Filhos das sombras
2 Inesperado
Notas iniciais
PS.: Emma narra esse capítulo.
(será Emma-Luce-Emma-Luce e assim por diante ok mimna-san?)
Narração: Emma
Como de costume, acordo antes de todo mundo. Não consigo mais dormir. Olho pela janela tentando ouvir os pássaros cantarem ou algo do tipo. Estou lá, enrolada em minhas cobertas quando ouço um grito. Olho para o lado e minha irmã, Luce, está gritando enquanto dorme. Vou até ela e digo:
— Luce, calma. – digo a ela, enquanto me agacho ao lado da cama dela. – Vamos acordar, já está na hora. – sacudo o seu braço e ela acorda.
- Ahn... já é de manhã Emma? – pergunta Luce, esfregando os olhos.
- Já, você estava gritando. O que aconteceu? – perguntei, sentando-me ao lado dela.
- Eu... Tive um sonho muito estranho. Eu e você estávamos indo para a Rússia e depois apareceu um garoto montado em um cachorro gigante preto... – disse ela.
Meu sangue gelou. Nós duas sabíamos para que levavam as crianças menores de 18 para a Rússia. Luce, que era minha gêmea, ficou me olhando de um jeito estranho, como se estivesse tentando lembrar alguma coisa. Eu toquei o braço dela e disse:
- Relaxe, Luce. Só não conte nada a mamãe disso ok? – disse eu, com medo da reação da nossa mãe.
Nossa mãe, Haya Lee, é uma mulher de 35 anos que todo ano, em Dezembro, fica preocupada conosco, devido ao que acontece aqui, em nosso país. Como não a queria ainda mais assustada, preferi esconder isso dela.
Nós nos levantamos e trocamos de roupa. Mamãe já esta de pé, arrumando o café. Quando nos vê sentar a mesa, diz:
- Já ia acordar vocês. Ouvi um grito lá no quarto, mas ele parou. O que aconteceu meninas ? – diz ela, sentando-se conosco.
- Luce viu uma barata e gritou, mas eu a matei. – minto, embora eu deteste fazer isso.
- Não é do tipo de Luce gritar só porque viu uma barata. – diz mamãe, desconfiada.
- Eu pensei que fosse outro bicho, e estava com sono, então me assustei e gritei. – diz minha irmã, me ajudando com a mentira.
Apesar de sermos gêmeas, eu e Luce só temos em comum nossa face e pele. O cabelo de Luce é de um cacheado perfeito, igual o de mamãe, enquanto o meu é de um liso sedoso. Ela diz que puxei nosso pai, que teve que ir viajar por motivos desconhecidos e nunca mais voltou.
Enquanto tomo café, observo minha irmã. Seu rosto está com os cachos negros colados, por causa de seu suor. Luce tem a mesma cara de “garotinha indefesa” que eu, mas nossos olhos negros assustam qualquer um. Ela, como eu, prefere ficar em casa lendo alguns livros a conversar com pessoas. Como nossa mãe diz, somos anti-sociais.
Amanhã será o “Dia da Colheita”, portanto, não temos aula. Eu e Luce nos aprontamos e caminhamos em direção ao campo. No meio do caminho, ela me pergunta:
- Emma... Sobre o sonho, e se for algum tipo de aviso ? – pergunta Luce, tensa. – Não é o meu primeiro pesadelo essa semana e... eles estão mais estranhos que nos últimos anos.
- Olhe, realmente eu não sei. –digo. Nós duas temos sonhos estranhos, que acabam acontecendo as vezes, ou coisas que já aconteceram no passado. Nunca contamos isso a ninguém, nem mesmo pra nossa mãe — A única coisa que podemos fazer é desejar que isso não seja real.
- Mana... eu estou com medo. – diz ela, com uma cara de quem vai chorar.
- Não fique, Luce. Se isso realmente acontecer, estaremos juntas. – eu a abraço e caminhamos até o campo.
Chegando lá, fomos encaminhadas para cuidar dos patos em vez de colher os alimentos. Eu e Luce vamos em direção aos patinhos e damos comida e água para eles. Estamos lhes dando pedaços de pão , quando ouço uma voz familiar:
- Ora ora, se não são as gêmeas fracassadas. – olho para trás e vejo a pessoa que mais odeio: Sophie Johnson.
Sophie é uma menina metida e mimada, tem olhos verdes e cabelos loiros. Ela se acha por sua família ser rica e ela ser o centro das atenções.
- Quem chamou você aqui? Saia agora. – digo, e largo a cesta de comida.
- Ah, não fique brava. Só vim ver animais dando comida aos lindos patinhos. – ela ri.
- Que eu saiba, não é você que está dando comida aos patos. Está precisando de óculos querida, talvez armações que combinem com sua cara infestada de espinhas cobertas por maquiagem – provoco.
- Ah, não. Acho que você não tem espelho em casa porque quando você olhou pra ele quebrou né? Pode deixar, eu mando outro para sua casa. – diz ela, em um tom de desafio.
- Sophie, saia daqui. – diz Luce, com o rosto vermelho.
- E o que você vai fazer se eu não sair? Vai chamar seu “papaizinho”? Ah, esqueci, você não tem pai. – diz Sophie, dando uma risada estérica.
- Ah, sua... – avanço sobre Sophie, mas Luce me segura antes que eu possa alcançá-la.
- Emma, não vale a pena. Não suje suas mãos com o sangue de cobra. – diz minha irmã, me afastando dela.
- Isso mesmo volte ao seu trabalho porque quem tem que trabalhar são vocês, ou eu diria “vacas”? – diz Sophie, mais posso notar um leve tremor em sua voz fina.
- Emma, eu quero bater nela. – diz minha irmã, se dirigindo a mim.
