Fim Dos Tempos
90 Capítulo 90 - 30 dias sem acidentes
Notas iniciais
Espero que gostem, agora vou tentar seguir a série e isso significa postar menos, se o capítulo ficar grande divido em dois, não sei vamos ver como as coisas funcionam de agora em diante, mas na outra fic vou postar mais vezes, prometo.
Pov- Katie
A vida na prisão tinha se tornado finalmente boa, tranquila e as pessoas pareciam felizes, éramos uma comunidade de pessoas que tinham um objetivo em comum, queríamos mais do que sobreviver, queríamos viver.
Cada um tinha seu papel e função, para os novos moradores aquele parecia um paraíso, nenhum deles pode imaginar como foi tomar aquele lugar, por isso para nós os primeiros moradores estar ali era grande.
Rick estava feliz com Beth e as crianças, ele agora enfrentava uma luta pessoal, queria voltar a uma normalidade que eu sabia não existia, tirou a arma de Carl, queria que o filho fosse de novo uma criança, Carl estava longe de aceitar a ideia, principalmente porque Megan continuava armada, essa decisão nossa de manter nossa filha segura foi tomada com muita facilidade, eu e Daryl sempre soubemos que tudo pode mudar num instante, não posso carregar a culpa de não ter deixado meus filhos prontos.
Daryl era um novo homem, não estava acostumado com isso, com o carinho e respeito das pessoas e ainda se mostrava um pouco avesso as demonstrações de carinho dos moradores da prisão.
Adoro ver como fica confuso com isso, Nick é o garoto mais feliz do mundo, está livre agora, caminha pelos blocos fala com todos e adora a ideia de ser filho de Daryl Dixon, Jimmy está completamente recuperado assim como Tyresse, a vida assumiu uma nova normalidade, voltei a sair, não todas as vezes, mas sempre que saímos tudo parece bem e cada dia fico mais tranquila, nunca tentamos nada se não estivermos seguros, não é mais tudo uma urgência, temos comida e podemos caçar de novo, a floresta nunca vai ser segura, mas nos acostumamos com isso.
−Bom dia pequena! Daryl me beija e me enrosco nele, os pequenos dormiam, nossa cela era apertada para todos, mas nunca ligamos muito para isso.
−Bom dia! Ele se vira para me olhar, me faz um carinho – Quero ir hoje! Aviso e ele concorda.
As crianças começam a despertar, Nick não faz nada lento e assim que abre os olhos já está sentado, sorri e corre para ficar entre nós.
−Posso ir buscar a Amy para o café?
−Bom dia, primeiro né? Daryl reclama.
−Bom dia papai, podemos descer logo, tenho aula mais tarde e quero brincar um pouco.
−Já começaram? Nossa adolescente pergunta sem abrir os olhos, abraça o ursinho rosa e se vira para nos olhar.
−Bom dia ratinha!
−Papai posso ter uma cela só minha? Daryl me olha horrorizado, como se ela tivesse dito um grande absurdo.
−Não! Ele responde e eu realmente acho aquilo divertido, principalmente porque ele nunca diz não a eles.
−Não é para dormir, é só para ter minhas coisas, quero só ter um espaço meu, para ficar durante o dia, sem desrespeitar suas regras! Ela estava falando sobre Carl era fácil de saber.
−Vamos ver isso depois! Ele diz e ai está papai de volta, Matt resmunga, abre os olhinhos e ficamos todos bobos, é assim toda manhã.
−É isso o dia começou! Eu brinco e começamos a rotina do dia, descemos saio no pátio e a quantidade de zumbis na nossa cerca, me espanta, tínhamos agora um grupo que passava horas matando zumbis na cerca, era como um trabalho, todos faziam isso, trabalhavam, meu trabalho voltou a ser nas ruas, Beth cuidava das crianças e da comida, Carol a ajudava, menos é claro as minhas crianças, essas eu não deixava com ela, não éramos amigas e não convivíamos, mas não brigávamos mais e isso era um bom jeito de viver.
Descemos e no caminho só o que se ouve são os cumprimentos, ao novo herói da prisão, Daryl! Eu não consigo evitar um sorriso, ele me olha bravo.
−Você vai ter que aprender a viver com o amor! Eu brinco.
−Já tenho todo amor de que preciso! Ele responde pegando algo para comermos.
