Fim Dos Tempos
95 Capítulo 95 - Pressentimentos
Notas iniciais
POV- Megan
Acordo de novo na minha velha cama, Nick está puxando meu cabelo, e Jimmy está no beliche olhando para o teto com os olhos vidrados, deve estar com saudade da Mary, isso é uma droga.
Eu fiquei sem meus pais, sem o Carl e longe do meu irmãozinho, ele ficou sem a mulher e a filha sem contar o Matt que é um pouco dele, essa porcaria de doença está estragando tudo.
Pelo menos papai voltou com remédios, e mamãe está com a gente de novo, mas quero o Matt também e poder andar de mãos dados com o Carl e olhar para ele de perto, sinto falta dele.
−Solta meu cabelo Nick! Eu reclamo e ele acorda.
−Cadê o papai e a mamãe?
−Estão lá fora Nick, não dormiram ainda, tem muito trabalho.
−Jimmy! Nick chama ele que se senta depois de um suspiro – Tá triste?
−Não, claro que não, vamos descer?
−Oba! Nick se levanta rapidinho, depois de escovar os dentes com o Jimmy enfiando o dedo no meu ouvido só para me provocar descemos todos.
Corremos assim que vejo papai e mamãe, eu amo muito minha família, abraço os dois, muito forte, é bom ficar com eles.
−Dormiram? Mamãe pergunta preocupada, afirmamos Nick já está no colo do papai, grudado nele, vai querer morar ali de novo, só porque o papai ficou fora um pouco.
−Papai! Eu o chamo e ele me abraça me puxando para ficar perto dele.
−Que foi ratinha?
−Foi muito ruim lá fora?
−Foi péssimo.
−E o Glenn e a Sasha e todos os doentes? E a Lizzie está lá também.
−Estão todos bem querida! Minha mãe me diz e não sei se é verdade por que ela sempre quer que a gente fique feliz.
−Mesmo?
−O Hershel acabou de dizer.
−Vamos ficar com o Matt agora? Nick pergunta – Ele vai ficar chorando sem mim.
−A Beth está com ele, mas logo vamos estar todos juntos.
Carl aparece correndo, vem da horta onde devia estar ajudando o Rick me sorri meio de longe.
−Meu pai disse que podemos caminhar um pouco e conversar sem ficar muito perto! Ele me diz e olho para o meu pai.
−Vai ratinha.
Eu caminho com Carl um metro longe dele no mínimo, uma chatice, só quando estamos mesmo longe começamos a falar.
−Ontem quando estava ajudando meu pai com os zumbis fiquei preocupado com você, estava presa na torre se não tivéssemos conseguido não poderia mais descer de lá.
−Eu sei, mas conseguiu, eu vi tudo de lá de cima, fiquei com medo de te acontecer alguma coisa.
−Acho que meu pai entendeu agora que posso ajudar.
−Mas precisa tomar cuidado Carl.
Nem sei o que eu faria se ele fosse mordido, meu coração se aperta só de pensar.
−Não fica mais na torre Megan, eu tenho medo, coisas podem acontecer, precisamos ficar prontos e perto um do outro.
−Mamãe falou que não é mais para subir lá.
−Melhor assim, as pessoas estão melhorando, O Glenn quase morreu.
−Eu sei, tenho pena da Lizzie lá sozinha.
Eu sempre fico com pena dela e da irmã, agora que o pai delas morreu ficaram sozinhas.
−Você não acha ela meio maluca? Carl me diz sorrindo.
−Não seja mal! Acabo rindo também – Ela ficou sozinha com a irmã no meio dessa coisa de apocalipse, eu sei como é fiquei uns dias assim antes do papai e da mamãe cuidarem da gente.
−Tem razão, eu nem me lembrava mais disso, parece que são filhos de verdade, me esqueço que não são.
−É!
Carl olha em volta estamos sozinhos, não tem ninguém olhando e estamos quase dentro da horta, ele se aproxima de mim.
−Carl...
