Fim Dos Tempos

65 Capítulo 65 - Mais um primeiro beijo


Notas iniciais
Olá pessoas!
Bom! Como todos que acompanham sabem quem narra essa história é o Daryl e a Katie, mas tem uma parte da história que queria muito contar e que só poderia ser contada por uma outra pessoa, então especialmente hoje vamos ver o que se passa na cabecinha da nossa ratinha.
Espero que gostem.

Pov – Megan

Acordo como todos os dia com a confusão que meu irmão sempre faz pela manhã, mamãe e papai sempre riam, até eu no fundo não ligava muito por que Nick era meu irmão e mesmo sendo um fofoqueiro eu amava muito ele.

Carl vem me buscar para o café, meu coração bate um pouco mais rápido quando o vejo, ainda não acredito que somos namorados, acho que ele não namoraria comigo se o mundo fosse como antes e ele tivesse um monte de opções, mas ele me diz toda vez que sou uma boba, que gosta de mim de verdade.

Ele enfrentou o papai, teve coragem de pedir a ele, então tenho que acreditar que gosta mesmo de mim, mesmo assim todas as manhãs eu o espero achando que ele não vem, que vai desistir de mim, mas então ele chega e meu coração bate diferente.

Descemos para o café, faz uma semana que descobrimos que mamãe vai ter um bebê, então o café é uma nova confusão, ela detesta tomar leite e temos de ficar de olho, se não ela sempre deixa um restinho e o papai a obriga a tomar, antes o papai não mandava tanto nela, mas agora ele fica o tempo todo cuidando de tudo, até quando ela vai vomitar ele vai junto.

Carl felizmente está curado, ainda tem um curativo onde tomou o tiro, mas já voltou a fazer o que fazia antes, pode ficar de guarda, e ajudar nas coisas, e o melhor é que não precisa mais descansar todas as tardes como antes e podemos ficar juntos.

−Tenho de ficar de guarda depois do café! Ele me diz quando nos sentamos.

−Certo, eu vou ficar lá fora te esperando então.

−Está muito frio, o que vai ficar fazendo? Ele me pergunta e sei que não quer que eu fique ajudando o Jimmy, mas só não sei porque.

−O gerador está quase pronto, e meu robozinho também!

−Acho que esse robô não vai dar certo! Ele me diz e finjo que nem ouvi porque já chega meu irmão me tirando do sério.

−Pensei que depois do almoço podíamos jogar um pouco, a Beth não vai dar aula hoje, disse que é folga dela e nossa!

−Quer namorar meu pai escondido! Carl sorri quando diz isso, ele tem o sorriso lindo, eu penso correspondendo, vimos os dois se beijando na cela do Carl, estávamos indo pegar uma blusa e lá estavam os dois, num beijo desses que só vi nos filmes porque papai e mamãe nunca se beijam assim perto da gente.

−Shiu! Eu peço – Se nos ouvirem vão ficar com vergonha e gosto muito da Beth.

−Parece que meu pai também! Rimos os dois.

−Ei ratinha! Meu pai me chama sentado na mesa ao lado da nossa, corro até ele, que sorria, ele sempre sorria para mim – Mamãe e eu vamos ficar na cela por que está muito frio, o que vai fazer?

−Quero ajudar o Jimmy papai. Estamos terminando.

−Também vou! Nick avisa aquilo não era novidade, ele estava sempre andando atrás de mim me espionando e contando tudo para o papai.

−Está bem! Eu digo – Mamãe está bem? Ela estava meio pálida e sempre tenho medo de algo acontecer com ela.

−Claro ratinha mamãe está ótima! Papai beija meus cabelos, ele sempre faz isso, eu o abraço e depois abraço a mamãe.

−Acho que é melhor ficarmos todos juntos! Digo preocupada, mamãe me abraça, ela adora abraçar.

−Estou ótima ratinha, vá ajudar o Jimmy, nos vemos na hora do almoço, mas quero que suba e pegue mais um casaco, está cada dia mais frio.

Eu faço que sim, aceno para o Carl e subo correndo para pegar uma blusa porque sempre obedeço mamãe, ela não é tão boazinha como o papai e se for preciso nos põe de castigo e é constrangedor.

