Ficarei Ao Seu Lado

13 Visita à Sala da Diretora


Notas iniciais
Olha quem voltou, e rápido dessa vez hahahah Eu tinha que comemorar meus 190 comentários e meus 30 favoritos *-* GENTE, VCS NÃO SE CANSAM DE ME MATAR, NÃO? AI SENHOR Obrigadaaaaaa por esse feedback tão lindo. Obrigada pelos comentários do capítulo anterior e por continuarem aqui me acompanhando nessa fic :3 — Jana, muito obrigada pelo help nesse cap haha eu não ia conseguir sair daquele ponto sem você. Love ya ❤ — Giovanna, obrigada por ter comentado todos os capítulos da fic *-* morri contigo, cara. Ah, gente, tem um hotzinho Caskett aí pra vocês se deliciarem, raw :P Enfim, vamos ao capítulo, nenecos ;) Enjoy.

— Ela já dormiu. – Kate informou ao marido ao entrar em seu quarto, o encontrando já na cama esperando por ela.

— Isso é ótimo, achei que ela não iria dormir tão cedo depois de ter comido tanto açúcar.

— E eu posso saber o porquê de a minha filha ter se entupido de açúcar, depois de eu ter proibido esse tipo de alimento? – ela questionou de forma divertida, cruzando os braços abaixo do peito e fingindo uma cara de brava.

Sempre soube que a regra de "não alimentar Sofia com porcarias" seria quebrada por ele na primeira oportunidade. Além de ser um amante dessas comidas, Castle não conseguia dizer não para a filha. Mas como ela poderia culpá-lo, não é mesmo? Bastava sua garotinha olhá-la com aquela carinha pidona, que ela já se rendia por completo também.

— Uma vez ou outra não fará mal, amor.

Ela apenas o encarou, balançando a cabeça em sinal de reprovação, mas mantendo um sorriso brincalhão estampado em sua face.

— Mudando de assunto – Kate disse, sentando-se ao lado dele na cama –, quando eu estava colocando Sofia para dormir, ela disse algo que me fez refletir algumas coisas. Ela ouviu sua conversa com Martha.

Castle se preocupou com aquilo. A mãe e ele haviam conversado coisas demais. Coisas que ele sabia que Sofia não deveria escutar, já que se tratavam das atrocidades que o pai dela havia cometido. E se ela ficasse brava com ele ou o rejeitasse? Ele não iria aguentar aquilo, já estava apegado demais àquela menina para que tivesse que lidar com seu desprezo.

— Ouviu?! – ele perguntou em alarde – Eu achei que ela estivesse dormindo. O que ela disse a você?

— Ela ouviu uma parte em que vocês conversavam sobre Igor. Sofia o conhece, Cas. E ela se refere a ele como "tio Igor".

— Quer dizer então que ele era presente nos dias dela. – Castle concluiu pensativo, sentindo-se aliviado por ela não ter se ligado sobre o que falaram a respeito de Josh.

— Sim... mas tem mais. Sofia comentou que Hermione, a antiga babá dela, não a deixava se aproximar de Igor. Eu estava pensando... se Hermione não queria Sofia próxima a ele...

— Então ela deve saber de algo. – Castle falou, concluindo o pensamento de Beckett.

— Você também acha isso, então?

— Claro. E se bem conheço essa carinha, você pretende ir mais a fundo na descoberta das supostas informações que Hermione tem. – Kate o olhou com um sorriso de confirmação para o que ele havia falado – Já era de se esperar. – ele completou, retribuindo o sorriso dela – Mas, antes de nos metermos nessa investigação, eu bem me lembro de uma promessa que foi feita a mim alguns minutos atrás, sabia?

— Promessa, é? – Kate disse provocante, mordiscando o lábio inferior, sabendo muito bem a que o marido se referia – Hmm... não sei se me lembro. Acho que preciso de uma pista.

— Que tal essa daqui?!

Castle perguntou, no mesmo tom provocador que a esposa usara, e a puxou para seus braços, capturando os lábios dela.

Sem interromper o beijo, Kate se levantou minimamente para empurrar o marido até que ele encostasse as costas na cabeceira da cama, e se aconchegou no colo dele, sentando-se de frente para ele e passando as pernas em cada lado de seu corpo.

O beijo acabou tomando proporções maiores e logo as roupas de ambos foram de encontro ao chão. O calor de seus corpos aumentava à medida que as carícias se intensificavam. Beckett passava as unhas com certa força pelas costas de Castle, enquanto ele lhe arranhava os ombros com os dentes e ia com a boca descendo até chegar aos seios da mulher. Que já estavam descobertos e bastante rígidos.

