Filhos da Guerra
5 IV
Natasha
Localização: Rússia
Hora: 20:40
Após a conversa com o Doutor, Natasha foi levada para um quarto, realmente um quarto e não uma sala de contenção. Uma cama de casal, frigobar, uma variedade de comidas e o mais importante. Um banheiro. Ela ficou quase uma hora embaixo da água, tentando se limpar daquele lugar, sabia que não conseguiria limpar sua mente, mas aquilo era o mais próximo. Assim que terminou, ficou mais dez minutos na frente do espelho penteando seus cabelos, no inicio foi estranho ver o seu reflexo, não se lembrava da sua aparência e aquela mulher de pele clara e cabelos ruivos ondulados era uma estranha para ela. A única roupa disponível era uma calça jeans, camiseta preta e um tênis preto. Quando acabou de se vestir, uma mulher entrou no quarto, ela ter entrado no momento em que Natasha terminou de amarrar o cadarço do tênis não era coincidência. Ela estava sendo observada.
"O Doutor está a sua espera." A mulher falou e abriu a porta indicando que Natasha precisava ir.
Andaram pelos corredores, todos eram brancos com algumas portas, talvez outras pessoas como eu estivessem atrás dessas portas, ela pensou. Então elas chegaram a uma escada que a única opção era subir. Natasha sabia que iria sair daquele lugar. Quando a mulher abriu a escotilha, vento e o cheiro do mundo exterior entraram, Natasha nunca pensou que ficaria tão feliz sentido o cheiro de grama.
O Doutor estava esperando as duas, a saída era no meio de um campo gramado, nenhuma árvore no campo de visão, ao lado do Doutor havia um jato, a cena era impressionante visualmente. Graças as informações que foram implantadas na sua cabeça, ela sabia que era difícil achar um veículo aéreo que funcionasse.
"Pronta?" Ele perguntou.
"Não tenho outra opção."
"Sobre a missão. Não podemos pousar o jato em outro país por motivos óbvios então o piloto vai usar a camuflagem do jato e quando atingirem a localização e a altitude certa, você pula com o paraquedas."
Natasha não se preocupou com pular do jato, ela sabia como fazer isso. Estava mais preocupada em como voltaria.
"Para voltar, você vai precisar achar um transportador e digitar as coordenadas que já estão na sua memória." O Doutor parecia ter lido a mente dela.
"Ótimo, vamos acabar com isso."
Ela começou a caminhar em direção ao jato, que ligou os motores.
Doutor Viktor
Localização: Rússia
Hora: 00:06
O jato seguiu o curso como planejado. Natasha saltaria longe do acampamento para não ser avistada, depois seguiria até o local. Depois de entregar Natasha, o jato passaria pelo Brasil e então voltaria para Rússia, mas no meio do trajeto o sinal foi perdido. Aquilo significava que o jato foi derrubado. Estava tudo indo de acordo com o plano.
Natasha
Localização: Zona morta do Canadá
Hora: 23:05
Natasha demoraria quatro horas para chegar até o acampamento, duas se fosse correndo. Chegar às três da manhã era melhor para ela, os soldados estariam dormindo e com sorte não precisaria brigar com ninguém, a zona morta era um lugar horrível, mas interessante ao mesmo tempo, todas aquelas construções destruídas era impossível não imaginar quem vivia ou trabalhava ali antes da guerra e da chuva. A caminhada era longa e tudo o que Natasha podia fazer era criar perguntas na sua cabeça para descobrir a quantidade de informações foram colocadas ali, desde história até fórmulas químicas ela sabia citar, algumas informações ela não tinha, o nome do doutor, o local onde a família estava. Ficou tão focada nos pensamentos que não percebeu que já havia entrado no campo.
"Para-"
Foi tudo o que o soldado conseguiu falar antes dos instintos de Natasha fazerem ela cobrir cinquenta metros em segundos e golpear o soldado para que ele ficasse desacordado. Natasha se abaixou, tentando se esconder dos possíveis soldados fazendo vigia, esperou alguns minutos e ninguém apareceu. Naquele acampamento parecia ter apenas um vigia, o que por um lado era bom, mas aquilo significava que outro iria vir trocar e ela não sabia o horário que eles fariam isso. Natasha foi em direção ao dormitório e avistou um dos problemas, haviam quatro cabanas para os soldados dormirem, se aproximou de uma e viu seu segundo problema, os soldados não tinham beliches, dormiam em redes seguradas por estruturas de ferro e alguns dormiam em colchonetes no chão, seria impossível achar Peter sem acordar nenhum deles. Voltou para o local onde derrubou o soldado, no caminho pegou uma garrafa de bebida alcoólica, jogou um pouco na roupa dele e torceu para que quando acordasse achasse que bebeu demais e acabou dormindo.
