Fim Dos Tempos

78 Capítulo 78 - Bônus - parte final


Notas iniciais
Aqui está meninas, espero que gostem depois desse voltamos ao apocalipse.
obrigada pelo carinho que todos tiveram com o bônus, suas lindas!!!

Pov – Katie

Uma noite e minha vida tinha mudado completamente, mamãe e papai, eu devia saber, eles tinham um tipo de amor que não permitia que fosse diferente.

Por algum milagre Daryl surgiu, sinto vergonha de um dia ter dado ouvidos as fofocas da vizinhança, ninguém era mais gentil do que ele, cuidou de tudo, o tempo todo do meu lado, parece loucura mas me sinto ligada a ele, não consigo ficar longe, nunca imaginei que pudesse fazer o que fiz, entrar no celeiro e pedir para dormir com ele, nem por um minuto tive medo que ele tivesse uma impressão errada sobre mim, depois eu fiz sua mudança para nossa casa, quero cuidar dele, eu sei que tem coisas nele que o deixam reservado, acho que tem um pouco de medo, mas quando me beijou, nunca pensei que seria assim tão intenso, foi perfeito, e mais uma vez pedi para dormir em seus braços.

O primeiro beijo não foi delicado, foi cheio de significados, o fim de uma tortura, algo que eu queria desde o primeiro instante e foi de um jeito avassalador, mas depois, quando nos deitamos ele me beijou de novo, fiquei nervosa, achei que ele poderia querer mais e não sei se estaria pronta, mas foi só um beijo de boa noite, gentil e doce, me fez estremecer e ficar com as pernas bambas, depois Daryl me envolveu em seu abraço perfeito e dormi.

Acordei com um leve beijo de bom dia e sorrio antes mesmo de abrir os olhos, faço manha, sempre faço pela manhã.

−Vou descer pequena, alimentar os animais, trabalhar! Ele diz baixinho e abro os olhos, tem um lindo par de olhos azuis, um mar sem fim que me deixa encantada, ele me toca de leve, mas logo se afasta, algo passa por aquele olhar, uma dor, mas depois ele me beija de novo e começa a se afastar.

−Eu vou preparar seu café, gosta de panquecas?

−Não precisa...

−Eu quero! Eu o corto – Me encontra lá em baixo.

Depois do café que ele adora e fica impressionado Daryl segue para o trabalho, fico um tanto sozinha, observando ele da varanda, o que éramos, será que ele estava mesmo interessado em mim, não quero pressioná-lo, mas é bom estar em seus braços, será que me acha uma boba, uma menininha carente?

Uma rotina se insta-la, nas três semanas que seguem, eu dormia em seus braços, trocávamos longos beijos o tempo todo, trabalhávamos juntos e cuidávamos um do outro.

Daryl era sempre carinhoso, mas seu modo de demonstrar era diferente, ele não me tocava muito, acho que não gostava, eu não tinha nenhuma amiga para perguntar, na verdade a três semanas não saíamos da fazenda, meio que não precisávamos de nada, então ficávamos apenas juntos, vendo teve, olhando a noite na varanda.

Ele não falava muito sobre ele e eu não insistia, vi as marcas nas costas uma vez quando fui levar agua para ele no meio da tarde, ele não percebeu que vi, vestiu a blusa rápido por que eu sei que não quer que eu saiba, isso não muda nada, o dia chegava ao fim ele caminha para mim com aquele andar de dono do mundo que me deixa maluca de vontade de correr para seus braços.

−OI! Eu digo quando ele se aproxima e me rouba um beijo.

−Me espera? Faço que sim e ele some para o chuveiro, depois se senta comigo, estava uma noite linda e estrelada.

−Quero vender o carro do meu pai.

−Tem certeza? Ele me diz – Não precisa.

−Temos a caminhonete, não precisamos de dois carros, e ele me lembra muito meu pai de um jeito que não quero, pode cuidar disso? Ele concorda – Vamos aplicar o dinheiro na fazenda.

−Não, ele é seu, você guarda! Ele me avisa.