Por sorte, ela havia fechado a porta ao entrar no quarto. Esse fora o pensamento de Castle ao ouvir o primeiro gemido da esposa quando começou a sugar voluptuosamente os mamilos dela.

Beckett rebolava provocante no colo dele, estimulando-o. E, rapidamente, teve o resultado que desejava. Sentiu Castle crescer embaixo de si e seu membro atritar-se no ponto mais sensível dela. O que fez com que ela aumentasse o ritmo das reboladas.

Rick soltou um gemido longo e cravou os dedos na cintura dela, puxando-a ainda mais para de si, de forma meio violenta. "Preciso de você agora, não aguento mais", foi tudo o que ele disse antes de entrar nela vagarosamente, procurando sentir ao máximo o prazer da união de seus corpos.

Podiam se amar uma, duas, três, cinquenta vezes. Ele jamais se cansaria daquelas sensações, daquela satisfação plena de ter seu corpo unido ao dela. Kate Beckett fora a única mulher capaz de fazê-lo sentir tudo aquilo.

Já inteiramente dentro dela, Castle começou a se mover juntamente com Beckett. O atrito de seus corpos suados fazia um som extremamente sensual, que apenas aumentava a libido de ambos. Os movimentos iam ficando cada vez mais rápidos, e os gemidos roucos dos dois preenchiam o enorme quarto.

Aquilo era música para seus ouvidos.

Kate soltou um gemido alto ao se aproximar do clímax e segurou com força, com as duas mãos, na cabeceira da cama, forçando-se ainda mais contra Rick. Em um movimento brusco, ele saiu de dentro dela e voltou a entrar, completamente, fazendo com que os dois chegassem ao auge no mesmo momento. Beckett deixou-se cair por cima dele, perdendo as forças de seu corpo ao alcançar um orgasmo explosivo, juntamente com Castle.

Ainda com a respiração desregulada, ele se deitou na cama mantendo o corpo dela junto do seu. E assim permaneceram até se acalmarem totalmente, e dormirem abraçados.

#

Enquanto isso, na cabana de Vitor, ele e Josh conversavam sobre os últimos acontecimentos. O médico atualizou o primo acerca de suas prisões e da fuga que acontecera naquela manhã.

— E você acha que eles podem te encontrar aqui? – Vitor perguntou, preocupado com a possibilidade de se meter em alguma enrascada.

— Não. Kate nem sabe da sua existência, jamais imaginará que eu estou na cabana de um primo que vive próximo à cidade.

— Se você já fugiu, por que não sai logo do país? Reconstrua sua vida, como eu fiz com a minha.

— Não é tão simples, Vitor, ainda corre um processo contra mim. E Kate já espalhou fotos minhas por todas as partes, eu não conseguiria fugir sem ser reconhecido.

Vitor o encarou, analisando suas palavras e tentando pensar em alguma solução para o primo. Sempre foram cúmplices e se ajudavam no que quer que viesse a acontecer. Precisava ajudá-lo nessa também.

— Até que ponto Igor é confiável? – Pettigrew questionou ao se lembrar da careta carrancuda que o advogado tinha ao deixar Josh ali.

— Ele também está metido nessa, Vitor. Se eu cair, ele cai. – Josh disse firme – Igor não fará nada para nos prejudicar... eu espero.

— O que você quer dizer?

O médico permaneceu em silêncio algum tempo, analisando se deveria ou não compartilhar suas suspeitas com o primo, e os outros acontecimentos decorrentes do sequestro da filha. Achou por bem contar tudo logo de uma vez.

— Lembra-se de Hermione e aquela enfermeira que ficava cuidando de Sofia quando ela nasceu? – Vitor meneou a cabeça em afirmação – Igor as coagiu há um tempo. Ele achou que elas sabiam demais e decidiu intervir.

"Há um ano, mais ou menos, Hermione começou a investigar sobre o passado de Igor. Não sei por qual motivo, mas ela não gostava dele desde o início, e decidiu fazer sua própria investigação sobre a vida dele... Acontece que ela chegou mais longe do que pudemos prever, e começou a descobrir coisas perigosas a respeito de Igor. Coisas que não podem vir a público".

O médico ia contando calmamente, desde o começo, cada fato ao primo.

