Fim Dos Tempos
96 Capítulo 96 - Em suspenso
Notas iniciais
Pov – Jimmy
Caminho para o isolamento com o pedido de Katie martelando minha cabeça, ficar por perto deles, não nos separarmos. Katie sempre teve uma boa visão das coisas, um sexto sentido, como Daryl diz seus instintos de sobrevivência são muito apurados.
Se ela acha que algo está errado então só posso ficar atento e torcer para tudo dar certo, para ficarmos bem.
Bato na porta e chamo por Mary, sinto falta dela e de Amy, mas não me arrependo do que fiz, Nick e Megan são meus irmãos e nunca vou abrir mão de cuidar deles.
−Jimmy, como você está? Mary me pergunta chorosa.
−Bem, junte suas coisas Mary e venha ficar comigo numa outra sala, traga Amy.
−Tem certeza? Mary pergunta.
−E eu Jimmy e Judith e Matt? Beth está confusa.
−Katie está vindo aqui Beth vocês conversam.
Mary sai da sala e Amy pula em meus braços, fico confuso entre feliz por ter a pequenina em meus braços, mas preocupado e se estiver doente e se a deixar doente?
−Que saudade! Ela me diz sorridente – Onde está o ratinho?
Vamos caminhando para sala ao lado, tudo estava um caos, revirado, com papeis por todos os lados e me pergunto porque nunca pensamos em organizar aquele lugar e tornar habitável, era muito melhor que as celas.
Nos sentamos no chão e só então eu respondo a minha pequena menininha.
−Nick está com a mãe dele e te mandou um abraço, mas ainda não podem brincar juntos, falta pouco agora querida, o importante é que estamos juntos.
−Certo, eu espero! Ela sorri – Ajudei a mamãe e a tia a cuidar do Matt depois que a Katie saiu, porque ele ficou com saudade e chorou.
−Como ele está? Eu pergunto preocupado com meu pequenino.
−Bem, foi apenas falta do leite, ele não queria mamadeira.
Aquilo é muito triste, tudo ia tão bem, as coisas estavam se encaixando, já não tínhamos mais tanto medo e então tudo começou a ruir do dia para noite, e agora estamos mais perto do caos do que da paz.
−Katie está vindo busca-lo! Aviso e Mary me olha preocupada, ela entende que algo está errado, mas assim como eu evita assuntos que possam preocupar Amy.
Olho para ela vestindo sua boneca toda feliz, Daryl trouxe o brinquedo há muito tempo em uma de suas saídas, entregou direto para ela e recebeu um abraço de gratidão que o deixou bem desconfortável, se não é Katie e as crianças ele não aceita bem.
Eles são minha família, e Amy e Mary, são tudo que tenho agora isso me frustra nãosaber o que esperar, só posso me sentir impotente e preocupado, com medo do que vem a seguir.
Amy se distrai, se envolve e nos esquece aproveito o momento para conversar com Mary prepara-la para o que quer que nos encontre.
−Ficou brava porque deixei vocês para cuidar dos meus irmãos? Pergunto a Mary que segurava minha mão apreensiva.
−Nunca vou me colocar entre vocês Jimmy, eu sei que eles são muito importantes para você, não vou mentir que compreendo perfeitamente, porque não consigo, mas aceito.
−Tive uma vida boa Mary, sabe disso, bons pais e um irmão mais velho gentil, corajoso e protetor, quando essa merda começou fugimos só nós dois e o tempo todo ele cuidava de mim, nunca me senti sozinho, até ele morrer eu nem tinha me dado conta do que realmente estava acontecendo a minha volta.
−Você teve sorte! Mary me sorri.
−Depois disso me senti sozinho e o apocalipse definitivamente me atingiu, eu fiquei confuso e com medo, Daryl e Katie me estenderam a mão, me trataram como parte da família, mais que isso me deram uma família que nunca achei que teria de novo, as crianças gostam e confiam em mim como se eu fosse mesmo um irmão mais velho. Você tem razão eu tive sorte.
−Eles amam muito você, e receberam bem tanto eu como Amy, não sinto ciúme nem nada, não se preocupe com isso.
−Ótimo! Eu beijo Mary, ela é tão bonita e nos amamos, me lembro de nossa primeira noite na torre, em como estava tenso e o quanto me senti feliz depois.
−Mas me diga o que está acontecendo Jimmy? Seus olhos estão preocupados e dói não poder fazer nada.
−Katie me pediu para juntar vocês, para ficarmos juntos e atentos, ela acha que algo está errado, não acho que tenha haver com essa doença, mas de qualquer modo confio em Katie.
−Eu também! Mary concorda se aconchegando em meus braços.
−Vamos ficar atentos Mary e juntos e se algo acontecer quero que proteja a nossa pequena e procure ficar perto de Katie e Daryl, vamos ficar juntos, num momento de crise não quero me perder dos meus irmãos, então fique com eles e vamos ficar bem.
−Está me assustando! Ela estremece em meus braços.
