Fim Dos Tempos

80 Capítulo 80 - Voltando à ativa


Notas iniciais
Oi pessoas que eu amo, passei rapidinho só para deixar um capitulo, Correria!!!

Pov – Daryl

−Oi coisinha linda, acordou! Matt bate os bracinhos sorrindo, hoje faz três meses, é ainda só um pedacinho de gente, meu pedacinho de Daryl, eu o beijo – Com fome é? Ele começava a ter uma rotina, dormir ainda ocupava boa parte do seu tempo, agora já dormia uma noite inteira para felicidade de Nick, mamava bem tarde, e dormia até amanhecer.

Acordar assim que amanhece não é novidade para mim, não desde que Nick chegou em minha vida, meu ratinho acorda cedo, corre, fala e brinca o dia todo e desmaia assim que para quieto e sei que logo meu mini ratinho vai fazer o mesmo.

Estamos a bastante tempo sem qualquer problema, nada de confusão nas saídas, nenhuma horda grande embora a quantidade de zumbi esteja aumentando gradativamente, às vezes precisamos nos reunir nas grades para mata-los, estou quase de volta, já poderia sair se quisesse, acontece que não quero, nem mesmo sei se algum dia farei isso de novo.

Não posso deixar meu bebê. Sinto falta da adrenalina das ruas, de estar com Daryl, de proteger e ser protegida, da bagunça que eu e Maggie fazíamos no carro tagarelando feito duas malucas e irritando Michonne, mas agora nada é mais urgente que a segurança do meu filho, Daryl sabe disso, por ele eu aposentava meu cinto, mas não posso, em algum momento eu sei que tenho de voltar.

Quando esse dia chegar, já sei que Jimmy vai cuidar bem do Matt, e Megan já me ajuda muito, gosta de cuidar do irmão, não tem uma gota de ciúme, acho que é de certa forma, seu instinto materno, algo que nós garotas temos. Carl também ajuda, mas isso não é surpresa, são um lindo casal, se gostam de verdade, e se não fosse pelo papai tão ciumento quanto sempre, ela passaria mais tempo com o namorado que qualquer outra coisa, mas papai não deixa, sempre arruma uma maneira de ganhar a atenção dela, não dorme enquanto ela não está deitada de olhos fechados agarrada ao ursinho, e agradeço todos os dias ter tido um menino, outra menina mataria meu marido, tenho certeza.

Mas o mundo não era perfeito, e eu tinha Carol, sabia que ela nunca me esqueceria e lá estava ela decidida a me tirar do sério, agora tinha convencido Tyresse a ensiná-la a se defender, quer aprender a lutar e diz que quando estiver pronta vai sair com o grupo, vamos ver que grupo, não o meu, eles nunca iriam, Maggie ainda estava furiosa com ela, e mesmo Beth com toda sua doçura não conseguia ser muito gentil com ela.

Meu bebê termina de mamar, quero descer para ajudar Daryl com Nick, ele precisa resolver alguma coisa na reforma que estão fazendo no bloco A e claro Nick é seu ajudante, o que significa mais trabalho.

−Oi mamãe! Megan me diz sorrindo – Posso pegar ele? Ela pede.

Entrego Matt para a irmã, prendo meus cabelos numa longa trança, ele estava quase na cintura, já pensei que seria muito mais prático ter cabelos mais curtos, mas Nick e Daryl não permitem, e no fundo gosto de tê-los assim.

Prendo meu cinto de facas fiquei muito tempo sem usá-lo, primeiro a barriga estava grande e tinha medo de machucar meu mini ratinho, depois ele nasceu e eu era uma mãe inexperiente e preocupada, mas agora ele estava de volta.

Eu e Beth passamos três dias inteiros confeccionando uma maneira de manter meu bebê seguro comigo e ter as mãos livres, antes do mundo acabar víamos muitas mulheres carregando seus bebês em cadeirinhas presas ao corpo como bolsas, eles ficavam no peito ou nas costas, seguros, protegidos e quentinhos e decidi fazer uma para mim, cortamos, costuramos e recosturamos, ficou perfeito, usamos duas mochilas, ele tinha fivelas de segurança e era perfeito, porque eu podia atirar quantas facas quisesse e acho que ele nem notaria.

−O papai ainda está no bloco A? Megan pergunta.

−Sim, seu irmão está lá ajudando e vou até ele saber se quer que fique com o Nick, sabe como seu irmão é útil.

−E o Jimmy? Ela me pergunta.

−Na oficina! Eu respondo sabendo bem qual era seu plano – Acho que vai poder beijar o Carl sem ser pega em flagrante! Ela me olha corada, eles eram bons garotos, se comportavam e se conseguiam trocar um beijo por semana era quase um milagre, ela tinha muitos olhos sobre ela, papai, Jimmy e Nick.

