Fim Dos Tempos
82 Capítulo 82 - Jimmy
Notas iniciais
Espero que gostem, acho que vão reparar que é uma preparação para o que vem a seguir, sim acho que a paz acabou.
Pov – Jimmy
Eu sei que estou me arriscando, mas quem além de mim poderia fazer isso? E além do mais sei por quem estou fazendo isso e sei que fariam o mesmo por mim.
−Como vamos sair daqui Paul? Eu pergunto enquanto Maggie abria o portão me odiando com o olhar, vai passar eu penso, quando for embora Daryl e Katie vão explicar o que fiz e meu grupo vai entender.
−Não vim realmente sozinho, temos dois carros e uns homens na estrada, só quis ser educado e mostrar respeito não chegando com um exército! Não gosto do tom dele, conheço pouco esse cara, mas sei que era bem próximo do governador e olhava para o Merle como se ele fosse um ídolo.
Caminhamos em silencio, olho em volta, nove pessoas além de mim, nove idiotas mal agradecidos, o grupo da prisão fez muito por todos nós e esses infelizes lhes dão as costas na primeira oportunidade, não duvido que vão entregar cada detalhe de como as coisas funcionam aqui, bando de seguidores do governador e agora olhando para eles penso que qualquer um ali podia ter traído o grupo, se é que não o fez, aqueles zumbis soltos no bloco A nunca foi explicado, a resposta estava entre aquelas pessoas.
Dois homens muito armados nos aguardavam na estrada, encostados em dois carros, nos dividimos nos carros, fico sentado olhando pela janela a estrada vazia e silenciosa.
Penso em Nick, ele disse que cuidaria da oficina, e se resolvesse entrar lá, mas o que estou pensando? É o Nick, é claro que vai fazer isso, ele não para um minuto, mexe em tudo, nem parece que falta um dedo, pelo contrário, parece que brotam mãos, será que vão ficar atentos, tem tanta coisa perigosa lá, pesada, eu devia ter lembrado ao Daryl, e a Megan, como vai ser sem eu estar de olho, Carl não é nenhum idiota, será que vai se aproveitar que estou longe? Agora ele tem uma cela, e tem o bebê, não se pode tirar os olhos do Matt um segundo, como aqueles dois vão dar conta de todas aquelas crianças?
Mas eu sei que estou fazendo o certo, cuidando da minha família, foi o grupo da prisão que me deu isso, eles me acolheram de verdade, não como aquele maldito governador, nem esse infeliz que foi bater em nossa porta e eu tenho certeza que não está sendo nem um pouco amigo.
−Pensativo Jimmy? Paul me pergunta.
−Pensando nas possibilidades! Eu minto – Vai me deixar ser mais útil não é, aqueles babacas demoraram meses para me deixar construir um gerador e como se não bastasse nunca posso sair.
−A gente não costuma sair muito, não precisamos, mas de todo modo, a cidade é sua aproveite! Paul ri e ficamos de novo em silencio.
Não sou um bom mentiroso, e sei que não vai adiantar muito mentir por que aqueles traíras que estão comigo vão entregar tudo, então quando chegar minha vez de responder ao interrogatório, sei que vai ter um, vou procurar ser honesto e descobrir o máximo que posso, depois quero voltar para casa de uma vez.
Mary está segura com o grupo, mas não consigo não me preocupar, ela ficou chorando, eu sou tudo que ela tem, se algo der errado eu não quero que desista, devia ter dito alguma coisa para ela, mas Megan e Nick estavam tão tristes que só consegui pensar neles.
O carro entra na cidade, uma cidade fantasma, vai passando por ruas vazias e começo a ficar em alerta, agora eu preciso me concentrar em tudo.
Paramos de frente para um prédio com portas de ferro dessas que se ergue, uma delas sobe imediatamente e o carro entra, era uma garagem, meia dúzia de carros e alguns homens armados, ele tinha escolhido a escória para formar um grupo, dava para ver pela postura de todos.
Descemos e Paul sorria fazendo tudo que podia para nos mostrar como tudo estava bem e tranquilo.
−Esse prédio é nosso forte, todos temos quartos e comida e somos pelo menos trinta, mas sei que vamos prosperar! Ele diz com gestos largos – Venham vou mostrar tudo.
