Filha da justiça, a nova guardiã
5 E a situação apenas piora
Notas iniciais
- Oh, Los Angeles, setor 20. Nova York, setor 15. – falou Fada para algumas de suas fadinhas.
_ Ahn, Fada? — Mary tentou chamar a atenção da guardiã. Inútil. Fada do Dente continuava distraída. Ela voou até certo lugar, mas, ainda distraída, bateu contra uma coluna.
- Fada! Você esta bem? – Mary se aproximou da beija-flor que estava no chão e a ajudou a se levantar.
- Ai, to sim. – ela respondeu meio tonta. – Ah, Manhattan, setor 17. – falou para outra fadinha que estava mais próxima.
- Fada – chamou a guardiã. – se acalma! Por que esta assim?
- Assim como? – ela deu um pulinho no ar e exclamou: — Boston, setor 16.
- Assim: agitada. Por que esta desse jeito?
- Bem, é que, depois do ataque de Morgana a toca, eu quero que minhas fadinhas peguem os dentinhos o mais rápido possível. Para voltarem para cá e ficarem seguras. – ela explicou. De repente, uma fadinha beija-flor apareceu pondo-se na frente da feiticeira e entregando um dente a Fada. – Ow, já viu um canino mais lindo?
- Tah, é lindo e tudo mais, mas você não precisa ficar assim, não acha que... Mau Deus!
- O que foi?
- Hum, você não acha estranho ela ter atacado a toca primeiro? – falou Mary pensativa.
- Sim, mas o que tem isso?
- A questão é que a páscoa já passou. Não seria mais fácil ela acabar com as fadinhas? Ou com os sonhos? Ou com o Natal que esta mais perto?
- Oh, tem razão. Ela deve estar querendo nos deixar com uma falsa esperança. — deduziu Fada.
- Pode ser, mas que será a próxima, digamos, vitima? – Mary pensou andando de um lado para o outro.
- Vitima? Não fala desse jeito! – assustou-se Fada.
- Ok, ok. Se você quiser eu posso te ajudar. O que posso fazer?
- Serio mesmo?! Que bom! – a beija-flor abraçou a feiticeira animada. – Bem, você poderia ajudar as fadinhas a organizar os dentes. Assim vai mais rápido.
- Deixa comigo, Fada. – riu ela batendo continência.
Mary voou ate uma parede que continha várias “gavetinhas”. Era ali onde se guardavam uns tipos de estojos, e dentro ficavam os dentes. A feiticeira ficou ali parada voando em frente à parede esperando as fadinhas darem a ela os dentes para guardá-los. Elas apontavam a onde Mary deveria por o dente, não era o trabalho mais difícil do mundo, era rápido e ajudaria Fada a se acalmar um pouco.
A guardiã voava em seus pensamentos. Cada coisa que se passara em sua mente. Cada problema que se passava em sua vida. Ela ali vendo os dentes das crianças a fez pensar em como seria sua vida antes de Mary Firt. Sem perceber começou a cantarolar baixinho, mas não tão baixo para não fazer Fada do Dente deixar de ouvi-la. Ela se aproximou de Mary e disse:
- Pensando no Jack?
Mary respondeu baixinho:
- Sim... Espera! O que?
Fada soltou uma risadinha como se quisesse dizer “eu já imaginava”.
- Eu não estava pensando nele! – protestou à feiticeira.
- Ah qual é Mary! É o Jack Frost!
- Há, estou achando que não sou eu que gosto do Frost. – riu a feiticeira.
- O Jack é legal, mas não o vejo assim. Você por outro lado...
- Eu por outro lado? Credo! O Jack parece ser do bem, mas é muito infantil, implicante e...
- E? Bonito? Divertido? E você parece gostar de implicar com ele também. – Fada conseguiu mesmo deixar a guardiã brava e sem palavras. – Vamos, estamos só eu e você aqui, confesse pra mim, você gosta dele, não é?
Mary baixou a cabeça pensativa e, em poucas palavras disse:
- Não.
Fada mudou sua expressão alegre para uma séria rapidamente.
- Você vai negar? Então tudo bem. Só ia dizer que vocês ficam bonitinhos juntos, e ele também parece ter certa “afinidade” com você. – ela falou.
- Meu Deus – a feiticeira voltou-se a observar a parede. – daria para a gente mudar de assunto?
- Ah claro.
- Que bom. – ela virou-se para a beija-flor e disse: — Fada, o que é aquilo?
A guardiã estava apontando para o que parecia ser um altar em um canto do Palácio das Fadas. Havia três prateleiras com três fotos de três fadinhas diferentes em cima de cada uma, e em baixo de cada, uma vela que irradiava uma chama colorida.
- Bem, para cada criança há três fadinhas e, essas três fadas sumiram. – ela explicou meio sem jeito, demonstrando um sentimento de culpa.
- Sumiram? Como sumiram?
- Eu não sei bem, elas foram buscar os dentes de uma criança, uma a uma, começaram a desaparecer.
