Fim Dos Tempos
40 Capítulo 40 - Amigos do Merle
Notas iniciais
Mais um capitulo!
Pov — Daryl
O dia começa com uma reunião depois do café, o inverno começava, logo as coisas ficariam mais complicadas e tínhamos que tomar decisões importantes.
Decidimos que as saídas seriam reduzidas, uma vez por semana, duas se a primeira saída fosse muito ruim, sempre com um carro, precisávamos economizar combustível, eu e Katie continuaríamos caçando, ainda que caçar estivesse cada vez mais difícil, afinal zumbis também caçavam, economizar era a nova ordem, Michonne se compromete a visitar a redondeza a cavalo, isso era bom, estávamos voltando cada vez mais no tempo, um dia alguém descobriria a roda.
As rondas de proteção continuariam, todas as manhãs e no fim da tarde, com três ou quatro, apenas eu e Katie continuávamos sozinhos por que depois seguiríamos para a floresta.
Todos parecem contentes com a nova rotina, a prisão ficaria mais movimentada com tanta gente em casa todo dia, aproveitaríamos para treinar os membros novos e arrumar melhor o lugar, transformar no mais próximo que podíamos de um lar.
Passamos os três dias seguintes em casa, de qualquer modo eu estava de castigo, proibido de sair sem Katie e não tinha a menor intenção de fazer isso.
Minha ratinha continuava triste e Carl nunca mais se aproximara, agora eu só o via sozinho, caminhando pelas cercas como se preferisse os zumbis, detestava assistir aquilo, e detestava mais ainda que eles me fizessem me sentir culpado, mas não podia evitar.
Minha pequena tira os pontos, e as manchas roxas estavam sumindo, a mão continuava enfaixada por ordem de Hershel mas ela jurava que não sentia mais nada, voltamos a ter umas horas só nossas todas as tardes na torre graças as aulas de Beth, acontece que o frio estava começando a nos incomodar, Maggie e Katie queriam que eu e Glenn simplesmente tampássemos o que antes eram janelas de vidro com madeira, o que acabaria com sua real função e deixaria ao menos eu e ele com um imenso constrangimento diante de todos, algo que com certeza não as incomodaria nem um pouco, estávamos em negociação, numa grande desvantagem já que Maggie incitava uma possível greve.
Entro em nossa cela a procura da minha família, já que estivera toda manhã carregando móveis de um lugar para outro, minha pequena fazia uma trança em Megan e Nick lia deitado na cama.
-Oi! Sou recebido com sorrisos.
-Papai quer que leia para você, esse livro é muito legal!
-Depois Nick agora vamos descer para o almoço! Ele fecha o livro e se senta olho para Megan, que brincava com o colar que ganhara de aniversário, reviro os olhos sem ser notado.
-Pronto ratinha está linda.
-Fez igual à que você faz quando vai sair?
-Igualzinha! Ela beija nossa ratinha que em seguida se senta no meu colo, desde que brigara com Carl ela estava grudada em mim, o tempo todo me seguindo, tinha de ficar por perto até ela dormir, ela estava mesmo com medo de que eu a mandasse embora, nada a fazia abandonar a ideia de que um dia se fizesse algo que me deixasse bravo eu a abandonaria e a culpa era minha por que eu era um idiota possessivo e ciumento.
-Que foi papai? ela me pergunta percebendo que eu estava distante.
-Nada filha, pensando nas coisas que tenho de fazer mais tarde!
-Vamos? Katie convida eles seguem na frente eu abraço minha pequena e descemos em seguida — Vai passar amor, sempre passa, eles vão ficar de bem, e ela fica feliz de novo, não é sua culpa, é parte de ser adolescente.
-Tem que concordar diminuir é muito melhor, mais seguro!
-Mas eles não vão diminuir, vão crescer, não tem nada que possamos fazer! Ela ria encostada em meu ombro enquanto caminhávamos.
— E qual a graça?
-Aproveitar o momento, eu acho.
Sentamos com Rick e Hershel, vejo Carl passando e se sentando com Maggie e Glenn, minha ratinha o olha e desvia quando ele olha para ela, nem olho para Katie eu sabia que ela estava com aquele arzinho romântico achando lindo.
Me despeço de Katie ainda no refeitório e vou ajudar Glenn com um concerto do lado de fora, ela fica para ajudar Beth com a arrumação, os pequenos ficam com ela.
