Fim Dos Tempos
66 Capítulo 66 - Mais um membro
Notas iniciais
Pov – Daryl
Finalmente o gerador fica pronto, eu e Jimmy testamos com a ajuda de Rick, funcionava mesmo, acho uma boa ideia termos um gerador para momentos críticos, um acidente, uma emergência e principalmente caso meu mini ratinho decida nascer no meio da noite. Tenho certeza que é exatamente o que ele vai fazer, ninguém facilita nada para mim.
Depois a tarde começava a cair e entro com Nick que já tremia de frio com as mãos no bolso por que minha pequena ainda não tinha tido coragem de entregar a ele um par de luvas e desse modo nenhum de nós usava.
Ele corre na frente para contar a novidade, vai parando cada um que encontra, é claro que todos sabiam que tinha funcionado por que testamos e todos perceberam, mas ele queria elogios e evidentemente consegue a cada passo, ele passa direto por Carol, nunca o proibi de falar com ela, mas Nick era esperto e sabia que ela e Katie, na verdade ela e a família Dixon tinham uma diferença, acho bom que fique longe dela, o que Carol fez a ele foi monstruoso.
Finalmente chegamos em nossa cela, Jimmy vinha junto acho que assim como Nick estava caçando elogios, assim que entro percebo algo no ar, Megan e Katie me olham com aquele olhar inocente que me custava horas de sono, sei que vou ser surpreendido com alguma notícia, mas depois de descobrir que vou ser pai não acho que nada possa me surpreender ou assustar.
−O que foi? Pergunto ainda em pé na porta com Jimmy e Nick do meu lado – O que querem me contar? Elas me olhavam sem dizer nada.
−Eu... eu vou – Jimmy olhava em volta claramente buscando uma maneira de sair dali – Vou limpara a gaiola da Lily, me ajuda Nick? Ele pega a gaiola e sai rápido demais para o meu gosto, Nick o segue.
−Por que acho que Jimmy sabe de algo que eu não sei? Pergunto me aproximando Katie sorri, um lindo e doce sorriso, mais uma evidencia, elas nunca me enganavam.
−Amor... – Outra, aquele jeito de me chamar, não só a palavra mas o tom conciliador, se eu tiver um ataque cardíaco e não assistir nem mesmo o nascimento do meu mini ratinho as duas com certeza eram as culpadas.
−Papai quero contar uma coisa.
−Conte ratinha! Eu digo me sentando, acho que já sei, mas se ela quer dizer só me resta ouvir.
−Acho que vou começar do começo... – Ela pede aprovação de Katie que faz um gesto deixando claro que ela devia fazer como quisesse – Hoje eu estava ajudando o Jimmy com o gerador e então o Carl ficou com ciúme... – Ela olha para a mãe que continuava sorrindo incentivando-a – Brigamos, falei que Jimmy era como um irmão e muito velho também.
−Um ancião! Eu respondo – Continue! Sabia onde terminaria.
−Fui chorar na torre! Ela continua, não a torre não, eu penso começando a me preocupar – O Carl queria me pedir desculpas, mas o Jimmy não deixou ele subir lá – Gosto do Jimmy, era um bom menino, velho, mas confiável – Então eu desci e ficamos de bem e eu beijei ele! Ela termina muito rápido, detesto ouvir, simplesmente por que minha mente imagina a cena, que pai de menina não imagina, e detesto o que vejo.
−Aonde? Eu pergunto, por puro masoquismo.
−Na boca papai! Ela responde só para me deixar mais assombrado.
−Essa parte eu entendi, perguntei geograficamente, onde estavam quando... você sabe? Não consigo dizer as palavras.
Megan, minha linda ratinha fica corada, mas eu preciso saber para poder soltar uns zumbis no lugar.
−Atrás da torre! Ela diz olhando para baixo, aquilo dói, me sinto velho e babaca, e ciumento e antiquado, quero achar natural, Katie acha, mas eu não consigo, quero dizer que deve ficar longe dele, que nunca mais vai beija-lo, mas não posso, conscientemente eu sei que não é nada demais, mas ainda quero que seja só um bebê, que diminua, não quero dividir com ninguém.
