Fim Dos Tempos
35 Capítulo 35 - Novos inimigos
Notas iniciais
Pov – Katie
Assim que acordo escuto a risada de Nick, eu me viro e ele e Megan jogavam cartas, fico sem acreditar, o dia mal tinha amanhecido, devia mesmo ser uma vida tediosa a deles, sem escola, exercícios, apenas sobrevivência.
−Bom dia ratinhos! Eles logo abandonam o jogo e se aproximam me abraçando, Daryl acorda com a movimentação.
−Deixe-me adivinhar cinco da manhã? Ele brinca me abraçando.
−Eu diria umas seis, já amanheceu ao menos!
−Bom dia papai! Nick passa por cima de mim e se deita com ele, Daryl sorri e ele o abraça – Papai fica em casa mais hoje, não gosto que vão para rua.
−Mas precisamos! Ele diz e Nick se senta – Estão com fome? Daryl pergunta desviando o assunto.
−Eu estou! Eles logo estavam de pé, eu e Daryl nos olhamos ele me beija de leve e se levanta, me sento e fico assistindo meus pequenos envolvidos em calçar sapatos e pentear cabelos, Megan se olha no espelho pequeno que ganhara de Beth e fico pensando como estava crescida.
−Vai em algum lugar ratinha? Daryl pergunta, ele não conseguia superar o ciúme, eu me esforço para não rir.
−Quero ficar bonita como a mamãe! Ela diz, ele ergue uma sobrancelha depois me olha.
−Você já é linda!
Megan larga o espelho e o abraça, eu sabia que ele adorava as demonstrações de afeto deles, que adoraria abraça-los mais, fazer carinho, mas esse era um caminho que ele fazia devagar, por que era difícil para ele, então Daryl acaricia seus cabelos, ela o olha sorridente.
−Vamos sua ratinha, chega de espelhos! Ele aperta seu nariz ela faz careta e se afasta, sem alternativa me levanto.
A prisão começava a acordar quando chegamos lá em baixo, Carol e Beth serviam café a umas poucas pessoas, nos juntamos ao grupo, depois esperamos todos se reunirem para nossa saída.
Beth entrega Judith para Carol, e se aproxima de mim, eu olho para ela que se senta do meu lado e suspira.
−Adrenalina! Ela diz simplesmente.
−Sim, eu sei!
Vamos para a cela onde as armas ficavam, voltando para velha rotina, eu estava sempre com meu sinto de facas e levava além dele a besta e uma pistola, Daryl também costumava usar uma pistola além da besta, mas Rick decide levar armas mais pesadas, acho que no fundo tudo aquilo era por conta da companhia de Beth, vejo todos se armarem e chamo Carl entregando a besta a ele.
−Vamos levar armas mais pesadas então você fica com ela! Ele faz que sim e a coloca nas costas, depois seguimos para os carros, Rick dirigia um com Tyresse, Michonne e Sasha, Daryl dirigia o outro, eu, Beth e Emma seguíamos com ele, fico olhando meus ratinhos parados próximo do portão que Glenn nos abria, Carl estava com eles, rezo para que tudo ficasse bem e então ganhamos a estrada.
Beth estava silenciosa, concentrada, olhava em volta e penso que passar semanas a fio sem sair daquela prisão devia mesmo ser uma tortura para qualquer pessoa, Daryl dirigia calado, como de costume, quando estávamos na estrada, correndo riscos ele era Daryl Dixon, nunca se distraia, nunca baixava a guarda e não tinha nada do homem carinhosos e apaixonado de quando estávamos a traz das cercas, isso não me incomodava, ao contrário me deixava segura.
Tínhamos duas garrafas de água no carro e ofereço para as duas silenciosas garotas no banco de traz, Emma era uma jovem de vinte três anos que estava sozinha desde o começo, tinha se unido ao grupo do governador, mas só conosco começara a sair em busca de suprimentos, era sempre calada, e eu sabia que seu único amigo era Jimmy, eles estavam sempre juntos.
−Se algo der errado nosso ponto de encontro e na entrada da cidade! Aviso e noto o olhar assustado de Beth.
−Achei que ficávamos o tempo todo juntos? Ela pergunta assustada.
−Normalmente, esse é o objetivo, mas nunca se sabe o que pode acontecer, então não se esqueça, a entrada da cidade, precisa chegar até lá.
−Certo! Ela tinha uma pistola e uma faca grande, somente isso, olho para Daryl, sabia o quanto ele estava tenso e com medo do que eu faria para proteger Beth, então eu também sabia o que ele faria para me manter segura e decido que precisava dobrar meus cuidados, para não colocar nenhum dos dois em risco.
