Fim Dos Tempos
97 Capítulo 97 - Indo longe de mais
Notas iniciais
Pov – Daryl
Saímos do isolamento com meus ratinhos e vamos para nosso velho bloco de celas, adoro meu cantinho, o lugar onde sempre fui feliz com minha pequena e meus filhos.
−Daryl! Rick me chama e sigo com ele para fora ele quer conversar e sei que deve ser importante.
Rick me conta sobre Carol, que teve que manda-la embora, que Carol matou Karen e David, isso é assustador de várias maneiras, o que ela fez, o quanto se deixou levar por essa vida que temos agora, sua frieza em fazer e a de Rick em mandar que fosse embora, não gosto disso, lutamos muito por esse lugar, por todos, mesmo Carol tendo ficado louca, me assusta essa decisão, penso nas meninas que ela andava cuidando.
−Ela não tinha nenhum arrependimento Daryl! Ele me diz e penso que poderia ser um dos meus filhos, ela sempre odiou minha família, suspiro e olho para Rick, confio nele, sempre confiei, somos um tipo de amigos que aceita as fraquezas do outro, que entende o lugar de cada um nesse novo mundo.
−O que vamos fazer com as duas garotinhas? Agora eu sou esse tipo de pessoas, não posso ver uma criança, elas sempre lembram as minhas e só quero cuidar como se fossem.
−Disse que cuidaríamos delas! Eu concordo, não temos mesmo escolha – Não contei ao Tyreese ainda, não sei como ele vai reagir!
−Vamos descobrir! Eu e Rick seguimos em busca de Ty, levo a besta por garantia, se aquele gigante decidir se rebelar é bom estarmos prontos, saímos pelos corredores da prisão e o encontramos.
−Tyreese! Rick o chama num dos corredores escuros, penso em Katie, ela me pediu para não ficar muito longe.
−Rick, é você? Ele surge – Precisa ver isso!
−Temos que conversar.
−Depois isso é mais importante! Ele nos leva mais fundo na prisão, pelos corredores escuros, estranhamente enquanto caminhamos, mesmo curioso sobre o que quer nos mostrar minha mente volta ao passado, aos primeiros dias nesse lugar, o quanto foi difícil toma-lo, nas perdas.
Me lembro da minha loucura quando achei que tinha perdido minha pequena, em meu descontrole matando tudo que se mexia em busca dos olhos verdes da mulher que me amava.
Nas perdas, Lori, T-dog, Axel, os que aqui caíram, e os que caíram enquanto tentávamos manter esse lugar, Oscar, Andrea, e ele, meu irmão, Merle.
Mas não foram só tristezas, meus filhos nasceram aqui, de algum jeito todos eles nasceram aqui, Megan e Nick, meus ratinhos assustados e sozinhos, e meu bebê, ainda escuto seu primeiro choro ecoando pelos corredores dessa prisão, minha família, tudo que tenho, tudo que me importa.
Chegamos ao local que Tyreese quer nos levar, ele nos mostra um animal aberto, está obcecado pelo assassino de Karen e não posso condená-lo.
−Temos um psicopata aqui, quem fez isso matou Karen e não vou sossegar enquanto não pegarmos ele.
−Tyreese, acho que não foi a mesma pessoa.
Rick responde se preparando para contar e então o tempo de paz chega ao fim, algo explode, sentimos o tremor, só consigo pensar em minha família e corro.
Ela nunca se engana, disse que tinha algo vindo, minha pequena sentia, chego no pátio junto com ela e meus filhos, nos olhamos enquanto corremos em direção as grades e lá está ele, o maldito não cansa, não desiste, o caolho de merda está sob um tanque se sentindo o rei, o governador do apocalipse.
Eu não posso deixar de ter medo, ele é insano e desde nosso último encontro as coisas mudaram, tenho tanto a perder agora que nem posso calcular, olho para Katie, seu olhar me diz tudo, ela está com medo, sempre ganhamos, mas seus olhos me dizem que chegou a hora de perdermos, não sem lutar, nunca sem lutar.
−Rick! Ele grita autoritário – Venha até aqui, precisamos conversar! Merda nenhuma, aquele homem não conversa, seu negócio é guerra.
−Não cabe a mim, existe um conselho agora. Eles conduzem esse lugar! Minha pequena me olha, estamos todos lá, todos que podem lutar, e somos um número mínimo perto dos homens do governador, sempre me impressiona sua capacidade de convencer pessoas, de construir seu rebanho de ovelhas cabisbaixas e dominadas, cegas para a verdade de quem ele é, o apocalipse fez isso, trouxe medo e insegurança, os fracos precisam seguir alguém e se rendem ao primeiro sinal de liderança.
