Fim Dos Tempos

76 Capítulo 76 - Reconstruindo


Notas iniciais
Oi pessoas queridas, vou postar mais um capítulo, depois como prometido começo um bônus sobre como seria se Daryl e Katie tivessem se conhecido num mundo sem apocalipse, não sei se em um ou dois capítulos, talvez mais, sei lá, vamos ver como funciona.
Espero que gostem

Pov – Katie

Eu passei nove meses com um sono sem fim, nunca entendi o porque, mas agora fazia todo sentido, meu mini ratinho me acordava a cada duas horas para mamar, e era uma bela confusão por que papai acordava para ajudar e Nick e Megan acordavam também e depois demoravam para pegar no sono e quando achava que podia realmente dormir tudo recomeçava.

−Mamãe porque ele come tanto? Nick pergunta pela manhã – Acorda toda hora para comer, não é melhor chamar a Beth?

−Acha que a Beth é a dona da comida né? Eu brinco apertando seu nariz enquanto Matt mamava mais uma vez.

−Eu acho que a gente come a comida dela e demora para ter fome de novo! Ele diz e se sentando, já devia ser bem tarde, Daryl estava do meu lado olhando o bebê abraçado a Megan.

− Estão com fome? Eu pergunto – Papai vai descer com vocês para o café.

−Quando vai sair da cama, mamãe? Megan pergunta.

−Assim que estiverem todos alimentados e vestidos papai vai me ajudar a descer para tomar banho e andar um pouco.

−Já! Daryl diz preocupado – Vou chamar o Hershel, ele que decide isso! Ele acaricia o rosto do bebê — Ainda mando em você até ele dizer que está recuperada.

−Sim senhor Dixon já entendi! Respondo de má vontade.

−Ótimo! Está bem? Eu afirmo – Vamos pequenos, comer e circular! Daryl e as crianças começam a movimentação da manhã depois se despedem com muito carinho como se fossem para longe, fico sozinha com meu bebê, adormecido, completamente inconsciente de onde estava, acaricio seu rosto, foi a coisa mais emocionante por que já passei, um milagre, mesmo no meio daquele inferno, meu pedacinho de Daryl, tão lindo e perfeito, penso em como tive medo, se estivesse sozinha teria sucumbido, mas meu amor estava lá, e cuidou de tudo, achei que ele iria surtar, mas ao contrário disso ficou forte e me deu coragem.

−Oi! Beth entra na cela sorridente se senta ao lado do bebê – Como se sente?

−Ótima! Eu respondo contente – Obrigada Beth, nem consegui te agradecer como queria! Eu aperto sua mão, ela sorri.

−Como se precisasse! Ela faz um carinho em Matt – Ele é lindo, como se virou à noite?

−Daryl me ajudou o tempo todo, sabe como ele é, ficamos bem, agora tudo que quero é tomar um banho e caminhar um pouco, acha que seu pai vai liberar?

−Acho que sim! Ela diz despreocupada – Quer que eu te ajude no banho, acabou de ter um bebê, talvez se sinta constrangida com o Daryl te ajudando.

−Na verdade não fico, não tenho problema quanto a isso, ele é meu marido, o que pode ver que seja constrangedor? Eu pergunto.

−Sei lá, sangue por exemplo, não sei, é um momento intimo, acho que detestaria passar por isso com Rick ao meu lado.

−É porque estão começando agora, eu não tenho problemas com o Daryl, não me importo, nem ele, é muito mais do que isso, se preferir você ele alias vai ficar arrasado, sabe como ele é.

−Espero que um dia eu chegue nesse nível de relação, passei por ele agora, todo orgulhoso, com os ratinhos, um em cada mão, ele é muito bom com eles né?

−Muito, e foi forte ontem na hora do parto! Eu lembro.

−Foi, mais do que imaginei, mandei Rick e Glenn ficarem na porta prontos para entrar de ele tivesse um surto qualquer.

Rimos muito eu e ela, depois ela me olha um tanto insegura.

−O que foi?

−Estou pensando em como vai ser eu e o Rick agora, se vamos mesmo ficar juntos, não quero encontros as escondidas no quarto da minha irmã, aquela cena absurda de você enrolando meu pai como se eu fosse uma menininha de quinze anos.

