Fim Dos Tempos
3 Capítulo 3 - Parece natal
Notas iniciais
POV – Katie
Eu precisava ser forte, não queria chorar, eles tinham feito muito por mim, mais do que eu sequer imaginara que alguém faria num mundo como aquele. As palavras de Carol queimavam minha alma.
-O grupo votou e você não é bem-vinda! Ela me disse sem rodeios pela janela da caminhonete – Foi unanime, então seja gentil e vá embora assim que amanhecer, e por favor, poupe-nos de despedidas, isso seria constrangedor. Disse que é ágil, e rápida não é? Ela me olhava com um ódio que eu não entendia – Prove! Ela me dá as costas e eu fico muda segurando as lágrimas.
Passei a noite assim, tentando segurar o choro, não devia ter baixado a guarda, acreditado que teria uma chance, fui realmente uma tola, estava magoada por saber que nenhum deles havia lutado por mim, nem mesmo Daryl! Principalmente Daryl, penso calçando as botas e sufocando a dor, o medo e a angustia, em poucos minutos eu estaria de novo sozinha, sabia que seria ainda mais difícil depois de experimentar a segurança de um grupo.
A quem eu queria enganar, aquelas lágrimas eram por ele, sim, Daryl era o responsável por elas, nunca mais eu estaria naqueles braços, sentiria seu perfume eu não entendia por que me sentia daquela forma, presa a ele, mas a ideia de perdê-lo estava me matando.
Eles me queriam fora e eu iria, não imploraria como no fundo adoraria fazer, mas não partiria no meio da madrugada como uma criminosa em fuga, eles tinham feito muito por mim e eu queria agradecer, depois precisava olhar para ele mais uma vez e me despedir, gravar seu rosto e a imensidão daqueles olhos, assim eles me acompanhariam nas noites frias e quando chegasse a hora eu poderia buscar seu olhar e seguir com ele ao encontro dos meus.
A dor era insuportável e demorei a me acostumar com ela, mas quando meus pés estavam firmes no chão caminhei até o grupo, não queria mais chorar, não queria que se sentissem culpados, mas as lagrimas teimavam em me consumir.
-Café? Lori me ofereceu quando me aproximei, fiz que não com a cabeça, não tiraria mais nada deles.
-Eu... eu... – Respirei fundo me acalmando, não olhei para Daryl, ainda não podia – Eu gostaria de agradecer tudo que fizeram por mim, nem sabia que ainda haviam sobreviventes assim! Disse num só folego – Me salvaram, me deram a chance de me recuperar, sou grata! Eu tentei sorrir, tudo que consegui foi uma careta – Carol me disse que votaram pela minha partida e que eu não devia constrangê-los com despedidas, mas não podia partir sem agradecer, sei que não são apenas um grupo, que são uma família e que é isso que os faz fortes e humanos, também entendo que, por isso, não haja espaço para mim! Olho para Carol ela me fuzilava, os outros ouviam tudo confusos e quietos, mais uma vez evitei os olhos de Daryl – Herschel aqui tem remédios, eu dividi o que tinha, sei que fará bom uso deles! Entreguei a ele um saco com todo tipo de remédios e primeiros socorros, ele pegou sem dizer nada me virei para Carl, aquele rostinho de anjo que se sentia maduro o suficiente para estar na linha de frente – Aqui está Carl − entrego a ele minha pistola com silenciador e duas caixas de munição, ainda me restariam mais duas caixas que eu sabia nunca usaria, pelo menos não mais que uma bala, na hora certa – Vejo que está sempre na linha de frente com seu revólver, que é um bom guerreiro, então acho que uma pistola com silenciador será mais útil, tenho certeza que não hesitaria em proteger sua família!
Assim como Herschel, Carl pega o presente mudo, eu sorrio para ele e só então tomo coragem para encarar Daryl, ele me olhava profundamente e eu percebo sua raiva, a ideia de partir sem me despedir como Carol tinha sugerido, agora parecia fazer mais sentido, engulo em seco sustentando seu olhar com o resto de minha coragem.
−Obrigada! Digo diretamente para ele – Sei que foi você!
Daryl me encara muito irritado, deixa a besta no chão e caminha até mim com seu andar de dono do mundo, me olha nos olhos e só vejo raiva, fico assustada, mas não me afasto.