- Se você conseguisse... Pelo que eu saiba, quadrúpedes não sabem brigar. – Sophie retruca.
- Agora você vai ver sua... – Luce avança em Sophie, mas eu não a seguro.
As duas caem no chão. Elas se puxam, socam, batem e fazem tudo o que é possível em uma briga. Eu apenas observo, porque minha irmã era mais ameaçadora que parecia. Luce consegue arrancar um tufo de cabelo loiro, o que faz com que Sophie grite de dor, e role para o lado. Luce se levanta, limpa a roupa delicadamente, e caminha até mim. Ela diz com uma voz bem equilibrada, para alguém que acabou de sair de uma briga.
- Eu acho que a única quadrúpede aqui é você, Sophie. – diz ela triunfante, com o cabelo louro nas mãos.
Sophie a ignora, se levanta e vem até mim, me jogando no chão. Ela cai em cima de mim e me bate. Rolo e me debato, até conseguir ficar por cima dela, e a soco em todos os locais possíveis, enquanto ela esperneia. Puxo com tanta força o cabelo dela, que consigo arrancar outro tufo. Ela grita, enquanto me preparo para voltar a socar a cara dela. Antes que eu faça isso, mãos fortes me levantam do chão, enquanto eu grito. A voz me era familiar:
- Ei! Que briga é essa meninas? Podem parar! – diz a pessoa, que claramente é um homem.
Ele me põe no chão, e eu observo o rosto seu rosto. É o irmão de Sophie, Lucas Johnson. Eu me viro e digo:
- Bom, pra começo de conversa, estávamos aqui de boa cuidando dos patos quando essa aqui – aponto para Sophie, que está dramaticamente estirada no chão – veio nos provocar.
Lucas não diz nada, apenas olha para mim como se tivesse acabado de perder algo. Não posso deixar de admitir que ele também é lindo. Seus cabelos loiros e olhos azuis penetrantes me deixam sem ar. Ele tem 15 anos, apenas dois a mais que eu.
- Bom, já falei para Sophie parar de arrumar briga por aqui. – diz ele, tentando disfarçar.
Olho para Sophie, enquanto ela se levanta. Está toda arranhada, com algumas marcas roxas e faltando um pouco de cabelo em sua cabeça.
- Acho que isso aqui é seu. – diz minha irmã, entregando o tufo de cabelo loiro a ela.
- Hunf. – Sophie o pega, observa seu irmão com um olhar estranho, e vai embora resmungando.
- Peço que desculpem minha irmã pelo ocorrido. Vocês sabem como ela é. – diz Lucas, me encarando com aqueles lindos olhos claros.
- Ah, sem problemas, mas da próxima vez vai ser pior. – digo a ele.
- Eu vou indo, e Emma... – diz ele calmamente – preciso falar com você... Depois, em particular. Me veja aqui as 7.
- Ahn... – digo, mas ele está longe, atrás de sua irmã.
Luce me zoa pelo resto da tarde, enquanto cuidamos dos patos. Ao anoitecer, vamos pra casa. Me troco e saio sem que minha mãe perceba. Luce sussurra:
— Toma cuidado, tá? – ela solta uma risada.
Mostro-lhe a língua e saio. Lucas havia marcado de se encontrar comigo ali mesmo onde eu e Sophie brigamos. E ele está, todo arrumado, me esperando. Quando chego mais perto, ele sussurra:
- Você está linda. –ele me observa como se eu fosse uma coisa realmente interessante . – Eu precisava falar com você, e é uma coisa que está entalada em minha garganta há algum tempo.
- E... O que é? – pergunto, curiosa.
Ele me encara, e antes que eu possa reagir, suas mãos tocam o meu quadril, me puxando para frente com as suas mãos fortes. Os nossos lábios se tocam, num longo e delicado beijo. Seus lábios estão gelados, devido ao vento frio de Dezembro.
Não espero por isso, mas acabo beijando-o também. Ele se afasta lentamente de mim e pergunta:
- Isso te responde? – sussurra, tomando fôlego.
- Hum... Responde. – digo, puxando-o de novo.
Ficamos nos beijando, quando penso em quanto tempo havia se passado ali. Me despeço, e saio correndo em direção a casa. Assim que chego, minha mãe esta sentada na mesa, com a coluna reta, me esperando.
- Onde você estava, mocinha? – pergunta ela, me encarando.
- Mamãe, eu já te disse que ela perdeu o colar dela – diz minha irmã – e voltou pra procura-lo perto do lago – Luce me lança um ultimo olhar curioso, e vai para a cozinha.
- E você achou, Emma? – pergunta minha mãe, em um tom nervoso.
- Achei sim, mãe. – mostro-lhe o colar que, por um milagre, está em meu pescoço.
- Hum. Não saia assim sem avisar tá? Agora vão deitar que está ficando tarde. Boa noite, meus amores. – diz ela calmamente, dando um beijo na testa de cada uma.
Eu e Luce corremos para o quarto, ela tranca a porta rapidamente, e de uma maneira assustadoramente habilidosa, se joga na cama sem fazer um ruído se quer.
- E aí, o que ele queria? – Ela pergunta, curiosa
- Ele me beijou... – digo enquanto penso no quanto meu rosto deve estar vermelho.
Luce ri e bate palmas, com certeza porque sabia que isso iria acontecer.
- Ah eu sabia! E você gostou né? – ela pergunta, me analisando de uma forma estranha.
- É, ele beija bem, mas você sabe que eu não gosto dele. – digo.
- Então o que você vai fazer?
- Não sei, não quero ferir os sentimentos dele... Vamos dormir que amanhã é um novo dia.
Me acomodo em minha cama e pego meu livro, enquanto Luce também lê o seu, confortavelmente instalada na sua cama.
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