Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.
90 Motivos ocultos
Notas iniciais
Dias depois de o assassino Lukas ser preso...
Após o jantar, Nia estava na mansão para assistir a um filme junto com outros combatentes. O salão de tv foi preenchido com mais alguns pufes e tapetes. Brian Jalaska e Diana planejaram tudo em alguns minutos.
Enquanto todos esperavam a pipoca, Brian se torcia no mesmo sofá que Nia para conversar/provocar Beatrice, acomodada em um divã vizinho junto com Dukan. Ele falava sobre um assunto que gostava de lembra-la: o fato de ela ter conhecido o pais de Dukan. O loiro, em vez de fazer Brian parar de aborrecê-la, achava graça da conversa, principalmente quando Bea soltava uma frase tipo: Na verdade só tenho interesse na herança dele.
Apesar do espaço no sofá estar bem preenchido com Brian, espaçoso em sem muito cuidado com seus movimentos, Nia achava confortável. E não estranhou ver Vinte no meio do grupo, já que há um tempo descobriu, que mesmo que todos gostassem dele de alguma forma, o dono da casa não queria encontra-lo tão à vontade.
Taz, jogada sobre um pufe que parecia bem grande, olhava o teto e reclamava da demora de Destiny e Diana de trazer a pipoca. Faith, sentada próxima dela, concordou e mandou a irmã ir para cozinha atrás das garotas, e a ruivinha gêmea obedeceu.
Lucas e Aaron estavam no mesmo sofá, um bem longe do outro. Aaron lia uma apostila qualquer e Lucas tinha um bloco de desenho que rabiscava distraidamente. John Jalaska e Katrina estavam sentados no carpete, próximo dos pés de Nia, competindo em um jogo de pedra-papel-tesoura para passar o tempo. Os demais não estavam ali.
–Porque você está quietinha aí?- Brian subitamente falou com Nia.
Ela sorriu levemente e disse:
–Eu estava pensando.
–Pensando em quê? -indagou Brian, curioso.
Beatrice e Kan já prestando atenção neles, após Brian subitamente encerrar a conversa com eles.
Nia hesitou um pouco e respondeu:
–Qual é o motivo de vocês quererem derrubar a nave? Eu percebi que todos não gostam do que eles fazem e querem acabar com isso. Mas cada um deve ter um motivo particular pra isso, não?
Os olhos cinza-claros de Nia se fixaram em Brian, que ficou um pouco mais sério e desviou o olhar assistindo Clark se esparramar no chão (o cão a cada dia foi recuperando a confiança das pessoas da casa e já andava solto).
–Bem, o meu seria pela minha mãe. -E Brian olhou para Nia. –A única coisa que eu e Jonh sabemos é que ela morreu em um desses ataques do Estado. E não ficamos muito tempo com ela por causa dessa nave.
Sem querer querendo, alguns prestaram atenção na conversa e um silencio ficou na sala até Nia arcar e perguntar o motivo particular de Beatrice.
–Estou fazendo isso porque quero, sem mais... E acho que seria uma das coisas que meu pai faria se pudesse.
Logo Nia olhou na direção de Aaron que respondeu seco que apenas odiava o Estado. Lucas foi o próximo e ele deu de ombros, ocultando a cara atrás do bloco em que desenhava, mas o motivo dele era sua irmã capturada, ainda tinha esperança de encontra-la e não ser o único da família.
Então alguns olhares se voltaram para Taz, distraída em conseguir ver alguém surgir do corredor com potes de pipocas quentinhas. Faith, na rota de sua visão, a alertou que estavam falando com ela.
–O que foi?-Taz perguntou rolando sobre o pufe e olhando para os outros.
–Qual o seu motivo pessoal para lutar?- repetiu Nia.
–Hm... Sei-lá. –e deu de ombros.
Dukan ia comentar algo sobre o motivo de Taz, mas Destiny apareceu acompanhada de Diana e Hope, as três equilibrando potes de pipoca.
–Vamos começar! -disse Diana empolgada. Então ela parou desmanchando o sorriso. –Ué? Cadê o Cadius?!
–Acho que ele esta no quarto. -Respondeu John pegando a pipoca com Hope e distribuído para o irmão e para Nia.
Diana já dava meia volta para ir atrás do garoto quando Nia pediu para que ela esperasse e perguntou qual era o motivo dela. Ela não entendeu o assunto até que Faith, interessada nas respostas, explicar rapidamente.
–Eu luto porque quero um futuro diferente para minha irmã e para mim. — respondeu, e subitamente continuou o que estava fazendo. –Agora, vou arrastar aquele preguiçoso para cá!