Estava a uma hora assistindo o ar entediado de Carl que passeava pelas cercas, ele era um menino solitário e triste, e tinha me salvo a vida uma vez, sempre fomos amigos, mas eu o estava deixando na mão e isso estava errado, paro o que estou fazendo e sigo até ele, sabia que me arrependeria depois, mas sigo meu impulso.
Ele fica calado quando paro do seu lado, meia dúzia de zumbis caminhando em nossa direção nos lembrando que o mundo tinha acabado e que tudo aquilo era uma grande tolice.
-Se pedir desculpas ela volta a falar com você! Eu digo e ele me olha espantado.
-Já pedi, na hora que disse me arrependi e me desculpei, ela não me ouviu e depois disso nem me olha mais, eu nem tinha dito nada errado.
-Seu pai já devia ter te ensinado isso, essa coisa de certo e errado não funciona com garotas, elas estão sempre certas, e quando estão erradas fazem parecer que estão certas e acabam nos convencendo disso.
-Isso é difícil! Ele diz sem me olhar, ainda triste — Meu pai não entende muito de garotas, e acho que é meio cego também, nem percebeu que a Beth gosta dele.
Eu fico calado, não queria falar sobre aquilo, eu também não tinha percebido nada, Katie é que tinha me contado.
-Bom só vim dizer que devia se desculpar de novo, aposto que agora ela ouviria! Ele me olha desconfiado — E ela olha para você sim, mas só quando tem certeza de que você não está olhando.
Começo a me afastar, fiz o que tinha de fazer o resto era com eles, e Rick já devia ter dado uns concelhos para o pobre garoto.
-Posso falar com ela? Ele me pergunta meio alto quando eu me afastava.
-Um pedido de desculpas não quer dizer mãos dadas, isso é outra história! Se a queria ia ter de lutar por ela, penso me afastando.
Minha pequena estava no outro pátio e me sorria eu paro diante dela e ela me beija longamente, nem sabia por que estava sendo premiado mas aproveito o momento.
-Amo você! Ela diz — Obrigada!
-O que eu fiz?
-Falou com ele, queria tanto que fizesse isso, você é perfeito! fico tonto, se soubesse tinha falado antes, eu a puxo pela mão e entramos.
Descemos para o jantar e vejo Beth se sentar com Rick e a bravinha, me lembro das palavras de Carl, preciso me lembrar de contar para minha pequena.
-Megan! Carl a chama parado do meu lado logo depois do jantar, ela fica corada e confusa — Posso falar com você um minuto? Ele pede muito educado, ela olha para ele depois para mim — Seu pai deixou eu me desculpar! Ele avisa eu faço que sim quando ela busca meu olhar, e então ela se levanta, seguindo com ele um pouco mais distante de todos, mas sem sair das nossas vistas e eu gosto disso.
Olho para Rick ele também estava prestando atenção no que estava acontecendo, dois idiotas cuidando da vida de dois pré-adolescentes complicados.
Carl fala baixo, não se olham os dois admirando os próprios pés, fico solidário, era impossível não ficar, minha pequena se recosta no meu ombro passa o braço pelo meu, Nick não dava a mínima, distraído com um carrinho na mão.
Acho que ela o desculpa por que depois de umas palavras ela sorri e ele também, pronto agora eu não precisava mais me sentir culpado e eles quem sabe esquecessem aquela coisa de mãos dadas e namoro.
Eles não se tocam, depois de sorrirem se separam ela volta a se sentar comigo, os olhos brilhando mais alegres e aquilo para mim já estava bom, Carl se senta com o pai que dá um tapa no chapéu de xerife enquanto ele sorria de cabeça baixa.
Ela fica tímida, não nos olha muito, depois subimos para nossa cela, ela segue mais atrás, de novo aquela história de um último olhar, mas ela ainda exige minha presença ainda quer que fique perto até ela dormir, Nick dorme de imediato, os cabelos mágicos da mamãe, Megan abraça o ursinho e penso em como aquilo era complicado, ela não se decidia se era criança ou adulta e isso só me confundia por que eu não sabia lidar com sentimentos, nem os meus e nem os alheios.
-Obrigada papai! Ela diz antes de fechar os olhos — Não está bravo está?
-Não, boa noite ratinha! Ela adormece e posso então me afastar e me deitar com Katie, nos abraçamos.
