Izumi

Localização: Japão

Hora: 13:49

Correr na floresta era uma das atividades favoritas de Izumi, mas depois que seu poder se manifestou isso ficou quase impossível, outras coisas também. Qualquer mudança no seu humor invocava as criaturas, no começo ela achava que eram demônios ou monstros saídos de filmes de terror antigos. Com o tempo percebeu que eram animais modificados pela radiação. Eles vivem nas zonas mortas; lugares abandonados por vários motivos. O seu poder só atrai os modificados e nenhum “normal” (os normais começaram a se afastar dela após a manifestação) Ela não precisou de muito tempo para notar como os modificados eram mais perigosos, mais rápidos e maiores. Durante os primeiros anos, Izumi anotou o máximo de modificações que conseguiu, alguns pássaros tinham bicos e garras tão resistentes que lembravam aço, cobras que pareciam se esticar como uma mola na hora do bote, ursos com pelos tão grossos que ficavam impenetráveis até mesmo por balas. Algumas vezes apareciam alguns animais que não deveriam viver aqui, Leões, Zebras, Hienas. Izumi descobriu como eles chegaram aqui e o mais importante: nunca se aproximou deles. Izumi estava correndo no meio da floresta para chegar no local da reunião, tinha a impressão de que aquela era a última chance de parar a guerra, e queria estar errada sobre Isso.

Takeshi

Localização: Japão

Hora: 23:30

Ninguém usava tecnologia, aquele era um recurso para emergências, quando Izumi ligou, Takeshi sabia que algo grande iria acontecer, uma reunião dos doze generais, em cem anos de existência dos poderes duas gerações de generais existiram e a primeira nunca precisou de uma reunião, Izumi não ligava para aquilo. Takeshi era o segundo general do Japão e sua irmã, Yure, era a terceira. O acordo entre países obrigava pelo menos um dos representantes de cada país na reunião caso fosse convocada, a reunião era feita por hologramas projetados em uma sala, a lei impedia que mais de três generais ficassem na mesma sala, não por segurança deles e sim segurança da população mundial, como ninguém sabia as intervenções da Oceania eles assumiram o pior: Veriam a oportunidade de vários generais juntos para matá-los ou para controlar de alguma maneira, as duas suposições tinham resultados catastróficos, depois de enviar os documentos informando a convocação da reunião para os outros países, Takeshi enviou o horário para Izumi que respondeu na hora informando que iria para o local mais afastado com um sistema de hologramas.

Izumi

Localização: Japão

Hora: 14:00

Izumi chegou na cabana no meio da floresta, do lado de fora parecia antiga e prestes a desmoronar, mas quando abria a porta havia uma passagem para subterrâneo onde chegava em uma câmara com doze discos no chão para projeção dos hologramas, Izumi foi para o seu lugar e esperou a máquina ligar, alguns minutos depois os outros hologramas apareceram, infelizmente apenas o mínimo necessário de cada país apareceu. Fernando, do Brasil. Aron, dos Estados Unidos. Ivanka, da Rússia. Japão era o único com dois representantes, aquilo provavelmente seria um problema.

"Olá." Izumi começou a falar. "Todos sabem o motivo dessa reunião."

"Quanto tempo isso aqui vai demorar?" Aron interrompeu.

"Se você não atrapalhar vai ser mais rápido." Fernando respondeu.

"Senhores, por favor." Takeshi entrou na conversa.

Fernando e Aron começaram uma discussão sobre o direito de cada um falar o que achasse necessário e Izumi não iria gritar para chamar a atenção dos dois.

"Basta!" Ivanka gritou. Assustando todos ali. "Izumi tem algo para falar e vocês vão escutar até o final e só depois vão fazer perguntas, entendido?"

"Entendido." Até Takeshi respondeu.

"Então…" Izumi voltou a falar. "Convoquei essa reunião para falar como algo de estranho está acontecendo com esses boatos de guerra e precisamos parar antes que alguma coisa ruim aconteça." Todos ficaram em silêncio, esperando Izumi falar mais alguma coisa, nenhum dos homens queria ser alvo de ira de Ivanka.