Depois de se acomodar perto de Clark, Destiny foi a próxima:
–Meu pai morreu por causa de um Difusor. Foi um cenário horrível de assistir. Ninguém deveria viver esses ataques e sofrer as consequências terríveis.
De repente Cadius chegou com cara de sono e ocupou uma poltrona livre. A seguir Diana surgiu pisando firme e quando o viu, reclamou dele descer antes só para escapar dela. Ele apenas sorriu preguiçosamente e a mesma pergunta foi feita. Cadius olhou para Diana descobrindo o que ela respondeu, e então disse:
–O mesmo motivo da Diana. E minha mãe foi capturada, assim minha irmãzinha cresceu sem conhecê-la... –ele se lembrou da irmã em algum lugar vivendo com o pai seu. Diana foi até ele e acomodou-se como pode perto.
–Onde esta Philipe e Marlene?- perguntou Kan, notando que eles não estavam ali para responder essa questão.
–Marlene e Yan saíram. -respondeu Taz casualmente já assistindo o inicio do filme que ela colocou enquanto eles estavam falando. –O outro deve estar jogado debaixo de algum moveu ou em alguma discussão séria com o gato.
–Ou com o Charlie lá fora. -completou Nia admirando a tela grande e colorida.
–Como assim?- perguntou Kan estranhando.
–Os dois estavam falando de pegar vagalalumes durante o jantar.
–Vagalume. -Bea corrigiu Nia.
–Ah, não. Philipe disse Vagalalalumes.
Brian riu, e depois entre tosses disse a palavra estranho.
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Certo dia, Nia caminhava pelos corredores do subsolo com Charlie e Philipe logo atrás, carregando alguns livros e papeis. Os dois falavam da existência de seres em outros planetas e eles pareciam se entender em algumas coisas. Então Nia parou e se virou para eles:
–Vocês podem levar isso sozinhos? Eu me lembrei de que queria um livro lá da biblioteca.
Os meninos concordaram e continuaram.
Alguns minutos andando sozinha, ela parou subitamente próxima de uma porta e olhou para os dois lados do corredor, tudo estava vazio e silencioso, e então abriu a porta. Assim que entrou Vinte aprumou a postura ao lado da ruiva, sentada em sua cadeira na sala de monitoramento, e encarou-a. A menina de cabelos loiros claríssimos estreitos os olhos para o ex-soldado, em desaprovação, e ele apenas a encarou mais sério que antes.
No fundo Nia sabia que incomodava ele, não demorou muito para ela notar a inimizade dele, ja que normalmente Vinte evitava encontra-la e durantes todos esses dias eles mal se falaram.
–Destiny você esta aqui sozinha?- perguntou Nia ao analisar a sala vazia e monitores ligados
A ruiva assentiu com timidez.
–Diana e Cadius foram testar a sala de ilusão para um treinamento e eu não vi Lucas hoje. -ela completou.
Nia concordou e olhou novamente para o ex-soldado que a observava.
–Não é melhor ele ir?- perguntou ela. -Flecher estava na sala de munições há alguns minutos, e pode vir verificar aqui.
O rapaz olhou de Nia para Destiny, que já concordava com ela, então com um gesto simples chamou a ruiva para acompanha-lo. Do lado de fora da sala de monitoramento, Vinte começou a conversar com Destiny sobre a menina, um assunto sério, que a ruiva prestou atenção. Mas Téo foi interrompido pelo som de passos, que percebeu tarde demais, e ao se virar encontrou Flecher o encarando desconfiado. Em vez de dizer alguma coisa e arrasta-lo para longe, o moreno apenas mandou-o entrar na sala de monitoramento. Téo obedeceu, sendo seguido pela ruiva. Nia ainda estava no mesmo lugar e com um leve ar de “avisei” os olhou entrar.
–O que você estava fazendo aqui?- perguntou Flecher seguindo para os monitores e observando cada um.
–Estava fazendo companhia para Destiny. -respondeu o ex-soldado sem culpa.
E Flecher olhou a ruiva rapidamente, depois encarou Vinte, franzindo a testa com suspeita.
–Tem certeza que era só isso?
Dessa vez Téo olhou para a ruiva, que avermelhou um pouco, e depois encarou Flecher de volta.
–Não. -Flecher balançou a cabeça tentando manter alguma paciência ao interpretar o olhar dele. -Não estou falando disso. Quero saber o que esta tramando? Esta é a sala de monitoramento, um lugar que você realmente não devia nem saber onde é, muito menos ficar aqui sozinho com alguém.