O prédio era grande e ia de um lado ao outro do quarteirão, os fundos davam para rua de traz onde saímos por portas como as da frente mas que pelo visto ficavam abertas.
−Essas portas ficam abertas? Eu pergunto.
−Veja você mesmo, fechamos o quarteirão desse lado e não tem perigo.
Saio para calçado, tudo que posso ver são carros empilhados dos dois lados da rua fechando a passagem.
Qual é? Eu penso eles nunca viram uma horda, aqueles carros não era páreo para uma.
−Muito bom! Eu digo – Posso ficar de vigia, montam guarda não é?
−O tempo todo! Ele me diz, mas não nos portões! Me mostra as janelas do primeiro andar do prédio, que droga eu penso, pela janela a proteção era muito maior, dava para cobrir uma área maior.
−Bastante inteligente! Respondo.
−Vamos, vou mostrar os quartos de vocês! Ele nos leva para o primeiro andar, era só até onde usavam, ele me diz que se por um acaso o grupo crescesse mais, usariam mais andares, tinha pelo menos cinco andares no prédio.
Somos levados a quartos que antes deviam ser salas de escritórios, fico sozinho em um e acho ótimo, ele dava vista para a cidade a minha frente, olho atento, nada de movimentação.
As refeições do grupo eram feitas no térreo, num restaurante do outro lado da rua, sigo com o grupo para o jantar, olho para os carros fechando a rua, porque estavam tão interessados em aumentar o grupo se não estavam preocupados com proteção, Paul não era burro, sabia que aquele lugar não protegeria ninguém de um ataque de zumbis.
Aquilo nunca foi um forte, talvez uma base para soldados ou o começo de uma coisa maior, mas nunca um forte, não vi o tanque de guerra que empilhou os carros, mas eles já estiveram aqui antes, Daryl tinha certeza que um tanque fez isso.
Eu como uma comida razoável, pelo que posso perceber não tem muitas famílias no grupo, só o que vejo são soldados, homens e mulheres, e três ou quatro pessoas mais parecidas com o que já fomos um dia, uma garota bem jovem brincava com uma menininha do tamanho do Nick, sinto falta da prisão.
O grupo que veio comigo estava reunido comendo juntos e acho menos suspeito me sentar com eles.
−Acha que fizemos bem Jimmy?
−Acho! Minto sem olhar muito para ninguém – Parece um bom lugar!
−Não sei, eu vim mais pelo Paul, mas pode ser que sim que aqui seja mais seguro e sem tantas restrições, ficar o tempo todo preso naquele lugar era torturante.
Depois sigo para meu quarto, não tem muito que possa fazer hoje e preciso ser discreto se quero respostas, não acho que Paul seja mesmo o líder como quer parecer, mas se for me sinto mais tranquilo.
Não durmo direito, fico com medo de ser traído, de dar algo errado de uma horda aparecer, e sinto falta do poleiro como Katie costuma brincar.
Tenho certeza que ela vai querer ir com Daryl me encontrar na estrada, vai ser uma confusão se eu não estiver lá, ela vai querer vir me buscar e não quero isso, o melhor é garantir que tudo dê certo.
De manhã me reúno ao grupo da prisão, agora apenas oito, conto mentalmente e fico pensando em quem falta, a senhora Stewart não estava com o grupo.
−Onde está a senhora Stewart? Eu pergunto olhando em volta.
−Fomos pegá-la pela manhã, mas ela já tinha deixado o quarto, não sei, não a vimos desde ontem depois do jantar.
Aquilo era estranho, mas ela devia estar bem e muito feliz, era a fã número um do governador e seus desmandos, deve estar se sentindo em casa.
Eu caminho pelo restaurante comendo uma fatia de uma massa estranha que era o mais próximo que podia se chamar de pão e tomando uma xicara de chá frio e sem açúcar, é até nisso a prisão ganhava, foi se o tempo que o grupo de Woodbury poderia oferecer comida apropriada.
Vejo a menininha tropeçar e cair de joelhos correndo pelo meio da rua, ela se senta chorando com os joelhos feridos e meu impulso é gritar por Hershel, balanço a cabeça e me aproximo.
