Filhos da Noite
18 Capitulo 18 - Um Momento do Seu Dia
[Lilith – Império de Roma]
Quanto tempo fazia que estava nesse lugar húmido, estranho e escuro? A quanto tempo a luz do sol não tocava minha pele? Sem poder olhar em volta, sem ver a mim mesma, presa a essa mesa de pedra, pulsos, pernas, cintura, pescoço e até minha cabeça, completamente imóvel desde que havia sido aprisionada... A quanto tempo... A minha mente se perdia, hora ativa, hora sem noção de nada, dias, semanas, talvez meses ali, sendo cativa, sendo mantida viva... Rostos iam e vinham, rostos que eu não conhecia, rostos cuja única associação era a dor que eles causavam. E o pior, aquele que tinha um nome, vinha todas as noites para “ver o progresso”. Minha pele já não era mais a mesma, a sensação que tinha de meu próprio corpo era diferente e minha visão, agora acostumada com a vastidão das trevas que me rodeavam...
— Ótimo, já está acordada. – E ele havia retornado. – Essa será uma noite especial, teremos um visitante conosco.
— Me mate! – Falei enquanto lutava fracamente.
— Nós dois sabemos que não posso fazer isso. – Ele respondeu se aproximando com uma lamparina, fazendo um tour pelo meu corpo. – Cada dia mais progresso.
— Eu vou me libertar e você vai morrer! – Falei com ódio em minha voz, o mesmo ódio que me auxiliava a continuar viva.
— Sim, talvez um dia você seja livre e todos vão morrer um dia não é mesmo? – Ele começou a tocar minha canela e depois meu braço. – A mudança está muito evidente, ele vai gostar.
E como se ele soubesse que era o assunto o imperador entrou na sala, acompanhado de mais dois guardas, sua pompa e aquela seu rosto que dava enjoo.
— Boris! Como está indo sua convidada? – Perguntou vossa graça ao meu carcereiro.
— Um avanço notável, meu senhor. – Ele respondeu acendendo mais lamparinas ao redor da mesa de pedra, eu não via muito além do meu campo de visão, mas, a feição dos guardas não foi nada sutil, um misto de medo e nojo o que automaticamente me fez reagir, tentando mais uma vez me soltar em vão. – E ela continua com espirito de guerreira.
— Ótimo. – Ele se aproximou. – Você se tronara uma formidável guardiã para o que estou criando.
— Você não cria nada! Você traz a desgraça consigo! – Respondi. – Não importa o que tente. Eu vou sair daqui, vou me reunir com meu filho e no meio tempo disso, irei mata-lo também! – Meu corpo todo reagia comigo a minha fúria, esquentando e pulsando, me dando energias para destruir aquele homem e os seus apoiadores.
— Isso, mantenha essa força. – Ele falou próximo ao meu rosto. – Tragam um espelho, eu quero que ela veja.
— Meu imperador, tem certeza que deve... – Boris não se arriscou a seguir falando, apenas se retirou da sala pra buscar o espelho.
— E para matar sua curiosidade, o seu Maximus não foi adequado para a nossa futura e grande utopia. – Disse o imperador.
— O que você fez? – Mais forças pra lutar percorriam meu corpo. – O QUE VOCÊ FEEEZ?
— Eu? Nada, ele apenas não resistiu, ele não teve a força necessária para seguir com as outras crianças que nos trarão o paraíso.
— Você matou meu filho!? – Mais força, eu podia sentir meus pulsos e pescoço arderem contra os grilhões de metal. – SEU ASSASSINO! ASSASSINO DE CRIANÇAS! MALDITOO! – Eu gritei com todo o ar que havia em meus pulmões.
— Eu estou salvando a humanidade. – Respondeu frio. – Eu nos aproximarei de Deus seguindo com meu trabalho, uma extensão da sua obra e essas crianças são a chave para o Éden!
— Você é louco e está muito longe de Deus! – Eu sentia as lagrimas saírem dos meus olhos na mesma intensidade da minha raiva. – Ele teria nojo de você!
— Fale assim novamente e teremos de arrancar a sua li...
— Aqui está, meu senhor. – E o carcereiro retornava com o espelho.
— Mostrem a ela os resultados do que tem acontecido aqui. – Ordenou e os guardas tomaram o espelho das mãos do homem, levantando-o sobre mim.
E agora eu me via, pela primeira vez após uma passagem de tempo que não tinha noção, e pela primeira vez me olhei com estranheza, sem reconhecer, ainda era meu rosto, ainda era o meu corpo, mas, algo definitivamente novo e maligno estava comigo. Ou melhor, eu estava me tornando algo distorcido.
