Filho da guerra

7 Bebo o cálice da neve infinita.


Notas iniciais
To com frio, e você? huashuahuas

Acordei totalmente revigorado, minhas dores já haviam sumido e meus pequenos ferimentos também.

Saí da barraca e ninguém além de mim estava acordado, o clima estava frio e caía uma leve geada.

Estávamos no verão, era estranho estar frio, as árvores estavam cheias de neve e algumas de suas folhas completamente congeladas.

–Gente, acordem agora. -Gritei para não ter que chamá-los um por um.

Susan e Laryssa apareceram, logo Rebeca e Iago também.

–Mas que diabos....Que frio é esse? -Iago olhava inquieto para tudo ao redor.

Bryan, Dani e Victoria também apareceram, assustados.

–Alguém pode me explicar como viemos parar no polo-norte? -Dani se envolvia com uma aura amarela, que a deixava aquecida.

–Acho que devo desculpas pela minha falta de modos. -Uma mulher vinha de uma árvore congelada, enquanto ela se aproximava, seus olhos azuis me encaravam. Seus cabelos eram brancos e sua pele era azul claro, estava vestindo uma túnica branca e segurava um cálice também branco.

–Quione. -Victoria estava tão surpresa quanto todos.

–Garoto, soube que você está indo atrás de sua irmã e daqueles meninos pertubadores. Aquele Halastor já deveria ter morrido há muito tempo, ele está reunindo forças e nem eu mesma conseguiria vencê-lo nessa altura do campeonato. -Ela pousou a mão em meu ombro e eu senti meu corpo todo congelar.

–Você sabe onde ele está? Sabemos que é em São Francisco mas queremos o local exato. -Eu sentia que ela teria a resposta.

–Tome deste cálice, isso mostrará a resposta na hora certa. Ah, procure por Hebe, diga que Geras está do lado de Halastor e isso bastará.

Peguei o cálice de sua mão e bebi. Sentir um calafrio percorrer meu corpo, foi tão forte que caí de joelhos, um formigamento na minha cabeça me fez fraquejar e depois cair desmaiado.

Acordei com alguém me balançando, era Victoria.

–Ei, o que aconteceu?

–Quione veio até você e mandou você beber do cálice, você ficou literalmente azul e desmaiou. A deusa disse que não conseguiria vencer Halastor e preferiu lhe dar o cálice invernal.

–Cálice infernal?

–Cálice invernal. -Ela me corrigiu. -A fonte dos poderes dela é o inverno, agora o inverno está correndo pelas suas veias.

–Oh, droga. -Eu não sou uma pessoa que gosta de frio, muito menos de inverno. -Eu sei que ela estava querendo ajudar a acabar com Halastor, mas entregar o cálice a mim.

–Não reclame seu tolo, Quione pode ser uma deusa "não muito simpática", mas quis ajudar por alguma razão e o escolheu, Halastor quer usá-lo em seus planos e você precisa estar o mais preparado possível para não perder.

–Mas se ela não acredita que conseguiria destruí-lo sendo ela uma divindade, como eu conseguiria?

–Você não percebe que agora você tem os poderes da guerra e da neve? -Ela estava se irritando. -Agora você está muito mais poderoso.

Eu deveria estar atordoado demais, querer discutir com ela me mostrava isso já que ela sempre sabe de tudo.

–De quem é essa barraca? -Estranhei o fato de estar numa barraca azul claro quando na verdade minha barraca era vermelha.

–É a sua, quando desmaiou Quione foi embora e eu lhe trouxe até aqui, então você se mexeu um pouco ainda parcialmente desacordado e sua barraca começou a ficar gélida e azul.

–Ah, agora tudo em que eu tocar vai ficar assim? Pra que me dar poderes que eu não saberei controlar?

–Vamos, tome um pouco de néctar e cale-se.

Fiquei em silêncio e bebi o néctar, um gole apenas e meus olhos arderam bastante.

Resolvi sair e me sentar junto de todos perto da fogueira.

–Hey, olha quem chegou. -Jay estava deitado no colo de Rebeca mas foi o primeiro a me ver.

Sentei ao lado deles e encarei a fogueira, de repente o fogo cessou e a lenha se congelou. Todos me encaram revirando os olhos.

–Mudança de planos, teremos que nos separar. -Anunciou Victoria.

–Mas somos nove. -Dani relutou.

–A profecia dizia que nos separaríamos. -Victoria encerrou.

