Fim Dos Tempos
33 Capítulo 33 - De castigo
Notas iniciais
Pov – Daryl
Minha linda ratinha contava uma história sobre um sapo que beija uma princesa e vira um babaca, acho um tanto sugestiva, mas chego à conclusão que ter virado um babaca era o que eu queria, Merle podia rir de mim o quanto quisesse, ele finalmente podia me acusar de bom menino, era isso que tinha me tornado.
As memórias do dia me invadem, me causando calafrios, quando vi Katie no meio da rua gritando pelos zumbis senti uma vontade infinita de esganá-la, eu sabia qual era seu plano no momento em que a vi lá, mas isso não diminuía a minha angustia.
Esbravejei feito um maluco, empurrei a besta para as costas, e peguei o machado, eu sairia dali de qualquer maneira e buscaria minha pequena, na verdade com a espada de Michonne derrubar uma dezena de zumbis foi fácil, afastar os zumbis também, o que me apavorava era minha pequena naquele telhado sozinha, não conseguia deixar de pensar em Merle, na maneira que eu o perdi.
Dirigi feito um maluco até o ponto de encontro, precisava deixar o resto do grupo lá e voltar para buscar Katie, assim que desci começamos uma pequena discussão, por que todos queriam voltar comigo, então ela surgiu e foi como quando ela abriu os olhos na caminhonete quando realmente nos vimos, o sol nasceu.
Caminhei até ela decidido a fazê-la enxergar a loucura que tinha feito, e estava indo bem até aqueles belos olhos verdes se derramarem em lágrimas e tudo que pude fazer foi envolve-la em meus braços e agradecer por tê-la de volta.
Suspiro tentando afastar aquelas lembranças, ela percebe minha angustia e me envolve ainda mais, eu aspiro seu perfume de flores e beijo seus cabelos, Megan nos olha por cima do livro.
−Estão prestando atenção? Ela pergunta séria.
−Completamente! Eu minto para não magoá-la, ela sorri e volta para sua leitura, aquela voz doce e ritmada, eu olho para minha pequena que sorri. Nick brincava com os cabelos de Katie, se misturava a eles.
−E foram felizes para sempre! Megan termina a história sorridente e fecha o livro, eu pisco voltando a realidade – Gostaram?
−Muito! Minha pequena conta – Adoro essa história, meu pai me contava antes de eu dormir.
−Um dia você lê para mim papai? Megan pede e eu olho para minha pequena contrariado.
−Obrigado! Digo a ela – Claro, um dia eu leio para você! Katie ria descaradamente, ela adorava me ver enrolado com aqueles ratinhos.
−Podemos descer um pouco e brincar? Nick pede.
−Claro! Eu realmente adoraria um tempinho com minha pequena depois do medo que tive de perde-la.
Ficamos sozinhos e ela me olha nos olhos, aqueles belos e imensos olhos verdes.
−Me desculpe! Ela diz num fio de voz – Sinto muito mesmo, mas quando pensei no que você faria só para me mandar de volta, eu não consegui, tive que arriscar.
−Eu sei, estamos bem, fico feliz que conseguimos, mas por favor pequena, se cuide, não se arrisque.
−Sabe que não pode me pedir isso, onde quer que estejamos, o tempo todo, tudo é arriscado, dormir sobre zumbis é arriscado, aquelas cercas, tudo, então que diferença faz?
−Está cada dia pior, um dia talvez nós tenhamos que partir, se e quando esse dia chegar, precisamos estar juntos.
−E vamos, o grupo é grande, temos os novatos que estão aprendendo, hoje voltamos todos! Ela sorri e eu a beijo.
−Graças a você, mulher gato! Ela me puxa e fico sobre ela, beijo minha pequena sem pensar em nada, sentindo seus lábios e descendo pela pele macia de seu pescoço, ela afunda os dedos em meus cabelos, arfante.
−Amor! Ela diz num aviso – As crianças podem voltar! Eu paro me escondo em seu pescoço, tentando controlar meu desejo.
−Sim, ratinhos! Eu rio e então me lembro que agora tinha sido rebaixado para noivo – Ei! Eu ergo a cabeça, ainda sobre ela – Não quero ser noivo, gostava mais de como era antes!
−Eu também, vamos ser casados e pronto, o mundo acabou acho que podemos decidir nosso estado civil.
−Amo você! Eu digo saído de cima dela e ela se senta.
−Sabe que a pobre torre está lá sozinha aguardando alguém que queira levar um pouco de alegria aquele lugar!
−Cheia de ideias! Eu a puxo e ficamos de pé.