−A gente não precisa ficar tão longe, se fosse para ficarmos doentes já tínhamos ficado, ninguém mais ficou doente.
−Pode ser.
−Podemos só caminhar um pouco de mãos dadas, sem beijo até todo mundo sarar eu prometo.
Ele pega minha mão e meu coração dispara, sinto falta dele, ficamos sorrindo um pouco.
−Você precisa ficar por perto Megan, promete?
−Sim, mas do que tem medo de vir mais zumbis?
−Acho que sim, melhor ficarmos juntos sempre.
−Eu sei, não gosto de ficar sem ver você, fiquei sentindo saudades o tempo todo.
−Megan, eu... eu gosto mesmo de você, acho que é para sempre, se acontecer alguma coisa se a gente se separar...
−Separar? Eu fico com os olhos cheios de água, não quero me separar dele.
−O irmão do Daryl, o Merle ele ficou um tempão separado do grupo, essas coisas podem acontecer, só quero que saiba que vou sempre gostar só de você.
−Eu também Carl, e sempre vou te procurar.
Começo a chorar e ele me abraça, que se dane se vamos ficar doentes já estamos mesmo, com essa droga de doença de virar zumbi.
Eu paro de chorar um pouco depois e ele me solta, olhamos rápido mas estamos sozinhos ainda.
−Era só para você saber, mas não quer dizer que vai acontecer.
−Carl eu também gosto de você de verdade e eu sei que é para sempre!
Ele sorri e voltamos a ficar de mãos dadas, andamos mais um pouco e depois nos olhamos um instante.
−Vai ficar tudo bem! Ele me diz quando caminhamos de volta agora distantes um do outro.
−Vou fazer meu trabalho, nos vemos depois.
Concordo e nos separamos, Mamãe e papai estão conversando com o Nick, ele sorria feito um bobo, está todo feliz.
−Já namorou? Nick me pergunta.
−Papai! Eu reclamo, é o irmão mais chato do mundo, espero que o Matt seja mais legal.
−Que eu fiz, não posso falar nada, só perguntei se já namorou, ele não é namorado?
−Papai! Meu pai sempre ri das nossas brigas nunca fica bravo nem briga com ele, nem sei porque apelo para ele – Mamãe! Ela sim resolve as coisas e ela olha séria para o Nick que para de me irritar.
−Ratinha já tomaram café da manhã?
−Não estamos esperando o Jimmy chamar ele está preparando.
Como se tivesse chamado por ele Jimmy aparece.
−Vem preguiçosa, precisa tomar café e depois vamos os três para a oficina, tenho trabalho e a senhorita também.
Nick corre na frente eu beijo meu pai e minha mãe antes de seguir Jimmy. Ele é um bom irmão, largou tudo para ficar com a gente e teria sido muito difícil sem ele, por isso quero deixar ele feliz e obedeço na hora, mesmo brava de ele viver me chamando de preguiçosa e enfiando o dedo no meu ouvido.
Antes de entrar olho mais uma vez para o Carl, ele está lindo com o chapéu de xerife, antes eu não gostava, mas agora gosto e vou dizer a ele.
POV – Daryl
Meus ratinhos somem para dentro da prisão e finalmente posso envolver minha pequena nos braços e tentar entender o que se passa com ela, sei que ela está angustiada, é mais do que tudo a nossa volta.
−Vamos conversar pequena! Eu puxo minha mulher para nos sentarmos um pouco sozinhos.
Ela se recosta em mim e eu a envolvo, quero tanto um tempo com ela, sei que não devíamos nem mesmo estar assim tão perto, mas simplesmente não sei ficar longe dela, isso é pior que qualquer doença maldita.
Katie desaba numa longa crise de choro, eu apenas a amparo porque sei que ela precisa disso, que depois vai se recompor erguer a cabeça e voltar a ser a mulher decidida que enfrenta tudo de frente.
Quando ela finalmente se acalma eu a ajudo a secar as lágrimas.
−Essa crise de choro me fez lembrar da minha pequena gravida! Ela sorri.
