Filho da Fênix

1 Capítulo 1 ReMAKE - Despertar do Fogo


Notas iniciais
Cara, faz MUITO tempo que eu não atualizo essa história. Muito tempo MESMO. Eu realmente estava pensando em abandonar ela, não fosse por uma leitora que me encorajou a continuar. Estarei inicialmente simplesmente substituindo os capítulos velhos com seus remakes. Como podem ver, o ReMAKE do 1 está substituindo o prólogo antigo. Resolvi abandonar ele, já que era só uma citação do capítulo um. Pois bem. Aí vai o primeiro capítulo da história, refeito e melhorado. Beatrizinhazi, esse capítulo é pra você! Vejo vocês nas notas finais! o/

Despertar do Fogo

Victor e Gabriela saem andando do colégio, folheando os boletins.

“Enfim, liberdade!” exclama o garoto ruivo, erguendo no ar o boletim com a palavra Aprovado escrita vinte vezes, uma ao lado das notas de cada matéria.

“Finalmente,” diz a garota, fazendo o mesmo. “Quase não passo em Geometria.”

Victor esboça um sorriso. “Mesma coisa em espanhol comigo. E nenhuma nota abaixo de nove e meio em Geometria.”

Gabriela revira os olhos. “No dia em que você tirar menos do que sete em alguma matéria não sendo espanhol e artes, que são as em que ninguém mais fica abaixo da média, Victor, você vai ter que ser exorcizado,” diz ela.

Ele sorri, ao mesmo tempo em que chegam no ponto de ônibus. A garota de pele morena faz sinal para um ônibus, da linha seiscentos e treze, que para pouco à frente deles e abre ambas as portas. Eles esperam uma senhora sair pela porta de trás e entram sem pagar pela mesma porta, como bons cidadãos, sentando-se quase no fundo do ônibus.

“Cara, eu odeio aquele professor de espanhol,” diz Victor.

Gabriela sorri. “Ele deve ter ciúmes porque você se dá bem em todas as matérias, menos a dele.”

Victor esboça um sorriso. “Deve ser isso.”

Depois de aproximadamente cinco minutos, eles se levantam para sair do ônibus e Gabriela puxa a corda no alto.

“Nerds e ruivos primeiro,” diz ela quando o ônibus abre a porta. Victor revira os olhos e caminha para fora do veículo assim que este termina de frear: como sempre, o ônibus abriu a porta muito antes de parar. Ela sai em seguida e os dois caminham juntos pela calçada até um sinal, que demora aproximadamente cinco minutos para ficar vermelho para os veículos e, quando o faz, um ônibus, dois táxis e um carro comum o furam mesmo assim. Quando Victor e Gabriela finalmente conseguem passar, o sinal já abriu novamente para os carros. Um dia normal na cidade do Rio de Janeiro, para resumir.

Victor caminha pela calçada se guiando apenas em Gabriela, sem prestar atenção em absolutamente nada, usando o celular na internet quando recebe uma mensagem da Tim dizendo que ele esgotou seus dez megabytes diários. A operadora oferece um pagamento de ‘apenas’ setenta e cinco centavos em troca de mais dez megabytes que provavelmente durarão os mesmos três minutos que estes duraram, mas Victor revira os olhos e simplesmente reinicia o celular e, quando este liga de novo, a internet está funcionando normalmente.

Neste momento eles chegam ao local onde moram. Victor guarda o smartphone Nokia Lumia no bolso e levanta os olhos para a placa: Vila Abre-te. O garoto coloca as mãos nos bolsos procurando as chaves ao mesmo tempo em que Gabriela saca o seu chaveiro e dá um passo à frente para abrir o portão.

“Puta que pariu, perdi minha cha–“ Ele encosta uma mão na lateral da mochila e ouve o chacoalhar das chaves. “Ah,” diz ele, achando puxando o chaveiro da lateral da mochila, então olha para o portão e ouve o estalo alto de quando Gabriela abre o portão.

“Ah, deixa pra lá.” Ele entra na vila junto com ela, e como a casa de Gabriela é a mais próxima do portão, vão inicialmente até ela.

Victor boceja e se senta no muro enquanto Gabriela abre o portão.

“‘Bora sair amanhã? A gente combina pelo WhatsApp o que vai fazer e chama mais uma galera lá da escola. O shopping fica a umas três ou quatro quadras daqui, mesmo,” diz ele. Gabriela dá de ombros.

“Tudo bem, então. Eu falo com meu pai e você liga mais tarde para confirmar,” aceita ela.

Victor assente e, ainda sentado no muro, olha para sua casa, mais para o final da vila, enquanto Gabriela abre os três cadeados do portão de sua casa. Ele estreita os olhos como se notasse algum detalhe estranho. Há um brilho alaranjado oscilante vindo da sua casa. Perceptível, embora difícil de se ver no sol. Como... Victor arregala os olhos. Como línguas de fogo.

