Pryor acordou sentindo-se tonto, era como se tivessem girado ele cada vez mais rápido por horas, ele lutou para conseguir sentar, Liana estava sentada na parede próxima a entrada da sala, ela parecia estar tão mal quanto ele, os outros vieram ate ele e ajudaram-no a ficar sentado.

Pryor olhou para sua espada com medo de desembainha-la e ela estar quebrada, ele sabia que teria que faze-lo mais cedo ou mais tarde, e era melhor fazer isso logo do que ficar se torturando com possibilidades.

– O que foi? – perguntou Liana encolhendo-se. – O que aconteceu com você para te deixar assim tão triste?

– Durante o treino com a Roberta minha espada quebrou e não foi consertada quando fui falar com Xiruim. – Pryor estava mais triste do que gostaria de admitir. – E segundo ele minha espada pode ter quebrado de verdade.

Todos se olharam, aparentemente confusos por nunca ter acontecido de um objeto quebrar no mundo real por ter sido quebrado naquele lugar, e ele explicou que aquela espada era dele desde antes de aprender a usar uma espada, e era a única coisa que tinha para se lembrar de sua antiga família, seu único vinculo com sua vida passada, a única lembrança que restava de todos com quem cresceu, e ele sentiu um golpe profundo ao ver que a espada realmente estava quebrada.

– Sei que sua espada não pode ser substituída, mais gostaria de dar-te uma espada nova, ela foi forjada por Kalkalieves e era uma das duas espadas preferidas dele, e pertenciam a Xiruim. – disse Tobiro estendendo a mão a Pryor, que pegou e levantou-se.

– Vamos ver como ela é. – disse tentando se animar.

Eles foram ate o deposito onde estavam todos os equipamentos, e no fundo tinham duas espadas em suas bainhas, elas estavam presas na parede, às duas bainhas eram igualmente lindas, uma era branca com desenhos e inscrições pretas, e a outra preta com desenhos e inscrições brancas.

Tobiro pediu para que ele esperasse na entrada da sala onde elas estavam, uma única parede de vidro separava elas de todo o resto das armas, armaduras e equipamentos, ele voltou com as espadas nas mãos e ofereceu-as a Pryor.

Pryor pegou-as uma de cada vez, elas eram incrivelmente confortáveis, e pareciam feitas para Pryor, ele puxou as laminas e admirou-as por algum tempo e então as guardou de volta.

– Sei que só deveria escolher uma. – ele disse, então respirou bem fundo e continuou. – Mais eu poderia ficar com as duas?

– Pode, não tem problemas. – respondeu Tobiro. – Não sabia que você usava duas espadas.

Ele conseguiu sorrir, e pegou-as e amarrou em seu cinto, e então foi andando ate um espaço vazio e sacou ambas ao mesmo tempo fazendo um corte em xis no ar, ele estava feliz por finalmente ter duas espadas, ele era muito melhor com duas que com uma.

Pryor agradeceu e pediu para que pudesse descansar antes de receber sua primeira missão, que ele estava convencido de que seria algo relacionado a vingança dele, e por mais que quisesse se vingar logo ele sabia quais eram seus limites e que ainda iria demorar ate que estivesse pronto para conseguir matar alguém que tivesse matado todos seus amigos.

Tobiro o mandou descansar e não se preocupar que assim que fosse a hora ele seria chamado. Nos dias seguintes ele apenas se preocupou em se recuperar e treinar com as novas espadas, ele treinou com um Sedrur o que exigiu muito dele, lutar com alguém que tinha quatro braços era difícil, principalmente com alguém tão habilidoso.

Já havia se passado uma semana quando Minuli veio mais dessa vez não era para visitar ele e Liana, mais para chama-los para sua primeira missão.

– Depois de treinados, aqueles que desejam entrar para a ordem devem realizar algumas missões simples e então um mais difícil, antes de terem o direito de pedir algo. – explicou Tobiro, ele parecia muito mais saudável do que pareceu em qualquer outro momento desde que se conheceram. – Valq ira acompanha-los em sua missão, ela servira como uma guia.