−Tecnicamente se atirar o Carl do outro lado da cerca não sou eu que o mato e sim os zumbis, certo? Eu pergunto e ela imediatamente me olha com os olhos cheios de lágrimas.
−Tecnicamente vai matar o namorado da sua ratinha e o filho do seu melhor amigo! Minha pequena avisa.
−Vou mudar de melhor amigo, quem sabe o Jimmy ou o Glenn? Então olho para Megan e ela chorava.
−Sabia que ficaria bravo, mas eu nunca mais beijo ele se não quer, não briga com ele, e não fica triste comigo.
Olho para ela e depois para minha pequena que estava com os braços cruzados e com as sobrancelhas erguidas, num claro aviso, suspiro desanimado, detestando a ideia de ter que ser bonzinho, mas acho que não tinha escolha.
−Não estou bravo, nem triste! Eu respondo, ela me olha, eu seco seu rosto – Não precisa chorar, mamãe já chora por todos nós! Brinco e Katie vem para meus braços – Juro que não vou brigar com o mini xerife, mas ele é bem espertinho, quis logo namorar a menina mais bonita do mundo! Ela sorri.
−Mamãe é a menina mais bonita do mundo! Ela diz agora sorrindo.
−Mamãe é a velha mais bonita do mundo! Eu brinco e Katie faz bico – Está tudo bem ratinha, um dia isso iria acontecer, já estava preparado.
−Ainda posso namorar ele? Ela pergunta tensa.
−Pode! Aviso com muito pesar – Agora se não quiser mais beijar ele, tudo bem, saiba que vamos entender!
−Amor! Minha pequena reclama – Papai está brincando Megan.
−Mais ou menos! Eu reafirmo – As regras continuam! Eu aviso e ela afirma com a cabeça.
−Eu sei papai, vai ficar tudo como antes, prometo!
Então ela me abraça e me dá um beijo de gratidão, depois sorri para a mãe, devem ter passado a tarde falando de beijos, vou me vingar quando o Nick crescer, passaremos muitas tardes falando de garotas, as dele, por que eu já tenho a minha.
−Agora ratinha pode por favor buscar seu irmão que passei o dia todo longe dele? Katie pede.
Ela concorda e nos deixa sozinhos, Katie me abraça e me beija, como sinto falta dela e da torre, vai ser uma terrível tortura me controlar, eu me afasto um pouco e a abraço de novo, ela se aconchega, momentaneamente triste.
−Estou tão orgulhosa da minha ratinha! Katie diz e eu olho torto.
−Porque beijou o mini xerife?
−Não meu amor, porque contou a você, enfrentou o medo e te contou, mais do que isso, acho que ela começa a acreditar que não tem nada que vá nos fazer manda-la embora e devia ficar feliz também! Ela me diz se arrumando para ficarmos de frente um para o outro – Perder o seu amor é o que Megan mais teme na vida, acho que ela já não tem mais tanto medo.
Aquilo sim me faz feliz, quero mesmo que ela acredite, que confie, porque mesmo querendo arrancar a língua do Carl eu nunca brigaria com ela ou a afastaria, nenhum deles, não esse Daryl, talvez aquele de antes do começo de tudo.
−Fico pensando em como deve ser se apaixonar assim na adolescência, dar o primeiro beijo deve deixar uma certa confusão! Minha pequena diz — Quando me beijou fiquei confusa, com medo de você não ter dado a mesma importância, sei que já beijou outras garotas e não quero falar nisso! Ela me avisa de má vontade, escondo um sorriso – Mas fico feliz de eu ter acertado em cheio!
−Devo admitir que no fundo também fico! Ela me beija, gosto de saber que sempre vou ser o único.
−Como era quando tinha a idade deles, já namorava?