Me sinto triste, mais do que isso, me sinto ridícula, não somos nada um do outro, eu digo que não quero pressioná-lo, mas é só isso que faço, uma tola romântica que acha que está vivendo um conto de fadas, só porque ele me beija e durmo em seus braços, nem sei por que ele permite, “já temos a caminhonete” que idiota, ele tem, não nós, não somos nós, não para ele, acho que tudo que Daryl sente por mim é pena, porque perdi tudo, ele está aqui agora pela amizade que sente pelo meu pai, porque acha que deve isso a ele, meu rosto queima de vergonha do meu comportamento, estava tão feliz e apaixonada que nem me dei conta, amo Daryl Dixon, não sei como aconteceu, mas eu o amo, e ele mal consegue me tocar sem se afastar.

−Eu vou... – Preciso sair daqui antes que caia no choro – Eu volto logo! Mas minha voz denunciava minha dor e quando me levanto ele faz o mesmo, segura meu braço.

−Onde vai? Ele me pergunta e quando se dá conta que me prendia se afasta rápido como sempre fez e só agora entendo a razão.

−Mal consegue me tocar! Eu não consigo mais segurar as lágrimas – Tudo que sente é pena de mim.

Corro para o meu quarto e me deito encolhida, é a primeira vez que deito na minha própria cama, só entro ali para me vestir, mas agora seria diferente, eu preciso deixa-lo livre, ouço passos e ele surge na porta.

−Está errada! Ele me diz da porta, o oceano sem fim dá lugar a um mar escuro e nebuloso – Não é o que pensa, eu... eu não sirvo para você, é doce, delicada, sou só um grosseirão de mãos calejadas – O homem desaparece, só o que vejo é um menino perdido – Evito porque tenho medo, porque não quero afastar você.

Fico muda processando suas palavras, era isso, ele achava que não me merecia? Que não quero ser tocada, como é possível espero seu toque ansiosa, faço isso o tempo todo, ele não vê?

−Vou te deixar em paz! Ele sai, não quero que saia, quero que fique e lute por mim, mas se ele não pode fazer eu posso, eu sempre vou estar pronta para lutar por ele, encontro Daryl no próprio quarto, estava de pé olhando a noite da varanda, o olhar perdido.

Caminho decidida a fazê-lo enxergar e se o único jeito era confessar então eu faria isso, pego sua mão, acaricio cada centímetro dela, ele tenta resistir, não permito, vou dizer tudo, depois é ele quem decide.

−Uma vez o filho do dono da loja de departamentos me chamou para sair, foi a muito tempo, numa de minhas férias, pensei em ir, nunca tinha nada para contar quando voltava das férias, falei com o papai e ele disse que o rapaz era um filhinho de papai, alguém que nunca precisou lutar por nada – Eu não olhava para ele, meus olhos estavam fixos em sua mão que eu acariciava tentando dizer que eram perfeitas para mim – Papai me disse que no dia que eu quisesse entregar meu coração nas mãos de um homem, que devia prestar atenção, que só valeria a pena se fossem mãos calejadas de quem sabe o valor do trabalho, de quem luta!

Eu levo sua mão até meu rosto, quero que entenda, que sinta o que eu sinto.

−Eu sei que perdi tudo, que parece que não tenho escolha, mas não é verdade, você é minha escolha, não a falta de uma, eu amo você!

Solto sua mão, mas ela continua no meu rosto, me faz um carinho leve, ele não diz nada, não esperava que dissesse o mesmo, mesmo que agora o modo como ele me olho pareça que sente.

Daryl desce os dedos por meu pescoço, faz a curva do ombro desce pelo braço, vai até minha mão, e então me beija longamente de um jeito que nunca fui beijada, quero ser dele, ser dele e de mais ninguém e quero que seja para sempre.

−Está tudo bem pequena! Sei que é tudo que ele pode dizer, que tem coisas na vida dele que o impedem de oferecer mais, e aceito isso, nos beijamos de novo, um beijo mais intenso – Como foi o encontro? Ele me pergunta quando nos afastamos, acho que é hora de ele saber.

−Não teve encontro, nunca teve nenhum encontro.

Ele entende e apenas me abraça carinhoso, me beija mais uma vez.

−Temos tempo, podemos ter um encontro! Ele me diz e faço que sim, dormimos juntos mais uma vez, quando acordo ele me olhava.

−Tão linda! Ele me diz – Vou até a cidade, preciso levar o carro do seu pai e resolver... não demoro.

−Posso ir? Pergunto.

−Não, mas acho que podemos jantar na cidade! Ele me convida e meu coração bate um pouco.

−Como um encontro? Deixo escapar a pergunta e fico corada.

−Como um encontro!