04:13
O truque da bebida não funcionou, Natasha percebeu a movimentação de alguns soldados após o que derrubou acordar e caminhar para dentro de uma barraca. Natasha sabia que não devia conseguir enxergar tão claro durante a noite, mas naquele momento não se importava.
Começou a andar pelo perímetro na direção oposta aos soldados, estava determinada a evitar combate o máximo possível. Estava tão focada nos soldados com suas armas e lanternas que se esqueceu completamente de olhar para trás, um soldado que havia ido ao banheiro, estava voltando. Os dois se encararam em choque. Natasha avançou e bateu em algo no ar. Era uma espécie de escudo.
"Invasor!" O soldado gritou.
Jon
04:15
Jon foi ao banheiro no meio da noite, ele não gostava da ideia e outras pessoas no mesmo espaço que ele enquanto estava tão vulnerável e por isso só ia ao banheiro no meio da madrugada. No caminho de volta percebeu que algo estava errado, havia luzes de lanternas por todo lado, se aproximou para perguntar o que estava acontecendo e então viu uma mulher ruiva abaixada atrás de alguns escombros, pensou em gritar, mas sua arma não estava com ele, deveria estar com sua arma a todo momento, mas aquilo não importava agora, pensou em fugir, mas ela o veria e com certeza mataria ele, toda a aura daquela mulher dizia que ela iria matar qualquer um que ficasse no seu caminho. Antes que ele pudesse decidir o que fazer, ela se virou e ficou visivelmente assustada por ver outra pessoa ali, a surpresa não durou muito, ela investiu contra Jon. O poder de Jon era de criar pequenos escudos em algo que estava concentrado, por instinto ele colocou os braços sobre o rosto como se estivesse se protegendo de uma bola de futebol e um escudo apareceu ali, a mulher ficou surpresa por bater em algo no ar e Jon aproveitou esse momento.
"Invasor!" Gritou e logo em seguida. "Meu escudo é impenetrável." Mentiu. "Vai ficar parada aqui?"
"Onde está Peter Gerard?"
Ela perguntou antes de correr para luta.
Natasha
04:16
Natasha correu em direção aos soldados mais próximos, ela nunca havia testado sua força e quando chegou no primeiro soldado percebeu que aquilo foi um erro. O homem de cabelo loiro estava com a arma apontada para ela, Natasha correu até ele e segurou o seu pulso com a intenção de derrubar a arma. O desconhecimento da própria força mais a adrenalina eram uma péssima soma. Assim que segurou no pulso do soldado, escutou e sentiu os ossos quebrarem e ele começar a gritar enquanto soltava a arma e caia no chão. Natasha ficou horrorizada, pensou em pedir desculpas, mas foi tirada daquela cena com um tiro disparado que acertou ela no ombro, após do tiro ela não se lembra e muita coisa, era como se seus instintos animais tivessem tomado conta.
Jon
4:17
Jon ficou sem reação quando escutou o nome de Peter, como ela sabia quem era Peter e o mais importante, o que ela queria com ele? Os dois eram amigos desde criança, Jon protegia Peter na escola, os dois eram praticamente irmãos, a ideia de se alistar veio de Jon e por sorte os dois acabaram no mesmo batalhão, ele sabia da possibilidade de morrer durante a guerra, mas aquela mulher não era como eles deveriam morrer, Jon precisava tirar o seu amigo, seu irmão dali a qualquer custo. Jon evitou a rota que a mulher havia corrido, ele parou quando escutou um soldado gritando, olhou para a direção do grito e viu ela se movendo com agilidade incrível e golpeando com uma força extraordinária, não ficou para observar como aquilo acabaria. Peter estava no mesmo dormitório que ele, mas naquele momento todos os soldados estavam indo na direção oposta a de Jon, ele pensou em gritar para que os outros fugissem, aquilo não parecia certo. Jon tinha um plano, achar Peter e depois correr para o mais longe, era uma zona morta, mas ele estava planejando em pânico então não precisava ser um plano perfeito. Jon desviava dos outros soldados quando viu Peter no meio da multidão, confuso, Cloe e Albert estavam ao lado dele.