– Estarei lá para ajudar, mais apenas em ultimo caso, mais o ideal é que eu não precise interferir, por tanto não contem comigo.

– E qual a missão? – perguntou Liana.

– Vocês devem viajar ate Cir, uma vez que chegarem lá vocês devem ir até o maior templo da cidade, e esperem ate que um senhor se aproxime, ele explicara o resto da missão.

– Teremos que arranjar um jeito de chegar lá nos mesmo?

– Sim, daremos dinheiro para que possam se manter, mais quanto a transporte e coisas assim é vocês que terão que arranjar.

– Melhor nos partirmos logo. – disse Pryor

– E qual o nome dessas espadas? – perguntou Liana.

– Elas nunca receberam um nome, Kalkalieves não chegou a viver tempo suficiente, ele morreu na noite em que terminou de forjar ela. – disse Tobiro.

– Vou esta chamarei de Asgul. – falou Pryor pegando a espada branca. – E esta vai se chamar de Zouir. – disse olhando para a preta. – É assim que se fala Liana?

– Sim – ela concordou.

– E o que significam? – perguntou Tobiro.

– Asgul significa O dia mais claro, e Zouir significa A noite mais escura. – falou Pryor.

– E juntas os nomes delas vira Asgul no zouir que significa O portador da justiça eterna. – completou Liana.

Eles se prepararam para sair, pegaram o dinheiro e varias outras coisas, se esconderam embaixo de capas, e saíram, não por onde entraram mais por outro lugar, eles estavam em uma floresta e já era noite.

Liana pegou um mapa e pediu para que Valq os desse a localização deles, ela apontou para um lugar próximo a um grupo de montanhas, eles estavam a quase um mês de Cir, a melhor forma de chegar lá seria indo direto sem fazer desvios para cidades, e se fizessem isso eles levaria bem menos tempo, não levariam mais do que uma semana.

Eles partiram logo em seguida, Valq estava quieta ao ponto de que algumas vezes Pryor achou que ela tinha sumido, ele estava se esforçando para conseguir enxergar mais não estava tendo muito sucesso nisso, a noite era muito densa para que ele pudesse ver qualquer coisa.

– Por que estamos indo durante a noite? – Questionou Pryor. – Seria muito melhor se tivéssemos ido ainda durante o dia.

– Para evitar alguns animais que vivem nesse lado da montanha, e os espíritos só nos avisaram sobre o homem que vamos julgar poucas horas antes de chamarmos vocês. – Respondeu Valq. – E também não tínhamos certeza se era uma boa ideia mandar vocês, já que ainda são inexperientes.

Pryor teve que admitir que eles talvez não fossem a melhor opção, eles teriam que ir em missões próprias algum dia, mais ele se perguntou se não era melhor se estivessem apenas ajudando ao invés de em uma missão onde teriam que conseguir dar um jeito, e de preferencia sem a ajuda de Valq, de resolverem os problemas que surgissem.

Liana e Valq precisaram fazer algum esforço, não tanto quanto Pryor, mas ainda sim estavam com alguns problemas, eles caminharam por algumas horas, e pararam para descansar pouco antes do nascer do sol, Pryor e Valq ficaram de guarda primeiro, eles conversaram um pouco e depois Valq dormiu e Liana a substituiu.

Assim que todos já estavam em condições de seguir viajem eles partiram, o percurso foi em grande parte quieto e silencioso nenhum deles estava com muita vontade de conversar, os primeiros dias haviam tido tempo bom, mais faltando três dias para chegarem a Cir tinha começado a chover.

Já era noite, a chuva estava forte e a escuridão da noite era desfeita pelas luzes da cidade, Pryor respirava pesadamente e tentava descobrir de onde viria o próximo ataque, ele tinha se separado de Liana e Valq durante o ataque, e não tinha nenhuma ideia de como faria para acha-las, mais no momento ele tinha coisas mais imediatas com as quais se preocuparem, não poderia simplesmente sair andando as cegas procurando elas.

