Fim Dos Tempos

93 Capítulo 93 - Indiferença


Notas iniciais
Oi pessoas, aqui está mais um capítulo, não costumo encher de Pov, mas dessa vez achei necessário, espero que gostem.

Pov – Katie

−Eles já deviam ter voltado, não acha? Mary me pergunta no meio da manhã, sim já poderiam estar de volta, mas confio em Daryl, não importa o que tenha os atrasado ele vai voltar.

−Não se preocupe Mary, Daryl está voltando.

−Como pode ter tanta certeza? Ela me pergunta sentada ao meu lado olhando Amy brincar com Matt na cama improvisada.

−Somos um só, vou saber se algo acontecer, eu simplesmente sei que vou sentir, então apenas vamos esperar.

−Quem acha que matou Karen e David? Beth pergunta se juntando a nós, nossa bravinha dormindo tranquila.

−Alguém muito frio, alguém que não queria que a doença se espalhasse, esse pragmatismo do apocalipse me assusta às vezes.

−Eu sei, eu mesma sou um pouco assim agora, meio ligada no automático, fazendo o que tem que ser feito.

−É Beth, e precisa achar um meio termo, mas acho que Judith é esse meio termo que precisa.

−Rick ainda não apareceu por aqui, deve estar numa grande batalha interna, tudo que sonhou ruindo, a vida de fazendeiro, longe de decisões e zumbis, queria estar com ele agora.

Beth diz abatida, ficamos em silencio, eu assim como ela, não queria estar ali, presa, longe de Daryl e meus filhos, queria estar fazendo o que sei fazer, matar zumbis, subir em telhados, caçar comida, enfrentar os perigos, a vida me treinou para isso, mas como nada é como desejamos há muito tempo, acabei presa numa sala sem qualquer função, não posso lutar porque estou presa, não posso ser mãe já que metade dos meus filhos está lá fora sem mim, nunca me senti assim, inútil.

−Quando Daryl voltar com os remédios vou sair daqui – Elas me olham preocupadas – Se só o que podemos escolher é como vamos morrer eu não pretendo fazer isso sentada, longe dos meus filhos, quero estar com eles, só não faço isso agora porque Daryl vai ficar muito preocupado, mas vou falar com ele quando voltar, tudo que fazemos desde que essa porcaria começou é arriscar, não quero fazer diferente agora.

−Não sei Katie, o Matt é só um bebê! Beth me lembra como se pudesse esquecer o quão indefeso é meu filho.

−O que sabemos sobre essa droga de doença? Nada! Respondo irritada – Nada, não sabemos coisa alguma, só que os sintomas matam, pode ser que ele seja imune, pode ser que todos os pequenos sejam, pode ser que estar aqui não signifique nada, uma de nós pode estar com essa droga, podemos todos estar doentes.

−Acho que Deus não faria uma coisa assim! Mary garante em sua tola inocência.

−Pois aposto que faria, ele está há muito tempo tentando nos pegar, uma hora ele consegue, por isso não quero ficar aqui só esperando, só o que sei fazer é lutar e não consigo me ver sendo útil aqui trancada, nem mesmo para meu bebê, talvez se tivesse deixado ele com vocês e ido com Daryl...

−Apenas pare Katie! Beth me aperta a mão, eu sei que estou ficando fora do controle, mas não consigo evitar esse tipo de atitude – Precisa se acalmar, Matt precisa de você aqui, do seu leite, do seu carinho, Megan e Nick não estão sozinhos lá fora, Jimmy está com eles e sabe que faria qualquer coisa pelos dois, seu marido está na rua e não vai voltar sem o que precisamos, então seja forte!

Olho para Beth e acabo por sorrir, não sei bem em que momento ela se tornou essa fortaleza, mas a admiro.

−Você está certa, desculpe, só quero minha família reunida de novo! Eu seco uma lagrima e meu bebê resmunga, deve estar com fome e sigo para ele.

−Mamãe! Ouço Nick me chamar da porta e me aproximo.

−Oi ratinho, como está?

−Bem o Jimmy e a Megan estão vindo, eu vim na frente, tem um monte de gente doente agora, mas nós estamos bem, dormi direitinho, nem fiquei muito triste.

