Fim Dos Tempos

50 Capítulo 50 - Megan


Notas iniciais
Oi pessoas,
mais um capítulo, já disse o quanto estou adorando que comentem e me ajudem a continuar?
Adoro!

Pov — Daryl

Como pude ser tão cego e não enxergar o quanto minha menininha estava sofrendo, eu sabia como era não se sentir querido, sabia como era ter um pai ausente, na verdade ele era muito mais do que isso, eu até seria muito grato se esse fosse seu único defeito, mas esse tinha sido na verdade o menor deles.

De todo modo conhecia aquela sensação de abandono e devia ter ficado mais atento, mas simplesmente me entreguei a meu pequeno porque ele precisava de mim, mas Megan também precisava, também estava sozinha e com medo, não tinha sido sequestrada, mas tinha ficado aqui, com medo de perder a mãe o irmão e depois eu, quando saí atrás deles, passou por isso quase sozinha não fosse o mini xerife, eu começaria a prestar mais atenção nos sinais, se não fosse o olhar atento de minha pequena acabaria afastando minha ratinha e nunca saberia porque, como posso ser assim tão imbecil na maior parte das vezes, eu não merecia a sorte que tinha.

Mas o fato era que eu tinha sorte, ganhei uma família e vou cuidar deles, não me importo mais de parecer idiota, não ligo de ser o irmão bonzinho, os motivos que haviam me feito duro, frio e distante não existiam mais, eu tinha uma família, eles sentiam minha falta e de algum jeito lutavam por mim, eu faria o mesmo.

Pego minha ratinha para uma volta no pátio, um tempo só nosso e penso que a alguns meses estar sozinho com uma menininha seria assustador para mim, mas agora não era mais.

Nos sentamos num banco, assistindo a noite estrelada e gelada dominar o céu, ela se encosta em mim e passo o braço sobre seu ombro, aquecendo minha filha, sim eu tinha filhos e cada vez que me exigiam atenção e carinho tinha mais certeza disso.

Penso nas palavras de Katie de sentir culpa por não termos nos entregado de uma vez e entendo seu arrependimento, eles passaram mesmo dias difíceis, com medo e sozinhos, mas agora que eram nossos precisávamos dar o nosso melhor.

–Mais calma ratinha? Pergunto e ela me sorri.

–Sim! Ela esfrega os olhos – Papai, sabia que eu gosto muito que me chama assim?

–Gosta? Eu sorrio – Que bom, por que acho que não sei chamar você de outro jeito! Beijo sua testa.

–Tive que explicar para o Carl por que me chama assim! Ela diz desviando o olhar, ainda ficava tímida de falar sobre ele comigo.

–Uma linda ratinha, ainda bem que escolheu eu e a mamãe!

–Não devia ter ficado com ciúme do Nick não é? Ela conta – Nem ter deixado você triste.

–Não estou triste, e tudo bem ter ciúme do Nick de vez em quando.

–Você tem ciúme também, de mim e da mamãe! Ela me acusa rindo.

Aperto seu nariz rindo também.

–Tenho nada! Ficamos rindo e brincando e logo Nick estava no meu colo, eu o pego meio com medo de deixa-la de novo com ciúme, precisava achar um meio termo naquela situação, depois minha pequena se aproxima com seus olhos preocupados e logo depois vem Carl, entramos para jantar e depois subimos, Megan e Carl se despedem no refeitório, ela estava carente e nos acompanha para o quarto.

Nick se deita do lado da irmã e fico feliz por ter minha pequena de novo em meus braços, Megan abraça seu ursinho, mas fica nos olhando agora com um lindo sorriso, eu sabia que tinha ciúme, só nunca pensei que seria tanto, ela era um pouco como eu, talvez as coisas por que passamos nos tornava assim parecidos.

–Eu amo o Nick! Ela conta quando ele já dormia – Quando ele chegava do trabalho e começa a gritar eu sabia o que ia acontecer e escondia ele dentro do guarda-roupa.

Não sei se quero ouvir suas confissões se estou pronto para me lembrar da minha história, apenas fico olhando para ela.

–Ele procurava o Nick, queria machucar ele também, mas não encontrava, depois esquecia, eu cuidava dele, não quero que gostem mais de mim do que dele!

–Não precisa se sentir culpada filha! Katie avisa compreendendo que minha pequena ratinha se ressentia por ter ciúme do irmão mais novo – Amamos os dois igual e sinto muito orgulho do modo como cuida dele.

