Fim Da Justiça
9 Deveres e Dilemas
Notas iniciais
— Você está louco!? Quem você pensa que é!? Eu estava preste a acabar com—
— Não, você não estava, Sinestro. Acredite, se não fosse o Espantalho para nos informar que aquela “Mulher-Pássaro” não sofreu com os efeitos do gás do medo, você poderia não estar mais aqui para contar história.
Mestre dos Espelhos tentava explicar a situação ao Sinestro, que estava furioso, já que nunca saiu fugido de uma luta que tinha certeza que ganharia. Espantalho informou ao Mestre dos Espelhos, durante a “luta” que teve com a Mulher Gavião, que o gás não funcionou com a heroína. E que por orientação do “Mentor”, Sinestro deveria ser “recolhido”.
— Como ousa? – Sinestro avançou para cima do outro vilão, quando foi impedido.
— Sinestro, não gaste energia à toa.— De uma espécie de rádio, saíra a voz do tal “Mentor”. — Mestre dos Espelhos não passa de um holograma. – No mesmo instante, Mestre dos Espelhos sorriu e desapareceu do recinto. Não se tratava de um lugar conhecido. Havia somente uma mesa e uma cadeira, além do aparelho que transmitia a conversa em cima. Enquanto isso, “Mentor”, como era chamado, prosseguiu com os dizeres: — Seguimos com o que foi combinado. Você já tem o que pediu... Agora, acabou. Volte para onde veio.
— Não é mais o suficiente...
Sinestro fuzilou o rádio ao ouvir a risada do receptor. Não era o tipo de vilão que levava desaforo para casa.
— Sabe de uma coisa, Sinestro? Além de saber o ponto fraco dos meus inimigos, procurei me adiantar e saber também o ponto fraco dos meus... Digamos, temporários aliados. Vai embora, antes que a situação não fique favorável para você.
Sinestro quebrou o rádio e o móvel, ao imaginar uma bigorna gigante amarela que despencara.
— Você vai me pagar... Seja você quem for.
Sinestro não tinha ideia de quem era o solicitante, mas não sairia da Terra antes de obter informações sobre esse “Mentor”. Consultou o anel, que rastreou a localização de onde emanava a voz, durante a conversa. Após ser informado, Sinestro saiu do recinto ao alçar voo.
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Zatanna chegou à Torre de Vigilância e encontrou J’ohn J’onzz exatamente como Batman descrevera. Era uma enorme e ambulante bola de fogo. Sem delongas, a bruxa heroína pegou a seringa que recebera do Homem Morcego e pronunciou algumas palavras:
— Samahc, agapa-es!
J’ohn J’onzz, apesar de não estar mais em chamas, ainda tinha a sensação do fogo percorrer o seu corpo, de dentro para fora. Não aguentava mais gritar de dor e terror. Sua maior fobia o consumia. Nem um oceano apagaria ou acabaria com aquelas chamas.
Zatanna, ao se aproximar do Caçador de Marte, injetou toda a substância que continha na seringa. Aguardou até presenciar a significativa melhora do herói.
— Za... Tanna.
— Oi, J’ohn... Como se sente? – Zatanna o auxiliou a ficar de pé.
— Não estou... Não estou mais queimando. – Observou suas mãos, depois, o seu reflexo num objeto metalino à frente.
— Exato, apliquei óxido de alumínio. Inibiu o efeito do magnésio em seu organismo.
— Como você sabia que eu—
— Não foi eu. Foi o Batman...
— Bem, neste caso... Espere... – J’ohn recebera uma tentativa de comunicação telepática, era Shayera. — Shayera está me dizendo que John Stewart foi atacado por Sinestro no porta-aviões. Preciso trazê-los agora! – Olhou para o painel, o qual estava todo destruído. — Zatanna...
— Já entendi... Leniap, etrecnoc-es aroga!
Com o painel magicamente convencionado, J’ohn pôde trazer Shayera e John Stewart de volta. Eles surgiram na base do teletransportador da Torre.
