Fim Dos Tempos

18 Capítulo 18 - Ratinhos


Notas iniciais
Mais um, estou em casa hoje se der posto mais um.

Pov – Katie

Acordo sem entender onde estava, apenas sentindo os braços de Daryl me envolvendo, meus olhos imediatamente se enchem de lágrimas, me lembro dele me deixando, mesmo depois de eu ter dito que não suportaria se algo acontecesse e eu não estivesse por perto e me lembro que ele tinha duvidado do meu amor.

−Me perdoa, minha pequena! Ele me diz ao perceber que eu estava acordada, me apertava em seus braços como se tivesse medo de que eu fugisse, mais uma vez com medo de que eu fugisse.

Eu queria ter forças para ficar brava com ele, sair dali e deixa-lo pensando no que tinha feito, mas simplesmente não conseguia, eu amava aquele homem mais do que qualquer coisa, sem ele eu simplesmente não existia.

−Eu tenho tanto medo de perder você, de que um dia descubra que não sou bom o bastante, eu sei que estou sempre errando... – Eu estava em seus braços, mas ainda não tinha encontrado seus olhos, apenas ouvia suas palavras enquanto minhas lágrimas rolavam – Sempre te afastando, todas essas pessoas novas, eu vi você e... Eu fiquei maluco, nunca senti ciúme antes, não sei lidar com isso.

−Como pode achar que um dia vou deixar você? Eu pergunto e só então o olho, ele estava assustado como um menino – Eu sei que vai ser difícil agora que não somos apenas nós, mas não pode fazer o que fez, pode sentir ciúme, ficar incomodado se um homem me olhar... ou algo assim, mas não pode duvidar do meu amor! Ele acaricia meu rosto eu me aconchego em seus braços, me doía vê-lo com medo – Acha que gosto de ver como Carol te olha? Pergunto séria – Acha que não fico com ciúme quando ela serve sua comida antes dos outros como se você fosse o homem dela?

−Sente ciúme de mim? Ele me pergunta surpreso e se move de uma maneira que ficamos de frente nos olhando – Ciúme da Carol?

−Sim, mas não faço nada por que me disse mais de uma vez que me ama e eu acredito nisso.

−Inacreditável! Ele me diz sorrindo – Tem ciúme, eu nunca...

−Eu sei, por isso não faço uma cena, então faça o mesmo! Tento parecer brava, como se fosse possível.

−Magoei você! Ele se lembra e seus olhos voltam a ficar tristes, eu acaricio seu rosto.

−Tive febre? Pergunto me dando conta que estava na torre e me lembrando vagamente de senti-lo me tirar de lá.

−Te achei na torre com febre e molhada, o Hershel te deu um remédio e eu troquei você, fiquei com tanto medo.

−Não acredito que saiu sem mim! Eu lembro com o coração apertado.

−Vai me perdoar?

−Daryl eu amo você! Eu digo rezando para ele me ouvir, acreditar – Já disse, é minha escolha!

−E você a minha, eu te amo! Ele me diz – Agora posso beijá-la? Eu acabo por sorrir e ele me beija, um longo beijo.

−Que horas são? Eu pergunto quando nos afastamos.

−Já anoiteceu! Ele me diz e eu suspiro e o beijo mais uma vez – Está se sentindo bem? Ele me pergunta me afastando – Dói alguma coisa?

−Nada! Eu aviso e me aproximo dele queria estar em seus braços, sentir o seu cheiro, tive tanto medo de perdê-lo de que ele simplesmente tivesse me deixado para sempre – É tão bom estar aqui!

−Pequena quero muito ficar aqui com você, mas tem dois ratinhos muito preocupados esperando para te ver, melhor eu ir até lá chama-los.

−Preocupei todo mundo! Eu digo – Devia ter esperado você aqui, mas queria te ver chegando e senti tanta saudade que fui para nossa torre.

−Hershel disse que foi emocional! Ele diz e com um sorriso orgulhoso continua – febre de amor!

−Que bobo! Eu rio e o beijo – Vai buscar esses ratinhos de uma vez! Eu o empurro e ele sai da cama resignado.

Daryl volta logo depois, acompanhado de Megan e Nick que me olhavam com os olhos azuis imensos como os de Daryl, e tão cheios de sofrimento quanto os dele as vezes eram.

