Fim Dos Tempos
2 Capítulo 2 - Ela vai onde eu for
Notas iniciais
POV – Daryl
O inverno começava a ficar cada vez mais rigoroso e desde que deixamos a fazenda encontrar comida e abrigo ficava cada vez mais difícil. Nosso grupo era um desastre, uma mulher gravida, uma adolescente assustada e um menino se achando o novo xerife, além disso, éramos apenas eu, Rick, Maggie e Glenn para enfrentar os perigos, T-Dog era um covarde e Carol ainda sofria a perda de Sophia, sem contar Hershel, eu tinha de admitir, ele era um velho bem útil se estivesse doente, fora isso era só mais alguém com quem se preocupar.
Estávamos numa pequena estrada de terra e a cabana surgiu diante de nós como um oásis, estava trancada por fora e com um único chute eu escancarei a porta, se zumbis estivessem ali era bom que aparecessem de uma vez, estava completamente sem paciência, mas tudo que encontramos foi aquele bichinho assustado e encolhido no canto da parede, já sem forças, mas com coragem.
Minha besta apontava para ela, mas eu nunca dispararia uma flecha em algo tão perfeito e delicado, ela tinha o rosto pálido e abatido, lindos e esgotados olhos verdes, cabelos longos e escuros, era delicada e nos apontava uma pistola.
Rick mandou que abaixasse a arma e ela obedeceu prontamente, quem poderia ter abandonado aquela pequena? Eu me perguntava, não havia comida, nem zumbis, ela ofereceu o que tinha, comida e remédios, além de vitaminas, parecia um walmart compacto, segurei o riso.
Minha besta não se desviava dela, mas aquilo era apenas uma desculpa para continuar observando-a sem chamar atenção, ninguém estranhava o fato de eu continuar apontando minha arma para ela, afinal, Daryl Dixon nunca baixava a guarda.
Ela tremia descontroladamente e depois de alguns minutos simplesmente fechou os olhos e se entregou, quase corri até ela, estranhei esse meu impulso, Hershel, tocou sua testa quando alguém perguntou se ela estava com febre.
−Não, está gelada e molhada, vai acabar com uma pneumonia isso sim! Ele disse se afastando.
Carl a olhava curioso, Beth também, ela era tão pequena que achei que não tinha mais do que dezesseis anos, Glenn veio dos fundos parecia assustado.
−Tem dois errantes nos fundos, não sei se é seguro ficarmos! Disse com a arma na mão.
Meus olhos ainda estavam pousados na pequena encolhida dormindo, eu me afastei e olhei para fora por uma janela lateral, estava tudo limpo, começava a anoitecer e se fossemos partir era melhor que fossemos de uma vez.
−Aqui está limpo! Disse voltando para meu lugar diante da garota.
−O que vamos fazer com ela? Perguntou Carl enquanto ajudava Lori a guardar as latas e os remédios.
−Deixe-a ai, ela vai atrasar os errantes! Ouvi Carol dizer e não acreditei que aquelas palavras vinham dela, essas eram as minhas palavras na maior parte das vezes, mas eu não deixaria uma criança perdida na floresta para ser devorada por zumbis, não tinha desistido de Sophia e não desistiria daquela pequena.
Todos estavam caminhando para porta se preparando para seguirem para nossos carros, balancei minha cabeça em negação, não me reconheci quando coloquei minha besta nas costas e fui ao encontro da garota, peguei sua mochila e a pistola de suas mãos, entreguei a Carl que como eu parecia decidido a não deixa-la para trás.
−Leve a mochila, eu carrego a garota! Disse a ele que me obedeceu prontamente.
Ninguém teve coragem de me desafiar, quando com um movimento simples eu a ergui em meus braços e segui para porta. Ela tinha um perfume doce de flores, não posso negar que adorei aquilo, era leve e delicada.
−Me de cobertura! Pedi a Rick quando segui para caminhonete, então eu a coloquei no banco apertei o cinto e dei a volta para pegar a direção, minha moto estava na traseira da caminhonete como de costume, dei a partida e antes de arrancar me certifiquei que estavam todos em seus carros, eu ia na frente e Rick fechava o comboio, no meio ia Glenn.