Fico na varanda assistindo ele se afastar com o carro do meu pai, detesto vê-lo partindo, não gosto de ficar longe dele.

Pov – Daryl

Ela me ama, minha pequena me ama, como é possível? Eu não disse a ela, mas sinto o mesmo, quis dizer mas não consegui, então tive uma ideia, vou fazer o que quero, se ela me ama se me quer na sua vida se sou sua escolha então eu sei o que tenho de fazer.

Passo na loja de carros, faço um bom negócio, vendo o carro e sigo para o que realmente me trouxe a cidade, a joalheria, ela era pequena, como tudo naquele fim de mundo, e sei que antes do dia terminar toda cidade estaria comentando que Daryl Dixon comprou alianças, quero que se danem, amo minha pequena e quero que seja para sempre, o que James pensaria se ficasse vivendo com sua filha sem deixar claro que é sério.

A dona da loja arregala os olhos quando faço meu pedido, ela não pergunta, mas me traz duas bandejas com alianças e anéis, olho para tudo aquilo confuso, parece meio igual, nem sabia que tinham tantas opções e que era preciso escolher.

Vejo um anel delicado, com uma pequena pedra, parece com ela e quero levar, eu o separo, mas acho que se ela aceitar se casar comigo como quero propor se não tiver um ataque do coração antes disso vamos precisar de alianças e eu não pretendo nunca mais entrar naquele lugar, então escolho um par de alianças algo discreto que só teria valor para nós, pago com o que me resta de minhas economias, mas minha pequena merece e volto para casa caminhando pela floresta, pensando em como vou pedir a ela.

Minha pequena me esperava na varanda corre para meus braços quando chego, como se não me visse a muito tempo, sempre fico surpreso com seu carinho, com seu amor, eu a beijo um longo beijo e depois seguimos com nossa rotina, à noite eu a espero na sala para irmos até a cidade, ela vem ao meu encontro com aquelas botas que ela adorava e que me deixavam louco e tenho certeza fariam o mesmo com os homens da cidade.

−Será que encontramos uma loja de sapatos aberta? Eu pergunto olhando para seus pés.

−Quer parar de implicar com minhas botas! Ela me abraça – Sou uma fazendeira, estou vestida a caráter.

−Mas é que quando anda com elas, vamos a cidade e os homens, bom ela me deixa maluco deve fazer o mesmo com todos.

−Você tem razão, está calor mesmo, vou colocar uma mini saia e um salto, volto num minuto! Ela começa a se afastar e eu a puxo mudando de ideia, mini saia e salto era querer me ver quebrar um nariz pelo menos.

−Prefiro assim, vamos!

O anel está no bolso, vou achar um momento ideal e entregar, jantamos no único restaurante da cidade, nunca tinha entrado nele e é claro que todos nos olhavam o tempo todo, comemos conversando e decido que poderia entregar o anel depois, eu sabia que todos estavam esperando para assistir aquilo, depois saímos a pé e paramos para um sorvete, caminhamos de mãos dadas tomando o sorvete e todos olhavam, Daryl Dixon e a filha de James Collins de mãos dadas tomando sorvete era quase uma alucinação coletiva, penso em Merle, se me visse nunca mais paparia de me atormentar, paramos na praça e ela me beija, não se importa de me beijar na frente de todos, não sente vergonha de mim, ma ganho muitos olhares de censura, prefiro ignorar, duas crianças nos olham tomando sorvete, katie sorri para eles, acena.

−São lindos não é? Ela diz.

−Megan, Nick! Um homem grita por eles na porta de um carro velho, as crianças estremecem e correm, eu conheço aquele tom de ameaça, e conheço aquele olhar de pânico, quero me levantar e dar um soco no idiota, marco bem seu rosto, as crianças entram no carro que some cantando pneu.

−Eu os conheço! Aviso – Moram perto da fazenda, já os vi muitas vezes caminhando por nossas terras, me olhando de longe.

−AH! Ela diz sorridente – Chama eles para irem na nossa casa, comer torta de amora, por favor, sempre sonhei em fazer isso! Ela diz se recostando em meu ombro.

−Se é o que quer.

Voltamos para casa, e é claro que não tive coragem de entregar o anel, mas ao menos tivemos um encontro. Quero dizer a ela que a amo, quero tocar nela de verdade e sei que ela quer isso também, minha pequena sempre me corresponde, subimos direto para o quarto e sei que essa noite é especial, nos beijamos assim que entramos, olho para ela, a mulher que me amava.