-Acha que estamos te mandando embora e ainda assim quer dividir tudo que tem? Ele cospe as palavras – Que tipo de idiota você é? Eu tremo – Ninguém deixa armas e remédios para traz, principalmente depois de ser supostamente expulsa!
−Eu... – Queria muito dizer qualquer coisa, mas as palavras não saiam.
−Você não vai a lugar nenhum! Ele diz – E não devia estar com essas botas, vai abrir os ferimentos mais uma vez! Ele tira minha mochila das minhas costas e me empurra para sentar, sua mão era firme, mas não chegava a machucar, obedeço sem entender o que afinal estava acontecendo, olho para todos e por último para Rick que me olhava sério.
−Isso deve ter sido um mal entendido Katie! Ele diz tranquilo, mas com os olhos fixos em Carol que baixa a cabeça − Carol se precipitou, nem pensamos na possibilidade de deixa-la partir, nos deu remédios e dividiu sua comida, além de ter nos salvado de pelo menos algumas perdas com aquela horda a algumas horas, é bem-vinda entre nós, mas precisa saber que sou o líder do grupo, que não tomamos decisões sozinhos, sem analisar antes – Ele olhava mais uma vez para Carol – Se estiver disposta a obedecer as regras fique.
Eu queria muito agradecer e ser forte, mas as lágrimas desciam constantemente uma atrás da outra, faço que sim, sem forças para falar e Beth aperta minha mão carinhosa como sempre, Carl caminha até mim, tentando me devolver a arma.
−Não Carl, ela deve ficar com você! Ele sorri orgulhoso e olha para o pai que consente, eu pego a outra arma e a munição e entrego a Rick – Sei que estavam preocupados por que estão ficando sem munição, tem pelo menos umas duzentas balas aqui, não sei usar será mais útil com vocês.
−Vamos pensar nisso depois! Ele diz pegando a arma – Todos temos que ter armas para nos proteger.
−Tenho as facas! Respondo voltando a me sentar, Daryl andava de um lado para outro, furioso e eu sabia que aquela raiva era dirigida a mim, tive medo que ele nunca mais se aproximasse, meu coração doeu e me encolhi.
−Precisamos decidir algumas coisas, temos passado muito tempo na estrada e o inverno está cada dia mais rigoroso, logo Lori vai ter o bebê e se nunca paramos, Daryl não consegue se afastar muito para caçar, a comida acabou, essa foi nossa última refeição, estou aberto a ideias! Rick diz sério.
Queria muito ajudá-los, queria tanto que Daryl ficasse orgulhoso de mim e me perdoasse, eles estavam dispostos a me aceitar, mas acho que se soubessem que eu não servia para nada logo me mandariam embora, e eu não suportaria mais ficar longe dele, arrisquei um olhar e ele ainda caminhava furioso, fiquei em silêncio como todos.
Uma ideia me passou pela cabeça, me levantei para ter certeza de onde estávamos, eu fazia o caminho contrário ao deles quando me encontraram então já tinha caminhado por toda aquela região.
−O galpão! Disse alto e todos me olharam, Daryl parou de andar de um lado para outro e ficou diante de mim, ainda sério – Vim dessa direção! Eu continuei quando ganhei a atenção de todos – Já passei por aqui!
−Do que está falando Katie? Rick me perguntou.
−Veem aquela estradinha de terra logo mais à frente? Apontei e todos seguiram meu sinal – Ela leva a uma pequena vila, quatro casas, e um galpão no meio de uma clareira, passei por lá, o galpão está cheio de mantimentos, é feito de tijolos e cimento, muito firme, tem duas portas grandes de ferro, que correm, uma de cada lado.
-Se está cheio de mantimentos por que não entrou? Carol se pronuncia, sempre querendo me atingir e eu ainda não sabia por que e naquele momento não estava disposta a descobrir.
−Esse é o problema, tem pelo menos uma dúzia de zumbis lá dentro, acho que se fecharam lá com os mantimentos quando tudo começou e se transformaram, eu vi tudo pelo telhado, o resto parece seguro e vazio, tinham poucas pegadas pelo chão, é um lugar afastado.
-Uma dúzia! Daryl diz olhando para Rick – Quando passou por lá?
Ele me olha e meu coração palpita, eu tremo, ele estava falando comigo isso era fantástico e mesmo se tudo fosse dar errado já estava feliz.
−Não tenho certeza, uma semana, talvez mais.
