Notas iniciais
A história começa a ficar legal a partir desse capítulo (se é que ficou -_-) hehe' boa leitura mimna-san!

Narração: Luce

Svetlana Warsikov, a nossa querida apresentadora do Dia da Colheita, o dia em que a Rússia seleciona uma família para mandar os seus filhos serem torturados, entra no palco, fala alguma coisa em russo para o produtor e ele lhe traz uma carta. Ela, com suas longas unhas rosas-choque, abre o envelope e diz o nome da família sorteada.
-Familia... Lee! –diz ela com uma voz esganiçada. Apesar de ser russa, Svetlana sabe falar nossa língua fluentemente. – Vocês enviarão suas crianças menores de 18 para a Rússia dentro de 3 dias.
Acordo de repente. Foi apenas um sonho, digo para mim mesma. Respiro fundo, já estou acostumada com sonhos ruins. Principalmente perto do dia da colheita. Nessa semana, já tive vários sonhos, um mais estranho que o outro. Quando olho para o lado, Emma está me observando com um olhar curioso.
- Está tudo bem Luce? – ela pergunta delicadamente.
- Claro – respondo — só mais um pesadelo. O que está fazendo acordada a essa hora Emma?
- Tive um pesadelo também. – falou Emma, assustada. — Sonhei que aquela russa nojenta que vem apresentar o Dia da Colheita tinha sorteado o nome de nossa família.
Meu sangue gelou. Foi exatamente o que eu sonhei. Sempre tivemos sonhos estranhos, mais nunca iguais.
- Emma... – digo, mas minha voz quase não sai – sonhei exatamente a mesma coisa. Svetlana estava lá e... O envelope continha nosso nome.
Emma me encara por um tempo, com seus olhos negros. Ela parece assustada, mas de um jeito delicado, como sempre foi.
- As... unhas dela estavam em um rosa-choque? –Emma sussura.
Fico paralisada por um tempo. As unhas dela realmente estavam em um rosa berrante. Não consigo falar nada. Apenas faço que sim com a cabeça, e sinto lagrimam quentes escorrendo pelo meu rosto.
- Emma... e se isso for realmente verdade? Não quero que nos separem de mamãe. – digo, enquanto seco as lágrimas.
- Tudo bem Luce, não chora. Foi... Apenas outro sonho estranho... como sempre tivemos. – ela me abraça.
Não foi apenas um sonho. Nunca é apenas um sonho e Emma sabe tanto quanto eu, que isso não é verdade. Levanto-me da minha cama quente, calço meus chinelos e vou até o banheiro lavar o rosto. A colheita é exatamente ao meio-dia, então entro no banho. Fico lá, sentindo a água escorrer pelo meu corpo até que minha mãe me chame. Pego minha toalha, e me seco tão devagar quanto posso, enquanto as lagrimas voltam a escorrer pelas minhas bochechas. Vou para o meu quarto, onde encontro a minha irmã esperando para se lavar, e um vestido preto simples pousado em minha cama.
-Mamãe o separou pra você. – diz Emma, já indo para o banheiro.
Me visto. O vestido fica realmente ótimo. É um modelo bem básico, todo preto, e que desce até um pouco acima dos meus joelhos. Ponho um par de sapatos antigos da minha mãe, e saio do quarto pra escovar os meus cabelos. Encontro minha mãe sentada na mesa, esperando eu e Emma para o café.
-Luce, porque demorou tanto no banho? Você nunca foi assim. – ela pergunta.
- Desculpe mãe. — Respondo. – É que estou nervosa.
- Não fique, querida. Há milhares de nomes por todo o estado, nosso nome não vai ser sorteado. – diz ela, mas posso ver o tom de preocupação em sua voz.
- Claro mãe. – respondo, mas ainda sim estou com medo.

