Fim Dos Tempos
17 Capítulo 17 - Ciúme
Notas iniciais
Espero que gostem, minha versão até a próxima temporada.
Pov – Daryl
A Bravinha dormia no colo de Rick quando nos aproximamos, eu a pego no colo e beijo seus cabelos, Katie faz o mesmo, nenhum dos três diz nada, ficamos apenas olhando nosso anjinho, ela era preciosa para todos, um símbolo da nossa luta, era como assistir o recomeço.
−Que bom que estamos todos aqui! Digo e Rick afirma com a cabeça concordando.
−Enquanto o novo grupo come precisamos nos reunir e conversar! Rick diz apreensivo, concordamos e eu sigo com a Bravinha lá para o pátio, tinha um sol leve e ela iria gostar, Rick se afasta para reunir o resto do grupo, minha pequena me acompanha, olho os dois irmãos sentados no refeitório de mãos dadas com os olhos vermelhos, tenho a impressão que eles nunca parariam de chorar, eles de algum jeito pareciam ainda mais deslocados que os outros, estavam sempre isolados.
Penso em como se pareciam comigo, como se estivessem fora do lugar, os dois me olham e depois para Katie, aqueles pares de olhos estavam sempre nos acompanhando me dou conta.
No pátio nosso grupo se reuni, eu, Katie, Rick, Glenn e Maggie, Harshel, Beth, Carol e Michonne, Carl também estava presente, mas mantinha uma postura distante, nesse momento ele estava tão a margem como eu sempre me senti até encontrar Katie.
−Temos de tomar decisões e nos organizar para lidar com essa situação, como vamos cuidar de tudo e reerguer esse lugar, mais uma vez! Rick diz e todos concordam.
−Vamos ter de limpar os pátios mais uma vez, principalmente agora vamos precisar de espaço.
Glenn comenta e olhamos em volta, tudo estava repleto de zumbis, e destroços da guerra travada a pouco.
−Acho que seria bom limpar mais um bloco, para acomodarmos todos! Eu digo pensando que não tinha a menor intenção de dividir meu espaço com mais ninguém além de minha pequena.
−Vamos começar limpando os pátios, concertando o portão e melhorando nossa segurança! Rick comenta – Mas concordo que precisamos de mais um bloco, temos mais crianças agora e muitas estão sem ninguém, quem sabe um lugar para elas brincarem, estudarem...
−Eu acho que estamos muito preocupados com os perigos de fora, mas não podemos esquecer que são estranhos aqui agora, vivendo conosco! Katie corta Rick com ar preocupado – Todos parecem muito assustados e gratos, mas eu estava lá quando o governador fez aquele discurso inflamado contra nós, nos chamando de terroristas, bandidos, vi o povo berrando por sangue, o sangue de Daryl e Merle, algumas dessas pessoas estão lá dentro agora, não saberia dizer quem, mas estão, acho que precisamos nos proteger disso também, quem pode garantir que nenhum deles vai se vingar, matamos homens e mulheres de Woodybury.
−Ela tem razão! Maggie diz e todos nos olhamos em silencio, ninguém tinha pensado nisso, mas era possível.
−Acho que podemos nos dividir, manter sempre alguém de olho lá dentro, como uma guarda discreta, apenas para podermos dormir tranquilos, e nunca deixar Judith sozinha como fazíamos antes.
−Podemos dividir nosso grupo em dois! Glenn comenta – Carol, Harshel e Beth se dividem lá dentro, cuidando das pessoas e fazendo uma vigia discreta, ninguém vai estranhar, e a Bravinha vai estar protegida, e os outros fazem a vigia aqui, além do trabalho mais pesado, concertos, e saídas para buscar suprimentos, como sempre fizemos.
−Perfeito! Eu concordo – Mas acho que eles tem pessoas que podem nos ajudar, vamos dividir o trabalho, Tyresse e a irmã são fortes, acho que podem ajudar, sob supervisão por enquanto, e Kellen também!