−Oi! Eu sorrio tentando parecer bem e os dois sorriem, pareciam cansados e eu os chamo para perto, eles se sentam na beira da cama e Daryl fica de pé na porta, olho para ele sabendo que travava uma luta interna, que não queria se apegar, que para ele era difícil e que crianças o fascinavam, ao mesmo tempo que o apavoravam e que não seria fácil para aqueles dois ganharem um espaço como Carl e Judith.

−Estava com febre e pensamos que ia virar um bicho como os que tem lá fora! Nick me diz.

−Eu estou bem! Os tranquilizo – Jantaram? Eles afirmam e Nick coça os olhos sonolento.

−Ele te buscou lá na torre, ficamos esperando ele chegar para buscar você! Megan olha para Daryl depois para mim – Ficamos preocupados.

Nick boceja e sem pedir licença se deita do meu lado, olho um pouco confusa, mas sem saber como reagir apenas o deixo ficar, ele fecha os olhos.

−Está muito doente para ficar lá com a gente até dormirmos? Ela pergunta e eu olho para Daryl que me olhava tenso, se eu estava confusa podia imaginar como ele se sentia.

−Eu estou bem! Digo por fim olho para Nick e ele dormia.

−Não! Daryl diz se aproximando – teve muita febre e vai ficar na cama, eu vou! Ele diz pegando Nick no colo cuidadoso – Vamos? Ele convida Megan que me sorri e olha para ele e depois para a besta, Daryl revira os olhos ajeita o menino pega a arma e sai com Megan em seus calcanhares, acabo rindo da cena e me deitando mais uma vez, estava mesmo cansada, acho que era a mistura de tudo, dos dias de tensão do medo do que passamos com aquela guerra estupida, e do medo de perder meu amor.

Tinha ficado tão feliz de poder pela primeira vez dizer que Daryl Dixon era meu marido e olha o que tinha acontecido, me cubro e fico olhando para o teto esperando ele voltar, sem saber como lidar com aquelas crianças que por alguma razão tinham nos escolhido.

−Pronto! Ele diz entrando meia hora depois – Dormindo e Maggie acaba de me dar uma bronca! Ele me conta se deitando.

−Bem feito! Eu rio e o abraço – Para você aprender a não brigar mais comigo, eu estava adorando anunciar que era meu marido e você briga comigo! Eu o lembro.

−O pequeno príncipe me contou! Ele me faz rir do apelido – Tive que me segurar para não quebrar a cara dele por que tem de admitir ele estava tentando se dar bem!

−Esse é o ponto, eu resolvi tudo deixando claro que sou muito feliz e apaixonada!

−Pensei em arrancar o dedo de algum zumbi como o Glenn e te dar uma aliança!

−Pode esquecer! Falo séria – Não vou usar o anel de uma daquelas coisas!

−Tudo bem! Ele me diz – Vou pensar em outra coisa, mas por agora podemos apenas matar um pouco a saudade, senti sua falta hoje na floresta, não sei mais andar sem você.

−Matar a saudade é muito boa ideia a melhor que já teve, ao menos hoje! Eu digo e ele me beija.

Começamos o dia limpando o outro pátio já que por conta da minha febre tudo tinha sido adiado, depois seguimos para a faxina, retirar os corpos e queimar, detestava aquela parte, mas era preciso, começamos então a reforçar a segurança, criamos um novo portão e tivemos a ideia de colocar estacas para abrirmos sem ter de sair para matar zumbis cada vez que alguém entrava ou saia.

Aquilo demoraria uns dias para ficar pronto e exigiria muito esforço, a torre estava pronta, enquanto eu estava com febre Glenn e Maggie tinham terminado o trabalho e estreado, Maggie me conta e decidimos fazer uma escala, algo entre eu e ela, já que Daryl e Glenn nunca falariam sobre aquilo, Beth que ouvia nossa conversa ria e seu olhar segue na direção de Carl, eu fico mais uma vez pensando se eles algum dia teriam uma chance, agora havia uma diferença, mas o tempo a tornaria uma tolice.

−O que disse ao Daryl Maggie, ele me disse que brigou com ele?

−Eu disse que ele é um babaca, que se fizer você chorar de novo vou pegar aquela besta e torna-la uma obra de arte abstrata! Eu rio e Beth nos olha espantada, era uma ameaça grave.