−Me senti frágil como naquele tempo, mas estou bem agora, você está aqui e isso me dá uma paz inexplicável.
−Sei do que está falando, foi duro estar lá fora sem você, eu sei que não foi a primeira vez, mas dessa vez foi assustador demais, tive tanto medo de não chegar, ou pior de chegar tarde de ver um dos meus ratinhos...
Não termino a frase por que ela é dura demais para ser dita, sei que ela entende o que quero dizer.
−Felizmente eles ficaram bem, em todos os sentidos, com o Jimmy por perto é sempre mais fácil para eles.
−Nunca vou poder agradecer a ele, sobre essa doença, ela não está só aqui pequena, encontramos zumbis com as mesmas características, lá na faculdade, fomos perseguidos por alguns.
−Imaginei que sim, o que significa que a Lily deve estar bem, queria devolver ela para o ratinho logo.
−Eu acho que tudo bem ele ficar com ela.
−Amor, se lembra que quando eu pedia para deixar a caminhonete pronta, que achava que um dia talvez precisássemos deixar tudo isso para traz?
−Me lembro, minha pequena mandona decidindo tudo e me dando ordens como de costume, ela está pronta pequena, sempre esteve.
−Sei disso, mas acho que esse dia está perto.
−Porque acha isso? Nunca duvidei dos instintos de minha pequena e seu tom de voz me assusta.
−Tem algo vindo amor, algo grande e assustador.
−Uma horda, é isso que acha que está vindo? Ela os sente e isso sempre foi assim.
−Não sei explicar, apenas sinto que algo está à espreita, caminhando para nós, nos cercando, quero ir embora daqui.
−Pequena...
−Eu sei, não podemos simplesmente entrar no carro e partir assim, apenas preciso pedir algo.
Ela olha para a prisão, um longo e assustador olhar, me faz estremecer de tensão, não sei o que se passa, mas Katie nunca errou, nenhuma vez tomou a decisão errada, sobre coisa alguma.
Mesmo quando decidiu deixar o isolamento foi o melhor a fazer, se não tivesse saído nossas perdas teriam sido muitas.
−Diga pequena, o que quer.
−Quero pegar o Matt no isolamento, quero fazer isso agora, quero colocar ele em meus braços, preso a mim como deve ser, e quero que os ratinhos fiquem grudados na gente, quero minhas facas e sua besta prontas.
−Pegar o Matt, tirar nosso mini ratinho de lá, mas pequena o Hershel acha que ainda não é seguro.
−Você disse que a doença estava lá também, isso quer dizer que está no ar, que podemos estar em contato com ela a mais tempo, que Matt já pode ter estado muito mais perto dela, que de algum jeito todos corremos riscos, aqui dentro, lá fora.
−Está certa sobre isso.
−Eu pensei que se algo acontecer, se tivermos que nos proteger e correr atrás das crianças, vamos ficar confusos, o medo por eles vai colocar todos nós em risco.
Ela me abraça apertado, os olhos voltam a se encher de lágrimas, eu nem sei o que pensar, mas ela é mãe, só isso já seria o bastante para deixar que faça como quer, mas além disso é minha pequena, e sei dos seus instintos, se quer fazer isso só posso estar a seu lado e apoiar sua decisão.
−Vamos pequena, vamos pegar nosso mini ratinho, chega de separação, o que quer que aconteça temos que estar todos juntos, assumimos esse risco a muito tempo quando levamos os ratinhos para nossa cela.
−Vencemos tantas coisas amor, quase perdemos tudo tantas vezes e depois simplesmente estávamos bem, não vai ser diferente, não pode, não agora.
Eu a ajudo a ficar de pé, ela sorri por entre as lágrimas.
−Vem pequena, vamos buscar aquela sua bolsa de canguru e pegar nosso bebê.
Ela me abraça, eu a envolvo e sei que os pequenos vão ficar loucos de felicidade.
Quando entramos na cela os três estão jogando cartas, ela pega a bolsa e Jimmy olha para ela.
−Não iam para oficina? Brinco com eles.