−Desculpe, mas é preciso, as coisas mudaram, sua pistola e sua faca estão com você? Pergunto olhando para ela que me mostra as armas.
−Sim, como sempre! Nos abraçamos.
−Então vamos esperar e quem sabe agora com esses remédios essa porcaria de doença vá embora de uma vez e podemos retomar nossas vidas, quem sabe tudo volta ao normal.
−Acha que isso pode acontecer, ouvimos os tiros ontem à noite, foi apavorante.
−Zumbis derrubaram uma cerca, Rick, Carl e depois Katie derrubaram todos, a cerca já foi arrumada, estamos bem.
−Quase saímos! Mary me conta.
−Eu estava na torre, fiquei preso lá com as crianças e isso sim foi apavorante, apenas assistir sem poder fazer nada, se eles não tivessem conseguido nem sei como seria.
−Basta um segundo não é Jimmy e então tudo muda para sempre.
−Sim, basta um segundo, sempre foi assim Mary, mas antes o dia a dia nos cegava para esse fato, essa é a única diferença.
Ela concorda e ficamos em silencio.
Amy continuava sua brincadeira de vestir a boneca, não se dá conta de como as coisas estão agora, só quero deixar minhas crianças seguras, todas elas, e vou fazer o que for preciso.
Suspiro profundamente buscando controle e calma, depois me arrumo apurando os ouvidos, meus irmãos estão buscando Matt agora, posso ouvir a alegria de Nick, vamos ficar bem, todos nós vamos ficar bem, preciso acreditar nisso.
Pov – Beth
−Dorme meu anjinho, logo vamos sair daqui e abraçar o papai! Digo a Judith antes de colocá-la na cama improvisada no chão, Katie me garantiu que traria Rick até aqui e preciso vê-lo.
Não sei o que está acontecendo, mas sei que ele está preocupado, que está confuso e quero ajudar, quero sair desse pequeno casulo e ajudar a cuidar das coisas, falar com meu pai, ajudar de algum jeito.
−Beth! Rick me chama pela porta e meu coração dispara, só agora me dou conta da saudade que senti, não entendo porque ele não veio antes, como Daryl fez, algo importante aconteceu com ele desde que essa doença nos atingiu.
−Rick! Eu me encosto na porta – A Katie saiu, e Mary e Jimmy também, o Matt...
−Eu sei querida − É claro que ele sabe, que tolice – Como está Judith?
−Bem dormindo agora, mas de modo geral está apenas triste eu acho e um pouco inquieta.
−E você?
−Como ela, posso sair?
−Preferia que esperasse seu pai decidir isso.
−Entendo! Fico muda um tempo, sem saber o que dizer, quero abraçar Rick e de repente me sinto como quando começamos a nos apaixonar, quando eu não sabia bem o que dizer, tímida como uma adolescente mais uma vez, respiro fundo, buscando a força que o apocalipse me deu.
−Fiz algo... – Ele se cala, suspira e depois continua – Não sei o que vai pensar.
−Me diga, e logo vai saber o que penso.
−Eu não queria Beth, me afastei das decisões, sabe disso, queria ficar longe de tudo, tentar ficar inteiro para você e meus filhos, mas fui empurrado para isso.
−Sabe que esse dia iria chegar, que se esconder não resolveria as coisas, que esse mundo não aceita mais isso, então apenas me diga, o que você fez?
−Foi a Carol quem matou o David e a Karen, ela mesma me disse, não tinha nenhum arrependimento em suas escolhas, eu não podia fazer nada.
−Deus, a Carol? Fico surpresa, chocada com suas palavras, ela nos deu muitos sinais, mas nunca achei que iria tão longe.
−O que fez Rick, o que teve que fazer?
−Se o Tyreese voltasse, se eu ou qualquer pessoa contasse a ele, Ty iria matar Carol e nem sei se poderia ou gostaria de impedir então mandei Carol embora.
−Sozinha, e as meninas, Lizzie e Mika?
−Não deixei que levasse, mas ela tinha armas, um carro e suprimentos.
Ele fica calado, está à espera de minhas palavras e só quero abraçar Rick, porque sei o que significa para ele tomar essa atitude.
−Fez o que era preciso fazer, nem sei o que sentiria se fosse Judith a ficar doente, ou o Carl, ela faria o mesmo, Carol fez uma escolha e sofreu as consequências, sinto que tenha sido você a ter que tomar essa decisão.
−Eu também! Ele me diz e sinto sua voz cansada.
−Mas sei que é forte suficiente para conviver com ela, Carol vai encontrar um novo caminho.
−Acredito que sim.
−Mas não é só isso! Eu o incentivo a continuar falando – O que mais está acontecendo?
−As coisas se complicaram, uma cerca caiu, precisei do Carl para me ajudar a conter os zumbis...
−É difícil perceber o quanto ele cresceu, não é?
−Muito! Ele me responde, me apoio na porta, fecho meus olhos, sinto seu abraço a distância – Seu pai teve problemas no bloco A, Maggie teve que entrar, o Glenn quase morreu.