"Então, Igor a levou para um passeio e a obrigou a parar com as investigações e entregar a ele tudo o que ela havia coletado. E ela o fez".

— Simples assim?

— Não tão simples assim. Você sabe muito bem o que envolve esses passeios que Igor costuma levar suas "vítimas", não sabe? – Vitor apenas confirmou com a cabeça, novamente – Ela teve que inventar uma boa desculpa quando voltou para casa, já que não imaginava que eu sabia, e tinha concordado, com o passeio de ambos.

— Então aqueles envelopes no meu cofre...

— Sim. São as provas que Hermione conseguiu. Igor achou desnecessário te contar tudo naquela época. Mas, como eu ficarei aqui por um tempo, acho que você merece saber em que está envolvido.

— E a enfermeira? – Vitor perguntou depois de um tempo em silêncio.

— Depois que Kate descobriu que Sofia esteve comigo esse tempo todo, ela começou a investigar e abriu um processo contra mim. Para me acusar de sequestro e conseguir a guarda integral de Sofia. Então, ela começou a procurar possíveis testemunhas, e encontrou a enfermeira Astoria Greengrass.

"Igor sabia que ela já havia nos visto juntos diversas vezes no hospital, e teve receio de que ela contasse algo a Kate e esta pudesse desconfiar que ele também participou do sequestro. Então, ele foi à casa de Astoria e a ameaçou dizendo que mataria a filha dela caso ela contasse algo a Kate. Parece que funcionou, ela se calou e ele está livre de culpa".

— Igor não vai deixar isso assim, Dav, você sabe. – Vitor falou, lembrando-se das inúmeras artimanhas feitas pelo advogado para se ver livre de qualquer coisa que o incomodasse – Um processo correndo contra você, nesse caso específico, é demasiado arriscado para ele.

— Ele não irá. – o médico confirmou as suspeitas do primo – Antes de se mandar daqui, Igor deu a entender que daria um fim nesse processo.

— O que você acha que ele fará?

— Eu juro que não faço ideia, mas boa coisa não será. Disso eu tenho certeza.

#

No dia seguinte, pela manhã, Igor andava de um lado para o outro em seu escritório, com o telefone colado em sua orelha, esperando ser atendido.

Doutor Gaunt, a que devo a honra de sua ligação?— Junior Crouch atendeu animadamente.

Ele havia sido o estagiário da juíza Moody – responsável pelo caso de Josh – e depois foi contratado para trabalhar diretamente com ela, como uma espécie de assistente. Não era uma das pessoas mais corretas dali, porém Moody sequer desconfiava disso. Ele sempre fora o maior bajulador de Igor Gaunt, sabia dos benefícios que teria caso o fosse.

— Olá, JR. Conseguiu as informações que te pedi?

Ôh, claro. A doutora Moody me colocou para trabalhar com ela nesse caso.— Crouch dizia, folheando a pasta com as informações do caso – Até agora não foram coletadas provas cabais, porém, alguns depoimentos já foram coletados, sem contar as inegáveis provas de materialidade que a capitã Beckett conseguiu.

— E tudo isso se encontra na sala de arquivos do 12th, eu suponho.

Isso.

— Ótimo trabalho, JR. Lembrarei-me disso mais tarde.

O advogado finalizou a chamada e se sentou na enorme poltrona que ficava disposta ao canto da parede de sua sala. Precisava pensar em algo para dar um fim nesse processo. Estava se cansando de ter Beckett metida em cada caso que ele pegava, essa rivalidade estava tomando proporções grandes demais.

"A qualquer momento essa capitã enxerida conseguirá me destruir completamente", ele disse em voz alta, tentando encontrar uma solução para aquilo.

#

Como já era de costume, Kate e Rick seguiram juntos para a delegacia no carro da capitã, levando Sofia consigo, para deixarem-na em seu colégio.

Os três seguiam o caminho conversando animadamente, Sofia os enchia de informações acerca dos amiguinhos que tinha no colégio e de seus professores. Todos os dias eram assim, e o casal amava cada vez mais esses pequenos momentos ao lado de sua menina.

— Chegamos, princesa. – Kate disse, tirando seu cinto de segurança e saindo do carro para ajudar a filha.

Abriu a porta e tirou a garotinha de dentro do automóvel, enquanto Castle tirava a mochila da menina e sua lancheira. Rick deu um beijo de despedida na testa da menina e ficou parado próximo ao carro observando Kate levá-la para dentro da escola.