Ele estava caminhando com o rosto coberto de modo que mal seria possível ver seu rosto mesmo que estivesse sendo banhado pela luz do sol, tentando controlar a respiração e lutando para conseguir enxergar algo, ele estava parado em uma poça de lama quando ouviu um barulho e logo em seguida foi atacado, varias flechas passaram raspando por ele, uma raspou o braço e outra a perna dele.

Ele avançou pela escuridão e tentou conseguir qualquer coisa que desse a localização de onde estavam escondidos os seus inimigos, depois de alguns segundos ele ouviu outro barulho, mais infelizmente era bem atrás dele, Pryor levou as mãos as espadas por instinto.

– Largue a arma. – falou o homem atrás dele pronto para atirar em Pryor.

E ele não hesitou em solta-las do cinto, ele precisava achar alguma coisa que desse a ele a vantagem, mais não tinha nada exceto por um graveto que estava muito longe, antes que ele conseguisse tocar no graveto já teria levado uma flechada.

Um segundo homem veio para pegar as espadas, e essa era exatamente a chance que ele precisava para resolver as coisas, ele girou o corpo e sacou as espadas, o homem que tinha tentado pegar as espadas dele avançou com um golpe de lança, mais Pryor foi mais rápido e saltou ficando próximo do homem e atravessando-lhe o tórax e o pescoço.

Pryor usou o cadáver como escudo e foi se aproximando, quando estava perto o suficiente para jogar o corpo para o lado, e atacar o atirador, mesmo sem espada o homem lutava bem, ele bloqueava as investidas de Pryor mais não tinha condições de atacar e nem de pegar a espada para defender-se, tudo que tinha era o arco que estava usando para se defender, mais era só uma questão de tempo ate que Pryor finalmente conseguisse quebrar o arco.

Os minutos se arrastaram lentamente naquela batalha exaustiva e sem sentido, Pryor tentava se controlar toda vez que atacava com o braço esquerdo, que tinha machucado durante a primeira luta ao tentar bloquear o primeiro ataque.

Mesmo exausto Pryor levou vários minutos para que finalmente fosse capaz de matar o segundo homem. Ele continuou andando com mais cuidado para que não fosse notado outra vez, quando começou a ouvir o barulho de um rio ele correu na esperança de encontrar Liana ou Valq.

Mais ao invés disso o que ele achou foi um Jauat devorando a carcaça de um leão a fera tinha o focinho manchado com o sangue, ele foi recuando com toda a atenção voltada a ao Jauat, Pryor estava tão focado em não atrair a atenção do Jauat que não notou um pequenino filhote de lince, até que pisou numa das patas do pobre animal, que grunhiu alto o suficiente para chamar a atenção do Jauat.

– Pryor seu idiota preste mais atenção. – falou ele repreendendo a si mesmo.

Pryor queria correr mais sabia que não teria tempo para isso, ele seria pego assim que desse as costas ao animal, a fera veio correndo e parou a pouco mais de um metro dele e começou a rugir.

Pryor ficou desesperado, então teve um ideia louca, louca mais era tudo que ele tinha naquele momento, era a única chance dele de sobreviver e ele se agarrou a ela com todas as forças, e gritou de volta, tão alto quanto conseguiu.

Após algum tempo Pryor não tinha ideia se seria capaz de continuar aquela disputa louca, mais por sorte o Jauat cansou antes dele, e começou a recuar, a tentação era de atacar o animal era grande, mais ele sabia que se fizesse isso morreria, mesmo que não estivesse tão acabado provavelmente não duraria mais que alguns segundos.