A feiticeira sentiu-se um pouco incomodada com a história, pensar em o que ou quem seqüestrara as fadinhas a fazia estremecer por dentro.
- Quem era a criança? – perguntou Mary.
- Sinceramente não me recordo muito bem, creio que era uma garotinha chamada Marienne.
"Marienne? Nome familiar. Devo te-la visto alguma vez por ai..." pensou Mary.
- Fada, tem certeza de que eu não tenho lembranças? — perguntou Mary tristemente.
- Mary — a beija-flor voou até a guardiã. — eu queria poder ajudar, mas não tenho nada aqui que pareça ser seu. Depois que a gente se conheceu, eu procurei saber mais sobre você, já que tinha dito que não tinha lembranças, mas não achei nada.
A feiticeira baixou a cabeça e respondeu:
- Tudo bem. Acho que, quando essa historia da Morgana acabar nós podemos... — ela ficou paralisada.
- O que foi?
- ABAIXA! — a guardiã puxou a Fada para baixo.
Por cima delas passou uma grande bola de fogo, atingindo uma das colunas que logo pegou fogo. Elas se olharam assustadas, em seguida Mary apagou o fogo com uma rajada d’água.
- Da onde saiu isso? — desesperou-se Fada do Dente.
- Pergunta para ele! — a feiticeira apontou para uma criatura em cima de uma plataforma flutuante da Fada. A criatura tinha jeito de ser um monstro meio dragão. Possuía asas e pequenos chifres na cabeça.
Ele se preparou para um novo ataque, mas antes, Mary lançou um pequeno furacão em direção a ele, fazendo-o despencar.
- Acho que Morgana esta nos atacando. — deduziu a feiticeira.
- O que vamos fazer? — perguntou a beija-flor um pouco em pânico.
- E-eu ando treinando um novo feitiço, mas acho que não vou conseguir.
- Se vai ajudar ao menos tente. — falou a guardiã ajudando algumas fadinhas a se abrigar.
Mary respirou fundo e foi para o centro do palácio central. Abriu os braços. De suas mãos saiu uma luz em um tom cor-de-rosa, que logo começou a cobrir todo o Palácio das Fadas com uma parede transparente na tonalidade rosa.
- Acho que consegui. — falou ela ofegante.
Fada sorriu para a guardiã. Elas observaram vários monstros dragões tentando lançar mais fogo contra elas. Falharam. O feitiço de Mary era forte.
De repente, algo atingiu a barreira criada pela feiticeira com força, fazendo o palácio estremecer.
Logo, a barreira começou a quebrar feito vidro. Criando vários buracos, deixando vários monstros dragões entrarem, acompanhados de uma mulher sombria. Morgana.
- Um feitiço de proteção tão fraco quanto você, minha querida. — riu ela.
- O que você quer aqui? — gritou Fada.
- Eu vou usar a mesma tática do Breu para acabar com a Fada do Dente, simples assim. — Morgana respondeu com um sorriso no rosto. Ela abriu suas mãos, de onde saíram vários leões de sombra roxa, que começaram a caçar as fadinhas por todo o palácio. Logo, vários monstros estavam pegando os dentes.
- Pare! — desesperou-se a beija-flor.
- Quer que eu chame os outros? — Mary sussurrou para Fada.
- Eu não faria isso se fosse você. — a bruxa se aproximou delas. — No momento, eu estou só as pegando, mas posso ordená-los para matá-las. Uma, por uma.
- Nossa, uma bruxa tão poderosa podia estar bolando seus próprios planos ao invés de robalos do Breu. — provocou Mary.
A bruxa franziu o cenho, e explicou:
- Não vou negar que ele tem certa, genialidade. Breu tentou inutilmente derrotá-los no passado, eu iria tentar, mas ele foi mais rápido, mesmo assim me deu tempo para aprimorar certos truques.
Enquanto ela explicava, Mary notou um botão dourado em uma das colunas. Voou rápido até lá e o apertou, convocando os outros guardiões.
- Mary, o que você fez? Agora ela vai... — falou Fada mas a guardiã a interrompeu.
- Eu não vou deixar!
Ela formou uma grande bola de fogo e jogou contra Morgana, que caiu no chão.
Em seguida, criou algumas bolhas e lançou na direção de varias fadinhas que estavam perto, protegendo-as.
Quando se virou, foi logo atingida por algo que deveria ser uma esfera de dor laçada pela bruxa. Ela foi arremessada contra uma coluna e desmaiou.
- Mary? Acorda. — Fada sacudia a feiticeira tentando fazê-la despertar, mas ela continuava desacordada.
Um dos leões de sombra de Morgana começou a se aproximar das duas. Cada vez mais perto, ate então começar a abrir sua boca. De dentro começaram saiam faíscas que com certeza iria machucá-las muito, mas então algo o atingiu fazendo-o desintegrar-se no ar. O bumerangue do Coelhão salvara as guardiãs.