−Eu... eu nem sei como ele ainda namora comigo! Ela diz olhando para o irmão envergonhada.

−Mas eu sei, você é linda! Ela sorri – E não estou falando desses lindos e doces olhos azuis, estou falando desse coraçãozinho! Ela abre aquele sorriso largo que no começo era raro por que sempre tinha muito medo de ser mandada embora mas que agora estava sempre entre nós.

−Amo você mamãe! Ela me diz e pego Matt dos seus braços arrumando ele em mim e prendendo bem as fivelas, estava na fase de teste, a nova maneira de carrega-lo tinha começado a uma semana – Não tenho mais medo de ter de ir embora!

−É bom mesmo! Eu beijo minha ratinha que estava agora de pé ao meu lado – Mas me diga se às vezes não quer sair fugindo do papai!

−Nunca! Ela responde – Ele só quer cuidar de mim, ele sabe o que é melhor.

−Já sei que seu pai é perfeito! Brinco apertando seu nariz – vamos!

Saímos e no refeitório encontro Jimmy que bebia uma xicara de café, estamos no outono, caminhando para mais um inverno rigoroso.

−Onde estava Megan? Ele pergunta – Não disse que queria me ajudar a concertar aquele motor? Megan por incrível que pudesse parecer estava aprendendo sobre mecânica com Jimmy, e levava jeito – É uma chantagista muito preguiçosa! Ele enfia o dedo em seu ouvido e isso deixava ela maluca a ponto de chamar o papai.

−Não enche Jimmy, vou falar para o papai! Ela sorri – Será que a Mary vai gostar de saber onde você anda querendo dormir?

−Não disse que era uma chantagista?

−Eu vou te ajudar, só preciso.... – Ela me olha pedindo ajuda.

−Vamos Jimmy, a Megan já vai! Eu puxo ele pela camisa e Jimmy segue para sua oficina.

O bloco A estava com paredes mofadas, alguma infiltração, Rick, Daryl e Tyresse cuidavam disso, muita gente morava lá naquele bloco, eu entro tranquila, tudo agora era diferente, móveis, cortinas nas selas servindo como portas, para as pessoas terem alguma privacidade.

Na minha não tinha, nenhuma cela era mais frequentada que a minha, privacidade era algo que não existia para nós, Jimmy e Mary não saiam de lá, Carl entrava e saia o tempo todo, Maggie e Beth também, aquilo era uma confusão.

−Quer que eu pegue aquele cano papai? Ouço a voz de Nick assim que me aproximo.

−Você não aguenta ratinho, papai já pega.

−Certo! Ele diz e eu sorrio, contando mentalmente até três – Vou tentar assim mesmo! Eu sabia, ele nunca obedecia o papai que nunca queria ser obedecido, por que não queria que os filhos sentissem medo dele com um dia ele sentiu do próprio pai.

−Está vendo como é fácil mini ratinho, mas esqueça, com a mamãe as coisas são diferentes!

Eles estavam no andar de cima, e subo os degraus, Tyresse estava dentro de uma cela com Rick, os dois estavam no corredor, eu me aproximo.

−Oi amor! Eu cumprimento chamando a atenção dos dois que carregavam juntos um pedaço de cano.

−Pequena! Ele vem me beijar e beija a cabecinha do bebê carinhoso, não nos toca porque estava sujo e então olho para Nick, cheio de tinta, barro e sei lá mais o que.

−Oi garotinho, viu meu filho por ai, o nome dele é ratinho! Ele me olha rindo.

−Sou eu mamãe! Diz achando ótima a ideia de que não o reconheci.

−De jeito nenhum! Brinco – Meu filho sujo desse jeito? Ele ria.

−Estou trabalhando!

−Entendo, que tal nós deixarmos o papai terminando e irmos para o chuveiro?

−Você é menina! Ele me lembra e suspiro, Rick sai da cela eu me viro para ver se ele estava em melhor estado que os meus homens, mas não estavam todos péssimos no quesito limpeza.

−Mas o que pelo amor de Deus estão fazendo, cavando um túnel, eu posso abrir os portões se quiserem.

−Parece que vamos ter é que cavar em direção ao telhado! Ele diz rindo – Tyresse acha que vem de cima! Dessa vez ele olha para Daryl que bufa de mal humor.

−E como vamos ter certeza? Ele pergunta.

−Alguém tem que subir lá e olhar! Rick responde e Daryl me olha no mesmo instante.

−Não me olha assim! Ele me diz.

−Consegue pensar em mais alguém? Eu pergunto.

−O Tyresse! Ele me diz quando ele aparece saindo da cela, tão sujo quanto os outros – Afinal ele nos fez arrebentar quase toda parede para nada!

−Me arrumem uma boa escada que subo! Tyresse responde.

