Fim Dos Tempos

6 Capítulo 6 - Você é minha escolha


Notas iniciais
Mais um capitulo, não consigo parar de escrever!

Pov – Daryl

Assim que abro os olhos sinto Katie me apertar, ela escondia o rosto na curva do meu queixo, e geme baixinho.

−O que foi pequena?

−Não queria que acordasse! Ela choraminga – Não quero que vá lá! Eu a aperto em meus braços tentando lhe dar alguma segurança, ela suspira e se aconchega ainda mais.

−Sabe que tenho que ir! Eu a lembro.

−Podíamos pegar essa sua moto que você não usa para nada e sair pela estrada sem destino! Ela diz sabendo que nenhum dos dois teria coragem de simplesmente abandonar o grupo.

−Eu usava muito aquela moto, até o dia em que arrombei uma porta e encontrei uma pequena de olhos verdes e assustados precisando de cuidados, depois disso...

−Já sei! Ela diz me olhando sorridente – Segurança em primeiro lugar! Ela estava perfeita como todas as manhãs e penso que se fosse meu último despertar ele tinha sido perfeito – Um dia podemos só sair por ai de moto? Ela faz aquele olhar inocente e eu sabia que não resistiria.

−Podemos! Eu me levanto sabendo que se tínhamos de fazer era melhor fazer de uma vez.

−E me ensina a pilotar? Olho para ela ainda deitada os cabelos espalhados pela grama e os olhos verdes brilhando para mim, nunca entenderia como ela podia me escolher.

−Não! Digo colocando-a de pé antes que desistisse de tudo e a arrastasse para um canto qualquer, aquele beijo queimando meus lábios me fazendo desejar mais – Não se esqueça que estou tentando mantê-la viva, então colabore, mas se te consola a garupa é sua, oficialmente! Ela sorri doce e se espreguiça.

−Sou oficialmente dona de uma garupa, quem diria! Ela brinca e então se abaixa para pegar seu cinto de facas, noto a pistola de T-dog presa às facas.

−Ainda com a pistola? Pergunto me lembrando de suas palavras no carro, fico tenso – Sabe que elas são para os zumbis, não sabe? Katie me olha séria, ela prende o cinto e suspira caminhando até mim.

−Você fez sua promessa, eu fiz a minha! Ela toca meu rosto, com aquela mão suave, delicada – Apenas me esqueci de devolver, vou fazer isso agora mesmo, não é hora de se preocupar comigo, precisa entrar lá de cabeça limpa! Ela se afasta procurando T-dog.

−Ei! Eu chamo e ela se volta elegante – É só entregar, não precisa sorrir muito! Assim que digo me arrependo, desde quando eu era assim ciumento? Ela abre um largo sorriso e volta até mim, me beija de leva ficando na ponta dos pés.

−Não precisa se preocupar com isso também, eu tenho um sorriso que é só seu!

Fico feito um idiota no meio do pátio, escondendo um sorriso e a vontade de correr atrás dela, passo a mão pelo cabelo e sigo até Rick, ele tomava uma caneca de café e olhava para prisão, me sento a seu lado.

−Vamos conseguir! Eu tento animá-lo, depois de tudo nos tornamos amigos.

−Eu sei! Ele responde – Vamos eu, você, T-dog, Glenn e Maggie, ela é forte.

−Vou pedir para Katie ficar na torre, ela é boa com aquelas facas, derruba mais zumbis que quem fica nas cercas.

−Faça isso, quando estiver pronto podemos ir.

Pego café e sigo até Katie que terminava de prender os cabelos numa trança, eu paro diante dela com a besta nas costas e ela estremece sabendo que era a hora.

−Já? Ela pergunta – Vai se proteger e voltar?

−Pensei que minha pequena podia pegar aquelas facas voadoras e me proteger lá de cima daquela torre! Digo querendo acalma-la, sabia que ela ficaria feliz em ajudar e a verdade é que a torre era o lugar mais seguro do mundo naquele momento, exatamente onde eu a queria.

−É onde vou estar! Ela responde e me abraça – Nenhuma chance de te prender na cerca? Ela pergunta e eu rio abertamente como o menino que devia ter sido e a vida não deixou que eu fosse, penso em Merle e no que ele diria se me visse assim, meu sorriso se desfaz e ela percebe.

−O que foi? Me pergunta passando o braço em minha cintura.

−Pensei no meu irmão! Conto sabendo que ela sabia muito pouco sobre ele, apenas que ele tinha ficado para trás.