−Podemos lidar com uma dúzia deles, tem certeza disso?
−Foi o que contei, o lugar é grande podem até mesmo deixar os carros para dentro e sair de lá com eles caso tudo dê errado e uma horda apareça, garanto que se ninguém se arriscou, tem comida e água, vi muita coisa lá dentro.
−Vamos dar uma olhada! Rick diz e todos concordam – Melhor irmos logo aproveitar que temos um dia inteiro para resolvermos isso.
Todos caminham para os carros, fico parada e confusa sem saber se ainda era bem vinda na caminhonete de Daryl, tento dar um paço para pegar minha mala meus pés doem e deixo escapar um gemido, ele bufa e me pega no colo antes que pudesse reagir, sem qualquer delicadeza me coloca na caminhonete e volta para pegar minhas coisas.
Partimos com um Daryl silencioso, me encolho a seu lado e um novo nó se forma na minha garganta, eu o olhava sem disfarçar a angustia.
−Desculpe! Sussurro tímida e corada.
−Se tivesse me dito teria poupado uma noite toda de lágrimas! Ele explode – E o que pensou que estava fazendo, então mandamos você pro inferno e nos presentei com suas armas? Ele diz me encarando por um segundo depois volta a atenção a estrada – Estamos no inferno, altruísmo não salva vidas! Ele grita, eu não estava com medo, pelo contrário, toda aquela preocupação me emocionava.
−Sinto muito! Consigo dizer, ele pega a estrada que eu havia indicado, era uma estrada de terra cercada de árvores e estreita.
−Não acredito que esteve aqui sozinha! Ele diz demonstrando mais uma vez sua preocupação – Você tem de me prometer que nunca mais vai fazer nenhuma tolice.
−Como eu podia saber que Carol estava mentindo? Tento me defender.
−Vamos esclarecer uma coisa! Ele me olha profundamente – Antes de qualquer coisa de hoje em diante vai falar primeiro comigo!
−Prometo! Digo solene e ele se acalma, seguimos mais meia hora no mais completo silêncio, a floresta engolindo a estrada até que ele avista a vila que eu havia dito e para a alguns metros do local, o galpão ainda estava trancado era o que parecia de longe.
−Fique onde está! Ele sibila eu faço que sim e ele desce carregando a besta e um revolver.
Meu coração dispara e imediatamente me arrependo de ter lembrado daquele lugar, e se eles não conseguissem, se alguém fosse atacado, se uma horda passasse, eu torcia os dedos nervosa enquanto Daryl, Rick e Glenn caminhavam em direção ao galpão.
Senti uma vontade imensa de fechar meus olhos, mas os mantive fixos nele, a verdade é que nada mais me importa.
Vejo os três pararem na porta principal, depois de alguns gestos Daryl some pela lateral e meu coração dava pulos de puro pânico, começo a rezar, ele volta e os três se reúnem mais uma vez, Daryl movimenta a cabeça em negação, eles discutiam.
Pensei em caminhar até eles, mas não me atrevia a desobedecer Daryl, depois de alguns minutos eles caminharam até onde eu estava, o resto do grupo se reuni diante da caminhonete desci com receio e me juntei a eles.
−A porta parece trancada! Glenn avisa – Mas as janelas são muito altas, não dá para ver lá dentro.
−Vamos arriscar? Maggie pergunta.
−Pensamos que Katie podia subir até o telhado e ter certeza se tudo continua como ela viu quando esteve aqui.
−Eu vou! Respondo depressa ávida por ajudá-los, Daryl revira os olhos e percebo que esse era o motivo da discussão, ele era contra.
−Ela está ferida, se cair de lá...
−É tranquilo subir! Digo depressa querendo tranquiliza-lo – Meus pés estão melhores, já subi uma vez, retiro umas telhas e olho, por favor! Peço por fim vendo sua expressão contrariada, uso aquele olhar pidão que sempre funcionou com as professoras do colégio interno e com meu pai – Quero muito ajudar!
−Se cair de lá ou fizer qualquer bobagem saiba que está encrencada! Ele resmunga se afastando sorrio e caminho com ele e Rick, o resto fica de prontidão diante da caminhonete.
Encontro o cano por onde havia subido da outra vez, ele continuava firme e eu sabia que aqueles grampos de metal eram seguros, olho para ele e ele segura minha cintura, meu coração dispara, aquilo estava começando a ficar constrangedor.