−Com uma boa escada qualquer um sobe! Daryl responde – Esse é nosso problema.

−Não temos uma! Rick avisa e Tyresse me olha, sim estava claro e eu bem que andava merecendo um pouco de aventura.

Só tem uma coisa que posso fazer, meu olhar pidão, ele jamais resistiu a ele.

−Pequena se cair de lá...

−Já sei estou encrencada! Respondo sorridente.

−Mamãe que vai subir? Nick reclama – Mas isso não é coisa de menino?

−Mamãe pensa que é um menino de rua, um tipo que você não conhece ratinho! Daryl responde e seguimos todos para o lado de fora, sempre quis subir lá e já teria feito isso a muito tempo não fosse o fato de que Daryl ficaria furioso.

Tiro meu bebê e entrego a ele, um grupo de curiosos se forma, ele entrega o bebê a Beth, bravo e preocupado pronto para me resgatar.

−Que tenho que olhar? Eu pergunto.

Tyresse me explica e me entrega uma corda para prender material e puxar para cima caso fosse preciso.

−Volto já amor! Eu o beijo e ele passa a mão suja no meu rosto numa pequena vingança.

−Pronto um perfeito garoto de rua! Ele no fundo sabe que aquilo não é um problema para mim e começo minha escalada, um pé aqui outro ali, uma janela ou outra, grades perfeitas para subir, não era assim tão difícil, não era dos mais fáceis, mas eu ia bem.

Zumbis no telhado, eu sinto antes de chegar lá em cima, nunca tinha pensado nisso, mas claro que podia acontecer, no meio da confusão do medo, Axel tinha nos falado a muito tempo que ouve uma pequena rebelião de presos apavorados, alguns podiam ter fugido e se escondido no telhado.

Eu chego onde queria, preciso olhar antes de subir, e se fossem muitos, e se me atacassem, olho e vejo três zumbis, um deles era só um tronco nojento gemendo baixo, outro estava olhando para o outro lado bem na beirada quase caindo para os fundos da prisão, o terceiro estava sentado.

Bom eu queria um pouco de aventura ai estava, assim que salto eles me notam, o que estava de pé se vira e começa a caminhar o que está sentado começa a se levantar e eu retiro minhas facas, acerto o que está de pé primeiro, está mais longe mas até o outro se levantar me dá um tempo, depois acerto o que estava se levantado e que já dava um passo em minha direção, então caminho para aquele tronco nojento, uma carcaça que está a meses em meio a chova e sol, neve e vento, aquelas coisas simplesmente não morrem, é só uma boca frenética, de olhos fundos e eu me abaixo para acertá-lo.

Pronto estava sozinha no telhado, caminho para a beirada para dizer que está tudo bem.

−Estou bem! Aviso – Mas o que faço com os zumbis que matei, jogo para baixo ou deixo aqui? Daryl me olha bravo, passa a mão pelo cabelo.

−Pequena teimosa! Ele diz – Quantos?

−Dois e meio! Respondo e eles se olham decidindo.

Conversam baixo não escuto muito, depois de uns minutos Rick responde.

−Deixa ai, se jogar vai espalhar zumbi para tudo que é lado! Faço cara de nojo e fico de pé, preciso ver o que vim ver, caminho na direção que Tyresse mandou, tem mesmo um pequeno buraco, volto para avisar jogo a corda e ele amarra um balde com cimento ou seja lá o que aquela meleca seja me manda tapar o buraco, eu obedeço, não leva muito tempo e estava pronto.

Mando o balde para baixo pela corda, agora vou descer, mas antes olho em direção a nossa torre, porque nunca vimos que tinham zumbis aqui.

A torre ficava de frente para o bloco D, nosso bloco e esse bloco estava mais afastado, além disso tinha aquele pequeno muro, o meio zumbi era impossível de ver, o que estava sentado também, mas não sei se passou o tempo todo sentado e o outro, o outro olhava perdido na outra extremidade, eu sigo até lá, o que ele olhava?

Só o que havia era a floresta, talvez animais passando, eu olho e vejo o que me parece fumaça, como uma fogueira, nada muito chamativo.

−Amor! Eu peço com jeitinho para ele não ficar muito bravo, será que o resto da tarde na torre ajuda ele a relaxar, o motor do Jimmy vai ter que esperar – Me manda o binóculo?

−Certo! Ele bufa, fico esperando enquanto eles amarram e assim que pego sigo para onde via a fumaça, era difícil ver qualquer coisa por entre as arvores, mas alguém pouco esperto para quem pretende se esconder usava uma camisa vermelha, sim pessoas na floresta.

Não dá para ver quantos, nem quem, mas sei que tem.