O trenó de Norte começou a se aproximar com os outros guardiões nele.
Morgana juntou as mãos e sumiu em meio de uma névoa roxa, levando com sigo os leões, os dentes e milhares de fadinhas. As únicas salvas foram algumas que Mary envolveu nas tais bolhas.
- Fada! O que aconteceu? — perguntou Norte aterrizando seu trenó. — E onde esta a Mary? Ela não apareceu e... Oh! — ele notou a guardiã desacordada.
Jack voou até ela e segurou sua cabeça com delicadeza.
- Mary? Acorda! — falou ele. Fada e Coelhão trocaram olhares surpresos, mas o risinho da fada quebrou o gelo.
Talvez o toque gelado das mãos de Frost fora o que a fizera despertar.
Ela acordou e deparou-se com um par de lindos olhos azuis, ficou paralisada até tomar consciência do que estava acontecendo.
- Jack? O que... O que aconteceu? — falou ela tocando em sua nuca. — Morgana! Cadê ela? Fada! — ela saltou e voou até a beija-flor.
- Fica calma. Ela, foi embora. — falou a fada tristemente.
- Ela... O que? — a feiticeira falou meio tonta.
- Ah, os dentes. Ela os pegou, todos eles. Aconteceu de novo. — Fada pôs as mãos no rosto preparando-se para chorar.
- Acalme-se, Fada. — disse Norte pondo a mão no ombro da fada. — Conte-nos o que aconteceu.
Em quando a guardiã explicava tudo, Mary foi ate a beirada do palácio flutuante e ficou pensando no que fez. Pensou que podia ter feito mais.
Cruzou os graças e em seguida sentiu alguém se aproximar.
- Morgana pegou as fadinhas, não é? — Jack perguntou e Mary assentiu. — Sabe, você poderia ter ajudado.
- O que? — a feitiçaria o olhou incrédula.
- Você diz ser tão poderosa mas parece que não fez nada para impedir que aquela bruxa pegasse os dentes e as fadinhas. — legal, isso só ajudava mais Mary a se sentir melhor. — Veja, tudo sumiu.
- Você acha mesmo que eu fiquei só olhando? — a guardiã se aproximou mais de Frost. — Ah claro, eu materializei um balde de pipoca e me sentei no chão e fiquei assistindo! Você tinha que ter visto, a Morgana deu um show. — ela ironizou.
- Mas você... — o guardião tentou rebater mas Fada o interrompeu.
- Oh, vocês estão bem. — algumas fadinhas se aproximaram da fada. — Mas como?
- Mary? Foi você? — Norte perguntou.
- B-bem, eu... — gaguejou ela.
- Quando você fez isso? E-eu não vi você... — falou Fada.
- Antes da Morgana me atingir, eu fiz umas bolhas para proteger as fadinhas. — ela acariciou uma fadinha e completou: — E parece que funcionou. — ela fitou Jack com os olhos.
- Esta bem, esta bem, talvez você tenha feito algo. – Mary continuou o encarando. – O que?
- Estou esperando você pedir desculpas. – ela respondeu.
- O que? Eu não vou pedir desculpas!
- Ah qual é, Frost. Vai te cair um pedaço. – a feiticeira provocou.
- Vai.
A guardiã cruzou os braços novamente e o fuzilou com os olhos.
- Tah! Desculpa. – ele falou baixinho.
Mary saiu rindo e foi na direção dos outros guardiões.
- Você adorou isso, né? – Frost a seguiu.
- Aha. – ela assentiu.
Os dois ficaram junto dos outros em volta da Fada. Ela estava abalada. De acordo com Norte, isso já acontecera no passado, mas antes havia sobrado apenas uma fadinha e alguns dentes. Agora, restavam sete fadinhas no total, foram as que Mary conseguira salvar, mas infelizmente nenhum dente.
- O que vamos fazer agora? – perguntou Coelhão. Sand formou um ponto de interrogação em cima de sua cabeça.
Mary olhou em volta. O palácio estava se desfazendo. Começou a perder seu brilho, seu encanto. As crianças estavam notando que a Fada do Dente não viera esta noite.
- Nós podemos fazer igual quando Breu nos atacou no passado. Podemos pegar os dentes para você, Fada. – sugeriu o guardião da diversão.
- Não. – respondeu Fada, deixando a todos ficaram surpresos.
- Por que não? – questionou o Papai Noel.
- Porque vocês precisam se proteger. – ela explicou. – O natal esta chegando, e é essencial, para todos nós, que ele aconteça.
Por mais que eles não tivessem gostado da idéia, Fada parecia decidida e que não mudaria de idéia.
Todos a encararam sinceros, mas assustados.
- Confiem em mim, essas fadinhas iram me ajudar. Qualquer coisa, juro que os chamo. – concluiu a beija-flor.
- As coisas iram melhorar, Fada. Eu sinto isso... Aqui na pança. – Norte sorriu franco.
Mas questão era: será mesmo que iriam melhorar?
Notas finais
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