−Acho que não preciso dizer que deve evitar barulhos! Rick me lembra.
Afirmo que sim e dou impulso, a subida é tranquila, e passar para o telhado requer cuidado, não podia deixar nenhuma telha cair, com cuidado chego em meu objetivo, fico de pé e faço um sinal de que estava bem, caminho até o centro, retiro duas telhas em silencio estava claro lá dentro e eu podia notar os zumbis todos próximos a porta principal, conto com toda atenção, três crianças, seis mulheres e sete homens, a comida continuava lá nas prateleiras do lado esquerdo e havia também galões no chão, cobertores e sangue, vi corpos em decomposição, deve ter sido aterrorizante, não quis pensar em como tudo acontecera, voltei com cuidado, antes de descer fiquei um tempo quieta, observando a mata em volta, tudo parecia calmo então desci.
Descer era ainda mais fácil e cheguei ao solo com um ar vitorioso, me sentindo importante.
−São dezesseis, três são crianças, estão todos aqui na porta principal, já nos notaram, tem comida e cobertores lá dentro e alguns galões, não sei do que, e corpos devo dizer.
−Dezesseis não é grande coisa, podemos fazer! Rick comenta.
−Sabe que vai ser cara a cara, não podemos usar armas! Daryl lembra – Se dispararmos vamos chamar todos os zumbis da região.
−Eu sei, Carl vai ficar com a pistola com silenciador – Ele olha para o filho sério – Só vai usá-la em último caso.
−Prometo! Ele diz solene.
−Beth, Lori e Katie ficam no carro e qualquer coisa saiam daqui! Daryl me olha nos olhos – Está me ouvindo?
−Posso pegar alguns de longe com minhas facas, eu acho! Digo num fio de voz – Sou boa em atira-las...
−Vai ficar no carro, isso já está decidido! Ele então se volta para os outros me ignorando completamente – Eu quebro a corrente, amarramos uma corda e T-dog puxa a porta deixamos eles saírem e vamos ver o que acontece, mais ou menos como no celeiro da fazenda.
−Só que sem tiros! Rick os lembra − Não queremos companhia! Rick encara Carol – Pode ficar no carro com as garotas! Ele diz e ela segue com Lori para o carro, Beth vai junto e eu continuo onde estava torcendo os dedos.
−Que parte do você fica no carro, não entendeu? Daryl me pergunta e eu me viro nos calcanhares seguindo com as outras.
Pensei em não olhar, me encolher até tudo acabar, mas simplesmente não conseguia desviar minha atenção dele. Todos estavam prontos, uma corda foi amarrada no portão para T-dog puxá-la depois de Daryl cortar a corrente, eles se posicionaram a alguns metros da entrada e Rick dá o sinal.
−É melhor que dê certo! Carol me ameaça e Beth aperta minha mão me dando apoio.
Assim que a porta começa a se mover eles surgem, Daryl derruba dois antes mesmo de conseguirem dar um passo, ele armava a besta quando Rick pega mais um com o machado, T-dog se aproxima pegando outro, eles se espalhavam Daryl derruba mais um, dois deles seguem em direção a Maggie e Glenn a socorre, pegando um enquanto ela derruba outro, T-dog tropeça, eu estremeço quando ele cai e um zumbi o puxa pelo pé, ele se debatia e Rick acerta o zumbi, Daryl derruba mais um, as crianças surgem e Maggie pega uma enquanto Glenn pega a outra, a terceira caminha para Rick que por um momento fica imóvel, apenas olhando então quando ela estava a meio metro no máximo, Daryl a derruba com uma faca na têmpora e se afasta para lutar com dois que caminhavam para T-dog, os dois dão conta.
O silencio era assustador, Rick entra com Daryl e depois de algum tempo sai fazendo sinal para entrarmos, Beth me abraça feliz eu noto o olhar furioso de Carol e sem parar para pensar a respeito caminho devagar ao encontro do grupo, Herschel que estava com Carl sorri para mim quando entramos no galpão.
−Caramba! Tem muita comida aqui! Lori diz mexendo na prateleira.
−Água! Beth abre uma caixa – E doces, olhem chocolate! Ela beija um tablete de chocolate e depois o coloca de volta na caixa.