"Aron?" Izumi perguntou, dando a deixa para que ele soubesse que podia voltar a falar.

"Que boatos?" Ele perguntou. Mesmo na imagem de holograma, seu cabelo loiro e olhos azuis eram realçados.

"Os supostos campos de soldados nas zonas mortas." Ela respondeu.

"Não esqueça os planos de bombardeios." Fernando entrou na conversa.

"É sobre isso que estou falando." Izumi levantou a voz. "cada um escutou um boato, mas ninguém consegue provar nada."

"Quem disse que não podemos provar?" Ivanka começou a falar, seu tom era sério como o de uma mãe defendendo seu filho, nesse caso, seu país.

"Você tem alguma prova?" Izumi fez questão de garantir que seu tom era de alguém genuinamente querendo saber e não de desafio.

"Dois dias atrás, aviões desconhecidos apareceram no nosso espaço aéreo."

"Aqui também." Fernando estava surpreso com a coincidência.

"Também." Aron falou, e vocês?

"Não percebemos nada." Takeshi respondeu.

"Conveniente, não acham?" Aron falou e olhos para os outros na sala.

"De quem era os aviões?" Izumi interrompeu antes que virasse uma bagunça de pessoas tentando falar mais alto que as outras.

"Não sobrou algo reconhecível."

"Então até agora nós só temos suspeitas, não está nada provado." Izumi falou esperançosa.

"Temos as tropas Americanas espalhadas" Fernando apontou.

"Eu posso garantir que nenhuma tropa foi mandada para o campo." Aeon respondeu e sorriu, o sorriso que deixa todas as suas fãs loucas, mas Izumi não iria cair nessa ilusão.

"Podemos concordar em não fazer nada drástico?" Ela perguntou.

"Izumi," Ivanka começou a falar " não gosto dessa situação, mas você sabe que não tenho controle sobre decisões do governo, se eles pedirem para eu atacar, no fim do dia essa é minha terra e vou defender com unhas e dentes. Espero que entenda isso." Antes que Izumi pudesse responder, Ivanka se desconectou.

"O mesmo vale para mim." Aron falou antes de desconectar também.

"Tenho que concordar com eles." Fernando se desconectou.

Antes que Takeshi tivesse a chance de falar, Izumi desceu da plataforma, não queria lidar com o julgamento dele, porque assim como ela, ele percebeu que essa reunião colocou o foco em assuntos que deveriam ter sido evitados. Onde está sua lealdade?.

Peter

Localização: zona morta do Canadá

Hora: 11:00

Os três começaram a se mover com o nascer do sol, os animais modificados aparentavam não gostar de sair durante o dia, nenhum deles sabia onde os animais se escondiam com tão poucos prédios ainda de pé e nem pretendiam descobrir. A água dos três havia acabado durante a manhã, a comida também. Três dias era o tempo máximo que eles tinham.

"Acha que chegamos até o fim do dia?" Peter perguntou, claramente cansado.

Cada vez que algum deles perguntava sobre a distância, Albert sentia um chute no estômago, era tarde demais para voltar com a mentira e agora essa mentira ia custar a vida dos seus companheiros.

"O que é aquilo?" Cloe interrompeu os pensamentos de Albert.

"É uma barraca?" Peter perguntou.

"É uma barraca!" Albert viu a estrutura grande e verde de longe e quase chorou, não sabia se era de alegria ou de alívio por não morrer naquele lugar.

"Vamos!"

Os três correram em direção ao acampamento, mas antes que eles chegassem no local, o cheiro chegou neles, um cheiro que os três infelizmente estavam acostumamos. Corpos mortos expostos ao sol durante alguns dias. Os três ficaram em silêncio e sacaram as armas. Apenas com olhares eles se aproximaram na melhor posição tática, passaram pelas barracas, desviaram dos corpos e não encontraram nada, assim como o acampamento deles, todos estavam mortos e qualquer coisa útil para sobreviver havia sido levada. Cloe começou correr, os dois a seguiram por um instante achando que algo estava errado, mas então perceberam onde ela estava indo, todo acampamento tinha uma sala subterrânea que só era aberta pelo lado de fora com digital de um soldado Americano, a porta ainda estava trancada, Cloe colocou o dedo no leitor de digital, Albert já conseguia sentir o gosto das barras de cereais. E então algo explodiu atrás deles.