-Odeio o que aquele monstro fez com ela, mais do que meu próprio pai, não consigo fazer ela ver que não vai a lugar nenhum! Desabafo angustiado — Ela não tem medo que você a deixe, o que eu estou fazendo de errado?
-Nada! Ela me diz — Não está em você, está nela, nas coisas que passou, ela já teve uma mãe, não era grande coisa já que não a protegia, mas pelo menos não a maltratava, mas é a primeira vez que tem um pai e não sabe como fazer, está com medo, mas um dia isso passa.
-E se não passar? Eu pergunto — Luto com isso desde que te conheci, antes eu não ligava, aceitava o que tinha, seguia em frente, não abria espaço para isso, depois quis você e quis ser bom o bastante, e ainda me confunde, me assusta.
-Não vou deixar você, mesmo que fique brava! Ela usa a frase que usei com Megan.
-Nem se ficar muito brava? Pergunto, no fundo ainda achava que ela podia mudar de ideia, ainda achava que eles podiam achar alguém.
-Nunca me deixa muito brava, mas se me deixar eu ainda assim vou ficar, por que é onde quero estar, sempre foi.
-Como me aguenta? Eu sabia o quanto era complicado, e o quanto eu me enrolava querendo fazer o certo.
-Não somos muito diferentes, também sou ciumenta e assim como você tenho medo de te perder, de achar outra e me deixar, e eu grudo um pouco também! Ela ri.
-Gosto disso, mas acho que o resto do grupo deve nos achar meio irritantes! Eu penso, Michonne já tinha externado isso.
-O que podemos fazer se tudo entre nós é grande, até filhos, podíamos ter um, mas preferimos gêmeos! Eu rio, por que era mais ou menos isso, ganhamos dois de uma vez quando nem sabíamos lidar com um.
-Vou levar o Carl para caçar conosco amanhã! Aviso — Ele andou bem triste e acho que vai ser bom, assim nossa ratinha vê que não tenho nada contra ele.
-Só contra as mãos, e se um dia ele te pedir para namorar com ela?
-Você é má! Acuso sério — Sem dar ideia por favor, mãos dadas até os dezoito, depois quem sabe.
Acabamos adormecendo e na manhã seguinte tudo volta ao normal, Carl se senta conosco para o café, depois saímos para caçar e ele nos acompanha, meus ratinhos ficam de bico no portão, como sempre.
Caçar de verdade levava tempo, às vezes um dia todo atrás de uma boa presa, mas agora não tínhamos tanto tempo, nem era possível entrar tanto assim na floresta, por isso uma boa caça era quase sempre um milagre, esquilos e coelhos eram mais fáceis, cervos uma raridade.
Depois de uma manhã péssima começamos a voltar, encontro marcas de um cervo, não devia estar longe, seguimos silenciosos, Katie com as facas e uma pistola, eu e Carl com as duas bestas, vejo o animal bebendo água no rio, ele ergue a cabeça tentando ouvir a floresta, sabendo que estávamos próximos, armo e disparo sem tempo para apreciação, sem jogo, acerto e vamos buscá-lo, depois caminho com Katie e Carl, eu levo o bicho e Katie a besta, era bom tê-la comigo, não confiaria minha arma a mais ninguém, Carl pega um coelho no caminho para casa.
Quase não falamos, evito conversa por que não o quero me fazendo pedidos oficiais, em casa Rick abre o portão para nos receber, Tyresse e Sasha tinham saído com Bob era a primeira vez que um grupo de busca era inteiramente formado por membros de Woodbury.
Carl já caminhava para longe quando eu o chamo.
–Aonde pensa que vai? Ele me olha sem entender – Aprendeu a caçar agora aprenda a limpar sua caça e preparar, que adianta caçar se depois não sabe o que fazer com isso?
–Achei que isso era coisa de meninas! Ele reclama – Mas eu aprendo, se é importante, eu aprendo!
–Ótimo! Eu entrego a caça a Glenn, os dois seguem para os fundos, onde isso era feito, Hershel trabalhava na sua pequena horta, uma plantação que ele cuidava melhor do que das próprias filhas, meu pequenos correm para nos receber e depois de abraços e beijos, seguimos para dentro.
No almoço noto a falta de Tyresse e Sasha, Rick me avisa que ainda não tinham voltado, começamos a nos preocupar, principalmente em se tratando dos três, mas eu sabia que Bob era um cara experiente, um tanto estranho, mas tinha sido militar, esqueço a preocupação e sigo com meus pequenos para fora, Nick exigindo minha presença para aulas, Megan fica comigo e Katie ajuda Beth mais uma vez.