Passamos discretamente pelo grupo e subimos para nosso refúgio, nosso paraíso como ela costumava chamar, eu a puxo para mim e sabia que seria quente. Estava ávido por sua pele, seu cheiro, nos despimos impacientes, sem querer nos afastar muito, achando tudo demorado, Katie era sempre linda, mas depois dos momentos de tensão do medo de perder minha pequena, ela agora me parecia mais bonita que nunca.
−Você é minha! Eu digo possessivo, apaixonado.
−Sou sua, e você é meu! Ela suspira e então começamos a nos movimentar em sintonia como sempre foi, quando estávamos ali, quando eu a tinha em meus braços sabia que ela tinha sido feita para mim, que éramos uma coisa só, que pertencia a ela e sempre seria assim.
Era quase noite quando finalmente relaxamos um ao lado do outro, observando a noite cair, Katie me fazia me sentir vivo, eu olho para ela que sorri.
−Quero férias do apocalipse! Ela brinca.
−Fico pensando como seria se nada disso tivesse acontecido, nunca teríamos nos conhecido! Ela se abraça a mim.
−Acha errado me sentir assim feliz, mesmo depois de tudo? Ela me pergunta.
−Não, acho que temos sorte, ninguém pode nos condenar por isso.
Quando descemos as crianças ainda brincavam no pátio, olho para as grades quase uma dúzia de zumbis espalhados gemendo, ou simplesmente caminhando, vejo de longe dois se aproximando vindos da floresta, um mundo de mortos, me sinto no lugar errado, aquele não era mais o mundo dos vivos, nós é que estávamos invadindo um lugar que não nos pertencia mais.
As crianças entram para o banho e depois nos sentamos para o jantar, eu sempre preferia ficar com eles apenas, nunca dava o primeiro passo para me misturar com os outros, mas Katie era expansiva e acabávamos sempre misturados ao grupo, pelo menos o nosso velho grupo, aquele que podíamos chamar de família.
−Pensei em dar uma folga nas saídas! Rick me diz – Glenn me contou que foi um dia difícil, temos suprimentos por uns dias, mais do que isso até, vamos treinar mais as pessoas, na próxima vez eu vou também, quero ver como estão as coisas.
−Pode ser, mas nesse caso Maggie e Glenn ficam! Eu aviso.
−Certo!
Depois do jantar acabamos mais uma vez reunidos e conversando sobre bobagens, relembrando os primeiros dias na prisão, nossas primeiras saídas.
Já era tarde quando subimos com Nick já dormindo e Megan coçando os olhos também sonolenta, ela se deita e abraça o ursinho rosa, eu a cubro enquanto Katie tirava o cinto e se deitava.
−Quero ensinar Megan a atirar! Aviso esperando sua reação negativa.
−Acha que está pronta para andar com uma pistola na cintura? Ela me pergunta e olhamos para aquela menininha abraçada a um urso de pelúcia.
−Ninguém está! Eu respondo e ela apenas confirma com um movimento de cabeça.
Estávamos tomando café da manhã quando ouço os gritos de Carl, olho para minha pequena e corremos para fora, uma horda se aproximava das grades, todos juntos eram dúzias de zumbis tentando ocupar o mesmo espaço.
−Vão para dentro, não saiam! Aviso Megan e eu e Katie corremos para a grade, Maggie, Glenn, Tyresse, Rick, todos até mesmo os mais despreparados, todos matando zumbis pelas grades, com facas, barras de ferro, tudo que pudesse atravessar crânios.
−Droga! Glenn segura a grade que quase pende tamanho o peso de toda uma horda tentando invadir pelo mesmo lugar.
Leva pelo menos meia hora para podermos dizer que estávamos de novo seguros, pouco mais de meia dúzia de zumbis agora mais dispersos.
−Quem estava de guarda? Eu pergunto e Sasha levanta a mão – De onde vieram?
−Da estrada! Ela aponta – Pelo norte, no começo achei que estavam só passando, mas eles se viraram do nada e seguiram em nossa direção, não se afastaram, caminharam como se fossem um único organismo! Ela estremece – Apavorante.
−Vamos limpar, as crianças vão ficar assustadas com todos esses corpos! Rick declara e concordo com ele.
Os membros mais inexperientes ficam distraindo os zumbis os chamando para a grade do outro lado e saímos para recolher os corpos e queima-los, podíamos matar todos, mas era bom ter alguns zanzando por ali, de algum jeito nos protegendo, como cães de guarda.