Patrick se aproxima, era um garoto ainda, alto e magro, só de seus óculos terem sobrevivido ao fim do mundo eu já simpatizava com ele, era amigo de Megan e Carl, estava sozinho, e admirava Daryl mais do que tudo.
−Senhor Dixon! Eu sorrio me lembrando do tempo que só eu o chamava de senhor Dixon – Queria agradecer pelo veado que trouxe ontem, foi uma verdadeira fartura e ficaria honrado em apertar sua mão! O garoto estende a mão, Daryl que comia lambe os dedos provocador antes de estender a mão para o orgulhoso garoto.
Depois seguimos para dar uma olhada nas cercas, tínhamos um bom acumulo de zumbis, mais do que nos últimos meses.
−Não sei quanto tempo podemos manter essa situação! Eu digo e ele concorda.
−Temos muitos aqui, acabamos por atrair mais deles!
Ficamos um tempo assistindo os matadores derrubarem os zumbis das cercas.
−Eles não se espalham mais! Comentamos.
−Agarradores de cerca! Era assim que Daryl os chamava – Vamos pequena, hora de sair.
Seguimos juntos para deixar Matt com Jimmy e Mary, depois de despedidas chorosas vamos para o ponto de encontro.
No tempo que fiquei fora de ação Sasha passou a desenvolver um grande papel nas ruas, era boa e organizada, Tyresse ainda estava em busca de seu lugar no grupo, ele tinha um problema pessoal com os zumbis, ainda não conseguia encara-los como o resto dos sobreviventes.
Vejo Glenn, mas não está com Maggie e me aproximo preocupada.
−Maggie não vai! Ele me avisa – Mas depois vocês falam sobre isso! Sinto que temos um problema e se não estivéssemos de saída eu bem que correria até ela.
Bob decidi ir junto, ninguém confiava muito nele, ele tinha suas dificuldades em trabalhar em equipe.
−Não vamos fazer se não estiver seguro! Daryl avisa a Sasha que acaba por concordar com a ida dele, Zack também iria, já que Maggie não estava no grupo, é um rapaz jovem, sem muita experiência, mas corajoso e um outro seguidor de Daryl.
Os carros estão prontos, levamos combustível, primeiros socorros, tudo que pudesse ser útil numa emergência, ainda estamos num mundo incerto, mesmo com trinta dias de paz sem qualquer acidente sabemos que tudo pode mudar em um instante.
A melhor parte de toda essa paz é poder voltar a sair de moto, ao menos de vez em quando, Daryl dá a partida e me sento com ele, dois carros e uma moto, a tempos não andamos assim, tão tranquilos.
Mas concordo com Beth, quanto mais calmo, mais assustador, e não sei o quanto isso é um fato ou apenas o reflexo de nosso costume com a ação e a adrenalina, ficamos com a sensação que algo está errado quando estamos em paz.
Estamos saindo quando vemos Michonne conversando com Rick, é sempre bom vê-la aqui e melhor de tudo, ver Michonne bem.
Quando as coisas se acalmaram realmente, ela começou sua busca pessoal pelo governador, o conselho não estava contente com isso, mas Michonne estava acima do conselho, ela fazia o que queria e nós respeitávamos suas escolhas, o conselho tinha a única função de decidir em grupo o melhor caminho para os problemas da maioria, nada de ditadura ou de desrespeito as escolhas pessoais.
−Veja quem está de volta! Daryl para a moto para cumprimenta-la, acho que Daryl devia odiar o governador tanto quanto ela, afinal foi o governador que atacou Merle e em sua vingança suja o deixou se transformar em um zumbi, mas ele era também quem menos gostava dessas suas saídas em busca do Governador.
−Não o encontrei! Ela anuncia.
−Estou feliz em ver você inteira!
−Estou pensando em ir até Macon, vale a pena tentar!
−Quilômetros de zumbis, muitos loucos pelo caminho, vale a pena?
Michonne fica muda, ela sabe que sua decisão de encontra o governador nos afeta de alguma maneira, mas não consegue evitar.
−Vou até o Big Spot! Daryl olha para Rick, ninguém estava feliz com a decisão dele de andar desarmado, mas ele não abria mão disso – Aquilo que estava dizendo, apenas considere! Daryl pede a ele.
−Vou dar uma olhada nas armadilhas na floresta! Rick avisa mudando de assunto.
−Eu vou! Michonne anuncia, Carl não gosta da ideia, eles adoram Michonne e sentem falta quando ela some por muito tempo.
−Acabou de chegar! Carl reclama.
