Fim Dos Tempos

92 Capítulo 92 - Isolamento


Notas iniciais
Acho que ficou grande, mas enfim, aqui está, espero que gostem!

Pov – Daryl

Sou chamado por Rick, algo seu errado e paro tudo e sigo com ele e Carol, encontramos Tyresse, depois de seguir um rastro de sangue e cheiro de carne queimada, conheço bem esse cheiro depois de queimar tantos corpos desde que essa porcaria de fim de mundo começou.

Não acredito no que vejo, é o corpo de Karen e David carbonizados, alguém deliberadamente ateou fogo nos dois, fico chocado, quem faria algo tão grotesco e porquê?

Na verdade sei por que, eles eram os únicos doentes, só podia ser alguém acreditando que com isso protegeria a todos, mesmo assim isso é horrível e agora temos que lidar com Ty, Karen era sua namorada e ele está simplesmente transtornado, posso entender, podia ser minha mulher, ou um dos meus filhos e não ficaria diferente.

−Alguém os arrastou até aqui, matou e arrastou até aqui e colocou fogo neles! Tyresse grita – Você é um policial, precisa descobrir quem foi e trazer até mim, precisa me trazer os culpados! Ele grita próximo demais de Rick, me aproximo pronto para tentar detê-lo o que não seria tarefa fácil já que o homem é um colosso.

−Descobriremos quem fez isso! Rick promete tentando parecer calmo, fala sobre sua perdas, eu tento segurar Tyresse e ele avança sobre mim.

−Não vou a lugar nenhum até descobrir quem fez isso! Ele grita me prensando contra as grades, Rick se aproxima e peço calma a ele, o velho Dixon pavio curto se foi a muito tempo e desde que não mexam com minha família posso me controlar.

−Estamos do mesmo lado cara! Eu digo muito calmo, Rick tenta convence-lo usando um tom neutro, mais uma vez fala sobre perdas e Ty me larga para avançar sobre ele, acerta um soco em Rick e eu o seguro, Rick se ergue fora de si, acerta Tyresse mesmo ele estando imobilizado por mim, o homem cai e acabo me afastando, Rick avança sobre ele e dessa vez está furioso, preciso conter Rick que acerta Tyresse algumas vezes.

−Me solta! Rick exige – Me solta!

−Não! Respondo – Calma! Ele acaba por se afastar, Tyresse está no chão com o olho completamente fechado de inchaço e Rick com a mão ferida.

Deixo Rick com Hershel para ver o estado de sua mão e Tyresse segue para cavar as covas, acho que é bom que faça sozinho, se acalme ou apenas extravase a dor que deve estar sentindo, vou ver minha pequena de longe e ficar com meus filhos.

−Como está pequena? Eu pergunto estamos muito longe um do outro, meus pequenos estão comigo, e ela está com nosso bebê no colo, ele está enrolado, sei que é o melhor, quanto menos esse ar ele respirar melhor, ela está no portão do lado de dentro do nosso bloco, eu pelo lado de fora.

−Sinto sua falta! Ela me diz os olhos vermelhos pelas lágrimas, há muito não chora tanto – E dos meus ratinhos!

−Vamos ficar bem! Eu prometo sem convicção, apenas para acalma-la e ela sabe disso.

−Soube o que aconteceu com Karen e David! Ela me diz – Precisamos saber quem e porquê?

−Acho que o porque é obvio, eram os únicos doentes! Eu respondo, ela concorda – Mas não são mais, tem muitos agora! Megan me abraça esconde o rosto, faço um carinho nos seus cabelos.

−Amo vocês! Minha pequena diz de longe, eu concordo com um movimento de cabeça, momentaneamente sem fala, meu peito se aperta de saudade e medo, por ela, por eles, são tudo que tenho, não posso perder.

−É minha vida! Digo a ela – Vou deixar os ratinhos na torre e me reunir com o conselho, as coisas estão se espalhando rápido!

−Eu sei! Ela diz, Nick acena de longe para a mãe, não aguento que estejam separados, ela devolve o aceno – Fica bonzinho filho, vai acabar logo.

