Fim Dos Tempos
20 Capítulo 20 - Mordida
Notas iniciais
Pov — Katie
Depois de passar quase uma hora diante de um mapa, eu, Daryl, Michonne, Maggie e Glenn decidimos que caminho seguir, Rick queria vir conosco, mas todos concordamos que ainda não era seguro deixar aquelas pessoas sozinhas e ele decide que podia então começar algum treinamento.
Vamos todos em um carro, era mais econômico e seguro, levamos nossos sacos e galões, pegaríamos todo combustível que encontrássemos, fomos na direção contrária do dia anterior, aquela horda podia estar no nosso caminho e precisávamos chegar em segurança, a cidade que encontramos era ainda menor, descemos primeiro diante de uma farmácia, estava vazia e eu e Daryl ficamos de guarda na porta, depois daquela horda não podíamos mais dar chance de sermos pegos de surpresa.
Eles não encontram muita coisa, mas Maggie comemora os produtos de higiene pessoal, eu rio, o fim do mundo nos dava uma nova perspectiva das coisas.
Logo em frente vemos um mercadinho, a porta estava fechada com um cadeado, Glenn usa uma ferramenta para abrir, dessa vez é Maggie e Glenn que ficam do lado de fora, eles aproveitariam para recolher gasolina de dois carros parados logo à frente.
Encontramos três zumbis assustadores dentro da loja, Michonne derruba os três silenciosa como de costume, ela falava pouco e sorria menos ainda, as vezes eu me perguntava se sempre tinha sido assim.
A comida era pouca, mas encontramos temperos, e duas garrafas de vinho, latarias e material de limpeza, isso era até fácil de encontrar, recolhemos tudo às pressas e quando estávamos saindo um zumbi caído no chão atrás do balcão do caixa pega o pé de Michenne, ela corta sua mão num movimento impaciente e tenho vontade de rir, penso em Sasha, se ela me achava impressionante o que acharia de Michonne, Daryl ri para mim e deixamos a loja.
Glenn termina de recolher o combustível nada de zumbis pela rua e entramos no carro viramos para a direita e entramos em outra loja, dessa vez Daryl pega os zumbis lá dentro, apenas dois presos numa sala que deveria ser a gerencia.
Encontro roupas infantis, penso em Megan e Nick e enfio tudo que encontro no saco, sapatos também. Era uma pequena loja daquelas que se encontra de tudo e apesar de pouca comida havia um balcão com livros e jornais, eu paro um segundo olhando as manchetes sobre o início da infecção, sinto um arrepio ao me lembrar de tudo e me afasto.
Nada de valor, Maggie nos chama da porta e saímos apressados, zumbis se aproximavam pelo lado esquerdo, não se podia chamar aquilo de uma horda, dez no máximo, mas andando juntos, colocamos tudo no carro e vemos uma loja de ferramentas no fim da rua, o certo era partir, mas ferramentas eram importantes, queríamos prepara a prisão e podíamos encontrar coisas essências ali, entramos no carro, os zumbis nos seguindo, não dava tempo de entrar pegar tudo e sair antes deles nos alcançarem precisaríamos derrubá-los.
Glenn e Maggie entram e nós os esperamos, Agora assim como Daryl eu carregava uma besta, mas decido primeiro usar as facas derrubo alguns enquanto Daryl outros, depois uso a besta para treinar, Michonne só observa já que não precisava fazer nada e eles ainda estavam distantes, todos caem e sigo com Daryl para buscarmos nossas coisas, Glenn aparece e nos chama, Michonne estava de guarda e entramos, tinha um mundo de coisas úteis e começamos a recolher tudo, depois de quase uma hora na loja e sem ter mais espaço para guardar tudo voltamos para estrada, paramos mais duas vezes, para recolher combustível nos carros que encontramos e quando chegamos de volta era começo da tarde, as crianças estavam todas no grande pátio, brincavam com uma bola e vejo que Megan e Nick estavam perto embora apenas sentados, Carl caminhava pela cerca fazendo a guarda e os três idosos do grupo que eu ainda não tinha decorado os nomes estavam sentados tomando sol, o homem que brigara com Daryl também estava lá.
Descemos e começamos a tirar tudo do carro, o restante nos ajudava, eu brinco com Beth mostrando o vinho, nenhuma de nós duas bebia e ela faz careta.
−Fez melhor no galpão! Ela ri – Nunca vou me esquecer daquela barra de chocolate!
−Nem eu! Caminhamos juntas para dentro, carregadas de coisas, os homens ficam recolhendo as coisas mais pesadas e falando sobre concertos e mudanças na segurança.
