Fim Dos Tempos
77 Capítulo 77 - Bônus - parte 1
Notas iniciais
Para os preocupados, Daryl, Katie, e os três ratinhos estão bem, a prisão está segura com os mortos do lado de fora ao menos por enquanto.
Obrigada a todos!!!
Pov – Katie
Minha mãe a cada dia piorava, os médicos fizeram tudo que podiam, mas ela tinha pouco tempo, me doía pensar nisso, pensar em como seria depois dela, sempre fui protegida, mesmo passando boa parte da vida numa escola para moças os dias em casa eram repletos de carinho e cuidado.
Mas agora era eu quem cuidava, isso me tornou forte, física e emocionalmente, papai e mamãe se amavam muito, tanto que ele mesmo discordando nunca foi capaz de lutar contra ela para evitar que eu tivesse crescido num colégio interno, não sei como ele suportaria a vida sem ela.
Eu ajudo minha mãe a se ajeitar na cama, aplico a morfina, depois me sento a seu lado pretendia ler um pouco para ela, distrai-la embora os médicos me garantisse que ela não me ouvia mais.
Meus sonhos tinham ficado para depois, quando minha mãe ficou doente me decidi por desistir da faculdade de agronomia, ou veterinária, a verdade é que tudo que eu queria era morar numa fazenda, criar animais e plantar milho quem sabe.
Abro o livro e começo a leitura, passo uma hora ali, depois deixo minha mãe e sigo para cozinha preciso preparar o jantar, logo meu pai chega e quero que esteja tudo pronto, sempre fomos unidos, e dividimos sonhos, mas a doença de minha mãe nos uniu ainda mais, podia falar sobre qualquer coisa com ele, nada era segredo entre nós.
Nasci e cresci naquela pequena cidade, no interior da Geórgia, mas não conhecia quase ninguém, passava o ano quase todo no colégio e nas féria saia com meu pai para caçar, ficamos dias e noites na floresta, eu só gostava mesmo da companhia, das canções em volta da fogueira, das conversas e de caminhar, nunca fui boa caçadora, não como ele.
Preparo uma comida leve e saudável para ele, andava preocupada com sua saúde, desde que mamãe adoeceu ele vinha enfraquecendo tinha medo de perde-lo.
Ouço o barulho do motor de seu carro, era um modelo antigo que ele conservava com todo cuidado e que vivia no mecânico, por conta de seu estremo cuidado.
−Boa noite! Ele me diz sorrindo eu o abraço e pego sua pasta, ele segue direto para nossa antiga sala de jantar que agora era o quarto de mamãe, com tudo que ela precisava, fico de longe assistindo o beijo carinhoso que mamãe recebe, ele diz algumas palavras carinhosas e depois volta até mim.
−Com fome? Eu pergunto e ele faz que sim – Então vamos jantar depois pode se sentar para assistir o noticiário.
−Certo, assim conversamos um pouco.
Eu sirvo meu pai depois me sirvo, nos sentamos na cozinha, me lembro de todas as vezes que fiquei em volta de minha mãe enquanto ela preparava suas deliciosas tortas de amoras, foi ela que me ensinou a cozinhar, fui obrigada, ela queria que fosse uma moça fina, prendada, preparada para o casamento, nunca discuti muito com ela.
−Ainda sonha com uma fazenda? Meu pai me diz e eu sorrio, era só com o que eu sonhava.
−Ainda, acha uma bobagem? Pergunto.
−Pelo contrário, é sobre isso que quero falar, estou adiando essa conversa, mas hoje as coisas se concretizaram e vamos falar dos nossos planos, novos planos.
−Do que está falando, o que se concretizou?
−Sua mãe está nos deixando querida, depois que ela se for não me resta mais nada, tudo que tenho é você, e seus sonhos, os sonhamos que dividimos desde que era só uma garotinha, eu fiz um bom negócio com os Wesley, eles queriam se mudar para a cidade, deixar a vida no campo, nenhum dos filhos deles seguiu com seu amor pela terra e ele não pode mais cuidar da fazenda sozinho, ela não é grande, mas tem potencial.