−Amo você! Ela me diz mais uma vez, é tão fácil para ela.

−Pequena, tem coisas que não sabe, eu... meu pai, minha família, as...

−Eu as vi Daryl, vi as marcas, sinto muito que tenha acontecido, queria estar lá para cuidar de você quando coisas assim aconteciam.

−Ninguém estava! Eu conto a ela, ela sabia e ainda assim me amava, não se importava.

−Mas agora eu estou, nada disso tem importância, eu te amo, não me importo em como era antes.

−Quero você pequena, mas essa é uma decisão sua posso esperar.

−Também quero! Ela me diz com os olhos grudados nos meus e então eu a envolvo, nos beijamos e agora simplesmente me deixo livre para explorar seu corpo, ela faz o mesmo, tiro sua blusa, ela faz o mesmo com a minha e me toca, acaricia minha pele, me deseja, mesmo sabendo que eu sou, me arrisco a tocá-la, ela fecha os olhos.

−Gosto de suas mãos sobre mim, gosto do que me provocam! Acho que não tem ideia do efeito de suas palavras, eu queimo e então a beijo, e sentimos pressa e nos despimos, ávidos sem querer nos afastar, depois coloco minha pequena na cama, beijo sua pele, cada centímetro dela, ela geme e isso me deixa em fogo, volto a beija-la, ela me tocava, acariciava meu corpo.

−Daryl! Ela diz meu nome soa como um pedido e eu sabia que estávamos prontos, preciso ser cuidadoso, e então eu a penetro, ela geme, me olha nos olhos, os lindos olhos verdes que sempre me reviram, estou dentro dela, não me movo porque quero que relaxe que se acostume, preciso dizer a ela.

−Eu amo você pequena! Ela me olha sorrindo os olhos ficam marejados, beijo suas lagrimas – Sim minha pequena eu amo você.

Fazemos amor lentamente, e nunca pensei que pudesse ser assim tão perfeito e intenso, tenho a melhor noite da minha vida, estou com ela em meus braços e amanhecia, olho seu rosto suave, quero entregar o anel que nesse momento está jogado no bolso da calça.

−Tudo bem? Ela me pergunta vendo minha inquietação.

−Me beijou na praça, na frente de todos, as pessoas, elas...

−Não me importo! Minha pequena me diz – Principalmente agora que sei me ama.

−Onde ouviu isso? Brinco e ela me olha brava.

−Saíram daqui! Ela me diz me beijando.

−Amo você pequena, e quero que seja, eu estive pensando... estamos juntos, nos amamos, não sei, acho que talvez, se não achar...

−O que está tentando me dizer? Ela parece preocupada, eu devia ter ficado de boca fechada, estou apressando as coisas.

−Quando fui a cidade, não deixei que fosse porque queria, eu... Katie eu te amo.

−Também amo você! Ela me sorri.

Tomo coragem, já tinha começado era melhor dizer de uma vez, se ela saísse correndo apavorada era bem feito para mim e esse meu medo estupido de perde-la, me afasto dela e pego a caixinha no bolso da calça no chão perto da cama.

−Quer se casar comigo, eu quero que seja para sempre! Peço com medo da resposta, ela me olha com aqueles olhos verdes brilhando, pega o anel emocionada.

−Eu quero! Me diz chorando – É tudo que quero! Ela admira o anel e me estende – Tem que colocar no meu dedo! Estende a mão eu faço o que me pede um tanto tímido, acho meio bobo.

−Amo você! Beijo sua mão, agora só faltava uma cerimônia oficial e ela seria mesmo minha esposa.

Os dias se tornam perfeitos, sinto urgência por ela, às vezes simplesmente tenho de largar tudo e correr até ela, no meio do dia, e ela corresponde, e umas vezes é intenso e arrebatador e outras é suave e delicado, e sempre é perfeito, somos felizes, como já mais pensei que um Dixon merecesse ser, mas ela me faz acreditar que posso.

A um mês ela desfila com aquele anel orgulhosa, as vezes eu a vejo beija-lo e isso me revira, ela me ama, estou pensando nela enquanto inspeciono a plantação quando vejo os garotinhos me olhando de longe faço sinal e se aproximam tímidos.

−Minha mulher que convidá-los para comer torta de amora, querem ir? Gosto de dizer minha mulher escondo um sorriso orgulhoso.

