Fim Dos Tempos
38 Capítulo 38 - Caçando o inimigo
Notas iniciais
Espero que gostem.
Pov – Daryl
Depois do jantar subo com Nick dormindo no meu colo, acordar assim que o sol nascia tinha essa vantagem, ele dormia cedo, na verdade simplesmente apagava, Katie subia do meu lado, se recusara a me esperar, queria testar se estava melhor, andava apoiada em meu braço, mancava um pouco, mas parecia melhor.
Minha pequena ratinha seguia um pouco atrás, para um último olhar eu penso sem muita animação, coloco meu pequeno na cama, ele ressona tranquilo e Megan se deita depois de um beijo de boa noite ela se encolhe.
−Como está se sentindo? Pergunto a minha pequena enquanto ela se arrumava para deitar.
−Bem, sem nenhuma dor, só a perna que repuxa um pouco, mas é só! Nos deitamos e ela se aconchega em meus braços, os pequenos dormindo tranquilos.
−Aquilo era um encontro não era? Eu pergunto sem resistir, mesmo com risco de ela rir de mim.
−Se era pode ficar tranquilo, fez um bom trabalho e estragou tudo! Ela ri.
−Sou bom nessa coisa de estragar tudo! Eu lembro – Um encontro, ele pensa que me engana!
−Amor o que acha que aconteceria, era só um jantar, no máximo uma volta no pátio!
−Me lembro muito bem onde terminamos no nosso primeiro encontro! Fico chocado – Na torre!
−Você é um pai muito ciumento, só espero que seja assim com o Nick! Seu lado feminista me acusa.
−Ainda tem o Nick! Eu suspiro – Por que eles tem que crescer, por que não podem diminuir, seria tão mais fácil, diminuir até chegar do tamanho da bravinha depois congelar! Katie ri da minha ideia, mas qualquer homem que cuidasse de uma garotinha concordaria comigo.
−Sei que é difícil! Ela me diz e depois me beija – Mas é melhor que seja onde possamos vê-los, do que escondidos!
−Eles não fariam isso, fariam? Agora eu estava mesmo tenso – Chega desse assunto, isso me consome! Eu a aperto em meus braços – E sua conversa com Beth?
−Sei lá! Ela suspira – Beth acha que ele a vê como uma menininha, ela não é o tipo que luta pelo que quer, vai acabar desistindo!
−Já minha pequena nunca desiste! Eu a beijo e ela se aperta a mim, sinto falta de sentir seu corpo, de estar na torre.
−Que droga! Ela resmunga – Detesto estar assim!
−Vai se recuperar rápido! Ela então me olha séria.
−Não o suficiente, não é?
Eu sabia que ela queria voltar lá comigo, ou que eu esquecesse o que havia acontecido, mas aquilo era impossível para mim, eu iria atrás daquele homem nem que fosse a última coisa que faria e ela não iria comigo.
−Não pequena, não tão rápido!
−Certo, mas sem fazer tolices, tem vinte e quatro horas para voltar, é um tempo muito bom, depois disso vou atrás de você e não duvide, sabe que vou! Ela me ameaça e eu sabia que sim ela iria atrás de mim se não voltasse, mas eu pretendia seguir com o plano dela e voltar o mais rápido possível.
−Feito! Eu tomaria providencias quanto a isso, Rick teria de impedi-la – Agora vamos dormir, Nick acorda com o sol!
Ela resmunga e depois de me beijar relaxa e dorme, os remédios ajudavam um pouco, eu fico olhando para ela, era tão linda, delicada e ao mesmo tempo forte, perfeita. Penso nas alianças que Carl mantinha guardadas, queria entregar a ela, dizer que mesmo sem uma cerimônia, éramos casados, que sempre seriamos, que sempre fomos, fecho meus olhos e me lembro de Merle, ele iria comigo se estivesse vivo, gostava da minha pequena, riria da ideia de alianças, me chamaria de coração bom como se estivesse me ofendendo, mas ficaria por perto e assim como eu esconderia um sorriso, estranho que o entendesse melhor agora que ele não estava mais aqui, quase ninguém estava.
Construir uma família como a nossa num mundo como o que vivíamos era quase um milagre, não apenas Katie e as crianças, mas todos nós, tudo que passamos o quanto aprendemos a cuidar e proteger uns aos outros, a superar as perdas e continuar, duvidava que tivessem muitos em nossa situação e isso só me deixava mais decidido a procurar aquele maldito que tentou destruir isso.