−Quem é essa? Maggie pergunta.
−A mulher que nos acompanhou a Woodybury! Katie responde – E comida, temos para quanto tempo?
−Com todas essas pessoas, uma semana no máximo! Beth avisa e nos olhamos – Mesmo com o que trouxeram de lá, eles viviam separados, famílias independentes, não sei como vai ser agora, dividindo tarefas.
−Acho que mesmo sendo uma democracia de novo esse trabalho diplomático deve ficar com o Rick e o Hershel! Eu aviso deixando claro que não tinha paciência para os preguiçosos.
−Eu aceito! Rick comente e Hershel também afirma com a cabeça – E vamos tentar nos manter unidos, superar esse momento!
−Vamos! Katie responde mais tranquila – Só falta a escala de vigia!
−Durante o dia vamos trabalhar todos juntos aqui fora, então podemos dar conta, à noite montamos guarda de dois em dois, alternando uma noite sim outra não!
Rick era muito organizado, eu rio e todos me acompanham, depois de montarmos uma escala contando com a ajuda dos novos membros do grupo entramos para comer, os dois pares de olhos ainda me acompanhavam vez por outra as atenções deles seguiam para Katie, finjo não notar.
Depois de comermos damos início a limpeza dos pátios, tomaríamos o primeiro e assim poderíamos chegar a uma das torres e descobrir o tamanho do estrago, estava mesmo interessado em saber como ela estava e acho que não era o único.
As pessoas de Woodybury ficavam nos olhando entrar em formação no pátio impressionadas, Tyresse e Sasha nos acompanham, seria bom saber se eles eram confiáveis e preparados o suficiente.
Depois de lutarmos juntos por tanto tempo e tantas vezes estávamos mais do que acostumados e limpar um pátio com duas dúzias de zumbi não foi grande coisa e não demos um único tiro, embora Sasha e Tyresse tivessem tentado atirar mais de uma vez, concertamos o portão e no fim da tarde tínhamos um pátio limpo, e seguro.
−Estamos em segurança, alguém tem de subir na torre e ver as condições em que se encontra! Rick diz quando ainda estávamos no pátio.
−Nós vamos! Dizemos eu, Katie, Maggie e Glenn em uníssono, ficamos calados logo em seguida, sem nos olhar, assistindo a risada de Rick.
−Acho que vão ter de tirar no palitinho! Ele brinca, os outros parecem não entender o que se passava.
−Podem ir! Mais uma vez dizemos em uníssono e então explodimos em risadas, agora só os quatro reunidos.
−Par! Digo fechando a mão e olhando para Glenn ele me olha sério.
−Ímpar! Baixamos a mão ao mesmo tempo e eu ganho.
−Ótimo! Katie diz rindo e Maggie faz uma careta se afastando com Glenn, pego a mão de minha pequena e subo as escadas da torre.
Quando chegamos lá em cima fico triste ao notar todos os vidros quebrados e os destroços espalhados, a porta também estava arrebentada, mas tinha concerto, podíamos limpar e arrumar.
−Sinto tanta falta daqui! Minha pequena me diz abraçada a mim – Podemos arrumar não é?
−Podemos, claro que podemos! Eu a beijo e então olho para o colchão coberto de vidro e madeira arrebentada, ali eu tinha confessado a ela que a amava, ali tínhamos feito amor pela primeira vez – E vamos começar agora!
Já estava escuro quando finalmente descemos, ainda não dava para ficar ali, mas estava razoável, terminaríamos no dia seguinte e seria um bom lugar, meio ao ar livre já que não tínhamos como repor as janelas, mas quem se importa.
−Vamos, está escuro e aqui ainda não está seguro o bastante, amanhã continuamos.
−Amo você! Ela me diz antes de descermos eu a beijo longamente, adorava quando sem motivo algum ela me lembrava que me amava.