Jonas

Localização: Antiga cidade do Rio de Janeiro

Hora: 12:00

Jonas acordou com o som de tumulto na frente do prédio. Ao seu lado estava um homem loiro do qual ele não se lembrava o nome e nem de ter convidado para o quarto que estava hospedado no hotel. Havia um espelho do teto. Seu cabelo estava muito comprido, assim como sua barba, fazia umas duas semanas que ele não se barbeava, sua pele que sempre foi morena tinha ganhado um tom mais bronzeado graças ao sol desse lugar, com isso a cicatriz no peito parecia mais visível. Ele se levantou e foi até a janela descobrir do que se tratava aquele barulho infernal. Na calçada em frente do hotel, várias garotas estavam segurando painéis holográficos acima das suas cabeças com coisas do tipo “Te amo Jonas!” “Você é o melhor dos doze generais!” entre outras coisas. Graças ao vidro, apenas Jonas podia ver elas, do lado de fora dava a impressão de que as cortinas estavam fechadas, mas a luz e som entravam normalmente, Jonas caminhou em direção ao mini-bar, vazio, pensou em pedir mais bebidas, mas não queria falar com ninguém. Voltou para cama, assim que se deitou, o homem loiro colocou a mão em seu peito, os dois trocaram olhares e Jonas se inclinou para dar um beijo.

Natasha

Localização: Desconhecida

Hora: Desconhecida

Natasha acordou, estava em um quarto diferente, não havia nenhuma cama ali, tentou caminhar até a porta, mas não conseguiu. Seus pés e mãos estavam acorrentados à parede. Ela não sabia há quanto tempo estava naquele laboratório, mas só naquele momento ela se sentiu presa. Depois de algum tempo, duas mulheres entraram no quarto e ofereceram roupas, comida e itens de intimidade feminina. Natasha recusou tudo. Sem um relógio, tudo o que Natasha podia fazer para ter uma idéia de tempo era contar os segundos na cabeça, a contagem não era exata, ela se distraia toda vez que a porta fazia algum barulho ou as correntes incomodavam e ela precisava se mexer, tentando aliviar a dor. Cerca de três horas depois o cientista entrou na sala.

"Olá, Natasha."

"Onde estou?" Ela perguntou sem conseguir esconder o desespero na voz.

"Isso não é importante. E eu que faço as perguntas aqui."

"Não tenho nenhuma resposta para suas perguntas."

"É o que veremos." O cientista pegou uma injeção em um compartimento na parede que Natasha não havia notado até agora e aplicou no pescoço dela.

"O que é isso!"

"Não se preocupe." A expressão dele ficou séria. "Isso vai permitir que a gente converse sem que você tente me atacar." As correntes das mãos e Natasha se soltaram, uma estrutura quadrada saiu do chão e ele se sentou nela.

"Lembra alguma coisa que aprendeu sobre a história do planeta nos últimos cem anos?"

"Não lembro de nada antes de acordar aqui." Natasha respondeu sem pensar.

"Quem criou o sistema de comunicação que quase todo o planeta usa hoje em dia?"

"Foi uma Mulher do Brasil, Marta Ferreira. Ela tinha poder de telepatia e descobriu que podia se conectar com outras pessoas de poderes parecidos e pessoas com poderes de transmissão fazendo qualquer pessoa conversar telepaticamente." A resposta saiu naturalmente, como se Natasha estivesse dando instruções de uma rua para um turista perdido.

"Muito bem."

"Como eu sei isso?"

"Graças a mim e a minha equipe." Ele se levantou. "Natasha, algo está prestes a acontecer no mundo, algo grande que vai derrubar a nova sociedade então estamos criando soldados para cuidar da primeira parte e você é um deles."

"O que... Mas... Como?"

"As melhorias incluem força física, agilidade, informações e outras coisas. Tudo para que você consiga fazer o seu trabalho da menor maneira possível."