Acabo adormecendo e quando acordo, Katie era quem me olhava dormir, tinha olhos tristes, ela sabia que era hoje, que no fim do dia eu iria, que não havia nada que me impedisse, e eu a amava por não tentar me deter.
Passo a manhã com eles, assistindo as crianças brincando, abraçado a ela, sabia que ela precisava disso, para suportar o tempo em que eu estaria fora, almoçamos juntos, como todos os dias, depois levo ela para nossa cela e ficamos juntos, as crianças brincavam no pátio e aproveito o tempo sozinhos para olhar para ela, sentir seus lábios e levar tudo que podia do nosso amor comigo.
Preciso ir, tenho de me afastar dela, pegar minhas armas e partir, mas é tão difícil trocar a segurança de seus braços pela incerteza do que me aguardava, ela sente, eu sabia que as pessoas não entendiam o que havia entre nós, o quanto era intenso, como nos conhecíamos, sem precisar de palavras.
Ela me olha com os olhos verdes marejados, quero acalmá-la e fazer uma promessa, mas não posso, não agora, não depois que os mortos se levantaram, eu a beijo longamente, matando a saudade que sentiria, ela corresponde da mesma maneira e me afasto, visto o colete, pego a besta um machado e o rifle, que ainda estava ali desde nossa última saída.
Vou até ela que ainda estava deitada, beijo seus lábios de leve, penso em dizer algo, ela me impede com os dedos nos meus lábios.
−Não se despeça, apenas volte! Ela chorava e eu a beijo mais uma vez, depois saio rápido, antes que desistisse.
Caminho pelos corredores arrancando olhares de espanto, Michonne me aguardava lá fora, pronta, Rick se aproxima.
−Daryl...
−Sabe que vou! Aviso –Não tem nada que me impeça.
−Katie sabe? Ele me pergunta preocupado.
−Sim, ela entende, Rick se eu não voltar... – Ele me olha sério – Não deixe ela me seguir.
Rick afirma com um movimento de cabeça, no fundo acho que ele adoraria seguir comigo, vejo Tyresse se aproximar.
−Vai voltar lá? Ele me pergunta afirmo com um movimento de cabeça – Estamos bem, Katie e Beth estão aqui, o cara não sabe onde estamos, porque vai voltar?
−Por que preciso! Eu não devia satisfação a Tyresse, mas o respeitava, ele tinha salvo minha vida e era um homem bom.
−Vai matar todos, independente de quem atacou Katie ou não?
−Tyresse! Eu respiro fundo tentando me controlar – Estamos falando de maníacos que mataram uma garota inocente, torturaram minha mulher, sim vou matar qualquer um que esteja lá, pode chamar isso de um modo de proteger o que restou da humanidade, por que se um dia mais alguém entrar naquela cidade em busca de fórmula para um bebê eles vão torturar e matar, encontrar o resto do grupo e fazer o mesmo, ou pode chamar de vingança apenas, eu realmente não me importo, se quer discutir ética convide o Hershel para jantar! Perco a paciência, ele balança a cabeça, concordando ou apenas desistindo, depois se afasta.
Jimmy sai do bloco de celas armado e caminha em minha direção era quase um menino, mas estava decidido.
−Também vou, por Emma, é tudo que posso fazer.
Eu concordo, entendia seu sentimento, Rick afirma também e Michonne entrega a ele um rifle e mais uma pistola.
Maggie e Glenn me olham eu sabia que também queriam ir, mas não era seguro e quanto menos melhor, depois meus pequenos correm até mim.
−Vai sair papai? Megan me pergunta.
−Preciso, podem cuidar da mamãe até eu voltar? Eles afirmam e me abraçam, procuro não pensar se aquilo era uma despedida, eles me beijam e se afastam, vejo Carl e o chamo, ele também me entendia, puxo ele para longe, uma conversa particular.
−Aquilo que guardou para mim...
−Eu sei, entrego para ela! Carl me promete, as vezes me esquecia que era apenas um menino – Eu entendo que precise voltar, sempre que deixamos algo assim para trás, isso volta para nos tirar algo importante.
−Obrigado!