Peguei a estrada quando a noite começava a cair, a garota estava encolhida a meu lado e tremia descontrolada, eu dirigia devagar e depois de alguns quilômetros parei preocupado, ela precisava de roupas secas ou morreria de hipotermia, todos pararam atrás de mim, desci e Rick fez o mesmo.
−O que foi? Ele me perguntou quando todos começaram a descer.
−Precisamos dividir a comida e decidir para onde seguir! Dei uma desculpa – Enquanto isso acho que Beth e Maggie podem ajudar a garota vestindo roupas secas nela.
Todos me olhavam estranhando meu comportamento e eu achei melhor ignorar, eu também não entendia. Beth sorriu imediatamente, segui com ela até o carro e abri a porta, então entreguei a mochila da garota para Beth que começou a vasculhar tudo em busca de roupas, eu tirei suas botas pesadas e depois as meias e fiquei chocado quando vi seus pés feridos e cheios de bolhas, quanto uma garota era capaz de caminhar, me perguntei.
−Chame seu pai Beth, acho que ele precisa dar uma olhada nisso! Beth olhou e tampou a boca num susto.
−Pobrezinha! Ela disse – Vá chama-lo enquanto eu troco ela, Maggie me ajuda!
Detestava obedecer ordens de uma pirralha mais ela tinha razão, não podia ficar ali assistindo-a despir a garota.
Hershel e as garotas cuidavam dela enquanto eu e Rick conversávamos sobre que caminho seguir, tínhamos bastante combustível e achamos melhor dirigir até amanhecer, era mais seguro. Lori e Carol dividiram a pouca comida, quando Lori me entregou minha parte e a da pequena, Carol olhou feio, ignorei como aliás faço sempre.
Voltei para o carro, a garota continuava dormindo e estava acomodada no banco já trocada, Hershel terminava os curativos e me olha sorrindo.
−Está apenas dormindo! Ele diz terminando os curativos – Exaustão eu diria, quando se recuperar vai acordar.
Fiz que sim com a cabeça, sem saber o que ele estava pensando e ele e Beth se afastaram, Maggie me olhou nos olhos por uns segundos e depois também se afastou, eu olhei a garota, seu rosto parecia mais tranquilo, peguei o cobertor que ficava jogado no banco e a cobri, depois apertei seu cinto de segurança me sentindo um completo idiota e fechei a porta lentamente, dei a volta e entrei no carro dei a partida e voltamos para a estrada.
Dirigia a cinquenta por hora, não tinha pressa, afinal não estávamos indo a lugar nenhum mesmo, quando o sol raiou parei feliz, assim que desci estiquei o corpo cansado. Estávamos a alguns metros de um posto de gasolina, três carros estavam abandonados logo a frente.
−T-dog pode dirigir se estiver muito cansado e você vem conosco no carro! Carol disse parando do meu lado, eu a olhei sério, desde que Sophia sumira ela vinha tendo este estranho comportamento comigo, esperando de mim mais do que eu podia ou queria oferecer.
−Estou bem! Disse me afastando, nunca deixaria a garota nas mãos de T-dog, não queria desenterrar o passado mas sabia muito bem que numa hora de crise ele não hesitaria em deixa-la para trás como havia feito com Merle, dessa vez eu estaria por perto.
Caminhei com Rick até os carros, estavam todos vazios e notamos o sangue em volta, esvaziamos os tanques com a ajuda de Glenn e T-dog, encontramos algumas latas vencidas como sempre, frutas secas e barras de cereal, pegamos tudo que seria útil e voltamos para o grupo.
Assim que voltamos eu a olhei pelo vidro aberto, ela dormia ainda na mesma posição, me reuni com o grupo e comemos em silencio, depois decidimos descansar um pouco ali mesmo, fui para o carro quando T-dog e Maggie foram escalados para a vigia.
Me recostei no banco e a olhei mais uma vez antes de adormecer.
Acordei com uma leve batida na janela, minha besta logo em mãos, Carl sorrio e olhou para a garota, depois para mim.