−Que bom! Seco minhas lágrimas – E sua irmã?

−Uma chorona, ela está com saudade de você e do papai, disse que o papai está demorando, é mentira não é?

−O papai vai chegar! Aviso.

Megan e Jimmy chegam, Jimmy conversa um pouco com Amy e Mary, Megan chora, mas promete ficar forte e depois eles me deixam mais uma vez, nem sei como ainda estou aguentando, mas vou ser forte, preciso.

Pov – Rick

Não consigo esquecer nem por um segundo que Carol matou duas pessoas a sangue frio, tento me convencer que ainda é ela, minha velha amiga, a mulher que conheci a muito tempo, quando tudo isso começou, mas não sei o quanto sobrou dela, há muito tempo ela vem dando sinais.

Katie e sua família sempre foram seus alvos e o tempo todo ficamos empurrando seu comportamento doentio para debaixo do tapete, querendo fingir que era só um ciúme idiota de Daryl, mas depois de me dizer com toda aquela naturalidade que matou duas pessoas, não sei mais o que pensar.

Não sei se seria diferente se fosse alguém de Atlanta, se fosse Judith ou Carl, talvez ela fizesse o mesmo. Ser o único a saber disso me deixa de mãos atadas, Tyreese nunca vai superar se souber, ninguém vai, já temos muito com que nos preocupar, como todas essas pessoas podem reagir sabendo que existe a possibilidade de alguém simplesmente decidir que sua vida acabou?

Alimentar porcos não é mais minha prioridade, perdemos a comida toda do bloco D, Daryl ainda não voltou e nem faço ideia de quanto ainda pode demorar para voltar, preciso sair em busca de qualquer coisa que possa diminuir o sofrimento dessas pessoas, vou levar Carol comigo, simplesmente não confio mais nela, Maggie pode cuidar de tudo, e sei que num momento de pânico Katie sai do confinamento e assume as coisas.

Pego a estrada com Carol, estarmos sozinhos talvez me ajude a tomar uma decisão.

−Maggie queria vir.

−Alguém tinha que ficar para cuidar das coisas.

−Alguém que você confia – Ela me diz enquanto procuro fixar meus olhos na estrada – Eles estavam sofrendo, iam se afogar no próprio sangue eram os únicos doentes, alguém precisava cuidar das coisas, dar um jeito nos corpos.

−Talvez.

Ficamos em silencio nada do que me diz faz sentido para mim, chegamos a vila de casas grandes a uma hora da prisão, possivelmente não tenha muito por aqui, mas precisamos tentar, descemos, um carro estava estacionada, talvez um pequeno grupo de sobreviventes, Carol me questiona sobre a volta de Daryl e os outros, quero acreditar que sim, porque sei que Daryl vai fazer qualquer coisa para conseguir, pela família, pelos moradores da prisão, ninguém lutou mais por aquele lugar do que ele, Daryl tem muito a perder e isso só reforça meu medo pelas atitudes de Carol, essa mulher ao meu lado não pensaria duas vezes em pôr fim ao que ela chama de sofrimento.

Escolhemos a primeira casa e entramos, sigo para o banheiro, pego remédios e tudo que possa ser útil e então um zumbi surge rola a escada e Carol a acerta assim que cai, não, aquela mulher de antes não existe mais.

Uma porta bate e ficamos atentos, aponto minha arma, um casal surge, assustados mais do que o comum para gente que está na estrada, conversamos um pouco eles querem nos acompanhar, não parecem oferecer risco, mas agora a prisão já não é mais um lugar seguro, explico nossa situação, mas estão decididos.

−Vamos terminar nossa busca e voltamos para pegar vocês! Concordo em leva-los.

−Ou eles podem nos ajudar e cobrimos mais áreas.

Não gosto da ideia, não é certo que corram riscos por nós, ainda nem entraram para o grupo e realmente não parecem preparados para nada além de fugir e se esconder.

Eles insistem e acabo entregando uma arma para cada um, Daryl ficaria bravo, mesmo depois de tudo ele ainda reviraria os olhos se me visse fazendo isso, entrego junto meu relógio, ele me acompanha a tanto tempo e resistiu tanto.