"Temos que ir!" Ele falou sem fôlego quando chegou perto dos três.
"O que está acontecendo?" Peter perguntou.
"Soldados, com armas. Alguns animais modificativos sentiram o cheiro de sangue e estão atacando." Jon mentiu novamente.
"Temos que lutar." Peter falou.
"Não!" Outra mentira. "O sargento mandou eu levar três homens e enviar uma mensagem para o outro acampamento."
"Nós?"
"Sim, agora vamos."
Os quatro correram em direção ao único carro ali, Albert abriu a porta do lado do motorista.
"Alguém colocou gasolina nesse carro?"
"Não, apenas o sargento tem a chave."
Os gritos estavam cada vez mais perto. Pânico começou a tomar conta de Jon. E então ele se lembrou da sala subterrânea.
"Tem gasolina na sala subterrânea." Já havia perdido as contas de quantas mentiras havia contado em menos de dez minutos.
A sala ficava atrás do acampamento e felizmente a luta não havia chegado até lá, enquanto os quatro caminhavam até ela, Jon começou a pensar nos possíveis cenários onde eles sobreviveriam e as lembranças do ensino médio vieram até ele, esse foi o período mais perturbado de Peter, seus pais estavam se divorciando e por causa disso ele estava se envolvendo em brigas desnecessárias e muitas vezes Jon salvou o amigo e apanhar, indo conversar com a outra pessoa e então teve a idéia, ele precisaria conversar com aquela mulher para tentar salvar Peter. Era o único jeito, mas primeiro precisava manter ele em um local seguro. Estavam a poucos metros da porta, Jon sabia que Peter não ficaria na sala por espontânea vontade.
"Tem alguma coisa vindo!" Existe algum recorde de mentiras contadas no mesmo dia, pensou.
"O que?" Cloe perguntou enquanto olhava em volta.
"Não importa o que é." Albert falou enquanto corria para a sala, os outros seguiram ele.
Assim que os três passaram pela porta, Jon correu para o painel que ficava ao lado.
"Corre, Peter!" Foi a última coisa que falou antes de trancar os três na sala.
Encostou a testa no metal, era gelado e então escutou o som da luta atrás dele, a adrenalina estava deixando o seu corpo, se apoiou na porta para não cair, pela primeira vez percebeu o gosto de sangue na boca, havia mordido a língua em algum momento. Tentou se recompor, mas seu corpo não queira obedecer, ele não podia discutir com seu instinto de querer ficar vivo. Mas não podia desistir depois de ter mentido tanto, bateu no próprio rosto e caminhou em direção ao som dos gritos.
Natasha
04:35
Natasha deixou se levar pela batalha, achava mais fácil justificar o que estava fazendo se justificava como algo que ela não tinha outra opção, sabia que era mentira, mas se não fizesse isso era capaz nunca mais conseguir dormir. Mesmo durante a loucura que aquele acampamento virou, ela garantiu que não matou nenhum soldado, ossos foram quebrados e trincados, mas todos poderiam ser recuperados com os poderes de cura.
"Ei!" Ela escutou alguém gritar. A voz parecia estar a quilômetros de distância, olhou em volta e encontrou a pessoa. Era o soldado que alertou aos outros. Natasha correu na direção dele, dessa vez nenhum escudo ia para lá.
"Se me matar, nunca vai encontrar Peter!" Ele gritou e Natasha parou no meio do caminho.
"Sabe onde ele está?"
"Sei. Ele está no outro acampamento."
Natasha sabia da existência do outro acampamento, não sabia dessa informação há dois segundos atrás, mas quando o soldado falou, ela soube, como se uma memória estivesse atrás de uma porta que ela só precisou abrir.
"Parada!" Outra voz masculina gritou atrás dela. Ela se virou e viu um homem, julgando pela quantidade de estrelas no uniforme, era o general ou sargento.
"Sargento, não atire!" O soldado gritou. Natasha ficou surpresa.
"Ela é nossa inimiga, nós atiramos nos inimigos."