Meus braços e mãos estavam quase completamente cobertos por uma camada de escamas negras sobrepostas como um exoesqueleto de inseto, as pernas ainda não, estava limitado a região inferior, cobrindo os joelhos, canela e tornozelos. Feridas não cicatrizadas espalhadas por outras partes do meu corpo, feridas que eu não lembrava de sentir e que neste momento ainda não sentia. Meu rosto, meu belo rosto que um dia havia feito homens lutarem... Agora com rachaduras, literalmente rachado em partes do lado esquerdo como se fosse feito de mármore, protuberâncias surgiam do alto da minha testa, marcando o metal que a segurava.
— O que vocês fizeram comigo?! – Perguntei com medo na voz. – Em que tipo de monstruosidade estão me transformando?
— A resposta é muito boa, mas, você não precisa dela. – Falou o imperador se dirigindo a porta. – Boris, amanhã enviarei alguns homens para que suspendam um espelho sobre ela, quero que você garanta que ela continue a enxergar a si mesma todos os dias.
— Sim senhor. – Ele respondeu seguindo o trio porta a fora.
— NÃO! VOCÊS NÃO PODEM ME DEIXAR AQUI! – Eu não iria desistir de gritar e lutar. – VOLTEM! VOLTEM AGORAAAA!
...
— Volte! – Mais uma vez eu acordava gritando nesse quarto... Katrina sentada ao meu lado.
— Você tem tido muitos pesadelos enquanto descansa. – Comentou ela levantando.
— Não são pesadelos. – Confessei sem vontade enquanto me sentava, ela estava trazendo mais sangue. – Quanto tempo eu?
— Dois dias. – Ela me entregou a bolsa já furada. – Não quer conversar? Tem algo pra colocar pra fora?
— Eu não estou a fim de terapia Katrina! – Respondi seca. – E eu já posso furar minhas bolsas de sangue.
— Se você diz. – Ela se sentou. – Você está melhorando rápido e isso é bom, mas, quando estiver realmente bem, nós vamos precisar nos reunir com outros lordes.
— Vai juntar um monte de velhos chatos? – Questionei.
— Você reuniu alguns deles em segredo... – Debochou. – Eu preciso de uma frente unida com a minha família para colocarmos tudo nos eixos novamente.
— E por que precisa que eu me recupere? Você já poderia ter feito esse encontro.
— Por que eles irão perguntar sobre a questão Belmont. E Eles não podem ver você ferida, se virem isso, essa aura de invencibilidade que nosso clã tem...
— Eles não podem lutar conosco! Não tem força pra isso. – Interrompi-a.
— E mesmo assim, isso não impediu outros no passado. Uma guerra vampírica não pode acontecer, não temos nem lugar para um embate desses hoje em dia.
— E como vai resolver a questão Belmont?
— Você vai dizer que Adam resolveu. E vai ficar em silencio sobre o desfecho.
— Eles ainda vivem. – Pontuei.
— E não vão atacar por tempo indeterminado. Você os subestimou e Adam os humilhou. – Eu ia falar, mas, ela foi mais rápida. – Nem pense em retrucar, não é hora pra discutir ou incitar guerras, os caçadores permaneceram esquecidos.
— Seu desejo é uma ordem. – Aceitei suas condições. A contragosto.
— E quanto a minha pergunta original?
— E qual foi mesmo? – Eu me lembrei. – Eu respondi, não quero terapia.
— Tem certeza? – Ela estava insistente.
— Tenho! Não vai me ajudar em nada no momento. – Conclui.
— Pra alguém com dezoito diplomas, sendo vários deles relacionados a psique humana... – Ela se levantou e parou na porta. – Você está muito resistente em admitir que quer e precisa de ajuda.
— Eu não preciso... – Respondi enquanto ela saía. – E nem é possível.
[Adrienne – Residência dos Belmont]
— Levanta essa espada ou vai levar um golpe na cabeça! – Eu falei depois de o encurralar pela segunda vez. – Archie? – Ele estava em outro mundo.
— Ta bem. – Respondeu mudando a postura. – Pode vir. – Enganei ele com a espada, passando uma rasteira para derruba-lo.
— Ta bom, pode dizer o que foi. – Estendi a mão pra ele.
— Não foi nada. – Respondeu tentando ser neutro
— Archie. – Ele ficou me encarando. – Você é um péssimo mentiroso.
— Isso deveria ser uma coisa boa não? – Questionou.
— É ótimo, mas, não te deixa esconder nada da sua irmã mais velha. – Fui para a sacada com ele e sentei no peitoril com as pernas pra fora, dei dois tapinhas do meu lado pra ele sentar também e ele sabiamente obedeceu. – O que foi? Achei que estaria feliz de poder voltar a treinar o combate.
— Eu estou feliz.
— Mas? – Eu sabia que tinha um, porém.
— Por que o Alexander não deixa a gente ajudar com a busca dele depois do que aconteceu? – Frustrado de novo...