−Papai o que está dizendo comprou a fazenda dos Wesley? Fico espantada – Como? Com que dinheiro? E como vamos dar conta, você não pode mais trabalhar em algo tão pesado.
−Vou responder a todas as suas perguntas! Ele me sorri com uma tranquilidade que me assusta – Um sócio! Ele me diz.
−Sócio? Pergunto.
−Apenas me escute, eu não sou mais nenhum rapaz, gastei nossas economias com o tratamento da sua mãe, só restou essa casa e a nossa loja de material de caça, ela não pode te manter para sempre, cada dia menos fregueses, todos preferindo safaris pela África, eu vendi a loja e a casa.
−Papai! Fico perplexa.
−O Adams comprou a casa e se comprometeu a esperar, ele a quer como investimento, não temos pressa para sair, ficamos até sua mãe...
−Entendo! Ele não consegue dizer e eu não quero ouvir – E o dinheiro foi suficiente?
−Um sócio se lembra? Ele me pergunta – Um rapaz jovem o bastante e com braços fortes para o trabalho, alguém que como você sempre sonhou em ser fazendeiro, ele entrou com uma parte de dinheiro e sua força para o trabalho, vamos ficar na casa e ele vai morar no celeiro por um tempo depois vai construir uma casa para ele nos terrenos da fazenda, como ele diz não precisa de muito.
−Papai! Eu o olhava sem palavras – Conhece bem ele, é de confiança?
−Conheço Daryl a anos, muito antes de ele abrir a oficina que aliás ele vendeu para conseguir o dinheiro.
−Daryl? Eu pergunto sem acreditar – Daryl Dixon?
−Ele mesmo, por que o espanto, não o conhece, nunca nem mesmo se viram?
−Conheço sua fama! Eu digo brava com meu pai, todo mundo conhecia a fama dos irmãos Dixons – Dizem que é um encrenqueiro, que é perigoso, sei lá dizem tantas coisas.
−Tudo mentira! Ele diz tranquilo – Merle o irmão mais velho é tudo isso e um pouco mais e Daryl vem a anos pagando por isso, sempre tentando tirar o irmão das enrascadas que se mete, levando fama sem no entanto merecer, é um rapaz trabalhador e honesto, alguém que sabe o valor do trabalho, um lutador, sabe que eu admiro isso, gosto dele, sei que vai dar conta do trabalho e respeitar nossa família e quando eu me for se você ainda não tiver encontrado seu príncipe vai cuidar de tudo.
−Papai não acha que se precipitou, eu não sei, morar com um estranho, dividir uma fazenda, como isso pode dar certo?
−Já deu, fechamos o negócio hoje, a oficina não é mais dele e ele se muda para nosso celeiro amanhã, porque os Wesley já partiram e alguém precisa proteger o que é nosso.
−Não pode estar falando sério! Eu pisco sem acreditar.
−Amanhã sigo cedo para a fazenda, vamos começar o trabalho, a loja abriu hoje pela última vez.
−Certo, mas e esse irmão Merle Dixon, disse que ele é um problema, onde está e se ele nos atrapalhar?
−Merle é muito leal ao irmão, não é um problema e no momento está cumprindo pena por roubo, tem mais seis meses pela frente.
−Como descobriu?
−Já disse Daryl é um bom amigo, ele me disse, e quando propus o negócio a ele me contou um pouco de sua história, para que eu soubesse onde estava me metendo, além disso vivo nessa cidade toda minha vida, conheci o pai e a mãe dele, vi o Daryl crescer, sei das coisas que ele passou, embora ele não tenha me falado sobre isso.
−Do que está falando?
−Eu não seria um bom amigo se contasse, quem sabe um dia ele mesmo não te conta? Meu pai se levanta e faço o mesmo ele caminha até mim com aquele sorriso generoso.
−Amo você! Eu digo quando ele me abraça.
−Ótimo, então pare de se preocupar e comece a sonhar, estamos a caminho do nosso futuro, vai ter o que sempre sonhou.