Depois de ter certeza que o Jauat tinha ido embora ele foi se arrastando ate uma arvore próxima e deixou-se cair na base da arvore, ele lutou por um longo tempo, ele não podia dormir tão exposto e desprotegido, o corpo dolorido estava enviando uma mensagem que Pryor odiou, tinha chegado no limite, não poderia lutar nem uma única vez sem ter um bom descanso antes, ele tentou se manter acordado mais não poderia fazer isso para sempre, ele tinha que descansar e foi o que o corpo dele o obrigou a fazer.

Pryor sonhou que estava em uma espécie de sala do trono, era enorme, e no final tinha um trono feito de gelo, o trono era irregular e cheio de espinhos, no topo de cada um dos espinhos estava uma enorme gema, atrás de Pryor estava Xiruim só que muito mais novo e acabado, cheio de ferimentos e ensanguentado.

Então um homem apareceu, e começou a cuidar de Xiruim, eles conversavam em uma língua que Pryor não conhecia, era a língua humana disso ele tinha certeza, pois conseguiu reconhecer algumas poucas palavras, era a língua humana de séculos atrás, uma versão muito mais arcaica da que Pryor conhecia.

– Esse foi o dia em que meu irmão e eu nos tornamos governadores. – disse Xiruim.

Pryor procurou por ele mais não viu nenhum sinal de sua presença, o único Xiruim que ele via era o de séculos atrás, então a voz soou na mente de Pryor outra vez.

– Depois disso por séculos meus descendentes foram os lides da Ordem, e os de meu irmão reinaram e cuidaram de nosso povo.

– Então sou parente de Tobiro?

– Não, como eu disse foram, alguns séculos atrás isso mudou, meu único descendente que estava na ordem foi morto, e o descendente de meu irmão também. Nobres, moradores e qualquer um que estivesse no reino naquela época, e que tivesse qualquer nível de parentesco conosco foram executados.

Pryor estava confuso, quem teria conseguido descobrir quais pessoas eram descendentes de Xiruim e do irmão dele? E como?

– Quando chegar a hora você saberá Pryor, estou mostrando isso para você pois creio que um dia poderá lhe ser útil.

– Como você consegue falar da mesma forma que eu se morreu a tanto tempo?

Xiruim riu, com a pergunta, mais parecia já esperar por ela. – Meu corpo foi que morreu mais minha consciência ainda vive, então naturalmente posso me adaptar as coisas que acontecem redor do mundo como me adaptaria se fosse vivo igual a você. Agora tenho que deixar você voltar, estou próximo ao meu limite e ficar dormindo da forma como você esta é perigoso.

Então tudo começou a se desfazer como se fosse feito de areia, o castelo, Xiruim e seu irmão, tudo começou a se desfazer, e só então Pryor notou que ele não podia ver o próprio corpo, era uma sensação estranha, era como se ele estivesse e não estivesse lá ao mesmo tempo.

Quando Pryor acordou estava se sentindo melhor, e o sol já tinha nascido, uma cobra estudava o local procurando presas em potencial quando uma águia desceu dos céus e num único instante levou a caçadora agora como caça para longe.

Pryor levantou-se com certa dificuldade e foi caminhando ate um rio próximo, depois que ele já tinha bebido agua ele olhou ao redor procurando por algo para comer, ele viu uma pequena fruta parecida com uma maça só que essa era rosa, ele foi ate a arvore e golpeou o tronco com a espada ainda embainhada, derrubando algumas das frutas e espantando os pássaros.

Enquanto comia ele viu alguns macacos e teve a ideia de usa-los para achar Liana, ele não sabia falar com animais mais ela sim e ele tinha certeza que animais entendiam o que pessoas falavam.

– Ouçam tem uma Kaugag nas proximidades. – disse ele se aproximando bem de vagar e com cuidado. – Preciso que a encontrem, ela é uma amiga, e digam para ela me encontrar na cidade. Se fizerem isso quando chegarem lá, vou dar essas frutas para vocês, vocês gostam dela não é?