−Ei! Eu a ajudo a ficar de pé! Puxa que grande salto! Fiquei impressionado! Ela para de chorar – Como consegue?
−Eu caí, não saltei! Ela responde secando as lágrimas – Machuquei meus joelhos e Jane vai brigar comigo.
−Vou mesmo! A garota se aproxima, devia ter uns dezessete anos e logo se abaixa para olhar os estragos – Não foi nada é só lavar.
−Oi! Eu cumprimento e as duas me olham – Meu nome é Jimmy, cheguei aqui ontem.
−Oi! Jane sorri um pouco tímida – Eu sou Jane essa é minha irmã Amy, acho que devo desejar que seja bem-vindo! Ela faz uma careta e percebo que não parecia muito feliz.
Eu as acompanho enquanto caminhavam rumo ao restaurante, elas seguem até a grande cozinha industrial com fogões e pias gigantes, Beth adoraria aquilo.
Jane limpa os joelhos da irmã e eu apenas observo, quem sabe não conseguia umas informações.
−Estão aqui a muito tempo? Tento parecer displicente, aproveito que estamos sozinhos.
−Chegamos a cidade junto com o grupo, somos da Califórnia! Ela pareciam de descendência latina, cabelos e olhos escuros, pele bronzeada – Minha mãe era enfermeira, morreu logo na primeira semana, estava cuidando de pacientes que tinham sido mordidos, ninguém sabia muito o que estava acontecendo e ela foi atacada, depois eu, meu pai e Amy saímos de lá, nosso objetivo era seguir até Nebraska, tínhamos tios por lá, fomos nos juntando a grupos, perdendo pessoas, nos reagrupando, acho que a mesma história de todo sobrevivente, a algumas semanas nosso grupo estava numa cidade e uma horda nos encontrou, foi uma loucura.
−Sinto muito! Eu digo – Perderam muitos?
−Quase todos, meu pai inclusive, Paul nos encontrou, eles estavam começando a construir esse lugar, nos juntamos a eles, não foi bem uma escolha, não nos restou nada, mas dos cinco que chegaram comigo só sobrou nós duas, foi difícil limpar isso aqui e depois disso aqui estamos.
−Não parece contente!
−Não estou! A criança se cansa da conversa segue para o lado de fora e Jane e eu começamos a caminhar para fora também, algumas pessoas tomavam sol na rua, conversavam.
−Não acha um bom lugar? Eu pergunto – Não me leve a mal, acabo de chegar, esse mundo é perigoso, quero saber onde estou pisando.
−Está pisando em areia movediça! Ela me avisa – É só olhar em volta, já vi uma horda atacar e isso é tudo menos seguro, e não acho que alguém aqui está mesmo preocupado com isso, e a maioria é homem, me sinto um pouco preocupada, procuro ficar com Amy e só, me manter longe de problemas, sei lá, tem algo aqui, esse lugar parece uma faixada para algo bem sombrio, mas pode ser só impressão minha, afinal o que pode ser mais sombrio que os mortos querendo nos pegar!
Ela me sorri triste, me acena e se afasta com a garotinha correndo de novo na frente, eu me sento na calçada, como não fazia a muito tempo, olho pela rua, Paul me acena quando passa por mim e some para dentro do prédio.
Detesto estar lá, quero ir para casa, mas decido andar um pouco, pelo que percebo, além do prédio só o restaurante era usado, o resto estava lacrado.
Entro de volta no prédio, caminho pela escada para o primeiro andar, as portas ficavam quase todas abertas, sigo para o andar de cima, apenas um corredor vazio e portas fechadas, no terceiro a mesma coisa, e no quarto e último vejo um soldado armado olhando pela janela, ele guardava claramente uma porta entre aberta, continuo pela escada e chego ao terraço, não havia nada de diferente lá, nenhum segurança olho a cidade fantasma a minha frente, vasculho as ruas e nada, desço e sigo direto para meu quarto, fico sentado no sofá que agora era minha cama.
−Jimmy? Um homem armado me macha da porta – Quer me acompanhar o Paul quer conversar um pouco.
Enfim o interrogatório, eu penso quando o acompanho fingindo tranquilidade, subimos um lance de escadas, e no segundo andar que eu achei que não tinha nada uma porta se abre e lá estava Paul sentando olhando para mim sorrindo.
