Filhos da Magia

18 Capítulo 17 - K'onar


Consegui tirar umas horas para poder cochilar. Mas acordei tão cansada do que quando fui dormir. E, ao olhar para as grades janela, não dormi mais que uma hora, pois o céu continuava escuro. Considerei um milagre ter "dormido" — mesmo não sendo o tanto de horas que queria — após esse dia estressante e cansativo. Talvez realmente a noite não tinha acabado para mim, nem a madrugada.

Espreguicei-me no trono sentindo as dores pela minha soneca. Respiro fundo, levanto-me e sigo em direção à porta. Já que Nicholas não tinha me encontrado, eu teria que procurá-lo. Ando pelos corredores, subo as escadas e não encontro uma única alma viva.

Meus passos ecoavam pelo castelo, a escuridão da noite me deixava alerta. Quase estranho a falta de presença dos guardas, mas então me lembro do massacre. Então, entendo o fato de que provavelmente Nicholas está ocupado, assim como Naomi, e vou até meu cantinho de descanso onde costumo ver o sol nascer. Era muito cedo, mas precisava organizar meus pensamentos para o que iria fazer.

Respiro fundo após subir o tanto de escada. Ando até o meio da torre, coloco minhas armas no chão, deito, encarando as estrelas.

— No quê que eu fui me meter? — murmurei pra mim mesma.

Eu pesquisei em minha mente métodos mais rápidos que poderiam me ajudar. Aqueles que procuro estão ocupados demais para isso, sem contar que meu simples pedido estranharia Nicholas e ele poderia ficar mais atento aos meus passos. Os cidadãos me odeiam e eu não tenho o meu amigo ou mestre para me ajudar nessa. Estou completamente sozinha.

— Pensei que já tivesse cansado dessa noite? — uma voz calma e conhecida se manifestou atrás de mim.

Olho de imediato que é o dono da voz, esbocei um pequeno sorriso.

— Bem, eu cochilei, se é isso que quer saber — observo o anjo se sentar ao meu lado —Como sabia que estava aqui?

— Eu pressenti. Na verdade, queria um lugar calmo depois de tudo isso que aconteceu — ele disse em voz baixa e sem me olhar — Eu vi a parte da fogueira. Sinto muito por estar presa aqui Akemi.

— Eu também — murmuro de volta — Mas eu vou achar uma forma de sair. Apenas preciso de alguém que conheça essa cidade — virei-me para Idas — Você conhece?

Ele fez uma careta, hesitando um pouco.

Eu não deveria insistir com as pessoas, pois é chato e acabou virando uma pessoa irritante, mas era necessário que eu saísse daqui.

— Eu sei que é chato, mas se souber de algo, qualquer coisa, por favor, me conte, Idas. — olhei com os olhos marejados para o anjo. Torcendo para que a minha tristeza o convença a mim ajudar.

— A-akemi — gaguejou, desviando o olhar para a lua cheia — Eu moro aqui faz tempos, mas a minha vida inteira passei preso em Stagnum. Eu gostaria de te ajudar, mas eu comecei a realmente viver a menos de uma década. Tenho tanta experiência nessa cidade do que você. Eu sinto muito.

— Ah, não — me senti envergonhada por insistir — Eu que sinto muito. Não conhecer o planeta Terra é uma tristeza e tanto. Não há tantas pessoas boas, mas as paisagens e culturas, tudo é lindo — olhei nos olhos heterocromáticos do rapaz ao meu lado — Quando eu sair daqui, você será o primeiro que vai me acompanhar nas aventuras na Terra. Se quiser, é claro.

— Não me dê falsa esperança, Nakamura. — sua expressão se fechou.

— Minha esperança foi muito bem alimentada nesses dias — segurei na mão fria do anjo — Vem comigo?

Ele olhou para mim, e então nossas mãos, e apertou sua mão contra minha, sorrindo ladino.

— Claro. Obrigado — ele avançou, dando-me um abraço rápido — Olha, eu acho que tenho algo que posso te ajudar...

— Oh... — meu coração acelerou — Conte-me.