Quando desço Carl já estava de guarda no portão com o Glenn, sigo até onde estávamos construindo o gerador e meu robozinho que não era grande coisa, mas era um bom jeito de nos distrairmos, Jimmy e Nick já estavam lá, e Lily estava com a mamãe e o papai por que estava frio para ela, me sento e Jimmy me manda limpar umas pecinhas bem pequenas, uma chatice eu penso, sabia que ele só queria me ocupar e tudo bem por que eu só queria esperar o Carl, Nick conversava com ele, enchendo Jimmy de perguntas.

−Jimmy tenho de limpar todas essas? Eu pergunto.

−Sim senhora, deixa de ser preguiçosa! Ele brinca.

Eu começo meu trabalho, logo me distraio, pensativa, era muito bom ter o Jimmy por perto, ele cuidava de todos, principalmente do Nick, eu tinha medo de ser responsável por ele, de deixar ele se machucar de novo e o papai e a mamãe ficarem tristes comigo.

Nick é o preferido eu acho, mas não os culpo, ele é muito engraçado e menor, eu amo meu irmão e se não fosse por ele acho que nunca teria um pai e uma mãe, não sei se ficariam só comigo, eles dizem que sim, eu quero acreditar quase sempre acredito, mas as vezes tenho medo, eles são a melhor coisa que me aconteceu, sempre sou boa com eles, não quero nunca ir embora, nem quando crescer.

Pego outra peça para limpar, uso uma flanela velha que mais sujava que limpava, mas Jimmy pediu então tudo bem.

Olho para as grades, aquelas coisas famintas e feias se espremendo, gemendo, bem nojentas, me lembro da minha mãe, como fiquei triste quando eu a vi ali, mas ela não gostava muito de nenhum dos dois, se minha mãe Katie visse aquele monstro nos machucando ela nunca deixaria, mataria ele, mas ela fingia que não estava vendo.

As vezes quero contar as coisas que aconteciam, como era ruim e como sentia medo, mas não consigo, não consigo contar que ele puxava minha mão para encostar no corpo dele, que eu fugia e por isso apanhava, tenho vergonha, mamãe cresceu num lugar bonito e feliz e não sabe como é, vai ficar muito triste e chorar e ela está gravida, o papai sabe, eu sei que sabe, ele não fala, mas sabe, ele também sofreu quando era criança e sabe que coisas assim acontecem com meninas.

Por isso todas as regras, para não acontecer de novo, e por isso sempre obedeço, ele me protege, sei que as regras não são só para o Carl, são para todos, que ele só confia no Jimmy, no Hershel, acho que no Rick e no Glenn também, e ele confia no Carl, ele reclama mas confia.

Eu gosto muito do Carl, quando ele se machucou nem sei o que senti, foi muito triste, e quis muito beijar ele, pedi para mamãe e ela deixou, mas ele nunca me pediu um beijo, então eu fico quieta, são os meninos que devem pedir, estou esperando, mas com o papai sempre de olho ele nunca vai ter coragem, eu sei que ele quer também, queria falar com a mamãe de novo, mas o papai parece uma sombra, esqueci de perguntar uma coisa importante sobre beijos.

Aquela coisa de língua, não sei como é isso, será que o Carl perguntou para alguém, mas eu não vou falar com ele sobre isso.

−Terra chamando Megan! Terra chamando Megan! Jimmy diz com um dedo na minha orelha e apertando meu nariz.

−Para de ser chato Jimmy! Reclamo – É mais chato que o Nick as vezes sabia?

−Está no mundo da lua? Ele ria de mim, nem sabia que estava pensando em coisas sérias – Pega essa chave de fenda do seu lado preguiçosa!

−Teve todo esse trabalho devia ter pego você! Eu pego o negócio pontudo que parece uma faca e deve ser bem bom para matar zumbi e entrego para ele.

−Ela só quer ficar olhando para o Carl! Nick comenta, era um linguarudo como o papai e a mamãe diziam.

Só então meu olhar segue até ele, Carl estava perto do portão e me olhava, mas não parecia nada feliz, eu aceno sorrindo, ele devolve o aceno mas não sorri, volto para meu trabalho, mas agora estou triste.

Talvez ele não goste mais de mim, eu não sei, olho para o Nick e ele estava com uma bela mancha preta no rosto e Jimmy ria dele, será que Jimmy podia me ajudar, quem sabe ele perguntava para o Carl sobre essa coisa de beijo, não Jimmy era outro linguarudo, fazia tudo que papai pedia, ele iria correndo contar.