−Só você pode mudar isso, querem dividir uma cela? Eu rio das minhas palavras, na nossa pequena comunidade dividir uma cela era como morar junto, se casar no mundo de antes, estávamos reconstruindo uma sociedade, podíamos fazer diferente e ainda assim nos mantínhamos presos a valores que talvez não fossem mais importantes.

−O que foi? Ela me pergunta.

−Isso é uma grande bobagem! Eu respondo – O mundo que conhecíamos não existe mais e agora que podemos reconstruí-lo estamos apenas repetindo os mesmos erros de antes, por que não pode fazer o que quer? Por que depende da autorização do seu pai? Ela me olha de olhos arregalados – Pense Beth, porque você precisa esperar que o Rick dê o primeiro passo sempre?

−Eu sei que estou sendo meio antiquada, Maggie não esperou, ela deu o primeiro passo com o Glenn, e você também, eu me lembro lá no galpão, pegou seu saco de dormir se encheu de coragem e foi dormir onde queria nos braços do Daryl.

Ela tinha razão, foi ele que tomou a iniciativa de me beijar, mas nunca teria feito isso se eu não tivesse escolhido ele antes disso.

−Bem vou dar minha resposta oficial como você diz, vou pensar nisso! Rimos as duas com gosto e Hershel entra na cela.

−Bom dia mamãe! Ele brinca e com cuidado se ajoelha ao meu lado, Daryl entra logo em seguida, eu sabia que viria.

−Como eles estão, Katie já quer descer e bater perna! Daryl fofoqueiro Dixon anuncia.

−Pensando em ir ao shopping? Hershel brinca.

−Acho que isso ainda demora um pouco! Respondo – Quero tomar banho e caminhar um pouco.

−Certo! Ele responde – Vamos ver, sentiu alguma dor?

−Algumas, nas costas, nas pernas, em tudo, tipo o que um atleta devia sentir depois de uma maratona!

−Foi um grande esforço, isso é normal, um banho e uns minutos alongando um pouco os músculos e tudo fica bem.

−Ouviu amor? Daryl me olha de má vontade me fazendo rir.

−Descer e subir escada você espera até a manhã, não custa, embora não foi grande coisa, não tomou anestesia, foi um parto normal.

−Viu amor! Ele me imita e agora sou eu que olho torto e ele que ri – Hershel e a alimentação dela, continua igual?

−Estou livre do copo de leite? Pergunto.

−Não senhora, ainda come por dois, vai manter tudo como antes até o bebê desmamar −E ele?

−Tudo bem, só chora quando sente fome, o que é de duas em duas horas! Eu respondo rindo.

−Então senhora Dixon está de volta, parabéns! Ele brinca, eu abraço Hershel, e dou um beijo apertado na bochecha, ele me aperta carinhoso.

−Beth fica um pouquinho aqui enquanto tomo banho? Ela concorda e Daryl separa roupas para mim prepara tudo e me pega no colo.

Só fico realmente em pé quando estamos no banheiro, estranho a barriga ter diminuído, demoro para compreender o peso do meu novo corpo, ou velho, na verdade um meio termo, entre o corpo que tinha antes e o que fiquei nos últimos dias.

Daryl é cuidadoso, me ajuda a tomar um banho e relaxo os músculos, sinto o sangue bombear pelo corpo, me sinto de novo como antes, quando ando para fora do vestiário apoiada em Daryl sinto um leve desconforto, nada que chegasse perto a dor que senti ao dar a luz, nenhuma dor se comparava aquela, me sento um minuto no refeitório, estico os braços me alongando, dobro o pescoço, é cansativo ficar tantas horas deitada e então lá vem o maldito copo de leite, faço uma careta, mas bebo de um gole só com Daryl me supervisionando.

Volto para cela e meu bebê dormia, Beth e Nick observavam, Daryl me põe na cama, Beth se despede e nos deixa.

−Papai eu queria pôr a Lily aqui e a Beth disse que não pode mais! Ele reclama.

−É só até seu irmão crescer um pouco! Ele avisa – Ele é delicado, não pode pegar nenhuma doença, e além disso os pelos do bichinho podem irritar a pele dele.

−E você precisa lavar as mãos depois que brincar com a Lily para pegar ele.

Eu o lembro, ele concorda, muito carinhoso.