— Bem, você deveria perguntar para as pessoas mais velhas daqui — comentou como se isso fosse óbvio e resolvesse tudo. Apenas arqueei uma sobrancelha — Eu sei que você não é amada pelos cidadãos, mas pode perguntar para os que realmente conhecem.

—Preciso de nomes, Idas.

— Não me vem muitos à cabeça. Terá de descobrir isso sozinha. Somente você pode fazer isso — ele percebeu o ponto de interrogação minha cara e disse — Pergunte as almas que vagam Swamoris. Elas não têm nada a perder. Nem vida tem — zombou enquanto se levantava — Procure por uma tal de Nívia. É o único nome que me vem à cabeça agora.

— Obrigada... — murmurei, mergulhada em meus pensamentos, e quando me virei, ele já tinha ido embora.

Esse nome não me era estranho... Quais meios eu deveria usar para me comunicar com espíritos? Não deve ser muito difícil até humanos conseguem através de tabuleiros, por que eu não?

Tive de me preparar apropriadamente para isso. Pego minhas coisas e volto ao meu quarto. Dessa vez, tinha algumas pessoas nos corredores. Eles mau olhavam para mim. Apenas abaixei a cabeça e segui para meu quarto e silêncio. Entro no meu cantinho, fecho a porta, começou a procurar meu livro na mochila, e encho a mesma com as minhas roupas.

Estava tão encorajada que a ideia de sair hoje mesmo de Swamoris martelava em minha mente.

Acabo achando o livro em meio as cobertas em cima da cama. O pego e começo a folhear, procurando um feitiço parecido com o que Idas me indicou. Acabo encontrando, mas estava em um nível acima de mim – uns dez feitiços, na verdade. Suspiro fundo, sento na cama, decidida a não deixar esse pequeno problema me atrapalhar. O jeito era aprender o mais rápido o possível esses feitiços para então subir para o nível três.

Começo a me preparar para evoluir a minha força. Tranco a porta, pego algumas velas, terra e água, pego também meu ilustre e maravilhoso grimório e sento em cima da cama. Limpo a garganta e recito da página 20 os feitiços que me faltavam aprender:

Respiração dentro d'água — okay, isso era extremamente importante para mim. Até porque sou um fracasso com água.

Bolas de fogo (com as mãos e boca) — algo que me parecia mais fácil era justamente soltar chamas pela boca feito um dragão. Uau.

—Clones de terra.

—Aprimoração de redemoinhos, furacões e etc;

—Comunicação com animais;

—Ocultação de aura (poder ocultada num raio de 20 metros);

—Criação de fogo ampliada;

—Criação de água ampliada;

—Criação de terra ampliada;

—Criação de vento.

Já me sentia mais confortável e acostumada com o meu treino de magia. Nicholas me fazia ficar sentada, meditando, enquanto ele recitava o novo feitiço que eu precisava aprender e me mostrava como deveria ser feito. Com algumas imperfeições aqui e outras ali, eu conseguia terminar os feitiços com êxito. E foi exatamente isso que fiz, por horas e horas, até que o sol raiasse e eu estava em meu último feitiço.

Levantei-me sentindo minhas pernas dormentes. Me espreguicei, tendo os olhos incomodados com a luz do sol que vinha da janela. Me alongo um pouco, me preparando para gastar o que restou de minha magia. Eu estava exausta. Meu corpo doía por inteiro e isso sempre acontecia após um árduo treino. Meus olhos pesavam de sono, o sol esquentava a minha pele. Só me faltava tira mais um cochilo e acordar vermelha. Afastei essa ideia da cabeça e me concentrei no meu poder.

Mortem ventum — murmurou de olhos fechados, sentindo meu corpo arder a cada segundo. Isso acontece porque minha magia foi drenada a noite toda. E o pior, agora não tinha efeito nenhum — Mortem ventum! — fecho as mãos em um punho cerrado. Por mais que me esforçasse mentalmente a brisa mal me afetava, estava calma.

Rosno, parando de tentar completar meu feitiço. Precisava me desestressar, ficar tão calma quanto a brisa. Ou precisava de um encorajamento.

