Fim Dos Tempos

49 Capítulo 49 - Ciúme do papai


Notas iniciais
Mais um capítulo, espero que gostem.

Pov – Katie

Fico levemente melancólica ao me dar conta de que as coisas estavam mudando, mal aprendemos a entender aquelas coisas e elas começavam a assumir um novo comportamento.

Almoçamos juntos, as pessoas de Woodbury alheias as situações a nossa volta, acostumadas a serem governadas, a ficarem a margem dos problemas, meus pequenos a minha volta, noto Megan triste e cabisbaixa, ela fingia estar bem mas eu sabia que não estava e assim que tivesse um tempo a sós com ela descobriria o que estava se passando, ajudo Maggie e Beth com a arrumação do refeitório, duas senhoras nos ajudando, eu não sabia seus nomes e me sinto um pouco culpada sobre isso, costumava reclamar deles, mas não fazia qualquer esforço para me envolver com eles.

Depois Beth reúne as crianças, Nick me olha tentando desistir, busca o apoio do pai, que se mostra impotente, quase dizendo a culpa é da mamãe, acabo sorrindo eu sabia o quanto ele tinha medo de magoar os pequenos.

–Vamos Nick! Carl o chama – Eu tenho uma arma lembra? Ele avisa e Nick se sente seguro pega a mão de Carl e o acompanha.

–Esse mini xerife não se cansa não é, não chega minha ratinha, agora meu ratinho também? Daryl me diz indignado e sou obrigada a rir dele.

–Vamos meu amor, nosso compromisso nos espera! Pego sua mão – A menos que queira medir forças com o Carl! Brinco e ele diz não muito rápido.

Passamos pelo pátio dou uma boa olhada pelas grades, para ter certeza que meus pequenos ficariam bem, então abrimos a porta e subimos de mãos dadas, o dia estava claro, mas um vento frio soprava forte, era possível ver a floresta de pinheiro balançando sem parar.

Não é como se estivéssemos no melhor e mais confortável lugar do mundo, mas não me importava, queria estar com Daryl, estar em seus braços, sentir suas mãos percorrerem meu corpo depois de tudo por que passamos merecíamos um tempo só nosso.

Ele me envolve em seus braços, aspira meu perfume como gostava de fazer.

–Sempre vai ter esse cheiro de flores, foi a primeira coisa que senti quando peguei você no colo, naquela cabana.

–Nunca vou me esquecer de como me senti quando acordei na caminhonete.

–Assustada! Ele brinca.

–Completamente perdida nesses olhos azuis, nem conseguia desviar o olhar, não acreditei que tinha feito aquilo!

–Meia hora depois estava no meu colo com medo dos zumbis! Ele me deita no nosso colchão – Adorei sentir seu corpo junto ao meu, fiquei confuso é verdade, mas adorei assim mesmo! Ele me beija o pescoço, me sinto inebriada.

–Tive medo de perder você, eu nem o tinha e já tinha medo de perdê-lo!

–Amo você! Ele sussurra no meu ouvido, me sinto queimando, ajudo Daryl a tirar a blusa, numa mistura de desejo e saudade.

Nos beijávamos ávidos um pelo outro, era sempre perfeito e sempre como se não nos víssemos a uma eternidade, sempre era urgente e natural.

Sabíamos exatamente o que fazer, como agradar o outro, nos conhecíamos por completo, sinto Daryl dentro de mim, uma tortura doce e envolvente começa, nos entregamos a nossa paixão, tão intensa quanto nosso amor, quero sua pele misturada a minha quero me perder e me entrego, saboreando aquele momento em que nada nem ninguém existia, somos mais uma vez transportados para o paraíso, um paraíso que só nós dois conhecíamos, minha respiração acelerada em compasso com a dele, nada se comparava a sensação de estar ali com ele me abandono, completa e feliz.

