Filhos da Magia
17 Capítulo 16 - Dor após dor

Eu nunca presenciei um genocídio antes. Nunca presenciei o caos, mas o provei por uma noite e foi como uma bebida amarga que fui forçada a engolir, desceu rasgando pela minha garganta enquanto quero gritar de desespero, me deixa tonta e fora de mim. Tomei um grande gole da perda e dor. Inútil, era como me sentia. De joelhos no chão de pedra, marcado pelo sangue igual a minhas roupas e rosto. Devastada com o que acabei de ver e sentir.
Gritavam por ajuda atrás de mim. Houve muitos feridos. Entre eles crianças, homens e mulheres. Não movi um músculo. Estava tão ferida quanto eles, ao menos era assim que me sentia. Em dor interna e externa, querendo gritar e gemer de dor, mas escolhi o meu silêncio do que mais um clamar por ajuda.
Sentindo o calor reconfortante da fogueira em minha frente, eu podia enxergar corpos queimados lá — era de pequeno porte, provavelmente, uma das crianças que não foram salvas. Os ossos alimentavam mais ainda a chama ardente e crescente em minha frente. Isso não estava certo. Puras e inocentes almas sacrificadas no fogo de forma tão repentina. Como ele chegaram aqui afinal? Um sentimento de desconforto atingiu meu estômago. Lembro-me de algo que esteve em meu caminho o tempo todo. O único serque deixa pessoas entrarem e saírem é Nicholas, e isso me fez rosnar e ficar as unhas na pele. Mais vidas foram pagas pelo mesmo culpado, aquele que quero mais matar e que mais me testa nessa cidade.
Entre a aflição dos cidadãos, eu o vi. Olhos azuis como o céu ensolarado de manhã, estavam nublados com pavor, inundados pelas próprias e brilhantes lágrimas, os lábios reprimidos e o rosto devastado. Ele não se parecia com um líder ou um rei. Ele sentiu o mesmo que eu, o mesmo que todos. Abalado com passagem arrebatadora da perda. Olhou em meus olhos, mas não devolvi. O pensamento de Nicholas ter sido a causa desse massacre me recusava sentir pena dele e sua tristeza ajudava mais na teoria de que foi ele quem deixou esses monstros entrarem e agora está arrependido.
Baixo o olhar diante o fogo. Encaro o sangue em minhas mãos, de repente, sinto que eu fui a causa desse derramamento de sangue. E meu cérebro começa a montar as peças. Vidas inocentes ateados no fogo ardente – sacrifício – e logo após isso uma imagem de minha irmã aparece dizendo o meu nome, me chamando. Meu mundo parou. O choro das pessoas martelou em minha cabeça como uma enxaqueca muito forte, minha visão foi embaçada pelas lágrimas que ameaçavam a cair, meu corpo doía e tremia, curvo-me, de joelhos, diante a fogueira e as lágrimas descem sem meu controle. Pressiono os lábios para não escapar nenhum soluço dolorido, mas não me ouviriam em meio a tanta dor. Vidas perdidas – um peso que não podia carregar, pois não estavam sobre minhas mãos ou ombros, eram os seus sangues que me marcavam com a assassina, e me atingiram como um dilúvio.
Um pouco de poeira entro em meus olhos, então fui perceber que alguém tinha se aproximado. Uma mulher, pois, ao olhar para os pés, vi botas pretas de salto ao meu lado direito. Segui o olhar até o rosto da moça, após dezenas de tecido esmeralda de veludo que seu vestido tinha, reconheci o desprezo ao devolver o olhar para mim. A mesma moça que me comparou a minha mãe no meu primeiro dia aqui.
A mulher ruiva se agachou ao meu lado, encarando o fogo com a testa franzida, pensativa. Faço os mesmos movimentos, estranhando a aproximação e o silêncio. Respiro fundo, enxugo as lágrimas com as mãos recompondo minha força aos poucos. Parecer abalada era o mínimo que queria. Quanto mais demonstrar tristeza, mais as chances de parecer o culpado aumenta. Não é exatamente o que eu disse sobre Nicholas?