−Não pequena! Respondo sem querer me lembrar muito daquele tempo – Com doze anos só pensava em me livrar das surras e arrumar comida, odiava garotas, mais do que isso, odiava todas as pessoas! Eu a abraço e trago minha pequena para mais perto, vou ter de aprender a conviver com o desejo – Mas você me curou, me fez ver que tudo bem, que nem todos são iguais, que posso ser melhor e gostar das pessoas, ao menos algumas delas.
−Muitas delas, sei que sua lista só aumenta! Ela me diz e eu a beijo e então Nick entra correndo e Megan vem em seguida com a gaiola e não ficamos mais sozinhos.
Descemos para o jantar e minha ratinha fica ansiosa, com medo do meu encontro com Carl, sei que ela já deu um jeito de avisar a ele que me contou, assim que chego ao refeitório ele se aproxima, me olha nos olhos e admiro sua coragem é só por isso que permito que namore minha filha, por que Carl é forte, de todas as maneiras, enfrenta a vida, luta, Rick devia aprender com ele e parar de se esconder com Beth como se fossem dois adolescentes.
−Eu continuo respeitando suas regras! Ele me diz.
−Eu sei que sim, minha ratinha me disse, acho que isso é bom!
−Posso me sentar com vocês? Ele pede e eu apenas afirmo.
−Amo você! Minha pequena sussurra no meu ouvido quando nos sentamos.
Eu sei que ama, e meu coração dói um pouco por que sei que amanhã vai ser um dia difícil, vou sair para as ruas sem ela, está tudo devidamente planejado, fizemos isso escondidos dela, para só dizer na última hora e evitar que ela ficasse se remoendo assustada, felizmente todos estavam empenhados em proteger minha pequena, ao menos todos que importavam.
O céu estava pesado e a neve não tardaria, era melhor garantir ao menos mais uma ou duas saídas antes de ficarmos presos lá dentro por quem sabe duas, três semanas.
Depois do jantar seguimos para nossa cela, Nick estava apagado no meu colo, estava de um lado para o outro desde que abriu os olhos pela manhã, era evidente que apagaria assim que parasse quieto.
−Ele sempre apaga! Minha pequena diz cobrindo ele, depois nos deitamos e Megan sorri para mim enrolada nas cobertas.
−É o melhor pai do mundo! Ela diz e fecha os olhos fico mudo por um instante, sem acreditar muito que me tornei esse cara, o cara que queria ser para merecer minha pequena, ela me abraça, assim como o Nick, também apagava muito rápido e logo todos dormiam, e fico pensando que tenho de me concentrar, ter cuidado e voltar para casa.
Seria mesmo estranho sair sem minha pequena, não faço isso a muito tempo, ela sempre foi uma boa companheira, inteligente, rápida e forte, além de sempre nos avisar do perigo, mas por outro lado seria bom saber que ela estava aqui, com os pequenos, para protegê-los, a verdade é que não tínhamos a menor ideia de quem soltou os zumbis quando fomos limpar o bloco A, eu não estava completamente convencido da inocência de Bob, ou de qualquer um que tivesse vindo daquela lugar, de todos eles o único que podia confiar era Jimmy, e mais ninguém.
Pela manhã passamos por toda rotina do café, depois eu deixo meus pequenos com Katie no refeitório e sigo para me armar, vai ser um problema, não quero deixa-la, quero ficar com ela cada segundo, tenho medo de que sua preocupação faça mal a ela, ao meu bebê, mas não posso me esquivar, sair para as ruas fazia parte do plano de cuidar deles.
Maggie e Glenn estavam comigo, recolhendo e testando nossas armas, Michonne já nos aguardava no portão com sua espada e um fuzil, olho para os dois e suspiro, agora tinha de dizer a minha pequena.
−Beth vai fazer companhia a ela, e as crianças, ela vai ficar bem, com o tempo vai se acostumar! Glenn tenta me acalmar.
−O Rick e o Hershel vão ficar de olho! Maggie avisa, apenas concordo com um movimento de cabeça, mudei muito, mas ainda sou o cara calado que se não tem nada a dizer não inventa.