A torre era nosso canto, nosso espaço, ali éramos apenas homem e mulher, sem filhos, sem guerra, sem zumbis e apocalipse, ali éramos apenas instintivos, apaixonados e arrebatados, relaxo em seus braços muito tempo depois, quando finalmente nos sentimos saciados.

–Nunca quis tanto estar aqui como hoje! Ele me diz – Sempre quero você, mas dessa vez é diferente, pensei por um momento lá naquela floresta, eu realmente achei que tinha te perdido, precisava ter certeza.

–Amo você! Eu conto e me aproximo para beija-lo – Não vamos mais pensar naquilo, foi doloroso para todos.

–Acabou, você está certa, vamos esquecer, estamos aqui, na nossa torre, acho que nunca vai ter lugar melhor! Ele me diz e acabo rindo.

–Nunca fizemos amor numa cama de casal, então não podemos ter certeza se aqui é o melhor lugar! Eu brinco e ele me olha rindo.

–Quer que faça uma como a do Glenn e da Maggie?

–De que adianta, ela vai ficar cheia de ratinhos do mesmo jeito! Eu o lembro e ele me beija – E não queremos nenhum ratinho caindo da cama no meio da noite.

–Obrigado! Me diz me puxando para ficar sobre ele e arrumando as cobertas sobre nós.

–Pelo que? Pergunto me deitando em seu peito e sentindo aquele cheiro de Daryl Dixon que sempre me inebriava.

–Por tudo que me deu, por nunca desistir de mim, mesmo sabendo que sou meio idiota e que acabo sempre tentando estragar tudo com meus atropelos.

–No começo foi mais difícil, você não acreditava no meu amor e eu ficava mesmo brava, mas agora que entende que o amo e que não vou a lugar nenhum sem você parou de se atropelar.

–Agora não vai mesmo, porque eu não deixo! Ele diz e ergo a cabeça para lhe dar um beijo apaixonado e longo, depois me deito de novo no seu peito, não quero sair dali nunca mais, mesmo sabendo que era preciso.

–Senti muita falta de você, mesmo estando do seu lado! Eu conto – Mas nosso ratinho estava tão assustado!

–E por falar neles, melhor descermos antes que a Beth termine aquela aula! Ele diz, sempre preocupado com nossos pequenos.

–Viramos um casal de meia idade! Eu brinco e ele ri – As crianças em primeiro lugar!

–E mesmo assim parece perfeito para mim! Ele conta – mesmo tendo de fugir para termos uns minutinhos a sós, ainda assim não trocaria isso por nada.

–Nem eu! Suspiro e olha para meu anel brilhando no meu dedo, adoro que ele sempre me lembre que pertenço a ele.

–O que foi? Ele me pergunta.

–Nada! Respondo e beijo seu queixo – Apenas estava pensando que adoro esse anel, ele sempre me lembra que pertenço a você, e que me pediu, com todas as letras para ser sua para sempre, mesmo que tenha sido todo aquele drama que na verdade é meio a nossa cara né.

Ele ri largamente, tinha sido realmente dramático, tudo entre nós era meio dramático, grande e intenso.

–Somos o casal drama! Ele brinca e me puxa para um beijo – O que queria, eu sou um Dixon não podia ser de outro jeito.

–O meu Dixon! Beijo ele com carinho – Mas agora senhor Dixon temos de voltar para o nosso mundo.

–Está bem senhora Dixon a senhora é que manda! Com muito pesar eu me sento no colchão caçando minhas roupas e entregando as dele, Daryl se senta e beija minha nuca me provocando um arrepio.

–Cuidado! Eu brinco – Lembre-se que temos de descer e aqui fico muito mais suscetível que lá em baixo.

–Isso é verdade! Ele diz e me beija mais uma vez a nuca, depois rindo de mim se afasta e começa a se vestir, descemos e encontramos o grupo começando a se reunir, a aula de Beth acaba mais ou menos ao mesmo tempo e Nick é trazido por ela para nós.