−Hershel é do conselho? Ele pergunta nos surpreendendo, e então o velho é retirado do carro e colocado de joelhos, o homem que trouxe meu filho o mundo, que salvou a vida de Carl, aquele que nunca nos deixou sucumbir, nosso norte, é inaceitável vê-lo assim, sinto a dor de quem está a minha volta, meus filhos são colocados mais para trás.
−Michonne é do conselho? Então lá está ela, a velha guerreira, de cabeça erguida e sei que ainda não se rendeu, que seus joelhos podem se dobrar, mas nunca seu espirito.
−Eu não tomo mais decisões! Rick argumenta, sei o quanto está relutante.
−Você tomará as decisões hoje Rick. Venha até aqui e vamos conversar.
Rick me encara, busca meu apoio, confio e sempre confiei nele, sei que ele não quer isso, sei do peso de tudo isso, mas sei que ele nunca vai se esquivar, é um lutador, assim como eu tem muito a perder, com um movimento de cabeça eu demonstro meu apoio e é suficiente, ele vai até Carl, toca o ombro do filho.
−Vamos resolver isso. Tudo bem? Carl faz que sim e ele caminha para fora, do primeiro portão, não olha para Beth e sei porque, o olhar dela podia fazê-lo fraquejar, porque ela não quer que ele vá e porque precisa que ele faça isso, é seu pai lá em baixo de joelhos.
Enquanto Rick caminha me reúno com o grupo, eu, Katie, Sasha, Jimmy e Ty, Beth e Maggie ficam paralisadas, olho para minha pequena, ela sempre me impressiona, nessas horas é uma fortaleza, não se rende, não teme, se agiganta, ama Hershel como um pai, confiou a minha vida a Michonne dezenas de vezes, mas está firme agora.
−Não podemos com todos eles. Vamos pela ala principal e saímos na mata como o planejado, estamos em menor número.
Eu sei que não podemos vencê-lo desta vez, não sem muitas perdas e não vou arriscar, minha pequena concorda com a cabeça, sabe que não tem jeito.
−Quando checaram o estoque que temos no ônibus? Eu pergunto sem desgrudar os olhos de Katie.
−Antes de irmos ao Big Spot! Sasha responde e me lembro da confusão daquele dia e de tudo que veio depois – Estávamos com pouca comida como agora.
−Vamos dar um jeito! Katie diz decidida.
−Se a coisa piorar todos vão para os ônibus, avise a todos! É hora de assumir o controle, não vai sair nada de bom daquela conversa.
−E se não souberem quando ir? Por quanto tempo esperaremos?
−O quanto pudermos!
Jimmy está ao meu lado, sei que posso confiar meus filhos a ele, sei que é capaz de morrer por eles, mas agora preciso que cuide dos outros que reúna as pessoas, ele sabe como fazer.
−Jimmy prepare o ônibus e faça uma busca lá dentro, mas por favor, fique seguro e volte.
Ele concorda com um movimento de cabeça e corre com sua família.
Então Katie me olha, aqueles olhos que sempre sabem tanto de mim, ela tira nosso bebê do sinto, paro diante dela, sei que está certa, que mantê-lo ali é perigoso, que vai estar entre tiros e um tanque de guerra, que não posso esconde-los num lugar seguro, a única segurança dos meus filhos somos nós, nossos corpos como escudo se for preciso.
−Ei ratinha mamãe precisa de você! Ela diz a Megan que dá um passo à frente solicita – Mamãe vai prender Matt nas suas costas está bem? Ela concorda, mas chora porque sabe o que significa.
Ajudo Katie a fazer o que é preciso, depois ela olha para Nick, meu pequeno está assustado.
−Preciso que jure que vai ficar grudado na sua irmã o tempo todo, e fazer tudo que ela mandar! Ele concorda.
Pego uma pistola, minha ratinha já tem uma, mas talvez não seja suficiente, entrego a ela.
−Papai! Ela me olha, depois olha para Carl, mas nesse momento ele é mais um soldado.
−Vamos ficar bem ratinha, sabe que sim, não tenha medo.
Ela me abraça, beijo seus cabelos, depois abraço meu pequeno e toco o rosto do mini ratinho, se tiver que fugir então podemos fazer isso, sempre estivemos prontos para esse dia.
−Agora fiquem ali atrás, perto o bastante dos meus olhos! Katie diz e eles obedecem.
Meus pequenos sempre obedecem a mãe e se posicionam atrás de paredes grossas ao nosso lado, que se danem os outros, não vou me perder deles e os quero aqui, sob meus olhos.