−Os galões são de combustível! Rick comenta – Katie isso é o paraíso! Eu sorrio muito contente por tudo ter dado certo, então meus olhos encontram os de Daryl, ele me olhava e parece ficar sem graça ao ser pego por mim, desvio o olhar e sigo com Beth até mais uma prateleira com roupas e cobertores, ela parecia uma criança.
−Estou aliviada! Digo me sentando com ela no chão sobre algumas cobertas empoeiradas – Tive medo que ele... – Me calo ao me dar conta do que iria dizer.
−Todo mundo já percebeu Katie! Beth me diz sorrindo – Está caidinha por Daryl, ele está diferente desde que chegou, cuidadoso! Ela diz e eu fico vermelha, olho em volta para ver onde ele estava com medo que tivesse nos ouvido, Daryl estava no mezanino que circundava todo galpão, era de madeira e uma escada no canto levava a ele, ficava na altura das janelas e seria bom para fazermos a vigia, duvidava que alguém confiasse em mim para algo assim, mas estava disposta a ajudar.
−Beth ele nunca se interessaria por mim, sou uma tola e só faço preocupá-lo!
−Acho que não o conhece, ele não é o tipo que se preocupa, então sinta-se lisonjeada! Beth ri e eu decido que aquela conversa estava encerrada, não queria criar qualquer esperança.
−Vamos levantar e tratar de fazer algo de útil! Digo seguindo em direção a Daryl, subo a escada e me aproximo, ele me olha sério – Está bravo comigo? Pergunto com medo da resposta.
−Teria subido no telhado se eu tivesse dito não? Ele pergunta, eu o olho confusa – Iria contra eles se eu dissesse para fazê-lo?
−Sei que foi você que me salvou aquela noite, é você que se preocupa e cuida de mim desde que nos encontramos! Decidi ser o mais honesta possível – Me sinto segura e protegida com você e não eu não teria subido no telhado se me dissesse realmente não, e sim eu iria contra qualquer um para ficar a seu lado!
Digo tudo de uma vez e ele apenas me olhava fixamente sem saber o que dizer, mais uma vez sustento seu olhar, ele passa as mãos no cabelo decidindo o que fazer com minhas palavras.
−Sabe que nem sempre vai me vencer com aquele olharzinho inocente, não sabe? Ele diz escondendo o riso, me pergunto por que ele fazia tanto esforço para esconder aquele sorriso.
−Isso é outra história! Digo sorrindo e ele toca meu rosto com as costas da mão, meu coração dispara como um louco, me esqueço de respirar, ele logo se afasta, voltando sua atenção para janela – Acha que posso ajudá-lo na vigia?
−Acho que isso decidimos depois, a porta está aberta e temos que limpar esse lugar.
Fomos ao encontro do grupo, Rick dividia as tarefas.
−Carl fica de guarda lá em cima enquanto Lori e Carol separam comida para o jantar e café da manhã, o resto vamos deixar guardado nos carros, não podemos nos arriscar, se precisarmos sair às pressas é melhor que tudo esteja pronto, Katie, Beth e Maggie fazem isso – Ele então aponta Daryl, Glenn e Herschel – Nós limpamos a sujeira, vamos levar esses corpos para fora e recolher os que estão na porta.
−Quanto tempo vamos ficar? Carl pergunta.
−Enquanto for seguro! Rick responde.
Trabalhamos duro até o fim da tarde, o lugar ficou razoável, o melhor que já tinha encontrado em um ano, estávamos todos suados e esgotados quando terminamos, eu queria um banho e sabia que o rio estava a cinco minutos dali, mas convencer Daryl seria um desafio, podia tentar o olhar inocente de novo, ele não parecia imune.
Daryl limpava as flechas distraído quando me aproximo sorridente, ele me olha com aquele sorriso escondido.
−Não vai funcionar! Ele diz quando paro a seu lado.
−Tem um rio aqui ao lado, tenho certeza que sabe disso, conhece a mata tão bem quanto eu! Ele ergue uma sobrancelha – Queria um banho!
−E eu uma pizza! Ele diz bravo – Como vê não podemos ter tudo que queremos!
−Temos uma hora antes de escurecer, podemos formar dois grupos, aposto que também quer um banho! Eu o olho e depois encaro meus pés, ele segue meu olhar.
−Quando tirar essas malditas botas seus pés vão estar em carne viva de novo, pequena teimosa! Ele diz se afastando e seguindo em direção a Rick.