−Depois papai! Nick avisa.
−Jimmy quero que pegue sua arma e vá ficar com a Mary e a Amy, fique numa das salas só os três, e fique alerta.
−Katie...
−Faça isso está bem, os ratinhos ficam com a gente de agora em diante, Mary e Amy precisam de você.
Jimmy me olha, está sempre me pedindo autorização, faço que sim com a cabeça, ele concorda.
Abraça Megan e Nick, depois se levanta.
−Certo, mas e a Beth?
−Carl está por perto, e o Rick logo vai estar também, apenas se cuide e cuide delas.
Detesto essa sensação de despedida, ele abraça Katie depois aperta minha mão e as crianças correm para abraça-lo mais uma vez.
−Obrigada Jimmy! Megan diz antes de solta-lo – É o melhor irmão do mundo.
−E eu? Nick cruza os braços bravo, meu ratinho ciumento e possessivo.
−É o terceiro melhor irmão do mundo! Megan diz e ele sorri.
−Jimmy dá um beijo na Amy... Não – Nick se corrige muito rápido – Credo! Ele faz cara de nojo – Dá só um abraço nela, diz que foi eu que mandei.
−Acho bom mesmo ser só um abraço! Jimmy brinca com ele.
Ele caminha para porta e Katie o acompanha.
−Jimmy se um dia tivermos problemas, se as coisas ficar confusas procura ficar por perto, para não nos perdermos.
Ela diz baixo ele concorda e segue para junto da família.
−Agora ratinhos que tal buscarmos o mini ratinho? Eu tento parecer animado e os dois comemoram.
−Vamos, vou na frente!
Nick corre na nossa frente e Megan corre atrás dele, eu pego a mão da minha pequena, a mulher que me amava, aqueles olhos verdes me reviram quando a puxo para um beijo, nunca vou me cansar disso.
Quando chegamos na porta Nick e Megan estavam a nossa espera.
−Papai o Jimmy está naquela sala ali, eu vi ele passando com a Amy.
−Certo ratinho, obrigado por me avisar.
−Beth! Minha pequena chama.
−Nossa Katie o que está acontecendo, o Jimmy saiu daqui com a Mary e a Amy.
−Sei disso querida, eles vão ficar juntos, sabe que os remédios estão funcionando e é melhor ficarem juntos e Beth eu... eu vim pegar o Matt.
−Katie...
−Daryl está comigo, decidimos juntos, preferimos assim.
−Quero sair daqui também! Ela diz chorando.
−Sei disso, vou pedir ao Rick para vir aqui falar com você.
−Sim e o papai também, por favor, nem acredito que ele está bem.
−Prometo, agora me passe o meu bebê.
Puxo as crianças para longe da porta e sinto meu coração saltar de saudade quando vejo Beth entregar meu pequeno pedacinho de Katie, minha pequena o envolve num longo abraço, aspira seu perfume e não vejo a hora de poder fazer o mesmo, as duas estão chorando, Beth fecha a porta em seguida.
−Amo você Katie! Beth diz soluçando.
−Também te amo irmã, é a garota mais forte que conheço.
−Somos! Ela responde – Agora vá ver se consegue me tirar daqui.
−Certo! Assim que ela se aproxima pego meu filho no colo, acaricio sua pele e fico olhando para ele, sim ele é a coisa mais perfeita que existe, nunca mais quero me separar dele eu me abaixo para Nick poder beijar a cabecinha do irmão.
−Olha mini ratinho é seu irmão.
Ele ri alegre, bate os bracinhos e posso jurar que está feliz em me ver, que sentiu minha falta.
−Oi Matt! Nick diz contente.
−Oi irmãozinho lindo! Megan também o beija, eu fico mais uma vez de pé.
Aperto meu filho nos braços beijos sua cabeça mais uma vez e depois ajudo Katie a colocá-lo preso a ela, ele se aconchega tranquilo, olho para eles, minha família, o que quer que esteja a caminho vai ter que desistir de nós, não vou deixar nada nos atingir, sem chance.
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