Sem chamar atenção recolho nossas armas e distribuo entre todos.
−Está bem? Pergunto a Bob antes de entregar uma arma, ele afirma e confio nele, nem mesmo tenho escolha.
O governador está fazendo seu discurso, o megalomaníaco vive disso, esse é seu alimento, a atenção da plateia, quer a prisão, nos dá até o fim do dia para partir, Rick nunca vai aceitar isso.
−Eu poderia atirar em vocês e vocês revidariam, eu sei disso, mas vocês morreriam e eu não, como eu disse você decide.
Ele quer fazer parecer que está nos dando uma chance, sabe que não, nós sabemos que não, mas ele precisa disso, do controle, de parecer o senhor da situação, precisa parecer benevolente, quer achar um culpado para quem ele é, para as maldades que é capaz de fazer.
Zumbis começam a se aproximar atraídos pelo barulho, ele atira em dois deles, eu, minha pequena e Carl estamos com o infeliz na mira, todos nós posicionados e a espera, nesse momento não sei até onde ele pode ir, não sei até onde nós podemos ir.
−O barulho atraíra mais deles, quanto mais demorar, mais difícil ficara para saírem.
−Precisamos fazer algo.
Carl e seu gatilho rápido, talvez o tempo longe das armas não o tenha acalmado tanto afinal.
−Seu pai cuida disso!
−Eles estão conversando, poderíamos matar o governador.
−A quarenta e cinco metros? Eu o desencorajo.
−Atiro bem, poderia acabar com isso agora! Ele pelo menos está tentando me convencer é um avanço.
−Sim, ou poderia começar algo! Katie responde definitiva, ele aceita. E mantemos a mira.
−Precisa confiar nele! Eu peço.
O gerente do diabo continua sua pressão, Rick está cada vez mais tenso, sinto pelo tom de sua voz, estamos ficando sem saída.
−Podemos viver todos juntos aqui, temos muito espaço.
Ele se recusa
−Ficaríamos em blocos separados, nem precisaríamos nos encontrar até estarmos prontos.
−Pode funcionar! Ouço a voz de Hershel e Katie me olha os olhos verdes estão cheios de dor.
−Não depois de Woodbury, não depois de Andrea! Eu concordo com ele na primeira oportunidade enfiaria uma faca no seu outro olho, se Michonne não chegasse primeiro, é claro.
−Não será fácil, mas ainda é mais fácil do que ficarmos aqui, atirando uns nos outros, mas não acho que temos escolha.
−Não temos, você tem! Ele joga o peso em Rick, para fazê-lo recuar diante do dilema, das vidas que de algum modo dependem de suas escolhas, sabe o que está fazendo.
−Não vamos sair! Rick devolve a ameaça e o peso – Tente e vamos revidar, e os zumbis virão e derrubarão as cercas, e sem elas esse lugar é inútil, podemos todos morar aqui, ou nenhum de nós morará.
Dessa vez Rick o pega, e o infeliz decide que está na hora de nos mostrar até onde pode ir, ele desse do tanque, pega a espada de Michonne e segue até Hershel, sabe que isso nos atinge de um modo sem limites.
−Quero que fechem os olhinhos e fiquem bem juntinhos! Katie diz caminhando até meus ratinhos, aperto a arma em minha mão, ficamos todos prontos.
−Você, você de rabo de cavalo, é isso que quer, é isso que querem? Rick não consegue mais esconder o desespero.
−Nós queremos o que você tem, é hora de sair idiota! O cara do tanque ameaça e decido que vou acabar com ele e aquele tanque de merda se ameaçar meus filhos.
−Já lutei com ele antes, e depois acolhemos seus velhos amigos, e hoje eles são líderes aqui, abaixem suas armas, atravessem os portões e venham viver aqui! Rick tenta de todo modo convencer os soldados do demônio – Esqueceremos tudo isso, ninguém precisa morrer – Todos que estão vivos, todos que chegaram aqui, fizemos as piores coisas para nos mantermos vivos, mas ainda podemos nos redimir, não fomos tão longe. Precisamos nos redimir, podemos mudar.
Phillip começa a afastar a espada do pescoço de Hershel que sorri e mesmo assim tão longe sei que está orgulhoso, esse homem luta pela sua humanidade desde o primeiro dia, esse homem que era veterinário e virou médico apenas para nos manter vivos, o homem que enfrentou a doença apenas por que não podia desistir de ninguém. Hershel é a própria esperança.
Mas então a espada sobe feroz e depois desse cortando o ar e calando nossa fé, mutilando todos nós, paralisando, num instante sombrio de desesperança e silencio incrédulo.