Fazemos uma fogueira e queimamos todos, nunca colocávamos fogo em todos de uma vez, para não chamar atenção à distância, por isso queimar tantos levava tempo e a prisão passava o dia com aquele cheiro de carne podre queimada.
Só acabamos na hora do almoço, mas nenhum de nós tinha fome, mesmo tanto tempo depois ainda era difícil se acostumar com aquilo.
Como estávamos livres, ficamos meio que sem nada para fazer, vou ajudar Rick com uns concertos, vejo minha pequena conversando com Maggie e Beth, a bravinha entre elas, as crianças estavam conversando com Carl, depois da conversa com Rick fico com pena do menino, ele era mesmo sozinho, tinha passado por momentos que até para um adulto seria insuportável.
Carl era valente, e realmente as crianças faziam bem a ele, caminhavam juntos, e conversavam, eu podia mesmo vê-lo rir, gostava dele, Carl era um grande guerreiro, um bom menino, e eu sabia que podia confiar nele para cuidar dos meus ratinhos, meu problema eram os hormônios, a ideia me perturba e me afasto voltando ao trabalho.
No meio da tarde minha pequena se aproxima de mim com um olhar preocupado, eu paro meus afazeres, olho em volta à procura das crianças, nada.
−Onde estão? Pergunto.
−Droga! Ela resmunga – Vim fazer a mesma pergunta.
Nos viramos e saímos em busca dos dois, seguimos pela lateral, viramos as paredes do bloco de celas.
−Seu pai vai te dar uma surra quando souber! Ouvimos a voz de uma das crianças.
−Meu pai nunca vai fazer isso, ele é o melhor pai do mundo e nunca vai machucar a gente! Megan me defende.
Então encontramos os três junto a outro menino, Nick segurava a pistola com Carl a seu lado. Os três baixam a cabeça quando nos veem, e o outro menino corre, Katie estava mesmo brava, eu fico apenas parado, ela me olha feio como quem reclama por não ter ido tirar a arma da mão de Nick, mas eles tinham acabado de dizer que eu era o melhor pai do mundo, como podia desapontá-los, Rick se aproxima com Carol e Beth.
Minha pequena tira a arma de Nick e entrega a Carl, ele coloca de volta na cintura, nenhum dos três sequer se movia, a verdade é que até eu estava com um pouco de medo.
−Para a cela agora! Ela sibila – Ou querem tomar uma bronca na frente de todos!
Megan e Nick caminham obedientes, olham para mim pedindo ajuda, peço desculpas com um movimento de mãos.
−Não ouviu o que disse Carl? Ela o olhava muito séria, realmente achei que ele não obedeceria, ou que Rick pudesse não gostar, mas Carl segue os pequenos e Rick sorri vitorioso.
Caminho atrás dela, preocupado e curioso, ela entra na cela e para diante dos três, começo a achar tudo muito divertido, fico na porta com medo de rir e atrapalhar tudo.
−Mamãe o Carl estava nos mostrando como funcionava a arma, pedimos para ele nos ensinar! Megan conta – Ficamos com medo depois de hoje.
Katie segue primeiro para Nick, sinto pena do meu garotinho, eu era muito mole.
−Nunca mais toque numa arma sem autorização do seu pai! Ela diz e ele afirma com a cabeça – É muito perigoso, o papai vai ensiná-lo, eu sei que Carl queria ajudar, mas sou eu e o papai que decidimos quando vai estar pronto.
Ele mais uma vez apenas afirma com a cabeça, então ela se ajoelha diante dele para poder olha-lo nos olhos eu acho.
−Você ainda é nosso! Ele então ergue seu olhar – Mamães brigam ás vezes, mas ainda é meu ratinho! Ele sorri – Agora quero que vá lá para a cerca dos porcos, está de castigo, fique lá uns dez minutos pensando na tolice que fez!
Como assim castigo, ele ficava ali o dia todo com os porcos, ele sorri e deixa a cela contente.
−E a senhorita! Ela segue para Megan – Ouviu o que disse a seu irmão?
−Sim!
−O papai vai ensiná-la por que realmente acho que precisa aprender, mas se eu souber que brincou com uma arma, nunca mais vai chegar perto de uma ouviu, armas são coisa séria, sabe disso, agora vá com seu irmão pensar no que fez, está de castigo também.
−Com os porquinhos? Ela pergunta e respiro fundo prendendo o riso.
−Exato! Katie responde e me pergunto como podia continuar séria, Megan sai depois de um olhar solidário para Carl ele não se mexe, também mantinha a cabeça baixa, e começo a achar que ele estava gostando de se ver naquela situação, de se sentir um menino apenas.