— Comporte-se, meu amor. Mais tarde o papai volta para te buscar. – Kate se abaixou para ficar na altura da filha e falou, acariciando seus cabelos.

— Tudo bem.

A menina disse com seu sorriso doce e se atirou nos braços da mãe, agarrando-se ao pescoço dela. "Eu te amo, Kate", ela sussurrou no ouvido da mulher e deixou um beijo molhado em sua bochecha.

Kate sentiu seu coração vacilar uma batida. Era a primeira vez que Sofia dizia isso a ela. E ela nunca pensou que seria assim, tão natural e em um momento cotidiano. Aquela menina sempre a surpreendia.

— Eu também te amo, meu amor. – ela respondeu com os olhos marejados, e a apertou ainda mais forte entre seus braços.

Despediram-se mais uma vez, com seu habitual beijo de esquimó, antes de se separarem e cada uma seguir para um lado.

No intervalo entre as aulas, Sofia conversava com Luna Lynch – sua melhor amiga – e Marcos Diggory, quando Pansy Parkinson se aproximou dos três, acompanhada de Cho Chang, com seu costumeiro andar debochado.

Para quem se tratava de apenas uma criança, aquela menina conseguia ser bastante insuportável. E adorava implicar com Sofia, já que todos ali a amavam, o que fazia Pansy sentir uma espécie de ciúmes invejoso.

— Sof, olha quem está vindo. – Luna disse ao avistar Pansy.

— Quer sair daqui, Sof? Ir para perto da tia Caridade? – Marcos perguntou, já sabendo que a garotinha só se aproximava deles para provocar a amiga.

— Não, Marc. Eu não me importo com as coisas que essa menina fala.

— Olha, Cho, o trio preferido da professora. – a menina comentou em voz alta – O que os anjinhos da sala estão fazendo?

— Vai embora, Pansy! – Sofia disse sem paciência.

Herdara não apenas a aparência exterior de Beckett, mas também seu temperamento forte. Mesmo que fosse doce a maior parte do tempo, Sofia tornava-se uma pequena fera quando alguém ousava "pisar em seu calo".

— Para uma garota abandonada pela mãe, você se acha bastante, ein, Davidson.

— É Beckett-Castle! – a menina falou, referindo-se aos sobrenomes dos pais.

Há algumas semanas, Kate havia falado a ela que seu nome seria mudado para que ela tivesse o sobrenome deles dois. E isso a deixou imensamente feliz e animada. Achava lindo o sobrenome "Beckett" que herdaria da mãe.

— Esse é o nome daquela mulher que se diz sua mãe? – Cho perguntou, também provocando a pequena.

— Ela é a minha mãe.

— Deixa a Sof em paz, Pansy. Vai procurar seus amigos e deixa a gente aqui, ok?! – Luna interveio, com medo do que a amiguinha poderia fazer. Sofia já se metera em encrenca uma vez por conta das provocações de Pansy e Cho.

— Ela nem gosta de você. – Pansy falou, olhando para Sofia – A mamãe disse que a sua mãe largou você e te deu para o seu pai. Você tem a pior mãe do mundo, Da-vi-dson. – a garotinha morena tornou a provocar, frisando o sobrenome do pai de Sofia.

— Não fala assim da minha mãe! – Sofia exclamou enfurecida e partiu para cima da colega de classe, fazendo com que as duas caíssem ao chão.

As professoras Caridade Burbage e Aurora Sinistra, responsáveis pela classe de Sofia, viram a confusão e correram ao encontro das crianças, a fim de apartarem a briga. As duas meninas rolavam no gramado do colégio quando as professoras as alcançaram. Separaram-nas e, após darem uma bela bronca em ambas, as levaram para a sala da diretora.

Esse tipo de comportamento era inadmissível naquele colégio.

#

— Então você acha mesmo que a antiga babá sabe de algo? – Espo questionou após Kate contar a ele e Ryan sobre suas suspeitas.

— Sim. – ela respondeu, simplesmente.

— Você quer que a gente a localize, capitã? – Ryan perguntou.

— Na verdade, quando Hermione se mudou para Cambridge, ela me deixou seu contato para o caso de eu precisar de ajuda com Sofia. Ainda não me comuniquei com ela pelo fato de tudo isso ter acontecido na noite passada, e não tive tempo ainda.

— Kate, você... – Espo começou, mas interrompeu a si mesmo quando o telefone da capitã começou a tocar.

Estranho, ela pensou ao reconhecer o número. Era da escola de Sofia. Será que algo havia acontecido?