−Obrigada papai, por isso, e por ser o melhor pai do mundo!
Ele fica com os olhos marejados, me abraça mais uma vez e segue para o quarto de mamãe, onde assistia o noticiário todas as noites.
Eu me deito pensativa, sem creditar no que estava acontecendo, eu era dona de uma fazenda e sócia de um homem que nunca vi, demoro a dormir, penso em como seria minha nova vida, já estive uma vez na fazenda que agora era minha, era um lugar lindo, me lembro da casa uma construção típica branca com janelas pintadas de azul, uma escada de madeira, móveis antigos, cozinha grande uma varanda que circundava toda ela com cadeiras duplas de balanço onde se podia sentar e apreciar o pôr do sol, toda sua volta enfeitada com flores coloridas, três quartos, tudo que sempre sonhei, a plantação de milho, os porcos, cavalos, quero um cachorrinho, eu penso sorrindo, depois meu sorriso se desfaz e se o tal Dixon fosse uma pessoa maldosa querendo se aproveitar do meu pai, isso a vida é que me diria.
Papai sai cedo para fazenda, eu fico em casa como de costume, cuidando de minha mãe, estava ansiosa para ir até a fazenda, pisar naquela terra que agora me pertencia, e conhecer o tal Daryl Dixon, mas mamãe não podia ficar sozinha por muito tempo, me sento com ela, estava tão abatida como sempre esteve, sua respiração era mínima, os olhos não se abriam a muito tempo, já tinha dado seu banho e vestido roupas limpas, agora ela ficaria ali até a hora da injeção, cinco da tarde, quem sabe a senhora Adams não podia ficar aqui com ela, por um tempo enquanto seguia até a fazenda para encontrar meu pai e voltar com ele no fim da tarde, uma hora e meia de caminhada, talvez um pouco mais, podia pegar um ônibus no caminho. Deixo minha mãe e vou até a minha vizinha e nova dona da casa onde moro, ela promete ficar com minha mãe, viria ao meu encontro as cinco, e eu podia encontrar meu pai.
Tomo banho, visto um jeans, uma camiseta simples e minhas botas de caça, se pretendia caminhar era bom estar preparada.
A senhora Adams chega na hora marcada, sorri muito gentil, não precisava fazer nada, só ficar ali, sentada quem sabe ler para ela, eu a acompanho.
−Vou aplicar a injeção e ela vai ficar sem dor, não terá problemas! Eu aviso.
Quando entro no quarto e toco minha mãe meu coração dispara, estava gelada, não respirava, minha mãe estava morta, estremeço, me afasto, minha mãe, eu penso em meu pai, na dor que sentiria, minhas lágrimas me consumiam.
−Calma Katie, ela vinha sofrendo tanto! A senhora Adams tenta me consolar – Quer uma água.
−Meu pai, preciso avisar meu pai, vou... cuide de tudo senhora Adams, por favor eu preciso – Andava para longe enquanto falava, só queria que meu pai soubesse antes de chegar – Vou atrás dele.
−Katie espere! A senhora Adams me chama, mas eu já corria pela rua, ouço algo sobre o senhor Adams mas não presto atenção, quero encontrar meu pai e passar por isso com ele.
A distância era muito maior do que imaginei, nenhum único carro passa por mim, depois de um tempo não consigo mais correr e caminho apressada, a noite cai, não conseguia parar de chorar, nada me faria desistir e volto a correr, estava esgotada e coberta de lágrimas quando avisto a fazenda, não era assim que queria chegar lá pela primeira vez.
Abro a porteira no limite de minhas forças, um homem caminha em minha direção, não era meu pai, talvez fosse o tal Dixon fico tonta quando paro de correr.
−Meu pai, James Collins, eu preciso dele, minha mãe, ele precisa saber, minha mãe morreu! Me deixo cair no chão confusa, tudo escurece e desmaio.
Pov – Daryl
Quando eu a vi abrindo o portão era como se visse um anjo, nunca vi uma garota mais bonita em toda minha vida, os belos olhos verdes eram a expressão de sua dor, estava esgotada, assustada e desmaia na minha frente antes que pudesse dizer a ela que James tinha saído a um bom tempo em direção a própria casa.
