Filha da justiça, a nova guardiã
4 Há Esperança
Notas iniciais
Tomada pela vingança e pelo poder, Morgana se preparava para o ataque! Assim como Breu, ela queria acabar de vez com os guardiões, e sabia que não erraria. O poder que possuía era forte. Como se ela pegasse um pouco do poder do medo do Bicho Papão e juntasse com todo o seu poder da à dor e a tristeza.
- Vejamos quem será o primeiro? — questionou-se a bruxa.
Um monstro ciclope vermelho que havia perto dela fez um grunido assombroso como resposta.
- Ótima idéia, meu querido. — ela acariciou a cabeça da criatura. Formou-se em sua mão uma silhueta feita de um tipo se sombra roxa. Sua forma era a de um coelho bípede. Coelhão. — Creio que a próxima páscoa não vira. — falou olhando para a sombra em sua mão sorrindo.
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Em sua toca, o coelhinho da Páscoa trabalhava na organização da próxima páscoa. Tranquilo. Ele pulava de um lado para o outro cuidando da natureza que o rodeava. Molhava algumas plantas com um regador de madeira. Mas, depois do "encontro" com Morgana, ele se preocupara mais com o que ela pretendia.
De repente ele parou. Sentiu um cheiro estranho e ouviu ruídos. Algo estava pisoteando em cima de sua toca subterrânea.
Ele subiu até um observatório que possuía e viu o que lhe aguardava: mais ou menos vinte monstros diferentes. Um tinha duas cabeças, outro, um ciclope gigante, havia também um com garras no lugar das mãos.
Coelhão não pensou duas vezes e, girando um ovo de páscoa de pedra que havia no observatório, acionou o chamado dos guardiões para alertá-los.
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- Então, Sand. Essa "areia" é que faz as pessoas terem sonhos bons, certo? — perguntou Mary apontando para Sandman.
Ele sacudiu a cabeça confirmando.
- Legal! — vibrou ela. — Agora vou ver Sandman em ação! — riu ela.
Sand deu um risinho com animação da feiticeira.
Ele voou um pouco mais acima e abriu os braços, espalhando sua areia mágica por todo o Japão — que era onde eles estavam no momento — e depois foi se espalhando pelo mundo inteiro.
Mary olhou para cima e viu o grande poder que o guardião possuía. Ele criara ondas de areia que circulavam por todo o lugar, criando formas de animais, brinquedos, lugares do mundo, enfim, vários tipos de sonhos.
A feiticeira sobrevoou até uma casa onde uma garotinha estava dormindo. Em cima de sua cabeça havia uma garota cantando. Era o que parecia. Ela deveria estar sonhando que estava em algum show ou que estava cantando sei lá.
- Deve ser isso que ajuda na crença das crianças — Mary se aproximou de Sand e disse: — é lindo de mais.
Ele sorriu satisfatoriamente. De repente, Sandman notou algo no céu e apontou, tentando mostrar a Mary.
- O que? Pra onde você... Ah não... — resmungou ela vendo a aurora boreal que significava a convocação dos guardiões. — O que será que aconteceu agora?
Sand deu de ombros também em duvida.
- Acho que devemos ir não é? — Mary falou já flutuando um pouco acima do guardião.
Ele confirmou. Sandman formou um avião feito de sua areia de sonhos de ambos saíram voando em direção ao ponto de encontro deles: o Polo Norte.
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Sand e Mary chegaram rapidamente no Polo, onde encontraram os outros guardiões a espera deles. O único que faltava era Jack, que chegou voando rápido passando pela janela aberta e parando ao lado de Coelhão.
- Chegando atrasado. Que feio, Frost. — riu Mary.
- Que foi?! Cheguei segundos depois de você. — rebateu ele.
Ela riu sarcasticamente:
- Ok, ok. Enfim, qual foi à emergência? Dessa vez...
- Não é aqui. É na toca. — respondeu Norte.
- Coelhão? O que houve? — falou Jack preocupado.
- Não sabemos, mas creio que devemos ir lá. Rápido. — deduziu fada.
- Hehehe, vamos ver o que a novata vai achar do seu trenó, Norte. — riu Frost.
- O que tem o trenó? — questionou Mary.
- Nada não. Você vai amar.
- Chega de brincadeiras, vamos de uma vez. — falou Papai Noel com seu sotaque russo de sempre.
Eles caminharam até o lugar onde Norte guardava seu trenó e suas renas — que estavam agitadas, muito agitadas.
O trenó de Norte era enorme. Feito de madeira e era vermelho com detalhes prateados. Realmente lindo. Mas aquelas renas pulando não causavam boa impressão.
- Ahn, é para eu subir ai? — falou feiticeira demonstrando um pouco de preocupação.
- É! Por quê? Esta com medinho? — Jack se aproximou de Mary dizendo.
- O que? Não. Mas não tem como eu entrar ai com essas renas pulando desse jeito. Sem chance.
- Hohoho, você vai adorar. — Norte se aproximou da feiticeira e deu uma batidinha em suas costas. — Vamos!
Mesmo um pouco insegura, a guardiã subiu no trenó com as renas mal-encaradas.
- Espero que goste dos meus lupis, Mary. — sorriu Norte.
- Espera! O que? — falou Mary um pouco assustada.
Os guardiões riram da expressão de Mary, o que há deixou um pouco desconfortável.
- Coloquem o sinto. — falou Papai Noel.
- Mas que sinto? Arg! Vocês querem me apavorar não é?! — disse a feiticeira mais assustada.
Pode ser um pouco estranho um ser que voa ficar com medo de voar em um trenó, mas talvez o que assustasse Mary fosse às renas.
Então, o passeio começou. Eles passaram por um túnel de gelo, com Norte dando voltas em uma velocidade incrível, até que saíram do tal túnel e começaram a voar.