Dessa vez Rick dirigia na frente e para o carro na entrada da cidade, descemos, tudo parecia tranquilo a distância, as cidades eram normalmente silenciosas, poucos errantes e nunca sobreviventes, escolhíamos sempre a rua principal por que era normalmente onde ficava os grandes comércios, entravamos em uma ou duas lojas e depois voltávamos, nada de grandes aventuras, e mesmo assim, quase nunca era tranquilo, principalmente agora que nossos inimigos pareciam decididos a nos caçar em bandos.
−Pensei em deixar os carros aqui e seguir a pé! Rick comenta – Quem sabe sem o barulho dos carros não atraímos nenhuma horda?
Estávamos todos fora dos carros, podíamos ver a menos de trinta metros a rua principal, e duas ou três ruas laterais, até que não era má ideia, depois se uma horda chegasse desde que tivesse alguém de guarda podíamos voltar e chegar nos carros antes deles.
Ninguém discorda da ideia e seguimos nosso caminho, Rick seguia ao lado de Beth, eu e Daryl estávamos junto a eles, entramos na cidade e eu ainda me sentia angustiada, concentro minha atenção, usando meus sentidos, parecia tranquilo e seguimos pelo primeiro quarteirão, nada de lojas que nos interessassem, apenas roupas e salão de beleza, jogos e bares, no segundo quarteirão encontramos bancos e lanchonetes.
−Não vale apena entrar em lanchonetes, normalmente só encontramos comida estragada! Daryl avisa e continuamos, se tínhamos de nos arriscar que fosse por algo útil, encontramos uma loja de caça e material esportivo, Michonne entra com Rick e Tyresse, ficamos de guarda, nem um único errante em nosso caminho.
Eles saem com algumas coisas e continuamos, mais um quarteirão e uma farmácia, ela estava em bom estado e era quase como o paraíso da fórmula, dez latas no mínimo, só isso e a saída já tinha valido a pena, depois de recolhermos tudo de útil, eu, Beth, Rick e Daryl, saímos e continuamos nosso caminho silencioso.
Logo teríamos de voltar para o carro, estávamos cheios de coisas, um zumbi vira a esquina e Michonne o pega, o primeiro do dia, paro uns segundos nada de sons ou cheiros, continuamos. Encontramos um posto e como sempre as bombas estavam vazias, do outro lado uma mercearia, muito bem trancada, fico com Beth e Emma na frente do posto, Daryl e Rick entram com Michonne, Sasha, e Tyresse ficam na frente da loja, estávamos atentos na segurança, nenhum som de dentro da loja, devia estar limpa, olho a minha volta, penso ver um vulto não muito distante, mas fixo a visão e como nada se mexe entendo que tudo estava bem.
Nos encostamos num carro, Beth tinha as mãos tremulas eu percebo, Emma já parecia um pouco mais tranquila, olho para dentro da loja, detestava me separar de Daryl, então ouço um tiro, não vinha de dentro da loja e vejo Sasha cair, me abaixo com Beth e Emma nos escondendo a traz de um carro, tentando entender de onde vinham os tiros, ainda vejo Tyresse arrastar a irmã, o tiro acho que tinha acertado seu ombro.
Mais uma rajada de tiros e percebo que vinham de um telhado, agora Daryl, Rick e Michonne também atiravam, eles acertam alguém por que ouço um baque surdo no chão, uma queda, Beth e Emma se abraçavam os olhos arregalados eu penso em Daryl e em como chegar até ele.
−Precisamos chegar até eles! Aviso elas negam com a cabeça – Só uma corrida, assim que nos virem vão dar cobertura, quando eu der o sinal corremos até lá.
Eu me preparo, olho em direção a Daryl, ele ainda não tinha me visto mas sabia que eu estava ali, por que era onde tinha me deixado antes de entrar, quando me preparo para me levantar sinto o cano de uma arma na minha cabeça, fico imóvel imediatamente, os tiros a adrenalina, eu não tinha percebido alguém se aproximar.
−Vocês vem conosco! Uma voz grave diz quase em meu ouvido, me mexo devagar e vejo Beth parada os olhos arregalados e um homem tapando sua boca enquanto apontava uma arma para Emma, somos arrastadas em meio ao tiroteio, afastadas dali pela rua lateral.
Daryl, eu só conseguia pensar nele, no que ele sentiria, mas me lembro que se tinha uma coisa que ele sabia fazer era rastrear e solto meu cinto de facas, enquanto éramos arrastadas, isso seria suficiente para ele entender que tínhamos sido sequestradas, não fugido.