−Nos encontramos aqui em duas horas, qualquer coisa atire e voltamos correndo.

Continuamos nossa busca por remédios, revirando gavetas e armários, a muito não fazíamos algo assim, me lembro do inverno que passamos na estrada, com Lori gravida, não gosto disso.

−Rick, matei duas pessoas e não diz uma palavra sobre isso.

Ela faz seu pequeno discurso de como fazemos o que é preciso, de que sou um bom líder, que um dia eu também matei alguém do grupo, mas era uma outra vida, não tive escolha, ele me mataria, agora ela escolheu fazer, fez para evitar uma ameaça que nem sabíamos se existia, são momentos diferentes e escolhas diferentes.

−Você não tem que gostar do fiz Rick, eu não gostei, apenas aceite.

Esse é o grande problema, não sei se posso aceitar isso.

Eu e Carol deixamos a casa e paramos num pequeno pomar, quero encontrar a velha Carol, quero desistir da minha ideia inicial, detesto fazer o que vim preparado para fazer.

Ela fala da velha vida, de Ed e do que viveu com ele, mas nunca de Sophia.

−Porque nunca diz o nome dela? É como se tivesse apagado Sophia de sua vida.

−Sophia está morta Rick. Morta!

Continuamos e nos deparamos com um rastro de sangue seguimos e lá está a garota de poucos minutos atrás sendo devorada, decido esperar por Sam, quem sabe ele vem sozinho, quem sabe está vivo ainda.

Carol não quer esperar, nos encaramos um minuto, um embate onde ela tenta com seu olhar firme me dizer que está certa, que não se arrepende de quem é agora, onde decido o que preciso fazer, por mim, por meus filhos, e talvez por ela, para que tenha uma chance.

Arrumamos o carro, mas simplesmente não posso continuar com isso, e chega de me esconder do que esse mundo virou, essa decisão caiu em minhas mãos e vou fazer o que é preciso.

−Karen e David poderiam estar vivos, essa não era uma decisão sua, quando Tyreese descobrir ele vai matar você.

−Eu me entendo com ele.

−Quando os outros descobrirem não vão querer você lá, e se ninguém sobreviver a isso, e um dia sobrar eu e você e Judith e Carl, meus filhos, então eu não vou querer você lá.

−Rick sou eu, ninguém mais precisa saber.

Ela está chorando, não são lágrimas de alguém frágil, da mulher delicada que um dia Carol foi, não é mais o choro daquela mãe que um dia me acusou de não ter protegido sua filha, Carol sabe se virar, pode recomeçar, não é uma sentença de morte, ao contrário disso é uma chance para refazer sua vida, para pensar no que fez e tentar se encontrar.

Ela me acusa de tomar decisões pelo grupo, como se tivesse feito diferente quando passou por cima do conselho, mas essa decisão é minha, é pela minha família e digo isso a ela.

−Eu podia ter ficado quieta, mas tomei uma decisão, eu fiz algo, tomei uma atitude.

Ela quer levar as meninas, mas não posso permitir, não com ela, não nesse momento, podemos cuidar delas, proteger as duas.

−Você não é mais aquela mulher medrosa que precisava de proteção, começara do zero encontrará novas pessoas, pessoas que não conhecemos, e vai sobreviver ai fora.

−Talvez.

Assisto Carol pegar a estrada, sei do que fiz, do peso da minha decisão, mas não tenho medo, cada um de nós tem que carregar o peso de suas escolhas, eu carrego os meus, e Carol carrega os dela, não duvido de sua força, ela vai sobreviver, recomeçar, ficar inteira de novo, e talvez volte, ela sabe onde nos encontrar, não sei se isso foi um adeus, talvez ela retorne, e seja um meio termo da mulher que foi com a mulher que o apocalipse a tornou, só o que sei é que não posso conviver com a sua indiferença.

Pov – Daryl

Perdemos uma noite por conta daquela horda, precisamos de um carro, de algum jeito preciso chegar até a faculdade e levar os remédios, eles já devem ter se dado conta que estamos no limite, logo minha pequena vai começar a se preocupar, logo vai ter medo por mim, mas vou voltar, ainda vou ter minha mulher nos braços.