−Katie...
−Sabe que agiu mal! Ela o corta – Se não fosse errado não teriam ido se esconder, eu confio em você Carl, sei que é um menino especial e que sempre vai estar por perto, mas não pode fazer tudo que eles pedem, podia ter acontecido um acidente, não quero que carregue um peso como esse, Daryl vai ensiná-los, assim como me ensinou, e acho mesmo que devia aprender com ele a usar a besta!
−Eu? Ele pergunta e eu me pergunto por que ela estava fazendo isso.
−Você! Ela diz – Precisa saber usar algo mais silencioso e que seja útil para caçar também, um dia vai liderar todos, dá próxima vez que quiser ensinar algo a eles peça autorização antes, ainda é um menino apenas, goste ou não, e assim como os outros você está...
−De castigo, pensando sobre o que fiz no cercadinho dos porcos! Ele termina para ela e percebo que fazia muito esforço para não rir.
−Sempre te achei muito esperto! Ele lhe dá as costas e passa por mim de cabeça baixa ficamos sozinhos eu a observo meio assustado.
−Você e boa nisso! Eu digo e então ela me olha com os olhos marejados – Que foi pequena?
−Não queria brigar com eles! Ela me abraça – Mas você nunca faria isso!
−Claro que não, ouviu o que disseram sou o melhor pai do mundo!
−Muito esperto! Ela sorri secando as lágrimas – Agora pode ir até lá consola-los e dizer aquelas coisas como, a mamãe ama vocês e só quer o bem dos dois.
−Se quer que eu vá posso ir, estou mesmo curioso, mas de qualquer modo eles sabem disso, e castigo na cerquinha dos porcos, convenhamos, foi um presente, ainda mais os três juntos, Carl quase pediu para ficar de castigo! Eu rio e ela acaba rindo também.
−Queria agradar eles! Ela me confessa – Agora para de rir e vai lá saber se estão bem.
−Se um dia quiser me por de castigo para pensar no que fiz pode ser na torre com a mamãe? Ela me belisca rindo e então quando vejo que está bem eu a deixo e sigo ao encontro dos meus ratinhos.
Nem preciso chegar muito perto para saber que estavam bem, os três riam despreocupados, mas se esforçam para parecerem pensativos quando me aproximo.
−Oi! Eu digo me fingindo de desinteressado – Tudo bem?
−Vai brigar também? Carl pergunta.
−Não, Katie é boa nisso! Eu escondo um sorriso e os três se olham – Amanhã vamos aprender a atirar, se se comportarem, e quando quiser posso ensiná-lo a usar a besta, claro que não precisa aprender se achar que não é boa ideia! Digo a Carl em especial.
−Eu quero! Ele responde.
−Certo! Olho para meus ratinhos – Sabem que a mamãe ama vocês e que só quer o bem dos dois, não é? Era esse o recado eu espero, eles balançam a cabeça concordando.
−Ela já parou de chorar? Megan pergunta.
−Como sabem que ela chorou? Fico surpreso.
−Por que a mamãe é uma chorona e eu vi que ela queria chorar quando estava brigando com a gente e você estava rindo! Ela me olha brava.
−Queria que estivesse bravo também? Eu me defendo, ela nega muito rápido – Agora acho que já deu tempo de pensarem deviam seguir até ela e se desculparem, dar um beijo na mamãe e dizer que está tudo bem.
−Está bem! Megan diz – Vamos Carl, você também precisa se desculpar.
Ele os segue meio contrariado, passa pelo pai que caminhava até mim, penso se devia me desculpar pela bronca da Katie, eu não gostaria que alguém brigasse com meus ratinhos, mas talvez Carl precisasse de um pouco disso.
−Diga a Katie que agradeço! Rick me diz assim que se aproxima – Se tivesse tentado dar uma bronca como aquela ele me enfrentaria, achoque me culpa um pouco pelo que andou acontecendo.
−Acho que só sente falta da mãe! Eu não gostava muito de falar sobre Lori, ninguém costumava falar sobre ela por que sabíamos que aquilo fazia Rick sofrer, mas ele tinha de se lembrar que Carl sentia falta da mãe, que ele não era a única razão dos problemas do filho.
−Eu sei que sim! Ele fica silencioso – Ao menos Judith não vai passar por isso, Beth cuida dela como se fosse a mãe, todos ajudam, mas ela assumiu mesmo a responsabilidade.
−Foi! Eu concordo meio sem saber por que estávamos tendo aquela conversa.
−Sei que a Beth te pediu para ensiná-la a se defender, mas fico preocupado, ela é muito delicada, e o Hershel também não quer que ela aprenda, depois teve aquele episódio na fazenda...