−Não! Coloco minha mão no rosto, minha irmão, meu pai, metade da minha família correndo o risco de morrer dessa coisa enquanto fico aqui isso me deixa doente – Como estão as coisas agora, o Glenn...
−Está se recuperando, Daryl chegou à tempo, ele sempre chega não é mesmo? Rick me diz e sei que está sorrindo, um sorriso triste posso sentir pela melancolia nas palavras.
−Isso é bom, contornaram tudo.
−Sim, mas não tem mais conselho, não tem mais ordem e perdemos muitos doentes durante a noite.
−Já passamos por coisas assim, já ficamos num beco sem saída outras vezes, demos um jeito, não vai ser diferente agora.
−Você me assusta às vezes! Ele me diz e sorrio, secando uma lágrima que ele não pode ver, o que é bom porque quero que pense que sou essa mulher forte que finjo ser.
−Fazemos o que temos que fazer e seguimos em frente!
−Mesmo com nosso mundo ruindo?
−Principalmente por isso, não há mais tempo para lamentar, ou caminhamos para frente ou somos devorados pelo que nos persegue.
−Você está certa! Ele me diz.
−Não fique culpado, nem por Carol, nem por Carl, seu filho é um bom menino e um jovem soldado, nesse mundo não pode ser diferente – Ele fica quieto, acho que processando minhas palavras – O tempo que deu a ele foi bom, Carl sabe o que fez e o que precisa fazer e principalmente sabe a diferença entre um e outro.
−Devia ter vindo antes, mas estava com medo de dizer a você...
−Vai sempre ter meu apoio, seja qual for sua escolha eu vou confiar em você.
−Já fiz muitas escolhas erradas, muitas vezes nem sabia realmente o que estava fazendo.
−Nunca vai saber se fez mesmo escolhas erradas, ou o que teria acontecido se tivesse feito diferente, e fez mais que a maioria, guiou enquanto os outros preferiam ser guiados.
−Amo você! Ele me diz e quero abrir essa maldita porta que me separa de tudo que amo e correr para seus braços.
−Também te amo! Respondo com todo meu coração.
−Estou tentando voltar a rotina, fazer parecer que tudo está bem, vou voltar para nossa horta agora, quero que as pessoas sintam que estamos bem.
−A Katie parece preocupada.
−Sim, nunca tivemos motivos para duvidar dos instintos dela, mas não tem nada realmente que possamos fazer a não ser aguardar o que vem para nós, então apenas fique calma.
−Vou ficar.
−Está armada?
−Sim, uma pistola, minha faca, e uma metralhadora dessas que tem nomes estranhos, cheios de letras e números.
Ele ri, nunca quis aprender muito sobre elas, basta que saiba usar e isso aprendi a muito tempo então é suficiente.
−Ótimo, fique pronta, para tudo entende, para o que quer que nos apareça.
−Vou ficar, e não se preocupe com a Judith, ela está comigo e nada pode machuca-la aqui.
−Eu sei que faria qualquer coisa por ela, obrigado.
−Amo essa criança Rick, como se fosse minha sabe disso.
−Ela é sua! Ele me diz e isso me emociona, deixo as lágrimas caírem de uma vez, que adianta ser forte o tempo todo.
−Onde está meu pai?
−Saiu um pouco, foi com Michonne levar uns corpos para queimar lá fora, acho que precisava de um pouco de ar fresco depois de todo terror que passou, Bob está no lugar dele com os doentes e Maggie também.
−Certo! Era bom ele respirar um pouco, meu pai sempre foi um homem justo e bom acima de tudo, tenho certeza que foi além de suas forças por aquelas pessoas, e deve ter sido dolorido para ele assistir as pessoas morrendo sem poder fazer muito por elas.
−Caleb, ele não melhorou?
−Morreu! Ele me conta e fico triste, ele e meu pai tinham ficado muito amigos e isso deve ter doido muito.
−Por favor Rick, quero muito abraçar meu pai, ouvir a voz dele, pode pedir que venha me ver quando voltar?
−Sim, não se preocupe, vou pedir que venha te ver, quem sabe ele não te libera?
Concordo com a cabeça como se ele pudesse me ver, meu coração se aperta com uma sensação estranha, um medo de tudo que me faz estremecer.
−Carl está me esperando, vou voltar ao trabalho, mais tarde ele vem saber como estão, fique bem e beije Judith por mim.
−É só o que faço, e canto também, ela gosta.
−Todos gostamos querida, e ainda vamos nos reunir em torno de uma fogueira e te ouvir cantar, toda nossa família.
−Sim, toda nossa família!
Rick me deixa, meu coração está pesado, talvez porque ficar sozinha me enfraqueça, talvez por que Katie não seja a única com sexto sentido, mas só o que posso fazer é me juntar a Judith e esperar, o tempo agora é tão meu inimigo como os mortos e seu caminhar.
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