−Se ele se parece um pouquinho que seja com você, então está vivo e bem! Ela diz e mesmo sabendo que ela queria me animar suas palavras tem o efeito contrário, eu me parecia muito com Merle, muito mais do que gostaria, e isso só me tornava mais inadequado para ela – Acha que ele gostaria de mim? Pergunta ela curiosa e eu a olho cansado, queria dizer que sim, mas não era verdade.

−Merle é difícil pequena, queria dizer que sim, mas a verdade é que quando ele pusesse os olhos em você faria algum elogio, sobre sua aparência, da forma mais grosseira que conseguisse e depois... Merle se foi Katie, vivo ou morto, ele se foi, vamos logo tomar essa prisão.

Ela segue para seu posto no alto da torre, Hershel caminha conosco para o portão, os outros começam a chamar os zumbis pela cerca, olho para cima com medo de ser a última vez e me convenço de que fazia aquilo por ela, Rick dá o sinal e o portão é aberto, um zumbi cai na minha frente antes que eu pudesse me aproximar, ela não errava nunca!

Lutamos com eles sempre em formação, um círculo que nos mantinha unidos e protegendo um ao outro, sabíamos que podíamos confiar, qualquer um ali morreria para manter o resto do grupo, tudo caminhava bem, vez por outra eu via um zumbi próximo a nós cair sem que precisássemos fazer nada e sabia que era ela.

Estávamos entrando cada vez mais, ganhando espaço e então percebemos um portão aberto, nos reagrupamos e depois de um segundo zumbis vestidos de uniforme e com capacetes começam a aparecer, ficamos sem ação, até Maggie descobrir como matá-los, eu e Rick conseguimos fechar o portão e decidimos entrar, sabia que depois que passássemos pela porta seriamos apenas nós e que Katie estaria rezando preocupada, assim como os outros, então era melhor eu voltar logo.

Começamos a caminhar na escuridão, e depois de uma geral Rick encontra as chaves do lugar na cintura de um cadáver, abrimos algumas portas, chegamos até um bloco de celas, apenas dois zumbis, presos, o tempo todo me lembrava de Merle, se algo assim tivesse acontecido enquanto ele estava preso, meu irmão era mesmo um idiota, mato o zumbi pela grade e Rick pega o outro, atiramos os corpos pela grade eles caem no andar de baixo e T-dog os recolhia, estávamos todos visivelmente esgotados mas eu nem acreditava no lugar seguro que tinha para Katie.

Então ela entra e corre até mim, me abraça apertado os olhos marejados, era bom e estranho que alguém corresse para mim, que eu fosse o motivo das orações de alguém e quando esse alguém era Katie ficava mesmo inacreditável.

−Isso é um inferno! Ela diz – Quando sumiu da minha visão... – Ela fecha os olhos e me abraça, todos entravam com suas coisas olhando em volta felizes com o lugar.

−Eu e Daryl temos as chaves, vamos dormir nas celas! Rick diz.

−Não vou dormir numa gaiola, fico com o poleiro! Digo olhando para ela que sorri concordando, isso era bom, não gostava da ideia de me sentir preso e menos ainda da ideia de dormir sem ela.

Todos estávamos cansados, esgotados física e psicologicamente. Pego dois colchões e os estico perto da escada no andar de cima, ela ria quando me deito sem me preocupar com nada, estávamos trancados numa prisão devia ser seguro.

−Vai ficar ai me olhando ou vem se deitar?

−Nunca vou me cansar de olhar para você! Ela me diz e eu fico sem ação, então a puxo para meus braços, ela cai sobre mim rindo, estávamos felizes como crianças.

O riso some quando sinto seu corpo colado ao meu, minha respiração acelera, tomo seus lábios num beijo longo ela se cola a mim sempre correspondendo ao meu toque prontamente, mas não estávamos sozinhos e a afasto, os olhos dela brilhavam como duas joias.

−Vamos descansar pequena, amanhã tem mais, vamos procurar o refeitório e a enfermaria, recolher os corpos lá fora – Me lembro dela na torre e a beijo agradecendo pela proteção – Fez um belo trabalho lá em cima.

−Quando aqueles caras de capacete apareceram quase tive uma síncope, felizmente deram um jeito!

−Sabia que ficaria preocupada! Eu sinto todo cansaço me dominar – Preciso dormir, meu corpo está moído.

−Quer uma massagem? Ela se oferece e eu fico mudo, ela queria cuidar de mim, meu coração dá um pulo e me sinto estranho, sem saber se aquilo era bom ou ruim, parecia errado, como se eu não merecesse, eu não merecia.

−Não, só quero que fique quietinha aqui, assim durmo tranquilo! Ela concorda e adormeço.