Ambos acenaram com a cabeça e saíram correndo, subiram uma arvore e foram saltando de uma arvore para a outra através dos galhos, Pryor esperava que eles tivessem entendido tudo que ele tinha dito e conseguissem achar Liana, e que Valq tivesse tido a mesma ideia que ele.

Pouco depois ele tinha chegado na cidade, e próxima aos portões estava Valq, com alguns ferimentos mais nada grave e com o braço esquerdo enfaixado, mais sem nenhum sinal de Liana, ele foi em direção a ela, passando no meio da fila que se formava, e indo em direção a ela que estava encostada nos muros da cidade.

– Algum sinal de Liana? – perguntou Valq levantando a cabeça e olhando na direção de Pryor.

– Nada. – respondeu ele. – Pedi para alguns macacos levarem uma mensagem para ela, pedindo que ela visse para o portão da cidade, tem como achar ela por magia?

– Acabei de tentar achar vocês, procurei por você e você estava quase aqui, mais ela não consigo achar ela.

Eles esperaram por alguns minutos tentando decidir por onde começariam as buscas, Pryor concluiu que era melhor pedir a ajuda dos animais, já que eles tem uma boa relação com todos os Kaugags, eles provavelmente iriam aceitar ajudar a achar Liana.

Valq mostrou o ponto onde elas se separaram, era próximo a uma montanha, e concluíram que talvez ela tivesse ido se abrigar na base da montanha, assim que Pryor começou a procurar por animais para que pudesse pedir para que repassassem a mensagem para todos os outros das redondezas, ele viu Liana, ela estava em pior estado que Valq mais melhor do que ele estava antes de pegar no sono, ela parou perto da fila e se apoiou em uma arvore exausta.

Pryor correu ate ela, e ajudou-a a continuar caminhando ate Valq que tinha começado a tirar varias ervas de sua sacola com os suprimentos.

– O que aconteceu com você? – perguntou Valq.

– Depois que nos separamos vaguei procurando vocês, e fui encurralada em uma clareira, eram uns cinco homens, esses eram mais agressivos que os anteriores, eram capazes de criar estratégias, nada de muito inteligente mais mesmo assim deram trabalho. – contou Liana. – E vocês, o que aconteceu? – perguntou Liana.

– Depois que me separei de você eu resolvi vir ate a cidade, na esperança que vocês tivessem a mesma ideia que eu, usei magia para me curar enquanto descansava há alguns minutos daqui, e fiquei procurando por vocês. – disse Valq.

Pryor contou o que tinha acontecido com ele, e elas ficaram perplexas quando ele contou como tinha evitado ser devorado por um Jauat, ele decidiu não contar o sonho, achou ser o melhor a fazer, e ainda não queria contar nada sobre ser descendente de Xiruim.

Depois que Valq terminou o tratamento de Liana, eles entraram na fila, conseguiram entrar na cidade sem problemas, foram ate uma pousada e deixaram suas coisas lá, tinham ficado cada um com um quarto, tinham se separado assim que entraram na cidade, Liana e Pryor seguiram Valq ate a pousada, e se hospedaram com intervalos de tempo, decidiram descansar, eles se comunicavam usando uma pequena pedra que tinham ganhado de Valq, as pedras tinha sido enfeitiçada para emitir mensagens para quem a segurasse, eles podiam usa-las em qualquer lugar, bastava pensar no que queriam falar, e isso chegava aos outros.

Tinham escondido elas junto de suas roupas, usando pedaços de cordas para amarra-las, resolveram tirar o dia para descansar, o que Pryor agradeceu, por mais que tivesse dormido e seu corpo estivesse bem, ele estava exausto mentalmente, isso nem o sono nem Xiruim tinham curado.

Ele dormiu assim que tocou a cama, mais ele estava tão em alerta que acordava com qualquer barulho que faziam, certa vez quase atacou uma hospede, que tinha errado o quarto, quando ela tentou forçar a porta achando que estava com algum problema. Liana e Valq também estavam exaustas e feridas, e tão em alerta quanto Pryor.