- Esquece o que eu disse. Isso foi incrível! — sorriu Mary.
Jack parou um segundo, olhou bem para a feiticeira em seu lado, sorrindo. Ela realmente tinha um lindo sorriso.
- Falei que você ia amar. — Jack se aproximou da borda do trenó e gritou: — Da uma olhada nessa vista! Ela é... Ahhhh!
A guardiã arregalou os olhos. Jack realmente havia caído do trenó?
- Gente? Menos um guardião. — riu ela chegando perto do lugar onde Jack havia caído sem demonstrar preocupação.
- Poxa, obrigado pela preocupação. — ironizou Jack deitado sobre um dos esquis do trenó.
- Há! O que você esperava? Que eu me desesperasse? — ela se aproximou do guardião já em cima do trenó. — Oh meu Deus! O poderoso e lindo Jack Frost caiu do trenó e provavelmente nunca mais voltara para nós! Alguém nos ajude a suportar essa dor... — riu ela.
- Todos ouviram? A bruxinha me acha poderoso e lindo.
Essa frase conseguiu fazer a feiticeira corar... E irritar-se.
- E-eu! Eu estava brincando! Não quis dizer nada disso... — gaguejou ela.
- Ah, pode admitir, você gosta de mim...
Ok , dessa vez, Mary deve ter ficado mais vermelha do que nunca.
- O que? Da onde você tirou isso? Eu... — ela tentou se explicar mas Norte a interrompeu.
- Vamos parar de briguinha de marido e mulher, ok?! Já vamos chegar! — ele disse.
- Ei! — gritaram Jack e Mary.
Norte pegou seu globo de neve mágico e sussurrou:
- Para... A toca do coelho.
Ele jogou o globo na frente do trenó e ali se abre um portal. O mesmo portal pelo qual Mary foi "arrastada" para o Polo.
Eles passaram pelo portal e chegaram imediatamente na toca... Ou o que sobrara dela.
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Os guardiões ficaram em choque. Arregalaram os olhos, não dava para acreditar no que estavam vendo. Era horrível. A toca fora sido destruída.
O que antes era o berço da primavera estava em destroços.
Aquela linda visão que se tinha ao entrar, de um lindo campo cheio de flores e magia, estava de algum modo... Marrom. As cores haviam sumido. A natureza estava destruída.
O lago que pintava os ovos parecia estar poluído. Cheio de lodo. No chão, haviam pedaços de pedras e de ovos quebrados.
Eles deram mais um passo a frente até avistar algo. Coelhão estava ajoelhado com uma expressão de derrota e tristeza.
- Coelhão, o que houve aqui? — perguntou Norte se aproximando de seu amigo.
- excela acabou do tudo. — ele suspirou.
- Morgana? Ela quem fez isso? — fada se aproximou também.
Ele assentiu. Baixou a cabeça e continuou em tom baixo:
- Monstros. Milhares deles, destruíram tudo. — ele se levantou e virou-se para seus amigos. — Meus ovos sentinelas, todos viraram... Destroços. — ele recaiu.
Mary deu um paço para trás e começou a andar pela toca, a procura de algo vivo ou inteiro. Deu poucos passos até achar algo e o pegou. Aquilo fez a tristeza chegar em segundos. O bumerangue do Coelhão estava partido ao meio.
Após perceber a ausência da feiticeira, Jack pôs-se a procurá-la.
Ele há achou um pouco distante do grupo de costas parecendo estar segurando algo. O guardião foi até ela e parou ao seu lado. Surpreendeu-se ao ver a arma de Coelhão partida. Eles se olharam com tristeza. Perder sua toca e o que lhe dava forças em um dia deixava qualquer um sem chão. Seria como quebrar o cajado de Jack, destruir a fabrica de Norte ou a pulseira de Mary.
Eles, segurando o tal bumerangue, foram até os outros guardiões. O antes alegre e brincalhão coelhinho da páscoa estava ajoelhado no chão incrédulo. Mary pôs a arma em sua frente. Ele levantou a cabeça e arregalou os olhos. Fada fez um "Oh" de lamento.
- Coelhão, fique calmo, é só um bumerangue. — falou Norte tentando acalmá-lo.
- Não é só um bumerangue! É o que me dava forças! Era o centro de minha esperança! — o coelho se levantou. — Uma esperança que... Não existe mais...
- Ta-talvez eu possa ajudar... Eu acho. — riu sutilmente a feiticeira.
Ela pegou um pedaço de um tipo de cipó que achara no chão e juntou as duas partes do bumerangue, as unindo novamente.
- Ahn, eu não acho que isso vai ajudar muito. — Jack se aproximou do grupo.
Mary o encarou com um olhar de reprovação.
- Posso terminar?
Ele levantou as duas mãos como se dissesse "vá em frente".
A guardiã pôs as mãos em cima da arma segurada por Coelhão e amarrada pelo cipó. Fechou os olhos e concentrou-se. Suas mãos começaram a se iluminar com uma luz roxa que logo iluminou todo o lugar.
Os guardiões sentiram a presença de algo, algo bom. A bruxinha irradiava algo maior que a justiça... Alegria.
A luz foi se apagando. Ela abriu os olhos e removeu o cipó que unia as duas partes do bumerangue e, para a surpresa de todos, ele estava inteiro.
- C-Como você fez isso? — questionou Fada maravilhada.
- Eu, não sei bem. — ela respondeu.
Coelhão foi tomado por uma felicidade que ele desconhecia. Pegou seu bumerangue renovado e o testou. Perfeito. Ótima precisão colo sentir. Ele olhou para Mary sorridente e disse:
- Obrigado.
- Há esperança. — a feiticeira falou pondo a mão no ombro do guardião.
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