"Isso é ilegal!"

"Outra pergunta." Ele cortou Natasha como se ela fosse apenas uma criança. "De onde surgiram os poderes?"

"Após a chuva."

"Vou te contar uma coisa, mas precisa manter segredo." Ele tirou um controle do bolso e uma televisão apareceu na parede. A imagem era um antigo jornal pré-guerra com a manchete “Mãe levanta carro e salva seu bebê.”

"O que é isso?"

"Nessa época eles chamavam isso de ataque de adrenalina, a pessoa fazia algo extraordinário e ninguém ligava, mas eu e outros cientistas achamos que essas foram as primeiras demonstrações de poderes."

" Poderes antes da chuva?"

"Talvez mais. Até hoje as pessoas acreditam em um homem que fazia milagres, voltava dos mortos entre outras coisas."

"Religião? Achei que cientistas não acreditavam nisso."

"Não acredito que o mundo foi feito em sete dias e essas bobagens, mas pense no seguinte." Ele se aproximou do rosto de Natasha. "E se todos os grandes nomes da antiga história estivessem usando poderes sem perceber?"

Tudo aquilo era informação demais, Natasha descobriu que continha várias informações no seu cérebro, não sabia o que era seu próprio conhecimento e o que eles colocaram na cabeça dela. Estava segurando a vontade de vomitar.

"Pense nos deuses gregos, pessoas com dons, Posseidon e suas habilidades de água, Zeus e seus raios. Esse tipo de poder existe hoje em dia."

"Mas por que eles só despertaram cem anos atrás?"

"Não temos certeza." Aquela era a primeira vez que Natasha viu o cientista com uma expressão de derrota.

"Mas tem uma teoria."

"Minha teoria é que algo foi colocado na chuva."

"Algo? Na chuva que cobriu todo o globo. Isso é ridículo."

"Outro segredo para você." Ele se levantou. "Antes da chuva, os governantes dos Países entraram em acordo, basicamente cada País iria matar 60% de sua população assim teria alimentos para todos, vida próspera. Utopia."

"Não… Está mentindo."

"Não estou, por sorte ou destino, caso acredite nisso, no dia que os governos iam começar a matança. A chuva começou."

"Como eles matariam tantas pessoas?"

"Cada País escolheu de um jeito, bio armas, bombas nucleares, bom e velho alinhar pessoas em fila e atirar. Deixe sua imaginação tomar conta."

"Mas…" Natasha colocou a mão na cabeça, tudo estava girando.

"Após um mês, eles estavam se preparando para continuar com seu plano, mas começaram a escutar boatos de pessoas com dons magníficos."

"O que tudo isso tem a ver comigo, com o que vocês estão fazendo aqui?"

"Bem," Ele se levantou "descobrimos que uma linhagem dos cientistas que estudaram a chuva ainda está viva. Os governos mataram os cientistas que estudaram a chuva em primeira mão."

"Como ele vai saber de alguma coisa?"

"Existe um boato que esses cientistas guardaram informações no código genético deles, então se eles tiveram filhos, a informação passou durante os anos."

"Como vai retirar essa informação?" Natasha já sabia a resposta.

"Matando quem tem ela."

"Não vou matar alguém inocente."

"Claro que não, mas se não fizer vamos matar sua família."

A imagem na televisão mudou para uma casa com duas crianças e uma mulher adulta. Uma onda de lembranças invadiu a mente de Natasha. Ela sabia que aquela era sua família, sabia que não foi colocado na sua cabeça e mesmo se fosse, ainda seria três pessoas inocentes morrendo por culpa dela.

"O que me diz?"

Os dois ficaram em silêncio.

"O que preciso fazer."

"Rastrear e trazer o espécime para mim."

O estômago de Natasha revirou quando ela escutou espécime.

"Onde ele está?"

"Não temos como afirmar posição exata." A imagem da televisão mudou para o rosto de um homem com 20 talvez 21 anos, pele branca, com a cabeça raspada, olhos pretos usando uniforme do exército.

"Seu nome é Peter Gerald. Visto pela última vez próximo a zona morta do Canadá."