−Vamos Megan! O pequeno pede ansioso.

−Não podemos demorar! Ela diz a ele – Só um pouco.

Caminho com os dois silenciosos ao meu lado.

−Pequena! Chamo quando nos aproximamos da varanda e ela surge sorrindo – Temos visitas.

−OI! Ela sorri – Venham! Eles entram de mãos dadas – Gostam de tortas, eu adoro fazer, mas meu marido não como o suficiente! Ela me beija.

Eles se sentam na cozinha, ela os serve e sinto que são um pouco tristes, me olham com alguma reserva, ela os serve e se senta.

−Moram aqui perto?

−Sim, mas não é tão bonito como aqui, tem animais?

−Temos! Ela sorri – Eu sou Katie e ele é o Daryl!

−Meu nome é Megan, esse é meu irmão Nick!

Katie fica conversando com as crianças, falando sem parar, não descobrimos muito sobre eles, mas eles se acalmam, ficam mais à vontade e depois eu os levo junto com Katie para ver os animais.

−Olha Megan porquinhos! Nick diz exultante – Sempre quis ter um bichinho! Seus olhos brilham – Posso voltar para vê-los?

−Sempre que quiser! Minha pequena convida.

Ele olha para a irmã e depois ela o chama e eles vão embora, não para sempre, na verdade é como se nunca mais tivessem ido, todos os dias estavam lá, no meio da tarde, corriam pelo milharal, brincavam com os porcos, comiam tortas, Nick me seguia falante me atrapalhando a cada movimento meu e Megan ajudava Katie na cozinha, corria para me buscar quando decidiam que era hora do lanche da tarde e quando partiam no fim da tarde pouco antes de escurecer ficava um silencio e um vazio que nos deixava confusos.

−Amor! Ela me chama com olhos preocupados quando sigo para dentro depois de levar Megan e Nick até os limites da fazenda como fazia todas as tardes – Acho que tem ratos no celeiro.

−Não é impossível pequena! Eu respondo e ela me olha como se tivesse dito algo assustador – O que foi.

−Ou dá um jeito nisso ou vende a fazenda e vamos morar num desses edifícios de cem andares que os ratos morrem de ataque cardíaco antes de nos alcançarem.

−Pequena!

−É sério, vi umas coisas remexidas e uma migalhas, nunca mais entro lá!

−Prometo tomar providencias! Aviso solene, e ela me beija não muito convicta – Uma fazendeira que tem medo de ratinhos?

−Uma garota, apenas uma garota, posso ficar em cima de uma mesa gritando uma semana por conta de um rato.

Estava quase adormecendo quando minha pequena me cutuca com a delicadeza de um rinoceronte.

−Ouviu? Ela me pergunta –É no celeiro, vai ver!

−Não é nada pequena! Eu respondo assonado.

−Pode ser um ladrão armado, ou pior pode ser um ninho de ratos!

−Por que um ninho de ratos é muito pior que um ladrão armado! Digo me sentando, depois pega a besta e caminho para a porta, ela me segue – Onde vai?

−Me certificar que vai acabar com eles! Ela me segura a camisa.

−E se for um ladrão?

−Tanto melhor! Reviro os olhos sem acreditar e saímos em silencio, aquela pequena me faz fazer tudo que quer, nunca consigo recusar nada a ela, abro o celeiro devagar e paramos sem acreditar, Nick e Megan estavam sentados e abraçados num canto sobre o feno os olhos vermelhos de tanto chorar, eu e minha pequena trocamos um olhar de confusão.

−Ai estão seus ratos! Respondo –São mesmo dois ratinhos.

−O que fazem aqui? Ela pergunta se aproximando deles.

−Desculpe! Megan diz apertando o irmão.

– Vamos venham para dentro, vamos conversar.

Nos sentamos na sala, sei o que vão contar, conheço esse olhar.

−Ele machuca a gente, viemos nos esconder, ficamos aqui à noite, é seguro, ele não nos encontra, por favor não briga

Eu sabia desde o começo eu sabia que algo assim estava acontecendo, como fui deixar chegar tão longe.

−Pequena, fica com eles, vou até lá ensinar uma lição a esse...

Os três estavam em volta de mim antes mesmo de terminar a frase, todos assustados.

−Não por favor quando for embora ele vai machucar a gente de novo e nunca mais vamos poder voltar aqui! Megan chorava.