−Também te amo!
Estavam todos reunidos mais uma vez no refeitório quando chegamos, olho para Glenn e Maggie que pareciam ansiosos.
−Tem concerto! Eu respondo e eles riem. Carol e Beth serviam mais uma refeição e nos juntamos ao grupo, dê alguma maneira ainda éramos dois grupos distintos, isso era visível nesses momentos, sentávamos separados mesmo que involuntariamente, as duas crianças eram como um terceiro grupo isolados de todos, Eu os olho começando a me preocupar.
−Eu também já notei! Katie me diz do nada, eu olho para ela espantado em como ela simplesmente me conhecia – Eles estão isolados como se não pertencessem a nenhum lugar, e ficam sempre nos olhando, são tão fofinhos não é? Ela me diz e eu aperto seu nariz, minha doce pequena.
−Coelhinhos brancos? Eu pergunto brincando com ela.
−Isso mesmo! Ela ri, e depois aperta o pescoço com uma das mãos – Foi um dia longo.
−Muito! Eu concordo – Estamos livres da vigia hoje então vamos dormir cedo.
−Vamos caçar amanhã? Ela me pede – Quero aprender a usar aquela besta e acho que é um bom momento!
−Combinado! Eu a puxo pela mão e subimos para nossa cela, ela era a última do andar de cima discreta e distante, agora além de nós apenas Maggie e Glenn ocupavam uma cela, no outro lado do corredor, não por acaso.
O grupo tinha organizado espaço para todos, uma cela só para as crianças e outra para os idosos, o resto foi se dividindo nas celas restantes, e nosso grupo ficou onde sempre esteve, Rick e Carl, Michonne em uma sozinha e Hershel com Beth e Carol.
A bravinha antes dormia com Beth, mas Rick tinha decidido que ela deveria ficar com ele, acho isso bom, mostrava que depois de tudo ele estava de volta, se recuperando e tentando assumir sua família.
−Acha que está muito difícil de limpar um bloco? Katie me pergunta quando nos deitamos abraçados.
−Não quero que vá! Eu a aviso – Fico muito tenso com você lá dentro! Eu aviso sabendo que ela não me deixaria entrar lá dentro sem ela.
−Fica tenso se vou e eu fico apavorada se não vou, tenho medo de não estar com você se algo acontecer! Ela se aperta a mim.
−Nada vai acontecer! Eu garanto – mas ainda tem muito a fazer lá fora, então os blocos vão ficar para depois.
−Daryl! Ela me olha nos olhos – Se algo acontecer a você e eu não estiver por perto, se chegar apenas uma notícia, ou nem isso... – Ela tinha os olhos marejados e esconde o rosto no meu peito – Por favor, não me deixe passar por isso, eu te amo!
−Eu sei! Concordo, por que pensava a mesma coisa, sabia que deveríamos ficar juntos – Agora não chore, vamos dormir amanhã temos muito trabalho, quero a torre pronta antes do dia acabar! Eu digo e ela sorri me beijando.
−Cheio de segundas intensões! Ela brinca e eu a aperto junto a mim e ficamos em silencio, o barulho na prisão começa a diminuir e adormecemos.
Acordo com Katie me cutucando, estávamos abraçados virados para parede, enroscados um no outro, estava tudo escuro e silencioso.
−Amor! Ela sussurra.
−Hum! É minha resposta sonolenta.
−Está acordado? Ela me pergunta.
−Não! Eu respondo, e não era propriamente uma mentira.
−Está ouvindo? Ela pergunta com a voz tensa – Acho que tem um rato aqui!
−Aposto que não tem, só está impressionada, eles moram lá em baixo!
−Como sabe está de olhos fechados?
−Eu sinto! Eu rio e ela me cutuca brava – Ok! Eu me viro e para minha surpresa o que vejo são duas crianças sentadas no chão envolvidas em um cobertor abraçadas e nos olhando dormir, cutuco Katie por que não sabia lidar com algo assim, ela se vira e nos sentamos.