−O que ele tem contra minhas botas! Penso em voz alta e decepcionada sigo ao encontro de Beth.
Rick reuni o grupo mais uma vez depois de trocar algumas palavras com Daryl, caminho junto com Beth para ouvir as novas instruções.
−Tem um rio aqui ao lado, vamos formar dois grupos, acho que todos precisamos de um banho e não é má ideia saber se estamos seguros.
Olho para Daryl que me olhava fixamente, sorrio e ele corresponde ao sorriso abertamente pela primeira vez, nunca mais me esqueceria desse momento, o mais belo sorriso que eu já vira, os olhos azuis dele me viravam do avesso, tremo, Rick dizia alguma coisa, mas eu realmente não ouvia e Beth me dá uma cotovelada eu retorno a terra.
−Desculpe, o que disse? Pergunto corada.
−Sabe chegar ao rio? Ele pergunta mais uma vez.
−Sim, fica logo à frente, posso levá-los!
−Daryl e T-dog vão com você, Beth e Carol, eu fico de guarda com os outros, não demorem.
Sigo ao lado de Daryl, um pouco a frente, caminhamos pela mata olhando tudo, nunca me senti tão ligada a alguém, estávamos em silêncio, mas um silencio cheio de promessas.
−Uma horda grande passou por aqui depois que estive aqui! Digo olhando para o chão, faz uns...
-Uma semana no mínimo! Ele diz me encarando, concordo e Beth sorri.
−Só consigo ver folhas secas e terra! Ela diz – E parece que estão aqui a um bilhão de anos!
−Pegadas de zumbis são diferentes, eles não levantam os pés para andar como nós.
Chegamos ao rio e suspiro feliz deixando minha sacola com roupas limpas e produtos de higiene no chão, devia estar um gelo, todos me olham quando mergulho de roupa e tudo depois de tirar apenas as botas.
Quando os encaro tremendo, estavam boquiabertos, eu faço um sinal convidando-os, Beth geme e tira o casaco e os sapatos, depois olha para os homens que dão as costas ela termina de se despir e Carol a imita, elas mergulham e emergem.
−Vocês não vem? Pergunto com os olhos pregados em Daryl.
−Primeiro as damas, depois vocês ficam de olho, segurança em primeiro lugar! Ele diz a contragosto, mas eu achava que seu problema era T-dog ali.
Tiro as roupas e as lavo ficando apenas com as peças intimas lavo os cabelos e Beth tem de tampar a boca para não gritar de alegria quando vê meu shampoo, saímos rápido, Carol ainda muda, nos secamos e vestimos tudo em dez minutos, uma pena, eu esperava poder passar alguns minutos com Daryl na água, depois damos as costas e eles entram na água, Carol não se dá ao trabalho de se virar, fico um pouco enciumada, mas afasto a ideia de que ela estava olhando Daryl se banhar.
Vinte minutos depois caminhávamos de volta para o galpão, eu tremia um pouco, mas estava feliz, ele se aproxima de mim e mais uma vez toca meu rosto, depois também com as costas das mãos, desce para meu braço, meu corpo respondia a seu toque vergonhosamente, fico corada.
−Gelada como dá primeira vez, vai acabar doente! Ele reclama.
−Inverno! Respondo e o imito, toco seu rosto surpreendendo-o depois seu braço, me demoro um pouco, mas me afasto – Gelado, não sei como estava da primeira vez! Sorrio para ele e ele corresponde, dois sorrisos um recorde.
−Inverno! Ele diz e então estávamos de novo no galpão, Daryl nos deixa e segue com o outro grupo para leva-los até o rio, me sinto solitária, penteio os cabelos e coloco minhas roupas para secar, depois o vejo entrando e me sinto aliviada.
Escurecia quando o resto do grupo chega, comemos juntos, em volta de uma pequena fogueira, Maggie e Glenn faziam a guarda das janelas.
−Parece natal! Carl diz enquanto tomava suco de uva.
−Acho que estamos seguros aqui até esse resto de inverno passar! T-dog comenta.
Eu não falava muito com ele, sentia que havia uma certa tensão entre ele e Daryl, mas a verdade é que Daryl não parecia muito próximo de ninguém, ele termina de comer e segue para vigia o casal se junta ao grupo, pouco a pouco as pessoas vão se recolhendo, se deitando juntos, próximos a fogueira, ficamos eu, Beth e Maggie conversando, Daryl vai se deitar quando Rick o rende, ele monta seu saco de dormir um pouco mais afastado do grupo, continuamos conversando.