−Eu não quero ir embora! Nick soluça eles estavam me deixando zonzo e minha pequena resolve tudo.

−Vai ficar tudo bem, e a mãe de vocês?

−Ele anda muito bravo porque temos de nos mudar de casa, estava batendo nela, ouvimos e viemos de novo para o seu celeiro! Megan explica.

−Nesse caso vamos chamar a polícia, ele precisa parar com isso, amor vamos falar com a polícia!

Seguimos para casa das crianças depois de fazer a denúncia, e depois de jurar que não faria nada com o maldito pai das crianças, eu não pude me defender quando era criança, não tinha ninguém por mim, mas eles tinham, era tarde para fugir, deixamos aqueles dois ratinhos entrarem em nossas vidas e não podíamos lhes dar as costas agora.

Quando chegamos na porta estava uma grande confusão, o homem saía algemado e uma ambulância levava a mãe das crianças e pelo comportamento dos paramédicos a coisa era grave.

Rick se aproxima, ele era um bom policial, eu o conhecia das muitas vezes que fui tirar Merle de uma encrenca, era um dos poucos que sabia a diferença entre eu e meu irmão.

−Vou informar o conselho sobre as crianças, ele vai ser preso por tentativa de homicídio e ela... – Rick olha para os dois encolhidos em volta de Katie – Vamos rezar!

−Eu e Katie vamos leva-los até o hospital e saber como ela está, podemos ficar com eles.

−Não sei Daryl, vou ver o que posso fazer, mas acho que alguém vai procurar por vocês! Eu entendo o que ele quer dizer, eles seriam levados para alguma instituição, aquilo me deixa angustiado, aperto sua mão e seguimos para o hospital.

Duas horas depois, quando Nick dormia em meus braços, uma enfermeira se aproxima dizendo que a mãe das crianças estava consciente e queria nos ver.

−E as crianças? Katie pergunta.

−Deixe os aqui comigo, não é algo agradável para eles, ao menos não no momento.

Seguimos até o quarto e realmente a mulher estava muito ferida, ela acena fracamente e pede para ficarmos perto, uma assistente estava com ela.

−Essa senhora quer levar meus filhos! Ela diz – Eu disse a ela que somos muito amigos, que meus filhos costumam ficar com vocês, que cuidariam deles para mim! Ela diz e entendo seu plano, sinto um grande alivio.

−Sim, será um prazer ficar com eles até – Eu nem sabia o nome da mulher – Até a mãe ficar bem! Tento parecer natural, a tal assistente de sei lá o que concorda e se retira dizendo que era um momento familiar.

Katie se aproxima e aperta a mão da mulher passando sua esperança, sorri como sempre faz com todos.

−Eles amam vocês dois, não falam em outra coisa a semanas, contam os minutos para correr para vocês! Ela chorava.

−Vamos cuidar deles! Katie promete – Fique tranquila, nós dois amamos seus filhos.

−Mesmo se eu morrer? Ela pergunta e Katie aperta sua mão.

−Não pode pensar assim, seu marido foi preso, não vai machucar vocês, e quando sair daqui vamos ajuda-la.

−Obrigada, mas preciso saber, tenho providencias a tomar, se eu morrer, pode ser permanente, fariam isso, não temos família alguma.

−Pode apostar que se algo acontecer Nick e Megan vão viver conosco! Eu afirmo, é isso que quero, detesto quando vão embora e minha pequena só falta chorar toda tarde.

−Obrigada! Ela diz e então nos retiramos.

As crianças ficam conosco, volto no dia seguinte com eles para ver a mãe, o médico não nos dá esperanças, eles ficam um pouco com ela e depois voltamos, e faço o mesmo no dia seguinte.

Eu tinha acabado meu serviço, e estava caminhando para dentro com Nick quando um carro estaciona e vejo Rick descer, não estava sozinho, trazia seu garoto com ele.

−Boa tarde! Aperto a mão dele e olho o garoto que acena.

−Daryl esse é Carl o meu filho, ele estuda com a Megan e ficou preocupado com tudo quis vir aqui, para vê-la!

Minha pequena se aproxima sorrindo, eu não gosto nada dessa amizade, mas ela já sorria toda gentil mandando o garoto entrar e Megan seguir com ele para comerem torta na cozinha, ficamos os três lá fora.

−Andei falando por ai! Ele avisa – Acho que a mãe deles não tem mais muito tempo e pelo que entendi querem ficar com eles.