— Ele está com outras coisas na mente maninho. – Respondi sincera. – Nenhum de nós tinha visto um vampiro assim. Mesmo aquela que estava ferida que você disse que foi atacar a igreja, ela era muito diferente do que “rotina” pra vampiros.
— Mas... – Ele hesitou.
— Pode falar.
— Se fossemos mais rápidos. – Ele me olhou. – Teria feito diferença?
— Talvez ele tivesse morrido se fossemos mais rápidos. Chegar lá pouco antes da Belle foi o que salvou ele e nós.
— Esse é outro ponto. Por que ele não falou para os outros que ela conhecia o vampiro? Ela praticamente cometeu traição.
— Isso é muito radical e muito Alexander e pouco Archie pra você. – Suspirei. – Ela pode ter conhecido aquele vampiro aleatoriamente, as vezes não temos certeza se um vampiro é realmente um vampiro. E o mais importante, esse ato de “traição”. – Enfatizei as aspas com os dedos. – Foi o que salvou ele e talvez nós dois por extensão. Devemos ser gratos a ela, se não me engano, nos seus estudos com o padre Lucas existe uma frase que diz “Deus escreve certo por linhas tortas”.
— O que quer dizer? Que foi obra divina?
— Quero dizer que as vezes, mesmo que não pareça, foi algo bom. – Ele ainda estava com dificuldade em aceitar. – Quer ver um ótimo exemplo.
— Tenho escolha? – Neguei. – Então?
— Todo caçador enfrentaria aqueles vampiros, alguns até sozinhos e você e Maria são dois aprendizes avançados e talentosos. Estão prontos para caçar vampiros, pelo menos no que se diz respeito a treinos, experiencia e maturidade é outra história.
— Achei que era um exemplo, não críticas.
— Vou chegar lá. – Expliquei. – Se vocês tivessem lutado, ao invés de irem até os outros quando o padre pediu. O que teria acontecido?
— Nós não venceríamos. – Ele admitiu. – Alexander e o padre só falaram que conseguiram subjugar ela por causa dos números e da igreja, se não fosse o ambiente, ela teria matado muitos caçadores a mais.
— Exato. Seu instinto queria lutar e nem adianta mentir pra mim que não! Mas, o seu juízo e a sua recente experiencia com vampiros, te guiaram para um caminho diferente. – Conclui. – Um caminho que salvou padre Lucas, preservou vidas de caçadores, salvou nosso irmão e nos deu mais conhecimento sobre os inimigos que estão por aí.
— Isso não explica o lado do Alexander.
— Archie, você acha que ele segurar você e não te deixar ir para caçadas é algo ruim... – Eu o abracei. – Isso é algo ótimo, é um ato de cuidado. – Ele me olhou confuso. – Você acha que foi fácil pra ele? Tanta expectativa, tantos caçadores treinando e preparando o garoto Belmont mais velho para destruir as trevas... Ele te ensinou a ler, me ensinou a andar de bicicleta, tudo isso entre treinos. No tempo que ele deveria ser criança, ele tinha uma quase da mesma idade pra guiar e um pequeno pra “criar”. – Ele não gostava de falar disso. Mas, ele não estava aqui. – Não é minha culpa e com certeza não é sua culpa. É apenas culpa do modo de vida que levamos.
Ele queria responder, eu via seus olhinhos percorrendo o mundo a nossa frente, seu nariz mexendo enquanto pensava, tentava formular alguma coisa, mas, era uma ótima explicação. Não justifica a individualidade e a mania de guerreiro solitário do nosso irmão, contudo, ajuda o nosso pequeno a enxergar por outra lente a situação da nossa família.
— Só que no fim de tudo, nós ainda somos caçadores...
— Não é completamente verdade. Você e eu, nós conhecemos outra vida, nós podemos escolher por nós, um luxo que ele não teve, desde os dez anos ele é o Alexander Belmont, aprendiz de caçador, caçador, pesadelo dos vampiros... E graças a ele e sua combinação de dedicação e teimosia, nós somos Adrienne e Archibald.
— Só Archie ta ótimo. – Ele respondeu.
— Ele vai falar com a gente quando precisar, não precisa ficar ansioso ok. – Saímos do peitoril. – Ele só está tirando um tempo para o choque também.
— Certo. – Ele parou um momento. – Obrigado.
— Devia falar mais com a sua irmã sabía, ele é um ótimo caçador, mas, a inteligente sou eu! – Respondi orgulhosa.
— E o que sobra pra mim?
— Isso você ainda vai descobrir nanico!
— Eu sou mais alto que você. – Ele retrucou emburradinho.
— Você sempre será o nanico...