−Já fiz o concerto e devo avisar que tem gente na floresta exatamente nessa direção a não sei que distância sabem que essa coisa de geografia é um problema! Aviso e eles se olham – Não sei quantos, nem porque, mas vi uma fumaça e fui ter certeza, alguém se movimentando de blusa vermelha, não deu para ver muito.

−Podia ser um zumbi! Tyresse comenta.

−Nesse caso já podemos tentar trocar espelhos com eles porque já aprenderam a fazer fogo, logo começam a desenhar risquinhos nas arvores!

−O que acha? Rick pergunta a Daryl, vamos até lá, será que sabem da gente?

−Acho que devíamos dar uma olhada! Daryl avisa e detesto a ideia.

−Vamos ter que ir a pé, num grupo pequeno e silencioso, nada de fazer contato, só observar.

Estamos todos pensativos, seria uma hora fora da prisão e ninguém era mais silencioso em todos os sentidos que Daryl e eu, ele me olha preocupado, sabe disso, sabe que pode confiar em mim, que é seguro quando estou por conta dos zumbis, comigo junto era muito mais difícil sermos pegos desprevenidos por uma horda.

−Certo pequena, mas já sabe sua prioridade é voltar para casa! Ele me diz e concordo, ainda era cedo, podíamos sair e voltar e ainda não seria hora de alimentar meu Matt.

Jimmy imediatamente pega Matt do colo de Beth, deixando claro que ficaria com ele, eu estava pronta com minhas facas e Daryl balança a cabeça.

−Vou pegar as bestas!

Seguimos para o portão pouco depois, eu beijo meus filhos e tento parecer tranquila, a muito não saíamos para a floresta a pé.

O dia estava calmo, sem muito vento apesar de ser outono o que era bom, quanto menos barulho mais seguro, as pessoas faziam o barulho de sempre para atrair os zumbis para as grades, eles sempre caiam nessa, bando de mortos de fome burros.

Passamos para fora e seguimos com as bestas em punho, eu sempre prefiro minhas facas, mas como as quero comigo para momentos críticos uso a besta primeiro.

Nada de zumbis nas proximidades, caminhamos em silencio, nos comunicando por sinais, prestando atenção nos rastros, vamos pelo lado esquerdo que era mais perto, passamos pelo rio e continuamos silenciosos, os pés amassando gravetos me lembram os velhos tempos, demora vinte minutos para chegarmos onde tinha visto fumaça, não havia mais ninguém, mas a fogueira estava lá apagada a minutos, Daryl e eu olhamos o chão, não era um grupo grande, três ou quatro no máximo pelas pegadas deixadas, ficaram muito tempo, pelo jeito que tudo estava mexido e mudado, caminhamos de volta, eu pensava a respeito, não podiam ser andarilhos ninguém andava pela floresta, não mais, acho que estão nos vendo, acho que sabem da prisão que nos observam.

Paro no meio do caminho e aponto a direção que viemos, um zumbi surge e Daryl atira, ele cai e seguimos nosso caminho, nada de voltar para buscar flechas e sei que Daryl detesta isso, já virou quase sua marca mata e depois segue automaticamente para pegar sua flecha de volta.

Entramos sem maiores problemas, nos olhamos todos reunidos no refeitório, eu com meu bebê no colo depois de tomar o cuidado de me trocar embora não tivesse me sujado de sangue.

−Sabe o que eu acho? Comento depois de meia hora de suposições – Acho que tem um grupo de sobreviventes por ai, que a cidade que passaram pode ser um forte ou algo assim e acho que sabem de nós e estão de olho, não sei se são gente boa querendo descobrir se podem se aproximar ou gente ruim querendo nos atacar, mas tem gente lá fora.

−Só tem um jeito de saber! Glenn constata e eu sabia que sim, não gostava mais sabia que só tinha uma maneira.

−Voltando lá! Rick comenta e Daryl me olha.

−Eu sei! Aviso, não pretendo deixar meu filho tanto tempo, mas isso não quer dizer que goste da ideia.

Mas já era tarde ninguém iria a lugar nenhum hoje e o melhor era apenas ficar atento e esperar para ter certeza de como as coisas seriam.

Vamos para nossa cela, Nick no colo de Daryl e Matt no meu.

−O que acha? Ele me pergunta enquanto separava roupas para Nick.

−Que temos de ficar prontos e quero a caminhonete preparada outra vez! Eu aviso e ele me abraça, não vou deixar nada machucar minha família.

−É, minha pequena voltou à ativa!

Daryl me beija, vejo a preocupação em seus olhos, a mesma que a minha, me lembro que sobreviventes são ainda mais assustadores que os mortos, mas porque não pode ser só uma bobagem minha e porque no caso de sobreviventes eles precisam ser bandidos?

Esperança, eu não posso perder a esperança, tudo vai ficar bem no fim sempre ficamos bem.

Notas finais
Comentem!
Beijos.