−Oi! Katie diz piscando para ter certeza do que estava acontecendo.
−Aqui tem muito barulho de bichos! A menina conta tentando se explicar – Em Woodybury nunca os ouvíamos, meu irmão tem muito medo! Ela diz com olhos assustados, lindos olhos azuis eu penso.
−Estão com medo é isso? Katie pergunta.
−Vocês dois matam bichos, nós vimos na estrada e aqui, lá fora! Ela continua.
−Não tem medo! O menino continua – Podemos ficar aqui só um pouquinho? Ele pede muito assustado e eu olho para Katie sem saber o que fazer, crianças eram o meu fraco, sempre pensava na minha infância e em como sempre fui sozinho, isso me deixava meio confuso e assustado, sem saber como agir.
−Estão seguros aqui dentro, temos vigias aqui e lá fora! Katie garante – Não podem dormir sentados! Ela continua e eles se abraçam – Como se chamam?
−Eu sou Megan e esse é meu irmão Nick! Ela diz.
−Certo Megan, vamos fazer uma coisa, eu e Daryl vamos até o quarto de vocês e ficamos até que durmam! Katie promete e eu a olho, sem ter certeza se gostava ou não da ideia, não queria me aproximar demais, criar laços, mas me lembro da história dos coelhinhos brancos e acabo concordando.
Nos levantamos e ela os ajuda a fazer o mesmo, caminhávamos para a porta quando Megan nos chama atenção.
−Não vão levar as armas? Ela olha para minha besta e o cinto de Katie ao lado da cama, nos olhamos e eu pego a besta e entrego o cinto a Katie, seguimos para a cela das crianças, passamos por Hershel que lia sentado com apenas uma vela, ele nos olha e dou de ombros, pensando que ele era um péssimo guarda já que não tinha percebido as crianças indo ao nosso encontro, ou talvez tivesse, tinha algo naquele olhar eu penso quando entramos e fico olhando Katie cobrir as crianças e se sentar na beira do beliche, fico na porta, não quero me envolver, não quero lidar com crianças e muito menos com perdas, as crianças não demoram muito a dormir e voltamos para cama de mãos dadas sem falar no assunto, eu não queria pensar a respeito e perder o sono.
−Então no fim tinha mesmo dois ratinhos aqui! Eu brinco quando nos deitamos ela ri.
Nos enroscamos e voltamos a dormir, quase que imediatamente.
Durante a manhã me separo de Katie, cada um envolvido em seu trabalho, era quase hora do almoço e vou atrás dela, sempre que me virava dava de cara com Megan e Nick me seguindo de longe, eles não podiam grudar em outro, Michonne também matava bichos, como eles diziam, mas não, eu tinha sido o escolhido.
Caminho com minha besta nas costas para o pátio por que Glenn havia me avisado que ela estava matando alguns zumbis na cerca para que pudéssemos limpar o outro pátio depois do almoço.
Vejo Katie com uma de suas facas na mão, ela matava zumbis na cerca, porém não estava sozinha, um rapaz a acompanhava, me aproximo de cara amarrada e então a vejo sorrindo, não um sorriso qualquer mas o meu sorriso, o que ela sempre dirigia a mim, fico cego de raiva, ela estava ali, alegre como se estivesse colhendo flores, rindo para um desconhecido, um jovem de pouco mais de vinte anos que eu nem me lembrava de ter visto antes, ela me vê e vem em minha direção o rapaz me olha desconfiado.
−Vamos caçar? Ela diz ainda sorrindo, como se nada tivesse acontecido.
−Eu vou! Digo frio como gelo, sem me reconhecer – Você pode ficar ai sorrindo para o seu novo amiguinho! O sorriso de Katie se desfaz no mesmo instante, seus olhos perdem o brilho e sem dizer nada ela me dá as costas e se afasta para dentro do nosso bloco de celas, eu caminho para o portão.