"Mais ninguém precisa morrer, ela está procurando por um soldado, se nós levarmos ela até ele tudo vai acabar sem nenhuma perda adicional."
"Levar vocês comigo, porque faria isso?" Natasha perguntou.
"Bem." O soldado deu um passo a frente. "Eu posso guiar vocês até lá e o sargento pode ser um refém que os outros soldados com certeza vão trocar por Peter."
Natasha parou para pensar sobre a proposta, procurando na sua memória, descobriu os diferentes tipos de perigos que a zona morta oferece, seria bom ter um guia e o sargento poderia ser usado como moeda de troca, evitar outra batalha era uma parte importante.
"Tudo bem."
"Eu ainda estou com a arma apontada para você!" O sargento gritou, lembrando Natasha desse detalhe. Um segundo depois, ela estava na frente dele, a arma no chão e algemas nos pulsos dele, que ficou com um olhar confuso.
"Vou precisar colocar uma em você?"
"Não." Jon foi em direção aos dois. "Temos que nos mover rápido, os animais seguem o cheiro de sangue."
Jon
05:16
Eles colocaram barras de cereais e água nas mochilas, a mulher se recusou a carregar uma. Ninguém havia falado desde que os três começaram a andar, Jon tinha muitas, muitas, perguntas. Mas sabia que precisava mascarar essas perguntas. Nenhum inimigo sairia por aí espalhando segredos do seu país. Sargento estava claramente curioso, também não havia falado nada até agora. Parecia estar mais preocupado em como soltaria aquelas algemas.
"Certeza que esse é o caminho mais rápido?." A mulher perguntou.
"Ah… Sim." Bom torceu para não ter soado duvidoso, ele não sabia exatamente a localização do acampamento, apenas a direção que deveria seguir.
"Por que Peter foi movido para lá?"
"Não sei os detalhes." Jon mentiu.
"Não estava perguntando para você." Respondeu.
Jon olhou para o Sargento que não fez expressão alguma e então riu.
"Você realmente acha que eu sei o nome de cada soldado?" Ele perguntou.
Antes que a mulher respondesse, ele voltar a falar.
"Eu não sei." Respondeu a própria pergunta. "Eles são apenas objetos descartáveis para o exército, sem ofensas." Ele olhou para Jon e ele torceu para Natasha quebrar o pescoço do sargento ali mesmo.
Mas a mulher não respondeu e os três voltaram a caminhar em silêncio.
Natasha
12:16
"Que barulho é esse?" O soldado perguntou.
"Prédios velhos, provavelmente caindo." O sargento respondeu.
"Não gosto de como estamos expostos."
Natasha concordava com o soldado, estar exposto, chegando no campo inimigo não era um bom plano.
Eles não haviam parado de caminhar, os dois estavam claramente cansados, mas Natasha não se sentia assim, ela poderia correr uma maratona agora. Cada descoberta do que os cientistas modificaram no seu corpo era excitante e assustador ao mesmo tempo. Queria saber o que conseguia fazer agora, mas não tinha tempo e se não se concentrasse na missão, morreria e perderia a oportunidade de descobrir. Natasha escutou um barulho, se virou na direção. Os dois olharam para ela, confusos.
"Não estão escutando o zumbido?" Ainda expressões confusas.
Natasha fechou os olhos, sua audição era melhor se estivesse concentrada nisso, esse parecia o padrão das modificações, concentração, o zumbido não estava tão longe assim, estava se aproximando rápido.
"Aquilo são pássaros?" O soldado perguntou e Natasha abriu os olhos, no horizonte, uma mancha preta voando, tamanho de pássaros, mas Natasha jamais confundiria o som.
"Abelhas." Ela respondeu com a voz trêmula.
"Daquele tamanho?" O sargento perguntou.
"São daqui." O soldado falou e Natasha sabia o que ele estava dizendo, abelhas normais eram capazes de matar uma pessoa, ela não iria descobrir o que abelhas do tamanho da pássaros poderiam fazer.
"O que vamos fazer?" O soldado perguntou, estava assustado, mas fazia de tudo para não deixar isso claro.
"Seu escudo pode segurar elas, certo?"
"Bom, eu menti sobre meu escudo."
Natasha não ficou irritada, ficou impressionada em como ele conseguiu falar a coisa certa em uma situação de vida ou morte. Agora aquela mentira custaria a vida deles.
