Filhos da Guerra
3 II
Jonas
Localização: antiga cidade do Rio de Janeiro – próximo à praia
Hora: 10:03
Jonas caminhou até a praia, ali seria o local com menos danos caso alguma coisa desse errada, por muito tempo ele achava que seu poder era só emitir uma onda sonora pelas mãos que destruía tudo no caminho, mas depois de treinamento percebeu que podia sentir as ondas que as pessoas e objetos emitiam, Jonas fechou os olhos e começou a procurar, sentiu as pessoas andando na praia, mas a praia não era o alvo, começou a subir, sentiu as pessoas andando nas favelas, depois os pássaros, durante algum tempo não sentiu nada até que uma frequência de escutou uma frequência de rádio, levantou a mão esquerda e disparou uma onda, segundos depois viu os pedaços do caça caindo mar, fechou os olhos para procurar possíveis aliados daquele piloto, mas não sentiu nada. Começou a caminhar de volta ao hotel e uma moça se aproximou pedindo autógrafo.
Peter
Localização: zona morta do Canadá
Hora: 21:03
Eles estavam caminhando há dois dias, o sol na zona morta parecia ser mais quente, no fim do primeiro dia os três haviam tirado a jaqueta do uniforme, as noites não eram tão geladas, um deles sempre ficava de guarda caso algum animal mutante ou inimigo aparecesse, mesmo racionando o máximo eles estavam praticamente sem comida, Peter sabia que nenhum deles estava em condições físicas de usar seus poderes e em um terreno desconhecido, aquilo era o pior cenário possível. Agora eles estavam em um prédio abandonado onde iriam passar a noite, Jonas se ofereceu para ficar com o primeiro turno de vigia, Cloe e Albert cairam no sono assim que se deitaram. Ele foi até o terraço do prédio onde teria uma vista melhor se alguma coisa aproximasse do local, Peter ainda esperava que outro batalhão aparecesse para salvar os três, Albert havia falado que o campo secundário estava há um dia de distância, talvez um dia e meio dependendo da velocidade deles, que não era alta no momento, Peter sabia que só precisava chegar no campo e tudo ficaria bem, eles estariam a salvo.
Albert
Localização: zona morta do Canadá
Hora: 21:03
Peter havia se oferecido para ficar com a primeira guarda, Albert aceitou sem nenhum problema, por dois motivos, primeiro: sabia que não iria conseguir ficar acordado e segundo: eles já deviam ter chegado no campo secundário, por algum tempo Albert achou que o cálculo estava errado, mas era impossível errar por um dia todo, eles deveriam demorar um dia para chegar, mas estavam caminhando por dois e nenhum sinal de vida alí. Quando Cloe perguntou, ele entrou em pânico a falou que levariam mais um dia, talvez o campo mudou de localização, talvez a coisa que atacou o campo deles chegou no segundo campo, Albert respirou fundo e decidiu pensar em que tudo daria certo, mas não conseguiu ignorar o som de Cloe chorando baixinho.
Cloe
Localização: zona morta do Canadá
Hora: 21:03
Cloe não conseguia ficar mais em pé, ouvir Peter se oferecer para o primeiro turno foi um alívio, ela se deitou para dormir, mas dessa vez os pesadelos vieram junto com o sono, o cheiro dos corpos, o que ela viu ainda estavam na memória dela e ela tinha a impressão de que não iriam sair de lá. Cloe havia se alistado por causa do pai que foi militar, ela não via problema naquilo, considerando que a guerra não havia começado, conversando com a mãe ela se lembra de ter falado. "Bom, pelo menos vou ver um pouco do mundo as custas do governo." Essa guerra devia ser uma espécie de férias para ela, e não aquela carnificina, Cloe começou a chorar de raiva e desespero, parou para pensar se Albert estava acordado, mas naquele ponto não importava, eles provavelmente iriam morrer ali.
Peter
Localização: zona morta do Canadá
Hora: 00:27
Peter pegou no sono enquanto observava as estrelas, ali elas eram bem mais visíveis, acordou com o barulho de algo quebrando perto do prédio, levantou assustado, o treinamento militar fez sacar a arma e procurar em quem atirar, foi abaixado até a beirada do prédio, olhou em volta e não viu ninguém, talvez já estavam dentro do prédio, seria difícil, Albert tem sono leve e com certeza acordou com o barulho, continuou olhando em volta até que viu alguma coisa se movendo no meio dos escombros dos outros prédios, muito grande para ser uma pessoa, começou a seguir a coisa com os olhos e notou que era um animal mutante, parecia uma leoa, maior, seu pelo coberto em uma cor preta tornando quase impossível ser vista durante a noite, os dentes eram afiados, ele conseguia ver isso daquela distância. Peter não queria desperdiçar balas e nem sabia se o bicho iria morrer. Com sorte os dois lá embaixo estavam pensando a mesma coisa. Peter começou rastejar em direção às escadas, quando chegou no primeiro andar, Albert e Cloe estavam observando o animal. "É estranho eu achar essa coisa a mais legal que já vi?" Albert perguntou. "Sim." Cloe respondeu e por um segundo eles pareciam ter voltado para o acampamento onde esses dois brigavam por qualquer coisa e todos estavam vivos. "Acham que foi isso que atacou o acampamento?" Peter se aproximou deles na janela. "Se foi, temos que nos livrarmos disso o mais rápido possível." Cloe colocou a mão no coldre da arma. "Não," Peter começou a falar "Sem desperdício de munição." "Qual o plano então?" Ela perguntou. "Um segundo." Peter se abaixou e colocou a mão no chão, os dois sabiam que ele iria usar o seu poder. "Tem certeza que é uma boa ideia, considerando nosso estado e tudo mais." Albert falou preocupado. "Vai ser um pequeno." Peter respondeu. Alguns segundos depois o bicho saiu correndo como se alguém estivesse atrás dele. "Animais conseguem sentir vibrações terrestres melhor que humanos, foquei um pequeno terremoto embaixo dele para achar que era algo maior" Pela explicação parecia simples, mas o rosto de Peter falava outra coisa, ele estava exausto só por fazer aquilo. "Meu turno agora." Cloe foi em direção às escadas, "vão dormir, especialmente você", ela apontou para Peter que não teve outra opção além de obedecer.