E o guerreiro de mãos limpas tomba lentamente diante de nossa dor, não sei quem deu o primeiro tiro, talvez Rick, ou Carl, isso nunca vai importar, mas no fim à guerra chegou.
Atiramos todos, quero proteger Rick e Michonne, quero descarregar a fúria pelo que acabaram de nos tirar.
O governador é atingido no braço, Rick também toma um tiro na perna, e Michonne consegue fugir, posso perceber tudo isso mesmo em meio a fúria.
−Matem todos eles! O governador ordena, não meus filhos, nunca eles.
Ainda olho para Katie, agora minha pequena está diante dos filhos é um colosso quando se trata de protege-los.
Me volto a tempo de ver o tanque derrubar nossas cercas, não são apenas cercas, não é só ferro retorcido, são os tolos sonhos de reconstruir, é o suor de cada um de nós, a segurança dos meus filhos.
Esse maldito vai morrer e nunca vai entender que seus exércitos nunca serão o bastante, que lutamos por mais do que ele pode entender, que aprendemos a morrer uns pelos outros e que por isso sempre vamos ser fortes.
O tanque vai demolindo a segurança de nossa fortaleza, enquanto agora apenas estamos protegendo o que importa, quem amamos, vamos nos espalhando enquanto enfrentamos nossos inimigos.
−Fiquem perto de mim! Grito para meus pequenos agora atrás da mãe, juntos eu e Katie somos uma muralha para eles, se cair não me importo, não se isso os deixar vivos.
Nick segura firme o braço da irmã, ouço o choro de Matt, preso a Megan, vou tirar todos eles daqui.
−Você tem que ir para o ônibus com eles! Grito para Katie.
−Não! Ela responde – Não vou me separar de você!
−É por eles! Estamos sendo alvejados e devolvo cheio de fúria – Eu dou cobertura.
Ela sabe que precisa fazer e começa a caminhar atirando, sinto os zumbis se aproximarem, mas tenho que dar chance a eles de chegarem ao ônibus, os zumbis podem esperar, atiro decidido enquanto Katie avança com Megan a seu lado, minha pequena ratinha está com a pistola erguida e não quero que tenha que fazer isso, mas então ela atira derruba um homem, e prometo a mim mesmo que vou devolver a ela tudo que hoje ela está perdendo.
Mas antes que Katie possa chegar, o ônibus parte e ficamos ali no meio do que um dia foi nosso pátio e agora é escombro e morte, o zumbi avança em mim, não vou cair por conta de uma dessas bocas imundas e enfio minha faca em sua cabeça uso o infeliz de escudo para avançar e atiro uma bomba nos homens que me ameaçam, eles caem assim como os zumbis a minha volta.
Os soldados do governador estão caindo, mas os do demônio se multiplicam e precisamos sair, enfio uma bomba no cano do tanque, eu sabia que iria destruir aquela coisa no instante em que a vi, aquele monte de aço não vai pegar meus filhos, sinto a explosão vindo de dentro para fora, mas estou pronto com a besta em punho é hora de derrubar um inimigo o homem se volta ergue os braços e dou de ombros, nós também fomos longe demais acerto uma flecha em seu peito.
Mais uma vez os soldados do governador sucumbiram diante de sua arrogância, agora apenas os zumbis caminham entre nós.
Meus ratinhos correm para mim, eu os envolvo, num misto de alivio e medo, nos perdemos todos.
−Onde está o governador? Eu pergunto, não quero sair daqui antes de saber a verdade.
−Michonne enfiou a espada mágica nele papai! Nick me conta – Fiquei sempre de olho nela e vi, ele estava machucando o Rick, mas depois eu a perdi.
−Daryl! Jimmy surge correndo com Mary e a pequena Amy – Não consigo achar as outras crianças.
−Temos que ir! Katie me olha, seus olhos estão marejados, olhamos em volta, nosso paraíso se despedaçou e é hora de recomeçar, essa não é a primeira vez.
−Não posso! Megan dá um passo para trás – Por favor papai, não sem o Carl! Seu desespero me magoa – Carl! Ela grita, olhando em volta – Carl!
−Megan! Minha voz embarga.
−Não posso! Ela chora, zumbis surgiam de todos os lados e pela primeira vez tenho de dizer não a ela, abraço minha filha, minha ratinha.
−Eu juro que não vou descansar até encontrar ele! Olho em seus olhos é uma promessa e vou cumprir.
−Eu sei! Ela me diz confiante.
−Vamos! Saímos enquanto os mortos finalmente ganharam o que queriam, a prisão caiu e agora pertence finalmente aos donos de todo o resto, os mortos que caminham.
Fale com o autor