Eles não conversaram muito, apenas confirmando com regularidade que estavam bem, apesar do sono que era interrompido, coisa que acontecia com certa frequência, eles conseguiram descansar.

No dia seguinte estavam bem melhores, as poções de Valq tinham feito efeito nela e em Liana por tanto estavam bem outra vez, eles circulavam pela cidade, os três com capuz escondendo o rosto, e por sorte ninguém parecia se importar com isso, muito menos pareciam notar eles, seguiram Valq pela cidade mantendo distancia suficiente para que não a perdessem de vista.

Eles seguiram ate o local que Tobiro tinha indicado, era um templo enorme, a única parte da cidade fora o centro que parecia ter sido bem planejada, o resto da cidade era cheia de ruas estreitas e irregulares, certos trechos eram impossíveis de serem usados por quase todos, as casas eram pequenas e tinham tetos baixos.

Um homem velho saiu, era um Lukom, tinha a altura de uma criança humana, a única coisa que tornava evidente a idade avançada era a bengala que usava, e o fato de andar com as mãos nas costas, para Pryor era difícil acreditar que alguém parecia tão jovem com a idade que o homem deveria ter.

Eles se aproximaram de Valq que ficou parada, esperando pelo Lukom, que passou direto por eles, e se dirigiu a um beco, e entrou em uma casa por uma porta pequena, e que para o alivio deles não era a porta principal, e sim uma parte que deveria ter sido adaptada para o dono da casa.

– Sejam bem vindos senhores. – disse o Lukom de voz rouca. – Sintam-se a vontade para me perguntarem o que quiserem, aqui ninguém vai nos ouvir. – ele apontou para a madeira no topo da porta, e em seguida das janelas, e disse. – Elas são minha segurança a única que tenho, e a única que preciso.

Depois de se apresentarem, o primeiro a perguntar foi Pryor, ele perguntou como fariam para entrar e onde tinham que invadir.

– Prazer meu nome é Goirom. – apresentou-se ele, notando que ainda não o tinha feito. – Vocês vão procurar por um homem, um Lukom de cabelos e barba brancos, ele tem uma barba que vai ate os pés. – respondeu calmamente. – Vocês já foram ate o centro da cidade?

– Sim. – respondeu Liana. – Teremos que invadir o palácio?

– Não, vocês devem ter notado que próximo do palácio tem uma grande propriedade, é ela que vocês vão invadir.

– E qual o crime pelo qual ele é acusado?

– Ele matou a esposa gravida, e o filho pequeno deles.

Pryor não conseguia acreditar que alguém fosse capaz de tal ato, não sem estar sobre efeito de alguma substancia, mais isso não diminuía sua culpa, na verdade só piorava a situação do Lukom.

O senhor foi ate uma mesa no canto da sala, e todos o seguiram, ele mostrou a planta da casa, ela parecia ainda maior, ele apontou para uma serie de lugares e disse em quais horários cada uma das janelas e portas estaria sendo vigiadas, e quantos guardas tinham em cada uma.

Pryor perguntou como ele sabia de tudo aquilo, e o homem disse que tinha trabalhado lá e sairá poucas semanas antes da tragédia, ele instruiu eles como deveriam se locomover de forma que evitariam os guardas.

Após receberem cada uma das instruções do senhor, este se retirou e disse que eles poderiam permanecer pelo tempo que fosse necessário, e sumiu na escuridão da noite.

Pryor queria ir naquela noite mesmo, mais tinham que planejar as coisas, e tinham que checar se não tinham mudado os horários ou reforçado a segurança.

Nos dias que se seguiram eles revessaram checando cada horário, não podiam deixar nada passar, o ideal era que eles pudessem entrar e chegarem ate o Lukom sem que ninguém os visse, e depois disso as coisas ficariam mais fáceis, a não ser que alguém achasse o corpo antes de eles saírem da cidade.