–Viram como sou corajoso! Ele abre um largo sorriso de vitória e se senta no colo do pai depois de me beijar.

Megan caminha para nós de mãos dadas com Carl, ela nos olha e sorri, não acredito na verdade daquele sorriso, mas não digo nada, esperaria para depois da reunião.

Porque mesmo estávamos nos reunindo? Eu me pergunto, Daryl tinha apagado todos os problemas da minha cabeça, eu agora estava leve, flutuando, nada era realmente tão assustador como hoje de manhã, não depois do tempo que passei em seus braços.

Olho para os pequenos, não os queria por perto por que tinha medo de assustá-los.

–Podem nos esperar lá na nossa cela? Peço a eles, Daryl me olha tenso, eu sabia que a ideia de Megan e Carl na cela seria um problema para ele – Carl pode levar a Judith para a Beth poder participar da reunião? Era uma boa maneira de resolver a situação, eles ficariam envolvidos em cuidar do bebê e Daryl não teria uma parada cardiorrespiratória.

Ele afirma e os quatro se afastam, Beth se senta e Hershel se aproxima vejo que o grupo parecia completo e pronto para mais um debate democrático.

–Temos de deixar um plano de ação meio pronto! Rick avisa surpreendendo quase todos.

–Algo errado? Jimmy pergunta.

–Acho que os zumbis, estão mudando o comportamento, o modo de ação, nunca vemos errantes, estão quase sempre em grandes números.

Rick conta e todos com movimentos de cabeças e monossílabos concordam.

–Parecem mais objetivos agora, como se tivessem descoberto que caçar em bando é mais produtivo! Eu me arrisco a comentar.

–Seria um passo na evolução! Hershel comenta – Mas acho isso muito prematuro, espécies demoram centenas às vezes milhares de anos para dar um passo grande como esse na evolução.

–De qualquer modo, mesmo não sabendo o que isso significa precisamos estar prontos, se uma horda grande nos encontrar, ou quem sabe mais do que uma, elas parece que estão se unindo em números cada vez mais assustadores! Daryl comenta – Precisamos estar prontos.

–Uma fuga? Glenn questiona.

–Sim, uma fuga! Rick anuncia.

–Parece importante deixar isso claro! Maggie lembra – para onde, como?

–O ônibus, vamos encher o tanque e deixá-lo preparado, Jimmy e Tyresse ficam responsáveis para dirigí-lo, depois de colocar todos que puderem dentro.

–As crianças primeiro! Sasha pede.

–Todos devem ser comunicados, vamos lutar o máximo que podemos, mas se não for o bastante temos que estar prontos.

–Rick, caso tenhamos que fugir seria bom marcarmos um lugar, uma cidade ou os arredores de uma, se lembra como foi quando saímos da fazenda, sem saber quem estava vivo ou não! Daryl comenta e fico arrepiada, seria assustador nos perdermos e talvez nunca mais nos encontrarmos.

Eles pegam os mapas da região, marcam duas cidades a alguns quilômetros uma ao norte outra ao sul, nunca sabíamos para que lado da estrada seria possível fugir e como estariam as coisas lá fora caso isso acontecesse.

–Tem outro ponto que quero discutir! Daryl avisa – Eu e Katie saímos hoje, não é produtivo essas saídas, além de ser perigoso, se uma horda vier quem estiver lá fora não pode fazer muito, além disso a pé é uma grande estupidez.

–Eu concordo! Glenn fala – Quando saio fico com essa sensação, são duas às vezes três pessoas correndo riscos desnecessários lá fora quando se algo acontecer seria muito melhor ter essas pessoas aqui onde podem ser mais úteis.

–Vamos reduzir as saídas para apenas buscar suprimentos, esse tem de ser nosso objetivo, nada de rondas e aventuras, nem caçar é seguro agora! Daryl continua.

–Eu posso continuar saindo de vez em quando com o cavalo, é seguro e se algo der errado posso chegar até os locais marcados como ponto de encontro.