"O que seu escudo pode fazer realmente?"
"Apenas locais isolados, um de cada vez."
Natasha começou a analisar as opções, nenhum local capaz de impedir a entrada daquelas abelhas a vista, nenhum poder útil e então percebeu, ela não sabia que pode o sargento tinha e ele com certeza não falaria se isso significasse a morte dela.
"Qual o seu poder?" Ela perguntou para o sargento.
"Como se eu fosse te responder. Há!" Era de se esperar.
"Faíscas." O soldado respondeu.
"Traidor!" O sargento gritou. "Quando voltarmos para a base pode ter certeza que será expulso."
"Se continuar negando informações, não vamos voltar." O soldado respondeu.
"Ele consegue fazer fogo?"
"Apenas faíscas." O sargento respondeu, claramente com orgulho ferido.
"Tirem a jaqueta" Natasha ordenou. "Vamos fazer uma fogueira."
Os três correram para os escombros do prédio mais próximo. Os dois entregaram a jaqueta, Natasha rasgou em pedaços pequenos.
"Pode começar." Ela falou para o sargento, ele se ajoelhou ao lado da pilha de retalhos, bateu palmas e uma chuva de faíscas, bem maior do que ela estava esperando saiu, das mãos deles. Um pequeno fogo começou, mas apagou rapidamente, outra vez, nada, o barulho estava mais próximo. Na quarta tentativa, uma chama grande começou, com cuidado, Natasha colocou mais retalhos e o fogo cresceu. Por sorte o tecido fazia fumaça.
"A fumaça vai atrair as abelhas, ou seja lá o que elas são. Depois saímos correndo." Natasha falou para os dois, sem tirar os olhos dos insetos.
"Como você sabe que vai funcionar?" O soldado perguntou.
"Apenas sei." Natasha nunca iria falar da habilidade de saber tudo caso se concentrasse um pouco.
O fogo cresceu rápido, como não havia muito o que queimar, os três sabiam que precisavam ser rápidos. As abelhas mudaram de direção, direto para a fumaça, Natasha contou até três nos dedos, eles correram. Não havia nenhum tipo de estrutura a vista, ela precisava diminuir o ritmo para não deixar o dois para trás. O sargento tropeçou em alguma coisa e caiu xingando. Aquilo atraiu a atenção das abelhas.
"Vamos!" O soldado gritou.
Natasha reclamou baixo, ela poderia correr e deixar os dois ali, mas ela não sabia o caminho e precisava deles para fazer uma troca de reféns. As abelhas começaram a vir na direção deles. O zumbido parecia irritado.
"O que vamos fazer?" O sargento perguntou enquanto tirava a sujeira da roupa.
Natasha não respondeu, continuou correndo e os dois acompanhando, Natasha se concentrou, procurando alguma resposta ou algo para impedir o ataque. Nenhuma informação, ela não conseguia pensar direito. O som estava cada vez mais alto.
"Vocês também estão escutando o barulho delas como se estivessem batendo na sua cabeça?" O soldado perguntou.
Então não era culpa dela, algum tipo de mutação era responsável por isso. O soldado também tropeçou, mas conseguiu se recuperar. As abelhas também? Não havia tempo para pensar.
"Qual o plano?" O soldado questionou.
"Vamos morrer!" O sargento gritou.
"Parem de correr!" Natasha gritou, eles obedeceram, ela saltou para frente, os dois claramente acharam que ela estava abandonando eles para morte, então ela deu um soco no chão, outro, outro, no quarto, o solo cedeu. Revelando um túnel.
"Venham!" Ela gritou.
Quando os dois chegaram, encararam o buraco. Natasha pulou nele, alguns segundos depois, os dois pularam.
"O que é Isso?" O sargento perguntou.
"Eu li sobre esses locais," o soldado começou a falar. "Antigamente as pessoas usavam veículos que viajavam no subsolo."
"Trens e metrôs." Natasha respondeu. "Vamos continuar nos movendo, você." Ela olhou para o sargento. "Comece a bater palmas."
