Fim Dos Tempos
91 Capítulo 91 - Infecção
Notas iniciais
Pov – Daryl
Foi um dia infernal, nem sei como teria sido se minha pequena não estivesse comigo lá fora, passamos por muita coisa, mas uma merda de uma chuva de zumbi nunca me passou pela cabeça, não me conformo de não ter dado mais atenção ao medo de Katie, quando foi que minha pequena esteve errada?
Nunca, Katie nunca errou sobre coisa alguma, mesmo assim continuamos e Zack está morto, uma porcaria de fim trágico para um menino tão jovem, mas agora é assim, as pessoas morrem e só continuamos, sempre continuamos e isso não nos deixa mais frios, mas nos deixa mais próximos das pessoas que amamos porque a qualquer momento eles podem simplesmente não estar mais.
−Bom dia! Nick acorda feliz como todos os dias, nem posso imaginar se um dia meu pequeno tiver que ir para as ruas, isso é a coisa que mais me assusta, vê-los em perigo, qualquer um deles, mas não posso impedir isso.
−Bom dia! Eu sorrio e ele corre para mim, claro que consegue acordar todo o resto da família inclusive meu mini ratinho que choraminga e então no mesmo segundo Katie está com ele, mães são uma coisa estranha, elas vem com alguma coisa ligada que as deixa sempre preparadas e atentas.
Descemos para o café todos juntos, ficamos no nosso refeitório, dentro do nosso bloco de celas, Beth está com Judith nos braços e Rick já saiu com Carl para o trabalho, entendo esse desejo de se afastar um pouco das coisas que Rick tem, mas sei que um dia ele vai ter que voltar, as coisas mudam muito rápido e a morte de Zack me deu uma boa ideia disso.
−Mamãe eu vou ficar lá no bloco D, o Patrick me prometeu que vai jogar comigo e vou chamar ele! Nick está apressado, sempre está.
−Não demora! Ela diz como de costume ele a abraça, minha pequena o aperta forte, ele se solta, mas ela o puxa de volta – Amo você! Diz carinhosa.
−Está bem! Ele corre.
−Vou ajudar o Carl e o Rick, e a Michonne vai sair e quero pedir uma coisa! Minha ratinha diz também apressada, Katie faz o mesmo, abraça e beija Megan mais do que de costume, acho que a morte de Zack é o motivo, Megan se afasta e ela vem para meus braços, suspira e beijo meu mini ratinho, cada dia mais lindo e cheio de vida.
−As cercas estão cheias, mais do que de costume, acho que mais tarde vou deixar o Matt com a Beth e a Mary e vou ajudar.
−Eu ajudo pequena, fica aqui com ele, já saiu ontem e não vou a lugar nenhum hoje, posso ficar e trabalhar nas cercas.
Ela sorri, Katie ainda é determinada e ainda faz só o que quer, mas chegamos a um entendimento, decidimos juntos, temos três crianças, isso não é fácil.
−Estou com um aperto no coração! Ela me diz encostada em mim – Acho que sair ontem me deixou assim, não a saída, mas perder Zack, mesmo hoje depois de tanto tempo com tanta gente treinada ainda gosto mais de como era antes só nosso pequeno grupo nas ruas.
−Eu também! Estamos tranquilos, Sasha e o irmão estão lá conversando, Hershel e Beth de olho em Judith e então ouvimos os disparos, são tiros, e é dentro do presidio, pulo imediatamente com minha besta, minha pequena aperta nosso bebê nos braços enquanto puxa uma de suas facas, olhamos tudo, Sasha e os outros nos ajudam e o barulho só podia vir de fora.
−Daryl as crianças! Katie me diz assustada.
−Proteja nosso bloco! Eu grito antes de sair às pressas.
Rick e Glenn já estavam correndo.
−Zumbis no bloco D! Glenn grita e só penso em meus filhos, Megan corria para o portão junto com Carl, para abrir para Michonne que voltava para dentro, mas Nick estava lá dentro.
−E o bloco C? Rick pergunta sem parar de correr.
−Limpo, mas Katie está lá! Sasha avisa e eu já estava a quilômetros na frente de todos, meu filho, Nick está lá dentro, os tiros me apavoram, quem pode estar atirando dentro do bloco, quantos zumbis pode haver para que tiros sejam disparados, e se as outras crianças saíram para avisar por que meu ratinho não veio junto?
Assim que entro o cenário é o do inferno, gente sendo atacada de todos os lados, pessoas correndo para fora e então vejo Nick se arrastando para longe enquanto um zumbi deixa um corpo e tentava alcança-lo, acerto minha flecha ao mesmo tempo que puxo Nick para meus braços.