Pov – Katie
Daryl nem imaginava o quanto estava feliz por ele ter aproximado Megan e Carl, eu sabia que para ele, vê-la feliz era o mais importante, mas já estava preparada para o dia em que Carl fosse pedir para namorar Megan, isso seria um drama, ele deixaria porque fazia tudo que os pequenos queriam, mas seria depois de uma grande cena.
Beth se senta comigo no refeitório depois que tudo parecia organizado, eu a olho preocupada, ela ainda parecia muito triste, tinham sido momentos dramáticos, mas já devíamos estar acostumadas com isso.
–Como estão as coisas? Eu pergunto e ela olha em volta prestando atenção se estávamos sozinhas.
–Bem, meu pai fez um sermão de horas, me deixando claro que meu lugar é aqui dentro, depois o Rick fez um parecido, me disse que sou importante demais, mas acho que ele só quer a babá da Judith e a garota que alimenta o grupo! Ela diz muito triste.
–Beth eu não acho seu papel menos importante que o meu ou o da Maggie, o que faz é sério e cuidar da bravinha também é fantástico, e devia ficar feliz por Rick reconhecer isso, não acho que ele vê você assim, acho mesmo que está sendo injusta com ele! Eu digo séria.
–Eu sei! Ela conta – Mas não consigo evitar, de fato temos nos aproximado um pouco, mas sinto que ele não está pronto ainda, e quando estiver acho que vai preferir alguém mais experiente, não sirvo para ele.
–Talvez não esteja mesmo apaixonada? Questiono.
–Eu acho que no momento não posso decidir isso, depois de tudo que aconteceu, sei lá, quero deixar as coisas correrem!
–Faz bem! Aperto sua mão – E ensinar as crianças também é fantástico!
–Isso me faz feliz! Ela sorri – Eles estão gostando também, o Nick é tão esperto sabia, o problema é que fala pelos cotovelos!
–Quando isso virou uma reunião de pais e mestres! Brinco para acalma-la, ela ri.
–Talvez tenha achado minha função, ajudar a reconstruir as coisas!
–Um bom começo!
Jimmy entra no refeitório e se senta conosco, trazia uma xicara de café, depois Daryl entra e também se senta comigo enquanto Nick e Megan jogavam cartas com Carl numa outra mesa, ensinavam algumas crianças.
-Gosto daqui! Jimmy conta – Vim de uma cidade pequena, eu e meu irmão, ele era só dois anos mais velho que eu, mas parecia mais! Jimmy olha para Beth – Estava encantado com você! Ela fica corada.
–Nem imaginava! Ela diz tímida.
–Meus pais morreram na primeira semana – Jimmy começa a nos contar –Meu irmão veio de carro da universidade, meu pai tinha sido mordido numa saída, minha mãe o prendeu no quarto, amarrado, quando a febre o dominou ela o matou depois se matou, foi no dia que meu irmão chegou, pegamos o carro e fugimos, meses na estrada, pulando de um lugar para outro, até chegarmos em Woodbury, no começo achamos tudo muito perfeito, logo vimos que era perfeito demais!
–Não vieram nos atacar! Daryl comenta – Por que?
–Já tínhamos tentado deixar a cidade, mas nos demos conta que ali depois que se entrava era impossível sair e continuar vivo!
–Não entendo o que aquele homem pretendia! Beth comenta.
–Decidimos que fugiríamos quando eles partissem, mas então só ficaram os mais fracos, meu irmão achou melhor ficar e cuidar de tudo até eles voltarem, ficamos e depois tudo aconteceu e viemos para cá, logo vi a diferença, lá tudo se parecia como antes, mas nem de longe esquecíamos de como o mundo era, já aqui, mesmo tudo sendo tão rústico, quando estamos aqui dentro me sinto bem, quase dá para sonhar!
Jimmy tinha razão, apesar da situação precária em que vivíamos, a sensação de ter uma família e amigos nos dava esperança.
–Mas meu irmão estava cansado, acho que desistiu, ele não tinha mais foco, objetivo, quando fomos atrás daqueles monstros na floresta, caçar quem tinha pego a pobre menina eu sabia que ele não queria mais essa vida, ele desistiu – Seu olhar fica triste, cansado – Eu não acho que ele se jogou daquele barranco, mas tenho certeza que estava desatento e isso era unicamente por que estava procurando um jeito de por um fim a tudo.