Tomo café com calma. Quero demorar o máximo de tempo possível. Emma aparece com um vestido em um tom de cinza escuro, que lhe caia muito bem. Os seus cabelos pingavam.
- Emma, seque seu cabelo direto minha querida. Isso pode te dar um resfriado se sair assim ao vento. – disse mamãe.
Emma faz que sim com a cabeça e vai para nosso quarto, mas percebo que seus olhos estão vermelhos. Ela também está preocupada, porque teve o mesmo sonho. Digo para minha mãe que já acabei e vou para o quarto. Quando chego até lá, encontro Emma deitada em sua cama com o rosto enfiado no travesseiro, soluçando baixinho para mamãe não escutar. Sento-me do lado dela e a abraço.
- Calma Emma. – digo, tentando parecer equilibrada – Tudo bem. Vai secar o cabelo antes que a mamãe te veja deitada aqui molhando tudo.
Ela faz que sim com a cabeça, e se levanta. Bem devagar, ela seca o cabelo.
- Meninas, já são onze horas. Vocês estão prontas? – minha mãe aparece na porta.
- Sim mãe. – respondo. Emma também faz que sim com a cabeça, para mamãe não perceber que estava chorando.
- Oh. – ela entra no quarto – Vocês estão lindas, minhas filhas. Eu amo vocês, não importa o que aconteça.
- Obrigado mãe. Também te amamos. – diz Emma, antes que o silencio fique longo demais.
Saímos de casa com nossa mãe e fomos em direção aonde a apresentadora russa iria sortear o nome de alguma família. Mamãe está atrás, enquanto eu e Emma estamos na frente. Percebi que Emma limpou uma das lágrimas que caía em sua pálida pele. Abracei-a e disse baixinho:
- Emma, eu te amo. Se aquilo for real, estaremos juntas ok? – falei.
- Eu também te amo Luce, mas você sabe que se for verdade, a gente morre. E ainda por cima, publicamente torturadas. E a mamãe vai ser obrigada a ver tudo– sussurrou Emma, mas sua voz quase não saía por causa de seu pequeno tremor.
- Só... Torça para que não seja real ok? – falei.
Emma enxuga mais uma de suas lágrimas e torna a andar novamente. Ao chegarmos ao lugar aonde era realizada “A Colheita”, ainda estavam arrumando os preparativos. Vi Svetlana muito de longe, mas não sabia distinguir se era ela mesma. Com certeza era porque ela sempre usava roupas formais e um chapéu da cor da roupa, e seu cabelo sempre estava armado, com cachos ao alto. Havia milhares de pessoas ali, e as cenas que eu via todo ano me comoveram mais do que nunca. Famílias inteiras se abraçavam e choravam, algumas estavam rezando para não terem que se separar de seus filhos. Nossa, como elas tinham sorte.
Quando o último preparativo foi feito, Svetlana saiu do escuro. Como estava abraçando Emma, percebi que tinha lhe dado uma leve tontura, coisa que sempre acontecia com ela nesse dia. Na hora, percebi o porquê da tontura. Svetlana estava do mesmo jeito que nosso sonhos nos mostrou. Roupa formal cinza e suas unhas estavam de cor rosa-choque. Senti lágrimas escorrerem em meu rosto. Ela falou:
- Bem-vindos ao Dia da Colheita. Como todas as famílias sabem, nesse dia escolhemos 1 família cujas crianças menores de 18 anos tem que ser enviadas para a Rússia dentro de 3 dias. – Svetlana falou, com seu sotaque. Ela falava muito bem nossa língua.
Um homem entrou no palco e entregou a ela um envelope contendo o nome da família e as crianças que teriam que ser entregues. Ela pegou o envelope, e tive a impressão que arranhou o homem com suas garras. Olho para trás e vejo minha mãe olhando para a apresentadora, com a cara de “Você não vai levar minhas filhas”.
Svetlana abre o envelope, e seguro a mão da minha irmã, que está mais pálida do que o normal. Ela abre o envelope e faz uma cara de surpresa. Depois, lança um olhar exatamente para nós duas e abre um sorriso maligno. Emma sussurra “não, não pode ser...” e finalmente, Svetlana fala:
- Família... Lee! – ela diz, como se estivesse alegre com isso. – Vocês devem mandar suas filhas gêmeas... – ela vê o envelope com os nomes escritos. – Luce e Emma Lee para o avião dentro de 3 dias.
Olho para minha mãe. Ela perdeu sua cor e está tremendo. Corro até ela e a seguro, antes que ela caia, minha irmã está chorando e eu não sei o que fazer.

Notas finais
Elas foram as escolhidas para serem torturadas. E agora? O que vai acontecer? No próximo capítulo, que já está por vir *U* (Reviews são aceitas :3)