−Mamãe e seu cabelo, como vou dormir? Ele diz e ela aperta o bebê tentando controlar o choro, Deus não cansa de se vingar, como pode nos tirar mais isso?

−Megan vai emprestar os dela, não é ratinha? Ela concorda e abraça o irmão.

−Eu amo vocês, fiquei bem bonzinhos e obedeçam o papai, dessa vez é sério, nada de fazer só o que querem! Sempre a mamãe, mesmo em meio a dor, ainda é a mamãe que põe ordem nas coisas, eles concordam.

Eu os deixo na torre e sigo para reunião, Michonne nos acompanha, estou feliz que esteja aqui nesse momento de crise, ela é sempre alguém que posso contar.

−Está se espalhando! Hershel começa – Todos que sobreviveram ao ataque do bloco D, Caleb, Sasha, e agora outros!

−O que faremos? Eu pergunto tenso, só consigo pensar se um dos meus ratinhos ficar doente, não posso sequer suportar a ideia.

−Isolamento! Hershel avisa – Os doentes ficarão no bloco A como tentamos com Karen e David.

−Precisamos pedir para Rick investigar quem fez isso, uma cronologia, quem, quando, onde, mas o que faremos para cessar esse contagio? Carol fala.

−Não tem como fazer isso, se pegar terá que passar por isso!

−Mas, simplesmente mata? Michonne se pronuncia.

−Não é a doença que está matando são os sintomas, precisamos de antibióticos.

−Já fomos a todas as farmácias próximas e além! Eu os lembro.

−Aquela faculdade veterinária na West Peachtree Tech é o único lugar onde podem não ter ido atrás de remédios, os remédios para animais são os mesmos que precisamos.

−Fica a oitenta quilômetros! Eu digo, mas sei que tenho que ir – Longe demais para arriscar até agora, levarei um grupo! Comunico, meus filhos, minha mulher, minha família, faço qualquer coisa por eles, não importa que distância precise percorrer – É melhor não perder mais tempo! Eu me levanto, nunca gostei muito de reuniões, meu trabalho sempre foi lá fora, não vai ser diferente agora.

−Vou junto! Michonne avisa e eu sabia que iria.

−Você não foi exposta, Daryl sim, vai ficar no mesmo carro que ele?

−Ele já me passou pulgas, além disso está sempre me obrigando a conviver com os ratos que cria na própria cela.

−Eu posso mostrar o caminho, sei onde fica todos os remédios! Hershel se oferece.

−Lá fora, é sempre a mesma coisa, cedo ou tarde temos que correr! Eu digo a ele, não quero colocar o velho ou a missão em risco, ele me entende.

−Vou fazer um mapa! Ele diz — Temos que tomar mais precauções.

−Como o que? Carol pergunta.

−Não sei dizer o tempo que levará até o Daryl voltar com os remédios, seria mais sensato separar os mais vulneráveis. Podemos usar o prédio administrativo, escritórios, salas separadas.

−Quem são os mais vulneráveis? Glenn pergunta, minha pequena e meu mini ratinho, eu penso.

−As crianças! Hershel responde.

−E os idosos? Glenn rebate, todos queremos Hershel seguro, ele sabe disso embora não goste.

Sei que não vai ser fácil para Katie ficar assim isolada de todos, mas é preciso e ela vai fazer isso, além disso vou numa missão que nem mesmo sei se posso realizar e ela também vai entender isso, sigo para o carro preciso dar uma olhada nele enquanto me preparo para o momento de me despedir da minha mulher sem nem ao menos poder tocar nela.

Como se não bastasse meus pequenos vão ficar sozinhos, sem a mãe e sem mim, não sei como posso lidar com isso, como essa maldita doença simplesmente dividiu minha família ao meio, posso matar zumbis e atirar em sobreviventes, mas não tenho nenhum controle sobre essa coisa e isso acaba comigo.

Michonne se aproxima trazendo sua espada e arma.

−Fico feliz que esteja aqui!

−Onde mais eu estaria? Ela rebate.

