A mente de Pryor escorregava pelo vazio, ele inicialmente achou que tinha morrido, então notou que seu corpo estava voltando ate ele, como se ele fosse feito de areia, o corpo começou a tomar forma, primeiro rodopiando em volta dele, ate que começou a formar os membros dele, pedaços foram se formando através daquela espécie de areia, então lá estava Pryor de pé em uma pequena ilha.

Poucos metros a direita dele havia um homem deitado na areia, a agua quase chegando nele, o homem não pareceu se importar, ele tinha a pele clara, e cabelos ruivos assim como Pryor, ele se levantou e foi em direção a Pryor.

– Você demorou sabia? – disse o homem se aproximando de Pryor.

Só então ele notou que estava segurando a espada quebrada e que estava totalmente recuperado, e perguntou. – Por que minha espada ainda esta quebrada e eu estou bem? Quem é você?

– Vamos por partes esta bem. Primeiro quem sou eu, eu sou Xiruim o fundador da ordem, e sobre sua espada bem isso eu não sei, talvez ela tenha quebrado no mundo real também, é muito raro mais é possível. – explicou Xiruim com um sorriso de alguém brincalhão no rosto e um tom calmo.

Pryor sentiu uma pontada de tristeza, ele esperava que a espada não tivesse realmente quebrado pois isso seria uma pena, aquela era a única coisa que tinha da sua antiga vida, não queria perder ela de jeito nenhum, mas algo lhe dizia que era esse o caso.

– Acho que é melhor começar a explicar como foi que fundei a ordem e tudo mais. Tem algo que queira perguntar antes de eu começar?

– Sim gostaria de saber da Liana. – falou Pryor com um certo medo da resposta, e se perguntou se ela havia passado por aquilo, ou se estava ou ate mesmo se ainda iria passar.

– Sim ela esta bem, deve acordar daqui a pouco.

Ouvir isso acalmou Pryor, agora tudo que ele precisava fazer era acordar e conseguir sua vingança. Ele pediu para que Xiruim contasse tudo.

– A mais de mil anos durante a era dos magos, existiam muitos reinos, que brigavam constantemente, por território, direitos sobre campos, portos, rios, e todo tipo de coisa que você possa imaginar. – falou ele. – foi nessa época que eu nasci, minha mãe morreu no parto, e nasceram gêmeos, eu e meu irmão, Zorv, como eu tinha nascido antes e era o mais forte fisicamente falando meu pai me educou para ser um rei, ele educou ambos da mesma forma, porem ele cobrava mais de min do que de meu irmão. Segundo ele um dia eu iria assumir o trono e me tornar um grande imperador. No segundo casamento meu pai teve um terceiro filho, Zorv e eu tínhamos quatro anos na época, e nosso outro irmão não foi educado para governar, o que naturalmente despertou a ira da esposa de meu pai.

O tom de Xiruim ficava mais triste e melancólico, parecia que aquelas lembranças estavam abrindo feridas a muito esquecidas, mais ele não parou.

Ela odiava a nos dois, e nunca perdia uma única chance de nos atormentar, se fazíamos algo errado estávamos tão encrencados que a ideia de fugir era tentadora, e se fazíamos algo certo não estávamos fazendo nada de mais. Quando completamos vinte anos nosso pai havia adoecido tanto que não poderia continuar governando, ele então decidiu arranjar um casamento para min e para meu irmão e me coroar como o novo rei. No entanto isso revoltou ainda mais a nossa madrasta, esse foi o limite dela, ela decidiu que precisava se livrar de nós dois, o mais rápido possível, meu pai tinha súditos leais então os planos dela falharam, mais ela conseguiu prender meu pai e meu irmão, que sempre fora mais focado em aprender coisas que não necessitassem de esforço físico, eu por outro lado consegui fugir.

– E você conseguiu salva-los?