–Não estou tramando nada. -respondeu Téo sustentando olhar interessado de Flecher. -Todo mundo desse lugar já sabe que estou do lado de vocês. Que estou ajudando. Como quando você desmaiou naquele combate e quando fico repetido tudo o que sei sobre os soldados, as táticas e equipamentos. E você é o único que fica incomodado comigo!
Téo se irritou um pouco com a expressão acusadora e indiferente de Flecher.
–Vinte... -começou Flecher – eu sei que estou indo contra a opinião da grande maioria e que estou ignorando suas ações que comprovam que mudou de lado. Mas te encontrei em uma situação suspeita aqui. — os dois rapazes se encararam. Flecher pensando no que ia fazer. — Eu vou verificar o que há nesses computadores, se não encontrar nada de mais vou deixar você em paz.
Téo estranhou o que ouviu e trocou olhares com Destiny e depois concordou, compreendendo que depois ia poder andar mais livre pelo lugar.
–Mas, até você terminar de ver os computadores, como ele vai ficar?- perguntou Nia tensa.
Flecher estranhou-a e respondeu indiferente:
–Ele vai ficar aí.
Nia não entendeu a resposta. Verificar todos os dados dos computadores podia levar um bom tempo, pelo que já sabia. Mas então o moreno apenas colocou as mãos sobre o equipamento, e, com o surgimento dos veios de neons que se espalharam pela superfície, ele controlou tudo. Os monitores passaram a exibir muito rapidamente varias torrentes de códigos, textos, gráficos e símbolos. Nia, Destiny e Téo observaram com atenção ao fato. Porém a expressão concentrada de Flecher mudou para uma séria subitamente, a medida de interpretava tudo, até que ele largou do equipamento irritado e encarou o soldado.
–Seu mentiroso! Me fazendo perder tempo!- e empurrou Vinte para a parede.
–Quê? Espera! Como assim?-Téo ficou confuso.
–Como assim?! – e Flecher riu irônico –Essa sala de monitoramento deixou de apenas receber os dados e fazer analises! Esta enviando códigos para algum lugar há alguns dias! E você é o responsável por isso!
–Não! Eu não... — Téo negava o encarando -Eu não sei mexer nesses equipamentos de vocês! E Muito menos fico sozinho aqui para conseguir fazer algo desse tipo! Destiny sempre está comigo! -e Téo indicou a ruiva, mas depois desviou o olhar dela e murmurou — Maldita...
–Ei! Com quem você esta falando?!- Se impôs Flecher.
–Ah, não... – Téo se recompôs, recuando pra trás ao passo de Flecher em sua direção. –Eu estou falando dela! — E ele apontou diretamente para Nia. — Ela é a traidora.
–Para de ser covarde. Você nem a conhece!- reclamou o moreno irritado.
–É serio Flecher! E eu não sou covarde coisa alguma! Ela não é de confiança, nunca foi!
–Como se você mais digno que ela.
–Flecher, você nunca se perguntou o que é aquilo na cara dela? Do porque dela ter aquela tatuagem?- Téo encarava fervoroso Flecher. –E não é porque ela simplesmente quis! Quem tem o triangulo no rosto é treinado para ter mais de uma face. Por isso o triangulo de três faces diferentes. São capazes de fazer qualquer coisa, ser qualquer coisa, tramar qualquer coisa! Por isso que quem fez isso, foi ela!
Flecher olhou a menina próxima de Destiny. A expressão de Nia era de aflita encarando Téo com perplexidade e depois o olhou.
–É mentira dele! -argumentou ela, e o ex-soldado começou a balançar a cabeç negando e encarando-a. -Essa tatuagem qualquer um pode fazer! Ainda mais quando a maioria das pessoas de lá é parecida com você. É legal ter alguma coisa de diferente. Ele esta inventando tudo isso, Flecher. Todos os soldados recebem treinamento com essas maquinas, sabem dessas coisas de códigos e mensagens. Esta tentando me culpar, só para continuar o que estava fazendo.
Ia começar um bate-boca entre Téo e Nia tentando manter suas posições inocentes. Então Flecher os impediu de continuar, informando que o ex-soldado iria para a cela dele e para Nia inventou que precisava de um dos manuais dela, e pediu que fosse buscar imediatamente.
Nia saiu encarando o menino de cabelo prateado zangada. A seguir Flecher esvaziou a sala. No corredor puxou uma chave do fundo do bolso do jeans e trancou a sala, dizendo para Destiny avisar aos outros que não precisavam ficar na sala de monitoramento no resto daquele dia. E foi acompanhar Téo para o quarto/cela para ter certeza que ele ficaria lá.
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