Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.
69 Um soldado de Jess.
Notas iniciais
Enquanto isso no Estado.
Em uma sala do complexo do instituto de pesquisas da nave, estava Nia com a doutora Rose. Finalmente a jovem, que antes era uma ajudante sem um lugar definido, estava em seu futuro posto como a enfermeira de Rose e mais no futuro como sua substituta. Mal o dia da morte de Dukan na arena tinha passado, pois era manhã do dia seguinte, e as duas os tinham em um quarto analisando-o e estudando sua recuperação, que depois desse terrível golpe poderia devolvê-lo com alguma sequela ou ele podia nem mesmo acordar. Rose sabia e estudava a habilidade de Dukan e acreditava que bastava esperar que ele ia voltar em algum momento.
O ferimento mais preocupante havia atingindo o rapaz por trás, e não saiu em uma parte que o desfigurasse, e para surpresa de Rose se curava de fora pra dentro impedindo que ela soubesse com certeza de quando tudo estaria de volta em seu lugar.
Porém não demorou e os olhos verdes escuros de Dukan se abriram aquela tarde, surpreendendo Revier que estava ali de vigia. Mas ele ficou imóvel encarando teto branco do quarto que era mais aconchegante e parecido com um quarto da terra do que sua cela de paredes de espelho.
–Dukan?- disse a menina se debruçando sobre ele após perceber o movimento.
Ele não respondeu e continuou imóvel observando a mesma coisa, sem nem desviar os olhos para ver a garota de cabelos claros em um coque volumoso e franja ocultando a testa.
–Talvez ele ainda não esteja completamente recuperado Nia. — disse a doutora depois de ser chamada pela garota. – Vamos esperar um pouco mais, antes de fazer qualquer coisa. E temos que informar o comandante Jess, sobre a sobrevivência de 351. — ela disse a ultima frase desanimada. — Pode ir lá?
A menina concordou facilmente e se afastou da sala. Após uma caminhada ela estava diante das portas principais do setor de Jess. Os dois guardas a reconheceram de longe e a deixaram passar sem fazer perguntas. Assim que informou Jess, o homem pareceu ficar um pouco feliz, talvez pensando no que mais poderia sujeitar a cobaia que se regenerava e a acompanhou de volta.
Logo os três estavam de olho em Dukan, ainda passivo deitado sobre a cama macia, ele também tinha ganhado uma nova vestimenta básica, depois que seu traje de cobaia sofreu muitos danos com os tiros.
–Porque você o colocou aqui?- perguntou Jess à doutora dando uma olhada em um criado-mudo com um abajur e toda a decoração do lugar. — Ele tem uma cela confortável.
A mulher lançou um olhar entediado.
–Se você pensasse além de celas e submissão, saberia que eles podem ter uma melhor recuperação em um ambiente confortável e parecido com o de onde vieram. E acho que eles se sentem melhor assim e é mais fácil pra se trabalhar.
Subitamente Dukan levou as mãos na cabeça, deixando os dedos se meterem entre os fios loiros dourados crescidos e desaparecerem, com uma expressão tensa e confusa. Então ele se sentou ignorando todo o ambiente e quem estava ali, e buscou o ponto em que tinha sido atingido atrás da cabeça, mas não encontrou nada além do cabelo bem mais curto sobre o antigo ferimento.
–Acha que ele se lembra do que aconteceu com ele na arena? — sussurrou Jess á Rose com um olhar que brilhava com um pouco de sadismo, ao imaginar como deve ser se lembrar da morte e do golpe.
Ela o ignorou e deu um passo para se aproximar do garoto.
–351?
Kan parou de fazer o que estava fazendo e olhou confuso para a mulher de jaleco. Depois notou os outros dois, Jess e Nia, na sala.
–Como você está se sentindo?
Dukan voltou a olhar a doutora.
–Você sabe onde esta?- Jess se aproximou rapidamente após a analisar a expressão confusa do garoto e afastou a doutora, sem delicadeza alguma, para ficar onde ela estava.
Novamente Kan observou os que estavam na sala, e dessa vez analisou a sala e seus detalhes. Então respondeu Jess com um gesto negativo de cabeça, fazendo o comandante se aproximar mais um passo da cama.
–Você esta na nave Estado. – disse o comandante e o garoto não pareceu reagir contra. –Você sofreu um pequeno acidente, Dukan. — o comandante sabia o nome dele, e para o que ia fazer podia ser mais eficaz usar o nome dele em vez de um numero. – Mas em breve pode voltar aos treinamentos.
–Treinamento de quê? -perguntou Kan confuso com as informações.
–Treinamento para ser um soldado. Estava indo muito bem.