Caminho com passos decididos, com Glenn e Maggie do meu lado, ela estava de pé conversando com Beth, quando me vê sabia, ela se senta e esconde o rosto com as mãos, quero tanto ficar, quero tanto leva-la comigo, me aproximo dela e me abaixo diante dela.
−Não faz isso comigo pequena, por favor! Eu peço e ela se apoia em mim com o rosto escondido em meu peito, me ergo trazendo ela comigo, aspirando seu perfume que quero levar comigo, para me fazer voltar para casa – Sei que pode ser forte, é por nosso mini ratinho!
−Vai voltar para mim não é? Ela me diz chorando – Vai tomar cuidado e voltar para mim, não vai arriscar nada, prometa!
−Prometo! Eu não sei realmente se posso cumprir essa promessa, ninguém sabe, mas é isso que quero – Preciso que fique bem.
Ela não me solta, não para de chorar, quero só ficar ali para sempre, nunca mais me soltar dela, não sei me afastar me desvencilhar, eu sei que ela está buscando seu autocontrole então apenas espero e então ela se afasta lentamente e respira fundo.
−Você não desiste, eu não desisto! Ela me lembra, como se fosse possível me esquecer.
−Nunca! Eu respondo tentando sorrir e então eu a beijo e depois ela se afasta, caminhamos para fora abraçados, ela nem se preocupa em secar as lágrimas, Megan e Nick correm para me abraçar e desejar boa sorte.
−Vão cuidar da mamãe? Eu pergunto e os dois afirmam – Ótimo, volto o mais rápido que puder.
Jimmy se aproxima, eu sei que ele quer sair conosco, mas agora mais do que nunca preciso que fique, ele era o único que podia ficar o tempo todo por perto, cuidando dela, de olho se Katie ficava bem e distraindo meus pequenos para que ela pudesse descansar.
−Jimmy quero que seja a sombra da Katie, esqueça todo o resto, apenas cuide dela está bem? Ele concorda na mesma hora, aperto sua mão e me volto para Katie.
−Sabia que reuniria um exército para cuidar de mim! Ela me diz sem conseguir parar de chorar – Mas quero você! Mesmo sendo muito bom ouvir é dolorido, por que ela está com aquele olhar que me faz dar a ela tudo o que quer e dessa vez tenho de recusar.
−Amo você, cuide do meu filho e da minha mulher! Eu digo beijando-a e me afastando de uma vez.
Olho para ela quando o carro se afasta e meu coração se despedaça, então sumimos na estrada e sei que ela está chorando e meus pequenos estão tentando consola-la, que Hershel vai acalma-la e Beth e Nick vão distraí-la mas que não vai ficar um minuto tranquila até que eu volte.
Uma hora de estrada e então vemos uma pequena horda se deslocar pelos campos de milho, felizmente em sentido contrário ao nosso, alguns se viram quando escutam o carro na estrada, estávamos silenciosos.
−Cara isso vai ser uma chatice sem a Katie, vocês são tão calados! Maggie reclama, penso em minha pequena que adorava ficar de papo com Maggie como se estivessem indo as compras numa tarde de sábado.
−Eu converso com você! Glenn brinca, ela estava com ele na frente e eu ia atrás com Michonne, Maggie se encosta no banco e desvia sua atenção para estrada.
Passamos mais uma hora no carro até vermos a cidade que pretendíamos tentar, um acamamento de refugiados tinha sido destruído a muito tempo, nós notamos quando passamos de carro, tinha mais zumbis caminhando que de costume, pelo menos dois ou três em cada rua que passamos.
Chegamos a uma rua cheia de lojas e descemos assim que Glenn estaciona, pegamos combustível de alguns carros na rua, Michonne matava zumbis que se aproximavam com a espada, depois nos decidimos por uma loja de departamentos, nada comparado as grandes lojas por que já passamos, mas mesmo assim entramos, ela estava completamente vazia, e devia ter sido saqueada muitas vezes por que mal encontramos coisas úteis, então seguimos para fora com meia dúzia de coisas e caminhamos até a esquina, alguns zumbis dobravam a rua a três quarteirões, voltamos para o carro e Glenn dirige mais um pouco, andando pelas ruas enquanto olhávamos se algo de interessante aparecia e vemos mais uma loja de departamentos, mas essa estava trancada, os vidros inteiros e as portas de ferro bem fechadas.
