Filho da guerra

8 Dracaenae tomam sol


Notas iniciais
hehehe u.u

Acordei bem disposto, sabia que haveria muita coisa pela frente e ainda tinha o fato de Quione ter me dito "beba isto e saberá o caminho na hora certa".

Estava saindo da minha barraca, mas quando toquei o zíper, ele e todo a linha do fecho congelaram. Dei um soco fazendo com que quebrasse o risco congelado que acabara de formar e saltei para fora. Todos estavam se arrumando e guardando as suas barracas quando perceberam o que eu fiz, reviraram os olhos.

–Jay, tudo certo? -Ele me lançou um olhar aborrecido.

–Melhor impossível.

–OK, quando você beber de um cálice estranho e ganhar poderes que não conseguem nem sequer controlar, eu deixo você me lançar longe. -Ele sorriu, achei que fosse rir, mas ele parecia perplexo demais, talvez achando que isso de fato lhe aconteceria.

–Iremos para São Francisco, então eu e Iago conseguiremos transporte pela água. -Rebeca vinha falar comigo já que eu lideraria o segundo grupo.

–Ok. Iremos a leste então teremos que adentrar a floresta até o Virginia´s beach.

Rebeca assentiu e se afastou ao mesmo momento em que Victoria vinha até mim.

–Mensagem de Íris, hein? -Ela queria me lembrar de não tomar nenhuma atitude precipitada antes de avisá-la sobre o covil de Halastor.

–Como você irá depois se os dois filhos de Poseidon irão comigo? -Quando as palavras saírão pela minha boca eu olhei para Laryssa e Susan e me lembrei de que elas são filhas de Hades e, sendo assim, conseguiriam abrir um portal das sombras e Dani, um da luz.

–Acho que já entendeu. -Ele me olhou e eu achei que ela estivesse lendo minha mente ou imaginado que eu aceitaria qualquer divisão feita por ela.

–Eu não congelei minha barraca hoje, só o zíper. -Eu chamaria isso de avanço. Eu preferiria ter recebido uma benção, mas não me identifico com o frio e, mesmo assim, Quione me presentiou com a fonte de seu poder divino. Eu ainda disconfiava o motivo dela ter ajudado.

–Parabéns. -Ele me observava como se eu estivesse azul de novo, mas eu me certifiquei de que não estava.

Estava com muita fome, Jay me deu um lanche que me fez querer vomitar e comer mais ao mesmo tempo. Partimos em direção a praia enquanto Victoria e as meninas pegavam o caminho que daria numa estrada quase deserta.

Andamos um longo período de tempo, o que não agradou nada Iago que mesmo sabendo que estávamos indo em direção ao mar, não queria dar nem mais um passo.

–Uma pausa seria bom. -Iago disse e Rebeca o fuzilou com o olhar, ela odeia preguiçosos.

–Vamos, logo você estará renovado. -Eu queria incentivá-lo, mas soou mais como uma ameaça.

Chegamos a praia de Virginia e nos deparamos com algumas dracaenae com roupas de banho e óculos de sol, algumas estavam com lenços na cabeça e outras com viseiras floridas. A menoria estava debaixo de uma grande tenda polindo suas garras, reajustando suas armaduras e curtindo o sol. Uma dracaena nos viu e sibilou.

–Meioss ssangues. -Quase todas as dracaenae vieram nos atacar do jeito que estavam, sem armaduras nem espadas, mas uma dúzia delas continuaram na tenda desamassando algumas armaduras e organizando bainhas vazias.

–Bryan, use o que restou de fogo grego para sua arma e dê cobertura para os outros, Rebeca e Iago ataquem as que estiverem mais próximas do mar, Jay avançe nas que continuam na tenda. -Só me restou umas dúzias de dracaenae que estavam tomando a frente.

Elas sibilaram e eu pude perceber que estavam com os olhos em mim,os outros poderiam ir se arrastando até seu posto que nenhuma nem se daria conta. Corri na direção de uma dracaena e a decepei com minha espada, outras vinham rapidamente e se sobrepunham nas cinzas das que explodiam.

Concentrei-me em umas três dracaenae e as congelei, o que pra mim foi difícil. Direcionei minha visão para Bryan e vi algo incrível, ele estava erguido por seis extensões de metal presas em seu tronco como pernas de aranhas, brandia sua espada com agilidade e seu lança-chamas estava caído ao lado, partido e sem munição. Rebeca e Iago estavam muito bem, atacavam os monstros com jatos d'água e os sugavam para dentro do mar fazendo com que as dracaenae sufocassem e então as apunhalavam calmamente.

Continuei atacando aqueles bichos que estavam em meu encalço e prestando atenção em Jay, ele estava ganhando sua batalha mas havia algo esquisito escondido entre algumas armaduras amassadas.

Antes que Jay chegasse até as armaduras, uma garota se levantou em giratória como um palhaço, empurrando as armaduras que lhe escondiam. A garota tinha os cabelos e olhos pretos, sua roupa era preta com caveiras e sua maquiagem, bom, acho que vocês já suspeitam da cor. De longe me lembrava uma garota filha de Hades, Bianca.