−Fugindo! Eu digo, sei que ela caça o governador mais isso já foi longe demais e as vezes parece mais uma fuga do que uma perseguição.

−Sabe que não estou fugindo! Ela diz e nos olhamos, acabo concordando, ela suspira.

−Vai ser como nos velhos tempos? Ela diz – Vou ser a babá que Katie confia para cuidar do Daryl? Ela brinca.

−Não, Bob vai conosco, mas queria mais gente!

−Quem não está doente?

−Não pediremos ao Rick, ele quer ficar com o Carl e a bravinha, e prefiro que esteja aqui, por conta dos meus filhos também!

−Acho bom, as coisas aqui estão confusas.

−Vou procurar alguém, quem sabe o Tyresse a irmã dele está doente, ele é forte, depois vou me despedir da minha pequena, nos vemos.

−Certo! Ela me olha e sabe que vai ser um momento difícil.

Primeiro vou em busca de meus ratinhos, quando chego na torre Jimmy estava lá ouço meus pequenos rindo e lá estavam os três jogando cartas.

−Jimmy, sabe que não devia estar perto deles, agora não vai poder ficar com Mary e Amy! Eu reclamo, mas no fundo estou grato.

−Elas foram para o isolamento, na administração, com Beth e Katie! Ele me avisa – Sabe que se tem alguém forte o bastante para cuidar de tudo lá é Katie, ela está presa lá e soube que você vai sair! Ele olha para as crianças – Eles ainda são meus irmãos, não posso deixar os dois sozinhos!

−Entende o que isso significa? Eu pergunto emocionado com seu gesto.

−Entendo que perdi tudo uma vez e você e Katie me deram tudo de volta, o que quer que aconteça, eu estou bem, são minha família, vou cuidar deles enquanto estiver fora, seja o que quer que tenha que fazer, inclusive ficar no isolamento! Ele me diz e concordo, Jimmy era tão importante para mim quanto qualquer um dos meus filhos, mais que um amigo, era um irmão mais novo, toco seu ombro.

−Nunca vou poder agradecer tudo que já fez por nós! Ele sorri, sempre fica orgulhoso, olho para meus ratinhos – Tenho que sair, não volto cedo, vão dormir aqui com o Jimmy, quero que fiquem bem, que não tenham medo, vou buscar remédios para acabar com essa doença!

−Isso é bom, vai tomar cuidado? Megan me pergunta.

−Claro, não tenham medo, depois o Jimmy leva vocês para ficarem um pouco conversando com a mamãe pela porta!

−Acho isso muito chato! Nick reclama – Esse lenço que tenho que usar toda hora coça meu nariz! Ele diz e bagunço seu cabelo só para vê-lo arrumar apressado.

Eles me abraçam e isso é difícil, tenho medo de não voltar, tenho medo de voltar e um deles não estar mais aqui, sinto um nó na garganta, beijo meus filhos, aperto a mão de Jimmy e vou para a parte mais difícil me despedir de minha pequena.

−Pequena! Eu a chamo me sentando na porta.

−Oi amor! Ela me diz com a voz embargada, sei que está sentada pelo lado de dentro que estamos perto um do outro, sempre estamos – Vai sair não é?

−A velha prisão e sua rede de notícias! Eu brinco – Maggie?

−É! Ela diz – Vai para muito longe, nunca fomos tão longe, queria estar com você!

−Vai estar, sabe disso, nunca esteve longe, é minha pequena.

−E você meu amor! Ela me diz está chorando – Seu mini ratinho está aqui no meu colo, sente sua falta.

−E eu a dele! Respondo e minha voz está estrangulada pelo nó que se forma em minha garganta.

−Estou com medo, não sei ficar sem você!

−Vou voltar minha pequena, nada vai me impedir, não tenha medo e nem pressa, não sei quanto tempo vou ficar fora.

−Isso dói muito! Ela soluça – O Jimmy...

−Sim, ele está com os ratinhos, sabe que eles estão bem com ele, é como estar conosco.

−Está bem? Ela me pergunta – Tenho medo que fique doente na estrada!