−Vamos entrar? Michonne pergunta e nos olhamos.
−Nessas horas Katie faz muita falta, ela sempre sabe como as coisas estão! Glenn reclama e acho que o único objetivo deles é me deixar louco, ninguém sente mais falta dela que eu.
−Vamos! Eu chamo e fazemos nosso ritual, bater na porta aguardar uns minutos e depois entrar, pelo vidro não vemos nada e entramos depois de arrebentar as correntes de uma porta dupla de ferro que ficava na lateral, o lugar estava bem iluminado, tinha muita bagunça, mas era um bom lugar, limpamos prateleiras de comida, enquanto Maggie ficava pegando roupas e produtos de Higiene, Michonne apenas se mantinha de guarda, não era o melhor lugar por que já passamos mas até que não foi ruim, passamos um bom tempo lá dentro e depois saímos quando tudo tinha sido recolhido, zumbis caminhavam em nossa direção, dessa vez em um número maior, eles iam se juntando em pequenas hordas cada vez que ouviam sons ou sentiam cheiro, entramos no carro que agora eu dirigia.
Já estava quase saindo da cidade quando na última rua no último quarteirão vejo uma loja de bebês, eu paro, não resisto, sei que temos muita coisa, que meu bebê no momento não precisava de nada, mas quero levar um presente para minha pequena e sei que ela adoraria entrar ali, mas que não teria essa chance.
−Que acha de fazermos compras Maggie? Eu pergunto e ela ri concordando.
Entramos apenas eu e ela, Glenn e Michonne ficam na porta, Maggie pega roupas de grávida dizendo que minha pequena precisaria e me concentro em coisas para bebê, uns brinquedos coloridos, como uma vez fiz para a bravinha e meu coração pula de medo ao me lembrar, afasto a ideia e pego algumas roupinhas e então vejo um par de sapatinhos em forma de ratinho, era amarelo e tinha olhos e orelhas, saímos e para mim já tinha valido à pena.
Pegamos a estrada de volta, eu relaxo, estava feliz e tranquilo, tudo tinha corrido bem, e o dia não tinha sido muito ruim.
Dirigia pensando no sorriso de minha pequena quando visse o sapatinho, que a essa hora já devia estar à minha espera, sentada no pátio diante dos portões, mesmo com esse frio.
Então uma confusão se anuncia na estrada, vejo um carro capotado e muitos zumbis em volta dele, pelo menos uma dúzia, diminuo, decidido a pegar a estrada lateral, que era menor e de terra mas seria um desvio razoável.
−Quando passamos não tinha nada disso! Michonne diz forçando a visão para entender o que estava acontecendo e então ouvimos gritos vindos de dentro do carro, eu paro, não quero parar por que prometi a Katie não arriscar nada, mas eram sobreviventes e sempre que penso nisso me vem à mente que se um dia minha família estivesse em perigo quero que alguém se arrisque.
Michonne desce e retira a espada, eu desço com ela, Maggie e Glenn logo estavam do nosso lado.
−Não são tantos assim, vão acabar abrindo o carro e tem alguém lá! Glenn comenta erguendo a arma e disparando.
Era o convite que precisávamos e caminhamos em direção aos mortos-vivos, o mais estranho em lidar com aquelas coisas era o fato de que eles não tinham medo, o barulho os atiça, os faz querer mais e caminham em nossa direção decidindo que éramos alvos mais fáceis.
Vamos derrubando de longe boa parte deles e então Michonne pega dois que surgiam da floresta, o barulho logo atrairia mais eu penso e então chegamos ao carro.