Meu trabalho acabava ali, agora era com o resto, Beth coordenava o grupo de pessoas que ajudava dentro da prisão com comida e limpeza, a bravinha estava no colo de Carol e eu evito me aproximar.
−Agora quer dizer que ele nem mesmo pode sair sozinho que logo a princesinha fica doentinha! Ela me provoca e eu até já tinha me esquecido de como ela gostava de fazer aquilo.
−Carol! Eu penso em responder mas estava cansada e lhe dou as costas.
−Ele gosta de ser livre, logo, logo vai se cansar disso! Eu me afasta para ela não notar que tinha me atingido, meus olhos marejados e dou de cara com Daryl que entrava.
−Eu ouvi! Ele diz irritado – Ela está errada, eu não era livre, era sozinho, isso é diferente, e eu não sabia que ela fazia isso com você, mas chega de provocações, eu vou dar um fim a isso.
Me sinto frágil e me abraço a ele, eu caçava, matava zumbis e podia participar de uma guerra, mais ainda era uma garota e as vezes só queria que ele me abraçasse que dissesse que tudo estava bem.
−Não precisa brigar com ela! Digo tentando empurrar as lágrimas para longe – Só precisa me amar, afinal é isso que ela odeia, eu só quero uns minutos com você!
−Eu sei, e vamos ignorar esse seu acordo com a Maggie! Ele diz — Ainda é cedo que tal uma tarde romântica.
−Acho que hoje eu quero romance, pode me mostrar que não é um coelhinho branco um outro dia? Ele ri e Beth nos olha de longe surpresa.
−Vem minha pequena, temos de ser rápidos antes dos ratinhos nos verem! Subimos de mãos dadas para nosso pequeno mundo perfeito, sem zumbis e medo.
Daryl me abraça e ficamos um pouco assim apenas silenciosos, ouvindo a respiração um do outro, de olhos fechados, ele acaricia meu cabelo e me beija de leve nos lábios.
−Adoro que seja forte e corajosa, que me proteja e ao grupo, mas o que me faz amar você feito um louco é que além disso, você consegue ser apenas a minha pequena, que pode ser delicada e carinhosa, uma garota com tudo que vocês garotas tem, incluindo as lágrimas! Ele me diz e me derreto, eu sempre derretia, isso não era bem uma novidade para mim.
−Adoro que seja um homem forte, que me proteja e ao grupo, mas o que me faz amar você assim feito louca é que também pode ser carinhoso e gentil e que entende que garotas às vezes precisam de carinho e atenção e que choram! Eu digo e ele me beija um longo e apaixonado beijo de amor, um beijo de quem queria meu corpo, mas também meu coração e Daryl Dixon tinha os dois.
Fazemos amor lentamente, sentindo o sol aquecer nossos corpos, nos apreciando, nos tocando, languidos, despreocupados, nos redescobrindo.
−Minha pequena! Ele sussurrava em meu ouvido – Amo você, nunca vou me cansar disso, minha vida.
−Eu te amo! Minhas palavras eram poucas para demonstrar o tamanho do que sentia.
Ficamos deitados abraçados algum tempo, em silêncio, tínhamos vivido um momento incrível de completa entrega, cada dia eu o amava mais e quando estávamos ali eu não tinha medo, por que ali, nada mais existia.
Pov – Daryl
Eu nunca me acostumaria com o que Katie provocava em mim, e nunca entenderia por que justo eu tinha a sorte de viver algo assim, permanente, completo, verdadeiro.
Estávamos na torre abraçados e silenciosos, dava para ouvir as crianças brincando lá em baixo e o som de suas risadas encobria o barulho dos mortos, então tudo parecia como antes, mas antes eu não tinha Katie, antes eu não tinha nada.
Suspiro longamente, sabendo que tínhamos de voltar para terra dos mortos vivos, ajudar lá em baixo com tudo que ainda tinha para fazer, construir portões e reforçar cercas, proteger nosso pequeno forte.
−Temos de ir pequena! Eu a chamo ela resmunga docemente.
−Eu sei, mas vamos voltar depois de colocarmos os ratinhos na cama! Ela ri e eu olho para ela – Sempre arruma uns apelidos engraçados, Carl demorou um tempão para escolher o nome da Judith e ela virou a bravinha.
−Eu gosto! Me defendo – Vamos! Nos vestimos e depois ficamos de pé, a única coisa que nunca fazíamos ali era vigiar, me dou conta e penso que Maggie e Glenn também.