— Beckett. – ela atendeu em seu habitual tom formal – Olá, diretora McGonagall, aconteceu algo com Sofia?

Kate ouviu atentamente o que a diretora do colégio de sua filha falava, e começou a empalidecer-se. Não era possível que sua doce criança tivesse feito algo daquele tipo.

— Certo. Estou indo agora mesmo para aí. – despediu-se da mulher e virou-se para seus detetives – Meninos, quando Castle voltar, digam a ele que precisei ir ao colégio de Sofia. Peçam a ele que nos espere em casa.

— Aconteceu algo grave? – Ryan perguntou, preocupando-se com a expressão presente no rosto da amiga.

— Sofia foi levada à diretoria. Ao que parece, ela se meteu em uma briga com uma colega de classe.

Beckett respondeu rapidamente e saiu dali às pressas. Precisava chegar logo ao colégio da filha para tirar essa história a limpo.

Assim que chegou a seu destino, Kate correu para a sala da diretora Minerva McGonagall. Encontrou a filha sentada em uma cadeira em frente à diretora, seu uniforme todo sujo de algo que ela julgou ser lama, e com outra criança sentada a seu lado, tendo as roupas na mesma situação, e uma marca de mão bastante avermelhada em sua face.

A professora Caridade Burgage levou Pansy consigo assim que Kate adentrou a sala, deixando que ela tivesse privacidade na conversa com a diretora. A capitã ocupou a cadeira que a garotinha de pele morena estava há alguns segundos e lançou um olhar severo para Sofia, que se encolheu ainda mais em sua cadeira, antes de voltar seu olhar para a diretora, indicando que estava pronta para ouvi-la.

A diretora McGonagall observou a mãe da criança por alguns instantes antes de começar, já havia feito aquilo milhões de vezes, mas nunca se acostumava com o olhar de decepção que os pais possuíam ao passarem por aquela porta.

— Senhora Castle, hoje no intervalo sua filha se envolveu em uma briga com uma coleguinha de classe, Pansy. Ambas não quiseram informar o motivo da briga, mas, pelo que muito já vi em todos os meus anos como diretora, acredito que tenha sido um motivo bobo, pois estamos falando de duas garotinhas de quatro anos, não?!

Sofia soltou um resmungo na cadeira ao lado da mãe, mas permaneceu fitando os pés, nunca olhando para a "tia Minerva" e, muito menos, para a mãe.

— Suponho que a senhora queira que eu converse com Sofia a respeito do assunto. – Kate olhou para a filha, passando a mão no rosto da menina apenas para tirar uma mancha de lama da sua bochecha.

— Sim, senhora Castle.

— Quando a senhora ligou, quase não acreditei no que me dissera. Sofia é uma garota tranquila e sabe muito bem que nada deve ser resolvido com violência. – Kate não olhava para a filha, aquela sensação ainda era estranha para ela.

— Sim, e por isso a chamamos aqui. Sofia irá para casa, assim como Pansy, ela deve pensar no que fez e amanhã se desculpará. Tudo bem, Sofia?

A menina balançou a cabeça e deu um olhar de relance para a mãe. Ela está muito brava, Sofia pensou antes de a diretora trocar um aperto de mão com sua mãe e dispensá-las.

As duas saíram da sala em silêncio, Sofia mantinha uma distância segura da mãe, temendo pelo que pudesse acontecer com ela.

A garotinha lembrava-se muito bem de quando foi parar na sala da diretora McGonagall pela primeira vez. Também por culpa das provocações de Pansy Parkinson.

A moreninha havia roubado o lanche que Luna Lynch tinha levado para a escola. Luna era novata e Pansy achou que seria divertido encrencar com ela. Sofia, que já não se dava bem com a menina, decidiu intervir em favor de Luna, e assim tornaram-se melhores amigas. Mas, além de uma nova amiga, ela ganhou uma suspensão por dois dias do colégio e uma bronca muito bem dada do pai, que a deixou sem diversão por quase dois meses. Os castigos de Josh costumavam ser demasiado severos e muito além das ações de Sofia.

Kate seguia o caminho de casa em silêncio, pensando em como abordar o assunto com a filha. Estava muito decepcionada com aquela atitude. Jamais esperou que Sofia fosse agir como uma selvagem e partir para a agressão, independente de qual fosse o motivo daquilo.

— Kate? – a garotinha, que estava sentada ao centro do banco traseiro do carro, chamou com a voz baixa e apreensiva.