Uma garota gritava encolhida na parte de trás do carro enquanto um zumbi ainda preso ao cinto tentava pegá-la, eu arrebento o vidro com a arma e atiro no zumbi que estremece e cai para o lado.
−Vamos logo! Maggie diz e vejo mais zumbis saindo da floresta, nosso carro a alguns metros.
−Vem menina! Eu grito com ela, estou sem paciência, quero chegar em casa e não quero me arrepender de ter parado, ela tremia em choque provavelmente e então Michonne impaciente puxa a menina para fora, arrastando ela para o carro enquanto eu, Glenn e Maggie acertávamos alguns que estavam no caminho, entramos no carro, Michonne e Maggie atrás com a garota no meio e eu e Glenn na frente, ela chorava descontrolada.
−Calma, não vamos machucar você! Maggie avisa – Estavam sozinhos?
Ela tremia muito olhando para todos assustada, pego minha garrafa de água e entrego a Maggie que oferece a garota, ela começa a se acalmar depois de uns goles.
−O que aconteceu? Michonne pergunta e ela estremece.
−Vínhamos pela estrada, o senhor Jones estava dirigindo e o pneu estourou eu acho, o carro capotou eu fiquei presa ele bateu a cabeça, morreu, eu tentei sair, então zumbis começaram a surgir, acho que atraídos pelo barulho, ele se transformou.
−Para onde estavam indo, tem mais alguém? Maggie pergunta.
−No começo era um grupo grande! Ela soluça – Fomos perdendo todos, ele era o melhor amigo do meu pai! Ela volta a chorar.
−Está sozinha agora? Glenn pergunta querendo confirmar sua situação antes que chegássemos a prisão.
−Sim, éramos os dois há três meses, minha mãe foi a última que perdemos, estamos na estrada desde então, a mais ou menos oito meses ouvimos uma mensagem no rádio, algum tipo de rádio amador, sobre um santuário onde tudo estava bem.
Nos olhamos um tanto incrédulos, mensagens no rádio, um santuário, aquilo parecia meio fantasioso.
−Não dizia onde, mas o senhor Jones decidiu que devíamos pegar a estrada e estamos a meses rodando atravessando a país, mas não tem nada, ninguém, é só zumbis e mais zumbis, hordas e mais hordas.
−Quantos anos tem? Maggie pergunta.
−Dezenove, são vocês, vocês vivem no santuário? Ela pergunta tremendo ainda – Onde estão me levando?
−Não somos esse tal de santuário, nunca sequer ouvimos falar de algo assim, mas temos um lugar seguro e pode seguir conosco se quiser, ou podemos te dar uma arma e conseguir um carro para você seguir para onde quiser! Maggie avisa, eu diminuo, se ela quisesse partir era melhor que fosse de uma vez.
−Tem mais pessoas com vocês? Sua voz era esganiçada.
−Sim, somos um grupo grande! Maggie era nossa porta-voz, eu e Michonne não éramos bons com pessoas e Glenn falava sempre demais.
−Podem me receber, é seguro, quer dizer, vão me aceitar? Ela diz olhando de um para outro – Há um ano encontramos um grupo, tentamos nos juntar, mas fomos enganados, meu pai e meu irmão foram mortos quando tentamos sair do grupo.
−Não precisa ter medo sobre isso! Michonne avisa.
−Vou com vocês! Ela anuncia e acelero por que quero chegar logo em casa, não estava preocupado, era só uma garota, não acho que seja um problema – Meu nome é Mary! Ela avisa e Maggie nos apresenta, aceno quando ouço meu nome, mas nem me dou ao trabalho de olhar para ela.
A prisão estava a uma hora de distância, em uma hora estaria com minha pequena nos braços, fico aliviado, Mary começa a nos contar sobre sua vida, não era uma história diferente de nenhuma das nossas, confusão e perdas, ela tinha perdido, pai, mãe, três irmãos e alguns amigos, sempre penso em como tivemos sorte, também perdemos muito, mas estávamos juntos a tanto tempo e éramos tantos que parecia impossível que ainda estivéssemos de pé.
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