele me abraça protetor, forte como sempre é quando preciso que seja – Vamos encontrar nossa família pequena, juntos somos fortes! Ele me diz e acho que tem razão, se puder me reunir a eles de novo vou me sentir mais corajosa.
−Vamos! Eu respondo decidida.
Antes de partirmos amamento e troco meu filho, Daryl o pega no colo em seguida, abraça o bebê e depois entrega a Jimmy, então encara Megan que tinha os olhos inchados de tanto chorar.
−Agora ratinha, nesse exato minuto, começa nossa busca pelo Carl, e não vamos descansar até estar com ele, então preciso que pare de chorar, não sei o que ele vai achar se te ver toda inchada de tanto chorar, aquele mini xerife é um durão, está vivo e bem.
−Megan só quer saber de namorar! Nick reclama, ela o olha feio e abraça o pai ele beija o topo de sua cabeça.
E depois seguimos para o carro, um zumbi caminhava em nossa direção ignoramos e deixamos a rua arborizada que um dia deve ter sido um bom lugar para se viver.
Paramos na estrada uma vez para recolher combustível, seguíamos para o primeiro ponto de encontro onde possivelmente Glenn estivesse já que ele tinha partido com o ônibus e aquele era o mais perto de todos.
Estou tensa e com medo, medo de descobrir que perdemos mais alguém, tremo um pouco olho para trás a todo instante com medo do que podemos encontrar.
A cidade estava escura quando chegamos, o local era uma velho depósito, tínhamos estado lá uma vez, deixamos limpo e fechado, dois zumbis caminhavam em nossa direção, atiro minhas facas, e enquanto vou até eles para buscar minhas facas de volta, Daryl testa a porta.
−Apenas encostada! Eu dou de ombros – Deve ter chegada alguém! Ele diz, nossa esperança era o ônibus com Glenn, mas acontece que não havia sinal dele em volta.
Entramos, eu e Daryl, o resto fica na porta, o local estava escuro e silencioso, seguimos de costas um para o outro, Daryl com sua lanterna tentava iluminar o ambiente, ouvimos um barulho, algo caindo e seguimos na direção do som.
−Glenn! Eu me aproximo correndo quando o vejo caído num canto encolhido e abatido, Daryl o ilumina.
−Maggie, os outros...
−Calma Glenn, não estamos com eles, mas vão chegar, você conseguiu, nós conseguimos! Eu tento tranquiliza-lo enquanto Daryl trás todos para dentro e pega água para Glenn, ele bebe às pressas, umedeço sua testa e o apoio, só então me lembro que estava doente que agora estávamos sem remédios e médicos.
−O ônibus, as pessoas... – Ele começa a contar enquanto eu vasculhava a mochila em buscados remédios que encontramos, acho os comprimidos, analgésicos e antitérmicos, entrego dois comprimidos a ele que os engole sem perguntar para que serviam – Não queria ter ido, lutei mas estava fraco e o ônibus partiu, no caminho logo no começo algo aconteceu, foi uma confusão, alguém morreu e se transformou, uma loucura, um pequeno ataque, tentei fazer alguma coisa, a porta foi aberta, gente saindo, sendo mordida, eu consegui escorregar por uma janela, não tinha nada para fazer.
−Está tudo bem, sabemos que fez o que pode.
−Nem sei como cheguei aqui, estava sem forças, achei que encontraria todos, mas...
−Vão chegar, Maggie está com Sasha e Bob, são um grupo forte, devem estar a caminho.
Daryl o lembra e ele concorda, nos reunimos a sua volta, Daryl segue para porta para uma vigia e aproveito para amamentar meu filho, depois troco sua fralda, Glenn adormece e fico mais tranquila, toda hora toco sua testa em busca de um sinal de febre, mas ele está bem e antes de amanhecer já me sinto tranquila, troco de vigia com Daryl ele vai ficar com as crianças e então assim que o dia amanhece, vejo por uma fresta da porta três pessoas se aproximando, Maggie, meu coração dispara, minha irmã.
−Maggie! Digo auto enquanto abro a porta para recebe-los, e ela corre para mim, nos abraçamos entre lágrimas, um choro guardado a muito tempo – Glenn está aqui! Aviso por que sei o quanto deve estar preocupada, ela corre para dentro, Sasha e Bob entram também.
Assisto ao abraço aliviado de Maggie e Glenn, ela chora desconsolada, ele ainda não sabe sobre Hershel me dou conta e afasto as crianças quando percebo que ela pretende contar a ele.
−O que vamos fazer? Sasha pergunta – Meu irmão...
−Tyreese está vivo Sasha, Nick o viu com as crianças, ele vai chegar! Aperto sua mão, ela concorda, mas acho que só quer ser gentil comigo, olho para Maggie e Glenn mais distantes os dois estavam abraçados.
Daryl me envolve em seus braços, me recosto em seu peito, não sei como vai ser, mas no momento só nos resta esperar.
Saímos apenas eu e ele para uma busca, os outros estavam muito cansados e precisamos de mais um carro, eu quase não consigo falar, estou cansada tensa e com medo e se mais ninguém chegar, e se for só isso? Meu coração se aperta.
Achar um carro não é tão difícil, mas preciso conter um grupo de meia dúzia de zumbis enquanto ele faz ligação direta e depois recolhemos mais combustível, voltamos para o galpão.
−Se lembra do galpão? Eu pergunto com um nó na garganta – Quando penso em tudo que vencemos desde então, sinto falta da inocência daqueles tempos!
−Sim pequena, foi um tempo cheio de esperanças, e mesmo parecendo uma eternidade não faz tanto tempo assim e vamos achar um lugar, tem que haver um.