Acordo sozinho no colchão e estranho, fazia muito tempo que não acordava sem minha pequena, me sento assustado e vasculho o ambiente não tinha ninguém saio apressado e ela ajudava na limpeza do pátio, respiro aliviado quando ela corre até mim.

−Por que não me acordou? Pergunto meio de mal humor, ela não nota ou não se importa, ela nunca levava a sério meus ataques.

−Achei que merecia um descanso! Ela me beija e me puxa pela mão – Venha comer que eu sei que logo vão estar de novo lá dentro e dessa vez sem facas voadoras! Eu sabia que ela estava fingindo uma tranquilidade que não sentia.

Me junto aos outros procurando as melhores armas, muita coisa tinha sido retirada dos corpos, me nego a usar aqueles capacetes nojentos e depois que tudo estava pronto decidimos entrar, beijo Katie sempre com medo de ser a última vez, Carl os tranca no bloco e seguimos para o corredor.

Nunca pensei que poderia ser tão terrível, a escuridão, os corpos em decomposição, mutilados na maior parte das vezes, estávamos juntos e atentos quando as coisas começam a acontecer. Zumbis para todo lado o grupo se separando, Maggie e Glenn se perdem de nós e quando voltamos para encontra-los perdemos Hershel, Rick e eu tentávamos manter a calma e ouvimos um grito o grupo se reencontra com Hershel sendo atacado, aquele velho maluco não tinha nada que ter entrado conosco.

Conseguimos socorre-lo e nos trancamos numa sala, penso em Katie, eu voltaria para ela, precisava, Rick começa a cortar a perna do velho e eu o admiro. Hershel desmaia e então noto os homens atrás de uma janela, cinco presidiários, vivos e nos olhando, aviso do perigo e aponto a besta para eles.

Depois de uma pequena discussão saímos com Hershel e voltamos pegando os zumbis no caminho, os caras nos seguem e deixo que os outros entrem enquanto mantenho a segurança, aqueles caras jamais se aproximariam da minha pequena.

— Fiquem ai mesmo! Digo quando eles chegam, tinham apenas um revolver, mata-los não seria problema, mas penso se Katie não me odiaria por isso.

Aquilo era uma merda, Hershel estava morrendo os caras nos ameaçando e eu não podia sair dali, começa uma discussão e depois de convencemos aquele bando de sem noção de que o mundo tinha acabado chegamos a um acordo, comida por ajuda para limpar um bloco, no fundo preferia simplesmente matá-los, mas respeitaria a decisão de Rick, depois de tudo ele sabia como agir, eu estava com meus pensamentos voltados para Katie e com certeza não tomaria decisões acertadas.

Tinha muita comida, ao contrário do que eles queriam nos fazer acreditar, T-dog e Rick vão ao encontro de Hershel levando comida e eu fico de olho nos caras não confiaria em mais ninguém para fazer isso.

Limpar celas com aqueles idiotas parece uma piada, eles achavam que matariam zumbis com socos no estômago, bando de inúteis, um deles é morto pelo líder depois de ser mordido e decido que aquele cara nunca chegaria perto de Katie, era um assassino e eu acabaria com ele na primeira chance.

Rick acaba fazendo isso, depois de o cara atirar um zumbi em cima dele, fico grato, prendemos os dois restantes num bloco já que o outro fugira e acabara num pátio cheio de zumbis.

Enfim podíamos voltar, assim que chego encontro Katie com o rosto coberto por lágrimas todos estavam em volta de Hershel, mas ela estava na grade à minha espera, eu a abraço forte, agora teríamos algum tempo para nos organizar e só nos restava torcer para que Hershel não virasse um zumbi, principalmente diante de Katie e das filhas, ficamos ali olhando e depois de uns minutos ele abre os olhos.

Estávamos todos com a respiração suspensa e quando ele aperta a mão de Rick respiramos aliviados Katie me abraça forte, seco suas lágrimas e acaricio seus cabelos.

−Pare de me deixar! Ela diz angustiada – Dói muito! Eu beijo minha pequena, aliviado por ter voltado para ela e com medo do dia em que não pudesse mais voltar.

−Eu sempre volto não é? Pergunto caminhando com ela para o pátio, agora que Hershel estava bem podíamos apenas caminhar um pouco.

−O que aconteceu lá? Ela me pergunta quando nos abraçamos diante de um pátio repleto de corpos.

−Fizemos o que era preciso, sobraram dois presidiários, eles estão do outro lado, vai ficar tudo bem agora.