[Belle – Hospital Municipal]
Magia livre realmente eleva o patamar do que é considerado viver, eu ainda estava no trabalho e ao mesmo tempo havia terminado quatro livros, descoberto novos tipos de feitiços, aprendido mais sobre o nosso mundo, sobre a história da minha família, havia colado os ossos de algumas pessoas e não estava nem perto de estar cansada ou exausta. Talvez entediada com o passar das horas que viriam, mas, não exaurir minhas próprias forças era uma proveitosa vantagem para utilizar.
Contudo, eu percebi que em alguns instantes essa sensação iria mudar pra algo inesperado.
— Percebeu que eu havia chegado quando eu ainda estava lá fora. – Adam falou sorrindo. – Está se mantendo “conectada” com a energia pura o tempo todo agora?
— Estou. – Confirmei olhando ao redor, tudo parado como em uma fotografia. – Você? – Ele assentiu. – Do que precisa?
— Eu preciso ter alguma necessidade pra te visitar? – Permaneci em silencio. – Mas, está certa. Eu acho que talvez eu precise da sua ajuda ou pelo menos dos seus conselhos.
— Eu não vou demorar pra sair. Nós podem...
— Não podemos estar no Neftis! – Ele interrompeu. – Mais tarde talvez, vinho não está em falta.
— Explique. – Pedi e me sentei, pois, pelo visto, tempo não seria um problema.
— Eu a encontrei... – Ele não tinha a reação que eu estava esperando ao contar sobre isso, estava de cabeça baixa, era quase palpável a tristeza no rosto. – Ela está diferente, mais madura, consciente... Muito ciente do que sou, do que já fiz, de quem eu sou e...
— Adam! – Cortei sua frase. – Sem rodeios, só me conte o que quer. – Ele sorriu.
— Ela me disse. “De uma chance, encontre algo que gosta, veja o mundo deles...” Não necessariamente nessa ordem.
— E...
— Eu tenho séculos de vida... E eu sempre tive obrigações, expectativas e por muito tempo um objetivo bem definido. – Ele apontou ao seu redor. – Eu não caminho entre os humanos se não for para encontrar sangue, eu não caminhava antes se não fosse por batalhas...
— Você quer ajuda pra se enturmar? – Eu sabia que estava com um rosto debochado, porém, ele dificilmente reagia a isso, as vezes até penso que ele gosta.
— Eu quero entender, quero encontrar meus “prazeres” fora os que já possuo, quero ver o que ela vê neles. – Explicou ele. – Eu vejo humanos todos os dias, entretanto eu só vejo a carne, o sangue, o superficial se movendo, eu me isolo e visualizo, até encontrar uma presa que me agrade e a faço durar. Não tenho noção do que podem oferecer que eu não conheça, eles são seres mundanos e simples.
— Nós somos você quer dizer. – Pontuei. – Eu sou incrível é fato, mas, ainda sou humana ta bem! – Era importante deixar claro que esse comentário me ofendia.
— Eu não tenho você no mesmo patamar deles, você é muito mais que uma simples humana nesse mundo.
— Tão fofo. – Ri do meu próprio comentário.
— Vamos então, me mostre o seu mundo. – Ele pediu se levantando e me estendendo a mão.
— Ainda preciso encerrar aqui. – Expliquei. – Mais algumas horas só.
— Eu só tenho o período noturno, não posso desperdiçar. – Ele juntou as mãos e abriu em concha. – Coloque um fio de cabelo aqui. – Eu obedeci, em prol da minha curiosidade.
— Não faça nada esquisito.
— Jamais. – Ele sorriu antes de furar a ponta do dedão com a presa, em seguida passou o próprio sangue naquele fio de cabelo. – Por favor, faça por ela o que ela não poderá.
Em instantes aquele misero fio de cabelo havia se tornado uma pequena esfera de luz em movimento, depois disso um pequeno tornado branco, logo assumindo uma forma humanoide etérea e então, uma réplica física exata de mim.
— Eu disse pra não fazer nada esquisito. – Falei dando a volta naquela duplicata.
— Não é esquisito, é você! – Explicou. – Uma versão menos charmosa e viva.
— E ela vai?
— Vai te substituir essa noite, ela vai desaparecer com o nascer do sol, mas, antes disso vai seguir exatamente a sua rotina média. – Ele estava orgulhoso.
— Vai me ensinar a fazer isso depois?
— Você não pode. Esse feitiço precisa de sangue imortal do invocador.
— Eu estou tão feliz com a magia, aí vem você e mostra níveis que estão fora de alcance. – Reclamei.
— Por hora senhorita. – Ele estalou os dedos, minhas roupas simplesmente se foram, agora o que eu vestia era claramente era uma versão prateada e verde do que eu estava vestindo da ultima vez que fui até o seu lar.
— Gosta dessas cores é? – Perguntei parando ao seu lado.
— Gosto de prata, o verde combina com você. – Ele estendeu o braço que segurei. – Vamos ver um pouco do que os homens tem a oferecer.
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