−E então Jimmy? Ele me aponta a cadeira diante da mesa e eu me sento – Gostando do lugar?
−Parece bom! Respondo.
−Melhor que a prisão?
−Ainda não tenho certeza, mas acho que pode ser.
−Deixou alguém lá, quem sabe uma namorada? Mais alguém já tinha passado pelo interrogatório e eu tinha sido alvo de algumas perguntas.
−Não, tinha uma garota, mas ela queria brincar de conto de fadas, achei que me apegar a alguém nessa altura não é boa ideia, terminamos a uns dias.
−Fez bem! Ele ri – Mulheres, como pode ver não temos muitas aqui, não sobraram muitas alias.
−Não, não sobraram muitas!
−Como era lá, muita arma?
−Razoável!
−Eles tem um bom esquema de segurança, sabe como deu errado o ataque? Ele me olha – Do governador eu digo.
−Acho que caíram numa armadilha, foi sorte!
−Parece que foi! Ele me diz – Acha que corremos risco, no caso de descobrirem onde estamos?
−Não, eu duvido, tem crianças lá, eles não estão interessados em começar uma briga.
−Soube que tem bons soldados, vamos falar um pouco sobre eles! Paul me pede – Não quero que me entenda mal, só quero saber se estamos mesmo seguros aqui.
−Claro que pode me perguntar, eu não deixei nada lá Paul! Aviso.
−Rick? Ele me pergunta- É o líder?
−Eles não tem um líder, são meio democráticos, quer dizer, eles são fechados, acho que meia dúzia deles decide tudo por todos, mas o Rick ainda é meio o líder, o mais diplomático do grupo.
−Soube que tem um casal forte, eu estava lá quando foram buscar aquele casal que o Merle prendeu – Ele me sorri cínico – Vi a mulher das facas, pelo que ouvi por ai não erra um alvo, nem com facas, nem com a besta e é especialista em armas de fogo também, o marido parece um bom soldado, o melhor pelo que soube.
Alguém tinha entregado o serviço de bandeja, dou de ombros.
−São bons, não sei se tudo isso, mas são sem dúvida o melhor que existe lá! Aviso.
−A negra! Ele me pergunta – A mulher da espada?
−Michonne! Eu digo com dor no coração, aquilo estava claro, não estamos falando de paz, é o começo de uma nova guerra – Quase não fala, mas é boa.
−Sai muito sozinha, sabe onde vai?
−Agora sair é raro, mas sim ela sai e fica só na região da prisão, nunca se afasta.
−Será que se juntaria a nós? Ele pergunta – Ela é forte, seria bom ter alguém assim entre nós.
−Nunca! Sou um pouco mais enfático do que gostaria e me acalmo – Ela é muito fiel ao Rick.
−E você? Ele me olha – A quem é fiel Jimmy?
−A mim mesmo! Respondo tentando parecer honesto e firme – Meu irmão morreu numa busca com aquelas pessoas, não acho que deva nada a eles ou qualquer outra pessoa, quero viver.
−Gosto disso! Ele sorri – Sabe atirar?
−Muito bem! A verdade que até isso foi o grupo da prisão que me ensinou, mas não digo a ele.
−Aqui! Ele me entrega uma pistola e um pente – Seja bem-vindo ao grupo dos que não são fieis a ninguém!
−Certo! Eu tento sorrir – Tem algo que possa fazer?
−Claro vai entrar na escala de vigias, e pode sair com os grupos de busca sempre que quiser e se sentir vontade pode andar pela cidade, mas cuidado, matamos muitos, mas um errante ou outro sempre pode aparecer.
−Sei me defender, mas não pretendo ir a lugar nenhum, ao menos por enquanto.
Eu estava saindo, quando me lembro da senhora Stewart.
−Paul, uma velha idiota veio conosco, não sei se se lembra dela, senhora Stewart, ela sumiu, acha que pode ter saído por ai?
−Velhos não são muito úteis não é? Ele ri – Se saiu não perdemos muito.