Ela afirma com a cabeça e olha em volta, depois suspira aliviada e me pega pela mão caminhando comigo até uma cerca, olhamos a estrada adiante, vazia e silenciosa, alguns zumbis caminhando a esmo do lado de fora do presidio.

−Quando penso que já estive lá daquele lado sozinha... – Ela me olha com os olhos marejados – Eu nunca mais vou conseguir voltar para ela sem você, então preciso que se lembre que prometemos nunca desistir.

−E não vamos! Toco mais uma vez seus cabelos, beijo seus lábios e me afasto – Vou te ensinar a atirar, e precisa ser capaz de matar um deles de perto.

Ela sorri contente por eu confiar nela para isso, mas depois do que vi nos corredores escuros da prisão ela precisava estar pronta, eu não podia ser arrogante a ponto de achar que sempre estaria por perto.

−Eu aprendo, mas com uma condição? Ela pede.

−Qual? Roubo um beijo antes que ela continue.

−Nunca quero ouvir que estou pronta, que posso me virar sozinha!

Eu ficava sempre surpreso quando ela demonstrava que eu era importante para ela, eu sabia que era apenas carência e talvez carinho, por que eu a tinha salvado uma vez, que tudo aquilo seria diferente se o mundo não estivesse acabando, mas gostava de imaginar que ela sentia algo por mim de verdade, então fingia acreditar por que era mais fácil.

−Sou muito perfeccionista, acho que você nunca vai ficar pronta! Eu beijo seu cabelo e caminhamos para dentro, aquilo estava um caos e precisávamos trabalhar.

Nos três dias que seguem trabalhamos arduamente para colocar a prisão em ordem, recolhíamos corpos, queimávamos, colocamos os carros para dentro, limpamos as celas. Hershel se recuperava e Lori passava muito tempo deitada, agora que o bebê estava prestes a nascer.

Sobrava pouca gente para o trabalho, considerando que Glenn e Maggie haviam descoberto a torre, a ajuda diminuíra consideravelmente.

Eu e Katie tínhamos quase nenhuma privacidade e quando nos deitávamos depois do jantar ela estava sempre esgotada, eu apenas a abraçava e deixava que dormisse, logo tudo aquilo acabaria e poderíamos pensar em nós.

−Daryl, quando tudo estiver pronto aqui vamos sair e olhar a região, ver o que encontramos.

Rick me diz no meio da manhã quando fazíamos uma vistoria pelas grades, eu concordo, e então notamos Carol mais uma vez fazendo uma autopsia num zumbi, estava começando a achar aquilo estranho considerando que Hershel estava melhorando e poderia ao menos acompanhar o parto de Lori.

−Acho que você devia falar com ela! Aponto Carol e Rick concorda.

−Estamos todos meio malucos! Ele diz e eu dou de ombros – Vou ver o que faço, acho que estamos bem aqui, quando penso que estávamos seguindo exatamente para o lado oposto! Ele diz e imediatamente procuro Katie com o olhar, ela conversava com Maggie e Beth, as três pareciam felizes.

−Ela é...

Me calo, não costumo falar de mim, não sei me abrir e Rick não era diferente. Voltamos ao trabalho.

Por mais estranho que pareça só volto a ver Katie quando anoitecia, eu saio do banho e encontro quase todos do lado de fora olhando a noite, ela não estava e entro no nosso bloco de celas, procurando por ela.

Encontro minha pequena sentada na escada, perto de onde dormíamos, tinha uma de minhas flechas nas mãos e brincava com ela distraída, ela tinha os cabelos soltos escorrendo pelas costas e parecia distante, me aproximo silencioso.

−Ai está você! Me sento a seu lado e ela sorri como sempre fazia quando eu me aproximava – O que faz aqui sozinha?

−Maggie e Glenn... você sabe! Ela cora como uma menininha – Fiquei de olho no Hershel para a Beth se distrair um pouco, ela está lá fora com o Carl, eles se adoram.

−Principalmente agora que Carl descobriu que você é uma velha! Brinco e ela ri.

−Ele é um bom menino! Katie me entrega a flecha e eu a coloco junto com a besta – Sinto falta de ficarmos no galpão fazendo competição de quem faz mais flechas!

−Saudades de ser derrotada todas as vezes? Eu a provoco ela faz careta.

−Você sabe que roubava! Ela acusa – Sempre pegava as melhores madeiras para você! Eu faço cara de ofendido.

−Quer dizer que minha pequena não sabe perder! Continuo provocando.

−Perder eu sei, o que parece que não sei é ganhar! Ela constata e eu toco seu braço, mas logo me afasto.