−Vamos fazer isso! Eu digo determinado.

−Vim dar um concelho, apressem esse casamento, não sei para quando seria, mas é bom que seja logo, não serem casados pode dificultar as coisas.

Nos olhamos tensos, nunca tínhamos falado nisso, mudo de assunto e depois de um tempo eles vão embora e Carl combina de voltar no outro dia, não gosto disso.

−Pequena, sobre o que o Rick disse – Eu começo depois que os dois dormem – Eu estive pensando...

−Não precisa se preocupar, damos um jeito não quero que se sinta pressionado.

−Quero casar com você! Eu digo ignorando seu comentário – Quero fazer isso logo, na verdade já tenho as alianças faz tempo e quero fazer isso no fim de semana, apenas nós e as crianças! Ela me olhava emocionada, não sei se está feliz ou assustada.

−Eu amo você, pode ser quando quiser e onde quiser, e quero ver minha aliança!

−Nem pensar, vai que não gosta e muda de ideia! Eu a beijo.

Nos casamos no sábado num lindo fim de tarde, com minha pequena vestindo o mais delicado vestido de noiva que já vi, com os olhos marejados e um sorriso que me deixa completamente zonzo, os ratinhos, como agora costumávamos chama-los estavam encantados, depois seguimos para casa sob o olhar de toda a cidade, mas não sinto mais tanta recriminação.

A mãe das crianças não resiste, mas deixa um documento nos entregando Nick e Megan, um documento legal com o atestado do médico de que ela estava consciente de sua decisão e passamos a ser oficialmente os pais de dois ratinhos lindos.

Mas eu ainda podia ser mais feliz, uma semana depois Katie me espera na varanda, estava com os olhos marejados, torcia os dedos nervosa, meus ratinhos ainda não tinham voltado da escola.

−O que foi pequena? Pergunto assustado.

−Eu preciso dizer uma coisa, mas estou com medo que saia correndo de tão assustado quando contar, porque já temos os dois ratinhos e a fazenda está começando agora e mal nos casamos e...

−Amo você não vou a lugar nenhum e está me apavorando então me diz de uma vez.

−Eu... vamos ter um bebê! Ela diz e fico uns segundos apenas digerindo a notícia, pisco e então aquilo fica grande, um bebê, um pedacinho de nós dois, eu quero, é claro que quero.

−Tem certeza? Pergunto quando a pego no colo feliz demais para simplesmente abraça-la.

−Sim! Ela me diz e eu a beijo, vejo seu alivio.

−Eu quero esse bebê pequena é claro que quero, três é um bom número, na verdade acho que quatro é ainda melhor! Digo contente carregando minha mulher para cama, antes que meus pequenos chegassem da escola, gritando papai e mamãe sem parar.

Matt Dixon nasce numa linda tarde de verão, minha família estava completa, Merle vinha nos ver ás vezes, mas agora o nome Dixon era sinônimo de respeito, a cidade me admirava por que me casei com uma Collins, quando ela estava sozinha e não tinha ninguém para cuidar dela e por que salvei e adotei os dois garotinhos mais lindos da cidade, Merle não achava nada bom para sua reputação conviver com o lado negro dos Dixons, e passava uma ou duas noites no sofá comendo tudo que encontrava e implicando com meus ratinhos por conta de ser chamado de tio Merle, então sumia sem se despedir.

Carl tinha tido a cara de pau de pedir para namorar minha ratinha a uns meses atrás, e tive de concordar por que minha pequena estava gravida e não podia deixar ela nervosa, mas aquele mini xerife que não andasse na linha para ver só.

Agora tínhamos uma cadela vira-lata que Nick encontrara, se chamava Lily eu concordei por que seria bom ter um cão de guarda protegendo a fazenda durante a noite e ela faria isso se não estivesse toda noite deitada na cama de Nick como se fosse a dela.

Eu tinha uma família, e tinha uma família grande que surgiu como num passe de mágica no dia que minha pequena entrou na minha vida, ela é tudo que tenho, tudo vem dela, quem eu me tornei, as coisas que construí, tudo vem da minha pequena e a prova disso é esse pequeno pedacinho de nós dois que agora dorme tranquilo no meu colo enquanto assisto junto com ela meus ratinhos correrem pela plantação junto com Lily felizes e cheios de sonhos, assim como eu.

Notas finais
Comentem!!