Eu pego Katie Collins no colo, era leve e delicada, tinha um delicioso perfume de flores, gosto de tê-la em meus braços, mas agora preciso leva-la logo para casa, eu a coloco na caminhonete e um minuto depois dou partida, era uma viagem razoável que eu não acreditava que tinha feito a pé.
Ela acorda uns minutos depois, se encolhe no banco assustada quando se dá conta de onde estava.
−Está tudo bem, não vou machucar você, desmaiou e estou te levando para casa.
−Meu pai? Ela pergunta num fio de voz.
−Já tinha partido, saiu muito antes de você chegar, não sei como não se encontraram na estrada!
−Cortei caminho pela floresta! Ela diz voltando a chorar.
−À noite e sozinha? Não acredito que a garota fez isso – É perigoso!
−Ele vai chegar antes, não queria que soubesse assim! Ela volta a chorar.
−Fique calma, chegamos em meia hora, sou Daryl Dixon.
−Eu sei, sou Katie Collins, mas acho que deve saber.
Katie se encolhe no banco, encosta a cabeça no vidro e se rende a sua dor, fico mudo, não sou bom com pessoas, não sei consolar ninguém, nunca soube, então me concentro na estrada em leva-la para casa em segurança, sinto pena dela, e de James, eu sabia que ele sofreria muito quando soubesse.
Fico me lembrando de como o conheci, de tudo que ele fez por mim. Eu era só um garoto solitário, cheio de ódio, só tinha um lugar em que ficava feliz ou algo perto disso, a loja de caça de James Collins, ele não se importava que eu ficasse lá as vezes quase o dia todo, olhando as bestas penduradas nas paredes da loja, remexendo nas flechas, não ligava para as espingardas, nem mais nada que havia ali, só o que me interessava eram as bestas e meu sonho de um dia ter uma e me enfiar na floresta para caçar.
Era lá que me escondia da vergonha de ser um Dixon, de ser apontado na rua, de ser filho do bêbado agressivo, do irmão encrenqueiro, era para lá que corria depois de cada surra, se chegasse lá no horário da escola ele me obrigava a seguir para o colégio, me dava um sermão e eu obedecia por que ele era gentil, um dia me mandou fazer um serviço para ele, disse que me pagaria no fim do dia, era sábado, passei o dia no estoque, carregando caixas de um lado para outro, todas as que estavam empilhadas do lado direito para o outro lado achei aquilo inútil, mas fiz, depois limpei as flechas e no final da tarde ele me chamou, foi um pouco antes de fechar a loja, eu detestava aquele momento, quando ele fechava as portas e eu era jogado de volta para minha vida miserável.
James me entregou uma besta e uma dúzia de flechas, eu sabia que jamais teria dinheiro para comprar uma, fiquei olhando para ele sem acreditar, sem saber como agradecer.
−Não é um presente Daryl, trabalhou para isso, mereceu, cuide dela, mantenha as flechas sempre limpas, tenha cuidado, isso não é um brinquedo, aprenda, se trabalhar muito pode conseguir tudo que quer, nunca escolha o caminho mais fácil.
O dia mais feliz da minha vida, a única vez que vi a senhora Collins, ela estava gravida de Katie e o esperava para irem ao cinema, olhou para ele brava, disse que eu era muito pequeno para ter uma coisa assim, ele disse que tudo bem que confiava em mim.
Aprendi a caçar, cresci e quando meu pai morreu decidi que era hora de deixar aquela cidade e seu olhar de censura, fui me despedir, um garoto cheio de magoas, Merle estava preso, meu pai morto, minha mãe tinha morrido a mais tempo, num incêndio causado por ela mesma, bêbada demais para se dar conta.
Ele me olhou triste, disse que era um dia ruim que estava perdendo seus dois amigos, eu estava indo embora e a filha estava seguindo para uma escola para moças.
