Filhos da Noite

17 Capitulo 17 - Consequências


[Lilith — ...]

— E quantos temos? – Perguntou o homem mais afastado do grupo, pela entonação da voz, uma voz rouca e cansada.

— Essa noite retornamos com trinta, meu senhor. – Respondeu um guarda.

— Ótimo, levem junto os outros para repor os que perdemos. – Respondeu novamente o homem da voz rouca.

— Tivemos uma complicação essa noite, meu senhor. – Declarou um dos guardas.

— Explique.

— Ela não estava dormindo e nem em sua casa com a criança. – Passos em minha direção, acompanhados pelo som das armaduras em movimento. – Estavam fora no jardim, ela nos viu e então trouxemos a criança e ela.

O guarda removeu um saco que estava em minha cabeça, revelando minha boca amordaçada e os olhos inchados após chorar em meio aos meus gritos. Meus pulsos já estavam feridos de tanto me debater contra as algemas e hematomas no meu corpo devido a minha resistência primária quando me capturaram. Ele então removeu o pedaço de couro que estava machucando minha boca e bochechas.

— Onde está meu filho?! Me devolvam ele agora. – O mesmo guarda me acertou um tapa com as costas da mão, eu senti o sabor do meu sangue dentro da boca.

— Você deve ter respeito na presença do Imperador. – Falou o guarda quando o dono da voz rouca caminhou até a luz diante de mim.

— Por que? – Perguntei chorosa. – Por qual motivo você tiraria nossas crianças...

— Eu poderia explicar, mas, a sua mente não entenderia a grandeza de todo esse trabalho. – Ele respondeu sem mudar a expressão de grandeza.

— Você não é um Imperador! – Respondi cuspindo em seu rosto. – É apenas um homem hedonista e necessitado querendo realizar seus... – Ele deu o tapa agora.

— Você é uma mulher vulgar e sem respeito. – Ele disse rasgando uma parte da minha túnica. – Tem que aprender o seu lugar.

— MEU LUGAR É COM MEU FILHO QUE VOCÊS ESTÃO ROUBANDO! – Gritei cada palavra tentando incansavelmente me libertar e agredir todos que estavam a minha volta.

— Você é uma guerreira. – Ele segurou com força meu cabelo, forçando minha cabeça para trás enquanto tocava meu pescoço. – Eu gosto disso... AAhhh. – Consegui arrancar um pequeno grito dele ao acertar sua virilha com meu joelho.

— Tire sua mão suja do meu cabelo! – Falei expondo minha raiva. – Devolvam meu filho!

— Sua puta imunda. – Um dos guardas se intrometeu me acertando mais um tapa, agora me fazendo cair no chão de pedras. – Eu ensinarei você. – Respondeu sacando a espada.

— Não. – O Imperador interrompeu-o. – Tragam o bebe dela. – Não demorou até algum dos lacaios entregar meu filho nas mãos dele. Inutilmente me debati, tentando a todo custo tomar meu filho para fugirmos daquele local. – Saudável, homem e... Certamente não é um filho de Roma. – Deduziu tocando os cachos loiros do bebê. – Vocês são gregos... – Ele falou com ironia na voz e então devolveu o bebe para o guarda. – Os outros para o lugar de sempre, o dela para minha câmara de pesquisas.

— NÃO! PAREM PAREM!!! Me devolvam ele! – Eu lutava com mais forças enquanto um dos guardas pisava em minhas costas.

— Ela para... Vocês sabem onde. – Eles me levantaram para olha-lo. – Vamos ver se seu espirito consegue continuar resistindo...

—NÃO! – Gritei sendo levada para longe por um trio de guardas enquanto os outros seguiam para uma direção oposta acompanhados do imperador. – MAXIMUS! MAXIMUS!!

...

— MAXIMUS!! – Acordei gritando esse nome sem conseguir me levantar. Completamente zonza, dolorida e cansada. Olhei ao meu redor, não conhecia esse quarto e o cheiro também não estava familiar, nenhum lugar que conheço tem aroma lavanda.

— Finalmente. – Adamas falou da porta. – Achei que precisaria colocar você na minha cripta por uns séculos.

— Seu traídorzinho fraco. – Eu teria me levantado se meu corpo não estivesse falhando em me responder. – Você os deixou viver! Depois de tudo que eu fiz por você por séculos...