Nia logo olhou com estranheza o comandante. A mesma reação da doutora que não interferiu e o deixou fazer o que queria.
Revier tinha uma tênue noção do que podia estar acontecendo ao juntar o fato de Dukan não a reconhecer, nem a responder, não expressar as reações que ela esperava ao ver o comandante ou ao ouvir que estava na nave; O fato de se esquecer disso tudo abriu uma janela para Jess convence-lo em ser um soldado.
O pensamento de não saber até onde Dukan tinha esquecido, ou se ele ia voltar para continua o plano que devia ser realizado no próximo dia, perturbava a garota; ainda mais se ela corria o risco dele mencionar algo sobre as conversas deles sem se lembrar de que aquilo era ilegal na nave.
Jess falou durante um tempo, fazendo de tudo para que o garoto acreditasse na falsa realidade de que ele se ofereceu para ser um soldado da Nave e que era alguém dedicado em ser o melhor. E por todas as expressões e até alguns breves comentários de Dukan, ele estava caindo perfeitamente na conversa.
Assim que terminaram, Nia se ofereceu rapidamente para ficar de olho no garoto no resto da tarde. Ambos apenas ficaram em silencio no quarto, mas ela o encarava analisando a possibilidade de ele ser um incrível ator.
–Tem câmera aqui também?
A menina ouviu-o dizer depois de algumas horas, e se conteve bem em não uma reação até ter certeza, pela forma seria que ele esperava a resposta, que Dukan voltou.
–Não. – respondeu e se levantou do sofá indo até ele, ainda com um pouco de desconfiança.
Ele olhou novamente o ambiente ainda acomodado na cama para ter certeza de que não tinha nada de estranho.
–Você... andou dizendo que faltava pouco dias para sairmos.- ele disse com um tom ainda incerto, sem poder confiar plenamente no que lembrava, e encarou fixamente os olhos cinza azulados de Nia.
–Eh... – ela concordou. — Você voltou mesmo?
Dukan a olhou, e um sorriso apenas apontou no canto de sua bocam antes dele dizer:
–Sim. Eu acho. Algumas coisas ainda estão estranhas... Coisas que sei em um momento, logo depois desaparecem.
–Você fingiu muito bem. Enganou direitinho todo mundo...
–Todo mundo?- ele estranhou. – Não acordei agora?
Ela negou e então resumiu o que houve no quarto.
–Não vou conseguir continuar com isso. — disse ele.
–Você estava indo muito bem. Só continue concordando e sendo um bom garoto na frente de Jess. Pelo que sei o nosso plano vai ser em breve, talvez em algumas horas.
–Eu estava indo bem porque era verdade. Não sabia de nada antes, Nia. Mas agora estou lembrando e voltando ao que era, sabendo quem eles são.
–É só mais um dia, no máximo. E será mais fácil se estiver vagando como um dos recrutas.
Por fim Dukan suspirou e concordou. Se fingisse podia ter as últimas horas naquele lugar mais tranquilas, sem o comandante de olho nele o fazendo se arrepender de não fazer as suas vontades.
***
No começo da noite a doutora Rose, o avaliou e concluiu que ele estava bem, exceto pela perda de memoria que Dukan mantia com silencio e uma expressão indiferente. A seguir Satori, o preparador dos recrutas, veio busca-lo, e ele atuou muito bem ao dizer um “bem vindo de volta” e lhe colocar uma pulseira — que os soldados sempre tinham pra desintegra-los, mas no caso de Kan foi modificada para não mata-lo e ser como um localizador. O Dirigente também entregou o novo uniforme que ele usaria. Que era diferente das usadas pela grande maioria dos soldados que se encontrava na nave, pois essa roupa tinha uma área de distintivos completamente vazia.
Depois de Dukan estar vestido, foi guiado até um quarto que compartilharia com outro garoto de expressão séria continua, e que não gostou muito de vê-lo em seu espaço, ignorando sua presença ali.O lugar parecia o reflexo da outra metade, exatamente iguais, com a exceção que um lado tinha os pertences do outro recruta bem distribuídas. Havia duas camas separadas, uma de cada lado do quarto com estreitas prateleiras sobre elas. Entre elas, em um espaço mais que suficiente para os dois, uma mesa com cadeiras exatamente na metade do quarto. Em uma parede livre, aos pés das camas, dois armários exatamente iguais lado a lado.
Dukan jogou uma mochila que recebeu com utensílios básicos na cama, e analisou a outra metade com decoração própria de instrumentos de musculação espalhados, pôsteres, roupas e bagunça. Depois, sem qualquer sinal de interação do outro recruta, Kan se deitou na cama e buscou descansar.
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