Depois que tinham estudado cuidadosamente toda a rotina dos guardas e de todos que trabalhavam ou viviam lá, eles planejaram tudo, foram ate a frente da propriedade e se separaram.

Pryor e Liana seguiram pelo jardim esquerdo, e entraram por uma das janelas, como eles previam não tinha ninguém, eles foram na direção das escadas, mas tiveram que se esconder em um quartinho, duas mulheres vinham conversando, e foram na direção das escadas.

– E agora? – perguntou Liana num sussurro quase inaudível.

– Vamos esperar mais um pouco e se não ouvirmos ninguém continuamos com o plano. – respondeu Pryor sussurrando tão baixo quanto ela.

Eles ficaram em silencia por algum tempo, quando acharam seguro saíram, por sorte um guarda tinha acabado de passar por eles, e Pryor saltou na direção dele, e derrubou-o com um único golpe, Liana ajudou-o a levar o homem ao quarto onde eles tinham se escondido, e subiram as escadas, os corredores eram escuros, mal tinham como ver qualquer coisa, fora a luz da lua quase não tinha nada iluminando aquele lado da casa, por isso eles tinham decidido ir por lá, mais estavam se perguntando se essa era mesmo uma boa ideia.

No meio do caminho para o terceiro andar eles viram dois guardas, mais infelizmente os guardas também os tinham visto, Pryor pegou uma das facas que tinha passado a levar com ele e a atirou, pegou bem na coxa mal protegida do homem, com isso ele descobriu que as armaduras eram de péssima qualidade, pois a faca tinha atravessado a armadura e agora o sangue pingava da adaga que tinha sido arrancada de qualquer jeito da perna dele.

A iluminação começava a ficar melhor poucos metros a frente de Pryor, mais eles já estavam próximos o suficiente do primeiro par de candelabros para que fossem razoavelmente iluminados, um dos guardas começou a recuar mais o outro, o que Pryor tinha acertado com a faca, o segurou pelo braço.

– Vamos capturar esses invasores nos mesmos. – disse o homem que segurava o companheiro pelo braço, o outro homem o olhou com um olhar meio assustado, era um Kaugag jovem. – Vamos Karum não tenha medo. – disse o homem. – Você deve ter medo ate da sua própria sombra. – zombou.

– Não sou medroso Dimum. – disse Karum. – Só estou fazendo o que me ensinaram.

– Te ensinaram a ser um covarde medroso? É isso que eles ensinam no exercito agora?

– Na... Não é isso... – tentou explicar Karum, mais ele estava nervoso de mais.

Eles não notaram que Pryor e Liana estavam se aproximando com calma ate que já estivessem a apenas alguns metros de distancia, agora não tinham escolha teriam que lutar sem reforços, Dium deu uma rápida bronca em Karum, afirmando que por culpa dele quase tinham sido pegos de surpresa, e avançou na direção de Pryor.

Pryor chegou para trás, e enterrou Asgul na coxa direita do homem que berrou, e tentou ataca-lo, mais não teve tempo, Pryor puxou Zouir e acertou com a ponta do punho, Liana estava olhando para Pryor com o jovem Kaugag já inconsciente aos pés dela.

– Vamos? – perguntou ela.

– Melhor, ele fez muito barulho, logo alguém deve estar aqui procurando ele. – disse apontando para Dium. – Tem muito sangue, não vai adiantar esconde-los.

– Verdade, melhor irmos logo antes que alguém venha então. – falou Liana.

Eles continuaram a subir, a medida que avançavam na direção de seu alvo eles tinham que parar mais vezes por conta de guardas, era cada vez mais difícil avançar, mais por fim eles conseguiram chegar na porta do quarto do Lukom, e Valq esperava por eles em um quarto não muito distante, ela correu e se juntou a eles.

– Vamos acabar com isso de uma vez. – disse ela nervosa. – tem muitos espíritos nessa casa, e a maioria não são muito amigáveis.