–Posso ir aí no meio um pouquinho? Ela pede e logo abrimos espaço, adeus dormir com minha pequena nos braços, felizmente tivemos a tarde perfeita, eu penso, agora minha ratinha precisava de nós e tínhamos de estar prontos, ela se deita entre nós sorridente.

–Está quentinha? Katie a cobre ela se encolhe muito satisfeita.

–Estou! Sorri, mas depois o sorriso some, por alguma razão queria falar e eu tremo com medo de ouvir – Ele era ruim, todos os dias coisas ruins aconteciam, todos os dias tínhamos de sair muito cedo para a escola, antes de ele acordar, ficávamos sentados na porta esperando a escola abrir, e quando chegávamos de tarde eu ficava de olho para esconder o Nick com medo de ele machucar meu irmão – ela olhava para o teto, eu ouvia calado, me lembrando de mim, Katie o tempo todo acariciava seu rosto, seus cabelos.

–Eu tinha de ir para escola de mangas compridas mesmo no calor, para ninguém ver que ele me machucava, depois essas coisas começaram a aparecer e ficamos todos em casa o tempo quase todo, então as vezes ele machucava o Nick também, todo mundo começou a ir embora e ele não quis ir, o governador chegou e um dia ele foi mordido e virou, não vimos só ficamos sabendo e minha mãe disse que tudo bem, ele merecia.

–Sinto muito que essas coisas aconteceram! Katie diz carinhosa.

–Acha certo nós não ficarmos tristes por que ele virou zumbi?

–Acho que ele devia ter cuidado de vocês se não ficou triste a culpa é dele não sua! Minha pequena a tranquiliza.

–Quando minha mãe veio atacar vocês ela colocou umas coisas numa mochila para nós dois e nos levou para onde as crianças ficariam, por que ela não sabia se demoraria, só escova de dente e uma muda de roupa, depois vocês chegaram e o Tyresse disse que tinha morrido todo mundo, que o governador era mal, mas já sabíamos disso, ele era muito estranho eu tinha medo dele, começamos a chorar, eu queria cuidar do Nick mas não sabia como fazer, vi todo mundo arrumando coisas para vir e não sabia o que fazer, pensei que íamos ficar sozinhos, a Sasha mandou arrumarmos nossas coisas para vir também.

Minha pequena chorava e a verdade que mesmo eu tinha um pequeno nó na garganta.

–Vi vocês ajudando as pessoas, quase pedi ajuda, mas fiquei com vergonha e um pouco de medo, depois tive medo de ir sozinha até nossa casa era um pouco longe e viemos com o que tinha na mochila.

Ela estava desabafando e eu sabia que era bom, que era uma maneira de virar aquela página de uma vez e recomeçar, mas isso não diminuía o impacto de suas palavras.

–Vocês mataram zumbis na estrada, eu nem acreditei, quando desceram da moto tive pena achei que eles iam comer vocês, mas pegaram eles, chegamos aqui e o papai estava sempre cuidando de você mamãe, e você dele, o Nick disse que devíamos pedir para cuidarem da gente, eu não quis, mas chorávamos de medo sozinhos, e sempre ficávamos perto do papai, para se um zumbi aparecesse, e tinha aquele barulho que eles fazem, agora eu quase nem percebo! Ela conta achando estranho que tivesse se acostumado – Quando viemos aqui era para ficarmos bem quietinhos e sair antes de acordarem quando ficasse de manhã, mas acordaram por que a mamãe tem medo de rato, e depois disso cuidaram da gente, todos os dias e eu sempre tinha medo de mandarem a gente embora – Ela movimentava as mãos quando falava aquilo a deixava sempre ainda mais encantadora –Quando o Nick foi mordido eu quase morri de medo, pensei que ia ter que cuidar dele sozinha, mas vocês trouxeram ele para cá, fiquei feliz e deixaram eu ficar também, depois papai se machucou e você deixou a gente chamar ele de papai e você de mamãe e ficou tudo muito bom, e tenho sempre medo de ter de ir embora.

–Nunca vai embora! Falo firme porque minha pequena não conseguia dizer nada – Nunca vai embora, não importa o que faça, ouviu, é nossa, sempre vai ficar aqui, sempre!

Ela me abraça estranhamente não chorava, depois abraça Katie.

–Acho melhor voltar para meu lugar! Ela diz meio decepcionada.

–Acho melhor a senhorita ficar exatamente onde está! Katie diz ainda chorando – Quero dormir bem pertinho de você hoje e acho que o papai também.

Era um lindo sorriso, cheio de emoção, ela abraça o ursinho fecha os olhos mais tranquila, e ficamos olhando enquanto ela pegava no sono.