Natasha
Localização: desconhecida
Hora: desconhecida
Natasha estava deitada na cama, na primeira tentativa dela de atacar o médico, um gás sonífero foi liberado e agora toda vez que alguém entrava no quarto esse gás ela liberado na sala, demorou uma semana para ela conseguir prender a respiração por mais de um minuto, ela treinava quando estava sozinha e como contava o tempo na cabeça não tinha certeza se estava exata, agora era o momento de descobrir, antes de alguém entrar na sala, uma luz vermelha se ascendia, a luz ascendeu. Natasha respirou o mais fundo possível e prendeu a respiração. Cada segundo parecia se arrastar por horas, assim que sentiu o toque de alguém no ombro, se virou subitamente, jogando a pessoa na parede, não foi o suficiente para machucar o enfermeiro, ela se jogou em cima dele, que desviou com facilidade, era claro que havia passado por algum treinamento, Natasha sabia que não conseguiria vencer em uma luta contra ele naquela situação, ela correu em direção a porta e trancou o enfermeiro lá dentro, por alguns segundos ela não sabia o que fazer até que o barulho do alarme a despertou, ela olhou em volta, o único caminho possível era para direita, antes que Natasha pudesse correr, outra pessoa apareceu, ele estava vestido com um uniforme preto, sem pensar, ela correu na direção do homem, quando se aproximou tentou dar um chute, mas foi bloqueada, usando o momentum do movimento tentou dar um soco, sem sucesso. Se afastou e dessa vez o homem veio para cima dela, ela tentou correr, mas foi segurada pelo braço, com um grito ela arranhou o rosto do homem que a soltou, Natasha aproveitou o momento e passou por ele, correu até o final do corredor onde encontrou uma porta, passou por ela e continuou correndo, aquela parte do prédio tinha janelas, estava noite do lado de fora, Natasha não se importou em verificar se o segurança estava atrás dela, apenas continuou correndo, chegou em outra porta, mas essa tinha um teclado para que você digitasse a senha, bateu na porta em frustração, se virou esperando o segurança chegar, mas quem apareceu foi o médico responsável pelo fluxo temporal, antes que ela pudesse falar qualquer coisa, o médico levantou a mão e uma descarga elétrica passou pelo corpo dela, a primeira não foi o suficiente para desmaiar, apenas para sentir dor, nem a segunda, na terceira ela acabou desmaiando, mas enquanto perdia a consciência teve a impressão de que eles não iriam parar até que ela estivesse no chão.
Izumi
Localização: Japão
Hora: 23:17
As ruas eram bastante movimentadas durante todo o dia, às vezes parecia que aquela cidade nunca parava, várias pessoas ficavam amigas no meio da rua, todas nascidas em lugares diferentes do mundo, mas graças ao poder de tradução ninguém em nenhum lugar do planeta tinha problema de comunicação como nos tempos antes da guerra. Izumi gostava de observar esses turistas e se imaginava no lugar deles, uma vida simples e sem o peso de um país nas costas, as vezes Izumi imaginava como seria se tivesse seguido no mundo dos negócios, poderia estar rica com um zoológico cheio de animais mutantes que poderia atrair, mas no fundo ela sabia que precisava ficar na linha de frente e proteger seu país. Izumi também admirava os poderosos que ajudavam a sociedade sem fazer um grande caso sobre isso, os com habilidade de manipular água que formavam o novo corpo de bombeiros, os com habilidade de cura que ajudavam os hospitais, esse tipo de ação fazia Izumi acreditar que a humanidade não havia se tornado totalmente corrupta moralmente por causa dos poderes e como eles influenciavam em jogos de poder.
Enquanto caminhava, ela vou um outdoor gigante com Gabriel, um anjo na terra, ele era um poderoso que nasceu com asas e criou toda uma marca em cima disso, Izumi odiava esse comportamento e como algumas pessoas compravam essa ideia, mas ela não podia pensar nisso agora, precisava descobrir o que estava errado com a guerra, entrou em um café e pediu um chá de camomila, o lugar onde havia sentado aínda era possível ver as asas de Gabriel e então ela percebeu: que se fosse começar uma guerra, colocaria o seu nome em todos os lugares como Gabriel fez e não ficaria escondida, Izumi tinha quase certeza que outra guerra iria estourar por causa de boatos e não fatos, ela pegou o celular do bolso e discou o número de Takeshi.
"Alô," ela começou a falar. "Preciso marcar uma reunião com os doze generais, é urgente." E desligou o telefone sem deixar ele falar.
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