Eles concordaram e invadiram o quarto, que apesar de ter uma porta ate que pequena, era enorme, o velho Lukom estava com algumas mulheres, de varias espécies, eles ordenaram que elas saíssem de lá, e pediram para que Valq as trancassem em algum cômodo, elas protestaram, mais logo se calaram quando Pryor puxou as espadas e perguntou se elas queriam ficar e ter o mesmo destino que o velho.

Todas elas foram sem tentar nada, pouco depois Valq voltou, o velho tentava convence-los de sua inocência, ele disse que tinha parado de vender pessoas e animais no mercado negro, que tinha mudado desde a ultima vez que a Ordem tinha ido atrás dele.

– Vejam sou um bom homem agora. – disse ele. – Podem perguntar para qualquer um dos meus empregados.

– Calado. – ordenou Valq. – Por que ainda não o mataram?

– Nos estávamos esperando você voltar. – explicou Liana.

O homem se encolheu e recuou, ao ver Valq, ele agarrou a lateral do corpo, ela olhou para ele com friamente, e disse que ele tinha tido uma segunda chance, e que o crime pelo qual era acusado não era um que permitiria que ele recebesse uma segunda chance mesmo que aquele fosse o primeiro encontro com ele.

Pryor ouviu toda a historia que Valq contou sobre como ele tinha prometido mudar se o deixassem vivo, e quando ela terminou de falar, ele guardou as espadas e andou ate ficar de frente para o homem.

Ele disse que não doeria e que seria um corte limpo, não para que o homem não sentisse dor mais sim por que ele não era digno de ter o sangue maculando as laminas de Pryor, muito menos era digno de lutar pela vida ou qualquer coisa assim, ele merecia ter qualquer que fosse o destino que tinham os mortos, de uma vez.

– Vermes como você não merecem ficar nesse mundo. – falou Pryor, e com isso ele decapitou o homem. Com um corte rápido, limpo.

O corpo caiu para frente e Pryor saltou para o lado para evitar que o sangue respingasse nele. Liana olhava para ele perplexa, com a frieza dele, naquele momento ela entendeu que ele tinha falado serio, na noite em que se conheceram Pryor tinha dito que faria qualquer coisa que precisasse para conseguir sua vingança, e agora ela via que ele estava falando serio.

Mais ela também entendia que para alguém que tinha entrado em um grupo daquela natureza era algo necessário, ou não aguentaria muito tempo lutar contra o remorso, e a culpa.

Eles saíram correndo, voltaram pelo caminho que Liana e Pryor tinham vindo, quando chegaram no segundo andar eles abriram uma janela, era arriscado pular com tantos guardas nas proximidades, eles tinham demorado mais do que deveriam, Valq lançou um olhar furioso para Pryor, que se desculpou, tiveram que descer para o primeiro, por sorte não encontraram com ninguém, e entraram em uma quarto no fim do corredor e saíram por ele, na parte de trás da propriedade não tinha ninguém, mas isso não queria dizer que eles podiam relaxar.

Eles correram ate o muro que era pequeno o suficiente para eles escalarem, quem construiu devia pensar que ninguém era louco o suficiente para tentar invadir o lugar, e eles agradeceram por isso.

Correram na direção da casa, pegaram tudo que tinham deixado lá, pois só atrapalharia se levassem na missão, e apagaram qualquer indicio de que eles tinham estado ali o mais rápido que puderam, Valq usou magia para garantir que magos não conseguiriam persegui-los.

Eles foram para o portão da cidade, que já estava fechado, mais isso não era problema, eles já tinham subornado os guardas para que deixassem eles passar, sem perguntar nada.

Eles foram ate o topo da muralha da cidade, e usaram cordas para descer a noite estava linda, havia muitas estrelas no céu, e Pryor se perguntou o porquê de tantas estrelas aparecerem justo em uma noite como aquela, depois de se esconderem por tanto tempo.