— Ele fez a coisa certa. – Katrina nos interrompeu entrando com uma bolsa de sangue. – Cale a boca e beba. – Ela parou ao meu lado na cama, entregando um canudo junto da bolsa. – Pode ir pra casa Adam, eu chamarei se ela desmaiar ou piorar depois da nossa conversa. – Ele assentiu.

— Volto no momento que pedirem. – Ele respondeu vindo até nós, primeiro ele me abraçou e beijou o alto da minha cabeça, praticamente nos cabelos, em seguida o mesmo para Katrina. – Até breve. – E então o enxame de morcegos sumiu pelo céu noturno.

— Estranho... – Admiti. – O que aconteceu com ele?

— Ele estava preocupado, passou uns dias ao seu lado... E não, ele não será o assunto da nossa conversa. – Disse a rainha.

— Vai começar? – Questionei sem paciência tentando furar a bolsa... “o quanto da minha força foi perdida naquela igreja?”.

— Eu faço isso. – Ela pegou da minha mão e aprontou tudo, me devolvendo em seguida. – Pra sua informação, faz uma semana que você está desacordada. Ele estava se sentindo culpado por não ir no momento que a ave chegou... Onde estava com a cabeça? – Não respondi. – Nem comece com o tratamento de silencio, se explique logo!

— Eu estava fazendo o que você deveria fazer! – Respondi irritada. – Ou pelo menos o que deveria me apoiar quando o faço!

— Eles nem sabiam que estávamos aqui! – Argumentou.

— Esse não é o ponto Katrina! – Falei jogando pra longe a bolsa vazia. – Eles já estão a anos se fortalecendo, o garoto tinha quatro partes da ceifadora naquele chicote! Quatro partes de cinco que eu espalhei no mundo! – Tentei explicar. – Estão bem treinados, organizados, reforçados, tem uma igreja e um padre de verdade do lado deles...

— São mais motivos para evitar o confronto! Ainda mais em solo sagrado, você acha mesmo que iria encontrar uma Belmont numa igreja de fachada?

— Eu fui atrás de um garoto, eu não fui para o combate, eu usaria o garoto de isca. – Ela estava me julgando com aqueles olhos que só ela tem. – Eu queria que o grande, aquele com a ceifadora, viesse até mim.

— Eu enviei uma mensagem a Kwimer. – Contou. – Eu estava pronta pra enfrentar você e quem mais fosse seu aliado em uma guerra vampírica... – Apontou a própria espada na parede. – Eu desisti dessa ideia quando ele entrou aqui preocupado e com você nos braços.

— Faz um bom tempo que não temos uma dessas... – Recordei-me da última vez que alguém levantou uma espada para a coroa. Havia sido um combate grandioso e satisfatório... Ao menos por algumas horas. – Hoje em dia ninguém tem mais coragem de levantar a voz para você, quem dirá uma espada.

— Você fez isso. – Ela me lembrou. – Me desafiou, fez um complô, me fez parecer fraca para dois lordes, um deles já foi seu parceiro e tem três filhas poderosas... – Ela suspirou. – Não pensou que a longo prazo ele poderia casar as três com outros grandes lordes? Que em anos poderiam se preparar para um golpe?

— Tínhamos que cuidar do presente! – Me justifiquei. – E não teremos problemas com Maximilian se conseguirmos casar Adamas e Esteno como sempre foi planejado.

— Nós duas sabemos que se fosse para esse casamento acontecer, ele mesmo já o teria feito, com ou sem o nosso consentimento.

— Isso foi antes dele saber que Nefertari está viva. – Respondi. – Agora ele vai poder viver um pouco na dele, sem caçar fantasmas pelos séculos, vai se permitir uma paixão...

— Ele já se permitiu se me lembro bem. – Golpe baixo Katrina. – Você lembra o que fez?

— Uma paixão digna! Ele é um Príncipe poderoso e o legado do maior de nós. – Eu não me daria por vencida. – Ele pode ter a aventura que quiser, mas, infelizmente o dever dele é com seu povo. Não me traz prazer nenhum privá-lo disso, contudo, é o necessário!

— Eu tenho de cumprir meu dever com nosso povo. – Ela respondeu. – Ele pode viver como quiser enquanto eu ainda estiver aqui.