–Como ficará? -Perguntei.

–Eu irei atrás de Hebe junto com Dani, Susan e Laryssa. Depois que encontrarmos a deusa e pedirmos sua ajuda, iremos ao encontro de vocês. Luan liderará o segundo grupo e Jay, Rebeca, Iago e Bryan iram com ele. Iram descobrir onde se localiza o covil de Halastor e nos enviaram uma mensagem de Íris para que cheguemos até lá o mais rápido possível. -Ela fez um gesto com a mão para que eu acompanhasse ela.

Caminhamos em direção a floresta e ela começou a rimar, percebi que estava me contando a profecia.

–Ao leste, nove precisam a escuridão buscar.

A neve implicará na divisão ímpar.

Sua força maior, o caminho mostrará.

A grande tentação aos poucos suplicará.

Luz e sombras o mal tentará extinguir.

Ao ataque do velho, padecer ou resistir.

–Nossa agora eu sei porque você não costuma contar sobre as profecias que recebe nas missões que lidera. -Eu tentei parecer calmo diante do que ela acabara de me dizer.

–Agora que iremos nos separar você precisava saber até porque a profecia pode estar envolvida no seu trajeto daqui para frente.

Eu assenti e fiquei parado ali pensando, estava sentado em frente a uma árvore que estava ressecada só por eu estar perto dela.

Já estava anoitecendo quando eu resolvera voltar a realidade e ir até os meus amigos, minha barraca voltara a cor vermelha e havia uma nova fogueira ao lado da que eu havia congelado.

Entrei na minha barraca e lá estava o bilhete de Clara brilhando, eu o toquei e como sempre, o brilhou cessou. Abri e li.

"De: C" "Está quente aqui, e aí? (risos)"

Eu sorri e imaginei que Dani estaria passando informações de mim para Clara o tempo todo. Havia aquele momento que eu disse estar sem sono e o bilhete me lançou um feitiço do sono ou algo parecido, e esse agora.

Saí e fui comer marshmallows que Victoria trouxera para a missão e que dividira com todos nesse exato momento.

–Nem mais um passo, Luan. -Dani me advertiu, eu só chegara perto de Jay e ele se tremia de frio. Ela não queria que eu acabasse congelando mais uma fogueira.

–Jogue o marshmallow para mim. -Ela arremessou o marshmallow e ele se transformou em uma pedra de gelo antes de tocar meus dedos.

–Droga, tenho que aprender a usar essa coisa de poder da neve. -Todos se seguraram para não rir, só Jay que não se aguentou e começou a gargalhar.

–Gosta de marshmallows? Então pegue. -Atirei a pedra de gelo em Jay que soltou um leve gemido de dor.

–Qual é? Perdeu a noção do perigo? -Jay vinha na minha direção bravo.

–Não e você? Ah, faz um favor para mim, fica frio aí. -Não reparem que eu gosto de pedir um favor antes de atacar alguém. Dei ênfase no "aí" e fiz um gesto com a mão em direção a seu tronco. De repente Jay voou uns cinco metros e caiu ao lado de Dani que me fuzilou com o olhar.

–Você é louco? Se controle enquanto não sabe usar seus poderes. -Eu lembrei de Jade, quando ela disse que já havia chamado lobos involuntariamente, isso acontece com quase todos os semideuses antes de descobrirem que são o que são e isso me fez ver que eu estava nessa condição novamente.

Olhei para Jay e seu tronco estava com uma leve camada de gelo e ele tremia fortemente, Dani pousou suas mãos no tronco dele e uma luz que vinha dela começou a descongelar o gelo.

–Ele vai ficar bem. -Victoria me encarava como se disse "hora de ir dormir".

Fui para minha barraca e o bilhete de Clara estava brilhando. Nossa, como a Dani é rápida, hein? Abri o bilhete e vi uma foto, era eu desmaiado. Só que eu estava azul e estava caído perto de minha barraca com Victoria me segurando, li a legenda. "Bebeu do Cálice agora se controle, nada de confusão pelo menos até aprender como usar todo esse gelo aí. (filho de Ares, hunf)"

Deitei segurando o bilhete com força, estava torcendo para que ele não congelasse ou rasgasse. Eu relaxei pensando em Clara e adormeci lentamente.

Notas finais
-Quione, trate de me explicar o porque de estar nos ajudando, tá bondosa agora é? Obs: O semideus não pode acordar com sede que uma deusa já vem trazer água, não pera u.u