A mulher olhou para ela pelo retrovisor e, em seguida, voltou os olhos para a direção.

— Pode falar. – respondeu com dureza na voz.

— A culpa não foi minha, Kate. Aquela Pansy nojenta me provocou, eu não queria...

— Mas ainda assim você o fez, Sofia. E eu nunca pensei que seria chamada à diretoria porque minha filha resolveu que seria certo bater na colega de classe. – ela falou com tristeza em sua voz, deixando transparecer a decepção que sentia.

— Kate... – ela tentou falar, mas foi interrompida pela mãe.

— Essa não é a princesa que eu venho criando. Nada deve ser resolvido com violência, e eu já te falei isso antes. Sua atitude deixou a mamãe muito triste. – ela falou direcionando o olhar para a menina, mais uma vez pelo retrovisor do carro, que a encarava fixamente – Eu esperava mais de você, Sofia.

A garotinha sentiu um frio incômodo na boca do estômago. Preferia muito mais que Kate tivesse gritado com ela como Josh fazia. Preferia ter apanhado ou ser proibida de ver seus desenhos favoritos. Preferia nunca mais na vida comer o cheeseburguer do tio Rick, do que ter ouvido aquelas palavras da mãe.

Kate estava triste, e a culpa era toda dela.

Sofia abaixou a cabeça e deixou lágrimas silenciosas rolarem por sua face. Não pronunciou nenhuma palavra a mais durante o resto do percurso de volta para casa. Sentia uma vergonha imensa pela atitude que tomara no colégio.

#

— Kate, eu já estava ficando preocupado com sua demora. – Castle exclamou assim que viu as duas entrando pela porta do loft. – Aconteceu algo grave? – ele perguntou ao notar os olhos vermelhos e ensopados da garotinha, e a expressão séria no rosto de sua esposa.

— Vou para o meu quarto. – Sofia disse sem olhar para os pais e se apressou em sair dali.

— O que houve com ela?

— Vamos até a cozinha? Preciso de um copo com água. E, então, te conto o que aconteceu no colégio da nossa filha.

O escritor concordou e seguiu com a esposa até o outro cômodo. Esperou que ela bebesse sua água para contar-lhe tudo. E assim ela o fez.

Após ouvir o pequeno desabafo de Kate, ele procurou acalmá-la com suas poderosas palavras. Sabia que a esposa estava decepcionada com a atitude da menina, mas sabia também que Sofia certamente tivera um ótimo motivo para agir daquela maneira. E ele iria descobrir qual era.

— Quer que eu vá conversar com ela, amor? – ele perguntou de forma doce.

— Sim, seria bom. – ela disse em um tom desanimado – Sabe, Cas... ontem Sofia estava conversando comigo e chamou você de "papai". – ela o contou com um sorriso meigo nos lábios.

— Jura? – a voz dele saiu alta e bastante animada.

Ele amava aquela menina desde sempre. Ela era sim sua filha, mas não achou que ela o aceitaria como pai. Afinal, ela fora criada, em termos, por Josh. E ele era o pai dela. Saber que Sofia o considerava tanto assim era a melhor coisa do mundo.

Papai. Uau.

Kate sorriu abertamente com a reação do marido. Sofia tinha esse efeito sob as pessoas. Não entendia o porquê de ela ter agido com agressividade naquela tarde. Deixaria que Castle conversasse com ela primeiro, e depois iria até lá. Precisava se acalmar para não ser dura demais com a menina, ela era apenas uma criança. Ela era o seu grãozinho, que dera um soco no rosto da colega, mas, ainda assim, continuava sendo o seu bebê de quatro anos.

Castle deu um beijo nos lábios de Kate e seguiu para o quarto da filha. Ao abrir a porta, encontrou a menina estirada na cama, o corpo tendo leves espasmos devido ao choro silencioso. Kate deve ter tido uma conversa dura com ela, ele pensou ao se aproximar calmamente da garotinha. Não queria assustá-la.

— Sof? – ele chamou de forma doce, sentando-se na cama ao lado da pequena, e passando a mão pelas costas dela.

Sofia levantou-se de supetão e se jogou no colo de Rick, deixando que suas lágrimas ensopassem a camisa do homem. Aquilo partiu seu coração em incontáveis pedaços. Precisava entender o que estava acontecendo ali.

— Shhh... está tudo bem, baixinha. Acalme-se, por favor. O papai está aqui, vai ficar tudo bem. Eu prometo.