Paramos uns minutos num rio, Tyreese está fora de si e posso entender isso, mas não posso deixar nada nem ninguém colocar nossa missão em risco, muitas vidas dependem disso e a ideia de que nesse momento um dos meus pequenos pode estar naquele isolamento me faz querer correr.

Pegamos uma pequena estrada de terra, nada vai me vencer, encontro uma pedra no chão, uma pequena gema verde, recolho e tenho planos para ela, limpo com cuidado, é verde e me faz lembrar os olhos de minha pequena, aqueles lindos e grandes olhos verdes que sempre me reviram, que sabem tanto de mim.

−É Jaspe? Michonne me pergunta e concordo com um movimento de cabeça – Realçam seus olhos! Ela brinca sorrindo, faço uma careta para ela, é raro ver Michonne sorrindo – Vai levar para Katie? Ela me pergunta, sinto um sobressalto de saudade da minha família.

−Quando a senhora Richard entrou no bloco nós estávamos saindo, ela me pediu para ficar de olho, vou usar como lápide do seu velho.

−Você conhecia todos? Ela me pergunta e sim esse Daryl conhece todos, talvez o velho Daryl o de antes de Katie nem soubesse quem eram aquelas pessoas, mas agora me preocupo com todos, principalmente porque estou sempre correndo atrás do meu ratinho, e ele fala com todo mundo, e assim como Katie, meu pequeno também me transformou um pouco, mas Michonne não sabe disso, está sempre em busca de sua vingança, não fica tempo suficiente para entender como é isso.

−Quando fica num lugar mais de umas horas, fica surpresa com o que aprende.

Encontramos um amontoado de folhas escondendo possivelmente um carro e começamos a afastar, quero chegar logo em meu destino, mas é preciso cuidado, um cuidado que Ty não está tendo, então zumbis surgem por entre as folhas, agora eles caem do céu e brotam em meio às plantas, um me alcança Michonne corta seu braço e eu o pego, Bob luta com outro e Ty quer vencer um apenas por que está furioso, acabamos tendo que ajuda-lo e depois de todos caírem sigo até o carro, mas é claro, as coisas sempre podem piorar e aprendi isso do jeito mais difícil, a bateria não funciona, vou com Bob atrás de outra, nada muito difícil já que estamos diante de uma mecânica.

Caminho com Bob atrás de mim, vejo vômito, os caras na parreira, eles com certeza decidiram sair juntos, nunca vou entender esse tipo de decisão, não posso saber como isso funciona.

−Decidiram sair juntos, de mãos dadas no estilo Kumbaya.

Unidos, feito um velho grupo de escoteiros, não acho que seja uma saída, mas alguns preferem isso, uma unidade humana, uma tolice esperançosa de quem sabe um lugar no paraíso.

−Eles queriam sair juntos do mesmo modo que viveram, isso os torna idiotas? Bob me questiona.

−Sim se nem isso eles conseguiram, se podiam viver.

−Todos conseguem, acho que só não queriam ficar assistindo o momento de sucumbir, não queriam assistir a transformação.

−Certo.

Pode ser, eu decidi lutar, nunca cair e nunca desistir essa é minha promessa e da minha mulher e é assim que vai ser.

Deixamos o lugar e me apresso a consertar o carro, Bob está comigo e conversamos um pouco, ele ainda está perturbado, sente culpa pela morte de Zack e seu problema com bebidas, posso entender, desde que nunca coloque ninguém em risco se fizer não me responsabilizo.

Ele me diz que quando nos encontramos na estrada pensou em continuar sozinho, eu não sei viver sozinho, mas posso aceitar que depois de perder tanto a pessoa simplesmente se cansa.

Me lembro de minha pequena me dizendo que todos estão sempre perdendo enquanto nós só ganhamos e ela está certa, no fim sempre ganhamos.

Quando beijei Katie pela primeira vez no meio daquela floresta, quando fizemos nosso juramento de nunca desistir eu não sabia aonde isso nos levaria, mas agora depois de tudo que construímos, nossa história, nossos filhos, meu bebê, não sei realmente como deve ser ver todos que conhece morrerem e apenas assistir como uma testemunha do apocalipse, mas não pretendo descobrir, por isso estou aqui.