Eu nunca deixaria meu sinto cair, ele entenderia que tinha deixado um aviso, uma pista, assim que tudo acabasse ele viria nos buscar, aqueles homens não pretendiam nos matar, ao menos não logo de cara, ou teriam feito isso ali, estávamos completamente desprotegidas e teria sido muito fácil.
Somos arrastadas por dois quarteirões e então os tiros cessam, nem passa pela minha cabeça que nosso grupo havia perdido, entramos num prédio de três andares, um prédio de escritórios, arrastadas sem qualquer cuidado, nenhuma de nós luta, eles já tinham tirado nossas armas e nem sequer notado que eu estava sem o cinto, se é que o tinham visto.
Subimos por uma escada de mármore dois andares, eu prestava atenção em tudo, tinha de dar um jeito de fugir.
−Aqui! Um deles grita quando abre uma porta e nos atira dentro da sala – Quietinhas, logo vão receber visitas! Eles nos trancam e enquanto as duas se abraçam chorando eu corro para janela, três janelas altas de vidro, mas trancadas ou emperradas, podia ver um parapeito, e sabia que seria possível sair por elas, mas arrebentar o vidro chamaria atenção dos homens.
−Prestem atenção, não digam nada! Eu peço fazendo as duas me encararem — Estávamos sozinhas, não conhecemos ninguém nunca estivemos com aqueles homens! Elas me olhavam assustadas demais – Vão nos interrogar, não digam nada sobre a prisão, não importa o que aconteça, não digam nada!
−Katie! Beth me abraça.
−Prometam! Eu peço começando a me apavorar – Pensem nas crianças, estão desprotegidos agora, não digam nada, prometam! Elas apenas afirmam com a cabeça, talvez por pena do meu desespero, só conseguia pensar nos meus ratinhos, sem mim, sem Daryl, num ataque, me lembro do governador e estremeço.
Meia hora depois um homem entra, ele caminha até nós, era um homem alto, cabelos compridos, muito escuros e grandes olhos negros, tinha um ar cínico, uma barba tão longa quanto os cabelos, carregava uma metralhadora na mão fingindo indiferença, na porta um outro homem também armado estava de guarda.
−Seus amiguinhos derrubaram três dos meus homens e fugiram! Sinto um alivio difícil de esconder – Acho que deixaram as garotinhas para traz! Ele toca os cabelos de Emma, depois os de Beth, quando se aproxima de mim me afasto, penso em Daryl e seguro sua mão com força e fúria – Uma gata selvagem! Ele ri e desiste de me tocar!
Olho para as duas suplicando pelo silencio delas.
−O que acha Dean, uma ruiva, uma loira e uma morena! Ele ria nos amedrontando – Foram deixadas para traz, que tal nos vingarmos em? Ele diz e eu sabia onde queria chegar – É só nos dizer de onde vocês vem e quantos são.
−Não sei do que está falando, estávamos só de passagem, quando vimos um tiroteio, nunca vimos aquelas pessoas! Eu digo tentando parecer firme, ele solta uma longa gargalhada e então sinto um tapa tão forte que sou atirada contra uma mesa de madeira e caio no chão, ouço o grito de Beth e Emma e ainda assim rezo para que elas ficassem caladas.
−Que tal, gostaram? Ele se aproxima de Emma eu vejo quando tentava me levantar ainda meio tonta.
−Ela está dizendo a verdade! Ela dia tremendo sem encará-lo, o homem volta até mim e termina de me levantar apertando meu braço e me esforço para não lutar.
−Acham que o apocalipse me deixou idiota? Ele grita me arrastando até elas – Onde estão e quantos são? Ele grita mais uma vez e de novo sou arremessada ao chão, bato minha cabeça sinto uma leve tontura, mas resisto as duas choravam descontroladas eu me mantinha firme e talvez por isso fosse seu alvo.
−Por favor! Beth grita e corre até mim, me ajuda a me levantar olho para ela num pedido mudo ela me abraça.
−Vou deixa-las pensando um pouco no que fazer! Ele sai e somos mais uma vez trancadas.
−Katie! Beth me ajuda a sentar, Emma se junta a nós aos prantos – Como está, meus Deus achei que ele ia matá-la.
−Por favor, não importa apenas fiquem caladas, vão nos achar! Eu peço – Daryl vai me encontrar! Eu gemo quando estico a perna e sinto uma pequena câimbra.