Michonne gostava de cavalgar, fazia isso bem e sabia se virar sozinha, ninguém discorda dela e a reunião se encerra.

Subimos direto para nossa cela, os quatro estavam na grande cama, Carl, Megan e Nick jogavam mais uma vez, agora um jogo de tabuleiro enquanto Judith batia os bracinho e perninhas alegre deitada ao lado do irmão.

–Chegamos! Aviso sorrindo eles terminam a partida e Carl se levanta.

–Tenho de fazer a guarda agora, nos vemos no jantar! Ele diz ficando de pé e Megan também se levanta segue com ele até a porta dá um beijo no seu rosto e volta para perto de nós, a bravinha tinha ficado, Daryl estava deitado a seu lado fazendo-a rir, esquecido de ser o cara mal, crianças faziam isso com ele.

Nick se deita com ele e também brincava com ela, Megan se senta mais distante apenas observando e entendo seu problema, ciúme de Daryl com Nick, nosso ratinho tinha nos exigido muito e tínhamos deixado justamente ela de lado, nossa ratinha tão parecida com Daryl, sempre se achando inadequada e dispensável, se Nick se sentisse assim simplesmente nos diria, choraria e exigiria atenção e cuidado, ela não, ficaria exatamente como estava, triste e distante.

Beth entra na cela atrás do seu bebê eu penso rindo.

–Já quer nos roubar a bravinha! Brinco ela ri para mim.

–Preciso dar banho nela já esquentei a água! Ela diz doce como de costume – O Rick está preparando tudo tenho de levá-la.

–Posso ir mamãe! Nick pede – Me traz aqui depois Beth? Ele se anima e eu também preciso de um tempo com Megan e o papai.

–Claro, vai ver como ela fica toda feliz na água! Beth conta pegando Judith e Nick logo estava de pé animado com a possibilidade – Quer vir Megan? Beth convida.

–Não Beth! Eu respondo – Vou ficar com ela aqui um pouco! Pisco para Beth e ela sorri e deixa a cela com os dois.

Daryl se senta percebendo que tinha algo errado, Megan me olha assustada, achando que eu provavelmente daria uma bronca nela, acho que estava ficando uma mãe muito brava, penso analisando a ideia e sem querer deixando os dois em suspense.

–Fiz algo errado? Ela pergunta com lágrimas nos olhos, Daryl se senta a seu lado solidário, me dizendo sem palavras que o que quer que fosse eu não devia brigar com a pobrezinha.

–Não ratinha não fez nada errado, mas está triste e quero que me conte por que! Eu me aproximo e ela continua chorando.

–O que foi ratinha? Daryl pergunta – Foi o Carl, ele disse alguma coisa, posso arrancar a língua dele agora mesmo! Ele diz muito preocupado.

Ela nega com a cabeça, mas seu choro aumenta ainda mais, a envolvo num abraço tentando acalmá-la eu sabia que ela estava guardando essas lágrimas a algum tempo.

–Acho que... – ela soluça entre as palavras com dificuldade de dize-las – Acho que não vou mais namorar o Carl! Então desata de novo a chorar.

–Eu sabia, vou matar aquele pequeno....

–Calma amor! Eu peço sabendo que o pobre Carl não tinha nada a ver com aquelas lágrimas – Por que querida, por que quer terminar com ele?

–O Carl não fez nada, ele é muito legal e gosto muito dele! Ela diz apressada antes que Daryl atirasse o garoto do outro lado da cerca como os dois tanto temiam.

–Não entendi! Ele diz quase desanimado – Então por que não quer mais namorar com ele?

–Eu acho que... que agora vocês só gostam do Nick! Ela soluça, busca ar tentando se controlar, não nos encarava – Ele dorme no meio, fica o tempo todo no colo do papai, tem segredo, fazem tudo que ele quer.

–Acha que não amamos mais você? Eu pergunto com o coração partido e nem podia imaginar como Daryl estava, sabia o quanto ele tinha medo de magoa-los.