−Eu me sinto ótimo, nada de errado comigo, além disso minha babá vai junto, Michonne me traria de volta nem que fosse pelos cabelos arrastando pela estrada e matando qualquer zumbi que surgisse com aquela espada mágica, ela nunca voltariam sem mim!

−Se tem uma coisa que acredito é nisso! Ela me diz – Amor, eu... se um deles ficar doente, se perder meus bebês, não consigo suportar.

−Eles estão bem, ficaram pouco tempo lá dentro, é só uma garantia, eu e eles, nós não vamos ficar doentes.

−Temos tanto, as pessoas estão sempre perdendo e nós sempre ganhando, tenho medo de ter chegado nossa vez! Ela chora e quero ter minha mulher em meus braços, sentir seu olhar me revirando.

−Não vamos perder nada! Aviso, não para ela, mas para essa merda de apocalipse e tudo que ele trouxe, para Deus, e essa porcaria de vingança que nunca acaba, para o diabo que nunca consegue rir de mim – Te amo pequena, mas tenho que ir, não posso perder tempo.

−Volta para mim! Ela pede.

−Você não desiste, eu não desisto! Eu digo quando me levanto.

−Nunca! Ela me responde e deixo minha pequena, a dor segue comigo, só vai passar quando os tiver seguros em meus braços, todos eles.

Tyresse está montando guarda na porta do isolamento, não quer sair de lá, tento convencê-lo, parece inútil e vou para o carro.

Eu, Bob e Michonne estamos reunidos, é o carro de Zack, o garoto com a ajuda de Jimmy deixou ele em perfeito estado, Bob questiona se o quero mesmo no grupo de busca, mas na verdade preciso, ele entende de remédios, eu não, só para decifrar as anotações de Hershel levaria uma semana.

Tyresse surge avisando que vai conosco e pegamos a estrada, estou dirigindo com Michonne do meu lado.

−Sei que não está fugindo, mas aquela trilha esfriou, se não acho que eu mesmo iria com você, para acabar logo com essa espera! Aviso, ela concorda, todos sabemos que o tal Governador está por ai e que cedo ou tarde vem nos caçar, seria bom chegar a ele antes disso, mas perdemos sua trilha a muito tempo.

Eu ligo o rádio, preparo para colocar um CD quando ouvimos uma voz.

“Um abrigo, um lugar para sobreviver, determinados a sobreviver”

Ficamos atentos, quando resgatei Mary ela falou sobre uma mensagem como essa, foi a muito tempo, me distraio, assim como todos tentando sintonizar a voz quando um zumbi surge diante do carro, passo por cima, mas então tem mais um, e outro e estamos cercados deles, ao longe podemos ver a maior horda que já vi na vida, não a tempo para admirar.

−Segurem-se! Eu dou ré, o carro anda um pouco e então atropelo tantos zumbis que ficamos atolados sobre eles, Michonne quer que tente ir pela esquerda, mas não saímos do lugar.

−Atolados? Bob pergunta.

−Corra para aquela direção, e vocês para a floresta, não parem por nada! Eu peço, não temos um minuto de folga, estamos cercados por todos os lados, no começo, quando toda essa coisa começou nenhum de nós sairia vivo de uma situação como essa, mas hoje depois de tanto tempo, de tanta luta, somos fortes e rápidos, podemos conseguir.

Michonne obedece, enquanto ela abre a porta saio por cima, pelo teto solar, dou cobertura enquanto ela se prepara depois escorrego por cima do carro, com uma faca na mão não dá tempo de usar a besta, escorrego pelo capo do carro com aquelas coisas tentando me pegar, Bob também está fora, estamos acertando tudo que se move, desviando dos mortos, correndo feito loucos e só consigo pensar que prometi a ela, há muito tempo, no meio dessa floresta que nunca desistiríamos e não vou fazer isso não importa quantas dessas bocas famintas e desesperadas lutem pela minha carne.

Ouço Bob gritando por Ty, vejo Michonne do meu lado quando nos afastamos um pouco Bob vinha em nossa direção atirando em zumbis eu derrubo um e então posso ver Tyresse completamente cercado, gritando para irmos, estava com seu martelo, e nunca achei que veria nada assim, ele derrubava zumbis um atrás do outro, uma máquina alucinante de destruir aqueles corpos pobres, mas está cercado e só o que podemos fazer é fugir antes que fosse tarde para todos.

