Filhos da Ordem Chamas da Justiça
13 Capítulo 13
Eles correram pela floresta, tinham que conseguir ganhar a maior distancia que pudessem, não tinham mais tempo para parar e descansar por um bom tempo, as vidas deles estavam em risco, assim que os guardas concluíssem que eles não estavam mais na cidade começariam a caçar eles, com os melhores magos e animais de caça que tivessem.
Eles tinham matado um dos homens mais poderosos do lugar não iriam se safar assim tão facilmente. Eles correram, pararam na margem de um rio apenas para tomarem folego, já estavam muito longe do reino, nem mesmo eram capazes de ver as luzes dele no horizonte, mais ainda não se sentiam seguros, beberam um pouco de agua do rio, e comeram frutas das arvores próximas, assim que tinham se recuperados eles resolveram avançar.
Eles encontraram com dois cavalos, e Liana pediu a ajuda deles, que prontamente deixaram que eles os montassem, mais Pryor não poderia guia-los, eles se recusavam a deixar que qualquer homem os guiasse, então ele montou e agarrou a cintura de Liana.
Os cavalos eram rápidos, Pryor tinha certeza que se os visse em uma pintura com a exata aparência que tinham enquanto corriam, eles seriam os mais belos e majestosos animais, para Pryor parecia impossível que algum ser fosse tão veloz e tão gracioso, mais depois de viajar naqueles garanhões ele não questionaria tal possibilidade. Eles pararam perto de uma cadeia de montanhas e Liana traduziu o que eles disseram.
– Nos não podemos ir mais longe que isso, mais se vocês conseguirem atravessar e saírem com vida podem, pedir para algum cavalo próximo, que eles os ajudarão, provavelmente vão achar cavalos suficiente para que todos possam viajar em um. – traduziu Liana.
Então eles agradeceram aos cavalos, e despediram-se deles, eles não gostaram muito da parte do se saíssem vivos, mais resolveram que era melhor não perguntar, e só se manterem escondidos.
A diferença climática entre as montanhas e os campos que estavam logo atrás deles era obvia os campos, bosques, florestas e tudo mais estavam florescendo, mais nas montanhas tudo que se tinha era neve, e era provável que animais perigosos estivessem esperando por eles.
– E excelentes caçadores. – pensou Pryor.
Eles avançaram e acharam uma caverna, pouco depois de entrarem na cadeia de montanhas, não tinham qualquer sinal de que tivesse algo vivo lá, então decidiram passar a noite lá, nenhum deles teria condições de continuar, muito menos em uma cadeia de montanhas tão difícil de se locomover.
Pryor tinha sugerido dar a volta, mas segundo Valq aquela cadeia de montanha provavelmente seria muito longa, e eles levariam mais tempo para voltar do que deveriam, as provisões que dispunham era bem limitada, não podiam ficar perdendo tempo, tinham que ir pelas montanhas e aquela talvez fosse a melhor chance de livrarem-se dos perseguidores.
Pryor tinha que concordar com ela, não conseguia pensar em melhor chance de se livrar de seus prováveis perseguidores caso eles tivessem conseguido achar a trilha deles, e mesmo que eles fossem atrás deles seria difícil que conseguissem alcança-los.
Após descansarem os três estavam prontos para voltarem a viajar, o tempo estava ruim, a tempestade de neve estava piorando, não dava para eles enxergarem mais do que alguns metros a frente.
A viajem de volta foi exaustiva, eles praticamente não pararam ate chegarem a primeira cidade, ficaram apenas algumas horas, e tiveram que partir, segundo Valq tinham muitos dos homens de preto espalhados pela cidade.
Eles já estavam quase na metade do caminho quando encontraram com alguns dos homens de preto, esse eram diferentes, não estavam sendo controlados por nenhum tipo de magia, eles tinham aceitado trabalharem com Zam.