−Vai sair? Carl me pergunta – avisou alguém, e a Katie? Ele estranha o fato de eu sair sem ela.
−Vou caçar Carl, abra o portão e fique de olho... nas coisas! Eu queria dizer Katie e ele sabia assente e abre o portão, eu saio com minha besta e um facão, derrubo dois zumbis que estavam no meu caminho e sumo em direção a floresta.
Caminho por algum tempo, apenas olhando para a frente, pensando na crise de ciúme de minutos atrás, sem saber como lidar com aquilo, não éramos mais apenas nossa pequena família, agora tinham muitas pessoas, e isso me enchia de medo de perder Katie, de ela perceber que eu não era grande coisa e me esquecer, encontro um coelho branco e miro, lembro dela dizendo que nunca caçava coelhos brancos e baixo a arma.
Depois escuto passos na floresta e viro para outra direção, devia ser um errante e eu só queria pensar um pouco, nada além disso, olho para o céu e vejo grossas nuvens se formando, logo uma chuva forte cairia, continuo em direção ao norte e vejo uma pequena cabana de caça, decido entrar, estava vazia, e era precária, encontro um cesto com flechas e as junto ao meu arsenal, flechas eram algo fácil de encontrar naquela região, a chuva cai torrencial e me sento num colchão podre, era melhor esperar passar e depois voltar para casa.
Minha mente segue para minha pequena, nas muitas vezes que ela me dissera que me amava, que eu era sua vida, em sua coragem em me defender em Woodybury, e imediatamente me arrependo do modo como a tratara.
Meu coração dói ao me dar conta de que pela primeira vez ela não lutara para ficar ao meu lado, ela tinha me dado as costas, eu tinha magoado Katie, de um jeito que nunca tinha feito antes, meu coração acelera, ela tinha de me perdoar, abro a porta e dou de cara com um zumbi, uma mulher sem os braços para minha sorte por que o barulho da chuva tinha encoberto seu som e a água afastado o cheiro de morte.
Empurro o zumbi e armo a besta acertando-a ainda no chão, volto para dentro me lembrando do que Katie me dissera, se algo me acontecesse e ela não soubesse, decido me concentrar em voltar para ela, e fazê-la me perdoar.
Sem alternativa espero por quase meia hora a chuva passar e depois deixo a cabana atento a cada som, caminho apressado e quando avisto a prisão suspiro aliviado, Agora era Maggie quem estava de guarda e ela me olha com cara de poucos amigos, sim, como sempre nossa família era atenta a tudo e já sabiam que eu tinha magoado Katie, entro em silêncio, de mãos vazias, caminho para dentro e o rapaz que conversava com Katie me para, ele parecia assustado quando olho para ele.
−Eu... eu queria explicar... – Ele gaguejava e respiro fundo segurando a vontade de derrubá-lo – Eu vi que ficou bravo com sua mulher e eu...
−Estou com pressa, então diga de uma vez! Minha voz era contida, ele treme.
−Não sabia que ela era casada, não vi aliança, então... Bom o mundo está esse caos, eu disse que ela era bonita, que parecia feliz – Ele olhava para o chão o que era bom por que se visse minha expressão correria ao encontro do primeiro zumbi que encontrasse – Ela me disse que era muito feliz, que era por que... Bom ela me disse que era feliz por que era casada com o melhor homem do mundo, disse que vocês, que se amavam que foi sorte dela ter te encontrado, eu vi que brigou com ela por que ela estava sorrindo para mim, mas acho que meio que ela na verdade estava sorrindo para você, eu não quis causar problemas, nos receberam bem e eu não quero criar atrito com ninguém, vou ficar longe.
−Pode apostar! Eu respondo e me afasto, agora ainda mais arrependido da minha estupidez, era por isso que ela sorria, por isso o meu sorriso, me sinto um imbecil, na verdade era isso mesmo que eu era, um grande imbecil.