— Ele não poderia ser feliz com uma humana. – Falei. – Ela não pertencia ao nosso mundo e o mundo dela tinha tanto medo dele que se algo acontecesse...

— Já desviamos o foco dessa conversa. – Ela me cortou. – Você vai se recuperar, eu cuidarei de você e já garanto que não será rápido.

— De quantos ferimentos estamos falando? – Questionei. Eu sabia que eram consideráveis, afinal, respirar estava doendo.

— Talvez semanas ou um mês. – Ela tocou meu rosto. – Você começou a “quebrar”, água benta, hóstias, as armas deles, o solo sagrado... Nem você é tão forte, você se arriscou demais.

— Eu subestimei o meu inimigo. – Admiti. – Não era o intuito da incursão.

— Mas também não recuou quando as coisas se complicaram! – Ela apontou pra fora. – O que faria se Adam não estivesse lá? Você estaria aleijada sem suas asas, provavelmente aprisionada e impossível de rastrear... – Ela massageou as têmporas. – Ele moveria o mundo pra te achar e faria os humanos entenderem que não somos ficção.

— Talvez isso seja o certo. – Respondi desinteressada. – Voltarmos ao mundo!

— Não, isso não é o certo e agora os caçadores sabem que ele está vivo. Meu filho está exposto novamente! – Ela argumentou.

— E também sabem que não podem com ele. – Eu consegui me ajeitar na cama. – Você não viu o que ele fez... Ele humilhou o Belmont, minutos antes tão confiante e depois impotente e fraco, completamente à mercê de Adamas. – Respondi orgulhosa. – Se não fosse a garota Meyer!

— Se não fosse aquela garota, já teríamos caçadores na nossa porta como já tivemos um dia. – Katrina não queria nem ouvir a história. – Ele decidiu o certo, evitou o sangue derramado, salvou você e no momento estamos os três na surdina, evitando que os seus atos nos prejudiquem.

— Você não tem o mínimo do fogo que tinha antes? Pedindo dentro de você pra atacar? Todo esse horror, essa matança que você tanto condena... Tudo só acontece por que eles mataram Dracula! – Eu queria uma reação. – Se ele estivesse aqui, tudo seria diferente e as crian...

— Mas, ele não está! – Me interrompeu novamente. – Eu já ponderei muito sobre esse assunto, já fiz muitas considerações... – Ela me deu as costas. – Trarei sangue em breve e você descanse! Foi basicamente ser uma humana atropelada por um ônibus o que você sofreu.

Ela saiu do quarto, me deixando só com meus pensamentos, minha raiva, minhas ideias... Eu me movia quando possível, levemente é claro, a dor estava nos ossos, com certeza o estrago foi considerável e eu tinha reaprendido uma lição valiosa. “Tanto vampiros, quanto humanos, podem aprender e evoluir com o tempo e ambos podem se superestimar no momento errado.”

[Belle – Residência dos Belmont]

Cuidar do Alexander nunca era simples, ele não ligava de ser remendado, costurado ou atendido, mas, odiava ter de fazer repouso, pra ele um band-aid e pomada fariam milagres e ele estaria matando vampiros e demônios em três horas. Ele não estava falando comigo, eu já tinha estado tantas vezes ali pra trocar gazes, ver se suas costelas já estavam recuperadas e mesmo assim ele ficava emburrado.
Abri a porta do seu quarto devagar, ele estava na mesa do computador, claramente desrespeitando a orientação de repouso. Haviam quatro livros enormes abertos e na tela do computador muitas imagens que eu bem sabia se tratar de vampiros através da história.

— Você deveria estar descansando. – Falei enquanto via as anotações em um dos livros, “Adam/Adamas” bem grande escrito com aquele garrancho que ele chama de letra. – Os outros podem fazer pesquisas enquanto você se recupera.

Ele me ignorou e foi até a própria cama, sentando ali e tirando a camisa para que eu tivesse acesso as feridas e ao seu tórax. “quer ferir um homem? O faça com seu orgulho.” Pensei tirando as gazes e vendo a cicatrização das feridas, tudo em dia como deveriam estar, devagar coloquei as mãos no seu corpo, sentindo as costelas, já estavam parcialmente curadas, agora seria apenas o processo de respeitar a recuperação da resistência dos próprios ossos.