O carro funciona e finalmente podemos pegar de novo a estrada, aplaudo feliz, jogo o cigarro longe, vou ganhar um daqueles irritantes beliscões da minha pequena quando ela sentir o cheiro do cigarro, e só posso reza por isso.

Achamos a faculdade, o prédio e entramos, passamos por corredores vazios e silenciosos, encontro o local que Hershel desenhou, nos dividimos e recolhemos toda a lista, nem acredito que vamos para casa, que vou levar os remédios, dar uma chance aos doentes e ver minha família, não quero mais ficar afastado deles.

−Encontramos tudo que estava na lista, vamos!

As coisas estavam fáceis demais e um grupo de zumbis surge, na fuga entramos numa sala, sem tranca, colocamos umas coisas na frente não vai durar muito, Ty pega um zumbi e vamos para a única opção uma porta com cadeado, claro que ele não está ali por acaso, zumbis tentam nos pegar pela fresta.

−Quantos são?

−Não dá para ver.

Os zumbis começam a surgir na sala passando por nossa barreira, morreram do mesmo jeito que Patrick, essa merda está em todo lugar.

−Podemos pega-los! Grita Ty.

−Não, eles estão com a mesma coisa que os que morreram na prisão se tivermos contato com o sangue, podemos ficar doentes, não viemos até aqui para isso! Bob nos alerta e decidimos passar pela porta, arrebento o cadeado e pegamos os zumbis que nos avançam cegos em sua fome.

Corremos, sempre corremos e de novo estamos sem saída, Ty arrebenta uma janela e pulamos para o outro lado.

A mochila de Bob fica pendurada, ele se desespera, lutando com zumbis para pegar de volta, ajudamos, mesmo achando que deveria apenas abrir mão dela.

−Solta Bob! Michonne pede, mas ele simplesmente não solta e acaba conseguindo de volta sua mochila, e então eu vejo o motivo de seu desespero, uma garrafa, tudo pela maldita garrafa.

Minha família está a minha espera, arrisquei tudo por eles, fui cercado por uma horda, corri e corri uma noite inteira, matei zumbis, enfrentei o desconhecido por todas aquelas pessoas e só o que ele leva na merda da mochila é uma maldita garrafa?

−Não há remédio nenhum em sua mala? Só isso? Você devia ter continuado andando naquele dia.

Quero atirar aquela porcaria longe e quando me movimento para isso o maldito bêbado se posiciona para pegar a arma.

−Não! Ele pede.

Sinto o velho Dixon pavio curto chegar, quando se trata da minha família as coisas esquentam, sigo até ele, busco algum controle, não consigo achar, retiro sua arma, aquele idiota não vai colocar tudo que amo a perder por uma garrafa.

−Deixa para lá Daryl, ele já fez a escolha dele. Não há nada que você possa fazer, então deixa isso para lá.

−Não quis machucar ninguém, era para quando as coisas se acalmassem.

Entrego a garrafa a ele, me aproximo muito, sim eu o estou intimidando apenas por que não posso me conter.

−Dê um gole nisso quando os remédios chegarem para nosso grupo, e eu vou te encher de porrada. Entendeu?

Me afasto furioso, seguimos para o carro e me sento cansado, quero meus filhos, minha família, chega de tudo isso, Michonne e Ty falam em sete horas de viagem em parar para conseguir combustível e quero chegar logo, fui mais longe do que achei que podia, arrisquei tudo, quero chegar em casa, abraçar meus filhos, enterrar nossos mortos e seguir em frente.

Fico olhando a pedra em minhas mãos, a jaspe que achei no caminho, nas pessoas que perdemos, nas que ainda vamos perder e na minha família, Michonne entra no carro, se senta, ela é parte dessa família.

−Você tinha razão mais cedo, a trilha esfriou, eu não preciso sair mais! Ela me diz e sei que isso é duro para ela.

−Bom! Respondo quando pegamos a estrada de novo, estamos todos em silencio, a cabeça cheia de serpentes nos consumindo, cada um com o peso de suas decisões, escolhas, com tudo que nos levou até quem somos agora, e o que podemos fazer pelo que construímos.

Notas finais
Artur eu sei que está triste pela Carol, fiz o Pov do Rick para você!
Comentem.