De qualquer forma, mesmo em dor, eu não preciso ser apedrejada agora.
— É uma terrível noite — ela sussurrou sem me olhar. Apenas assenti — É uma dor compartilhada, garota. Todos se conheciam aqui e criaram laços como uma única família — então, nosso olhares se encontraram — Mas eu tinha minha única família —olhou para fogueira novamente — Tinha.
— Foi sua criança — conclui seguindo o olhar. Pude vê-la concordar com a cabeça lentamente — Meus pêsames. É uma dolorosa perda, senhora. — encarei o chão.
— É doloroso porque você causou isso. — disparou como uma bala em minha cabeça.
Fiquei em silêncio aceitando a sentença. Eu sentia o calor em meu rosto. Talvez pela fogueira, pelo ódio da mulher ao meu lado ou pela minha vergonha.
— Foi claramente um sacrifício de Ela'nor. Olhe para os orcs. — fiz o que mandou.
A minha esquerda, alguns metros atrás de mim, estava no chão e ensanguentado o orc. Olhei em volta, as pessoas já estavam indo embora. O resto de batalha permanecia no chão. Montanha de corpos, sangue e lágrimas. Voltando a criatura verde, não via nada demais.
— As roupas que ele usa. — deu a dica soando um pouco irritada.
Olhei novamente para o monstro. Sim, ele usava roupas – bem bonitas, na verdade. Parecia armaduras como as dos guardas do castelo – eram totalmente pretas, mas com bordas roxas e caveiras nas ombreiras. Avistei o monte de corpos e todos os que nos atacaram vestiam o mesmo.
— Então, o pai de Nicholas mandou bando de suicidas para nos atacar e usou vidas inocentes para me mandar um recado. — sussurrei ainda absorvendo as informações — Nicholas não deixaria inimigos entrarem aqui, não é?
Ela riu baixo, sarcástica e amarga.
— Não confie naquele garoto — rosnou baixo — Ninguém gosta dele como líder. Ele não nasceu para isso. É egoísta e ambicioso — ela deu uma pausa, verificando os lados. Mentalmente, concordava com cada palavra, mas não a interrompi — Querem tirar ele do poder, assim como ele fez um dia com seu pai. Um dos homens que morreu foi Ezra Gorn, um homem muito querido por todos e o escolhido pela população caso haja um "impeachment" — sussurrou entre aspas — Não apenas ele como vários que o apoiaram morreram, incluindo meu único e inocente filho.
Passos pesados foram ouvidos atrás de nós. Olho para quem faz tal barulho e uma pequena parte de mim aplaude de alívio. Era meu guardião trazendo em seus ombros dois corpos como se fossem sacos de açúcar de 1kg. Mal olhou para mim, seus olhos refletiam a escuridão da noite e o fogo das chamas, o cansaço estampou seu rosto mas ele não parava de ir e voltar trazendo mais corpos, e eu apenas o olhava por minutos – incomodada pela fumaça fedorenta de carne queimada.
Aliviou-me por um lado ver que está fisicamente, mais ou menos, bem. Esperei pacientemente até que ele levasse o último corpo de um elfo ao fogo e o jogasse, então ele respirou fundo, enxugou o suor na testa com as mãos e caiu sentado ao meu lado. Vi seus olhos negros semicerrados, respiração ofegante e preferi me calar. Era estúpido perguntar se ele estava bem, só de olhá-lo eu já sabia a resposta. Ambos só desejavam que essa noite acabasse logo.
Tossi com pouco com a fumaça. Era tóxico ficar lá. Após talvez uma hora sentada em pedra minúsculas, levantei-me com dificuldade com as pernas e bunda doendo. Me desequilibrei um pouco e encostei no ombro de Tyler para me apoiar.
— Desculpa. — sussurrei com a voz baixa e falha. Minha garganta doía como se eu não falasse a dias.