— Sinestro e Espantalho nos atacaram no porta-aviões! Era uma armadilha para pegar John! E John está com medo! Eu não sei mais o que fazer! – Shayera começou a demonstrar descontrole. — Ele diz que não é digno! Como ele não pode ser digno? Ele acha que eu morri! E que a culpa foi dele! Mas eu não morri, J’ohn! Não morri!
Zatanna se aproximou dos heróis e conjurou:
— Metlov oa lamron!
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— E agora? Ele ainda não voltou... – Mestre dos Espelhos temia que o grande plano não fosse se concretizar por completo. Ponderava ‘n’ motivos, criava inúmeros cenários que justificassem a demora do Coringa em aparecer no local que ele mesmo havia combinado. Estavam também Cara de Barro, Mulher-Leopardo e Penumbra, que observavam a decoração do escritório.
— “Ele” quem? O mentor? – questionou o gosmento, Cara de Barro.
— Não... Outra pessoa. Ele já deveria estar aqui.
— Espera só um pouco... – pronunciou a Mulher-Leopardo, de braços cruzados. — Eu pensei que fôssemos os únicos. Quem mais está na jogada?
— Acredite, você não vai querer saber... – Mestre dos Espelhos recebeu ordens do solicitante que não dissesse a ninguém que o Coringa estava no esquema. Deu-se ao luxo de se deleitar com a situação. Aproximou-se de um monitor e o ligou.
— Eu QUERO saber! – A vilã rosnou para o outro, que a ignorou completamente, ao ouvir a voz do solicitante.
— É como dizem por aí, nem sempre querer é poder, Barbara Minerva. Somente aqueles que possuem as ferramentas certas, é que conseguem o que querem.
— Eu tenho muito mais que ferramentas... Mentooorrrgg... – Agora rosnava para a tela, que nada mostrava, além de uma tela verde.
— Hm... Mentor?
— É como o chamamos – Penumbra explicou.
— Belo codinome...
Mulher-Leopardo não aparentava paciência para aquela conversinha fiada, resolveu encerrá-la e tratar o assunto do qual lhe era de mais interesse.
— Tá... Quero saber só de uma coisa. O que te pedi, já está—
— Sim, Mulher-Leopardo, aliás, de todos vocês.
— Finalmente. Não que eu negasse a vantagem de ser feito de barro... Mas, quero voltar a forma normal – Cara de Barro se justificou.
— Eu prefiro ser como sou. – Mulher-Leopardo esnobava o desejo do colega gosmento.
Penumbra e Mestre dos Espelho nada disseram.
— Foram recompensados por agiram bem. Por enquanto, não podem dizer a ninguém sobre absolutamente nada, até recebermos a confirmação de que o plano foi concluído. Agora, vão viver suas vidinhas medíocres de antes... Ou sumam daqui.
O monitor desligara sozinho, encerrando a comunicação.
— Por que todo esse mistério? Ele ainda duvida da gente? – Penumbra questionou ao Mestre dos Espelhos a razão de manter sigilo.
— Oh, não... Acredito que está satisfeito, como nós estamos. Mas precisamos agir com cautela ainda. Falta somente a última parte do plano.
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— Que foi o seguinte; ele jogou, numa espécie de aerossol, aquele gás em mim e se escondeu. Quando o achei, só dei um golpe de clava na cara dele. Adivinha quem apagou primeiro? – Shayera contava sua “grande luta” contra o vilão Espantalho para J’ohn e Zatanna. John Stewart também estava ouvindo a conversa, mas tinha a mente ocupada.
— Ele só não contava que os efeitos do gás do medo demorariam mais em você – explicou J’ohn.
— Pois é, nem eu sei explicar isso. Sinestro estava junto... Foi ele que atacou John... E tem mais uma coisa.
— O que mais? – Zatanna ponderava se devia contar aos outros o que realmente estava acontecendo.
— Lex Luthor também está metido nisso de alguma forma.