Rick segue em direção ao portão depois de um aceno e eu caminho para o carro, Michonne e Jimmy já estavam lá à minha espera, ouço a voz de Katie me chamando e me viro, ela caminha para mim com dificuldade, chorava e me abraça, eu sabia o quanto estava sendo difícil, eu a beijo.
−Você não desiste, eu não desisto! Ela me diz e se afasta, entro no carro com o coração pesado e pego a estrada, não olho para trás, prefiro a memória dos olhos verdes, não quero aquelas grades.
Eu era silencioso e Michonne também por tanto a viagem é feita sem conversas, cada um com seus pensamentos, duas horas de viagem e já anoitecia quando chegamos, paro o carro distante e descemos.
−Obrigado! Eu digo aos dois, eles continuam calados.
−Como vai ser? Jimmy pergunta.
−Katie me disse, ela acha que guardam zumbis no prédio, se for verdade a ideia é trancá-los depois de libertar os zumbis.
−E no caso de não ter? Michonne pergunta, já tinha me feito essa pergunta.
−Katie os sente, acho difícil ela estar errada sobre isso, mas vou entrar lá e matar aquele cara, com ou sem a ajuda de zumbis! Eles concordam comigo.
Passamos então a caminhar, Beth tinha me desenhado o lugar, não quis pedir mais isso a Katie, também tinha descrito o cara, era bom se tivesse oportunidade queria acabar com ele pessoalmente.
Estávamos caminhando pelo acostamento, próximos as árvores para o caso de ter seguranças, agora que elas tinham fugido era possível que tivessem melhorado a segurança, então deveria ter ao menos um homem na entrada da cidade.
Chegamos perto o suficiente e ficamos parados e quietos, apenas observando a movimentação, nada de zumbis, nada de sobreviventes, depois de um tempo vejo um vulto sobre um prédio, aponto o local, para os dois, a cidade era pequena, nenhum prédio tinha mais que dois ou três andares, a flecha não chegaria lá e um tiro chamaria atenção.
−Eu vou! Michonne avisa – Entro e pego ele no telhado.
−Certo! Eu achava que aquilo seria moleza para ela e esperamos, ela some, fico armado para o caso de ela ser vista, mas o homem caminhava de um lado para outro achava que sequer estava interessado em vigiar qualquer coisa.
O tempo corria devagar eu penso e então vejo Michonne chegar por traz dele e o acertar com a espada, o homem cai e seguimos ao encontro dela, quando chegamos ela abria a porta, caminhamos mais uns metros nada de segurança, então relaxamos um pouco, o prédio ficava de esquina e assim que o vemos nos escondemos mais uma vez.
Na porta apenas dois homens, fácil de derrubar e silencioso também, entramos em uma loja logo ao nosso lado, vazia precisávamos decidir o que fazer.
−Derrubamos os dois e entramos, ao menos para saber se tem mesmo zumbis!
−Daryl sabe que se tem zumbis, mesmo que a gente consiga trancar eles e que alguns acabem devorados eles ainda podem fazer como Katie e fugir pela janela.
−Eu sei Mochonne, mas acho que podemos nesse caso nos dividir e derrubar quem sair, fico na frente do prédio naquele prédio e você e Jimmy na rua do lado, seguros também. Atirando em quem conseguir sair.
−Eu acho que é uma boa ideia! Jimmy concorda e ela também.
Estávamos quase saindo quando ouvimos vozes alguém passava pela calçada próximo de onde estávamos.
−Nada Raul, nem sinal delas! Fico abaixado próximo da porta e posso ver os dois homens caminhando em direção ao prédio, um deles batia com a descrição de Beth, preciso me segurar para não avançar nele.
−A mulher estava ferida, a outra parecia um esquilo assustado, não podem ter ido longe, devem estar em algum prédio escondidas! O homem diz irritado – Amanhã quero que continuem a procura-las, foram deixadas para trás, vão acabar contando onde estão os outros.
Olho para Michonne e Jimmy, os caras realmente achavam que tínhamos deixado as duas para trás e que elas estavam ali escondidas, imbecis.
Vejo os dois entrando no prédio e fico feliz, ele estaria lá dentro.
Os homens conversam um pouco com os vigias e somem dentro do prédio, esperamos um tempo até que ficassem mais uma vez distraídos, eu miro minha besta e o primeiro cai, o outro olha assustado e antes que pudesse ter qualquer reação eu o acerto, corremos, Michonne confirma se estavam mortos e os puxamos para dentro.