Tyler se recusava em me olhar, mas eu sabia que podia contar com ele caso vem a ter um ataque. Mas senti que ele precisava de um espaço, levantei-me justamente para deixá-lo sozinho. Porém quanto ia dar um passo para ir embora, senti o calor aconchegante de sua mão na minha. Ele continuava a encarar o fogo. Entendi esse movimento com o que já sabia: Eu podia contar com ele.
Inspiro fundo e fecho os olhos.
— Ty — chamo-o pela primeira vez desse jeito, acabou soando mais baixo que queria — Vamos embora. Talvez devemos que ajudar amanhã de manhã também. — apertei sua mão, e ele assentiu.
Levantou-se, tirou a poeira da roupa, cabisbaixo, e liderou o caminho para de volta ao castelo.
Olho à fogueira pela última vez e relembro da imagem de Arisu nas chamas. Ergo a mão para as mesmas e recito: Ardente Igne. Isso fez com que as chamas ardessem mais e que os corpos se queimassem mais rápido. Uma vez que acordassem amanhã, resquícios daqueles que andavam e moravam nessa cidade estarão misturado com seus assassinos. E suas cinzas estarão espalhadas pelas calçadas que um dia caminharam
Tyler estava muito na minha frente, e como eu mal sabia o caminho certo para o castelo, eu corri para poder alcançá-lo. Cheguei ao seu lado e permaneci em silêncio. Senti falta do calor da fogueira. A madrugada estava tão fria que fazia meus ossos e maxilar tremerem um pouco.
Minha cabeça começa a ficar sonolenta e lerda, mas me sentia incomodada. Incomodada pelo meu amigo do lado. Por que diabos ele está sendo frio comigo? Deve pensar que fui eu que fiz essa merda toda acontecer. E realmente, até eu acredito nisso. Não o culpo por me odiar. Apenas quero entender como chegamos a isso. As peças não se encaixam tão bem como antes.
Nicholas tomou Swamoris de seu pai e agora ele quer vingança. Comparando o que aconteceu poderia ter sido um atentado. Sem contar que as roupas do orcs e elfos eram usavam as mesmas armaduras pretas com detalhes roxos e ombreiras com formas de caveira, que me lembravam muito aqueles elfos eu atacaram eu e Tyler. Então, foi Francis quem mandou esses caras antes e agora. Era um aviso. Mas para quem, para mim ou para Nicholas? Porém, se Arisu está metida nisso, isso significa que eu também estou.
E então, uma peça se encaixou.
E isso me fez tropeçar em meus próprios pés. Acabou caindo em cima de Tyler, que me segurou na hora, mas ao invés de me soltar em seguida, ele não fez isso. Me abraçou forte sem diz uma palavra, e novamente, não precisa explicar. Responde envolvendo meus braços em seu pescoço e encosto a testa em seu ombro, respiro sua colonia forte e seu cheiro de murrinha de cachorro. Quase me fez reclamar, mas não tinha tempo para isso. Ele apeto forte mais uma vez antes de afrouxar o abraço, olhando para mim. Eu vi mesmo na escuridão da noite, a preocupação no olhar de Tyler. Posso dizer que o olhada da mesma forma.
Volto a pensar que o massacre todo aconteceu por minha causa e meu coração falha uma batida dolorosa. Eu lembro da ruiva perto da fogueira e o seu filho incinerado. Uma onda de mal estar me atinge. Encosto a cabeça no peito de Tyler e inspiro. Tomando coragem para me confessar minha teoria conspiratória.
— Foi um aviso — sussurrei — Desde o começo de nossa viagem.
Um vento passou sobre nos e o cheiro de carne queimada me invadiu novamente. Começo a suar frio. Era muita pressão encima de mim. Todas as mortes. O cheiro de morte. A breve calmaria e silencio que a noite proporcionou pela primeira vez foi jogada fora em segundos. Tyler não se pronunciou. A natureza, grilos e corujas, eram as únicas que respondiam aos meus sussurros. Porém, continuei a falar.