Os olhos de Daryl, sua boca, seus beijos, meus ratinhos, não eu me recusava a morrer ali, daríamos um jeito, então respiro fundo e elas me ajudam a ficar de pé.
Olho em volta, um colchão e uma mesa, era tudo que havia ali, nada que pudesse nos ajudar muito, eu tinha ainda uma faca na bota, sempre tinha uma e guardaria para usá-la num último caso, não sabíamos quantos homens tinham ali, não me arriscaria a pegar um e depois ser morta pelos comparsas.
A porta se abre mais uma vez e ficamos juntas, o homem volta, dessa vez outro fazia a guarda na porta, três ao menos três homens, mas eu sabia que haviam mais.
−E então? Ele se aproxima – Prontas para abrir o bico? Ficamos mudas – Sabe o que vai acontecer, eu vou encontrá-los, se me ajudarem será mais fácil, mas de qualquer modo vou achá-los, temos um bom número aqui, somos quinze homens, na verdade agora doze! Ele torce meus dedos, fecho meus olhos ao sentir a dor, fraquejo dobrando os joelhos, ele me solta – Vão me dizer, estou montando um pequeno exército, como devem ter notado minha cidade está quase limpa, aqui vamos montar nosso império! Ele ri e depois segue para Emma – Não quer ficar?
Ela baixa os olhos o rosto coberto por suas lágrimas ele faz um movimento leve e acaricia suas bochechas.
−Não acho uma boa ideia mais algum grupo de sobreviventes, quantos são? Ele pergunta a ela que fica muda – Vamos ruivinha, não quer ficar e ser minha consorte?
−Vá para o inferno! Ela grita o deixando furioso, o homem aperta seu pescoço, Beth aperta minha mão fechando os olhos, ele a ergue um pouco tamanha sua força diante de Emma e então a atira contra a vidraça que se arrebenta, assistimos Emma cair inconsciente.
−É assim que trato quem me desafia! Ele grita e se aproxima de mim Beth se encolhe apavorada – Vou dizer como vai ser, como podem notar sua amiguinha não dura muito! Olho para Emma e uma pequena poça de sangue se formava em baixo de sua cabeça – Ela vai morrer, e depois vai virar um zumbi e quando vocês começarem a gritar apavoradas, quando ela começar a devorar uma de vocês eu volto e tenho certeza que a outra vai fazer uma confissão com todos os detalhes que me interessam.
Eu não acreditava no que estava acontecendo, vejo Beth se curvar de pânico e o homem então tira uma pequena faca das costas.
−A loirinha parece tão frágil! Ele diz em meu ouvido – Vou ajudar o zumbi a se decidir quem ele quer! Então ele dá um golpe com a faca na minha coxa, e depois caminha para fora – Quando começarem a gritar eu volto, pode ser que seja rápido, pode ser que demore, nunca se sabe quanto alguém demora para fazer a mutação se é que se pode chamar assim.
Quando ficamos sozinhas corremos para Emma, ela estava inconsciente, o sangue jorrando não havia nada que pudéssemos fazer, ela estava morrendo.
−Ela está morrendo Beth! Eu digo chorando, Emma tinha sido forte era tão jovem, passo a mão na minha perna, sangrava muito – Seu cinto! Peço a ela e fazemos um torniquete estancando o sangue.
−Vamos morrer não é? Ela soluça eu a abraço.
−Não querida, não vamos! Eu prometo – Calma!
−Ela vai se transformar...
−Shiu! Eu mostro minha faca na bota – Não vamos morrer, está escurecendo, eles estão esperando que gritemos, mas não vamos gritar, vamos pular a janela e correr para o ponto de encontro!
−Katie eu sinto muito! Ela diz – Queria ajudar, queria ser útil, eu... Queria que o Rick olhasse para mim como o Daryl olha para você! Ela confessa eu sabia que era isso, que Beth estava apaixonada, ou achava que estava, mas isso ficaria para depois.
−Está tudo bem! A tranquilizo mais uma vez – Agora preste atenção, quero que desça comigo pela janela, depois vamos sair em silêncio, quando anoitecer será mais fácil, menos vigia.
−Sasha foi ferida eles devem ter voltado para prisão! Ela diz tremendo convulsivamente.
−Daryl nunca me deixaria para traz entende, ele passou o dia todo a minha procura, revirando essa maldita cidade, não vai voltar sem mim, mas está anoitecendo e ele sabe que vou para nosso ponto de encontro então vai ficar lá até amanhecer e se eu não chegar ele vai continuar a me caçar! Eu dizia aquelas palavras com toda determinação do mundo, por que essa era a única certeza que tinha na vida, ele nunca desistiria.