−Ele teve uma crise de ciúme, como se eu não tivesse também! Digo pensando em Carol, eu a procuro com o olhar e a vejo caminhando com Kellen as duas carregavam roupas – Achei que ela ficaria furiosa, nunca me aceitou no grupo, mas parece que ela adorou as pessoas de Woodybury.

−Assim que ele colocou os olhos em você a expressão dele mudou, tudo nele mudou! Beth me diz se referindo a Daryl – Todos percebemos, o problema da Carol é esse, ela achava que eles um dia teriam algo e ficou obvio que seria impossível quando ele te viu! Beth explica o que de alguma maneira eu desconfiava.

−Katie ele não precisava ter colocado você no carro dele, você estava péssima e o certo era ter deixado você perto do meu pai para ele cuidar de você, ali entendemos tudo! Maggie me diz – Acho que ele não sabia ainda, mas todos nós já sabíamos.

−Amo o Daryl. Maggie você tem medo?

−De perder o Glenn? Ela me pergunta – O tempo todo, mas não penso nisso, continuo e luto, assim não sofro, principalmente quando estamos lá fora, e por falar nisso amanhã vamos sair, eu e Glenn olhamos no mapa, precisamos achar uma cidade, um lugar seguro para conseguir suprimentos, o que acha?

−Antes que acabe a comida, mas agora nosso grupo é maior e Michonne é uma ótima guerreira, vamos dar conta!

Voltamos para dentro e eu sigo para o refeitório Rick estava com a bravinha nos braços eu a pego beijando seus cabelos.

−Melhorou? Ele pergunta.

−Muito.

Nosso grupo acaba se reunindo sem querer mais uma vez e aproveitamos para combinar a saída na manhã seguinte, Kellen e Tyresse se aproximam.

Eles tinham se tornado os líderes do outro grupo, junto com Sasha, decidimos que Sasha e Tyresse sairiam conosco e Kellen e Rick ficariam para cuidar da prisão, assim nenhum grupo ficaria fraco, depois alguns se afastam, Kellen se senta do meu lado, Daryl estava comigo.

−Kellen, o que aconteceu com os pais da Megan, os conhecia, fomos nós.... – Penso que eu ou mesmo Daryl podíamos ter matado seus pais, isso me parecia tão assustador, errado.

−Fala dos dois irmãozinhos, as crianças? Afirmo com a cabeça – O pai morreu no começo de tudo eles sempre viveram em Woodybury, nunca saíram por ai como os outros, quando o governador começou a construir aquela fortaleza eles já estavam lá, a mãe deles aceitou a proteção, mas sempre se mantiveram meio à parte, ela tinha muito medo, mais do que qualquer um, passou isso para eles.

Era fácil ver que eles tinham se mantido longe do caos, era só olhar para Carl e Megan tinham quase a mesma idade e o comportamento oposto.

−Por isso eles estão tão perdidos, não conviviam muito com vocês! Eu digo e ela concorda.

−Exato! Ela os olha sentados distantes nos olhando – A mãe deles veio atacar a prisão depois de o governador insinuar que ela perderia a proteção se não se envolvesse mais, mas ela foi uma das primeiras a fugir! Ela evita entrar em detalhes sobre nossa pequena guerra e me dou conta de como aquela situação era estranha – Foi o governador quem a matou quando nos recusamos a voltar, não vocês.

−Fico aliviada! Eu conto e ela assente depois se afasta e ficamos eu e Daryl abraçados e silenciosos digerindo aquela história, sem saber como resolver aquele impasse.

−Hershel me disse ontem que se tivesse um filho queria que fosse como eu! Daryl me diz do nada e eu o olho notando certo orgulho em suas palavras – Eu não sei o que fazer com aqueles dois pequena, é muita responsabilidade.

−Também não sei, mas não podemos simplesmente ignorá-los, acho que no momento estão apenas com medo, e nos viram matar zumbis, podemos dar uma olhada neles, apenas dar alguma proteção só até eles se acostumarem.

Eu digo querendo acreditar nisso, que não nos apegaríamos muito, que seria só por um tempo, ele concorda e eu sabia que pensava o mesmo.