−Volte para a cela! Eu o entrego a Karen que se fecha com ele e outras crianças em uma cela, continuo acertando zumbis, um homem é mordido e Carol o socorre, está tudo um caos e enfim dominamos o ataque, são tantos corpos que nem sei por onde começar.
−Está limpo aqui? Rick pergunta e depois de confirmado subimos as escadas eu, Glenn e Rick, precisamos ter certeza se estamos seguros, as cortinas garantiam a privacidade, mas ao mesmo tempo nos deixava em risco no caso de uma varredura e quando Glenn se aproxima de uma é atacado, ele segura o zumbi pelos braços tentando se defender.
−Abaixa! Grito, ele obedece e acerto minha flecha o zumbi cai.
Estamos mais atentos que nunca, meu filho está lá em baixo, mas Sasha e Tyresse estão com ele e posso verificar tudo antes de acalma-lo, na verdade nem mesmo tenho outra opção, olho para o zumbi caído.
−É o Patrick! Digo com pesar, era um bom menino, amigo das crianças, estavam sempre próximos – São todos eles! Continuo, somos muitos agora e todos tem importância, olho para baixo e não acredito no número de corpos, como pode acontecer assim tão rápido, quão indefesas essas pessoas ainda podem ser depois de tudo?
Agora temos que impedir os mortos de virar zumbi e isso é difícil para Rick vejo o corpo de uma mulher no chão, alguém que Patrick atacou, Rick me olha.
−Deixa comigo! Acerto uma flecha e continuamos a varredura, mas Rick sabe que não pode ficar de fora e entra na cela ao lado, de algum jeito o incentivo, não posso fazer tudo, eu e Glenn somos os que cuidam das ruas, dos zumbis, mas estamos aqui, e temos que nos unir, na última cela que está fechada o zumbi geme.
Rick o puxa pela grade e o acerta, tem algo bem errado nessa droga eu penso, escuto meu filho no andar de baixo, sei que está assustado à minha espera, mas preciso saber o que aconteceu antes de leva-lo para a mãe.
Sei que minha pequena deve estar apavorada, mas ela vai entender, o doutor S e Hershel se reúnem a nós dentro da pequena cela, tem algo de estranho ali, como se tivesse derramado sangue pelos olhos.
−Sem mordida, arranhões! Rick questiona.
−Deve ter morrido durante à noite!
−E de uma forma terrível também, derrame pleural.
−Ele sufocou até a morte com seu sangue! Hershel comenta, só consigo pensar no meu ratinho, no medo que ele passou mais uma vez, é sempre ele – É isso as marcas de sangue no rosto!
−Já vi isso antes, num zumbi na cerca! Rick comunica.
−E no Patrick! Eu os lembro.
−A pressão interna no pulmão fez com que subisse – Doutor S tenta nos explicar o que ocorreu, tento prestar atenção, entender o que essa merda toda quer dizer.
−É uma doença transmitida pelos zumbis? Bob pergunta se juntando a nós.
−Não, isso acontecia antes de eles aparecerem, pode ser um tipo de pneumococo, ou mesmo um resfriado.
−Alguém o trancou bem a tempo! Hershel comenta.
−Não, cara, Charlie é sonâmbulo, ele se trancava ontem estava bem, comendo churrasco, como pode ser isso? Eu conhecia tão bem aquelas pessoas, aquilo é estranho, me dou conta do quanto mudei e de como essas perdas me atingem mais agora – Como alguém pode morrer de resfriado tão rápido?
−Eu tinha um porco doente, morreu rápido! Mais uma vez penso em meus filhos, Megan vivia com Carl ajudando a cuidar dos porcos – Vi um javali doente na mata.
−Porcos e pássaros! Era transmitida assim antigamente – Precisamos fazer alguma coisa sobre os porcos! Hershel nos pede.
−Talvez tenhamos sorte e sejam só esses dois casos.
−Não vejo ninguém ter sorte há muito tempo! Bob comenta, não posso realmente concordar com ele, eu tenho tido muita sorte desde que essa merda de fim de mundo começou, vivo apavorado, o tempo todo com medo de tudo que posso perder, mas ainda assim tenho sorte, mas não vou discutir isso com ele agora – Insetos entram fácil em ambientes fechados.
−Todos nós aqui fomos expostos! Meu ratinho, meu ratinho foi exposta a essa coisa.
Deixamos a cela, eu preciso pensar, isso não é bom, meu bebê, minha mulher, meus filhos.
−Hershel, vamos reunir o conselho, vou avisar a Katie! Ele me segura um minuto.
−Daryl! Seu olhar me preocupa – Fomos expostos, Matt é um bebê ainda, Katie tem que ficar distante por enquanto, nosso bloco parece seguro, deixe ela lá com ele, sinto muito, mas vamos ficar um pouco distantes, Nick está aqui, deve se manter longe também, e mesmo Megan, ela cuidava dos porcos, está sempre com o Carl.