Vou até nossa cela, estava vazia e eu já estava deixando o bloco quando Megan me chama com o irmão sempre a seu lado.
−Katie está lá na torre! Ela me diz – Você fez ela chorar, e ela foi lá para torre, estava chovendo quando ela foi, não voltou ainda.
−Droga! Resmungo – Eu vou buscar a Katie! Dou as costas a eles, eu tinha feito Katie chorar, mais uma vez eu tinha feito minha pequena chorar.
Subo os degraus de dois em dois, rezando para ela me perdoar e pensando se não devia fazer como Glenn e arrancar o dedo de algum zumbi de aliança e colocar no dedo dela para mais nenhum idiota tentar se dar bem.
Abro a porta e me sinto entrando mais uma vez naquela cabana onde eu a tinha encontrado, ela estava sentada no chão de olhos fechados, estava molhada e tremia, eu me aproximo e assim que a toco percebo que estava com febre.
−Pequena! Ela não abre os olhos, meu coração acelera – Meu amor! Eu chamo mais uma vez, ela abre os olhos e eles eram mais uma vez os olhos assustados e solitários, ela volta a fecha-los – Vamos! Eu a pego no colo.
−Daryl! Ela me chama e eu não sabia se estava acordada ou não.
−Estou aqui pequena! Eu a aperto descendo as escadas com pressa, atravesso o pátio e entro para nosso bloco.
Passo pelo olhar furioso de Maggie e os olhos rancorosos de Carol então encontro Beth que primeiro me olha assustada e depois ao perceber o estado de Katie me acompanha.
−Ela está molhada? Ela pergunta.
−E com febre! Eu digo sem parar.
−Vou buscar o papai! Beth desaparece e eu entro na cela e a coloco na cama, então começo a tirar suas roupas molhadas, depois a visto assustado, ela não parava de tremer e me chama mais uma vez.
−Por favor pequena! Eu pedia – Por favor meu amor, acorde, não faz isso comigo! Eu a cubro tentando fazê-la se aquecer, não estava frio, não era a primeira vez que ela tomava chuva, eu não entendia o porquê da febre.
Para meu alivio Hershel entra acompanhado de Beth, eu o olho pedindo socorro ele se aproxima e toca sua testa.
−Febre! Ele diz e isso eu já sabia, penso irritado – Brigaram?
−Eu sou um idiota! Digo envergonhado, Beth me olha e depois olha para o pai.
−Vou dar um remédio para a febre ceder! Ele me diz – Mas duvido que isso tenha a ver com a chuva, parece emocional.
Passo a mão pelo cabelo me sentindo um estupido, Hershel trazia uma caixinha consigo e pinga umas gotas de algum remédio numa colher.
−Me ajude aqui! Ele me pede – Erga a cabeça dela! Obedeço como um bom menino imediatamente – Vamos Katie abra a boca! Ele pede mas ao mesmo tempo aperta suas bochechas fazendo-a abrir um pouco a boca e ela acaba tomando o remédio, volto a deita-la, beijo sua testa e seguro sua mão.
Hershel me olha preocupado, eu queria desesperadamente voltar no tempo e fazê-la ficar bem, não dizer tolices.
−Ela vai ficar bem? Pergunto – Demora para fazer efeito?
−Pode ir Beth! Ele se dirige a filha me ignorando – Sua amiga vai ficar boa logo.
Beth nos deixa e Hershel me olha muito sério, eu sabia que agora tomaria uma bela bronca, e era só a primeira, depois viria Maggie, talvez até Beth.