–Parece um anjinho dormindo, tão linda e delicada! Minha pequena diz baixinho, para não acordá-los, depois me olha preocupada – Está bem? Ela pergunta sabendo o quanto algo assim era difícil para mim.

–Posso superar, já conhecia a história, elas são todas iguais, de todo modo fico grato que estão aqui agora! Eu beijo minha pequena – E que temos você para fazer as coisas darem certo, eu te amo!

–Eu amo cada vez mais você, está sempre me mostrando o quanto é bom e não sou eu que faz dar certo, é você, tem ideia do quanto é bom com eles, tanto que ficam brigando por você e se quer saber tenho de me segurar para não entrar na disputa! Ela faz bico eu sorrio e a beijo de novo.

–Como pode ser assim tão linda, sabe que me deixa maluco e cada vez mais tenho certeza que Deus fez as pazes comigo!

–Ele anda meio confuso mesmo! Ela brinca e mordo seu lábio de leve daquele jeito que deixava minha pequena ardendo.

–Que maldade! Ela reclama – Sorte sua que tenho a tarde de hoje para me consolar! Ela brinca me beijando – Vamos dormir amor, no fim acho que tudo isso foi bom, ela desabafou e agora as coisas vão ser melhores para ela.

–É o que espero, amo esses ratinhos! Eu digo me ajeitando com nossa menininha no meio agarrada a Katie, tinha sempre alguém agarrado a ela, hora eu, hora um dos ratinhos, as vezes até a Beth ou a Maggie, ela era realmente um ponto de equilíbrio naquele lugar.

Pela manhã Nick nos acorda muito sério, de braços cruzados no peito olhando Megan entre nós.

–Viram onde a Megan está? Ele diz –Ela deve ter vindo no meio da noite! Ele reclama — Fiquei sozinho!

–Pare de ser dramático, dormiu dois dias aqui, deixe sua irmã e depois não ficou sozinho estava bem do meu lado, cuidei de você a noite toda! Katie diz séria – Amamos os dois e chega de dormir no meio agora sou eu que vou dormir perto do papai! Ela ria deles se encarando.

–Mamãe você é a maior mandona! Nick diz se deitando do lado dela e empurrando a irmã mais para perto de mim – Vou ficar aqui só um pouquinho.

–Do que foi que me chamou? Katie fazia cocegas nele ele se contorcia rindo – Em seu ratinho!

–Ele te chamou de mandona! Eu aviso – Ele tem alguma razão, tem de admitir! Ajudo Nick, ela mandava em todos nós e a verdade é que adorávamos aquilo, Merle me chamaria de frouxo, ou algo pior, mas ele nunca soube o que era ter alguém assim que te ama de verdade e que te faz tremer, se tivesse aceitaria suas ordens sem discutir, assim como eu quase o tempo todo.

Depois do café sigo com meus ratinhos para o pátio, assim como fiz uma vez com minha pequena eles também devia estar prontos, chega de medo e fragilidade, não posso estar por perto o tempo todo, nem minha pequena então era bom que eles pudessem se virar.

Eu carregava uma pistola com silenciador, mais uma, tínhamos duas uma ficava com Carl e a outra ficaria com minha ratinha, eles não eram fortes o suficiente para vencer um zumbi em uma luta corporal, e um silenciador evitaria chamar mais deles.

–Ratinha se lembra de tudo que ensinei sobre a pistola? Pergunto.

–Sim, me lembro! Ela assente sorrindo – vai mesmo me deixar ficar com ela?

–Vou! Eu aviso entrego a pistola para ela, Katie estava sentada nos assistindo com Nick no colo – Está sem munição precisa carregá-la, lembra de tudo que expliquei?

Entrego a caixa com munição, ela retira o pente carrega e depois me mostra o trabalho orgulhosa.

–Ótimo! Eu digo, então entrego para ela o coldre que tinha conseguido entre nossas armas, era de prender na coxa e não na cintura como a maioria e eu acho mais seguro, não quero minha menininha por aí correndo risco de machucar, prendo em sua perna e encaixo a arma, ela treina um pouco tirar e colocar a arma no coldre, Carl sorria orgulhoso, as pessoas assistiam de longe, nosso grupo parecia satisfeito já os moradores de Woodbury nem tanto, pro inferno com a opinião deles.

–Ratinho! Chamo meu bebê, ele corre orgulhoso crente que também andaria armado.

–Agora sou eu papai?