−Ela parece a bela adormecida! Ele reclamou – Meu pai acha melhor seguirmos viagem! Me disse sério, olhei pelo retrovisor estavam todos nos carros e Rick fez um movimento de cabeça para mim, assenti e depois de ter certeza de que Carl já estava com o pai, segui viagem.
Estava dirigindo concentrado na estrada, quando ela se mexeu, parecia estar tendo algum pesadelo, depois de alguns minutos ela deu um pulo e se encolheu no banco, confusa e assustada.
−Fique calma! Digo sem desviar os olhos da estrada – Não vou machucar você!
−Obrigada! Ela diz num fio de voz – Os... os outros... – Não termina a frase e escondia muito mal o medo.
−Olhe para traz! Eu então olho para ela e aqueles lindos olhos verdes estavam tão assustados como na primeira vez, eu tinha um milhão de perguntas, mas deixaria todas elas para Rick, sabia que ele as faria e realmente nenhuma de suas respostas faria diferença alguma para mim.
Ela vê o comboio e parece se acalmar, então olha para besta no meu colo e depois me encara.
−Não pretendia usá-la! Disse simplesmente.
−Realmente eu nunca desconfiaria! Ela diz e então se olha notando provavelmente que alguém a trocara, ela fica visivelmente constrangida.
−Maggie e Beth te ajudaram e Hershel fez uns curativos nos pés.
−Estava a muito tempo caminhando, sem abrigo.
Ela diz sem mais explicações eu aponto a tigela no painel do carro – Coma! Ordeno, esse era meu jeito, nunca fui delicado, nem sabia ser, ela pegou o pote e começou a comer silenciosa, deixou a metade.
−Quer? Me ofereceu tímida, fiz que não com a cabeça sem desviar a atenção da estrada – Estamos indo a algum lugar?
−Não! Respondi e voltei a observa-la ela comia devagar e lambia os dedos, achei encantador e me recriminei por isso, Merle no mínimo riria de mim se me visse agora, balancei a cabeça em negação, querendo afastar aqueles pensamentos.
−Achei que me deixariam para traz! Ela diz me olhando fixamente – Vocês são diferentes.
−Você desistiu! Eu disse sério – Não pode simplesmente desistir! A ideia de alguém como ela sucumbir me enfurecia.
−Não desisti, não conscientemente, eu apenas estava embriagada de sono, minha mente não respondia mais! Ela diz afastando o pote de comida vazio, então tenta se esticar e colocar os pés no chão, assim que eles tocam o piso do carro ela fica pálida e reprime um grito de dor, então volta a se encolher.
Uma garotinha que não grita de dor! Eu pensei orgulhoso, ela ficou em silencio apenas observando a estrada, eu a imitei, nunca fui bom com pessoas, anti-social era o que costumava ouvir antes de toda essa merda começar, depois de tudo isso parece que apenas piorei um pouco.
−Meu nome é Katie – Ela voltou a me olhar – Katie Collins, sei que não perguntou, mas para o caso de querer saber! Ela diz encolhida no banco me estudando atentamente, não fiquei incomodado – Posso saber seu nome?
−Pode! Eu disse e continuei calado rindo internamente de sua confusão momentânea.
−E vai me dizer? Ela sorri e eu sinto como se o sol acabasse de nascer e isso me assusta profundamente.
−Daryl Dixon! Respondo seco.
−Obrigada Daryl, por me salvar ontem.
−Não se acostume! Digo olhando-a nos olhos e me arrependendo imediatamente, ela podia sim se acostumar, pois para mim estava claro que eu faria aquilo quantas vezes fosse preciso, mesmo sem entender o porquê.
Ela fica decepcionada e volta sua atenção para estrada, passamos por dois errantes e ela rapidamente desvia o olhar, encontro um posto de gasolina na estrada e assim que o avisto diminuo, um carro estava parado ela me olha assustada.
−Não tem nada ai! Me diz apressada – Já estive aqui!
-Não custa olhar! Respondo – Tem um carro ali, quem sabe?
−Era uma família quando passei, umas quatro pessoas, estavam vivos.
−Falou com eles? Ele pergunta assim que estaciona.
−Falar com sobreviventes? Ela me olha incrédula – Claro que não, e depois tinha um grupo de errantes na redondeza, eu precisava ser rápida.