Segui com minha vida, morei em muitos buracos, juntei cada centavo, tudo para realizar meu sonho de um dia ter um pedaço de terra, por onde passava deixava a marca dos Dixons, era só Merle chegar e então passava do cara caladão e distante ao encrenqueiro que não era bem vindo, mas nunca desisti do meu sonho, aprendi a concertar carros e motos, e quando tinha um dinheiro razoável decidi montar uma mecânica, o dinheiro nunca seria suficiente para uma fazenda, voltei para minha cidade, queria mostrar que não era um lixo, abri minha oficina e por uma semana nenhum carro, ninguém confiaria num Dixon naquele lugar de merda, até que o senhor Collins chegou com o carro guinchado e pediu para que consertasse, não demorou nem dez minutos para descobrir que ele tinha retirado uma das peças para que eu concertasse, na manhã seguinte ele voltou me perguntou qual o preço, eu o olhei, apenas o preço da peça que o senhor tirou, ele riu com gosto, me pagou e depois muitos carros apareceram, sempre com a recomendação de James Collins, ele não me deixou chama-lo mais de senhor, disse que eu tinha crescido que éramos amigos e há alguns meses me ofereceu a sociedade, meu sonho, como podia me negar.
Olho para Katie, nunca soube que era tão linda, não sei se é uma boa ideia agora que a vi, viver tão perto dela pode ser um problema, um grande problema.
Uma mulher se aproxima assim que descemos na porta de Katie, o carro de James estava lá.
−Querida preciso que fique calma, seu pai ele ficou... foi um baque sabe, ele... acho que foi o coração está no hospital! Katie fica pálida, tenho medo que desmaie de novo, ela me abraça, esconde o rosto no meu peito, fico imóvel um tempo sem saber o que fazer, depois a envolvo num abraço mudo, ela chora desconsolada.
−Vamos Katie! Eu a chamo — Vamos para o hospital! Ajudo ela a entrar no carro e a mulher avisa que estavam cuidando de tudo, eu acredito, James tinha muitos amigos.
Peço informação na recepção e não gosto quando a enfermeira avisa que um médico viria nos atender, se ele estivesse bem ela nos diria, se um médico é quem vai falar então as coisas estavam graves.
Faço ela se sentar e me sento a seu lado, estou confuso, mas sei que é isso que tenho de fazer, ela se encosta em meu ombro, acho aquilo estranho, mas gosto, se tivesse coragem a envolveria em meus braços mais uma vez.
Ela busca minha mão quando o médico caminha para nós aperta com força, ele nos olha por um instante quando ficamos de pé.
−Foi o coração, ele já vinha com esse problema a meses, eu sabia que mais cedo ou mais tarde algo assim aconteceria, James também!
−Ele... – Ela chorava.
−Sinto muito Katie! Ele diz e ela perde as forças eu a apoio, não conheço esse tipo de amor, não sei como é – James me disse que estava bem, que só queria viver até onde a esposa vivesse, acho que foi o que fez! O médico nos deixa e ela me abraça mais uma vez.
−Isso não está acontecendo, eu não posso ter perdido tudo numa noite! Ela soluça – Não sei o que fazer! Ela me diz aos prantos.
−Vou levar você para casa, eu cuido de tudo! Ela aceita o cuidado, quando chegamos o corpo da mãe não estavam mais lá, os vizinhos me olham com desconfiança, para o inferno todos eles, eu penso – Fique aqui, venho buscar você para o funeral, descanse!
−Não quero descansar, eu...
−Por que não começa a arrumar suas coisas, temos uma fazenda para tocar se lembra? Ela faz que sim e eu a deixo com alguma relutância.
Faço tudo que é preciso, alguns vizinhos me ajudam em consideração aos Collins, depois vou para fazenda, preciso de um banho, amanhecia e o funeral seria no fim da tarde, resolvi fazer tudo rápido, dois enterros era algo deprimente e o melhor era que acabace logo.