−Droga! Reclamo em voz alta e os dois me olham, eu os ignoro, agora a cada segundo eu queria olhar para o Carl e ver se ele estava sorrindo, ou bravo, mas sempre que olhava ele se virava, fico com vontade de chorar, quero ir ficar com o papai e a mamãe, mas se me vissem chorando eu teria de dizer por que e o papai viria aqui jogar o Carl do outro lado da cerca.

O tempo demora a passar e quando Vejo Michonne e Tyresse virem substituir o Carl eu quase sorrio.

−Já limpei tudo Jimmy! Aviso, não era verdade ele sabia disso, mas ele sorri para mim, eu me levanto e caminho um pouco nervosa em direção a ele, ele sempre me sorria, mas estava sério então eu paro no meio do caminho sem saber se ele me queria por perto ou não.

Carl vem ao meu encontro, eu torcia os dedos um pouco confusa, não sei direito essa coisa de namorar.

−Estava se divertindo lá com o Jimmy, quer namorar ele agora? Ele me diz e fico muito brava, triste e um monte de outras coisas tudo ao mesmo tempo, olho para ele sem acreditar.

−Você é um idiota sabia! Eu digo chorando – O Jimmy é como se fosse um irmão, e ele é velho, tem vinte anos!

−Garotas gostam de caras mais velhos! Ele me diz bravo.

−Você é um burro sabia? Eu choro mais ainda – Eu estava lá pensando em você em quando me beijaria e diz isso! Não acredito no que acabei de falar, fico morrendo de vergonha e com muita raiva dele.

Saio correndo, não penso em nada, como posso ser tão estupida, depois o Nick que é um linguarudo, corro para o único lugar onde podia ficar sozinha, abro a porta da torre e corro para cima, se mamãe souber que vim sozinha aqui vai me deixar olhando para cara dos porquinhos um mês, mas eu nem ligo, melhor olhar para deles do que para o Carl.

Ele era um imbecil, só estava arrumando uma desculpa para terminar comigo e eu fui falar de beijo, me jogo no colchão chorando, vou ficar aqui até os cem anos. E nem ligo se meu pai jogar ele do outro lado da cerca ele bem que merece.

Passa uns minutos e escuto a porta abrir, seguro o choro, então ouço a voz de Jimmy me chamando lá de baixo.

−Megan! Eu não respondo, não quero falar com ele, quero o papai, meu pai é que sabe me fazer parar de chorar.

−Jimmy eu vou lá falar com ela, me desculpar! Agora era a voz do Carl, fico tensa, ele se arrependeu, o que eu faço se ele se desculpar e se quiser me beijar, ainda não perguntei tudo para mamãe.

−Nem pensar Carl, não vão ficar lá em cima sozinhos! Jimmy era um chato mesmo.

−São só uns minutos! Ele pede.

−Megan desce aqui para o Carl se desculpar! Jimmy grita de novo – Ele não vai subir e não pode ficar ai sozinha.

Eu fico sem saber o que fazer, Jimmy não vai me deixar ficar sozinha aqui então é melhor eu descer de uma vez, antes que todo mundo escute o escândalo do Jimmy, me sento e começo a secar minhas lágrimas.

−Megan! Jimmy grita de novo.

−Quer um megafone Jimmy, os zumbis da Califórnia ainda não te ouviram! Eu respondo quando já estou no meio da escada, ele ri, parado na porta com a mão na maçaneta e cara de bobo.

Eu saio e olho para o Carl, ele é o menino mais bonito que já vi na vida, meu coração fica acelerado, só quando estou com os dois pés do lado de fora da torre é que Jimmy fecha a porta e começa a se afastar.

−Não posso deixar os dois sozinhos lá em cima, mas acho que se forem atrás da torre ninguém vai ouvir a conversa de vocês, nem ver, e não preciso dizer que estavam lá! Ele pisca para mim e fico corada feito um pimentão – Vou distrair o Nick, não demora.

A ideia de ir atrás da torre não era ruim, ficávamos longe dos olhares de todos e era seguro, ficava bem perto dos zumbis, mas era o jeito, dou a volta na torre sem olhar para ele e paro quando estamos realmente longe dos olhares de todos, rezo para o papai não sair lá fora.

Ficamos de frente um para o outro, eu fico calada olhando para o chão, ele que fale, ele que começou.

−Desculpe! Ele diz – Sinto muito.

−Se queria terminar comigo podia ter arrumado uma desculpa melhor! Eu não resisto.

−Você sempre acha que quero terminar tudo, eu já disse que gosto de você, não quero terminar nada.