Ela fez um gesto com a mão e Jay caiu, imóvel. Gritei para Bryan segurar as pontas e corri até Jay.

–Ele não morreu, só está tendo alguns pesadelos. -A garota sorria e eu percebi como Jay cerrava os punhos desacordado.

–Pare com isso. -Eu olhei em seus olhos e um calafrio percorreu meu corpo. Lembrei-me de um sonho em que Augusto estava fugindo de alguém junto com uma garota e agora eu estava diante dela.

–Eis o desafio, lute comigo. -Seus olhos pareciam ter vida própria. Ela com certeza estava hipnotizada.

–Halastor mandou você? Eu não imaginaria ninguém pior para tentar nos deter. -Eu desdenhei.

–Tudo tão fácil até você explodir em mil pedaços, concorda? -Ela se sentia superior. -Se eu fosse você, não contaria vitória, pelo menos não antes de saber quem meu mestre enviou atrás de suas amiguinhas. Ele sabe sobre a divisão.

–Eu não brigo com garotas. -Eu dei um passo para frente.

–Isso é medo, de fato. -Ela é filha do deus do medo, ok, mas estava errada. Hunf.

–Eu tenho muito medo de pessoas insignificantes, de fato. -A garota pulou em mim e eu a joguei longe com uma mão apenas.

Ela caiu em cima das armaduras das dracaenae e desmaiou. Quando eu fui na direção dela, o chão engoliu minhas pernas e a garota se levantou pesadamente.

–Parabéns, otário. -Ela me acertou um soco no rosto e eu desejei poder voltar no tempo e aconselhá-la para não fazer isso.

Não lembro de quase nada, só uns flashes rápidos dela tentando se defender e eu lhe atacando. Eu estava fora de mim, não conseguia nem raciocinar.

Quando retomei minha consciência, estava com a mão no estômago da garota e ela estava caída na beira do mar, alguns metros da tenda. Seus olhos não estavam mais se movendo loucamente, ela não estava mais hipnotizada.

–Você precisa matá-lo. Halastor só será parado se morrer, ele dará sua vida para alguém muito importante. -Ela me olhava tristemente e sua voz falhava de fraqueza.

–Você vai ficar bem. -Eu assegurava. -Eu vou lhe ajudar, alguém por favor faça alguma coisa.

–Não, eu não posso ser salva, eu trairia sua confiança e... -Uma gota caía de seus olhos, ela sabia que por ser filha de quem é estava destinada a destruir e matar.

–Nossa missão era resgatar todos, até você. Quíron irá fazer você se tornar uma pessoa boa, até os filhos de Hades conseguem ser bons. -Ela parecia não entender.

–Quíron, ele seria capaz de ajudar meu irmão? Salve-o e responda minha pergunta. -Ela forçava sua voz mesmo não tendo mais forças.

–Eu salvarei seu irmão e Quíron ira ajudá-lo. -Ela sorriu agradecida.

–Jure.

–Eu juro pelo rio Estige que irei salvar seu irmão, mas não posso jurar que Quíron irá fazê-lo do bem.

–Só não deixe que ele seja sacrificado pelos erros dos outros.

–Ok.

–Duas coisas: A fraqueza de Halastor é o frio, se for esperto descobrirá o porquê. E uma dica para controlar seus poderes, foque no reverso dele e então conseguirá ministrá-los. -Ela sorriu e suspirou profundamente e então seu rosto se curvou para o lado, fechei seus olhos.

A terra engoliu a menina, o que me deixou sem entender nada. Minhas pernas fraquejaram e eu caí, encarei meus amigos para ver o que acontecera com eles e todos me encaravam assustados.

–O quê?

–O mar, PARE. -Rebeca apontava em direção ao oceano.

Olhei para o lado e vi algo extremamente assustador. Todo o mar estava coberto de gelo, alguns pássaros estavam caídos em cima do gelo do mar e também estavam congelados. Um flash veio em minha cabeça, quando eu acertei a menina no estômago, minha força havia passado pelo seu corpo e foi em direção ao mar e aos pássaros que voavam baixo. Eu não sabia se o gelo havia tomado conta da água até o fundo, mas sabia que se não consertasse o próprio Poseidon viria atrás de mim.

Lembrei do que a semideusa havia acabado de me dizer, precisava pensar no oposto do frio. Fechei meus olhos e coloquei minhas mãos no gelo, então concentrei-me em algo quente, mas não me vinha nada na cabeça. Modifiquei um pouco o foco e pensei em Clara, imaginei seus olhos intensos sobre mim e seus cabelos loiros que se perdiam entre a luz do sol. Senti um formigamento nas palmas da minha mão que me fez abrir os olhos e cortar o pensamento. Todo o gelo que antes estava na água havia se dissipado e os pássaros voltaram a voar, fugindo como se um caçador estivesse atirando pólvoras neles.

Caí na areia sem forças, toda aquela luta com a filha de Phobos já tinha me cansado e agora descongelar o mar, foi o meu máximo. Minha cabeça estava girando e eu estava quase em estado de desmaio, mas eu ainda sentia as dores em meu corpo e o rosto de Clara ainda perambulava minha mente.

Notas finais
Ops, matei huashuashuas u.u
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.