— Por quê? – J’ohn questionou.
— John estava com uma réplica minha nos braços, acabei arrancando a cabeça do robô tentando tirá-lo de John. Foi quando vi o logotipo da LexCorp em um dos fios. Agora, me faço a seguinte pergunta: por que diabos teriam todo o trabalho de fazer uma réplica minha para enganar o Lanterna, se não estivesse envolvido no ataque ao porta-aviões?
— Se tratando de Lex... Podemos esperar qualquer coisa – John, que até o momento estava calado, pronunciou.
Zatanna estava diante de um enorme dilema. Soubera, pelo próprio Batman, que fizera planos contra todos os membros da Liga. O cavaleiro das trevas só não entrou em detalhes sobre o assunto, já que não fora uma boa hora de convencê-la de seus motivos, precisava salvar Diana. Porém, o pior de tudo, era saber que esses planos foram roubados e usados contra os respectivos heróis. Zatanna não sabia que jeito contar aos colegas que Batman, um dos fundadores da equipe, fora o mentor dos tais planos. Mas, ainda assim, achava que todos deveriam saber. Contudo, temera suas reações. Por fim, usou o bom senso, resolvera deixar para o próprio contar. Zatanna ponderou que, como seus planos foram expostos indevidamente, Batman teria uma explicação plausível para tudo isso e sobre o motivo da criação. Ela torcia para que ele realmente tivesse um bom motivo.
— Podemos resolver isso depois. Precisamos ir à Metrópolis. Superman... Ele levou um tiro.
— O quê? – John, que estava sentado, se levantou quase num pulo.
— Levou uma bala no peito. Feita de kryptonita. Batman foi verificar Diana, Flash também foi atacado, mas agora está a caminho dos Laboratórios S.T.A.R para fazer um bisturi que possa cortar a pele de Superman.
— Então, não fomos os únicos? – J’ohn franziu a testa ao perceber a expressão de Zatanna, teve a impressão que ela escondia algo.
— Tudo indica que todos membros principais da Liga foram alvos de ataques simultâneos. Não sabemos ainda quem foi o responsável por essas ações.
— Batman. – J’ohn observou a bruxa à sua frente, que sobressaiu com a firmeza dita. Teve certeza que ela ocultava alguma coisa que Batman, muito provavelmente, sabia também. Porém, não insistiria no assunto agora. Superman precisava da ajuda de todos. Concluíra com os dizeres: — Talvez, ele saiba quem foi o autor dos ataques.
— Certo... É, talvez. Agora, você precisa estar pronto para realizar uma cirurgia de emergência, okay? – Zatanna caminhou em direção ao teletransportador. Fora acompanhada pelos outros.
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— Porra, Batman! Você demorou! A qualquer momento, ela terá um ataque cardíaco – Trevor esbraveceu ao ver o herói. Ou poderia ter sido o susto que levara por só percebê-lo quando estava praticamente ao seu lado.
— Você disse que a Mulher-Leopardo a atacou? – Batman agachou, apoiava-se com o joelho esquerdo, ao lado de Diana que continuava deitada e inconsciente. Tirou do cinto um pequeno aparelho. Trevor, que estava a uma relativa distância da princesa amazona, viu a necessidade de se afastar.
— Sim... Mas pensei que você não estivesse afim de ouvir.
— Quanto tempo ela está assim?
— E-eu não sei... Uns 50 minutos, 1 hora... Se você tivesse chegado mais cedo, talvez, ela não teria ficado assim por todo esse tempo. – Trevor estava visivelmente incomodado com a cena, enciumado, ele admitira. Por isso, toda a ironia. Mas ficara em pé, observando cada movimento do sujeito, enquanto relatava o que acontecera no restaurante ao soturno herói, que manuseava um estranho aparelho que transmitia um ruído quase inaudível. Diana reagiu ao som enrugando a testa. — E aquela Mulher-Leopardo não estava sozinha. Eu tive o desprazer de conhecer um cara esquisito... Não que você não seja, mas ele manipulava sombras com a bengala, sabe? Tem alguma ideia de quem ele possa—
— Penumbra.