O desfile de visitas começa, todos vinham ver o bebê, me dar parabéns, festejar, a família toda, os amigos mais próximos como Tyresse e Sasha, e Mary que vem sozinha porque Jimmy estava de guarda.

Rick só aparece depois do almoço, como no quarto para poder cuidar do meu bebê, não quero tirá-lo da cela ainda.

−É um lindo bebê! Rick diz sorrindo – Uma companhia futura para Judith! Ele comenta.

−Pode apostar! Daryl brinca com ele que fica pensativo – Família Dixon Grimes, e família Grimes Dixon!

−Parece que sim! Ele concorda – Estamos mesmo reconstruindo, achei que isso nunca seria possível!

−Todos achamos, mas esses dias de paz tem nos enchido de esperança! Eu acaricio meu filho – E sobre ontem como estão as coisas lá fora? Eu pergunto.

−Já limpamos tudo, queimamos os corpos e deixamos uma meia dúzia como de costume, foi uma horda, mas não sei se a única, vieram bem decididos, não acharam?

−Pareceu que sim, mas não fizemos nada de diferente, acho que só sentiram o cheiro, não sobrou muito para alimentá-los, nem sobreviventes nem animais na floresta.

−Tem razão Daryl! Rick concorda sorrindo para o bebê quando ele se move – Estive analisando e temos um bom estoque, os porcos cresceram e mais estão para nascer, a horta está indo bem. Acho que podemos passar um tempo em casa, todos nós, celebrar essa nova vida sem horas de angustia.

−Adorei a ideia! Eu comemoro – Quero ficar tranquila, ao menos umas semanas!

−Merece isso! Rick me diz se levantando – Vou deixá-los descansar, bebês dão trabalho nos primeiros dias, acho que nunca agradeci a Beth de verdade pelo que fez por Judith! Ele comenta – Mas vou achar uma maneira de fazer isso.

Ele nos deixa e Daryl me beija carinhoso, eu me deito e fecho os olhos, acordo com o choro de Matt que já estava no colo de Daryl.

−Acabei de trocar ele pequena! Ele diz orgulhoso, ele não chorou quando acordou ficou quietinho, mas agora deve estar com fome.

−Está me fazendo pensar na Lily! Eu brinco e ele me beija.

−Trinta e nove dias! Ele diz – Foi a primeira coisa que pensei quando abri os olhos hoje!

−Foi a segunda coisa que pensei! Eu aviso – A primeira foi que sono!

Estava amamentando meu mini ratinho quando Jimmy entra.

−Quando é que eu vou poder pegar ele um pouquinho, o Nick não para de jogar na minha cara que já fez isso! Ele reclama depois de se sentar.

−E eu quero saber quando vai sair do poleiro? Daryl pergunta rindo – Estão namorando a quanto tempo?

−Quatro meses, mas sabe como é, ela é uma garota séria, e se achar ofensivo?

−Garoto lerdo! Daryl brinca com ele – vai esperar o Nick pedir por você?

−Shiu! Ele pede assustado olhando em volta – Se ele ouve isso estou encrencado, nem a Megan aquela pequena chantagista!

Rimos dele, eram mesmo como irmãos, ele cuidava dos dois, implicava com eles, reclamava de Carl assim como Daryl e morria de medo das ameaças que recebia.

Entrego o bebê em seus braços, ele beija a cabecinha dele gentil.

−Vai se acostumando, quando sua mãe for para rua eu que vou cuidar de você! Ele avisa.

−Acho bom! Respondo, ele nos olha depois de uns minutos Matt dormia e eu o coloco na cama – Fala Jimmy?

−Não sei se posso falar na sua frente! Ele diz corando, olha para Daryl.

−Já começou, agora termina ou acha que ela vai te deixar sair daqui sem dizer.

−No caso de ela me deixar me mudar para a cela dela, sabe bebês... como, eu quero evitar.

−Ela pode tomar comprimidos! Eu aviso e Daryl ri dele, tinha mesmo mudado, não sei se acharia normal um rapaz falar sobre isso comigo a algum tempo atrás – E temos preservativos, na farmácia do Hershel e com a Maggie e o Glenn.

−Certo, ela vai precisar pedir ao Hershel o remédio?