–Sinto muito Jimmy! Eu digo com pena do rapaz, ele era jovem e estava sozinho, sozinho como quase todos ali.
–Vocês nunca vão ficar realmente cansados, nenhum de vocês, por que lutam por mais do que a própria vida, lutam uns pelos outros e eu quero viver assim, por isso estou contando essas coisas para vocês, a morte de Emma me deu uma nova visão das coisas, não quero ser um membro de Woodbury, quero ficar e fazer parte disso, não quero me cansar e desistir um dia.
–É bem vindo Jimmy! Daryl diz a ele – Para fazer parte da família, já mostrou sua lealdade mais de uma vez!
–Fico feliz! Ele responde e depois olha para Beth – Você foi muito corajosa lá fora, mas o que faz aqui dentro é muito importante! Ela sorri e desvia o olhar, eu agradeço a ele mentalmente, minha amiga precisava disso.
–Eles estão demorando, talvez seja preciso formar um grupo e sair para saber o que deu errado! Daryl comenta e me preocupo, não quero deixa-lo sair e não me sinto pronta, com aquela mão imobilizada eu seria um peso.
–Vamos reunir os outros! Peço e saímos para fora, Rick, Maggie e Glenn estavam lá.
Estávamos reunidos e antes de tomarmos uma decisão vemos o nosso carro com o grupo que tinha saído voltando, um outro carro os seguia, me preocupo assim como todos e imediatamente apontamos nossas armas.
Procuro meus pequenos e me lembro que estavam dentro da prisão com Carl, isso me tranquiliza.
Rick fica em dúvida se devia ou não abrir o portão, mas Tyresse faz um sinal e ele acaba abrindo, os dois carros entram, meia dúzia de armas apontavam para o carro, um mustang preto, completamente inadequado para a vida que vivíamos agora.
Os vidros escuros não nos deixava enxergar o que estava acontecendo dentro do carro e ninguém se move, Tyresse desce com Sasha e Bob, cambaleante, eu não acreditava que o homem saiu em busca de comida e achou um bar, fico furiosa, assim como quase todos, mesmo entendendo que ele devia ser doente, mesmo sabendo o quanto era difícil abandonar um vício como esse, afinal meus filhos estavam ali.
–Tivemos problemas com uma horda felizmente não era muito grande e o casal do outro carro nos ajudou, e o Bob também sumiu, eles estavam trazendo ele até nós quando encontramos a horda.
A porta do mustang se abre, um homem é o primeiro a descer, usava roupas pretas, tinha os cabelos grisalhos presos num rabo de cavalo, era musculoso, e me lembrava um daqueles membros de grupos de motoqueiros, era todo tatuado, e carregava muitas armas.
Então a outra porta se abre e vejo uma mulher descer, nem acreditava no que estava vendo, ela também usava preto, tinha os cabelos pintados de um vermelho intenso, a blusa era tão decotada que os seios fartos pareciam querer saltar para fora, tudo nela era grande, excessivo e desnecessário, não a aprovo, usava botas muito longas de saltos muito altos e finos – Quem diabos anda assim no meio de um bando de zumbis? Me pergunto.
–Dixon! Ela diz caminhando lentamente, num andar vulgar, detesto o modo como ela caminha para Daryl, nem me dou conta do fato de ela o conhecer ser ainda mais estranho – Daryl Dixon, eu sabia! Ela ri – Se alguém poderia sobreviver a uma coisa como essa esse alguém era um Dixon!
Ninguém baixa a arma, nem mesmo Daryl quando os dois caminham para ele parecendo não notar o clima ostensivo, os dois param próximos a ele.
–Bruce, Lola! Ele cumprimenta friamente, sinto uma tensão no ar, não gosto disso.
–O que é isso pequeno Dixon? O homem pergunta com gestos largos e espalhafatosos, me lembrando Merle – É assim que se recebe velhos amigos?
–Vamos querido, nos apresente seus amigos! A mulher diz com a mão espalmada no peito de Daryl, vejo aquelas longas unhas pintadas de vermelho e sinto uma raiva profunda, ele continua os olhando, não baixa a arma – E Merle, onde está aquele grande safado! Ela ri mais uma vez.