— Os elfos que nos atacaram no primeiro dia e os que nos atacaram agora foram mandados por um só homem, Francis. Eles gritaram " Ela'nor" quando me viram pela primeira vez. Querem me matar. E sabem que estou aqui. E sabem como entrar aqui. Eu preciso descobrir como eles acharam uma entrada. Talvez possa ser nossa saída — afastei-me de Tyler e me encostei numa árvore próxima — Eu não esperava por isso... morte. Muito mesmo ver minha irmã. E isso que mais acaba comigo, Tyler — começo a sentir o nó na garganta, prestes a chorar. Pigarreio, respiro fundo para não ter que perder a pose agora. Não era o momento — Eles tem Arisu. Ele a pegou — senti as lágrimas encherem meu olhos ao relembrar do rosto inocente de minha irmã — Não sei o porque, mas eu vou tirar todas as minha dúvidas hoje. Eu cansei desse lugar.
E só havia um ser que pudesse falar comigo que poderia tirar essas minhas dúvidas: Meu pseudo-mestre.
Tiro uma dos meus punhais da cintura, pressiono a lamina na palma da minha mão e a corto de uma vez. Ofego pela ardência e dor, mas as ignoro. Jogo a faca no chão, molho minha outra mão com o sangue que escorria e desenho na árvore o ritual e teletransporte: uma estrela dentro de um circulo.
— Vai para onde? O castelo está logo ali? — murmuro com a voz rouca, soando irritado.
— Vamos para caminhos diferentes hoje, Tyler. A noite não terminou pra mim. Ainda não — acabou de fazer o desenho e o olho soslaio — Pode ir para o ser quarto. Não espere por mim.
— Parece que vai fazer alguma besteira — disse vindo ao meu lado — Mas você vai, não é mesmo? — ´perguntou num tom irônico.
Até agora ele tem que me irritar. Nos piores momentos, justamente quando eu pretendo fazer algo. Ponho as mãos no tronco para começar o ritual, mas a mão quente de Tyler me afasta bruscamente da árvore. Olho descrente. Encarei seus olhos brilhoso de raiva em minha direção. Como se estivesse com raiva de mim após tudo que aconteceu, ou precisasse de um otário para descontar a raiva. Mas não seria eu esse alguém.
— Mas que porra! Por que não vai embora de uma vez, Tyler? Estou tentando fazer algo por nós, por mim! — exclamei e ele riu de escarnio.
— O que vai fazer? Brigar com Nicholas e deixar sua kitsune destruir tudo? De novo! As pessoas ficam cansada de tanta destruição, Akemi. Poderia ao menos parar por um mísero dia de ser egoísta! — gritou.
— Egoísta? Eu faço o máximo possível para descobrir uma forma de sai daqui! Para salvar nos dois dessa cova de cobras que entramos! E eu tento ser educada com todos, mas eles me chamam de monstro. Eles riem, atacam e rezam pela minha desgraça! Toda essa destruição é carma! Eles colheram o que plantaram!
— Salvar nós dois? — riu novamente — Você só pensa na sua irmã. Admita! É fato! Eu passei anos da minha vida dedicada a você. Anos. Eu protejo, escolto e cuido de você todo o dia. Enquanto seu passatempo é destruir casas e trazer desgraça a todos ao seu redor — falou jogando puro veneno em mim. Como se não bastasse, ele não parou por aí — Sabe de uma coisa eu deveria ter te matado desde o primeiro dia. Antes desse demônio em você acordar. Deveria ter seguido o conselho da minha irmã, mas eu sou muito burro. Pensei que o mal que há em você foi planejado e plantado a força na sua vida e no seu destino, mas eu estava enganado. O mal é você.