— Ela não gosta mais de mim. – a criança disse entre soluços.

— Quem, minha pequena?

— Kate. – ela falou aumentando consideravelmente o choro – Minha mãe nunca mais vai gostar de mim, papai.

Papai. Ela realmente disse isso? Sim. Ela disse sim.

— Sof, sua mãe ama você mais que tudo nesse mundo. Isso jamais irá mudar.

— Eu a deixei muito triste. Ela me disse isso e eu vi nos olhos dela. Ela não me tratou com amor, não mais.

— Sua mãe só está magoada com a sua atitude, mas isso vai passar. Ela vai conversar com você para perguntar o motivo de você ter brigado com... é...

— Pansy, papai.

— Pansy. Isso. Agora – ele falou, limpando as lágrimas do rosto da menina, que já começara a se acalmar –, você quer contar ao papai o que houve lá no seu colégio?

Sofia agitou a cabeça em afirmação e fungou, antes de contar o motivo da briga. Endireitou-se no colo do homem e o olhou nos olhos, dando início ao relato.

— Eu estava com Luna e Marc, meus amiguinhos, a gente sempre passa o recreio junto. Então, aquela Pansy nojenta e a chata da Cho foram até o nosso canto de sempre implicar comigo. Pansy é sempre assim comigo, ela adora falar coisas para me chatear.

Sofia ia se abrindo com o pai, sentia que podia confiar nele. Talvez ele a ajudasse com a mãe e aliviaria sua barra. Estava com medo da conversa que ele disse que a mãe teria com ela mais tarde.

"Então, ela começou a ofender a minha Kate. Disse que ela não gostava de mim e tinha me dado para o papai Josh, papai. Eu fiquei muito brava e bati nela. Não ia deixar que ela falasse aquelas mentiras sobre a Kate, porque... aquilo é mentira, não é, tio Rick?", ela questionou ao final, com certa insegurança em sua voz.

Tio Rick. Ok. Acho que ela irá intercalar entre os chamamentos. Rick pensou enquanto ouvia a filha falar tudo aquilo sem, ao menos, parar para respirar.

— Claro que sim, pequena. Sua mãe não abandonou você, já conversamos sobre isso. – ele falou, acalmando a garotinha – Olha, Sof, a intenção de defender sua mãe foi linda, mas... não foi certo o que você fez, você sabe disso, não sabe? – ela agitou a cabeça em afirmação – Mas não se preocupe, Kate não deixará de amar você por causa disso. Ela vai entender e, como eu, vai te explicar que não se pode resolver as coisas na base da violência.

— Eu sei. – ela disse com a cabeça abaixada – Você me desculpa, papai?

— É claro que sim, princesa. Agora, saia desse quarto escuro e vá conversar com sua mãe. Explique a ela o porquê de você ter feito o que fez.

Sofia obedeceu e saiu correndo do quarto para encontrar Kate. Avistou a mulher sentada no sofá e se aproximou com cautela.

— Oi. – ela anunciou sua presença de forma tímida.

Beckett, notando a insegurança da criança, abriu um sorriso meigo para ela e estendeu a mão, chamando-a para se sentar ao seu lado.

— Venha aqui, meu amor. – a mulher disse, e Sofia o fez mais que depressa. – Sof, eu preciso que me conte o que aconteceu, de verdade, entre você e Pansy Parkinson.

— Tudo bem. – a menina se endireitou no sofá e relatou tudo o que acabara de contar ao pai em seu quarto.

Ao final, Kate disse exatamente o que Castle falou que ela diria. Sentiu-se mal por ter tratado a filha de forma tão dura, e disse que jamais iria ter raiva dela, que apenas ficara triste com aquela atitude e a fez prometer que, independente do que acontecesse, ela jamais voltaria a resolver as coisas com agressão.

— Eu prometo, Kate. – ela disse com um sorriso mínimo no rosto, e recebeu um forte abraço da mãe. – Aquela Pansy é uma corrupira, mesmo. – a menina disse com a voz abafada por estar com o rosto enterrado no peito da mãe.

— Uma o quê? – Kate perguntou, tentando segurar o riso.

O que quer que fosse aquela palavra, ela sabia que a filha a pronunciara erroneamente. E aquilo tinha sido adorável.

Corrupira. Eu ouvi o papai dizendo isso.

— Quando?

— Ontem. Papai disse à vovó Martha que o tio Igor é corrupiro.