– Tive que viajar por muito tempo, ao longo de cinco anos, vaguei pelo mundo tentando não ser encontrado, e arranjar ajuda para poder voltar para liberta-los, durante esse tempo meu irmão mais novo, o Datun governou com a mãe ao lado dele, eles não sabiam nada sobre governar então acabaram afundando o reino em dividas, e colocando-o em uma situação diplomática complicada. No mês anterior ao meu aniversario de vinte e cinco anos tinha um grupo de quase cem homens e mulheres, todos bem treinados, e prontos para fazer o que fosse necessário, todos tinham perdido algo importante por conta de minha madrasta, cidades inteiras foram destruídas, tanto do nosso reino, quanto de outros reinos, decidimos que a invasão ocorreria poucos dias antes de nosso aniversario, aquele seria o presente de meu pai, a liberdade e o reino dele de volta sobre seu controle.

Planejamos tudo, mais não contávamos com uma coisa, ela tinha casado o filho com uma feiticeira, que sabia ver o futuro, e eles estavam prontos para nossa invasão, conseguimos libertar meu pai, e meu irmão. No caminho havíamos nos separado em vários grupos cada um com no máximo cinco pessoas, conseguimos chegar na sela deles, e para minha surpresa meu pai estava ótimo como sempre, na metade do caminho para a sala do trono fomos atacados por um grupo de arqueiros com flechas enfeitiçadas.

Meu pai foi atingido no peito, e infelizmente era o fim dele, meu irmão e eu chorávamos, então ele disse que tinha um presente para nos dar, ao meu irmão deu um anel que continha energia para realizar os mais diversos e poderosos feitiços, e para min o presente foi outro.

– Foi por causa desse presente que surgiu a lenda de que você podia ir de um canto a outro de um castelo em minutos? – perguntou Pryor.

– Foi mais não era uma lenda, eu atravessei todo o castelo nocauteando cada soldado, em poucos minutos e então fui para a sala do trono, chegando lá meu irmão lutava com minha madrasta e a esposa de meu meio-irmão e eu lutei contra ele, enquanto eu podia me transformar em fogo, ele sugava e podia se tornar raios, brigamos por dias e então finalmente o derrotei, quando acabou eu nem mesmo conseguia me mexer tamanho o esforço que tinha realizado, eu estava caído, cheio de ferimentos, e com minha armadura totalmente quebrada, quando meu irmão que chegou, segundo ele desde que havíamos começado a lutar um tipo de barreira negra impedia qualquer ajuda de chegar ate a gente, e também impedia que ele fosse me ajudar. Notando que ainda tinham muitos reinos onde precisávamos agir decidimos que meu irmão iria se tornar o novo rei e que eu e os membros da Ordem ficaríamos responsáveis por tentar equilibrar as coisas, que levaríamos a justiça para aqueles que conseguiam fugir dela.

– Hoje acaba o reinado dos corruptos, dos que abusam do poder e de todos aqueles que não andam no caminho da justiça, apartir de hoje começa uma hera de justiça uma hera de Ordem. – foi o que meu irmão disse naquele dia.

– Mais não tinham ficado vivos somente você, Kalkalieves e Roberta? Como os outros morreram se você nocauteou todos os guardas? – questionou Pryor.

– Infelizmente eles já estavam preparados para algo assim, vários soldados morreram, o que não sabíamos era que eles estavam amaldiçoados, e voltavam a vida depois de um tempo. Não tinham mente apenas avançavam tentando nos matar.

– Como os homens com quem lutei pouco antes de chegarmos aqui?

– Sim só que eles eram mais rápidos e fortes que quando vivos, e só caíram quando a mestra deles morreu, pouco antes de eles matarem Kalkalieves e Roberta.

– Então você foi o único que podia se transformar em fogo? – perguntou Pryor já desconfiado da resposta.

– Não e imagino que você já saiba disso. – falou Xiruim. – O que você não sabe é que só os meus descendentes tem esse poder.

– Então quer dizer que eu sou seu descendente?

– Isso mesmo, um dos últimos vivos. – explicou Xiruim.

– E como eu faço para usar esse poder? Você vai me treinar para isso?

– Não, ainda não esta na hora de treinar você para controlar a flammis vitae.

– Como assim? – perguntou Pryor revoltado. – Vou precisar disso para poder conseguir minha vingança.

– Você vai aprender na hora certa vamos conversar outra vez, e quando isso acontecer vou te ensinar, mais não adianta de nada você reclamar ou fazer nada do tipo. – disse Xiruim com um ar calmo e brincalhão. – Ate nossa próxima conversa.