Pryor não se conteve ele avançou matando sem hesitar, não tinha motivo para tal, diferente daqueles que estavam sendo controlados os homens a sua frente sabiam o que estavam fazendo, Valq e Liana cuidavam de alguns homens montados em cavalos, os pobres animais estavam em péssimo estado, os homens que lutavam com Pryor não paravam de surgir, mesmo que eles não fossem muito habilidosos ainda eram um problema.
O único problema de Pryor era o numero de inimigos, ele não poderia continuar com aquilo para sempre, tinha que dar um jeito nisso, infelizmente ele não conseguiu pensar em nada, e acabou sendo atingido na cabeça, Pryor desabou enquanto perdia a consciência.
Ele acordou sentindo a cabeça doendo, não tinha certeza de onde estava. Um homem colocou Pryor de joelhos, as mãos dele estavam amarradas nas costas, ao lado dele Liana e Valq estavam na mesma posição que ele.
Poucos metros a frente deles um homem estava sentado um homem, vestia uma armadura completa, exceto pelo capacete que estava no colo dele, os cabelos longos e negros como a noite caiam sobre os ombros, um sorriso malvado estava estampado no rosto do homem.
– Olá. Disse o homem de forma simpática e natural, como se tivesse esquecido que falava com prisioneiros amarrados. – Estávamos esperando por você.
– O que esta acontecendo? – perguntou Pryor ainda confuso.
– Estava prestes a mandar mata-los. – falou ele casualmente. – Porem meu senhor quer você vivo. – ele parecia zangado por ter que deixar alguém que não estivesse morto. – Odeio levar qualquer um vivo, mas ordens são ordens.
Pryor tentava desesperadamente se soltar enquanto ouvia as reclamações por ter que leva-lo vivo, mas não teve sucesso ou qualquer indicio de que o teria. E mesmo que conseguisse se soltar ele estava desarmado e não poderia lutar, e soltar Liana e Valq ao mesmo tempo.
– O que você disse? – perguntou Pryor assustado, esperando ter ouvido errado.
– Mandei que matassem elas e...
O quer que ele tenha falado Pryor não ouviu o final, uma voz gritava na mente dele, não dava para entender nada, só que era a voz de uma pessoa extremamente furiosa.
– Deixe o corpo livre como uma fera. – urrou a voz. – Lembre-se do que te ensinei.
– Mestre? – perguntou em sua mente.
– Calado e obedeça. Mate eles antes que suas amigas morram. – ordenou.
A voz estava certa, ele não podia perder mais tempo, deixou que o corpo se movesse por si mesmo como um animal, um animal que tinha ficado preso por muito tempo, e que odiava estar preso.
Um dos guardas foi ate ele, assim que estava perto o suficiente ele avançou na direção do guarda, e agarrou-o com uma mordida no pescoço, perto do ombro do homem, o corpo e a mente de Pryor se separaram totalmente, e ele largou o corpo, dois guardas avançaram na direção dele.
Pryor desviou do primeiro e acertou uma joelhada na barriga do homem, o primeiro avançou outra vez, Pryor chegou um pouco para o lado evitando uma estocada, então ele notou que o único usando armadura era o homem com o capacete no colo.
Todos avançaram em direção a Pryor ignorando Liana e Valq, isso deu tempo o suficiente para que elas se soltassem, enquanto ele lutava como um louco se debatendo, mordendo, chutando e dando cabeçadas.
Enquanto Liana foi atrás das armas deles, Valq ajudou Pryor, usando magias mais simples, ela estava muito cansada e ferida, Pryor concluiu que tinham torturado elas enquanto esperavam ele recuperar a consciência.
Graças a Valq ele estava com as mãos livres, e agora conseguia lutar normalmente, eles já tinham matado quase a metade quando viram Liana avançando na direção deles, com as espadas.
– Senhor Chagi, por favor, nos ajude. – imploraram alguns dos homens.
Chagi avançou colocando o capacete e parou poucos metros de Valq, com a espada em punho apontando para ela, ele avançou, quase rápido o suficiente para atingi-la, mas ela era rápida, e tinha ótimos reflexos.