Voltamos ao trabalho e no fim do dia sigo contente com Daryl para um banho, algum tempo sozinhos, apenas tomamos banho e sem ninguém perceber seguimos para torre, eu queria muito estar mais uma vez lá, não era só estar em seus braços e viajar com ele ao paraíso, mas sim fazer isso ali, no lugar onde tinha me entregado a ele pela primeira vez e onde tinha ouvido ele me dizer que me amava.

−Fiz uma escala com Maggie, um dia cada uma! Eu digo e ele me olha perplexo, sem acreditar nas minhas palavras – O que foi? Pergunto rindo assim que entramos.

−Tenho muito medo das conversas de vocês! Ele admite – Mulheres são... Diferentes, para dizer o mínimo.

−Meu amor, admita gostou da ideia! Eu o puxo pelo colete que aliás me deixava completamente zonza quando o via com ele – Isso significa que vai ser amor silencioso um dia e quente no outro! Eu faço uma cara sexy e ele ri me jogando no colchão, as vezes me esquecia que o mundo estava acabando, só ele podia fazer isso.

−Quer dizer que hoje é quente! Ele me pergunta enquanto nos despíamos ávidos.

−Muito quente! Eu responde e ele não sorria mais só o que vejo em seu olhar é meu desejo refletido.

Queria muito amanhecer o dia ali, mas penso nos dois garotinhos sentados em algum canto nos esperando para dormir, suspiro deitada em seus braços sentindo o vento que já começava a soprar frio anunciando que o inverno não estava tão longe como gostaríamos.

−Daryl...

−Eu sei! Ele me corta – Podemos voltar depois, afinal dentro da escala maluca de vocês hoje a torre é nossa.

Nos levantamos e vestimos nossas roupas, ainda nem tínhamos jantado estava mesmo na hora de descer.

−Não tínhamos decidido lutar pela torre? Ele me pergunta – O racha na prisão?

−Quem sabe no futuro, por agora vamos ter que nos contentar!

Comemos mais uma vez sopa e frutas secas, sinto saudades de uma boa pizza, penso depois do jantar, Megan e Nick já não estavam mais isolados, agora simplesmente se sentavam do nosso lado silenciosos.

−E então ratinhos, com sono? Daryl pergunta e eles se olham e depois olham para ele afirmando que sim, comemoro internamente pensando na torre – Ótimo, vamos dormir! Ele se levanta e pega minha mão seguimos com eles para o quarto das crianças, alguém tinha decorado um pouco o lugar e eu entro com os dois, vejo Carl passar olhando discretamente e Megan acompanhar seus paços com o olhar.

Então Carl estava se tornando um conquistador eu rio e Daryl me olha.

−Que foi? Ele me pergunta da porta, eu me aproximo e o abraço, as crianças estavam se arrumando, e nós as esperávamos, depois que estivessem deitados eu me sentava perto de Nick eles fechavam os olhos e era só esperar a respiração ficar tranquila e podíamos ir.

−Pensei ter visto um olharzinho diferente da Megan para o Carl quando ele passou! Daryl me olha sério, depois olha para ela.

−Ela é só uma menininha! Ele diz baixinho – Melhor ficarmos de olho! Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo, de onde aquele homem tinha saído, como Daryl podia ser tão encantador e ainda assim não se dar conta disso – Acha que devo falar com ele, ou com o Rick?

−Eu amo você! Não resisto – Fique calmo, foi uma bobagem, um olhar curioso apenas.

Na manhã seguinte decidimos que iriamos de moto e o resto num carro para economizar gasolina, estava arrumando meu cinto enquanto Daryl caminhava para mim quando Megan e o irmão se aproximam.

−Vão voltar? Ela pergunta.

−Antes do anoitecer! Eu prometo decidida a cumprir aquela promessa.

Daryl se aproxima e olha para eles e depois para mim, sem resistir ele bagunça o cabelo de Nick e esconde um sorriso.

−Se comportem ratinhos! Ele diz ligando a moto enquanto me sento em sua garupa, ou a minha, já que eu era oficialmente a dona daquela garupa.

Rick nos abre o portão e saímos para as ruas, enfrentar os perigos, trazer suprimentos, cuidar de pessoas que amávamos e outras que mal conhecíamos, eu me aperto a ele, lá fora não havia mais regras nem garantias, voltar era sempre um milagre.

Notas finais
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