Fico tonto com suas palavras, me separar da minha pequena, separar seu filhos, ela não vai suportar e se um de nós estiver doente? Eu confirmo com um movimento de cabeça, ele demonstra seu pesar.
−Você está certo, eu vou cuidar disso.
Corro até meu filho que me abraça, Megan estava com ele, meu coração se aperta ao vê-la.
−Vamos sair daqui! Eu os puxo para fora e rezo para ficarem protegidos, caminho com passos incertos, como separá-los?
−Fiquei com medo papai! Nick me apertava a mão enquanto caminhávamos – Mas sabia que você estava vindo, você sempre chega!
Como posso enfiar uma flecha numa coisa assim, não posso protege-lo disso, a ideia me assusta.
−Sempre ratinho! Sempre! Mas já não tenho tanta certeza.
Minha pequena está de pé na frente do nosso bloco de celas, ninando nosso bebê e me esperando ansiosa, posso sentir seu alivio quando nos vê caminhar e ela percebe minha angustia, afinal é minha pequena, ainda sabe de mim mais do que eu.
−Mamãe! Nick tenta correr até ela, mas eu o seguro e o ar de alivio do rosto de minha pequena desaparece, seguro Megan também do meu lado a uma boa distância – Que foi papai? Nick e Megan me olham depois olham para mãe, ela está assustada, quero abraçar minha mulher, mas me contenho.
−O que foi? Ela diz angustiada – Por que não os deixa vir aqui? Dá um passo em minha direção, eu os puxo para trás.
−Não pequena! Peço e ela paralisa – Desculpe, Patrick ficou doente, uma gripe talvez, morreu muito rápido, se transformou, provavelmente durante a noite e atacou outros, estamos bem, mas não é seguro, pode ter se espalhado, mais um morreu assim, Charlie, talvez os porcos! Ela está chorando.
−O que isso quer dizer? Eu sei que ela entendeu, mas que não pode aceitar.
−Pequena, vou me reunir com o conselho, fique lá dentro do nosso bloco com o Matt está bem, não deixe a Beth sair também, Amy e Mary estão lá, o Jimmy vai ficar com vocês.
Jimmy passava o dia na oficina depois se enfiava no nosso bloco com a mulher e Amy, ele devia estar bem, tinha que estar, preciso que cuide de Katie.
−Amor! Ela chora abraçada a nosso bebê, Nick e Megan também choram.
−Eu te amo pequena, vou cuidar dos nossos ratinhos, não se preocupe, é só um pouco!
−Quero ficar com vocês, eu não me importo!
−Tem que fazer pelo nosso bebê! Eu digo tentando controlar minha própria angustia.
−O papai cuida da gente! Megan diz soluçando, eu a abraço.
−Certo, mas não quero que fiquem em outro bloco, se não pegaram podem pegar! Ela exige, tentando se controlar.
−Se for o caso fico com os dois em uma das torres, não se preocupe, agora entre, nos falamos daqui a pouco!
Ela entra com meu filho, eu queria ter beijado mais todos eles, nunca vai ser suficiente.
Me reúno com o conselho, é a primeira vez que participo dessa reunião sem minha pequena, ela sempre sabe como agir, tem boas ideias.
−Patrick estava bem ontem! Carol comenta, as coisas andam mais calmas entre ela e Katie – E morreu durante à noite, temos que separar todos que foram expostos! Ela diz.
−Todo o bloco, todos nós, talvez mais! Eu os lembro.
−Essa doença pode ser letal, não sabemos como se espalha e quais os sintomas.
−Não podemos esperar para ver! Carol comenta – Podemos usar o bloco A.
−Corredor da morte? Glenn diz me apavorando – Não sei se é uma melhoria.
−Está limpo já é uma melhoria, acha que servirá para o doutor S? Pergunto ao Hershel.
−Vou ajuda-lo! Ouvimos tosse, e ficamos todos em alerta, saímos para o corredor e Tyresse caminhava com Karen que tossia.
Tyresse avisa que vai levar ela para descansar em sua cela que fica no momento no meu bloco de celas, nunca vou permitir, Glenn explica que pode ser uma doença.
−Temos dois bebês lá, eles estão muito vulneráveis! Hershel avisa – Vou ajudar o médico e vamos tentar resolver, mas precisam ficar separados.
−David também está tossindo! Karen avisa.
−Vou buscar ele! Glenn corre.
−Vamos acomodar todos! Sasha segue com Tyresse e Karen, fico paralisado, com medo do que pode estar acontecendo.
Eu saio para enterrar os corpos, Hershel me manda usar máscaras e luvas.
Encontro Nick com Megan estão sentados no pátio à minha espera, minha pequena os observa de longe está chorando, aceno tentando ser forte por ela.