Daryl estava sentado do lado de Megan os olhos fixos no chão e o rosto abatido, se sentindo culpado e assim como Megan a pior pessoa do mundo.

–Eu já sou grande, não sei fazer aquelas gracinhas do Nick, eu acho que... acho que... desculpe eu não quero ir embora, eu gosto do Carl, mas não quero ficar longe de vocês, se não ligam mais para mim eu fico muito triste – Ela solta um suspiro lutando com as lágrimas que quanto mais secava mais corriam – Acho que você ainda gosta um pouco de mim, tomou banho comigo e me deixou dormir do seu lado, mas o papai não e é por que namoro com o Carl, ele nem tem mais ciúme!

–Foi exatamente o que fiz! Daryl diz sem olhar para nenhuma de nós – Não sei ser pai, ainda estou aprendendo, tentando, mas está certa, deixei você de lado! Ele passa as mãos pelos cabelos angustiado.

Me sinto abatida, era a segunda vez que seu amor de pai era posto à prova e eu sabia que isso o devastava, porque ele tinha medo de não ser bom o bastante, medo de ser como o próprio pai e de fazê-los sofrer.

–Não sou bom nisso, em dizer e mostrar, faço tudo errado, o seu irmão passou maus bocados lá fora com a mamãe, estava tão assustado, não queria me soltar e eu só quis cuidar dele, não sabia que se importava, que sentia minha falta! Ele conta ainda não olhava para ela e agora era Megan que começava a se sentir culpada.

Aqueles dois sempre seriam assim, logo Carl saberia como é amar alguém que não se sente merecedor, eu suspiro, não havia nada que pudesse fazer, eles é que tinham de se entender, eu só tinha de continuar amando os dois e cuidando para que no fim se entendessem.

–Eu podia ter cuidado dos dois, você podia ter dormido no meio e... posso ficar com você no colo para sempre.... mas eu preciso que me mostre, me ajude a descobrir como fazer...

–Papai... – Megan continua chorando, não era só o casal drama era a família drama – Desculpe, não quero que fique triste! Ela o abraça se encosta em seu peito e ele acaricia seu cabelo, fico emocionada, seco uma lágrima.

–É minha ratinha! Ele beija seus cabelos – Olhe para mim – Ela se afasta obedecendo – Sinto muito, achei que estava feliz andando por ai com o mini xerife, pensei que preferia ficar com ele, que quando quisesse viria ficar conosco.

–Estava com medo de atrapalhar, só ficavam com o Nick.

–E preste atenção, não é ciúme, é preocupação, mas se sente falta posso voltar a ficar de olho o tempo todo! Ele diz e ela sorri e o abraça de novo – Acho mesmo que ele anda passando cola naquela mão dele só para você ficar grudada nela!

Megan fica corada de vergonha e me olha sorrindo, eu a abraço mais uma vez apertado.

–Quer dizer que acha que eu gosto só um pouquinho da minha ratinha? Brinco apertando seu nariz delicado – Amo muito você minha ratinha linda, sempre vou amar e amo seu irmão, sabe que sim, e sabe que o Nick pode ser bem possessivo, então quando se sentir assim é só dizer.

–Tenho vergonha! Ela conta – Pareço meio idiota! Ela conta e eu nunca entenderia como aquilo era possível, não era o acaso, aquilo tinha a mão do destino, Megan era filha de Daryl, se parecia com ele nos mínimos detalhes, como se tivessem o mesmo DNA.

–Vocês três sempre me fazem parecer idiota e eu não ligo mais! Daryl conta a ela – Faça como eu! Ele brinca e então se levanta puxando Megan para fazer o mesmo – Vamos ratinha, vamos lá fora aproveitar que o Carl está de guarda e ficar um pouco juntos, só eu e você!

–A mamãe pode vir também, eu não me importo! Ela me sorri.

–Vou esperar seu irmão e já encontro vocês!