–Ainda não pequeno, quando estiver maior, preste atenção! Eu me abaixo para poder alcançar seus olhos – Preciso que seja muito bonzinho, não pode mexer na arma da sua irmã nunca! Ele faz que sim com a cabeça – Se mexer conto para mamãe! Era tudo que podia fazer, ele não tinha nenhum medo de mim, sabia que eu seria incapaz sequer de falar alto com ele.

–Não vou mexer papai, prometo!

–Certo! Faço um movimento com a cabeça – Agora preste atenção, se um dia ficarem em perigo e estiverem sozinhos vão tentar fugir se Megan tiver de atirar você tem de estar sempre atrás dela porque ela pode acertar você entende?

–Entendi, e fugimos para nossa cela e trancamos tudo, depois você e a mamãe chegam e salvam a gente! Ele tinha tanta certeza disso que eu só podia rezar para não decepcioná-lo.

–Isso, quando estiver perto de sua irmã quero que fico do outro lado, longe da arma, essas são suas novas regras, pode decorá-las? Ele concorda com um movimento de cabeça.

–Vamos tomar cuidado! Megan avisa e os três se aproximam, Carl para do lado dela e segura sua mão depois olha para mim muito sério.

–Fez o certo! Ele me diz – Eu vou ajudar os dois, ficar de olho sempre!

–Eu sei que vai, confio em você.

Katie caminha até onde estávamos, fico admirando aquele andar de felino, sensual e que me deixava maluco por ela.

–Está tudo certo, sabem que não podem brincar com a arma?

–Sabemos! Eles dizem muito sérios – Podemos brincar agora? Nick pede e ela afirma os três se afastam.

–Com medo? Eu pergunto.

–Nada além do normal, pense que pais dão a filha de doze anos uma pistola nove milímetros?

–Pais que vivem num mundo onde os mortos caminham e comem carne humana! Aviso abraçando Katie.

–Amanhã quando sairmos precisamos encontrar roupas de inverno para eles, não estão prontos para a neve, principalmente se tivermos de deixar a prisão e quero que prepare a caminhonete, com roupas, armas, comida, tudo para o caso de uma fuga, e quero que coloque a moto também, se tivermos de fugir os quatro, se um dia ficarmos sozinhos, vamos precisar dela para você buscar suprimentos enquanto cuido deles.

–Eu sei que está muito assustada e com medo e eu também estou, prometo fazer tudo que está me pedindo, mas tem que concordar com o Nick é muito mandona! Eu ria dela que faz careta para mim, depois beijo seu pescoço e ela acaba rindo.

–Malvado! Caminhamos para nossos afazeres, tínhamos a guarda para fazer e tomamos nosso lugar, Maggie e Glenn entregam suas armas e o binóculo.

–Maggie vamos ficar de guarda até depois do almoço, pode pedir a Beth que olhe se as crianças comem? Minha pequena pede.

–Posso, depois vou dar uma olhada nos mapas, vamos ver se achamos um bom lugar para irmos.

–Ótimo, preciso de roupas para as crianças, pensem nisso, mas se preferirem as fazendas tudo bem, temos tempo ainda antes do frio realmente chegar.

–Certo vamos ver isso! Glenn avisa saindo com Maggie.

Fico de guarda com minha pequena olhando para o horizonte, nada de zumbis pela região, nada além do normal, menos de uma dúzia a nossa volta, amanhã a essa hora estaríamos nas ruas, eu precisava ser forte e voltar para meus pequenos.

O resto do dia segue tranquilo, depois de cumprirmos nossa guarda sigo para comer alguma coisa com Katie e enquanto as crianças assistem as aulas de Beth passamos algum tempo juntos na nossa torre, no fim da tarde nos reunimos de novo e jantamos em família, Maggie apresenta seu plano, nos mostra no mapa o caminho que seguiríamos, concordo e Katie não diz nada porque detestava mapas e nunca seria capaz de aprender a ler um, depois subimos e Megan fica para uma volta com Carl, Nick reclama mas se deita do lado da mãe e dorme antes de a irmã voltar, ela chega com Carl e como de costume se despede com um beijo no rosto na porta da cela, depois segue até onde ficavam nossas armas, tira a sua com cuidado e a coloca junto com as nossas.

Não sei o que pensar sobre isso, quero meus filhos vivos se para isso minha pequena ratinha tinha de dar um paço maior então era assim que seria.

Quando eu e minha pequena nos encontramos ela mal podia se defender e hoje eu confiaria minha vida e a dos meus filhos a ela sem qualquer receio, um dia Megan seria assim, uma mulher adulta, forte e completamente capaz de se proteger.

Notas finais
Aguardo os comentários.
Obrigada!!!