— Hm... É... Foi disso mesmo que ele se chamou. Bom... E agora? Ela vai ficar bem?
Diana acordara muito agitada, parecia estar ainda em combate. Batman quase não conseguiu segurá-la. Rapidamente, apanhou uma seringa e injetou no braço de Diana.
— É um tranquilizante forte, porém, está em dose mínima. Não quero que perca a consciência.
— Entendi... – Trevor respondeu como se a conversa tivesse sido direcionada a ele. Por fim, percebeu que o Morcego dialogava com Diana. O major se aproximou para auxiliá-la, já que a princesa procurava enfocar sua visão. Numa atitude infantil, procurou ser o alvo.
Diana sentia-se exausta e perdera a noção do tempo. Pois tinha a impressão que lutara a noite toda contra a sua arqui-rival, Mulher-Leopardo. Mas, agora, não via nada além de borrões à sua frente. Até que, quando algo foi-lhe aplicado no braço, instantaneamente, a capacidade de seus sentidos, como a visão, audição e até mesmo o tato, voltara ao normal. Focou-se num vulto escuro à sua frente, que revelava-se o herói sombrio que conhecia.
— B-Batman... – Diana franziu o cenho ao vê-lo. — O que está fazendo aqui?
— Você foi—
— A Mulher-Leopardo, anjo. Te atacou, se lembra? – Trevor atravessou a conversa. Diana olhou para o major, que ofereceu sua mão para que a levantasse. Batman se afastou, deixou que o enciumado homem fizesse aquilo que queria. Mostrar-se útil para a mulher que içava um bloco de concreto com uma única mão. — Então, chamei o esquisito aqui para nos dá uma mão. Você não acordava, fiquei preocupado.
Diana ajeitou seus braceletes, voltando-se a falar com o Homem Morcego.
— Pode me dizer o que está acontecendo? Por Hera, eu lutava contra ela neste momento...
— Na verdade, lutou até Mulher-Leopardo te ferir. – Diana e Trevor olharam para o ferimento no ombro da amazona. — Foi assim que nano robôs entraram em sua corrente sanguínea, rapidamente, em direção ao seu tronco cerebral. Com a função de fazê-la acreditar que lutava contra a Mulher-Leopardo, ou contra outro inimigo a altura, mesmo estando inconsciente. Seu cérebro e corpo funcionariam como se, de fato, estivessem em combate. E ambos sucumbiriam devido ao estresse e exaustão expostos.
— Quer dizer que ela estava sonhando esse tempo todo? Nossa... Você é bom mesmo, hein, Morcego! Nem imagino como você descobriu isso, mas agora você pode ir, ela ficará bem – dizia Trevor, enquanto apontava a saída.
Ignorando totalmente sua presença, Batman prosseguiu:
— Diana, Superman foi baleado.
— Como isso foi possível!? Quando?
— Você não foi a única a ser atacada. Mas ainda dá tempo de salvá-lo. Preciso que venha comigo à Metrópolis.
Batman caminhou até a saída do restaurante sem dar mais explicações. De dentro do recinto, foi possível ouvir o barulho do gancho sendo acionado. Diana olhou para Trevor.
— Eu preciso ir... Mas, obrigada pelo jantar. – Forçou-se a sorrir.
Nada foi dito. Diana saiu e alçou voo, em seguida. Trevor ficou imóvel, diante de algumas pessoas que cochichavam abismadas com, talvez, a presença do Batman de Gotham naquela cidade, ou por terem ouvido que o Homem de Aço havia sido baleado.
Um pouco desnorteado com a notícia, Trevor se aproximou da mesa que sentara com Diana, mais cedo. Tirou sua carteira do bolso da calça, retirou duas notas de 50 dólares e depositou-as na mesa.
Sem dizer uma palavra, caminhou em direção a saída.
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