— Vai se recuperar em breve, acredito que mais uns três dias sejam o suficiente para as feridas e mais uma semana para os ossos. – Expliquei sem obter respostas, apenas o silencio e um aceno de cabeça. – Vai fazer isso até quando? – Nada.

Caminhei até a porta, eu poderia continuar esse joguinho dele, alimentar mais esse comportamento infantil..., porém, eu não queria isso, eu queria conversar, eu precisava conversar com ele e era justo que ele conversasse comigo.

— Sabe, você deveria ter escutado o que ele te disse! – Falei sem olhar pra ele.

— Como é? – Finalmente uma resposta.

— Você só está vivo pra ficar bravo comigo... – Virei e toquei seu peito com o indicador. – Porque eu fui até lá e te salvei!

— Eu não te pedi pra ir. – Tentou argumentar.

— Se eu não fosse, você seria um rosto lindo morto pela causa. Adrienne estaria com seu chicote, Archie estaria agindo como um rebelde burro e os outros caçadores iriam se sentir perdidos. – Pontuei.

— Quer que eu agradeça? Bom, por não morrer eu sou grato. – Essa resposta machucava seu ego.

— É bom ouvir isso. – Me sentei ao pé da cama.

— Eu não quero brigar com você. – Ele revelou encostando-se na cabeceira.

— Mas? – Eu sabia que ele tinha um, porém para adicionar.

— Aquele vampiro... Ele parou, porque você pediu... – Ele estava frustrado. – Vampiros não param, muito menos vampiros fortes, eu já enfrentei vampiros fracos, vampiros fortes, grupos de vampiros... – Ele apontou para os livros. – Eu nunca enfrentei um vampiro como ele... Eu nunca vi, um poder daquele e eu estava pronto, pronto pra morrer.

— Mas não morreu. – Interrompi. – Tudo vai se resolver, você não precisa caçar ele, os outros caçadores são fortes, vocês seguraram sozinhos aquela vampira de antes...

— Outra vampira que claramente está fora da escala de poder. – Ele reclamou. – Levamos uma vantagem da duração da batalha e do solo sagrado. – Pontuou. – Graças aos esforços do padre e a velocidade de Archie e Maria em nos alertar. Não tem como saber como seria o combate em termos diferentes, o padre tinha hóstias ali e isso ajudou a conter e acelerar o processo do sacro em expurgar o mal. – Ele bufou. – Não é dela que eu quero falar, é dele! Esse Adam... Adamas como aquela mulher chamou. Não tem nada, nada sobre ele, não tem pergaminho, não tem arte, não tem registros.

— E?

— Pra todos os efeitos ele não existe. Como um vampiro assim existe e não sabemos? Como um vampiro como ela existe e também não sabemos? – Eu tentei tocar seu braço, mas, ele se afastou. – E poderia parar aí, poderíamos teorizar que ele é um caso a parte recém transformado... O que seria outra mentira, ele conhecia minha família, a espada dele tinha um nome e ele deixou claro, que já matou Belmonts com ela!

— Você está pensando demais. – Eu não queria continuar nesse assunto. – Deixe outros pensarem nisso, deixe para lá. Ele mesmo te disse que não haverá problemas contanto que o deixem em paz.

— E acreditar na palavra de um vampiro? – Ele riu. – Quando eles cumprem o que dizem? Eles são escravos do mal e da própria sede...

— Ele cumpriu a palavra comigo. – Respondi me levantando. – Eu fui lá pra te ajudar junto com Adrienne e acredite, se fosse outro vampiro, eu com certeza o teria queimado naquele local.

— Só que não era outro. – Ele falou e também se levantou. – Era ele, o vampiro com o qual você se envolveu e pelo visto intimamente pra ter dito que eu era um insensível pra ele! Ele te reconheceu no momento e te tratou tão tranquilamente na minha frente, como se não tivesse acabado de apontar uma espada pro meu peito.

— E ele não te matou Alexander. – Tentei argumentar.

— Não, não matou. – Admitiu. – Ele parou e conversou com você, “Se tem algum apreço...”, “Ótima resposta como sempre.”, “Lembre que ela salvou sua vida...” – Ele enfatizava cada frase fazendo aspas com os dedos.

— Alexander Belmont! Você está tendo uma crise de ciúmes?! — Eu estava feliz agora, sorrindo e me segurando pra não rir dele. – Você está com ciúmes de um vampiro...