Eu desço esperando por Glenn e Maggie que já caminhavam em minha direção, olho para ela e ela estava pálida – Fique aqui e feche a janela! Digo me afastando, ela obedece.
Caminhamos até o carro um zumbi estava sentado no banco de traz e se move quando nos aproximamos, Glenn enfia a faca em sua cabeça sem muito esforço, olhamos em volta e três deles se aproximam acerto o primeiro e logo depois o segundo, Maggie pega o terceiro enquanto retirava minhas flechas dos crânios afundados, depois entramos juntos, Katie tinha razão, não havia nada ali saímos logo depois e decido olhar no porta-malas do carro, encontro o de sempre, latas e cereais, recolhemos tudo.
−Daryl! Ouço a voz de Maggie e quando me viro um zumbi se aproximava, um homem negro alto e sem uma mão, estava a meio metro de mim, além dele uma mulher caminhava com uma perna quebrada que arrastava fazendo um som irritante.
Chuto o homem que cai e então sem paciência de preparar a besta enfio minha faca em seu olho, Glenn segue até a mulher e repete o movimento. −Tudo limpo! digo olhando em volta, Maggie carregava o saco com tudo que encontramos e eu me viro em direção ao carro, Katie estava encolhida no banco o rosto escondido nos joelhos, eu caminho lento e assim que entro e fecho a porta ela se joga em meus braços tremendo.
No começo fico imóvel, sem qualquer reação, mas logo seu perfume me invade e eu a abraço tocando seus cabelos, fico em silencio até que ela se acalme. Katie estava sentada em meu colo, tinha o rosto escondido em meu peito e os braços envolviam meu pescoço, ela se acalma e se afasta, o rosto vermelho.
−Desculpe! Ela diz voltando para seu banco – Eu fiquei assustada, achei que ele ia... – Ela estremece – Pensei que você seria atacado, nunca vi ninguém enfrentar eles assim, vocês são muito corajosos!
−Tudo bem! Eu digo apenas – Sabíamos o que estávamos fazendo, o grupo vai se reunir, venha conhece-los e comer alguma coisa − eu desço do carro e dou a volta até o lado dela abro a porta e ela me olha confusa, depois olha para os próprios pés descalços e feridos, não penso duas vezes, pego Katie no colo e me dirijo ao grupo que estava sentado entre os carros dividindo a comida, assim que chego eu a coloco no chão sentada ao lado de Beth que sorri gentil, estávamos num círculo todos estavam sentados, menos eu e Rick, que vez por outra olhava em volta.
−Melhor? Hershel pergunta olhando para os pés dela.
−Muito! Ela sorri de novo, aquilo era perturbador – Obrigada, a todos, por... por tudo!
Todos se apresentam, dando todos aqueles detalhes, esposa, filho, filhas, namorado, ela prestava atenção encantada depois Lori se aproxima e lhe oferece um prato ela aceita corando.
-Obrigada pelas vitaminas, Hershel disse que vai fazer muita diferença agora nesses últimos meses.
−Que bom! Ela responde, todos comíamos quando Rick sem resistir mais começa o interrogatório.
−Onde está seu grupo? Ele pergunta e ela o olha confusa.
−Não tenho grupo! Ela responde – Sou apenas eu, desde... desde sempre! Ela responde e ficamos todos incrédulos, sobreviver todo esse tempo sozinha, parecia um milagre para dizer o mínimo.
−Sozinha? Carol a olha irritada – Diga logo garota, onde está seu grupo?
−Eu... eu não tenho ninguém! Ela me olha assustada – Não é como se estivesse por ai matando essas coisas, eu apenas sou ágil, silenciosa e rápida, se vocês aprenderam a lutar, eu aprendi a fugir, assim que sobrevivi.
−Sempre sozinha? Carl perguntou.