Caminhamos um pouco derrubando um zumbi ou outro em meio a floresta, nem sei como seria estar com minha pequena, no medo que sentiria por ela.

Os zumbis diminuem, já podemos respirar então ouço um movimento por entre as arvores, me preparo para ele armando a besta dois zumbis surgem e quando miro um deles cai depois de ter a cabeça esmagada pelo martelo milagroso de Tyresse, fico perplexo, corro até ele enquanto Michonne derruba o outro, ajudo Tyresse a ficar de pé e continuamos a fugir, cercados de zumbis, temos que sair dali, temos que chegar até nosso destino, pegar os remédios e salvar os doentes, nada vai me desviar disso, penso em minha pequena e nos meus três ratinhos, é por eles que estou aqui.

Você não desiste, eu não desisto! Digo mais uma vez mentalmente, para nunca me esquecer do porque ainda corro, ainda luto.

Pov – Katie

Matt resmunga no meu colo, eu acaricio seus cabelos, estão dourados, um pouco mais claros que os do pai, Hershel me disse que talvez escureçam um pouco, os olhos são azuis também como os do pai, ele sorri quando acaricio seu rosto, bate os bracinhos alegre, alheio aos perigos que o cercam.

Não sabe que o pai está nas ruas, numa busca frenética por uma chance aos doentes, que seus irmãos estão lá fora, que correm um risco que jamais correram, que não há nada que eu possa fazer, que tenho que me sentar e esperar, nunca soube esperar, nunca quis aprender.

Mary está com Amy no colo, os olhos perdidos, Beth anda de um lado para outro com Judith, estamos perdidas sem saber como tudo está lá fora, cada uma de nós presa na própria dor, sendo engolidas pelo medo.

−Vamos ficar bem! Eu digo ao meu mini ratinho, trago ele para perto, sinto seu cheirinho de bebê, ele baba no meu rosto, puxa meus cabelos elétrico, Daryl adora isso, quando ele fica assim babando nele, puxando seus cabelos e fazendo aquele sonzinho alegre, ele pode ficar horas assim, só fazendo seu bebê rir, mas agora está nas ruas e isso me assusta profundamente, porque não estou com ele, e não sabemos como realmente as coisas estão para além de nossa fronteira imaginaria, a que sempre nos manteve seguros e de volta em casa antes do dia terminar, mas hoje é diferente, hoje meu amor vai passar uma noite nas ruas, lutando, sempre lutando.

Hershel nos deixou, eu sabia que ele nunca ficaria aqui sabendo que as pessoas estão precisando dele, eu poderia fazer o mesmo, mas não posso deixar meu bebê, ele precisa de mim, eu posso aguentar desde que meus filhos fiquem bem eu posso aguentar, meus ratinhos estão sendo fortes, e Jimmy está com eles, vai fazer o que for preciso.

Maggie se aproxima da porta, eu e Beth vamos a seu encontro, isso é um inferno, nossa família separada.

−Obrigada por ficar aí! Ela diz a Beth – Sei que não precisa! E Beth não precisava, mas amava Judith como se fosse dela e nunca deixaria seu bebê nesse momento, Beth não é mais a garota frágil que um dia foi, pelo contrário, Beth se tornou tão forte que às vezes me assusta.

−As coisas estão bem lá fora? Beth pergunta, eu e Maggie estamos chorando, mas ela está firme.

−O Glenn pegou! Maggie diz com a voz embargada pelo choro e aperto meu bebê, não aguento isso, não o Glenn, como podemos suportar, como Maggie pode passar por isso do outro lado da porta, quero abraçar minha irmã deixa-la forte.