–Morto! Daryl responde e não sinto nenhum pesar em nenhum dos dois, não verdadeiramente, embora eles tentem expressar alguma tristeza – Preciso que entreguem as armas! Ele pede – Depois é claro que serão apresentados e bem recebidos! Eu percebo que ele mudava de atitude, uma mudança sutil.
–Num mundo como esse não se pede algo assim! O homem comenta – Sabe que não entregaria antes, imagine agora!
–Melhor fazer o que ele pede! Rick diz se aproximando, o homem entrega a faca da cintura a pistola e a arma pesada, que obviamente eu não sabia o nome, seu ar era enfadonho, fingia uma tranquilidade que não sentia.
–Não tenho armas querido, o Bruce me protege, sabe como meu irmãozinho é! A mulher anuncia, mais uma vez tocando Daryl, ela nem sabia o quanto aquilo me irritava e em como estava difícil manter minhas facas no cinto.
Quando estão desarmados Daryl baixa a arma e força um sorriso, percebo que Tyresse e Sasha pareciam confusos, nem acreditava que eles tinham trazido dois estranhos para nosso grupo sem nem ao menos questionar nada.
–Pessoal, esses são Bruce e Lola, amigos do Merle! Ele frisa, e isso já era suficiente para qualquer um ali saber que não eram boa coisa.
–Quem diria! Bruce comenta – Fugiu tanto disso e não é que acabou numa prisão! Ele ria, Daryl meneia a cabeça, não diz nada – Estão muito bem! Ele olha em volta, ninguém estava tranquilo – Escolheram as mulheres a dedo, lindas, todas elas! Ele diz dando um passo em minha direção retiro minha faca do cinto, e o encaro – E bravas, calma boneca! Eu não acreditava naquilo, era um homem estupido e grosseiro e estava evidente que tínhamos um problema, Daryl se aproxima.
–As coisas mudaram muito Bruce! Ele diz firme – Não sou mais o irmãozinho do Merle, cuidado, se vão ficar é bom saber que nenhuma delas está disponível!
–Claro, foi só uma brincadeira, continua sem muito humor! Ele diz, a mulher abraça Bruce e acho que de irmãos eles não tinham nada.
–Eles nos ajudaram e como estavam sozinhos e sem ter para onde ir nós os trouxemos! Sasha avisa.
–Devem estar cansados! Daryl diz – Sasha e Jimmy podem acompanha-los até o bloco D, onde recebemos os visitantes! Ele diz e eu sabia que nosso bloco de celas era onde as crianças e as armas ficavam e por isso eles não eram bem vindos.
–E você querido não vem? Lola toca seu ombro eu me seguro, mas prometo a mim mesma que era a última vez.
–Lola! Eu chamo irritada – Antes de entrar entregue as armas! Peço impaciente, nada de diplomacia e boas maneiras, ela me olha surpresa – As que esconde nas botas! Olho com desdém, Maggie do meu lado com a pistola se erguendo, ela faz um ar enjoado e retira uma pistola e um punhal das botas entrega a Maggie e depois me sorri.
–Esperta! Ela se aproxima – Bonitinha também, se cortasse um pouco o cabelo e quem sabe uma maquiagem, ficaria encantadora, se quiser a Lola aqui te ajuda! Qual é? Eu penso, estava na cara que Lola era seu nome profissional.
–Não obrigada!
–Lola está é Katie, minha mulher! Daryl avisa e eu sorrio falsamente quando vejo um lampejo de inveja e irritação nos olhos da mulher, ela olha para mim e depois caminha de volta para ele, pega suas mãos investigando-as.
–Casado! Ela ri e quando não vê uma aliança o olha e pisca – Já entendi, um desses casamentos de fim do mundo, vi muitos por ai! Ela o solta e agora estava claro que ela tinha ganho uma inimiga.
–Quem diria que o pequeno Dixon um dia se transformaria num homem de respeito, isso foi antes de Merle morrer?
–Jimmy! Daryl o chama e o rapaz se apresenta.
–Venham vou acomodar vocês! Sasha o acompanha os quatro caminham para dentro e nos reunimos.
Daryl me beija de leve nos lábios, me acalmando, minha irritação era evidente, e agora que sabia que um novo problema começava eu estava ainda mais irritada, todos olhamos para Tyresse, ele tinha que nos explicar o que estava acontecendo, e depois mais uma vez a tal democracia seria exercida.
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