–Vamos andar só nós dois, fazer inveja para o Carl! Ela fica mais uma vez corada – Sabe que se quiser terminar com ele não tem problema não é? Ele diz sem resistir.

–Daryl! Eu ralho ele me olha inocente.

–Só para ela saber que tudo bem, não custa avisar!

Os dois somem pelo corredor e fico sorrindo sozinha, com cara de idiota que pelo visto era coisa de família.

–Que cara é essa? Beth diz quando entra na cela trazendo Nick.

–Cara de idiota, coisa de família! Eu brinco e ela balança a cabeça sem entender.

–Cadê meu pai mamãe? Nick pergunta.

–Está lá em baixo, já vamos encontrá-lo! Eu aviso – E a bravinha?

–Dormindo feito uma linda! Ele diz e se senta com as mãos nos bolsos.

–Acho que eu vou fazer o mesmo, assim que servir o jantar! Beth diz – Esse frio desanima.

–Nem me diga, e as crianças acho que não vão ter roupas adequadas para esse inverno! Conto preocupada – Na próxima saída comida não vai ser nossa única prioridade.

–Queria me oferecer para ir junto, mas acho que só vou atrapalhar! Beth comunica abatida, as lembranças de sua saída voltando para as duas, o rosto de Emma surgindo diante de nós.

–Não vamos pensar nisso! Seguro sua mão e deixamos a cela, Nick corria na frente totalmente despreocupado – Seria bom se nos recuperássemos assim tão depressa.

–Quem dera! Ela diz abatida.

Chego ao pátio e encontro Megan sentada do lado de Daryl os dois conversavam baixinho, rindo, ele a abraçava, Nick corre na minha frente e se senta no colo de Daryl, o pai bagunça seu cabelo fazendo o pequeno rir.

Meu coração dói de pensar nas coisas que ainda teríamos de enfrentar, no medo que eu tinha de um dia as coisas se tornarem ainda mais assustadoras, olho para as grades e penso que se um dia elas não fossem mais seguras que se tivesse que pegar a estrada com meus pequenos eu queria que estivessem prontos, preparados e confiantes.

–OI! Eu forço um sorriso e me sento, Daryl me olha, tinha um sorriso largo no rosto, eu sabia que ao mesmo tempo que tinha medo de não ser bom o bastante ficava orgulhoso de se sentir amado por eles, que sentissem ciúme e brigassem para ficar com ele – Então família, o que vamos fazer agora?

–Jantar! Nick responde – Depois jogar aquele jogo novo que o Carl arrumou, a Megan é boa nele e não preciso ficar deixando ela ganhar toda hora! Era um grande linguarudo eu penso quando ela o fuzila com o olhar.

–Vamos é dormir depois do jantar, tenho planos para amanhã! Daryl avisa – Vamos passar o dia juntos, treinar um pouquinho e depois minha ratinha vai ficar com a pistola se é claro a mamãe concordar! Daryl me olha, ele sabia que eu estava preocupada com meus pequenos e isso seria bom, faço que sim com a cabeça e o beijo de leve.

Megan olha para Carl que entregava a arma para Sasha, ela ainda tinha os olhos vermelhos quando ele caminha para nós agora sem o chapéu de xerife.

–Estava chorando? Ele questiona assim que se aproxima – O que aconteceu? Carl pergunta a Megan de cara amarrada – Quem fez você chorar?

–Ninguém! Ela responde se levantando e ele imediatamente segura sua mão – Foi uma bobagem e já passou, venha vamos jantar!

Carl a segue não muito convencido, Nick correndo atrás dos dois depois de fazer um sinal para Daryl.

–Não tem vergonha de colocar o menino de espião da irmã?

–Na verdade não! Ele ri e me puxa para seus braços, eu acabo rindo, se ela queria mais atenção ai estava papai ciumento em ação.

Notas finais
Dias mais tranquilos, eles merecem,
Não acham?
Comentem!