Liana jogou a espada de Valq, e correu para ajudar Pryor, Valq teria que aguentar tempo o suficiente para que eles pudessem ajudar, enquanto Liana e Pryor lutavam com os soldados ouviram Valq proferir varias magias, e Chagi parecia saber como usar magia, pois nas poucas vezes que tinham se arriscado a dar uma olhada rápida ele estava bem, fora alguns ferimentos causados pela espada de Valq.
Ela porem parecia cada vez mais cansada, vários ferimentos causados pelas magias de Chagi, as espadas de ambos pingavam com o sangue dos ferimentos que eles tinham causado um no outro.
As mãos de Pryor tremiam, ele nunca sentira tanto medo, ele já tinha lutado com guerreiros incríveis, com magos capazes de coisas absurdas, tinha estado a beira da morte inúmeras vezes ao longo da vida, em sua maioria desde que tinha partido viajando pelo mundo, mais nunca nada como o que sentia naquele momento.
Ele tentava se convencer que era apenas mais um oponente comum, mais o corpo dele não acreditava e continuava tremendo e suando, ele mal conseguia segurar as espadas.
O medo dele pareceu divertir Chagi, pois o sorriso deste voltou, era um sorriso de quem tinha acabado de ganhar um presente que esperava por anos.
Pryor avançou e toda vez que ele atacava era bloqueado e Chagi o acertava mais rápido do que Pryor podia se defender. Liana e Valq tentaram ajudar, inutilmente, os olhos dele brilhavam num vermelho sinistro.
Pryor pediu para que Valq usasse magia para cura-lo, e para protegê-lo de outras magias, ela curou-o e usou varias magias para protege-lo. Liana ficou protegendo-a ate que ela tivesse acabado de se recuperar. Valq avisou que tinha protegido ele de varias magias, mais existiam varias que ela não poderia protege-lo, então ele não deveria se descuidar.
Pryor avançou rápido, se sentia leve e recuperado, ele desviou de um golpe, levantou a espada poucos centímetros antes de acertar Chagi.
– Muito lento. – provocou ele. – Se quiser me acertar vai ter que fazer muito melhor que isso.
Pryor sabia o que ele estava fazendo mais não pode deixar de cair no jogo de Chagi, atrás dele Valq tentava usar magias para deixar Chagi mais pesado, mas não adiantava, ele parecia ser imune a magia, todas as tentativas de Valq eram frustradas, uma a uma.
Chagi tentou acertar uma estocada no olho de Pryor, uma no peito, e uma na perna esquerda, todas as tentativas dele falharam, Nenhum deles conseguia acertar um golpe no outro. Depois de vários minutos eles ambos estavam parados, se encarando, estudando o adversário, o primeiro a atacar foi Chagi, e assim como Pryor previu ele foi com uma estocada, Pryor rechaçou ela com um golpe e fez um corte ao lado do olho direito.
Nos minutos seguintes eles atacaram, e defenderam os ataques que eram lançados contra ele, enquanto Liana fornecia energia para que Valq continuasse usando magia sempre que ela ficava cansada. Chagi defendia-se dos ataques de Pryor e das magias de Valq, ele já estava cansado mais não deixava que eles notassem.
Chagi quase desarmou Pryor, mais pelo menos conseguiu fazer um corte no antebraço dele, e lançou Zouir longe, a luta se estendeu por mais algum tempo, ate que Pryor finalmente lançou-se colocando todo o peso do corpo no ataque, Chagi estava cansado demais para resistir, ele tentou usar magia para desviar o golpe de Pryor, o corpo dele estava muito ferido e ele tinha sido desarmado.
Pryor conseguiu atravessar a espada no peito de Chagi, o homem estava sem o elmo, os cabelos escondiam quase todo o corpo dele.