−Quando tudo começou eu estava com meu pai e minha mãe, ela tinha câncer em fase terminal, meu pai me deu as facas e as armas, me preparou para o pior, queria que eu partisse como estavam mandando! Ela dizia tudo de uma vez, olhando para o chão, eu sabia que ela queria de todos os modos que acreditássemos nela e eu não via razão nenhuma para duvidar – Fiquei com eles, não podia deixá-los, um dia, logo na primeira semana, minha mãe que não saia da cama a quase dois anos se levantou e caminhou até nós, achei que era um milagre! Ela seca uma lagrima – Meu pai se aproximou e ela o atacou, ele me mandou fugir, me tranquei no quarto e depois quando ela começou a arranhar minha porta eu sabia que tinha de ir, antes eu acabei com o sofrimento dela, usei a arma que tinha, a única vez que a usei!
−Sabemos como é! Beth apertou sua mão, agradeci por isso.
−Fugi pela janela e corri, peguei uma carona, umas moças me ajudaram, seguimos até a rodovia principal, estava tudo parado, as pessoas meio que acampavam na estrada sem saber que caminho seguir, grupos se formavam, segui a pé com algumas pessoas, ficamos acampados e depois de dois dias, uma pequena horda nos atacou, fugi mais uma vez, me juntei a alguns sobreviventes, sempre sem rumo e direção e assim foi por quase um mês, sempre tinha alguém morrendo, nem tínhamos tempo de aprender os nomes das pessoas.
Um vento frio sopra e ela se encolhe, todos nós conhecíamos aquela história, ela passa as mãos pelos cabelos respira fundo e continua.
−Fiquei uma semana com uma família grande, três casais e algumas crianças, mas quando ficou difícil achar comida eles me mandaram embora, segui sozinha, isso foi logo no primeiro mês.
-Nunca mais encontrou sobreviventes? Beth perguntou.
-Uma vez encontrei alguns homens na floresta eu estava a muito tempo sozinha, achei que... pensei que poderia me juntar a eles, foi um erro... – Ela pisca afastando as lagrimas, um tremor passa por seu corpo e ela se cala por algum tempo – O importante é saber que entendi desde aquele dia que no fundo somos todos iguais, estamos todos mortos, nunca mais me aproximei de nenhum sobrevivente. Eu estava a dois dias caminhando, não tinha encontrado um abrigo e se você está sozinho, não pode simplesmente dormir, isso significa acordar com suas entranhas sendo devoradas, achei aquele lugar um pouco antes de chegarem, tinha entrado pela janela.
−Você é boa nisso! Glenn diz sorrindo – Era bem alta!
Ela dá de ombros e Rick me olha, parecia satisfeito com sua história, eu não conseguia deixar de pensar em como uma pequena como aquela tinha sobrevivido por um ano em meio ao inferno e o que tinham feito a ela para que tivesse tanto medo de sobreviventes.
Ficamos em silencio e Beth pretendia fazer alguma pergunta quando ela usa um dedo na boca para pedir silencio, os olhos abertos e fixos no chão, ela fica pálida.
−Temos de ir, estão ouvindo? Vem muitos, mais de dez! Ela diz e depois volta a ficar muda seu pescoço se volta para mesma direção, mas agora para o outro lado da estrada – Dois grupos um de cada lado da estrada, vão se encontrar aqui! Ninguém ouvia nada e apenas a olhávamos.
-Não seja estupida garota, está apenas querendo chamar atenção, tudo que podemos ouvir são as folhas, isso é apenas o vento! Carol parecia decidida a repelir a garota.
-Temos de ir, eles sabem, não percebem, cinco minutos! Ela dizia tremula e me olha suplicando ajuda, tenta se levantar fica pálida eu caminho até ela, pego a no colo, ela estava a um ano por ai, tinha lá seus instintos era melhor confiar.
Então assim que a levanto uma revoada de pássaros levanta voo da direção que ela apontara, eles pintam o céu e se afastam para depois se reagruparem seguindo para o lado oposto.
−Vamos! Rick diz e todos, recolhendo tudo às pressas, correm para os carros, eu sigo com ela e depois de ajudá-la a se sentar pego o volante, já estávamos na estrada quando pelo retrovisor vejo uma horda de pelo menos trinta entrando na estrada pelos dois lados do acostamento, ela estava certa.
−Como sabia? Pergunto dirigindo.