Ouvir aquelas palavras foi como facadas no meu estômago. Tão verdadeiras, como se Tyler guardasse para si próprio sua verdadeira opinião sobre mim. Tão cruel, vil. Depois de todo esse tempo, atacar-me no momento de fragilidade. Ele conseguiu roubar minha voz, vontade, coragem, apenas com sua opinião. Encosto na árvore atrás de mim. Não aguentando a proximidade entre nós, segurando as lágrimas o mais forte o possível. Sentindo a raiva passar pelo meu corpo, calor em meu rosto, a amargura em minha boca e o ódio palpitante em meu coração.
Tudo isso teria sido evitado se eu estivesse morta desde minha primeira batalha? Ou se Tyler tivesse me matado? É incrível ouvir isso dele. Aquele que deveria me proteger. Aquele que meu pai deu total confiança. Acabou de confessar que deveria ter me matado quando teve a chance. Meu coração chia em pura dor constante. Sentia tontura, mal-estar, pela situação.
Dei um riso descrente escapar, balanço a cabeça inconformada com a situação.
— Bem, você realmente teve a chance. Mas você não pode me culpar por tudo — disse em voz baixa — A profecia é a nossa destruição. Eu estando viva ou não, está merda não vai deixar de acontecer — olhei para ele com frieza — Também estou realmente surpreso com a sua falta de lealdade ao meu pai, Laurent. Conhecendo ele, eu tenho certeza de que não deixaria isso quieto. Mas como ele não está aqui, eu tomarei as decisões.
Ponho a mão na árvore, uso uma parte da minha magia para conjurar um portal que levava para a sala principal, aonde eu esperava que Nicholas estivesse. Como um buraco negro de 2 metros de altura, o portal surgiu. E vislumbrava a poltrona real de Nicholas – o mesmo não estava na sala.
Tyler estreitou seus olhos para mim, não entendendo o que queria dizer.
— Em nome de meu pai, eu, Akemi Nakamura, acabo com a dívida entre os Laurent e os Nakamura. De agora em diante sua família e você são meus inimigos por causa da quebra no trato. Eu vou mais afundo nessa história, Tyler. Eu vou descobrir quem teve essa ideia de traição, mas até lá. Mantenha-se longe de mim e de minha irmã. Ou você e sua irmã irão pagar. Eu prometo.
— Como se atreve me ameaçar? — ele avançou, mas eu fui mais rápida e entrei no portal.
— Você me traiu. Vai colher plantou assim como os cidadãos dessa cidade.
Lentamente, as bordas do portal foram se fechando, mas ainda pude ver o desprezo, raiva, descrença, tristeza, tudo misturado em seus olhos. Era como olhar em um espelho, pois eu o olhava da mesma forma.
O portal de fechou, e eu respiro fundo. Algumas lágrimas caem ao sentir o silêncio e o vazio da sala. Minha garganta estava enrolada em um nó tão gigantesco que doía. Cambaleei até o trono do mago e me sentei. Acabei abraçando minhas pernas, com a testa encostada no joelho e com os olhos marejados em lágrimas.
Minha mente me torturava com essa noite de terror. Continuava lembrando dos rostos, gritos, da dor e pavor, ódio e raiva – tudo para me desestabilizaram mais ainda e fazer chorar o dobro. Parte de mim apenas não esquecia o fato de esse ataque ter sido muito bem planejado, pois entrar aqui é difícil, sai mais ainda. Nicholas não poderia deixar isso acontecer. É o povo dele. Mesmo que não tenha nascido para isso... essa matança não seria a solução. Eu meio que hesito em dizer isso, mas não acho que ele tenha permitido esse ataque. E se eles vieram de algum lugar, esse lugar pode se minha saída. Eu preciso de alguém que conheça esse lugar como a palma da mão. Lembro-me de Ichiro, mas também me lembro de que já não tenho nenhum contato com ela. Outra opção era Nicholas e Naomi.
Eu não queria sair para procurá-los. Preferi esperar, quieta. Usufruindo dos meus instantes de auto piedade e pena. Pelo menos, estar triste me deixa com sono. E eu mal segurei a vontade de me afastar do mundo por algumas horas.
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