−Você não gosta de me tocar! Ela diz de repente me surpreendendo, olho para ela sem entender o que ela estava querendo dizer – Toca em mim sempre com as costas das mãos, sempre rápido, como se...

−Está errada! Me apresso em dizer – Sua pele é tão delicada, sensível, eu... eu sou só um grosseirão de mãos calejadas! Conto querendo deixar claro que não queria machuca-la, perdê-la – Não acho que gostaria do meu toque.

Katie me olha longamente, como se não acreditasse no que estava ouvindo, como se eu tivesse dito o maior de todos os absurdos, então ela puxa minha mão e a abre, com a palma para cima, passa seus dedos lentamente por ela, tento me afastar ela impede, fico tenso.

— Cresci num colégio interno — Ela conta — Por que meu pai queria muito um filho homem e depois que eu nasci mamãe não pôde mais ter filhos, ela tinha medo que ele me criasse como o menininho que ele queria – Ela não me olhava, mantinha os olhos fixos na palma da minha mão sempre fazendo carinho com a ponta dos dedos delicados – Todo verão eu vinha para casa e saia com meu pai para caçar, íamos eu, meu pai e o vizinho maluco que tinha uma besta! Ela olha para mim e sorrimos.

Eu não sabia o que estava acontecendo e meu coração estava acelerado, ela volta a acariciar minha mão.

−Quando voltava para escola não tinha nada para contar as garotas, então quando fiz dezesseis anos, fui para casa decidida a mudar aquilo, sai com uma vizinha e o garoto mais bonito da cidade me convidou para um encontro, ele era o filho de um cara rico, o sonho de todas as garotas, mas eu era uma boa menina e decidi pedir para o meu pai.

Ela arrisca um olhar para mim e eu noto que estava tímida, mas seus olhos brilhavam, ela desvia mais uma vez a atenção para minha mão, contornando cada dedo, parando nos calos que a besta começava a criar.

−Meu pai me disse que o garoto, não me lembro mais do nome dele, era um filhinho de papai, que nunca tinha lutado por nada, que jamais saberia o valor do trabalho então ele me disse que no dia que eu quisesse entregar meu coração e minha lealdade nas mãos de um homem que eu prestasse muita atenção, por que só valeria a pena se fossem mãos calejadas de quem luta, de quem nunca desiste!

Ela pega minha mão e conduz até seu rosto, fecha os olhos quando sente meu toque, eu estava imóvel, apenas aceitando que ela conduzisse meus dedos, ela volta a abrir os olhos e me encara profundamente, me perco naquele olhar.

−Você é minha escolha Daryl, e não a falta de uma... eu amo você!

Ela solta minha mão que continua imóvel no mesmo lugar, procuro desesperadamente pelo grosseirão que diria alguma coisa estupida e a afastaria para sempre, mas só encontro o garotinho solitário que passara a vida toda esperando para ouvir aquelas palavras.

Não encontro nada para dizer, apenas afirmo com a cabeça, meus olhos grudados nos dela, acaricio seu rosto por minha própria vontade como a muito queria fazer, ela suspira, meus dedos tocam seus lábios, perfeitos para um beijo, desço a mão por seu braço, sentindo a pele macia e delicada, minha mão encontra com a dela, pequena, toco seus dedos, e a puxo para junto de mim então beijo minha pequena, a garota que me amava. Jamais senti nada sequer parecido num beijo, ela estava em meus baços e eu a puxo para mais perto, penso no nosso colchão e quando me preparo para leva-la para ele, todos entram juntos, falando ao mesmo tempo rindo de alguma coisa, nos afastamos rápido.

A porcaria do mundo acabando e nem assim tinha um minuto com Katie, penso na torre de vigia e começo a entender Glenn e Maggie. Nos olhamos mais uma vez ela sorri e a puxo para meus braços.

−Só nos resta dormir! Sussurro e ela cora eu a beijo e vamos para cama ela se deita mais tímida que nunca – Como foi o encontro? Pergunto sem resistir.

−Não teve encontro, eu desisti... eu... Daryl nunca teve nenhum encontro! Ela me diz e demoro um pouco a entender o que aquelas palavras significavam, me assusto, mas ao mesmo tempo me sinto feliz, eu era sua escolha.

−Posso esperar, pequena, esperar até termos um encontro! Eu a tranquilizo.

Eu esperaria por toda minha vida, ela me amava e embora eu não conseguisse dizer amava Katie, mais do que sequer sonhava poder amar alguém, amava desde o dia que coloquei meus olhos nela, numa tarde de inverno numa cabana abandonada.

Notas finais
Espero que tenham gostado, comentem