Jon
Desconhecido
As abelhas não seguiram eles para o subsolo, mas o som do zumbido e a tontura só passaram depois de algum tempo, Jon ficou feliz que não precisava mais correr mas logo depois ficou preocupado com o motivo delas não descerem aqui, talvez não gostassem do escuro ou talvez algo pior estava nesses túneis. Jon sabia que a mulher conseguia lutar, mas sabia que ela não protegeria eles e lutar em um túnel não era uma opção, a iluminação de segundos que as faíscas proporcionavam não ajudavam com a paranóia, Jon pensava que cada sombra era um animal pronto para atacar.
Natasha
Desconhecido
Seus olhos se adaptaram à escuridão, por um momento ela achou que havia acostumado com a falta de luz, mas então percebeu que era como se estivesse usando algum tipo de visão noturna, não pediu para o sargento parar de usar seus poderes, uso contínuo deixava a pessoa cansada e ela queria manter ele na linha. Natasha também não gostava que as abelhas sequer tentaram seguir eles para o subsolo, algo pior estava ali com eles ela ainda não sabia o que e torceu para não descobrir. A confusão causada pelas abelhas havia passado e agora ela se lembrava como a informação dos túneis chegou a ela, aleatoriamente, como se alguém estivesse observando e enviasse a informação porque percebeu que ela iria morrer. Natasha sempre considerou que estava sob vigilância o tempo todo e a informação só deixava mais claro, com sorte eles não conseguiram observar ela nos túneis.
Jon
Desconhecido
Eles haviam parado para descansar, o sargento precisava, Jon verificou o estoque de alimento, era o suficiente para três dias no máximo. Precisava pensar em como se livrar dela, rápido.
"Você sabe que não sei onde estamos indo, certo?" Ele perguntou.
"Talvez já passamos do acampamento." O sargento respondeu.
"Se houvesse um grupo de pessoas acima de nós em algum momento, eu teria escutado." Ela respondeu.
Será que ela conseguia escutar tão longe?, Jon pensou, ele sabia das outras habilidades dela, todas as pessoas que nasceram com poderes só manifestavam um ou nasciam com dois e na adolescência um sumia, mas ela era diferente, especial não era a palavra, moldada foi a única que veio a sua mente. Alguém com vários poderes colocados no mesmo lugar.
"Não gosto desse lugar." O sargento comentou. Não esperava uma resposta, só queria compartilhar o descontentamento.
"Não podemos continuar aqui," Jon comentou. "As mãos deles já estão quase sangrando."
"Não precisa se preocupar comigo, garoto!" Ele retrucou.
Jon se virou para a mulher, que não estava prestando atenção neles, seu olhar estava fixo no túnel adiante. A expressão corporal dela era de alguém pronta para lutar. Jon não gostou daquilo.
"O que foi?" Ele perguntou.
Mas ela não respondeu, ele se aproximou. Ela continuava imóvel, o que estava acontecendo? Estava muito escuro para conseguir ver o rosto dela claramente.
"Você pode fazer faíscas por um segundo?" Jon perguntou para o sargento.
"Vai se ferrar!" Mas bateu palmas mesmo assim.
Três segundos de luz invadiram o túnel. Três segundos foi tempo o suficiente para Jon ver a expressão de tensão no rosto dela, seus olhos ainda se mexiam, mas o resto do corpo não. Ela estava paralisada.
"Corre!" Jon gritou, tentou se mover, mas não conseguiu.
"Que merda é essa?" O sargento gritou. Provavelmente não conseguia se mover.
Do túnel, surgiu uma figura, um homem, 1.70, cabelo cacheado escuro, roupas sujas e um sorriso no rosto.
"Olá." Ele se aproximou e parou na frente dos dois. "Desculpe, onde estão meus modos?" Com um momento da mão, Jon sentiu a pressão da garganta desaparecer.
"Quem é você?" A mulher perguntou.
"Não, não. Eu faço as perguntas. Quem são vocês?"
"Jon, soldado do exército Americano." Jon não viu nenhuma vantagem em mentir.
"Natasha… Rússia." Foi tudo o que ela falou.
"Eu sabia que os Russos estavam envolvidos nisso!" O sargento gritou.
O homem moveu a mão outra vez e o sargento ficou imóvel.
"Okay, eu não gosto dele," falou apontando para o sargento. "Meu nome é Bernard e vocês estão na minha casa."
"Estávamos fugindo dos animais que vivem lá em cima." Jon respondeu.
"E vocês acham que estão mais seguros aqui?" Bernard sorriu.
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