“Hã... Gabriela...” diz ele, sem acreditar no que vê. “A minha casa... parece que está pegando fogo.”

A garota se vira rapidamente. “O quê? Eita, porra!” Ela começa a colocar os cadeados de volta no portão, ao mesmo tempo em que Victor salta do muro e começa a correr os duzentos metros que separam a casa dos dois. Quando ela finalmente termina de recolocar os três cadeados e começa a correr, cinco segundos depois, Victor já correu cinquenta dos duzentos metros, e Gabriela vai atrás dele. Eles chegam no portão da casa de Victor praticamente ao mesmo tempo. Agora é inegável: a casa de Victor está completamente em chamas. Uma das paredes sucumbiu, como ele pode ver pela janela. Nenhum curto-circuito teria causado um estrago desses.

O ruivo pula por cima do muro e corre na direção da porta, tendo que saltar para longe dela quando esta explode para fora. Ele entra rapidamente e Gabriela pula o muro logo em seguida. Victor corre rapidamente até o espaço entre a sala de estar e a cozinha e sobe as escadas para o segundo andar de dois em dois degraus.

No caminho, ele ouve uma conversa em voz alta.

“Felipe, você enlouqueceu? Tem um Filho da Fênix lá em cima!”

“E você vai fazer o quê? Deixar o cara explodir a casa da mulher? Nem os ordinários iam engolir que a casa foi demolida por um curto-circuito ou porque uma micro-ondas explodiu e fez duas paredes desabarem. Em andares diferentes. Você sabe que eles não são tão idiotas assim.”

“Então você sugere que a gente vá enfrentar o cara de curupira que pode explodir as nossas cabeças como fez com essa casa? Lógico.”

Victor chega ao segundo andar, sem entender qual foi a segunda parede destruída, e então vê: por trás da garota loira com o olho direito azul e o esquerdo castanho cor de mel e do garoto, também loiro, com ambos os olhos azuis, que uma das paredes do quarto da sua mãe foi completamente destruída, liberando uma bela quantidade de entulho sobre a casa ao lado. Pela abertura, ele consegue ver a janela cheia da poeira liberada pela parede explodida, de um vizinho. Por trás dela um garoto de sete anos joga calmamente em seu Xbox 360. Sem notar nada.

“O que vocês são?!” grita, erguendo uma das mãos na direção do garoto loiro alto. “E o que estão fazendo aqui na minha casa?!” Uma bola de fogo do nada voa para a mão dele na direção do garoto, que instintivamente estende ambos os braços para ele. Uma estalagmite de gelo como um minúsculo iceberg brota do chão e bloqueia a esfera.

Victor perde alguns momentos tentando entender o que acabou de acontecer, nos quais ouve passos vindo da escada, os passos de Gabriela. Ele em seguida vê com a visão periférica a garota loira correndo para cima dele, tentando agarrar a cabeça do ruivo com a mão envolta em uma nuvem elétrica. Ele salta para frente e esquerda, evitando-a e também tropeçando nela. Isso por sorte também faz a garota tropeçar e cair na frente da escada. Antes que alguém possa pará-lo, Victor corre para as escadas de ferro em caracol, dez metros à frente. Quando sobe o primeiro degrau, Victor olha para a porta acima. Destruída. Metal líquido escorrendo no chão próximo às fechaduras.

Quando ele era mais novo, ele se lembra, perguntou para sua mãe o que havia além daquela porta, e ela se negou a responder. Ele pensou que fosse um terraço, mas havia outra escada levando à porta do terraço. Quando aos treze ele voltou a perguntar e ela voltou a se negar a responder e proibiu-o de entrar ali – não que a proibição fosse necessária, por vez que ele não possuía e nunca conseguiu encontrar a chave daquela porta – ele achou estranho, e nunca chegou a ver o que havia lá em cima.

Até agora.

O garoto ruivo sobe correndo as escadas, passando pela porta de ferro que foi derretida. Ele evita a poça do líquido laranja brilhante no chão do ‘sótão’ e pisa no resto do piso. Não faz muita diferença: quando ele levanta o pé para dar o próximo passo, fios brancos viscosos da borracha semiderretida da sola de seu tênis grudam no chão vermelho, fazendo-o notar que este não está vermelho por alguma pintura ou por ser a cor natural do piso, mas por estar em brasas: assim como a porta, o chão dali é de ferro.

O garoto então escuta o som de alguma coisa voando rapidamente em seu encontro e se joga para frente e para o lado para escapar, gritando de dor e se forçando a ficar de pé rapidamente quando o calor absurdo do chão queima os seus braços e mãos.

Ele olha para o local de onde veio a coisa. Ali há um homem alto, com a aparência de quase quarenta anos, cujos cabelos estão envoltos em chamas, tornando quase impossível ver, quanto mais discernir, os fios. As chamas entretanto não os consome, e os olhos do adulto possuem uma íris que brilha alternando entre tons de dourado, coral e escarlate, oscilando como se fogo queimasse por trás de seus olhos.