Fico pensando que uma guerra estava clara, mas não acho que Paul seja mesmo o líder, eu andava de um lado para outro no meu pequeno quarto, tenho que arrumar um jeito de chegar até meu encontro com Daryl, e preciso me preparar, ele confiou muito rápido em mim, não sei se é tolo ou se está me dando corda, tentando me enganar, e preciso dar um jeito de tirar Jane e a irmã daqui, se algo der errado, elas vão acabar mortas, Paul não parece preocupado em proteger os mais frágeis, quem entregou tanto sobre a prisão, todos os detalhes, e aquele interesse por Michonne, droga Katie era a pessoa que resolvia mistérios, não eu.
O dia seguinte é longo, acabo ficando mais próximo de Amy e Jane, elas me falam sobre como era seu antigo grupo, as coisas que faziam antes do começo do fim, Amy tinha seis anos, era tão falante e esperta como Nick e só me fazia sentir mais saudade dele, Jane era mais fechada, um pouco triste, era muita responsabilidade estar sozinha cuidando de uma irmã menor, ela me diz no meio da tarde enquanto olhávamos a menininha brincando.
−Irmãos pequenos são mesmo uma grande preocupação!
−Tem irmãos, eles morreram? Ela pergunta abatida.
−Deus me livre! Digo arrepiado só de pensar – Eles estão bem! Aviso e ela me olha estranhando meu comentário.
−Eu... não são irmãos de sangue, mas são muito especiais, ficaram com os pais, onde eu estava antes.
−Quantos, porque os deixou?
−Três! Eu respondo – Fiz o que era certo! Ela me sorri, que droga e se Daryl e o resto decidisse que o melhor era atacar, elas estariam em perigo, de tudo que vi até agora são as únicas indefesas aqui, mas espere, isso é verdade, nada de velhos, crianças, mulheres frágeis.
−Os cinco que vieram com você como eram? Eu pergunto do nada.
−Duas moças, irmãs, uma estava bem doente Gina, um senhor de uns setenta anos, muito bom com todos, a neta dele, ela tinha uns dez anos eu acho e um homem, esse eu mesma vi chegando aqui, mordido depois de uma saída, ele era bem forte, tiveram de acabar com ele.
Certo era isso, ele dava fim aos que não eram fortes o bastante, e esse homem mordido talvez tivesse só sido mordido, ou quem sabe descobriu tudo, mas porque as duas ainda estavam ali.
−Paul é mesmo o líder?
−Parece que sim, mas já vi um outro homem, uma vez depois nunca mais, ele saiu daqui e nunca mais apareceu, um cara de cabelos compridos e barba, estava num carro e deixou o prédio, mas bem pareceu estar dando ordens.
−Sabe se usava um tapa olho? Eu pergunto.
−Que pergunta estranha? Ela ri – Não sei, vi de relance, dentro de um carro com mais dois homens.
Fico calado apenas pensando, processando tudo, preciso avisar Daryl, tenho que dar um jeito de chegar ao nosso ponto de encontro.
O resto do tempo que passo lá eu apenas procuro ficar quieto, não chamar muito a atenção de ninguém, faço minha primeira guarda naquela mesma noite e para minha sorte descubro que tem dois carros na entrada da cidade, meu companheiro de vigia me explica, ficam lá com o tanque cheio prontos para uma emergência, não dá para ver de nenhum ponto do prédio e isso é bom, era com um deles que seguiria para me encontrar com meu grupo.
No dia marcado procuro Paul no meio da manhã, ele conversava com alguns soldados, ao menos era isso que pareciam.
−Paul, pensei em andar por aí, procurar umas baterias, uns fios, posso deixar isso aqui mais confortável sabe disso, tem algum problema, não vou longe.
−Jimmy, eu sabia que poderia contar com você, vá onde quiser, mas não saia dos limites da cidade!
−Onde poderia ir a pé! Eu digo e ele concorda rindo.
Passo pelos portões sem qualquer problema, ando um tempo pelas ruas próximas onde podia ser visto, entro num lugar ou outro, recolho fios e deixo que me vejam, me dou ao trabalho de desmontar uma bateria e retirar.
Depois caminho para os limites da cidade, preciso encontrar minha família, explicar as coisas e decidir o que fazer, e preciso ser rápido, de onde estou levo no máximo uma hora para ir e uma para voltar, não vão estranhar, ao menos é o que espero.
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