Ando até a janela e vejo uma parte da cidade. Os guardas limpavam as ruas, os cidadãos ajudavam uns aos outros com abraços e lamentações. Esse é o tipo de visão que não queria suportar mais. E o pior, Tyler estava lá, entre as árvores, olhando diretamente para mim. Ele ficou imóvel assim como eu. Agora que éramos inimigos e que eu o ameacei, deveria ficar mais alerta em sua presença. Ser forte era necessário.

Ergo a mão em sua direção, respiro fundo e recito:

Mortem ventum.

Um vento gélido atacou minha pele, arrepiando-me, e foi em direção ao lobisomem como uma rajada inofensiva. Mexo os dedos, guiando o vento ao seu redor. Pude ver que ele olhava para os lados, parecia perturbado, pois o vento sussurrava em sua mente a palavra " Traidor". Sorrio ao completar meu último feitiço. Disperso os ventos e saio do campo de visão do Laurent.

Era hora de fazer a melhor parte.

Eu fecho a janela e me certifico de que a porta está fechada. Pego meu livro, coloco na página onde o feitiço estava escrito e o leio novamente. Era simples: precisava estar em um local com uma energia muito forte, boa ou ruim, para que assim eu pudesse conseguir uma conexão com o mundo das almas. Bem, qualquer lugar de Swamoris tinha essa energia – perto da fogueira principalmente. Preferi ficar em meu quarto em respeito a esses mortos. Mesmo que os perturba-los agora não é tão respeitoso assim também.

O feitiço parecia ser complicado pois era uma frase muito grande e eu não tinha mais energia. Tive de me conter para não me esgotar.

Quando, de repente, alguém bateu na minha porta. Fecho os olhos tentando reconhecer a aura da pessoa que me atormentava. Era uma aura azul celeste e muito brilhante. Era Idas. Seu cheiro estava mais forte e fácil de sentir. Vou até a porta e abro.

— O que quer? — perguntei.

— Está na hora de almoçar. Você precisa após a batalha de ontem. Você vem? — eu assenti, saindo do quarto e trancando a porta — Siga-me.

E assim eu fiz.

Após entrar e sair de diversos corredores, chegamos no salão principal onde nossa comida era servida. Na mesa havia dois porcos assados, uma galinha assada, arroz, purê, sopa e um bolo de chocolate. Parecia Natal. Era adequado para o monte de gente que residia o castelo, mas, tirando eu e Idas, não havia ninguém lá. Sento em uma das cadeiras e o anjo me acompanha. Nós nos servimos em silêncio, o que foi meio chato pois só dava para ouvir nos mesmos comendo e o sons dos talheres nos pratos.

—Então — ele quebrou o silêncio — Como vai com os espíritos?

— Bem, eu acho. Foi uma ótima ideia vir comer. Precisava repor minhas energias — disse, bebericando um pouco de suco de laranja — Minha missão de sair daqui está quase completa. Apenas preciso de mais tempo.

Idas murmurou um " bom mesmo" e comemos em um estranho silêncio. Quando terminou de devorar sua presa, levantou-se, despediu-se de mim com um baixo “até” e foi embora. Fiz o mesmo uns minutos depois e segui em direção ao meu quarto para enfim terminar o que comecei.

O castelo continuava — aparentemente — vazio. Segui meu caminho até meu quarto sem ser incomodada. Entro no quarto, tranco a porta, pego meu livro, reacendo as velas que formavam um círculo, nele eu entrei e sentei. Folheie as páginas até chegar no feitiço. Fecho os olhos e começo a dizer:

Vocant spiritus — de imediato sinto a aura no lugar mudar. Minhas mãos começam a tremer, e então, abro meus olhos e me espanto — Puta merda...

Tudo estava cinza. E eu estava diferente. Uma aura laranja sai de mim, havia muito mais. Me perguntei se fiz o feitiço certo, pois não vi nenhuma alma. Dei mais uma olhada no meu quarto acinzentado e fechei os olhos novamente. Tudo tinha voltado ao normal.

" Então, me chamou? " uma voz nova ecoou em minha cabeça. Era grossa, mas não igual a de Ichiro, a voz masculina continuou a sussurrar " Do que precisa, kitsune?"