Quando entramos tudo estava igual, Sasha e Glenn estavam esgotados, mais do que os outros, pela fraqueza da doença, mas acho que não corriam mais risco, nenhum dos dois tinha febre ou qualquer outro sinal de que a doença avançava, Bob nos garante que estavam bem.
Dividimos a comida, não era muita e depois apenas nos sentamos a espera de um sinal dos outros, no meio da tarde ouvimos passos do lado de fora, na parte de trás do galpão, nos preparamos e então Ty entra, não acredito no que vejo.
−Meu deus! Estremeço – Judith! Meu coração acelera assustada com a imagem do nosso bebê sendo carregada por Lizzie, nem posso pensar o que Rick está sentindo ou Beth, eles devem achar que nossa Bravinha está morta.
Pego a pequena no colo, Tyreese mal pode falar, veio sozinho com quatro crianças e um bebê, nem sei como pode ter sido passar por isso, ela está suja, suada, chora abatida.
−Calma pequena! Eu me sento com ela, troco sua fralda e a lavo um pouco com uma garrafa de água, ela ainda chora em meus braços.
−Fome! Ty me avisa — Nenhum deles como nada desde que saímos, não pude pensar nisso.
Eu não sei o que fazer, Judith ainda é um bebê, não temos mamadeira ou seu leite, olho para Daryl, preciso proteger esse bebê, é o que Beth faria por mim, e mesmo Rick.
−O que vamos fazer? Começo a ficar assustada, Daryl está do meu lado, percebe minha angustia – Daryl, é ela, nossa bravinha...
Eu balançava aquele bebê em meus braços, ela chorava baixinho, era quase um resmungo, esgotada demais para se entregar ao pranto.
−Calma, já saímos em busca do que ela precisava uma vez, podemos fazer de novo! Ele segura minha mão e tenho uma ideia.
A natureza é sempre tão perfeita, eu tenho leite, ela precisa dele, nunca mamou assim, mas pode aprender.
−Meu leite! Eu digo me arrumando – Ela vai sugar, é um bebê, está com fome, ela vai conseguir! Eu soluço e a trago para meu seio, ela estranha um pouco, sinto uma dor leve quando Judith desespera e sem saber como fazer me morde seus primeiros dentinhos apontando, não me importo – Vamos meu bem, você consegue! Acaricio seus cabelos, e fixo meus olhos em Daryl, ele acaricia meu rosto e então eu sinto – Ela conseguiu! Eu choro, Judith mama desesperada, dois dias sem comer, nosso bebê, ela sempre foi um pouco de todos, eu a amo, pobre Beth, deve estar destruída.
Daryl beija minha testa emocionado, Nick e Megan vem ficar conosco, Matt dormia sobre uma coberta ao meu lado, Judith adormece e quando finalmente se sente satisfeita eu a coloco com Matt, ela ressona.
−Precisamos de comida, sabe que seu leite não vai ser o bastante para os dois se você não se alimentar direito.
−Eu sei! Baixo meu olhar – Megan pode ir com Nick saber se a Lizzie e a Mika estão bem querida? Ela concorda, sabe que queremos ficar sozinhos – Amor, Beth e Rick, acha que estão juntos, não sei como pode ter sido, será que não ficaram lá em busca de Judith?
−Talvez tenham achado que ela não conseguiu, ou que foi com o ônibus, é possível não? Ele tinha razão esse era o plano afinal, colocar todas as crianças no ônibus, e de todos os planos que já fizemos nunca um deu tão errado porque simplesmente nenhuma criança entrou no ônibus e depois do que aconteceu só posso agradecer.
−Pequena, preciso que me escute! Daryl me pede e sei que quer se afastar de mim – Rick estava ferido, tomou um tiro e lutou com o governador, ele pode não ter conseguido ou pode estar muito ferido, sem ele, mesmo que Carl e Beth estejam bem e juntos, eles nunca poderão chegar até nós, não sabem onde estamos.
−Quer sair em busca deles?
−Prometi a Megan, quanto mais demorar...
−Sozinho? Eu me apavoro, sei que ele precisa fazer isso e sei que não posso deixar o resto do grupo e meus filhos aqui, preciso ficar.
−Não temos escolha! Eu concordo, meus olhos marejados – Vai cuidar de tudo, e sabe onde é nosso próximo ponto de encontro, se precisar sair daqui siga para lá, eu encontro vocês.
−Te amo tanto, estou tão cansada, nossos filhos, todas essas crianças...
−Sempre foi corajosa e forte, não e reconheço assim abatida, desistindo! Ele me diz – Escolhemos isso, eles precisam da mãe forte e cheia de ideias, a mulher que nos tirou de todo tipo de enrascadas, está na hora de ficar de pé e resolver isso.
Abraço Daryl, ele me beija de leve, me passa energia, me encosto em seu peito, sim eu sempre fui forte, não vou me deixar abater, abri espaço para essas pessoas, fiz com que Daryl fizesse o mesmo, eles precisam de mim agora e vou fazer o que é preciso, não será a primeira vez.
−Vamos resolver isso, eu tenho um bom plano! Aviso e Daryl que esconde um sorriso, os sorrisos escondidos nunca o deixaram, eu o beijo, me sinto forte de novo, corajosa, ele está aqui, meus filhos estão, Maggie, Glenn está e todas essas pessoas, e ainda tenho esperança de encontrar o resto da minha família, Beth, Rick, Carl e Michonne, sei que ela está a caminho, ela é forte, nunca nos deixaria, pode ter tido um contratempo mas vai chegar.
Quando todos estivermos juntos de novo vamos recomeçar, reconstruir e vai ser de novo bom e seguro, temos o mais importante, algo que poucos puderam manter desde que tudo começou temos união, e somos afinal uma família, vamos vencer.
Somos sobreviventes, é isso que somos.
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