"Ah", Kate exclamou, rindo. Então a ofensa que ela desferira à amiga era isso. Sofia conseguia ser adorável até mesmo repetindo palavras que ela não fazia ideia do que significavam.

— O correto é corrupto, meu amor. E eu acho que sua coleguinha não se encaixa no conceito dessa palavra. – ela falou, acariciando o rosto da filha.

Sua pequena ferinha havia agredido fisicamente a colega e arriscado ir parar na diretoria apenas para defendê-la. Os genes Beckett novamente se faziam presentes em sua filha. Ela ainda daria muito trabalho.

— Kate... – ela começou, mas logo se calou.

— Diga. Pode dizer o que quiser a mim, meu amor.

— Aquilo que a Pansy disse não é verdade, certo?

— É claro que não, Sofia. Eu jamais abandonaria você. – ela tocou o rosto da criança, forçando-a a olhar para ela – Você sabe disso, não sabe?

— Eu sei, mas... – ela abaixou o rosto, sentia medo da resposta que pudesse obter – Por que você não me quis mais depois que eu saí de dentro da sua barriga?

Kate sorriu levemente, porém com pesar, ao entender a insegurança de sua filha, e se apressou em tirar aquele medo dela. Não podia deixar que ela permanecesse com esse sentimento de rejeição, e justamente por aquela pessoa que se espera que mais nos ame.

— Eu sempre te quis, Sofia. Sempre. Você foi para longe de mim contra a minha vontade, e eu passei todos esses anos procurando por você em cada canto possível e imaginável. Por isso eu te trouxe imediatamente para a minha casa quando te encontrei. Eu não queria perder nem um segundo a mais longe de você. Eu te amo muito, Sofia. Nunca duvide disso.

— Eu amo você também. – a criança respondeu com um enorme sorriso de alívio estampado em sua face.

Castle observava a cena de longe. Adorava ser um telespectador nos momentos de interação entre aquelas duas. Seus bens mais preciosos, juntamente com Alexis e Martha. Era um homem realmente afortunado por ter em sua volta as quatro melhores mulheres do mundo.

Após aquela situação toda ter se resolvido, Sofia e Kate voltaram ao seu normal. As duas, juntamente com Rick, preparam o jantar e o comeram animadamente. O loft dos Castle foi de pura farra naquela noite.

Depois de colocar Sofia para dormir, Kate foi para o quarto e, aproveitando que o marido ainda estava no banho, decidiu ligar logo para Hermione. Precisava que ela voltasse para Nova Iorque o quanto antes.

Procurou o papel que a moça a havia entregue com seu número de contado e o discou em seu celular. Não foi preciso esperar mais que três toques para ser atendida.

— Oi, Hermione. É a Kate, mãe de Sofia.

Olá, senhora Castle. Aconteceu alguma coisa? Sofia está bem?

— Está tudo bem. Sofia está ótima. O motivo da minha ligação é outro. – ela disse, tentando conter a ansiedade em sua voz. Temia que a moça se recusasse em ajudá-la – Você tem planos de voltar à cidade por agora?

Na verdade, senhora Castle, eu tenho sim.— ótimo, ela pretendia ir até lá – Inclusive, eu estava pensando em entrar em contato com a senhora. Terei folga na faculdade e gostaria de visitar Sofia, se não for incômodo, claro.

— Imagina, Hermione, incômodo nenhum. E Sofia amará receber uma visita sua.

Ótimo.— a moça exclamou animadamente – Mas, se a ligação não tem a ver com Sofia, por que a senhora queria saber se irei para Nova Iorque?

— Hmm... Hermione, eu serei bem direta. Preciso que me conte tudo o que você sabe a respeito de Igor Gaunt.

A moça gelou do outro lado da linha e Beckett pode jurar tê-la ouvido arfar de uma maneira quase desesperada. O que aquilo poderia significar? O que Hermione Sproud poderia saber sobre o advogado de seu ex-patrão?!

Kate só esperava que, depois de saber suas reais intenções, a moça não mudasse os planos da visita.

Notas finais
A neném disse que ama a Kate AAAAAAAAA *-* "Mas Mai, agora ela vai chamar Rick de pai?" SIIMMMM, obaaa o/ Por favor, não briguem comigo pelo que fiz com Sofia haha já ta tudo resolvido. E o tão desejado "mamãe" está cada vez mais próximo. Então, oq acharam? Comentemmmm ;) p.s.: desculpem se ficou exageradamente grande e cansativo de ler, foi necessário abordar tudo isso aqui. Love ya ❤