Um nó aparece em minha garganta. Olho para os lados tentando achar o dono da voz, mas encontro ninguém — como esperado.

Meu corpo começou a tremer, um sentimento igual à adrenalina me atingiu. Era uma sensação boa, excitante. Era poder.

— Humm... eu preciso sabe a saída de Swamoris o mais rápido o possível. Eu procurava por alguém chamado "Nívia", mas, por favor, me ajude...senhor... — respondi de voz baixa.

" Eu te ajudarei, jovem raposa. Apenas faço o que eu digo e conseguirá sair daqui ilesa "

— Como eu sei que posso confiar em você?

A voz riu.

" Digamos que eu conheço sua família muito bem e temos coisas em comum. Por exemplo, ambos não gostamos de Nicholas. Então, quer minha ajuda ou não?"

Não ao menos pensei.

— Apenas me mostre o caminho.

" Suba na torre mais alta." ele sussurrou.

Eu estranho seu pedido.

— Quer que eu pule de lá? — ergo a sobrancelha.

Sim” eu solto um riso surpreso.

— Ah , que idiotice minha. Tô falando com um espírito suicida… — “ele” me interrompeu.

Eu usarei minha magia para guiá-la para fora daqui, kitsune.”

Fico inquieta. É muita ajuda de um completo estranho — e espírito. Cogito na ideia de desfazer o ritual e recomeçá-lo mais tarde para tentar falar com outro espírito. Mas qualquer um seria tão estranho quanto este para mim. A garota Nívia foi entoada por Idas, talvez seja a mais adequada a perguntar. Mas algo em mim implorava para ir mais e tentar descobrir quem era essa alma.

— O que era você antes de morrer?

Ele riu.

Nunca morri, criança. Estou falando com você agora. Apenas estou aprisionado esse mundo fantasmagórico. Justamennte eu, quem mais se aventurava nele quando ainda tinha poder sobre mim

— O senhor era um mago?

Eu sou um mago! ” ele rosnou “ Sou sua melhor ajuda, Akemi. Nem pense em me trocar por outra alma ” me arrepiei.

Sem hesitar, apago uma vela, e depois outra, e depois outra. Em minha mente, a alma ria sombriamente. Percebi que apagar as velas ainda não terminaria o ritual. Um vento frio me atingiu. Fecho os olhos, pensando que isso era obra do espírito. Mas tudo fica quieto, até demais. Devagar, dou uma olhada em meu quarto. Não tinha uma sequer uma aparição perto de mim. O pior mesmo foi quando eu percebi que minhas armas tinha sumido. Facas, armadura e a katana não estavam mais em cima da cama. Olho ao redor, deito no chão para olhar debaixo da cama. Nada.

Merda! Nicholas ou Tyler devem ter me roubado!

Começo a me desesperar pensando na possibilidade de ser atacada hoje mesmo. Meu coração acelera, tampo os olhos com as mãos balançando a cabeça em negação.

Percebe? sem mim você não fica tão confiante…” disse a voz em minha cabeça “Abra os olhos, Nakamura” relutantemente, eu o obedeço.

Ofego surpresa. Um segundo foi o suficiente para entender.

Fincada no chão, bem em minha frente, sem explicação algumas, estava K’onar, cintilante como o sol, irradiando uma aura laranja parecida com a minha. Ao seu redor, estavam o restos das arma que então achava que tinham sido roubadas.

Não controlei o arrepio. Perguntas e mais perguntas enchiam minha cabeça, mas me mantive quieta. Então, a alma falou novamente.

Eles me chamam de K’onar, a sussurradora infernal. Serei seu mestre daqui em diante, garota. Conheço seu pai, sua família, e principalmente, eu sei a saída. Confie em mim ou morra hoje por aquele lobisomem estúpido"

Notas finais
aaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhh demorando de novo. Sorry. mas eu nunca vou excluir essa fic. Serio. ACHO que vou postar uma vez por mês. fica difícil de escrever as vezes, as vezes não fica bom, ou eu perco a inspiração. sla mas não quero acabar com isso pq é a fica mais trabalhosa e grande que eu fiz na vida, mas eu fico com orgulho. Até outro diia