Tomo providencias na fazenda, alimentar os animais, arrumar umas cercas, coisas que não poderiam esperar, quando fechei pela última vez as portas da minha pequena oficina estava cheio de esperanças, mas agora, com James morto eu não sei como vai ser, se Katie ainda vai querer manter essa sociedade, uma garota sozinha vivendo numa fazenda com um desconhecido, mas agora essa era uma decisão dela, se decidisse vender eu faria isso, faria tudo que ela quisesse, no meio da tarde me apronto e sigo para sua casa, bato na porta ninguém responde e entro preocupado, ela chorava no sofá.
−Katie! Eu chamo, tão pequena e delicada – Katie, está brava comigo? Ela afirma com a cabeça – Pode me dizer por que?
−Disse que iria cuidar de tudo e voltar, e me deixou sozinha! Ela chora – Fiquei preocupada, achei que tinha morrido também! Ela soluça, estava preocupada comigo, tinha medo de algo me acontecer, eu não sei o que é isso, ninguém sente algo assim por mim desde... desde sempre, fico sem reação, não sei como lidar com isso.
−Vamos! Eu chamo, prefiro ignorar sua reclamação, ela se levanta secando o rosto.
−Podia ter ligado, tem telefone na fazenda sabia?
−Não vai se repetir! Eu digo para ver se ela se acalma.
O velório é triste, a coisa mais triste que já presenciei, depois algumas pessoas vão a casa de Katie, tomam chá e conversam sobre como eles eram especiais, nunca vou entender porque recebem pessoas numa hora dessas, o último vizinho deixa a casa quando passava das dez.
−Não quero ficar sozinha, quero ir para fazenda, já arrumei tudo, podemos começar a mudança? Ela me pede e concordo, eram dezenas de caixas, fico impressionado, para que uma pessoa sozinha precisa de tantas coisas, mas carrego a caminhonete, claro que não cabe tudo e temos de fazer duas viagens, quando terminamos amanhecia e ficamos na frente da casa dos Adams, ela queria entregar as chaves, mas acho que só o que queria era adiar a hora de relaxar e enxergar o que tinha acontecido.
A senhora e o senhor Adams olham com desconfiança o fato de estar com ela, mas ela parece não se importar, chora um pouco se despede e seguimos para fazenda.
Eu tinha muito trabalho, ela fica arrumando suas coisas e sigo para meu trabalho, não a vejo durante todo dia, à noite decido saber como ela estava, ela sorri quando me aproximo, um sorriso doce e triste, tão pequena.
−Oi pequena! Eu digo ela gosta de como a chamo, sorri – Como está?
−Não sei! Me responde — Trouxe muita comida de casa, quer jantar?
Depois do jantar me despeço, não gosto de deixa-la sozinha mas o que posso fazer, sigo para o celeiro, estava deitado, tinha estendido umas cobertas em cima do feno, não era o melhor lugar do mundo, mas era um começo, penso em como vai ser para Katie dormir sozinha, então a porta do celeiro se abre e a vejo caminhar para mim, me sento confuso.
−Posso dormir aqui com você! Ela me pede, eu me afasto um pouco e ela se deita, ficamos silenciosos, nos olhando.
−Porque? Eu pergunto.
−Porque não quero estar em nenhum outro lugar! Ela me diz e não sei o que pensar sobre isso, não sei o que pensar sobre coisa alguma e não quero, eu a puxa para meus braços ela se aconchega.
−Porque? Ela me pergunta, decido ser honesto.
−Não sei pequena! Respondo ela parece aceitar e adormece em meus braços.
Acordo com Katie em meus braços, sinto seu doce perfume de flores, não sei como vai ser, eu nunca serviria para ela, sou só um grosseirão de mãos calejadas, mas decido que ficaria por perto até ela decidir me mandar embora.
Passo o dia trabalhando, vejo Katie andar de casa para o celeiro meia dúzia de vezes durante todo dia, na hora do almoço ela me traz sanduiches, se senta comigo, comemos conversando sobre a fazenda, os animais, tínhamos dois cavalos, alguns porcos e meia dúzia de galinhas, eu estava cuidando da plantação e acredito que teríamos uma boa colheita, depois de comermos ela volta para casa, não entendo porque tinha de andar com aquelas botas de caça que me deixavam maluco, mas era isso, eu precisava me controlar, tentar parar de pensar nela ao menos um maldito segundo!