−Aquela era outra Beth, ela mudou muito desde aquele dia! Eu o lembro, ainda não sabia porque estávamos falando da Beth, mas percebo que ele queria falar então o deixo livre.
−Suicídio! Ele balança a cabeça.
−Foi o desespero de uma menina, agora depois de tanto tempo, ela cresceu, Beth é uma mulher, como todas as outras, e se é forte para cuidar da Judith como se fosse dela, devia ter o direito de aprender a se defender como todos os outros, não pode garantir que sempre vai estar aqui, e Hershel também não.
Detestava quando alguém se sentia arrogante o bastante para controlar tudo e decidir as escolhas dos outros, aquilo era colocar uma vida em risco mais do que proteger por isso tinha ensinado tudo que sei para minha pequena e faria o mesmo com meus filhos.
−Sei que tem razão! Ele me diz – mas no fim essa é uma decisão do pai dela.
−Olha se não querem que ela aprenda eu não vou ensinar, mas acho que essa é uma escolha dela, e já vou logo avisando que vou ensinar as crianças, ao menos as minhas, a começar de amanhã e se não se importar vou ensinar o Carl umas coisinhas, como usar uma besta por exemplo.
−Faça isso! Ele me diz e depois se afasta.
Vou ao encontro de Katie e ela jogava cartas com as crianças me sento perto deles e fico assistindo, Carl jogava também, se esforçava para não ficar olhando para Megan mas era visível o quanto aquilo era difícil para ele.
Tyresse me chama e me afasto das crianças seguindo até onde ele e Bob estavam.
−Estávamos pensando, depois do que aconteceu a ronda que fazemos de manhã e no fim do dia pelo lado de fora...
−Eu sei Tyresse o que tem a ronda?
−Duas pessoas é pouco!
−Talvez, mas o objetivo não é enfrentar nada nem ninguém, só observar e voltar a tempo de avisar o grupo se tiver algo errado lá fora.
−Esse é o problema! Tyresse conta – Bob tem treinamento militar, você, Katie e Michonne também são preparados, para essa coisa de seguir rastros, perceber o perigo, o resto de nós é meio que ver para crer.
−Vamos falar com o resto do grupo, saber a opinião deles, mas acho que desde que não atrapalhe a segurança e as nossas saídas podemos sair num grupo maior, só para garantir.
Eu me afasto pensando de onde eles tiraram a ideia de que eu decidia as coisas por ali, tudo que queria era manter minha família segura, nunca quis liderar nada, e não começaria agora, me lembro das palavras de Hershel, o mestre dos magos como Katie o chamara, não eu já tinha responsabilidade demais, aquilo era demais para mim.
Começamos a rotina da noite, depois do jantar subo com os ratinhos e minha pequena, nos deitamos e percebo os pequenos um tanto agitados, agarrados a Katie com os olhos arregalados e assustados.
−Vamos sempre dormir aqui, né mamãe? Nick pergunta.
−O que foi? Ela o abraça e ele se encolhe.
−Se derrubarem a cerca, os zumbis queriam derrubar hoje?
−Temos muitas armas, tudo vai ficar bem.
−Papai, mas e quando saem, o que vai acontecer se tentarem quando vocês dois não estiverem aqui? Megan pergunta.
Eu olho para Katie ela morde o lábio, nervosa sabendo que eles tinham razão em sua preocupação.
−Sempre fica alguém para proteger vocês e nunca demoramos muito.
Ela diz numa tentativa de convencê-los, então penso que precisávamos de um plano B caso realmente isso acontecesse, me lembro da corrente com cadeado que tinha jogado num canto da nossa cela, algo que peguei em algum lugar, estava até com chave, me levanto e entrego a Megan.
−Corram para nossa cela, é distante e segura, tragam todos que puderem e tranquem com isso, vamos achar vocês.
Ela faz que sim feliz por termos dado a eles uma esperança.
−Podemos fazer isso, trazer o Carl e a bravinha, e o Hershel e a Beth! Megan avisa.
−Ótimo, mas o importante é correrem para cá! Katie avisa e depois coloca a corrente e o cadeado próximo a grade – Vai ficar sempre aqui.
Confiantes eles adormecem e depois disso eu e Katie nos olhamos, agora eu podia ver nos olhos dela o medo, eu acaricio seu rosto, beijo seus lábios de leve ela se encolhe nos meus braços, e temos uma longa noite de insônia com medo de que as coisas saíssem do controle, muito antes do que esperávamos.
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