−E vou voltar! Ela caminha para o carro, nos despedimos de Rick e pegamos a estrada.
O caminho é seguro até chegarmos ao Big Spot, uma música alta ressoava pelo lugar, baterias de carro, para afastar os zumbis.
−Vamos fazer a limpa, peguem o que puder, depois voltamos com mais gente.
Havia grades em volta do grande mercado, o possível estacionamento tinha sido em algum momento um centro de refugiados, mas agora era só uma emaranhado de corpos e restos do que um dia deu esperança a muita gente.
Não gosto do lugar, algo me diz que não é seguro, ninguém nunca duvida muito de mim, mas acontece que não tem nada a nossa volta.
−Não gosto disso! Comento quando estamos na porta.
−Fiquem todos bem atentos, vamos pegar o que precisamos e sair rápido! Daryl diz depois de ouvir minhas palavras – Fica perto de mim pequena! Ele pede e concordo, depois o de sempre bater no vidro e esperar o grupo de zumbis se aproximar da porta.
−Só me dê um segundo! Daryl pede se sentando no parapeito das grandes janelas.
Zack se senta a seu lado, eu estou de pé junto com Michonne, ninguém além de mim parece preocupado.
−Acho que entendi! Zack anuncia e Michonne pergunta sobre o que falava – Estou tentando adivinhar o que Daryl fazia antes do mundo acabar.
−Há semanas ele faz isso! Daryl comenta e Michonne me olha dou de ombros.
−Uma chance por dia! Zack lembra.
−Vá em frente! Daryl incentiva, eu sempre me divirto com isso embora no momento esteja tensa demais para isso, fico achando que o medo de deixar meus filhos tenha afetado de alguma maneira meus instintos e eu esteja vendo perigo onde talvez não tenha nada.
−O jeito que você é na prisão, faz parte do conselho, ajuda todo mundo, sabe rastrear, mas ainda é meio, vamos dizer grosseiro! Eu olho para Daryl ele me sorri, aquilo até que nos traz boas lembranças, o grosseirão de mãos calejadas – Policial da homicídios! Eu e Michonne explodimos numa longa gargalhada, Merle teria uma sincope, nem posso imaginar como seria isso, mas Daryl estava sério, ou pelo menos era assim que parecia para Zack.
−Do que estão rindo? Ele nos acusa, faz um ar de vencido – O garoto está certo, disfarçado!
Zack fica surpreso.
−Sério!
−Sério, não gosto muito de falar sobre isso, era muito pesado sabe! Eu chego a sentir pena de Zack, que estava incrédulo, Michonne e eu nos olhávamos sem acreditar na cara de pau de Daryl de enganar o pobre menino assim.
Logo Zack se dá conta que está sendo enganado e os zumbis se aproximam da vidraça.
−Vamos pegá-los detetive! Michonne brinca e entramos eu, ela e Daryl, três zumbis era uma piada, ao menos com a espada de Michonne, depois das instruções costumeiras entramos.
Glenn com seu colete idiota, como Daryl diz parece meio abatido e quero logo chegar em casa para descobrir o que tem de errado, fico atenta ainda estou muito preocupada, sei que algo está errado.
Um barulho de prateleiras caindo chama a atenção de todos, olho para Daryl não muito distante de mim e corremos.
Bob estava preso debaixo de uma prateleira de bebidas é claro.
−Estou bem, meu pé está preso! Ele avisa a Daryl que estava abaixado com uma lanterna.
−Vamos lá me ajudem a levantar isso! Ele pede.
- Estamos bem! Eu aviso em voz alta, já tínhamos mesmo feito todo barulho possível – Na seção de bebidas! Tyresse ajuda Daryl a levantar uma das prateleiras.
Então a coisa mais incrível acontece, um pedaço do teto sede e um zumbi fica pendurado, ficamos parados olhando aquilo
−Melhor irmos! Glenn avisa.
−Vamos soltar o Bob, ele ainda está preso.
E então como tudo sempre pode piorar e a vida em meio ao apocalipse já nos provou isso, uma chuva de zumbis começa nos deixando tontos e sem muita direção.
Eu sabia que eles estavam em algum lugar, só nunca esperei que chovessem, mas afinal o mundo tinha acabado, só o que nos faltava era chover zumbi e agora ai estava.
Não tinha mais formação, estamos apenas tentando nos livrar deles, eu pego minha faca e derrubo o primeiro que se aproxima, mais algumas voam, mas eles estão vindo de todos os lados e vamos nos separando.