−Somos os piores vigias do mundo! Ela constata me fazendo rir eu a abraço pelas costas e beijo seu pescoço.
−Pelo menos não somos os únicos! Completo – Vamos pequena!
−Certo! Katie se vira e me beija então seguimos para escada – Mas não pense que me esqueci de suas ameaças na floresta, vamos voltar hoje à noite quero ver sobre o que estava falando! Brinca antes de abrirmos a porta no fim da escada.
−Mulher insaciável! Eu a puxo para mim dramático – Faz de mim um pobre homem objeto!
−É o preço do fim do mundo! Ela brinca quando saímos e acabamos por nos separar, ela segue ao encontro de Beth para separar coisas para as crianças e eu vou ajudar Rick no trabalho pesado com Tyresse, e Glenn.
A tarde estava chegando ao fim, as crianças ainda brincavam e eu procuro por Nick e Megan, eles ainda estavam distantes apenas observando e me veem, Nick acena e sorri, eu sorrio de volta, querendo dar um incentivo, depois volto a me concentrar no trabalho, olho mais uma vez e vejo Nick ficar de pé, olhando para cerca.
−Mamãe! Ele grita e em seguida corre para as grades eu olho na direção que ele corria e vejo um zumbi se aproximando da grade atraído por seu grito, ninguém se move chocados com ele, Megan fica de pé, mas se mantem no lugar, pálida.
−Nick não! Eu grito correndo em sua direção sem acreditar no que estava acontecendo, estava muito longe e antes de chegar ele estava grudado na grade, o zumbi se aproxima era uma mulher loira, ela enfiava os dedos pela grade e acaba prendendo seu braço — Nick saia daí! Mas agora era tarde ele estava preso e mais zumbis se aproximavam, outro tentava alcançá-lo e a mulher tinha a boca colada na grade gemendo e tentando pegá-lo, vejo Katie sair de dentro do bloco, e correr, estávamos os dois distantes de mais para matar um zumbi pela grade, Rick e Tyresse corriam comigo, tudo estava acontecendo em menos de um minuto, um maldito minuto.
Vejo um de seus dedos escapar para o outro lado da grade e a boca se aproximar, Carl chega primeiro e eu nem sabia de onde ele vinha, atira no zumbi que cai e depois no outro ao lado e puxa Nick da grade, só então chegamos todos.
Sinto como se tomasse um soco no estômago quando vejo a ponta do dedo mínimo sangrando enquanto ele chorava com Megan a seu lado.
−É uma mordida! Carl avisa assustado e eu olho para Katie, ela estava pálida.
−Hershel! Digo para ela, para mim, para o mundo, ele tinha conseguido Nick também conseguiria, pego Nick no colo e corremos para dentro.
Rick que tinha entendido minhas palavras ia na nossa frente gritando por Hershel que ao nos ver entra seguindo para o refeitório.
−Foi só o dedo! Ele anuncia verificando o ferimento, Nick chorava e se debatia nos meus braços e vejo Beth aquecer uma faca no nosso fogão – Vou tirar o dedo, acho que será suficiente! Ele diz e Nick se debatia em meus braços.
Megan começa a gritar assustada, eu não olho para ela, Glenn a retira de lá com a ajuda de Maggie. As pessoas do outro grupo nos olhavam afastadas.
−Daryl precisa segurá-lo firme! Hershel me avisa e Katie juntando toda sua coragem e com o rosto coberto por lágrimas coloca o braço do menino na mesa, ela segura seu braço enquanto eu envolvia seu corpo me sentindo um monstro, aquilo me lembrava meu pai, minha dor, meu medo, não queria ser como ele, ficava repetindo mentalmente que estava salvando o garoto, não o machucando, felizmente Katie se posiciona na minha frente impedindo Nick e eu de assistirmos o que aconteceria.
Ouço apenas o barulho leve de um osso e o grito insuportável de Nick que desmaia em seguida, eu continuo o apertando e então sinto o cheiro de carne queimada quando ele encosta a faca quente cauterizando a ferido, Katie ainda segurava a mão de Nick, eu ainda o apertava, mas ele estava desmaiado
Hershel faz um curativo felizmente tínhamos gaze e algum antisséptico.
−Pronto! Hershel nos avisa e só então Katie o solta e eu relaxo meus músculos – Ele deve acordar logo, o desmaio é normal, seu inconsciente o protegendo da dor.
−Acha que vai funcionar? Pergunto não querendo enxergar a mesa cheia de sangue.