Era um saguão de edifício comercial, um balcão de mármore como uma recepção, e depois duas portas, uma menor, talvez um banheiro e outra dupla de madeira pesada presa com um cadeado, sim eles tinham zumbis, depois uma escada, penso em minha pequena sendo arrastada por ela, sinto uma fúria que parece difícil de controlar.
Sem dizer nada arrastamos os dois corpos para perto da escada, a porta da frente era de vidro um vidro duplo pesado, olho em volta e vejo correntes sobre o balcão provavelmente era com elas que trancavam a porta da frente.
Entrego as correntes para Jimmy, ele segue para porta, Michonne puxa sua espada e eu arrebento o cadeado o mais silencioso que posso, depois olho para Michonne ela faz um movimento anunciando que estava pronta e puxo as portas de uma vez me afastando em seguida, uma horda se arrasta, iam fazer um bom estrago.
Michonne ainda precisa derrubar um antes de sairmos apressados trancamos tudo e cada um segue seu caminho, entro no prédio e subo correndo uma escada nada de zumbis arrombo uma porta no primeiro andar e encontro dois zumbis, uso minhas flechas, depois me posiciono na janela, torço para Michonne e Jimmy não terem tido problemas.
Demora uns minutos até começar a ouvir gritos e tiros, muitos tiros, vejo zumbis andando pelo segundo andar e clarões, outros estavam na porta forçando para sair, se conseguissem eu teria problemas para voltar.
O primeiro homem que tenta sair pela janela é um cara grande com uma metralhadora, assim que sai para fora e caminha pelo parapeito se preparando para pular atiro, ele cai, ouço tiros, alguns vindos de dentro outros de fora, Michonne e Jimmy eu penso, mais um tenta sair e eu o derrubo também então eu o vejo, o maldito que machucou minha pequena, ele sai pela janela caminha, tenho vontade de descer e ficar diante dele, dizer que ninguém feria Katie e ficava impune, mas eu não era mais assim, e queria voltar para ela, então acerto sua cabeça num tiro preciso, assisto sua queda e o estrondo do corpo ao chegar ao chão, mais um tiro de onde Michonne estava e depois silencio, olho para porta uma legião forçava o vidro, espero mais uns minutos, nenhum som, nenhum grito ou tiros, desço as escadas e quando chego a rua o vidro começava a rachar, vejo Jimmy correndo e Michonne logo atrás.
−Vamos! Eu chamo apressado – Estão arrebentando a porta! Eles ainda olham e ouvimos o barulho de vidros, corremos.
−Viu ele? Michonne me pergunta quando ganhamos distância.
−Sim, um tiro certeiro!
Chegamos ao carro e eu respiro, enfim voltaria para casa, meus ratinhos e minha pequena me esperavam, ligo o carro e faço a volta.
−Obrigado! Digo mais uma vez, Michonne sorri e Jimmy apenas olhava pela janela, noto sua tristeza, matar aqueles homens não trazia Emma de volta, nem apagava as feridas de Katie, talvez não mudasse nada, não fizesse diferença numa história como essa, onde não existe mais mocinhos e bandidos, mas eu tinha feito o que precisava fazer e podia voltar.
Pov – Katie
Eu sabia que ele tinha de ir e concordei com isso, mas quando chegou a hora meu coração simplesmente enfraqueceu, não quis me despedir, não saí da cela, não disse nada, fingi que tudo estava bem e que ele estaria ali no pátio, mas então quando fiquei sozinha, quando me dei conta que talvez nunca mais pudesse estar em seus braços eu corri, o mais rápido que pude, para vê-lo mais uma vez.
Não deixar que esquecesse do nosso acordo de nunca desistir e quando cheguei na porta do nosso bloco de celas ele caminhava para o carro, meu coração dói, grito por ele me aproximo, eu não queria chorar, mas era só uma garota e estava com medo – Você não desiste, eu não desisto – Eu o lembro, e depois me afasto e fico olhando o carro sumir na estrada, fico fraca, com as pernas bambas, tudo que queria era estar com ele, era assim que éramos, dois guerreiros, a rua nos pertencia, mas só se estivéssemos juntos.