−Quando chegaram a minha fazendo, com o menino baleado e toda aquela confusão eu fiquei impressionado com todos, em como ocupavam espaço e se intrometiam em tudo, mas você não, você nunca passou da soleira da porta, quando chegou ferido depois de sair sozinho para procurar a pobre menina quando todos até mesmo a mãe dela pareciam já ter desistido eu fiquei surpreso! Eu não sabia onde ele queria chegar, voltando ao passado daquela maneira, mas era melhor ouvir, era um jeito de não ficar louco com medo de perder minha pequena, eu dividia minha atenção entre ele, e o rosto pálido do meu amor.
−Você aceitou meus cuidados, mas nunca pediu nada, se comportou de uma maneira firme, assim que se sentiu melhor deixou minha casa, sempre foi respeitoso com minhas filhas e apesar de mal nos conhecer cuidou de nos tirar daquela fazenda quando fomos atacados, podia ter simplesmente ido embora mais não foi – Eu o olho a bronca nunca chegaria, eu a merecia – Cuidou de todos, caçou e nos alimentou durante todo inverno, quando encontramos Katie não muito diferente de como ela está agora, você me deu uma lição!
−Eu? Pergunto surpreso.
−Sim, ela tinha nos dado tudo que tinha, mas eu estava tão cansado e tão preocupado em manter minhas filhas vivas que dei as costas a ela e se não fosse por você ela teria ficado lá, mas você, mesmo cansado e faminto como todos, você a salvou, quando eu fui até seu carro cuidar dela me senti um monte de lixo e pensei em como era bom ter alguém como você por perto.
Eu queria dizer alguma coisa, mostrar que ele estava errado, mas fico calado.
−Está sempre nos protegendo, lutando pelo grupo, salvou Judith, cuidou de tudo quando o Rick ficou meio maluco, e quando foi embora com Katie eu sabia que voltaria, e voltou.
−Pensei na Katie, eu não queria ser como o Merle...
−Não é, e mesmo o Merle, não era assim tão mal como queria parecer, Daryl você merece ter alguém como a Katie, não pode ficar o tempo todo achando que não é bom o suficiente para ela!
Então era ai que ele queria chegar, como eu poderia ser bom o suficiente para ela, para minha pequena, ela era a coisa mais doce e perfeita.
−Se eu tivesse um filho homem eu gostaria que ele fosse como você, então pare de tentar perdê-la porque ela não vai deixar você.
−Mesmo depois de hoje? Eu pergunto querendo que ele me dissesse que sim, mas duvidando.
−Sim, mesmo depois de hoje, essa febre é emocional, acho que nunca vi um amor como o de vocês, se completam, e foi mesmo instantâneo, vi nos seus olhos, logo de cara e nos dela também, assim que eu a vi de olhos abertos! Ele me sorri e eu fico em silèncio, como sempre ficava quando alguém tentava me fazer parecer melhor do que eu me sentia.
Seria bom ter tido um pai como ele, ter crescido numa fazenda como aquela, mas não tinha sido assim, e talvez eu realmente não tivesse culpa, talvez eu fosse mesmo a coisa certa para Katie, e talvez estivesse na hora de me dar algum valor.
−Ela vai ficar bem! Hershel se levanta – O remédio dela é você Daryl, em outros tempos eu diria para comprar flores e bombons, mas hoje em dia vai ter que se virar com um bom pedido de desculpas! Ele deixa a cela e eu suspiro preocupado só então noto Megan e Nick de pé na porta, eles me olhavam assustados.
−Ela vai virar um bicho? Megan pergunta e fico arrepiado.
−Não, esse é outro tipo de febre, logo ela melhora.
−Ela vai acordar logo? Nick pergunta coçando os olhos.
−Vai, eu os chamo quando ela acordar, vão brincar um pouco.
Eles obedecem, mas acho que teriam me obedecido se tivesse dito para fazerem qualquer coisa.
Eu olho para Katie, ela tinha um sono agitado, me deito envolvendo-a em meus braços, seria possível que ela tivesse uma febre emocional por minha causa, que me amasse assim?
−Por favor pequena, me perdoe! Eu digo me apertando a ela, só sairia dali quando ela me perdoasse.
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