−Funcionou comigo, e foi bem mais demorado e dramático, uma mordida maior e num lugar muito mais perigoso, deite-o, ele vai sentir muita dor, mas vamos esperar preciso que ele acorde depois de avaliar eu dou um remédio.
Me levanto com Nick nos braços, Maggie entra com Megan que corre para Katie, olho para minha pequena que ainda chorava, fico sem saber o que fazer.
−Vou colocá-lo na cama! Aviso e o homem com quem eu tinha discutido no dia anterior me interpela.
−Vai deixa-lo aqui dentro, ele foi mordido! Meu sangue ferve – Não é melhor aproveitar que ele está dormindo para terminar com isso, vão esperar ele virar...
−Não! Megan grita e Katie a segura – Ele não vai virar! Ela chorava.
−Então esse é o homem que ainda ontem estava preocupado com a inocência das crianças! Eu o encaro – Toque nele e eu mesmo mato você, sem tocar na sua cabeça só para esperar você virar um zumbi e eu poder matá-lo de novo!
−Ele não está brincando! Maggie diz quando eu me retirava com Katie e Megan.
−Vamos para nossa cela Daryl, não confio nesse homem! Katie me diz e eu acho que era o melhor, alguém podia tentar acertar o menino.
Hershel nos acompanha e Beth também, Rick fica lá acalmando os ânimos e explicando que algo parecido havia acontecido com Hershel.
Deito o garoto que estava apagado, eu começava a achar que estava demorando muito, acho que Katie também por que sinto ela segurar a faca sem tira-la do sinto, mantendo Megan distante do irmão.
Estávamos em suspense, a respiração presa, esperando, assim como tínhamos feito quando Hershel foi mordido. Nick se move lentamente, dou uma passo à frente, se Katie achava que eu a deixaria fazer aquilo estava enganada, eu faria, ela não precisava de mais esse peso.
−Mamãe! Ele chama chorando, relaxamos e Megan e Katie se aproximam, ele pisca se dando conta de onde estavam, o rosto volta a ficar coberto por lágrimas e Katie acaricia seu rosto.
−Está tudo bem! Ela diz e ele aperta a mão visivelmente com dor – Não aperta, assim acaba doendo mais! Ela diz gentil.
−Megan era a mamãe, eu vi! Ele fala para a irmão que chorava ajoelhada a seu lado – Não sabia que as mães pegavam até os filhos quando viravam.
−Não devia ter ido lá! Megan briga com ele.
−Minha mão está doendo! Ele volta a chorar, olhamos todos para Hershel que se aproxima do menino.
−Sente mais alguma dor, ou só a mão? Ele toca sua testa, examina seu corpo e pega um remédio que trazia consigo, me lembro de minha pequena com febre, meu coração se aperta – Vai tomar esse remédio e ficar deitado, só pode sair daqui amanhã, e não molhe o ferimento, amanhã vamos trocar esse curativo.
Hershel se levanta e olha para mim, depois para Katie, eu tinha tentado fugir, mas a cada minuto ficava mais claro que de algum jeito aquelas crianças eram minha responsabilidade.
−Acho que o pior já passou, mas observem se tiver sinal de febre me avisem e sinto muito, o remédio vai diminuir a dor, mas não o suficiente, ele precisa comer, perdeu sangue está fraco.
−Vamos cuidar de tudo! Katie promete e me olha buscando minha aprovação eu digo que sim com um movimento de cabeça e ela se afasta de Nick para me abraçar.
−Vou providenciar comida! Beth diz saindo com o pai e só então percebo Carl parado na porta, nos olhando preocupado.
−Obrigado Carl! Eu toco seu ombro ele faz que sim com a cabeça e olha para o menino deitado.
−Não quis atirar de longe por que pensei que poderia acertá-lo.
−Carl você foi perfeito, obrigada.
Katie o abraça e ele corresponde acho que no fundo ele também sentia falta de um pouco de carinho, quando ela se afasta a ratinha se aproxima e dá um beijo no rosto de Carl, não consigo achar aquilo agradável e desvio o olhar.
−Obrigada! Ela o olha corada e ele se afasta nos deixando sozinhos.
Katie suspira quando olha para o rosto pálido do menino, Megan se aproxima de mim e pega minha mão delicada, coelhinhos brancos eu penso quando olho para ela.
−Posso ficar aqui também? Ela pede e me lembro do olhar inocente de Katie aquele que me fazia amolecer e atender todos os seus desejos, sinto o mesmo, ela devia estar tendo aulas particulares.