Começo a sentir falta de ar, puxo o ar tento encher os pulmões, parece impossível, minha vista estava embaçada pelas lágrimas, Carl percebe por que afasta Megan e Nick de mim e eu caminho com dificuldade tentando voltar para dentro, Maggie se aproxima.
−Katie! Ela me ampara junto com Glenn, aquilo nunca acabava – Calma Katie!
−Me leva até o seu pai! Eu peço certa que estava tendo algum problema respiratório, Hershel me senta em sua cela e segura minha mão, eu continuava minha luta por oxigênio, minha mente seguindo no carro com Daryl.
−Está tudo bem Katie! Hershel me diz tranquilo.
−Hershel acho que estou tendo algum problema! Minha voz presa – Sequela...
−Não Katie, está apenas tendo uma crise de ansiedade, se acalme! Ele me diz acariciando minha mão – Quer preocupar as crianças? Me alerta – Daryl saiu e você está angustiada, é só isso, apenas respire com calma.
−Você está certo! Eu concordo – Preciso ficar forte, pelos meus bebês, mas é tão difícil! Choro e ele me abraça, o velho patriarca que socorria a todos nos momentos de desespero.
−Daryl vai voltar, ele nunca abriria mão de você! Eu me afasto e olho para ele, ele tinha razão, tento puxar mais uma vez o ar, meu peito ardendo – Não é forte apenas para caçar comida e matar zumbis, você e Daryl tem muita força interior, foi por isso que as crianças escolheram vocês, agora você não pode fraquejar.
−Eu sei! Afirmo me acalmando apenas o necessário para as crianças ficarem confiantes, mas ainda sentia o coração apertado e uma angustia difícil de suportar – Obrigada Hershel, por isso e por todo o resto! Eu tento secar as lágrimas, minhas pernas ainda estavam fracas e fico ali por alguns minutos buscando meu equilíbrio.
Depois me levanto e vou buscar meus pequenos, eles me acompanham para o banho e jantar, não toco na comida, não reconhecia nada daquilo, nunca estive naquele lugar sem Daryl comigo, tudo então se torna diferente, de um jeito ruim que não queria experimentar, as crianças percebem, para eles era igual, sempre tinham papai e mamãe ou nenhum dos dois.
−Papai vem nos colocar na cama? Nick pergunta, eu estava distante, pensando que naquele momento ele já estava lá, enfrentando perigos desconhecidos.
−Ele talvez se atrase um pouco! Eu digo forçando um sorriso, Megan sabia que eu estava mentindo, ela não escondia sua preocupação, os olhos assustados eu aperto sua mão – Papai vai ficar bem, não está sozinho ratinha! Ela me abraça triste, deixamos a comida quase toda, tanto eu quanto ela sem condições de mastigar.
Atraso o máximo que posso a hora de ir para cama, não quero ficar lá, não sem ele, Nick se encosta em mim e decido colocá-lo na cama antes que dormisse sentado.
−Quando o papai chegar você me acorda? Ele me pede e eu o abraço, preciso segurar as lágrimas.
−Ele vai chegar cansado, quando acordar amanhã você fala com ele! Nick concorda e se ajeita na cama, virava de um lado para o outro, eu não queria me deitar, estava sentada e me dou conta que desse jeito ele nunca dormiria.
Me deito ele pega meus cabelos se mistura a eles e adormece, Megan me olhava quando me sento de novo.
−Papai vai voltar mamãe, ele é o cara mais forte que já vi! Ela me abraça e escondo mais uma vez as lágrimas.
−Nesse caso é melhor a senhora dormir, mocinha! Ela me beija e depois de um sorriso doce e esperançoso adormece.
Eu fico mais uma vez sozinha e tremula desço enrolada numa coberta, Beth estava em sua cela com a bravinha no colo.
−Beth eu vou ficar lá fora, pode de vez em quando dar uma olhada neles, estão dormindo.
Ela me olha e sinto sua tristeza pela minha dor, faz um movimento concordando e eu deixo o bloco de celas, me sento num banco diante do portão, queria ser a primeira a vê-lo chegar, me enrolo no cobertor por que o frio tinha finalmente nos alcançado e fixo meus olhos na estrada, decidida a ficar ali até ele chegar, todos sabiam o que estava fazendo e ninguém me incomoda, eu o espero, tinha esperado toda minha vida, podia esperar toda eternidade.
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