−Vocês sempre estiveram em um grupo, tem uns aos outros, para garantir a segurança, eu era sozinha, precisei me desenvolver, minha teoria é a de que desenvolvi meus sentidos assim como os cegos, preciso deles, sinto o cheiro e os ouço muito antes de vê-los, quase nunca os vejo para ser honesta.
-Faz sentido! Digo apenas, dirijo por algumas horas e então escurece, paramos um pouco, estávamos todos cansados e eu realmente precisava de algumas horas de sono, meu problema era deixa-la nas mãos de T-dog, mas ela podia seguir comigo no carro de Rick, ou Glenn, Carol podia acompanhar T-dog.
−Obrigado! Diz Rick se aproximando de nós assim que paro. Ela sorri e depois ele me olha preocupado – Vamos mudar os motoristas Daryl, não é seguro parar agora, vá com Katie para o carro de Glenn, T-dog vem dirigir e Carol lhe faz companhia, vamos apenas dividir a comida e tomar umas decisões.
Ele se afasta e eu fico grato por ele ter facilitado as coisas para mim, desconfiava que Rick já tinha percebido que eu não pretendia deixar a pequena com Dog.
−Volto logo! Digo a ela e me afasto com Rick, o grupo conversava e depois de alguns minutos Carol se afasta indo ao encontro de Katie, eu percebo, mas não me preocupo pois ela volta muito rápido.
Quando vou buscar Katie, sob os protestos de Carol que eu não dou ouvidos a encontro abatida e silenciosa, eu a levo para o carro de Glenn junto com sua mochila e botas.
Katie passa toda noite escondendo com muita dificuldade o choro, eu não sabia como lidar com aquilo e só quando ela adormece já esgotada é que eu consigo dormir, estávamos no banco de trás e quando acordo ela estava recostada em meu peito dormindo, eu tinha um braço a envolvendo e antes mesmo de abrir meus olhos sinto seu perfume suave.
Glenn para o carro e ela acorda assustada, murmura um me desculpe e se afasta, finjo não dar importância e desço do carro seguindo até onde o grupo começava a se reunir, Maggie estava contando algo a Lori e Beth as três riam e nos sentamos para comer, eu pensei em buscar Katie, mas achei que ela precisava de alguns minutos sozinha ela tinha tido uma noite péssima.
−Acho que já está na hora de mandar a garota embora! Carol diz e todos a observam – Não estamos em condições de alimentar mais uma boca! Ela me olha buscando apoio – Vocês não engoliram aquela história não é mesmo?
−Carol, ela pareceu bem honesta, além disso, ela nos ajudou, me deu aquelas vitaminas! Lori diz determinada.
−Voto contra! Carol diz – Não quero acordar com uma arma na cabeça! Ela mais uma vez procura meu olhar esperando que eu concordasse, afinal eu sempre fora avesso a novos membros no grupo – E você Daryl?
−Achei que não era mais uma democracia! Digo frio como gelo, enjoado com a postura de Carol – De qualquer modo se querem mesmo fazer isso, acho que deviam votar se me querem ou não no grupo, por que ela vai onde eu for! Digo irritado, os braços cruzados no peito.
Todos me olhavam boquiabertos, eles não sabem como lidar com aquela minha nova atitude, não os culpo já que nem mesmo eu sei, o silencio reina por algum tempo até que Rick depois de me olhar nos olhos e perceber que eu não mentia responde por todos.
−Daryl tem razão, acho que está claro que isso não é uma democracia, e ninguém vai a lugar algum.
Todos concordam com a cabeça e eu olho na direção do carro, primeiro vejo a porta se abrindo e o par de botas tocar o chão, então ela se ergue, a expressão firme, mas percebo que as mãos apertavam com força a porta do carro, e pelos nós dos dedos brancos de tanto apertar a porta, eu sabia que ela estava sentindo dor.
Ela fica parada por alguns segundos se acostumando com a dor, depois caminha em nossa direção, um andar seguro e delicado, os cabelos presos numa trança a mochila nas costas, era a primeira vez que eu a via caminhar, lembrava um felino, pensei – Onde ela pensa que vai? Me perguntei ao vê-la seguir em nossa direção com os olhos marejados.
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