−Acho melhor, já falaram sobre isso?

−Não realmente, mas ela me disse que namorou um ano, então não acho que não saiba sobre essas coisas.

−Isso torna tudo mais fácil não?

−Acho que sim, eu vou falar com ela, vi que desceu hoje, vai jantar lá em baixo?

−Não, vou dar mais uns dias para o mini ratinho! Aviso e ele se retira.

−Vou colocar uma plaquinha na nossa porta, Katie Dixon conselheira amorosa, consultas somente em horário comercial!

−Amor o que posso fazer se tenho um casamento perfeito que inspira as pessoas? Eu brinco e ele me abraça.

Ficamos assim um tempo, namorando como nos velhos tempos do poleiro, apenas beijos e carinho e acho que assim também é bom.

Nos dois dias seguintes só o que faço é amamentar e ficar praticamente deitada, depois decido que meu bebê já podia ao menos dar umas voltinhas nos horários de refeições.

Daryl cuidava de tudo, dava banho em Nick esperava sua ratinha na porta enquanto ela tomava banho me ajudava com Matt durante a noite e trocava fraldas, estava em primeiro lugar na disputa pelo prêmio pai do ano, não tinha nada que me lembrasse o menino assustado e perdido que um dia se escondeu dentro dele, felizmente ele o tinha deixado para traz, e isso me enchia de orgulho e alegria, confiava no meu amor e no amor dos filhos, estava mais aberto para os outros também, tinha deixado Jimmy entrar em sua vida, e nossa família que ele sempre amou, agora ele se sentia mais confortável para demonstrar, eu não precisava mais leva-lo pela mão para que se misturasse aos outros, era natural para ele fazer isso.

Carol tinha sumido da minha vida, pelo menos por enquanto, mal nos víamos, e quando isso acontecia ela se mantinha distante, até mesmo seu olhar de rancor, ela evitava me olhar, acho que com medo da represália, mas eu sabia que cedo ou tarde ela voltaria a me atacar, que era uma retirada estratégica.

Queria dar uma volta no pátio, era uma manhã tranquila o sol não estava muito forte ainda e queria que meu mini ratinho visse o dia, mas quando pensava naqueles seres nojentos sentindo seu cheiro e desejando sua carne meu coração estremecia, sempre me preocupei com meus filhos, mas Megan e Nick podiam ao menos correr, tentar, ele não, nada era tão indefeso nesse mundo como meu bebê, isso me deixava agoniada, eu ainda não acreditava na fortaleza daquelas grades, ainda tinha o mesmo medo de um dia termos de deixar nossa casa para sempre, Daryl me abraça, sente meu medo, ele sempre sabia.

−Pequena, não pode passar o tempo todo pensando nisso, vamos aproveitar o que temos agora, que nesse minuto somos felizes! Ele me beija – Vem vamos mostrar para o mini ratinho como é um céu de verão.

−Da cor dos olhos dos Dixons! Eu brinco, meu mini ratinho assim como os irmãos tinha os olhos do pai – Menos mamãe! Faço bico reclamando ganho um beijo e uma leve mordida – Trinta e sete dias!

−Sim! Ele me beija mais uma vez, pega meu bebê, porque esse era o jeito Daryl de ser, sua profissão era roubar bebês de colos alheios sem a menor cerimônia e seguimos para o pátio.

Meus ratinhos correm quando veem o irmão nos sentamos todos admirando o céu azul e limpo, finjo por alguns segundos que os mortos ainda ficam em suas tumbas e aprecio o momento, desenrolo meu bebê, deixo que sinta o calor ele estava adormecido no colo do pai, assim como os irmãos para ele aquele era o melhor lugar do mundo, com Daryl a competição era sempre injusta.

Me comprometo a aproveitar cada segundo daqueles dias tranquilos, sem saídas, sem preocupações, só paz e sossego junto com minha família, descanso, era isso, dias de descanso e esperança, se durariam eu não sabia, mas hoje eu estava feliz como nunca estive, eu tinha esperança, estávamos recomeçando, reconstruindo, éramos mais do que meros sobreviventes, já fomos assim um dia, mas agora todos os moradores da prisão queriam mais, isso era bom, era como deveria ser e como foi um dia.

Notas finais
Espero que tenha gostado!!!
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