−Tenho que enterrar os corpos ratinhos, podem ficar aqui um pouco, depois vamos poder conversar certo? Eles concordam e me afasto depois de um longo olhar para Katie.
Rick se aproxima de mim para ajudar um tempo depois.
−Que bom que estava lá! Digo a ele.
−Não fui muito útil desarmado!
−Foi sim e não estaríamos aqui sem você!
−Fomos todos nós, Katie principalmente! Ele me lembra.
Ficamos conversando, Rick precisa voltar porque sei que as coisas estão ficando feias, então Maggie grita e vejo a cerca pendendo de zumbis mais uma vez, corremos e começamos a porcaria da tarefa de tentar mata-los antes que derrubem tudo, aquele inferno nunca termina.
Rick tem uma ideia e gosto que esteja de volta, pego o jipe a seu pedido e saímos com os porcos, sei que meu filho vai ficar triste quando souber, mas é preciso.
Rick vai cortando os porcos e soltando chamando os zumbis que se afastam das cercas, é como o fim de um sonho, não só dele mas de todos nós, aquela normalidade que achamos que conseguiríamos, os dias tranquilos tudo ruindo mais uma vez, e como se isso não bastasse tenho que ficar longe da minha mulher e do meu bebê.
Os zumbis se afastam, a cerca está mais uma vez segura, não sei por quanto tempo, não sei mais coisa alguma, agora preciso ficar um pouco com meus filhos e caminho para eles que assistiam a tudo, Nick chorava, eu sei o quanto é difícil para ele e ainda tem Lily, talvez ela tenha que ser sacrificada também, felizmente está em seu cercadinho do lado de fora a dois dias.
−Desculpe ratinho! Eu o pego no colo — Sei que foi triste de assistir isso!
−Eles estavam doentes? Ele pergunta.
−Sim e podem deixar mais pessoas doentes, foi preciso, sinto muito, não queria que tivesse visto.
−Papai, vamos ficar doentes? Megan me pergunta.
−É só uma precaução porque o mini ratinho é muito pequenininho e ainda é fraquinho para ficar doente.
Eles estão abraçados a mim, nem posso imaginar como estão assustados, e como é dolorido estarem longe da mãe.
−Megan quero que namore como no começo se lembra, só conversando, não sabemos se o Carl está doente, ou você, entende ratinha?
Ela chora concordando, eu a aperto e depois olho para Nick no meu colo.
−Ratinho preciso que fique longe da Lily!
−Não papai, a Lily não! Ele soluça e não sei como acalma-lo, aquilo é dolorido demais – Vão matar a Lily?
−Não, mas acho que talvez ela devesse voltar para floresta, seria bom para ela, não acha?
−Eu não quero! Ele soluça – Vou ficar sem a mamãe, sem meu irmão e sem a Lily!
−A mamãe e o seu irmão estão bem, só não vamos chegar muito perto, mas logo isso acaba eu prometo.
−Os doentes vão ficar sozinhos lá com o doutor S, eu ouvi o Glenn contar, se eu ficar doente vou ter que ficar sozinha lá? Megan me diz e nunca aceitaria algo assim.
−Não! Eu a faço me olhar sou firme, ela precisa entender é minha e nunca vai ficar sozinha – Se ficar doente e tiver que ir para o isolamento eu vou com você, entendeu, não vai ficar sozinha nunca! E iria, claro que iria, por qualquer um deles, não importa o que isso significasse.
Eles choram por algum tempo depois se acalmam, entrego os lenços que consegui a eles, quero que usem mascaras eu os ensino a prender e Nick acaba rindo.
−Vamos ficar bem! Digo abraçado a eles, minha pequena ainda está na grade do nosso bloco nos observando de longe, não sei como pode estar se sentindo, só o que sei é que suas lágrimas não param de rolar, Maggie a puxa para dentro e agradeço mentalmente por ela não estar sozinha nesse momento.
Ficamos sentados um pouco, tenho muito o que fazer, mas quero cuidar deles, achar um lugar para ficarem até ter certeza que podem se reunir a mãe de novo, eu os levo para torre.
Megan pode cuidar do irmão lá onde o ar talvez esteja limpo e eu sigo para o trabalho, para todas as decisões que tenho que tomar, Rick está de novo com seu revólver, sinto por ele, mas sou obrigado a agradecer que no fim esteja de volta, é muito para mim, sem minha pequena eu fico mais fraco, e ela nesse momento é apenas uma mãe protegendo nossa cria e queria que todos pudessem estar sob sua proteção, mas não podem e tenho que estar inteiro por eles, essa porcaria de doença não vai me vencer, a caminhada dos mortos não me venceu, não vai ser isso que vai destruir minha família, tenho que acreditar.
Eu não desisto, você não desiste! Digo mentalmente, sei que ela está fazendo o mesmo.
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