−Vá com a Katie buscar as coisas de vocês, eu fico com o ratinho! Respondo sem alternativa, Katie pega a mão dela e eu me sento ao lado do menino que me olha – E ai ratinho, foi bem forte hoje!
−Meu dedo não está mais aqui? Ele me pergunta e penso por que ele não podia ter perguntado algo assim para Hershel ou Katie.
−Não! Respondo – Mas você está vivo, isso é bom, e nada vai mudar.
−Ainda vou atirar com a sua arma? Ele olha a besta encostada na parede – Disse que ia me ensinar.
−Vai, mas quando crescer, agora ela é muito pesada! Digo pensando que arma seria mais adequada, talvez uma pistola como Carl, ou facas Katie podia ensina-los.
Elas voltam trazendo roupas de cama e travesseiros, eu pego dois colchões na cela ao lado e coloco no chão, Katie arruma tudo, Beth traz comida para Nick, fico feliz pelo cervo que tínhamos caçado assim ele teria carne e poderia se recuperar mais rápido.
Nick se senta e surge o primeiro impasse de muitos que viriam eu penso, ele precisava de ajuda para comer, Katie se aproxima antes mesmo de ele pedir ajuda, ela dava comida em sua boca, paciente como as mães faziam, não a minha, ela nunca estava sóbria o bastante para isso.
−Está gostando? Ela pergunta – Precisa comer tudo para ficar logo bom.
−Eu não tenho mais dedo! Ele conta – Daryl disse que tudo bem, que posso atirar flechas assim mesmo, quando crescer.
−Que bom! Katie diz escondendo as lágrimas, ele termina e ela me olha sorri e se levanta – Agora vou levar a Megan para comer, fica com ele?
−Vai, traga para mim, não quero sair daqui ainda! Eu digo, não queria olhar para aquele idiota que pensou em matar o ratinho e nem deixá-lo sozinho, alguém podia ter a infeliz ideia de me desafiar.
Katie volta com minha comida e uma toalha molhada para limpar Nick que estava todo sujo de sangue, eu me sento no colchão para comer e ela pega roupas limpas para ele.
−Posso te trocar? Katie pergunta e rezo para ele não se negar, trocá-lo era muito para mim, pelo menos naquele momento.
−Eu estou doente, então pode! Fazia sentido, eu penso voltando a comer.
Ele volta a dormir logo depois a ratinha se aconchega no colchão perto da parede e eu me deito na outra ponta com minha pequena entre nós, aspiro seu perfume, aquele cheiro que anestesiava todas as dores da minha alma, olho para o lado e a ratinha já dormia.
−Acho que foi um dos dias mais longos da minha vida! Ela me diz se aconchegando a mim, eu a aperto – Sinto medo, eles são... indefesos, eu não sei se... Daryl eu não quero te empurrar para isso, mas...
−Não está me empurrando para nada, a vida está! Eu a lembro – Mas o que quer que aconteça vamos enfrentar juntos, somos uma coisa só.
−Adeus noite quente na torre! Ela brinca – Vou ter que continuar achando que é um coelhinho branco! Ela me fazia rir nos momentos mais inusitados eu a beijo.
−Vai se meter em encrenca, estou avisando! Eu digo voltando a beija-la um longo beijo quente como ela costumava dizer, mas logo me afasto por que não estávamos sozinhos, acho mesmo que nunca mais estaríamos e não sei se aquilo me incomodava mesmo.
Acordo e a primeira coisa que faço é olhar para o lado, Nick dormia, assim como a irmã, então Katie se mexe, se enrosca a mim, resmunga alguma coisa e roça os lábios no meu pescoço, sua mão que descansava em meu peito, desce perigosamente e eu a seguro antes que entrasse numa zona de risco.
−Pequena! Eu a chama meio assustado, ela geme acordando.
−Não acredito que me acordou, eu estava no melhor sonho da minha vida estávamos numa praia fazendo am...
−Shiu! Eu digo e ela pisca se dando conta de onde estava, então tira a mão que eu ainda segurava e se senta.
−Uou! Ela diz corada – Como posso ter tido um sonho assim depois da noite de ontem? Eu rio, de sua confusão e penso que era uma pena não estarmos sozinhos, seria um bom jeito de começar o dia.
−Na praia é? Pergunto puxando-a para meus braços.
−Num lindo dia de sol! Ela suspira – Será que em algum lugar ainda é possível se sentar na areia e olhar o mar?
−Quem sabe? Respondo e Nick se mexe chorando, nosso dia começava.
Notas finais
Comentem, adoro quando comentam.
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