Todos pareciam dormir inclusive ele, Rick estava longe olhando a noite, caminhando metodicamente de um lado para outro como todos haviam feito, era tarde mas Maggie e Beth pareciam elétricas e eu estava tomando coragem para me aproximar de Daryl para dormir.
−Por que fugia tanto de sobreviventes? Beth pergunta, eu respiro fundo, estavam todos dormindo e gostava de Maggie e Beth, e depois não era como se fosse contar algum segredo, era apenas uma história triste que me fazia sofrer, decido contar.
−Fazia dois meses que não via um ser humano, às vezes cantava baixinho só para ouvir minha própria voz! Eu começo a contar – Então vi uma casa velha e um carro parado pouco a frente, estava no meio da floresta e tudo parecia tranquilo, pensei que seria bom me apresentar, seguir com um grupo, quem sabe as coisas já tivessem melhorado e eu nem sabia.
−Foi até eles? Maggie pergunta baixinho.
−Fui, escondi minha mochila, sou tão estupida que achei que se me vissem armada poderiam ter medo de mim! Conto magoada – Tirei o cinto com as facas e deixei tudo numa árvore, um pouco distante então caminhei até a casa, três homens apareceram e assim que me viram percebi que não tinha sido boa ideia.
−Ai meu Deus! Beth diz prevendo o desfecho.
−Me apresentei e eles rindo me puxaram para dentro, entendi o que queriam e tentei correr, eles me seguravam, um deles avançou sobre mim enquanto os outros me seguravam um de cada lado, comecei a gritar o homem rasgava minha roupa, eles riam eu lutava, me debatia, mas parecia inútil, então eu gritava com todas as minhas forças, chamando todos os zumbis, preferia ser devorada por eles a... – Me calo secando as lágrimas que nem percebi que rolavam – Eles me machucavam, me batiam, eu já tinha perdido as esperanças quando um outro homem chegou.
−Katie! Beth me abraça – Eles...
−Não. O homem chegou gritando que estávamos chamando todos os zumbis, que logo estaríamos cercados, empurrou o que estava em cima de mim, eles me largaram eu estava toda rasgada, machucada, um deles ainda perguntou o que fariam comigo – Deixe-a, ela vai atrasá-los! – Foi o que responderam, ainda recebi um chute antes de eles saírem e apaguei.
−E os zumbis?
−Acordei rápido, ouvi os passos e sabia que logo eles entrariam na casa me arrastei e me escondi num sótão, foi uma sorte, um desses lugares que tem uma escada que se puxa para baixo, assim que subi e me escondi eu realmente apaguei e não sei quanto tempo fiquei assim, quando acordei era dia e sai de lá, encontrei minhas coisas e nunca mais quis falar com os vivos.
−Mas não fugiu de nós!
−Por que eu não tive forças, felizmente! Tento sorrir subitamente cansada, queria estar com Daryl, sentir o seu cheiro – Acho melhor dormirmos! Digo me levantando.
−Boa noite! Elas me dizem quando me afasto, devolvo o boa noite com um sorriso triste, pego meu saco de dormir e toda minha coragem e caminho até onde Daryl está, ele nem perceberia que eu estava ali, mas para minha surpresa ele estava com os olhos abertos e me encara – Posso? Pergunto confusa, ele faz que sim com a cabeça e eu colo meu saco de dormir ao dele, acho que ele não esperava tão perto.
Eu me deito tímida, aspiro seu cheiro, ele me encarava, os olhos azuis fixos nos meus, cheios de perguntas e eu tive certeza de que ele tinha ouvido toda nossa conversa.
−Por que? Ele pergunta e eu sabia que se referia a minha escolha de me deitar com ele e não com o resto do grupo.
−Porque não quero estar em nenhum outro lugar! Respondo apenas, então ele passa a coberta que estava por cima de seu saco de dormir sobre mim enquanto me puxa para seus braços, eu me aconchego, sentindo seu perfume.
-Por que? Pergunto com a cabeça em seu peito enquanto ele alisava meus cabelos carinhoso.
−Não sei! Ele diz, aceito aquilo, por que eu também não entendia o que estava acontecendo, acerto minha respiração com a dele e adormeço.
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