Chagi caiu enquanto Pryor lutava para ficar de pé, ele estava acabado, o corpo todo dolorido por conta da luta, Chagi tossia cuspindo um pouco de sangue as vezes, ele sorria apesar de tudo, a aparência começou a mudar, os cabelos negros se tornaram brancos como a neve, a pele ressecou como se ele não bebesse nada há séculos, os olhos começaram a afundar.
– Meu mestre vai adorar te conhecer. – falou ele rindo. – Pena que vocês vão morrer antes de chegarem ate ele, assim como seus amigos inúteis. – ele deu uma risada fraca e fechou os olhos.
– Como assim? – gritou Pryor desesperado.
– Se acalme Pryor. – ordenou Liana. – Ele já morreu, temos que nos apresar e voltarmos logo, quem sabe ainda não chegaram neles. Talvez possamos avisa-los.
– Temos que ir e rápido. – disse Valq assustada. – Não podemos perder mais tempo aqui Pryor.
Ele engoliu o ódio que estava sentindo, elas estavam certas, precisavam chegar o quanto antes e avisar do ataque, ficar ali tentando arrancar informações de um morto era inútil.
Eles correram, Valq tinha usado magia para pegar energia da natureza a volta deles, e curado Pryor outra vez, eles tinham que achar algum animal para montar.
Eles conseguiram achar alguns cavalos, que aceitaram ajudar mais em troca teriam que dar toda a comida que eles aguentassem comer, e assim foram os últimos dias de viajem, quando chegaram na caverna onde ficava a passagem para a cidade subterrânea da Ordem, eles viram uma coisa que deixou-os arrasados.
A porta disfarçada de parede tinha sumido, não havia nada além de entulhos do que um dia fora a parede que protegia a Ordem, eles correram desesperados, não acharam sinal de ninguém, o mais perto de uma boa noticia que eles tiveram foi não terem achado nenhum sinal de vida, mais isso era tão bom quanto ruim, eles não tinham sido mortos lá dentro, poderiam estar sendo torturados, ou outra coisa pior, como morrendo envenenados bem lentamente.
Eles gritavam a procura de alguém quando Tobiro apareceu, ele estava em ótimas condições, não parecia ter sido atacado, era como se tudo estivesse normal.
– Estávamos preocupados com vocês. – disse ele.
– O que aconteceu aqui? – perguntou ela.
– Atacaram-nos, isso foi coisa do Zam, ele finalmente resolveu vir atrás de nos.
– Como assim? Todos estão bem? – Na verdade a única pessoa que importava para Valq naquele momento era saber se Minuli estava em segurança, não achou que fosse aguentar perder ela, não depois de tudo que tinha acontecido nos últimos tempos.
– Sim todos estão bem graças a Minuli. – respondeu Tobiro. – Ela sentiu o ataque, era um numero muito grande para lutarmos e sobrevivermos, então ela ativou os cristais com magia, para que eles criassem a ilusão de que estávamos aqui.
– Ela esta bem? – pela voz dela ficou obvio que ela estava quase chorando.
– Sim, ela esta descansando usar magias desse nível mesmo com a ajuda dos cristais é exaustivo demais.
Tobiro seguiu contando sobre como ela tinha sentido o exercito que cercava-os, e como tinha achado uma saída que ninguém sabia que existia, contou sobre os planos dele, que deram um pequeno animo a Pryor, eles finalmente iriam atrás de Zam e seus homens, fariam eles pagarem por todos os crimes que tinham cometido.
Segundo Tobiro não deveriam hesitar em matar qualquer um dos homens de preto, eles eram criminosos e teriam que ser punidos, não haveria segunda chance para absolutamente ninguém.
Apesar disso Pryor ainda estava triste pela caverna, mas isso era mais um motivo pelo qual ele iria se vingar.
Nunca tinha feito nada para esse tal de Zam, então porque ele parecia perseguir Pryor? Era como se a missão dele fosse garantir que Pryor não tivesse qualquer tipo de felicidade ou paz.
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