— Não estou com ciúmes, pode tirar esse sorriso do seu rosto! – Ele estava emburrado e era lindo. – Eu só não aceito que você se tornou intima de um vampiro! Não quis entrega-lo pra mim e agora meus irmãos me viram ser derrotado por ele. Eu preciso me preparar pra enfrenta-lo no futuro e seria muito mais fácil fazer isso com você do meu lado e não do dele.

— Você estava indo tão bem... – Falei desapontada. – Tinha que voltar pra isso? Ele não quer uma guerra, ele não está interessado em vocês, só o deixem e ele não fara nada contra ninguém.

— Isso é o que você diz. – Ele apontou para si. – Ele estava pronto pra me matar!

— Porque você atacou primeiro Alexander! Eu te conheço, é claro que você jogou o chicote nele depois de o que? Três frases de cada? – Eu também estava perdendo a paciência.

— Isso não importa! Você tem que estar do meu lado e não do dele. – Era ciúmes, mesmo que ele não admitisse.

— Importa. – Falei séria. – Eu o conheço e sei que apesar da espécie, apesar do poder e de tudo que há ao seu redor. Ele não está escolhendo a violência a tempo e não quer nem saber de você!

— Claro, você conhece tão bem esse sanguessuga... A quanto tempo mesmo? Mais do que todos os anos que estamos juntos por acaso? – O ciúme tomando conta era divertido. – Ele removeu sua maldição por um preço, se ele se importasse apenas o teria feito por você, eu o faria se conseguisse! Já pensou na possibilidade de ele te transformar pra evitar a maldição?

— Querido, vê se entende. – Pedi tocando suas bochechas. – Seu ciúme é fofo e engraçado, eu adorei saber que você é capaz de sentir isso, mesmo que não assuma. – Eu sentei na sua cadeira e apontei para que sentasse na cama. – Eu o conheço a pouco tempo, meses, e ele fez algo muito considerável, sendo que foi a minha parte do acordo que foi impossível de cumprir!

— Ele devia ter algo em mente, algo benéfico pra ele a longo prazo.

— Para de me interromper. – Pedi. – Ele não tem nenhum jogo maligno em mente, assim como eu desejo viver, ele quer o mesmo e recomendo que siga o exemplo dele e meu.

— A claro, agora um vampiro é modelo de vida! – Ele cedeu a raiva. – Ele tira vidas pra viver! Ele se aproveita das pessoas, ele usa todos ao seu redor. Ele usou você de certa forma e felizmente não tentou tomar seu sangue ou te transformar durante o tempo que se conheceram...

— E se ele tivesse? – Questionei.

— Ahn?

— Se ele tivesse me mordido? – Perguntei. – Você nem saberia, vampiros não deixam cicatriz.

— A baba nojenta da boca deles cura feridas, eu conheço as propriedades!

— E então? O que faria se ele tivesse bebido meu sangue? – Perguntei de novo.

— Eu o mataria! – Respondeu convicto.

— Você já tentou fazer isso. – Lembrei-o recebendo um olhar furioso.

— Eu não estava preparado e não sabia quem era ele. – Ele pegou uma faca que estava na parede. – Minha família é imune a essa mordida e a essa maldição, você não é! Precisa se proteger – Apontou pro meu pescoço. – E deve cortar qualquer contato com ele até que eu esteja pronto. Vou dar um jeito de descobrir as fraquezas dele para nosso próximo encontro.

— Alexander. Nós já brigamos uma vez por isso e não vou voltar ao assunto. – Falei caminhando e parando a porta. – Eu não vou ajudar você a matar ele, ele não merece isso e não vou ficar me protegendo à toa. – Respondi.

— Não é à toa, é o necessário a ser feito. – Falou enquanto eu ainda estava de costas. – Ele pode tentar...

— O que você teria feito? O que faria?

— Quanto à o que? – Perguntou. – Se eu estivesse preparado?