Salvo Zack de um zumbi, Daryl derruba um que vinha pelas minhas costas, Bob ainda está preso e não podemos deixa-lo, ouvimos seus gritos de socorro, mas ninguém consegue chegar perto dele ainda.
Vejo Daryl cercado por sobre umas caixas, tento chegar até ele, mas tem muitos para derrubar antes disso, Glenn chega antes e o ajuda, um helicóptero estava cedendo no teto da loja o que explicava a chuva de zumbi.
Eu e Michonne ficamos acertando alguns enquanto eles tentam soltar Bob a adrenalina a mil, todos aos gritos sabendo que o teto iria ruir sobre nossas cabeças.
Daryl retira um zumbi a centímetros de Bob e com uma boa pisada destrói o infeliz, Zack puxa a estante enquanto Daryl retira Bob e estávamos prestes a sair quando Zack e puxado pela perna e um zumbi o morde, gritamos mas não dá tempo de fazer mais nada, ele está sendo devorado.
O teto começa a cair e só nos resta fugir, deixamos a loja e corremos até os carros, subo na moto ainda assustada, perdemos um, isso é sempre dolorido, assustador, nos deixa claro que pode ser a qualquer momento, em qualquer lugar, e pode ser qualquer um.
Chegamos em casa quando anoitecia, eu sigo direto para meus filhos, pego Matt no colo depois de beijar meus ratinhos, Daryl segue para avisar sobre mais uma perda, eu o espero em nossa cela, ele fica parado me olhando cuidar de Matt e conversar com as crianças.
−O que foi? Pergunto e ele caminha até nós.
−Estou cansado de perder essas pessoas! Ele me diz e sei que isso o afeta, Daryl não quer perder ninguém, perdemos tudo muitas vezes, eu o abraço, e ficamos assim quietos um tempo, depois nos sentamos com nossos filhos, eles de algum jeito nos tranquilizavam.
−Zack era legal! Megan nos diz – Alegre eu conversei com ele algumas vezes.
−Sim querida ele era ótimo e como foi seu dia?
−Tudo bem, como todos os outros, mas fiquei com saudade.
−Nós também! Eu beijo Megan – Agora pode descer e ver seu namorado que sei que é isso que quer fazer! Ela sorri beija o pai e nos deixa.
−Papai é verdade que caiu zumbi do teto? Nick pergunta.
−Onde ouviu isso?
−Sasha estava falando com o Hershel!
−Sim, mas é porque eles estavam lá em cima e só isso, não vai acontecer, mamãe já subiu no nosso telhado lembra, não tem zumbi lá!
−Ótimo! Ele diz mais tranquilo – Vamos descer e jantar eu estou com sono já!
Aproveito para falar um minuto com Maggie, ela me sorri e me abraça.
−Achei que estava gravida, mas não estou e o mais estranho é que fiquei feliz com isso, mesmo achando que podíamos ter um bebê, quando a possibilidade surgiu eu me dei conta que não queria, gosto da vida que tenho com Glenn e ficar hoje foi uma prova disso, é horrível vê-los saindo e simplesmente ficar aqui.
−Sei como é pode apostar, mas foi difícil lá fora hoje, como não era a muito tempo, Daryl está bem triste!
−Posso imaginar, ele sempre fica e o Zack vivia atrás dele.
−Sim, como todos os garotos da prisão! Eu brinco e depois de um abraço apertado em Maggie vou ao encontro da minha família.
−Boa noite senhora Dixon! Eu sorrio para o cumprimento, adoro e sempre vou adorar ser a senhora Dixon, me sento no colo de Daryl e o beijo, Matt estava no colo de Hershel.
−Oi! Ele me beija mais uma vez – Como foi com Maggie?
−Está tudo bem agora! Eu aviso – Amo você!
−Também te amo, foi bom ter você lá e me desculpe por não ter te dado ouvidos, você não estava contente e mesmo assim continuamos por lá, já devia saber que minha pequena nunca erra.
−Ninguém tem culpa, eu mesma achei que estava ficando louca!
−Quem poderia pensar em algo assim!
Depois do jantar seguimos para cama, foi um dia longo e difícil, estávamos começando a nos acostumar com a paz e então tudo volta a ficar tenso, Rick tinha tido um encontro bem confuso na floresta a saída tinha sido um fracasso e nossas grades estavam repletas de zumbis, nada nunca é seguro.
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