“Ah,” diz ele. “Era você, Victor. Pensei que fossem aqueles dois irmãos lá embaixo,” explica.

Victor o encara por um momento e se vira para trás dele, onde a bola de fogo atingiu. Uma substância viscosa continua colada à parede reforçada com ferro, queimando com uma intensidade absurda e fazendo ferro líquido escorrer até o chão. Aquele homem estava planejando acertar os dois com aquilo? Se ele tivesse sido atingido diretamente, estaria morto agora. Ele planejava acertar dois adolescentes com essa bola de fogo?

Victor se volta para o homem, notando atrás dele um retângulo com as bordas feitas de alguma pedra preciosa negra e translúcida, uma membrana brilhante oscilando em tons de violeta, púrpura e magenta preenchendo seu interior. A membrana oscila como a superfície da água de uma piscina, como se alguma coisa tivesse acabado de passar por ali.

“O que você está fazendo aqui na minha casa?!” grita Victor.

O homem ergue uma sobrancelha ao mesmo tempo em que o que restou da porta do sótão tomba sobre a escada que leva para o mesmo.

“Digamos... que eu tinha alguns assuntos a tratar com a sua mãe. Ela está comigo agora,” diz ele, fazendo um gesto para o retângulo negro.

Victor arregala os olhos. “O que é você?!”

O adulto sorri. “Pensei que você fosse capaz de deduzir. Não é o garoto inteligente? Sou o que os dois irmãos falaram lá embaixo. Um Filho da Fênix. Agora durma.” Ele ergue a mão para frente e uma bola de fogo voa em direção a Victor.

“Não!” grita o ruivo, estendendo ambos os braços para o Filho da Fênix. Uma rajada de fogo voa das mãos espalmadas de Victor, colidindo contra a bola de fogo, que explode no ar sem atingi-lo. O fogo se esvanece e some, e o garoto cai de joelhos no chão, por algum motivo não sentindo o calor do ferro em brasas sob sua canela queimar a sua perna através da calça jeans. Ele ergue os olhos para o homem, e a partir da borda de suas pupilas uma coloração alaranjada invade o cinza de suas íris, até toma-las completamente com gradiente de cores oscilando e mudando seu padrão, cada parte da íris alternando imprevisivelmente entre escarlate, coral e dourado como fogo.

“Durma você!” grita ele, erguendo as mãos e lançando delas outra rajada de fogo. O Filho da Fênix ergue os dois primeiros dedos da mão direita, soltando uma rajada um pouco menor, porém com chamas da rigidez das de um maçarico, que lentamente empurram o centro da colisão na direção de Victor.

“O Despertar do Fogo,” murmura o homem. “Um pouco tardio, mas não é como se pudesse ser evitado. Parece que o encantamento está começando a se esvanecer, afinal.” Ele então espalma a mão, e a rajada é empurrada até Victor, lançando o garoto voando alguns metros para trás, mas ele cai em alguma coisa muito mais fria do que esperava, e alguns centímetros acima do nível do chão de metal. Gelo. O garoto loiro entra correndo, seguido pela loira de olhos heterocromáticos e então por Gabriela.

“Victor!” grita a última, e essa é a última palavra que ele ouve antes de não ser capaz de ouvir mais nada.

Tempo cronológico de duração do período desse capítulo: 483s.

Notas finais
Torço para que tenham gostado do remake. o/ Como poderão notar aqueles que virem isso antes de eu já ter substituído todos os capítulos com remakes, meu estilo mudou MUITO. Eu agora escrevo no presente e não no pretérito e... Demoro muito mais a escrever. Um dos principais motivos pelo qual ficou TÃO melhor? Simples. Eu antes escrevia todos os capítulos em uma hora e meia no máximo, em uma Lan House. Agora eu escrevo em casa em um netbook lixoso, ponho no pendrive e PUBLICO na Lan House. Motivo para isso? Mudei recentemente, minha mãe ganha 1,5x salário mínimo e minha irmã ainda não está trabalhando nem eu fazendo estágio. Daí não tenho net em casa. Até lá, estarei escrevendo aqui ou no notebook lixoso que um parente já concedeu e de três pessoas em casa, três são preguiçosas demais para ir buscar. Até o próximo remake! o/ Pergunta para responderem nos reviews: Neste capítulo há o trecho: Ela começa a colocar os cadeados de volta no portão, ao mesmo tempo em que Victor salta do muro e começa a correr os duzentos metros que separam a casa dos dois. Quando ela finalmente termina de recolocar os três cadeados e começa a correr, cinco segundos depois, Victor já correu cinquenta dos duzentos metros, e Gabriela vai atrás dele. Eles chegam no portão da casa de Victor praticamente ao mesmo tempo. Qual a velocidade em que correu Victor? E a em que correu Gabriela? Respondam nos reviews. ;)