−Não? Pergunto ainda meio na dúvida, olho para ele muito rápido e logo desvio por que sempre que olho para ele quero que segure minha mão e fique por perto – O Jimmy é meu amigo, ele é muito legal, se não fosse por ele o Nick ainda estava nos espionando.

−É ele foi bem legal agora, vai me desculpar? Eu não respondo porque estou um pouco nervosa – Gosto de você desde o começo, quando o Nick se machucou e eu salvei ele e você me agradeceu com um beijo.

Eu acabo olhando para ele e sorrindo, acho que gosto dele desde esse dia também, mas nunca tinha pensado nisso.

−Eu desculpo! Respondo e ele segura minha mão.

−Estava pensando em beijo, em me beijar? E agora o que eu faço, é melhor dizer a verdade.

−Estava, pedi para a mamãe e ela deixou! Aviso ele.

Carl sorri e eu acabo ficando mais calma.

−Acha que posso falar com o Daryl, pedir a ele? Carl me pergunta.

−Eu acho que... acho que já pedi para mamãe e então, não precisa, podemos só... – Aquilo era bem complicado, não quero ficar nervosa mas não consigo evitar – Acho que podemos só contar para ele depois, a mamãe pode contar! Eu é que não contaria e acho que o Carl também não.

Carl me sorri e acho que pretende me beijar por que dá um passo na minha direção e segura minha outra mão também, fico com o coração muito acelerado, as pernas meio bambas, olho para ele sem saber o que fazer e então ele me beija, é só um selinho, seus lábios encontram os meus por um segundo, é bom, mas muito rápido, ele se afasta um pouco, ainda ficamos bem pertinho um do outro.

−Você é a garota mais bonita do mundo! Ele diz e eu sorrio feliz, mas ele se aproxima de novo e me dá mais um selinho, só que dessa vez não se afasta e eu deixo as coisas acontecerem.

Abro minha boca um pouco e nos beijamos de verdade, meu coração parece que vai saltar para fora do meu peito, ele solta minhas mãos e me abraça, mas não ficamos muito perto um do outro, mesmo assim é muito bom, depois nos separamos e eu fico muito corada, nem acredito que beijei o Carl, que somos namorados de verdade agora.

−Acho que... isso é.... beijar você é muito bom! Ele diz.

−É bom! Eu digo sem saber o que fazer, nos afastamos um do outro, será que ele vai querer me beijar de novo?

−Vai querer me beijar de novo? Ele pergunta nem acredito que estávamos pensando a mesma coisa.

−Você vai? Eu devolvo a pergunta com medo de responder antes dele.

−Sempre! Ele responde e faço que sim com a cabeça concordando com ele e sorrimos um para o outro.

−Mas nunca na frente do papai! Eu aviso.

−Só se eu fosse maluco! Ele diz muito sério – Mas como vamos fazer, nunca ficamos sozinhos.

−Sei lá! Eu dou de ombros sem pensar em nada – Quando dermos sorte, como agora.

−Está bem! Ele me diz – Posso te beijar de novo antes de voltarmos? Eu concordo e ele me beija de novo, meu coração nem tinha parado de pular e lá estava ele de novo acelerado, nos afastamos e ficamos de mãos dadas.

−Melhor irmos para lá! Eu peço quando meia dúzia de zumbis já caminhavam para perto de onde estávamos na cerca.

−Nem um selinho quando vou te buscar? Ele diz enquanto caminhávamos de volta de mãos dadas.

−Nunca perto do papai, eu não quero que ele fique triste comigo, a mamãe acho que tudo bem.

−Está bem, vou fazer como você quer! Chegamos no pátio e me aproximo do Jimmy que pisca para mim e eu sorrio tão vermelha que nem precisava falar nada.

−Que passeio longo em! Nick comenta sem tirar os olhos do que estava fazendo que era basicamente atrapalhar o Jimmy.

−Já está quase na hora do almoço, vamos nos limpar antes que a Katie brigue comigo! Jimmy diz levando Nick para dentro, eu fico com o Carl lá fora mais um pouco e depois quando todos seguem para o almoço entramos.

Fico com medo do papai perceber, mas acho que ele não tinha como saber disso e então me sento com ele e com a mamãe.

−Está muito frio? Mamãe pergunta e faço que sim – Então chega de ficar lá fora ratinha, não quero meus bebês doentes! Ela me abraça e eu a aperto muito estou feliz e queria contar, mas nunca perto do papai, quando nos afastamos ela me olha procurando algo em mim, mas não diz nada.