— Se ele tivesse me transformado. – Respondi. – Sim eu ouvi esse seu questionamento e não iria falar nada, mas, já que está tão focado nisso... O que faria se ele tivesse me transformado pra impedir a maldição? Iria me caçar como caça todos os outros vampiros? viraria o rosto? Me receberia de braços abertos sabendo que eu poderia ter uma vida? – Nenhuma resposta e eu também não gostava nem um pouco da expressão no rosto dele. – O seu silencio é tão resposta quanto é necessário. – Disse antes de deixa-lo pra trás, mais uma vez eu era obrigada a lembrar que nunca viria em primeiro lugar para Alexander Belmont, suas prioridades em sequencia sempre estariam com a sua cruzada, sua família e então com sorte eu no terceiro lugar, provavelmente enfrentando algo por essa posição.

[Adam – Neftis]

Faziam algumas horas que eu estava sentado, esperando que elas me chamassem e com a espada em mãos, pronto para usar se fosse necessário. “Como fui infantil.” Pensei tocando o pomo da espada, sendo momentaneamente transportado para o momento em que ela me foi dada...

...

— Meus parabéns por mais uma conquista, meu príncipe. – Lorde Wyvern assim como um grupo grande de lordes vampiros estavam no castelo naquela noite, todos em desespero para me mimar e quem sabe conseguirem seus tão sonhados objetivos gananciosos... – O que gostaria para um presente perfeito?

— Minha irmã! – Respondi fazendo a sala ficar em silencio por instantes. – É um pedido injusto meu lorde, me desculpe. – Falei após ambas as minhas mães me olharem irritadas de longe.

— Não peça desculpas, meu príncipe. É mais que natural sentir falta de sua bela e querida irmã. – Bajulação... – Todos esperamos ansiosamente pelo momento em que conseguirá traze-la de volta e expurgar do mundo os responsáveis pela sua morte!

— Suas palavras me agradam. Obrigado. – Agradeci-o, ele já estava tomando tempo demais e haviam mais lordes que desejavam me parabenizar.

— Se lhe agradar, eu gostaria de enviar uma de minhas filhas para lhe fazer companhia em seus dias aqui, meu príncipe. Uma companhia de idade e pensamentos próximos ao vosso! – Ele era insistente.

— Vai conversar sobre isso comigo primeiro Maximilian! – Lilith interrompeu o lorde afastando-o do meio do salão.

— Boa noite e parabéns, meu príncipe. – Stefan Kwimer fez uma reverencia antes de continuar. – Não planejo me demorar. – Admitiu e bateu palmas, um servo que estava atrás dele trazia uma caixa de madeira negra. – Feita especialmente para você, pelo último ferreiro draconico.

Eu fiquei deslumbrado quando abri a caixa, a espada era linda, muito mais bonita do que qualquer outra que eu já tivesse utilizado, O cabo negro com pequenos feixes de vermelho, a guarda onde as cores pareciam se enraizar uma a outra formando uma nova liga, no centro da guarda uma pedra que eu não sabia identificar, o pomo era um bico de grifo... Talvez por ser o primeiro presente que realmente gostei, eu estava eufórico o que não era certo para um príncipe de vinte anos, mas, por ser algo que finalmente seria meu, feito para Adamas, não uma herança do meu pai, não algo reaproveitado... Algo meu.

— A guarda, o cabo e o pomo foram feitos dos restos mortais de dois elementais diferentes, meu príncipe. Um elemental sombrio e um elemental flamejante, combinados e solidificados para melhor lhe servir em combate, no centro da guarda está um olho de esfinge. – Eu o olhei confuso. – Não pergunte como conseguimos por favor. – Respondeu me fazendo sorrir. – O aço da lâmina foi feito a partir das ossadas de uma hidra e um cão infernal, não existe uma arma igual a essa em nosso mundo alteza.

— Muito obrigado meu lorde. – Agradeci, dessa vez genuinamente grato. – Esse é com certeza o melhor presente que já recebi em meus aniversários...

— Então nomeie-a – Minha mãe disse se aproximando. – Uma espada assim deve ter um nome.

Qual seria o nome adequado para essa espada? Quais seriam os seus futuros feitos? De quantas batalhas participaria junto a mim? O que definiria sua marca, seu registro, sua presença nos livros de história do futuro?

— Crepúsculo dos Homens. – Quando eu disse o nome o salão foi preenchido com palmas e reverencias, um nome simples, um nome esperado e com muito significado.

...

— Obrigado meu lorde... – Falei para o vento ao meu redor, em seguida devolvendo-a ao vazio, eu não deveria ficar esperando, se precisassem me chamariam. Eu só precisava esperar.