−Maggie não podemos ficar tristes! Beth diz e não sei como isso pode ser, como podemos aceitar isso sem ao menos sofrer nossa dor – Todos temos trabalho a fazer! Ela mostra sua força, nos olhamos firmes, eu choro, Beth não – É o que o papai sempre diz, Daryl e Michonne trarão os remédios, você o Rick e a Carol ajudarão as pessoas lá fora, eu cuidarei da Judith e Katie do Matt, vamos apenas nos concentrar no que temos que fazer, as duas tem que entender isso! Ela diz a Maggie com os olhos firmes fixos em mim – Não importa o que aconteça, nós vamos dar um jeito.

Nos sentamos, estamos juntas de alguma maneira, passamos por muitas coisas, nos unimos e ficamos fortes, vencemos a morte, o medo, zumbis e sobreviventes, mas nunca fomos pegos com algo assim, que nos paralisa.

−Maggie o papai se foi, saiu daqui!

−Eu sei, ele contou onde ia?

−Não mas eu sei, o doutor S está doente e todos temos trabalho a fazer!

−Nós lidaremos com isso! Maggie diz.

−Nós temos que ser fortes, nós três, não podemos ficar chateadas! Ela diz quando as lágrimas ameaçam sua força.

−Está bem Katie? Maggie me pergunta.

−Ele está nas ruas, e está sem mim, não aguento isso.

−Daryl está mais uma vez protegendo a todos, cuidando de nós! Maggie me lembra.

−Eu sei, ele vai fazer qualquer coisa que for preciso, ou... – Minha dor me domina mais uma vez – Ou morrer tentando!

−É o Daryl Katie, ele nunca desiste, não é essa a promessa de vocês?

−Sim, é essa a nossa promessa!

Maggie nos deixa e eu e Beth ficamos ali, sentadas com nossos anjinhos nos braços, esperando, sempre esperando.

Meus pequenos também vem para porta, ficamos um pouco conversando e preciso de toda minha força interior para não sucumbir.

−Mamãe eu vou dormir na torre sabia? Nick diz e eu simplesmente sei que está sorrindo – O Jimmy disse que tenho que ficar no meio, e que não posso levar a Lily.

−É só por enquanto filho!

−Eu sei, ele foi lá saber dela, levou comida e me disse que ela parece normal, meu bichinho não vai ficar doente, o papai foi buscar os remédios e meu pai é muito forte e muito rápido e vai voltar logo.

−Claro que sim! Eu respiro fundo para não demonstrar minha dor, não quero que saiba que estou chorando.

−Mamãe você é a maior chorona do mundo! Ele diz e sorrio por entre minhas lagrimas – A Amy está bem?

−Está bem sim, estamos todos bem aqui, e você ratinha como está?

−Sinto saudade mamãe, vai acabar tudo logo não é, quando vamos saber que não estamos doentes e poder ficar ai com você?

−Acho que ainda demora uns dias, não sei muito sobre isso querida, sinto muito!

−Mamãe, eu estou com medo de ficar doente! Megan me diz – O Jimmy disse que fica comigo lá no isolamento se eu ficar doente e o papai também disse que fica, mas quero ficar com você.

−Filha, não vai ficar doente, nenhum de vocês! Eu a acalmo – Logo vamos estar todos juntos, e quer saber vou pedir ao papai que deixe ter uma cela para você como queria, o que acha?

−Não quero mais, quero ficar pertinho de vocês o tempo todo!

−Então é assim que vai ser! Eu digo e Jimmy os chama para voltarem para torre, eles se despedem e fico escutando seus planos enquanto se afastam, jogar cartas, trabalhar na oficina, estão animados, isso me acalma um pouco, depois de tudo que já passaram estão fortes e a cada dia que passa ficam mais prontos para o que está por vir, a vida no apocalipse os deixou fortes.

Só me resta fazer o mesmo, aguentar firme, me encher de esperança e esperar, Daryl nunca vai desistir, é um Dixon, é ele que decide quando morrer, Daryl vai voltar, não importa quanto tempo tenha que esperar eu vou esperar, não vou desistir, eu nunca vou me cansar de esperar por ele.

Notas finais
Aguardo os comentários, prometo reunir a família quando Daryl voltar, agora quando ele vai voltar eu não sei! Estou torcendo para que tudo dê certo, Medo!!!!