Quando anoitece caminho para o celeiro esgotado, no fim de semana se tudo estivesse bem eu sairia para caçar um pouco, quem sabe levar comigo a besta que James me deu, a muitos anos eu não a uso mais, mas ainda a guardo com carinho, acho que essa é a única coisa que tenho de valor.
Assim que entro percebo algo errado no celeiro, ele estava parecendo, parecendo um celeiro, não encontro coisa alguma minha, o que tinha acontecido, rumo para casa de Katie, ela estava na varanda sentada se balançando, os olhos tristes.
−Katie, viu minhas coisas?
−Estão lá em cima, no seu quarto!
−Onde?
−Subindo as escadas na primeira porta a direita, não vai morar no celeiro, essa casa é tão sua quanto minha, e não vou viver aqui sozinha.
−Pequena, seu pai, as pessoas...
−Meu pai sabia que nunca deixaria você morando no celeiro, e as pessoas, bom, não me importo com o que as pessoas pensam.
−Pequena! Eu fico paralisado diante dela, sem saber o que fazer, é obvio que não quero morar num celeiro, e que ficaria mais tranquilo se estivesse por perto caso ela precisasse, ela parecia sincera, decido tentar, ver se daria certo, depois ninguém precisava saber.
O quarto que ela me deixara era o quarto principal, uma suíte, minhas roupas estavam nas gavetas, minhas bestas penduradas na parede, aquilo não era certo, eu desço as escadas.
−Não vou ficar naquele quarto! Digo quando a vejo entrando – É o melhor quarto.
−Daryl é o seguinte, você manda na fazenda da porta para fora, decide sobre os animais e a plantação, eu mando da porta para dentro, então se puder tomar seu banho e ser rápido eu agradeço, porque estou faminta e o jantar vai esfriar.
−Jantar?
−É jantar, acha que vai trabalhar o dia todo depois dirigir até a cidade para comer, que homem chato, anda! Ela cruza os braços, eu obedeço, acho estranho, nunca obedeço, mas ela me faz fazer sempre o que ela quer.
Jantamos juntos, depois ligo a teve e ficamos um pouco ali, estava cansado e subo para meu quarto, ela continua ali, olhando para a teve sem no entanto prestar atenção.
Me reviro na cama, sem conseguir dormir, pensava nela, em como tudo devia estar sendo difícil e então desço para pegar um copo de água, ouço os soluços de Katie e sigo para varanda ela chorava quando me aproximo, me olha abatida.
−Porque eles me deixaram, porque não fui com eles? Fico furioso com suas palavras ela era a coisa mais linda que já vi, como podia sequer pensar em algo assim, me aproximo meio cego.
−Nunca mais sequer pense nisso! Eu olho para ela, aqueles belos olhos verdes me revirando, sabendo mais de mim do que eu mesmo, era um duelo, ninguém desviava, olho aquela boca linda e cheia, feita para um beijo e acabo com a distância ente nós e a beijo, sem nenhuma delicadeza, vasculho sua boca, experimento o doce sabor de seu beijo e ela corresponde, as mãos enfiadas nos meus cabelos, nos enroscamos um no outro loucamente, esquecidos de tudo, dos motivos porque estávamos ali, nos entregamos, quando me afasto estávamos ofegantes.
−Esse lugar era o meu sonho, e o seu sonho, então vamos fazer um acordo, eu não desisto, você não desiste!
Ela concorda os olhos fixos nos meus e acabo sorrindo, volto a beijar minha pequena, não sei quando virou minha pequena, mas é assim que me sinto.
−Posso dormir com você, só dormir, não quero ficar sozinha!
−Vem pequena! Eu a puxo pela mão, tem algo que nos liga, que nos faz querer apenas ficar perto um do outro, se fosse forte lutaria contra isso, mas sou fraco, ao menos sobre Katie.
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