−Katie eu não posso descer isso! Ela diz.
−Quer que Rick se orgulhe de você, quer ser adulta, então chegou a hora, não pode fraquejar e desistir, não pode ficar com o caminho mais fácil, vou voltar para casa e você vai comigo! Eu digo e ela pisca se dando conta de que eu tinha razão então confirma com um movimento de cabeça e Emma para de respirar, Beth se afasta, pego minha faca, longos minutos se passam e eu a escute gemer, não espero para ver aqueles olhos mortos se abrirem em busca da minha carne, com um movimento eu a golpeio.
Estava escuro lá fora e então decido que não podíamos correr o risco de que os homens entrassem mais uma vez, Emma no fim tinha nos salvado, nossa salvação estava na janela quebrada que a matara.
−Vem Beth, você pisa onde eu pisar e em silêncio! Passamos para o outro lado, caminho pelo parapeito e dobramos para o lado esquerdo, caminhamos por toda lateral do prédio, nos abaixando para não correr o risco de ter alguém nas salas próximas as janelas, não queria sair pela rua principal por que era evidente que teríamos vigia, descemos pela lateral que dava para rua de traz, Beth quase cai pelo menos duas vezes, meu coração batia descontrolado e precisamos pular de uma altura razoável para chegar ao solo, caio e sinto minha perna queimar.
Olho para o corte e o sangue escorrendo, aperto mais uma vez o cinto prendendo o sangue e caminhamos pelos cantos da parede, detestava fazer aquilo por que era difícil fugir de zumbis assim, tinha minha faca firma na mão, mas sabia que só ela não seria suficiente, corremos quando já estávamos longe o suficiente, seriamos caçadas quando notassem nossa fuga.
Beth sempre do meu lado, vejo uma barra de ferro e abaixo pegando-a, entrego a Beth ela aceita e continuamos caminhando, minha perna latejava e me sinto tonta, e enjoada, com dificuldade de respirar, a dor só aumentando.
Avisto a farmácia que tínhamos visitado mais cedo, estava limpa e trancada puxo Beth para dentro, precisava respirar, nos escondemos em baixo de um balcão.
−O que foi? Ela me apertava a mão.
−Acho que a batida na cabeça e esse sangue todo! Eu mostro a perna ela tenta apertar o torniquete, suas mãos sujas de sangue, minha mão esquerda também doía, eu mal sentia meus dedos, depois da descida eles tinham piorado, e a torção queimava – A mão que aquele... – Me calo ela olha para ela e não esconde a preocupação.
−Katie! Ela me abraça – O que vamos fazer?
−Beth preciso que continue! Eu peço e ela nega assustada – Beth por favor! Eu começo a chorar – Quero meus ratinhos, quero Daryl, não posso chegar até ele! Queria ter continuado forte, para dar força a ela, mas começo a me desesperar.
−Fico com você descansamos um pouco eu te amparo...
−Amo você, é minha amiga! Eu seguro sua mão faço ela me encarar enxergar minha dor – Você consegue Beth é forte, venceu muita coisa, vá até ele, eu sei que ele me espera.
−Katie! Ela nega mais uma vez – E você aqui assim sozinha?
−Estou segura! Eu digo – Dez minutos Beth, correr dez minutos é tudo que precisa e dizer a ele que estou aqui, não quero morrer sem vê-lo!
Eu me sentia tão tonta, cansada, minha visão embaçando, Beth chorava comigo, angustiada.
−Não vai morrer! Ela diz – Eu vou, apenas se aguente...
−Escute... – Eu peço – Seja silenciosa, se encontrar zumbis não lute, apenas se afaste e se não der pense que estão nas cercas e os acerte empurre, fuja Beth.
Ela me abraça e sai corajosa como nunca tinha visto, penso em Daryl e nos meus ratinhos, Megan e Nick me esperavam, eu tinha de aguentar, era só ficar de olhos abertos, estava fechada e segura, escondida e logo ele estaria aqui, me levaria para casa, Hershel faria um curativo, sinto sono, muito sono, luto para manter os olhos abertos Emma estava morta, Beth estava pela primeira vez sozinha no meio da noite, correndo e talvez tendo de lutar.
Não quero morrer, não quero me tornar um zumbi, meus olhos queria se fechar, talvez apenas uns minutos, apenas para descansar a visão embaçada, só um instante, só para me lembrar da minha família, dos rostos dos meus ratinhos, das mãos de Daryl do seu cheiro, então eu deixo a escuridão me dominar.
Notas finais
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