−Eu vou ajudar a terminar as coisas lá fora e você fica com a mamãe? Papai me pergunta e adoro a ideia, assim podia contar a ela.

−Claro papai! Digo e ele me puxa para sentar no seu colo, eu o abraço e não sei se estou mais assim tão feliz, não quero que ele fique triste comigo, não gosto de esconder as coisas dele, tem tanta coisa que passa na minha cabeça que não falo, quero falar disso, quase conto, chego a apertar a boca por que ele faria uma cena e estávamos no meio do refeitório.

Então decido que eu mesma vou contar a ele, se não perder a coragem no meio do caminho, mas depois, primeiro vou contar para mamãe assim ela me ajuda.

−Vamos ratinha, chega de fazer inveja ao mini xerife, vamos buscar o almoço, me ajuda?

Depois de ajudar o papai eu me sento com Carl numa mesa, Beth e Rick estavam com ele e eu e o Carl sorrimos por que nos lembramos no beijão que vimos eles trocarem, acho que tenho de crescer muito para beijar o Carl assim.

−Já estou com saudade de beijar você! Ele diz baixinho e eu fico com vergonha e nem olho mais para ele, se o Rick escutasse, nem quero pensar.

Depois me despeço dele com um beijo no rosto como sempre fiz e vou ficar com a mamãe o Nick vem conosco, mas depois de uns minutos na cela ele arruma uma desculpa para correr atrás do papai e a mamãe deixa por que era muito esperta e sabia que eu queria conversar com ela.

−Você está bem mamãe? Eu pergunto antes de contar a ela, não quero que mamãe se preocupe.

−Claro querida, o que foi, quer me dizer alguma coisa?

−Quero! Então eu penso se agora que beijei o Carl e que aquela coisa de menstruação que é uma chatice aconteceu se não estou ficando muito grande se eles ainda vão ficar cuidando de mim o tempo todo.

−Ainda é minha ratinha! Ela me diz já sabendo do que estou com medo, eu sou uma boba mesmo, então como sei que ela adora abraço eu abraço ela.

−Eu beijei o Carl! Conto logo de uma vez, ela me olha por uns segundos e depois já estava ela chorando, o ruim de a mamãe chorar toda hora é que nunca sabemos bem se está chorando de feliz ou de triste, então nós três temos sempre de esperar um pouco para saber se precisamos consolar ela.

−Que linda! Ela diz no meio das lágrimas – Quer dizer, gostou?

−Foi bom! Eu respondo – Fiquei com vergonha, mas gostei muito, ele disse que quer me beijar de novo, disse que quer me beijar sempre.

−Isso é bom não é? Ela me pergunta – Se você gostou e ele também.

−Achei que não ia saber o que fazer, mas você tinha razão na hora deu tudo certo, mamãe...

−O papai vai ficar bem ratinha! Ela sempre sabe o que estou pensando, quase sempre.

−Acha que é uma boa ideia eu mesma contar?

−Quer fazer isso?

−Quero! Respondo meio sem ter muita certeza – Eu sei que ele nunca vai ficar bravo de verdade, desses bravos que dizem coisas ruins e machucam, mas tenho medo de ele ficar muito triste!

−Nunca vai deixar o papai triste! Ela me garante.

−Se perder a coragem você conta?

−Conto! Ela me promete e eu a abraço e ficamos assim um pouco só quietinhas, depois eu conto a ela como foi, que ele ficou com ciúme do Jimmy e que subi na torre e ela aperta meu nariz e diz que não posso subir lá sozinha, mas sei que não está brava de verdade, eles nunca ficam bravos de verdade com nenhum dos dois, e acho que o bebê que está na barriga dela tem muita sorte, se eu pudesse ficava bem pequenininha e voltava para a barriga, mas tinha de ser a dessa mãe e assim eu seria de verdade como meu irmão, mas se disser isso a ela, mamãe vai dizer que não precisa que sou de verdade e que ela e o papai me amam e acho que é verdade, pelo menos quase sempre, só às vezes que me esqueço disso e fico com medo.

Ficamos assim juntas ela me pergunta muitas coisas e eu conto tudo de novo, falo que foi atrás da torre e ela sorri, e quero que a tarde demore a passar por que assim demora para eu ter que contar ao papai, mas também quero que chegue logo amanhã para ficar um pouco com o Carl e quem sabe se dermos sorte podemos achar um jeito de dar mais um beijo.

Notas finais
E então gostaram?
Quem sabe um dia ela volta.
Comentem!!